ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018A EDUCAÇÃO AMBIENTAL ABORDANDO A ESCASSEZ HÍDRICA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE MANTENA-MG  
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL ABORDANDO A ESCASSEZ HÍDRICA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE MANTENA-MG

Ediu Carlos Lopes Lemos¹, Maria Aparecida Valente²

¹Coordenação da Pós-graduação em Gestão Ambiental, Instituto Federal do Espírito Santo

²Pós-graduada em Gestão Ambiental, Instituto Federal do Espírito Santo



Resumo: O crescimento das cidades aliado ao desenvolvimento industrial têm ao longo do tempo gerado inúmeros problemas ambientais, dentre os quais, um tem se destacado “a crise hídrica”. Diante dos diferentes problemas ambientais, tem sido notável um crescente interesse pela proteção e conservação ambiental, principalmente em função do âmbito escolar. Assim, partindo do pressuposto que, sendo a escola um espaço social e um local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização, é importante que a mesma adote em seu exercício escolar, condutas ambientalmente corretas, por suas práticas serem entendidas como aquilo que é desejável ter na sociedade, auxiliando assim, na formação de cidadãos responsáveis. O objetivo deste trabalho consistiu em objetivo investigar como uma Escola de Ensino Fundamental e Médio da cidade de Mantena – MG trabalha a promoção da educação ambiental tratando do tema da “escassez da água’’, sensibilizando os alunos através da aquisição do conhecimento, visando o desenvolvimento de uma consciência comunitária geral, frente às questões ambientais. Os resultados demonstram que ao abordar a educação ambiental, estimula-se não só uma visão ampla de mundo, mas proporciona ao aluno que este, seja um agente do processo de aprendizagem, participando ativamente, tanto diagnosticando problemas quanto buscando soluções, sendo preparado como agente transformador.



Palavras-chave: Educação ambiental, escassez hídrica, Mantena

Abstract: The growth of cities coupled with industrial development has over time generated numerous environmental problems, among which one has been highlighted the water crisis. Faced with the different environmental problems, a growing interest in environmental protection and conservation has been notable, mainly due to the school environment. hus, assuming that the school is a social space and a place where the student will follow the socialization process, it is important that the student adopts environmentally correct behaviors in his school year, because his practices are understood as what he is desirable in society, thus helping in the formation of responsible citizens.The objective of this work was to investigate how a School of Elementary and Middle School in the city of Mantena - MG works to promote environmental education on the theme of "water scarcity", sensitizing the students through the acquisition of knowledge, aiming at the development of a general community awareness of environmental issues. The results show that in approaching environmental education, not only a broad world view is stimulated, but it also allows the student to be an agent of the learning process, actively participating, both diagnosing problems and seeking solutions, being prepared as an agent transformer.

keywords: environmental education, water shortage, Mantena



Introdução

O salto de qualidade do ambientalismo ocorre na medida em que se cria uma identidade crescente entre o significado e dimensões das práticas, com forte ênfase na relação entre degradação ambiental e desigualdade social, reforçando a necessidade de alianças e interlocuções coletivas para a preservação ambiental (JACOBI, 2003).

Arrudas e Neves (2012), afirmam que embora os problemas ambientais estejam na vivência do dia a dia das pessoas, a mudança de atitude de cada indivíduo e o desenvolvimento da consciência ambiental não são fatos comuns. A título de exemplo é a escassez de água em nosso planeta e no nosso país de forma geral, perceptível nos últimos anos com a chegada das estiagens e secas prolongadas em cidades, estados e países inteiros que sofrerem com esse tipo de problema.

O desperdício de água é um tema que pode ser discutido em diversas áreas, contribuindo no que diz sentido a institucionalização de práticas conservacionistas e para a adoção de uma postura mais crítica e menos agressiva e mais tolerante para com o meio ambiente. O combate ao desperdício de água pode ser tratado na universidade – local de produção de conhecimento – e assim poder transmitir para outros locais onde esses cidadãos em formação atuam (família, trabalho, comunidade).

Estudos comprovam que, em poucas décadas a água doce do planeta não será suficiente para suprir as necessidades humanas caso não haja um controle no uso desse recurso (INMETRO, 2007). Neste sentido, a Escola é sem dúvida alguma, o local onde tornasse essencial a adoção da educação ambiental (EA) (REIGOTA, 2006). Philippi (2003) afirma que uma das opções para este problema é o reaproveitamento da água, em que este processo é fundamental na Gestão Ambiental da água e detentor de tecnologias já consagradas para a sua aplicação. A educação ambiental é uma ferramenta que é capaz de oferecer subsídios a mudanças na sociedade atual, contribuindo para o alcance da sustentabilidade (COIMBRA, 2006) e visando a formação de cidadãos capazes de interferir nos problemas ambientais bem como uma sociedade preocupada com a natureza (REIGADA e REIS, 2004).

Desde o final do século XIX o homem tem utilizado a água de forma desordenada, acreditando ser este recurso inesgotável. A partir disso, diversos cientistas e escritores vem anunciando o crescimento da escassez de água no mundo (LIMA, 2010) Para a promoção da construção do conhecimento, nas escolas utiliza-se como tema a água, partindo do pressuposto do pensamento sistêmico, ou seja, reproduzindo os padrões de criação e da evolução da vida em tudo que existe no meio ambiente (LOBO e CARTOCCI, 2006). Como afirma Silva e Júnior (2002) é fato que no dia-a-dia a água não é reconhecida como um recurso importante, isto decorre do fato de não estarmos acostumado com a falta deste elemento. No entanto, os mesmos autores apontam que a realidade não é essa, pairam discussões sobre opções muito caras para consertar o problema da falta de água.

Diante do exposto, este trabalho, teve como objetivo investigar como uma Escola de Ensino Fundamental e Médio da cidade de Mantena – MG trabalha a promoção da educação ambiental tratando do tema da “escassez da água’’.

Metodologia

Em primeiro momento foi realizado um levantamento de bibliografia, referentes à Educação Ambiental. Após o levantamento bibliográfico, foi ministrada uma aula abordando o tema da “escassez hídrica”. Para avaliar o desperdício das águas na escola, foram monitorados por quatro dias consecutivos os bebedouros da escola, as águas que derramam foram armazenadas em galões de 20 litros. Por fim, foi aplicado um questionário estruturado com 15 perguntas a 100 alunos das turmas do 9º ano e do 1º do ensino médio, estes possuem idade média entre 13 e 16 anos.

Resultados

O trabalho foi realizado em uma escola pública da rede Estadual que compõem a área urbana do município de Mantena – MG. A escola tem um total de 1430 alunos nos três turnos.

Quando questionados se havia uma preocupação com o futuro do Meio Ambiente e com o planeta (100%) dos alunos responderam que é um dever de todos cuidarem dos recursos naturais e em específico dos recursos hídricos.

Das perguntas destinadas a percepção ambiental e a medidas de preservação ambiental, quando indagados em relação à origem da água que consumimos (86%) dos alunos afirmaram que tem conhecimento em relação ao ciclo da água no planeta, enquanto (14%) assinalaram desconhecer. Esse dado é preocupante, visto que, existe um grupo de alunos em idade escolar que respondeu não conhecer sobre o assunto, embora, o tema sobre a origem e o ciclo da água fazer parte dos componentes curriculares de Ciências e Biologia.

Ainda no que diz respeito à percepção ambiental, bem como, as práticas de consumo de água dos alunos, a maior parte deles tem conhecimento de que a água doce é um recurso natural finito (90%) contra (10%) que assinalaram não ter tal conhecimento.

Quanto ao desperdício no uso das águas foi perguntado aos alunos quanto tempo eles costumam gastar no banho, a maior parte relatou que gastam mais de 10 minutos (56%) enquanto (44%) que gastam tempo menor.

Entre outros hábitos de desperdício de água pelos alunos, quando perguntado a eles de que forma eles utilizavam os bebedouros? Obteve-se as seguintes respostas, (82%) dos alunos responderam usar as mãos para beber água, (12%) responderam usar garrafinhas e outros (6%) canecas individuais, além de (78%) apresentarem o hábito de lavar as mãos nos bebedouros e (22%) não terem esse hábito.

Tentando compreender as atitudes dos alunos a outras pessoas, perguntou-se sobre o que eles fazem quando veem alguém desperdiçando água, 59% responderam não tomar nenhuma atitude, enquanto que 33% responderam que chamam a atenção das pessoas e até falam sobre a crise hídrica, já (8%) responderam que tomam atitudes mais severas, fazendo denúncia aos órgãos fiscalizadores.

Na busca de tentar dimensionar o desperdício nos bebedouros utilizados pelos alunos, foi realizado em um período de 4 dias consecutivos a coleta da água derramada, que teria como destino a rede de esgoto. Os resultados obtidos demonstraram que o desperdício variou de 60 litros a 320 litros/dia com média de 205 litros/dia (Figura 1).

Figura 1Desperdício de água nos bebedouros da escola

Observou-se um maior desperdício no bebedouro próximo á quadra onde os alunos praticam suas atividades esportivas, consequentemente esse é o bebedouro mais utilizado.

A partir da análise desses dados, os próprios alunos traçaram idéias para diminuir o desperdício de água potável na escola, tomando a iniciativa de divulgar os resultados para toda a escola, ocasião em que distribuíram canecas individuais, ainda divulgando próximo aos bebedouros a campanha: “Traga sua caneca”.

Inserido ao contexto de perdas e de desperdício, o termo uso racional da água tem sido um instrumento valioso na busca por soluções que minimizem estes problemas, já que se refere ao conjunto de intervenções que devem ser realizadas em uma edificação, de tal forma que as ações de redução do consumo sejam resultantes de amplo conhecimento do sistema, garantindo sempre a qualidade necessária para a realização das atividades consumidoras, com o mínimo de desperdício (FIESP, 2005).

Segundo Nunes (2000), para alcançar o uso racional de água são necessárias mudanças no padrão de uso, seja pela instalação de aparelhos eficientes ou pela combinação de outras ações, que atuando de forma coordenada terão resultados positivos a médio e longo prazo.

Entre outras questões que foram abordadas estava a participação da escola em projetos de educação ambiental, voltados para a preservação e uso correto das águas, os resultados demonstraram que 60% alunos responderam que não é feito nenhum tipo de sensibilização para o tema, também, foi diagnosticado que 88% dos docentes não trabalham nada referente a educação ambiental, ficando estas atividades restritas a alguns docentes que possuem formação em áreas afins do meio ambiente.

Os dados confrontam a Política Nacional de Educação Ambiental, uma vez que em seu texto legal a mesma considera de suma importância o envolvimento das várias entidades: empresas, escolas, ONG’s, sindicatos, entidades Públicas e outros, em projetos e parcerias com as escolas, sendo esta, o espaço mais adequado nas práticas do ensino de EA já que é através dela que a inserção da dimensão socioambiental para a preservação do Meio Ambiente e dos seus recursos naturais surte maior efeito ao considerar o trabalho com sujeitos na construção do conhecimento, desenvolvendo seu aspecto cognitivo de ação das pessoas, gerando reflexão, participação democrática e compromisso para a transformação das relações sociedade – natureza.

Corroborando com os resultados encontrados Costa (2012) afirma que a Educação Ambiental num contexto multi e interdisciplinar tenta resgatar a necessidade de participação dos educandos na solução dos problemas ambientais, harmonizando as ações humanas em relação à sua própria espécie e aos demais seres vivos do planeta, bem como ao conjunto de fatores que compõem o ambiente. A Educação Ambiental é um processo participativo, onde as pessoas podem assumir o papel de elemento central do processo, participando ativamente no diagnóstico dos problemas e busca de soluções, sendo preparadas como agentes transformadores, por meio de desenvolvimento de habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética e condizente ao exercício da cidadania.

Discussão

Após análise do referencial teórico sobre a importância da temática ambiental no contexto escolar conclui-se que essa temática na prática ainda é pouco disseminada dentro do ambiente escolar e pelas entidades públicas e privadas, indo na contrapartida à Política Nacional de Educação Ambiental que alude como sendo dever de todos trabalhar por um Meio Ambiente mais equilibrado e dos seus recursos naturais, uma vez que se deve pensar de forma global e agir no local, já que a escassez de água e dos demais recursos podem vir a gerar impactos a todas as espécies que dependem do equilíbrio do planeta para sobreviver.

Percebe-se que apesar de todas as divulgações de tais consequências por cientistas e analistas, as pessoas por mais que apresentem uma consciência ambientalista, no seu cotidiano, na sua vida prática não aplicam os conceitos de sustentabilidades, economia de recursos e uma educação para o consumo.

Observou-se ainda que a maioria dos entrevistados mostraram-se conscientes em relação ao desperdício de água, no entanto, há a necessidade de se fazer um trabalho de educação ambiental, uma vez que, ocorre uma grande quantidade de desperdício de água no ambiente escolar.

Por fim, precisamos caminhar para uma Educação Ambiental que resgate a participação dos educandos na busca de solução para problemas ambientais como a escassez de água. É preciso conhecer para preservar, buscando harmonizar consumo e produção na medida certa para que os recursos naturais possam estar disponíveis às próximas gerações. E que nossas atitudes possam minimizar os impactos que a espécie humana causou ao equilíbrio dos ecossistemas em geral.



Bibliografia

ARRUDAS, S. R; NEVES, S. da C. Ecologia e Educação Ambiental para o Ensino Fundamental e Médio. Ed. Unimontes: Montes Claros, 2012.

COIMBRA, A. O tratamento da Educação Ambiental nas conferências ambientais e a questão da transversalidade. Revista eletrônica do Mestrado de Educação Ambiental. Rio Grande, RS, v. 16, p. 131- 142, 2006.

COSTA, M. O. G. Educação e Meio Ambiente: as possibilidades de parceria escola e entidades de defesa ambiental na cidade de Mantena – MG. Ed. Montes Claros,2012.

FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO; AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS; SINDUSCON-SP. Manual de Conservação e Reúso da Água em Edificações. São Paulo: Prol Editora Gráfica, 2005.

INMETRO. Meio Ambiente e Consumo - Coleção Educação para o Consumo Responsável. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/infotec/publicacoes/cartilhas/ColEducativa/meioambiente.pdf

LIMA, R. M. A. Gestão da Água em Edificações: Utilização de Aparelhos Economizadores, Aproveitamento de Água Pluvial Reuso de Água Cinza. Monografia apresentada à Universidade Federal de Minas Gerais (Curso de Especialização em Construção Civil). Belo Horizonte, 2010.

LOBO, R e CARTOCCI, C. O estudo de Comitês de Bacias Hidrográficas em escolas como proposta para a Educação. In: CATALÃO, V.L e RORIGUES, M.S. Água como matriz ecopedagógica. Brasília: Edição do autor, p 135, 2006.

PHILIPPI, J. A. Introdução ao Reuso de águas. In: MANCUSO, P. C. S.; dos SANTOS, H. F. Reuso de águas. São Paulo: Manole, 2003. p.6.

REIGADA, C.; REIS, M. F. C. T. Educação Ambiental para crianças no ambiente urbano: uma proposta de pesquisa-ação. Ciência & Educação, v.10, n.2, p.149-159, 2004.

REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 2006

NUNES, S.S. Estudo da Conservação de Água em Edifícios Localizados no Campus da Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (FEC/UNICAMP). Campinas, São Paulo, 2000 (Dissertação de Mestrado).



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