ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Contribuições de Convidados/as     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Soluções e Inovações     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Artigos

16/09/2018O ENSINO DE BIOLOGIA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PERCEPÇÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DO MUNICÍPIO DE PATOS, PARAÍBA  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3373 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

O ENSINO DE BIOLOGIA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PERCEPÇÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DO MUNICÍPIO DE PATOS, PARAÍBA



Laianne de Souza Guilherme1; Pedro Silva dos Santos2; Maria de Fátima de Souza Guilherme3; José Lucas dos Santos Oliveira4, Thayanna Maria Medeiros Santos5, Edevaldo da Silva6



1Bióloga, Universidade Federal de Campina Grande, laiannesouza.2014@gmail.com

2Especializando em Ensino de Ciências Naturais e Matemática, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, pedrosantosjs88@gmail.com

3Especialista em Ecologia e Educação Ambiental, Universidade Federal de Campina Grande, fatima.souza.guilherme@gmail.com

4Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA, Universidade Federal da Paraíba, lucasoliveira.ufcg@gmail.com

5Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA, Universidade Federal da Paraíba, thayannamdrs@gmail.com

6Professor do Programa de Pós-Graduação Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba (PRODEMA - UFPB) e Professor Adjunto da Universidade Federal de Campina Grande. UFCG, edevaldos@yahoo.com.br



Resumo: A Educação Ambiental é importante para envolver cidadãos no pensamento crítico e sustentável para preservação do ambiente. O objetivo desta pesquisa foi analisar a percepção dos alunos sobre o ensino na área de Biologia e em Educação Ambiental. A pesquisa é descritiva com abordagem quali e quantitativa, desenvolvida com alunos (n = 89) do ensino médio público do município de Patos, Paraíba. A coleta de dados foi por meio de um questionário contendo 8 afirmativas segundo a escala de Likert, e 5 questões subjetivas. Os resultados reportaram que 78,6% dos alunos percebem o ensino de biologia, pelo seu professor, como de fácil compreensão e acreditavam (79,8%) ser uma disciplina importante no currículo escolar. Mas, 67,5% relataram que não há aulas práticas em laboratório e/ou em campo na disciplina de biologia. A maioria deles (58,4%) relataram que o (a) professor (a) de biologia relaciona a Educação Ambiental de forma adequada no contexto de suas aulas. Assim, os alunos percebem a importância dessa disciplina e são receptivos quanto a maneira que é abordada em sala, mas, não há infraestrutura adequada para realização de aulas práticas, sendo necessário que o professor e a escola busquem condições para desenvolver novos métodos de ensino que mantenham a motivação e envolvimento dos alunos. Todos os alunos entrevistados percebem a Educação Ambiental de uma forma ampla, relacionando, em seu conceito as relacionando bem o homem e o ambiente. A Educação Ambiental no contexto do ensino de biologia é fundamental, pois amplia a percepção dos alunos acerca da vida e das interações dos seres vivos e o ambiente. A Educação Ambiental é importante, pois é um processo que busca sensibilizar os alunos sobre as questões ambientais, para proporcionar melhor qualidade de vida, além disso, pode contribuir para que os alunos não tenham uma percepção limitada sobre as questões ambientais

Palavras-chave: Meio ambiente, currículo, docente.



Abstract: Environmental Education is important to engage citizens in critical and sustainable thinking for environmental preservation. The objective of this research was to analyze the students' perception about teaching in the area of ​​Biology and Environmental Education. The research is descriptive with a qualitative and quantitative approach, developed with students (n = 89) of public high school in the municipality of Patos, Paraíba. Data were collected through a questionnaire containing 8 affirmations according to the Likert scale, and 5 subjective questions. The results reported that 78.6% of the students perceive the teaching of biology, by their teacher, as easy to understand and believed (79.8%) to be an important discipline in the school curriculum. But, 67.5% reported that there are no practical classes in the laboratory and / or field in the discipline of biology. Most of them (58.4%) reported that the biology teacher relates Environmental Education adequately in the context of their classes. Thus, students perceive the importance of the discipline and are receptive to the way it is approached in the classroom, but, there is no adequate infrastructure for practical classes, and it is necessary that the teacher and the school seek the conditions to develop new teaching methods that motivation and involvement of students. Environmental Education in the context of biology teaching is fundamental, since it broadens the students' perception about the life and interactions of living beings and the environment. All students interviewed perceive Environmental Education in a broad way, relating, in their concept, describing, within the expectation, the reaction between the human being and the environment. Environmental Education is important because it is a process that seeks to sensitize students about environmental issues, to provide a better quality of life, in addition, it can contribute so that the students do not have a limited perception on the environmental questions

Keywords: Environment, curriculum, teacher.



Introdução

O docente durante o seu processo de formação nas universidades é inserido no ambiente escolar afim de colocar em prática todo o seu conhecimento já adquirido, e criar práticas pedagógicas individuais de trabalho, favorecendo a compreensão dos alunos (BATALHA; JACAÚNA; MARQUES, 2015).

A forma mecânica de transmissão de conteúdos na qual o professor é formado no ensino de Ciências, é refletido para os alunos de forma dissociada, no entanto, vê-se na ciência a fonte mais segura de saberes válidos para toda a sociedade (BAPTISTA; NASCIMENTO, 2017).

Os conteúdos envolvendo a temática ambiental é restringido geralmente nas disciplinas de Ciências, Biologia e Geografia, onde na maioria das vezes exclui o ser humano do ambiente natural, e atribui responsabilidades a Educação Ambiental sobre solucionar todos os problemas do ambiente (SANTOS; SOUZA; DIAS, 2017).

A escola caracteriza-se por ser um espaço importante para o desenvolvimento do pensamento crítico acerca dos problemas ambientais, dessa forma, a Educação Ambiental é fundamental para formar cidadãos preocupados com a preservação do ambiente com as gerações presentes e futuras (MENEZES, 2017).

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), os conteúdos relacionados ao contexto do meio ambiente devem ser incorporados nos currículos escolares de forma transversal, e serem abordados em todas as áreas de forma geral para auxiliar no processo de construção do conhecimento dos alunos sobre o ambiente (BRASIL, 1997).

Nesse contexto, as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental (DCNEA) reafirma-se:

A Educação Ambiental é componente integrante, essencial e permanente da Educação Nacional, devendo estar presente, de forma articulada, nos níveis e modalidades da Educação Básica e da Educação Superior, para isso devendo as instituições de ensino promovê-la integradamente nos seus projetos institucionais e pedagógicos (BRASIL, 2012, p. 03).

Praticas didáticas relacionadas a Educação Ambiental são uma ferramenta importante para o desenvolvimento cognitivo do aluno sobre os problemas ambientais, onde ele passa a associar de forma mais clara a teoria à prática, adquirindo conhecimento mais amplo sobre o conteúdo abordado (MENEZES, 2017).

É de fundamental importância que os docentes busquem diversas formas de melhorar as práticas de ensino, com novas metodologias, com métodos interdisciplinares relacionadas a Educação Ambiental, para estimular o desejo dos alunos de aprenderem novos conteúdos, e que sejam capazes de reconhecer o homem como parte do meio ambiente (BIASIBETTI et al., 2015).

O objetivo desta pesquisa foi de analisar a percepção dos alunos sobre o ensino na área de Biologia/Educação Ambiental.

Metodologia

A pesquisa é descritiva com abordagem quali e quantitativa. Foram entrevistados 89 alunos de 1º ao 3º ano do ensino médio da Escola pública Coriolano de Medeiros, município de Patos, Paraíba. O tamanho amostral foi estabelecido segundo Rocha (1997), a partir do número total de alunos matriculados na referida escola, considerando o erro amostral de 10%. A amostragem estabelecida foi realizada de forma aleatória simples.

A coleta de dados foi por meio da aplicação de um questionário contendo 8 afirmativas estruturadas segundo a escala de Likert, com cinco níveis de respostas (nível 1 - concorda completamente ao nível 5 - discorda completamente) e 5 questões subjetivas (Tabela 1). A análise das respostas foi de forma quali e quantitativa por meio da estatística descritiva, utilizando o software Microsoft Excel 2016.

Fonte: Os autores.



Resultados e discussão

Foram entrevistados 89 alunos do ensino médio regular, eles tinham idade entre 13 e 19 anos, onde 51,7% (n = 46) eram do gênero feminino e, 48,3% (n = 43) do gênero masculino.

Os resultados reportaram que 78,6% (n = 70) dos alunos entrevistados reconheciam que o professor de biologia mediava o conteúdo abordado em sala de aula de forma compreensível para o entendimento da maioria dos alunos (Tabela 2), o que é favorável ao ensino, pois faz com que os alunos aprendam de maneira compreensível os conteúdos ofertados pela disciplina.

Atualmente, no ensino de biologia o docente atua, principalmente, como facilitador no processo de ensino-aprendizagem dos alunos, a biologia permite aproximar os alunos do meio científico, com pesquisas, proporcionar melhor entendimento de todas as coisas que os rodeiam, e aproximar as pessoas do meio ambiente (SILVA et al., 2017).

Fonte: Os autores.



Os alunos (82,0%, n = 73) afirmaram que a disciplina de Biologia é um componente importante no currículo escolar.

O ensino de biologia é importante para auxiliar na capacidade dos alunos de entender os diversos processos biológicos, para a compreensão e construção do saber científico e tentar formar cidadãos com responsabilidades acerca do ambiente (PETROVICH; ARAÚJO, 2015).

Os alunos (57,3%, n = 51) afirmaram que na escola onde estudam não há laboratório de Biologia, isso deve-se a falta de infraestrutura adequada para montagem do laboratório na referida escola, visto que, todos os materiais necessários estão encaixados e depositados em uma sala junto com os equipamentos de química. Dessa forma, 67,4% (n = 60) dos alunos relataram que não há aulas práticas em laboratório e/ou em campo relacionadas a disciplina de biologia.

Soares et al., (2018) em sua pesquisa realizada com alunos do ensino médio do município de Imperatriz, Maranhão, reportaram que 100% dos alunos entrevistados afirmaram que nunca tiveram nenhuma aula prática em laboratório.

A inserção de aulas práticas nas aulas de Ciências e Biologia é fundamental para desenvolver o interesse dos alunos pelos conteúdos expostos, além de proporcionar um momento didático no seu tempo de aula, no entanto, é perceptível a falta de estímulo dos docentes na realização de práticas em suas aulas, devido à ausência de infraestrutura adequada, falta de conhecimento amplo sobre determinado assunto e excesso de carga horaria (PERIOTTO; FRANSCISCO, 2017).

Para Biasibett et al, (2015, p. 227) “A falta de atividades dinâmicas, motivadoras e interdisciplinares, relacionadas aos conteúdos curriculares, promove a insatisfação, ausência de participação e interesse dos estudantes, o que inviabiliza o processo de aprendizagem”. Nesta perspectiva, é importante destacar que, mesmo a maioria dos alunos considerando a disciplina de Biologia um componente importante e a transmissão do conteúdo de fácil compreensão, a não existência de laboratórios para momentos didáticos diferentes, pode causar insatisfação e desinteresse dos alunos.

Os resultados reportaram que 69,7% (n = 62) dos alunos afirmaram que não participavam de aula em campo relacionadas ao contexto da Educação Ambiental devido os docentes não realizarem essa metodologia em suas aulas, sendo desfavorável para o ensino, pois o aluno fica fixado apenas à teoria e pode não conseguir absorver todas as informações transmitidas pelo professor.

De acordo com a pesquisa de Rempel et al., (2016) realizada com alunos do curso de Ciências Biológicas do interior do Estado do Rio Grande do Sul, eles identificaram que os alunos quando questionados sobre a importância de aulas práticas, 77,8% deles consideraram as aulas em campo a principal atividade que contribuiu para a aprendizagem e, 55,6% afirmaram que os jogos didáticos foram as atividades que menos contribuíram.

Para Periotto e Francisco (2017), é importante que o aluno depois de alguma aula teórica sobre assuntos relacionados ao meio ambiente, possa experimentar o contato direto com a natureza, onde possa analisar todos os elementos expostos na sala de aula, e comparar o abstrato com a realidade.

Nesse contexto, as Orientações curriculares para o ensino médio afirmam que:Ao organizar uma atividade prática, o professor deve valorizar o processo, explorar os fenômenos e analisar os resultados sob vários ângulos.” (BRASIL, 2006, p. 31). Assim, o professor deve refletir sobre a importância da aula prática no contexto dos benefícios e resultados positivos na aprendizagem dos alunos, como interação, envolvimento e a capacidade de questionamento dos alunos sobre a relação do conteúdo teórico com a prática realizada.

De acordo com os resultados, 60,6% (n = 54) dos alunos afirmaram que a quantidade de aulas de biologia durante a semana é suficiente para o aprendizado dos conteúdos expostos em sala de aula (Tabela 3), e 58,4% (n = 52) relataram que o professor de biologia relaciona a Educação Ambiental de forma adequada no contexto de suas aulas.

A Educação Ambiental pode envolver diversas formas de intervenções educacionais, como, a interdisciplinaridade, transversalidade e uma iniciativa que pode ser considerada de sucesso envolve a realização de esportes ligados a natureza, ou também chamado de Educação Ambiental ao ar livre (CAVASINI; BREYER, 2015).

Fonte: Os autores.



Os alunos se mostraram participativos nas aulas de biologia, onde 45,0% (n = 40) afirmaram expor suas opiniões durante o momento de aula, e 43,8% (n = 39) reportaram que é possível haver a interação de conteúdos relacionados a Educação Ambiental em outras disciplinas do currículo escolar, destacando a Geografia (32,6%, n = 29), Artes (18,0%, n = 16), Química (11,2%, n = 10) e História (11,2%, n = 10). O envolvimento dos professores no contexto da Educação Ambiental, em suas aulas, foi citado por 48,3% dos alunos (n = 43).

Apesar dos alunos estarem cientes dessa interação entre as disciplinas é importante refletir sobre a maneira (didática e metodológica) que está sendo essa abordagem pelo professor. Para que ela não seja pontual e/ou superficial, é necessário garantir a qualificação do professor para o ensino da Educação Ambiental. De acordo com Furtado e Martin (2016), a falta de qualificação profissional dos docentes para trabalharem com temas ambientais, ocasiona a diminuição da abordagem dessa temática no cotidiano escolar, e restringem-se a apenas a algumas disciplinas.

West et al., (2017) em sua pesquisa com alunos do município de Amélia Rodrigues, Bahia, reportaram que os entrevistados quando indagados se algum professor já abordou temas ambientais em suas aulas, 80,0% deles responderam que discutem alguns temas, como: poluição, ar e água, e apenas 20,0% relataram que não são trabalhados os problemas ambientais.

A inserção da Educação Ambiental no currículo escolar é uma alternativa importante para haver a interação entre as disciplinas, e promover a sensibilização dos alunos sobre o ambiente, com isso, a interdisciplinaridade busca a integração do conhecimento para acabar com o paradigma de se pensar que a abordagem de Educação Ambiental deve restringir-se a apenas algumas áreas do conhecimento (SANTOS et al., 2017).

Para Andrade et al, (2017), o ensino de biologia voltado para o meio ambiente deve ter como um de seus objetivos o desenvolvimento do pensamento crítico, sustentável e cognitivo dos alunos frente aos diversos problemas ambientais.

Em relação ao conceito de Educação Ambiental, todos os alunos responderam de forma correta, e percebem a Educação Ambiental ao contexto de preservação, conservação, respeito, e educação com o ambiente. Abaixo, segue algumas dessas respostas:

[Aluno 1]: É ensinar as pessoas a cuidarem do meio ambiente e preservar tudo onde tem nele, e aproveitar tudo.

[Aluno 2]: É saber cuidar do lugar onde você vive, reciclar o lixo, não deixar as coisas sujas, plantar, não sair jogando lixo pelo chão.

[Aluno 3]: Ter educação de se responsabilizar pelo meio ambiente, não danificá-lo.

[Aluno 4]: É a forma de educar uma pessoa, deve tratar o meio ambiente e o respeito que devemos ter para com.

[Aluno 5]: É ter o cuidado com o ambiente, onde nós moramos, por onde a gente anda, ter consciência de reciclar o que não se usa mais, não desmatar as árvores.

A Educação Ambiental é um processo em que envolve um contexto de diversas possibilidades englobando principalmente a interação entre o ser humano e a natureza, afim da preservação dos recursos naturais (SANTOS; JÚNIOR; LOPES, 2016).

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental- PNEA:

Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999, p. 01).

Os resultados reportaram que, 78,7% (n = 70) dos alunos afirmaram que a biologia é importante para aprender sobre o meio ambiente, pessoas e animais, 5,6% (n = 5) associaram sua importância por ser uma matéria nova no ano letivo que estão praticamente começando, 2,2% (n = 2) devido ser cobrada em vestibulares, e 13,5% (n = 12) foram indiferentes e/ou não responderam.

Para Batalha, Jacaúna e Marques, (2015), não é preciso ter uma visão reducionista da Educação Ambiental, em relacioná-la apenas ao contexto ambiental de preservação da fauna e flora, mas, ela deve ser vista como importante aliada na educação política do nosso país, buscando meios e soluções para melhor qualidade de vida da sociedade.

Os alunos (41,6%, n = 37) afirmaram não possuir dificuldade no estudo da biologia, e 12,4% (n = 11) não responderam ao item. Dentre os que relataram dificuldades, as principais delas estavam relacionadas com: O estudo da citologia (9,0%, n = 8), falta de aulas práticas (6,7%, n = 6), não conseguir compreender de forma fácil o conteúdo (10,1%, n = 9), muito conteúdo que a disciplina envolve (5,6%, n = 5), a forma de explicação do conteúdo (4,5%, n = 4), não compreender as espécies do reino Plantae (4,5%, n = 4), estudar sobre o ser humano (3,4%, n = 3), doenças provenientes do contato com a água (1,1%, n = 1) e o estudo da genética (1,1%, n = 1).

Existem conteúdos que tornam difícil o seu entendimento, devido aos diferentes níveis de compreensão, tais como, a análise de alguma estrutura que não pode ser visualizada a olho nu, onde o aluno precise entender conceitos abstratos e tentar visualiza-los na prática (ARAÚJO; PEDROSA, 2014).

Nesse contexto Geglio e Santos, (2011) retrata que:

Os conteúdos são abordados de maneira a privilegiar a teoria, o estudo de conceitos, sem a utilização de recursos ou práticas de ensino que possibilitem o maior e melhor aprendizado, por parte dos alunos. São abordados conteúdos importantes para a vida do cidadão como citologia, seres vivos, ecologia, genética, porém de maneira descontextualizada, sem que o aluno perceba a necessidade dessa aprendizagem para a sua vida comum (GEGLIO; SANTOS, 2011, p. 78).



Dos participantes da pesquisa, 28,1% (n = 25) relataram que o professor de biologia relaciona a Educação Ambiental no contexto de sua disciplina por meio da abordagem sobre o meio ambiente, (22,5%, n = 20) por meio da explicação do conteúdo diário, 10,1% (n = 9) dinâmicas em sala, 2,2% (n = 2) por meio de outros assuntos, 9,0% (n = 8) abordaram que o professor não relaciona de forma alguma, e, 28,1% (n = 25) é insuficiente e/ou não responderam.

Na pesquisa de West et al., (2017), realizada com professores do município de Amélia Rodrigues, Bahia, em relação a quais temas sobre o meio ambiente os professores devem trabalhar em suas aulas, foi visto que, 50,0% dos entrevistados afirmaram ser importante a abordagem sobre os resíduos sólidos, 20,0% descarte inadequado do lixo, 15,0% poluição das aguas, 10,0% aquecimento global e 5,0% extinção.

Existem diversos métodos para promover a prática docente de forma inovadora, destacando-se a tecnologia como um dos mais utilizados atualmente para auxiliar na busca por novos conhecimentos, estratégias para promover melhor o ensino, e fazer com que os alunos interajam de forma direta e que associem conteúdos ao cotidiano dos alunos (SANTOS; JÚNIOR; LOPES, 2016).

Conclusão

Os alunos entrevistados afirmam que o conteúdo de biologia é transmitido de forma compreensível, e que essa disciplina é importante no currículo escolar. No entanto, não há laboratórios e nem aulas práticas em campo. Eles buscam interagir nas aulas teóricas para expor suas opiniões e dúvidas, já que os professores envolvem a Educação Ambiental em suas aulas.

É necessário que os professores busquem novas metodologias de ensino onde mesmo com a ausência de espaço adequado para aulas em laboratórios, seja possível realizar aulas práticas na própria sala de aula e/ou em campo para que os alunos se sintam estimulados a assistirem as aulas. Os alunos percebem em sua totalidade o que é a Educação Ambiental, conceituando essa educação como aquela voltada ao melhor cuidado do ambiente pelo ser humano.

A inserção da Educação Ambiental no ensino de biologia é, importante para proporcionar aos alunos um contato mais próximo com o ambiente e com a sua realidade, e assim, estimular a prática de atitudes ambientais para melhor qualidade de vida das gerações presentes e futuras. A Educação Ambiental é importante, pois está envolvida em um cenário de várias possibilidades que promovem a interação do ser humano com o ambiente, e possibilita a sensibilização dos alunos acerca dos problemas ambientais.



Bibliografia

BAPTISTA, G. C. S.; NASCIMENTO, J. G. A. Formação de professores de Ciências para o diálogo intercultural: Análise de um caso. Revista Ensaio. v. .19, 2017.

BATALHA, C. C. G.; JACAÚNA, C. L. F. S.; MARQUES, R. O. A formação do professor enquanto educador ambiental no curso de Licenciatura em Geografia. Revista Educação Ambiental em ação. n. 53, 2015.

BIASIBETTI, L.; TREVISAN, M. L.; NISHIJIMA, T.; PERES, P. E. C. A concepção dos educadores sobre a temática de educação ambiental na escola: dificuldades e desafios. Revista Monografias Ambientais, v. 14, n. 2, p. 220 – 237, 2015.

BRASIL, Orientações curriculares para o ensino médio: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. 2006.

BRASIL, Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, 1999, p. 01.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental. 2012. Disponível em: <http://conferenciainfanto.mec.gov.br/images/conteudo/iv-cnijma/diretrizes.pdf> Acesso em: 20 fev. 2018.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio ambiente e saúde. 58p, 1997.

CAVASINI, R.; BREYER, R. F. Educação ambiental ao ar livre: experiências em unidades de conservação. Revista Educação Ambiental em ação. n. 53, 2015.

FURTADO, J. C. A.; MARTIN, A. M. C. B. Educação ambiental em escolas públicas de Santa Inês (MA): Mobilizando e criando. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 11, n. 1, p. 108 - 116, 2016.

GEGLIO, P. C.; SANTOS, R. C. As diferenças entre o ensino de biologia na educação regular e na EJA. Interfaces da Educação, v. 2, n. 5, p. 76 - 92, 2011.

MENEZES, I. S.; FREITAS, S. H. S.; CARA, P. A. A.; COUTO-SANTOS, A. P. L. Jogo didático como ferramenta para Educação Ambiental no município de Itapetinga (BA). Revista Brasileira de Educação Ambiental. v. 11, n. 5, p. 19 – 29, 2017.

PERIOTTO, F.; FRANSCISCO, J. B. Identificação de avifauna urbana e suas contribuições para atividades didáticas em ciências e biologia. Revista Educação Ambiental em Ação. n. 61, 2017.

PETROVICH, A. C. I.; ARAÚJO, M. F. F. Desafios da educação para desenvolvimento sustentável na formação de professores de biologia. Revista Educação Ambiental em Ação, n. 51, 2015.

REMPEL, C.; STROHSCHOEN, A. A. G.; GERSTBERGER, A.; DIETRICH, F. Percepção de alunos de ciências biológicas sobre diferentes metodologias de ensino. Revista Signos, v. 37, n. 1, p. 82 – 90, 2016.

SANTOS, A. M.; JÚNIOR, M. F. S.; LOPES, E. R. N. Gamificando a educação ambiental: o desafio jogando verde no instituto federal baiano. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 11, n. 1, p. 246 - 263, 2016.

SANTOS, A. S.; SOUZA, G. S.; DIAS, V. B. A inserção da educação ambiental no currículo escolar na rede pública de ensino do município de Cruz das Almas – BA. Revista Educação Ambiental em Ação. n. 60, 2017.

SANTOS, A.; LIMA, M. L. B.; MACIEL, L; M. N. L.; PAZ, M. C. P.; PAZ, R. J. A interdisciplinaridade na educação ambiental em escolas públicas: concepções e ações. Revista Educação Ambiental em Ação. n. 61, 2017.

SILVA, J. M. L.; OLIVEIRA, J. M.; SANTOS, M. J.; COSTA, D. A.; COSTA, D. A.; FURTADO, G. D. Vivências no ensino de biologia em escola pública no litoral norte do Estado da Paraíba, Brasil. Revista Educação Ambiental em ação. n. 61, 2017.

SOARES, Z. T.; SOARES, E. M.; MIRANDA, R. S. A. Utilização de materiais recicláveis como proposta pedagógica para o ensino de Ciências Biológicas e Química. Revista Educação Ambiental em ação. n. 62, 2018.

WEST, D. F.; ALMEIDA, E. F.; FREITAS, G. K. C.; NETTO, J. F. A.; ASSUNÇAO, S. J. R.; LEITE, D. T. B. S. Práticas pedagógicas com ênfase em Educação Ambiental. Revista Educação Ambiental em ação. n. 61, 2017.







" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Culinária     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Contribuições de Convidados/as     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Soluções e Inovações     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias