ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018HORTA ESCOLAR COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA  
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HORTA ESCOLAR COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA



Ana Paula da Silva Siqueira1, Angélica Ruiz Nogueira da Silva 1, Erick Henrique Campos da Silva 2, Aparecida de Fatima Cracco Rodrigues1, Cleiltan Novais da Silva3, Rute Grossi Milani4, Edneia Aparecida de Souza Paccola4



1Mestranda no curso de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas no Centro Universitário de Maringá - UNICESUMAR, Maringá (PR).

2 Graduando em Agronomia no Centro Universitário de Maringá - UNICESUMAR, Maringá (PR).

3Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas do Centro Universitário de Maringá - UNICESUMAR

4Docente do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas do Centro Universitário de Maringá - UNICESUMAR. Bolsista de produtividade do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação – ICETI, Maringá (PR). E-mail: edneia.paccola@unicesumar.edu.br



RESUMO

O projeto realizou oficinas com crianças, abordando temas como resíduos, compostagem, reciclagem, alimentação saudável. Foi observado uma relação mais próxima criança-ambiente, promovendo um sentimento de pertencimento ao meio ambiente e uma cultura de engajamento pró-ambiental.

Palavras-chave: Sustentabilidade, segurança alimentar, educação infantil, promoção da saúde.



ABSTRACT

The project carried out workshops with children, addressing issues such as waste, composting, recycling, healthy eating. A closer child-environment relationship was observed, fostering a sense of belonging to the environment and a culture of pro-environmental engagement.

Key words: Sustainability, food security, Primary education, health promotion.



1. INTRODUÇÃO

A crise ambiental é resultado da intensificação da ação humana ao meio ambiente e suas consequências tornaram-se cada vez mais presentes no cotidiano da sociedade. A percepção da ameaça à sobrevivência proveniente dos efeitos dessa agressão ao ambiente tem gerado repercussões políticas, sociais, econômicas e científicas.

As discussões iniciais sobre a questão ambiental relacionavam-se às responsabilidades governamentais e empresariais, que, com o avanço nos debates, passou a incluir a contribuição e responsabilidade individual em favor da causa ambiental. A Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, representou um marco no avanço da preservação ambiental, a qual possibilitou a união dos Estados em prol ao ambiente e a integração da sustentabilidade nas políticas e constituições nacionais, instrumentalizando uma ferramenta primordial para que estes objetivos fossem alcançados: a Educação Ambiental (TEIXEIRA; SILVA FILHO; MEIRELES, 2016).

No Brasil, a inclusão das questões ambientais na educação deu-se somente em 1999 quando foi promulgada a Lei nº 9.795 de Educação Ambiental (EA). Esta lei estabelece a obrigatoriedade da Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino que tem como dever a construção de valores sociais, conhecimentos e habilidades voltadas à conservação do ambiente (BRASIL, 1999).

Mais recentemente, líderes mundiais se reuniram na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015). Esta agenda é formada pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030, envolvendo temáticas diversificadas, como educação, erradicação da pobreza, segurança alimentar e agricultura sustentável, saúde, mudança do clima, cidades sustentáveis entre outros.

Zacarias e Higuchi (2017) consideram que a degradação ambiental está relacionada à maneira do ser humano pensar e se relacionar com a natureza. Portanto, a Educação Ambiental deve ter por objetivo a sensibilização do indivíduo para as questões ambientais, rompendo com a visão antropocêntrica e desenvolvendo uma “identidade” ambiental por meio de um sentimento de pertencimento ao meio ambiente promovendo uma cultura de engajamento pró-ambiental (MARINHO et al., 2014; SUAVÉ, 2016).

Para que esses objetivos sejam alcançados, Rodrigues (2015) discute sobre a necessidade de superar a estrutura interventiva do modelo tradicional da Educação Ambiental, pautada na transmissão de conteúdo, para um modelo de educação que promova a participação política, fundamentada na ética, no desenvolvimento social, na cultura e no contexto político e econômico. De acordo com Tozoni-Reis (2006), a Educação Ambiental não deve se restringir ao controle de comportamentos ambientais, mas, sobretudo, construir uma formação crítica e reflexiva que incentive a prática cidadã, por meio da crítica e do posicionamento ativo, levando ao protagonismo (TEIXEIRA; TALAMONI; TOZONI-REIS, 2013; RECIO, 2015).

Segundo Tozoni-Reis (2006), a educação crítica e transformadora requer métodos mais ativos, cooperativos, contínuos, participativos e interdisciplinares, pois somente dessa forma poderá contribuir no processo de conscientização dos indivíduos para uma prática emancipatória, condição para que se construa sociedades sustentáveis.

Em concordância aos princípios da Educação Ambiental, a Psicologia Ambiental objetiva a compreensão da relação pessoa-ambiente, constituindo-se em uma importante ferramenta de contribuição à Educação Ambiental, visto que a investigação dessa relação tem sido defendida como proposta de minimização da crise ambiental (TAM, 2013).

Segundo Corral-Verdugo et al. (2014), pesquisas em Psicologia Ambiental demonstram que é usual as pessoas preservarem os ambientes quando estes são percebidos por afetos positivos, mantendo vínculos que necessitam de uma resposta de cuidado, proteção e preservação. Destarte, o comportamento ecológico ou pró-ambiental é considerado um tema central no que se refere às variáveis para a promoção da sustentabilidade, visto que o comportamento pró-ambiental envolve toda ação humana que tem como objetivo contribuir na proteção do meio ambiente ou para minimização do impacto ambiental, podendo ser intencional ou não (PATO; CAMPOS, 2011).

Schawb et al. (2014) explicitam que uma das premissas para fomentar o comportamento ecológico é a sensibilização ambiental, e que o planejamento de atuações em Educação Ambiental e políticas públicas deve se aproximar da realidade dos cidadãos para que sejam efetivas. Ao se referir à realidade dos centros urbanos, a disposição dos resíduos sólidos se configura como um dos principais problemas ambientais, pois pode causar danos ao ambiente e à saúde humana (ONESKO et al., 2017).

Dessa forma, a horta orgânica surge como uma importante ferramenta na Educação Ambiental, ao propiciar a conscientização quanto à separação do resíduo orgânico para a compostagem, além de favorecer à alimentação saudável e um contato mais próximo com a natureza (QUEVEDO et al., 2015; LIMA et al., 2016).

A horta inserida no ambiente escolar pode contribuir de forma significativa para a formação integral do aluno, engloba diferentes áreas de conhecimento durante todo o processo de ensino aprendizagem, através de vastas aplicações pedagógicas com situações reais, envolvendo educação ambiental e alimentar (MORGADO; SANTOS, 2008).

Além disso, a troca de experiências sobre Educação Ambiental e horta escolar propicia conhecimentos e habilidades que permitem às pessoas envolvidas produzir, selecionar e consumir os alimentos de forma adequada, saudável e segura, desenvolvendo bons hábitos alimentares (LIMA; CONDE SOBRINHO, 2015). Ademais, é necessário trabalhar a horta escolar não apenas como um simples espaço de produção de alimentos, mas também entendendo e cultivando cada espécie de forma saudável, observando a relação de interdependência que existe na natureza, de maneira a proteger o meio ambiente (SILVA et al., 2015).

Desta forma, o objetivo do trabalho foi implementar uma horta escolar como ferramenta de Educação Ambiental e interdicisplinaridade tendo como base as premissas da segurança alimentar e produção orgânica de alimentos, com aproveitamentos de resíduos orgânicos para compostagem.



2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.2 Local de estudo

O trabalho foi desenvolvido no Lar Escola da Criança de Maringá, no estado do Paraná. A entidade atende diariamente 200 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, 276 jovens de 16 a 18 anos no Projeto de Aprendizagem, 150 adolescentes de 14 a 16 anos no Projeto Protagonismo em Movimento e ainda projetos de extensão, voltados às famílias das crianças, adolescentes e jovens atendidos, bem como às pessoas da comunidade que vivem em situação de vulnerabilidade pessoal e social.

Participaram do projeto de Educação Ambiental 12 crianças com idades entre 6 e 11 anos que se encontravam devidamente cadastradas na instituição. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa envolvendo seres humanos, sob o parecer nº 1.464.230.



2.1 Delineamento do estudo

O projeto foi pautado no uso de metodologias ativas de ensino e técnicas lúdicas, a promoção de comportamentos pró-ambiental fundamentado no princípio da Educação Ambiental crítica e transformadora e da Psicologia Ambiental. Foram realizadas 10 oficinas que aconteceram duas vezes por semana e com duração média de uma hora, abordando temas como: resíduos sólidos, preparo de horta orgânica, reciclagem, compostagem, alimentação saudável e meio ambiente, conforme descrição detalhada a seguir.

1- Oficina educação ambiental e política dos 5R´s (Repensar, Reduzir, Recusar, Reutilizar e Reciclar): iniciada com uma palestra para crianças, visando esclarecer a metodologia a ser utilizada para a construção da horta orgânica. Posteriormente, foram exibidos vídeos educativos relacionados com a preservação do meio ambiente e a política dos 5R´s.

Dinâmica: com auxílio de latões plásticos próprios para a separação dos resíduos, foi realizada uma gincana com as crianças. Resíduos recicláveis foram misturados e disponibilizados para as equipes, como os latões estavam sem a identificação escrita, as crianças precisaram associar as cores com o tipo de resíduo para separá-los adequadamente.

2- Oficina alimentação saudável: Proferiu-se uma palestra e demonstração de vídeos educativos abordando aspectos sobre alimentação saudável e implicações para a saúde.

Dinâmica: Foram utilizadas cartolinas, canetinhas e papeis coloridos nas cores de um semáforo (verde, amarelo e vermelho). Desenhou-se um retângulo dentro da cartolina com três divisões. Sabendo-se que o verde significa “Siga” para alimentos que podem ser consumidos e fazem bem à saúde. Amarelo “Atenção” para cuidado com alguns alimentos quando consumidos e o vermelho “Pare” onde esses alimentos não fazem bem para a saúde, em seguida, as crianças classificaram os alimentos.

3-Oficina importância das verduras e frutas: Elaborada em conjunto com os alunos, onde os mesmos explanaram sobre suas preferências alimentares, abrindo discussões sobre a importância da boa alimentação à manutenção da saúde.

Dinâmica: Degustação às cegas de verduras e frutas – Em sala de aula as verduras e frutas previamente higienizadas foram levadas para as crianças. Cada criança foi vendada e as mesmas deveriam reconhecer, com base no olfato e paladar, os alimentos ofertados. Foram apresentados: cenoura (Daucus carota), beterraba (Beta vulgaris L), batata doce (Ipomoea batatas) , pepino (Cucumis sativus L.), tomate (Lycopersicon lycopersicum L.) e alface (Lactuca sativa L.), banana (Musa spp.) kiwi (Actinidia chinensis), pêra (Pyrus sp.), melão (Cucumis melo) e caqui (Diospyros kaki).

4-Oficina destinação de resíduos orgânicos: as crianças foram levadas ao refeitório para degustarem algumas de frutas. Posteriormente, foi explicado sobre os destinos de resíduos orgânicos como cascas, bagos e sementes.

Dinâmica: Seleção e classificação de materiais ideais ou não para serem utilizados na compostagem. A oficina promoveu ainda a sensibilização de funcionários da cozinha para a separação e destinação dos resíduos orgânicos.

5-Oficina compostagem na garrafa PET: foi mostrado aos participantes o processo de montagem da compostagem em garrafa PET e a importância de cada etapa do processo.  A técnica da compostagem foi discutida dentro do viés da adubação dos solos, em alternativa à utilização de fertilizantes químicos.

Dinâmica: Cada aluno montou sua própria composteira dentro de garrafas PET´s. Desta forma, cada um pode realizar o passo a passo da atividade de fabricação da composteira.

6-Oficina conhecendo fungos e bactérias: foi elaborada para facilitar a compreensão sobre como ocorre a decomposição de resíduos que formam a compostagem. Com auxilio do Powerpoint foi mostrado que existem microorganismos maléficos (quando os alimentos não são adequadamente higienizados) e benéficos (decompositores presentes na compostagem).

Dinâmica: Utilizando um microscópio óptico e lupas, as crianças puderam observar os microrganismos presentes em bolores de pães e frutas. Após esta etapa as crianças coloriram desenhos com microrganismos maléficos e benéficos.

7-Oficina sementeira: As espécies semeadas para a produção de mudas foram a alface roxa (Lactuca sativa L.), beterraba (Beta vulgaris L.), cebolinha (Allium fistulosum), cenoura (Daucus carota), rabanete (Raphanus sativus) e salsinha (Petroselinum crispum).

Dinâmica: crianças separadas em grupos prepararam as bandejas utilizando substrato. Em seguida foram distribuídas as sementes nas células das bandejas e transportadas para uma área coberta com sombrite.

8-Oficina germinação e transplante das mudas: A avaliação da germinação das mudas foi realizada alguns dias após a semeadura junto com as crianças.

Dinâmica: Transplante das mudas – os alunos se organizaram em fila única, e mediante uma previa explicação, retiraram as mudas e transplantaram para um canteiro. Todos os alunos tiveram a oportunidade de plantar.

9-Oficina colheita e higienização dos alimentos: Após passarem alguns dias do transplante das mudas e acompanharem o desenvolvimento dos vegetais, as crianças puderam realizar a colheita das hortaliças.

Dinâmica: Higienização dos alimentos – depois de colher direto da horta orgânica, as crianças foram levadas à cozinha e aprenderam a higienizar de forma correta os alimentos.

10-Oficina entrega de certificados: no final do projeto foi realizada uma cerimônia com os alunos, onde cada um recebeu certificado, demonstrando que os mesmos concluíram as etapas propostas pelo projeto.

Dinâmica: Os alunos se sentaram à frente do salão onde ocorreu a cerimônia e foram apresentados para os demais colegas e professores. Cada aluno foi parabenizado e convidado para receber o certificado de conclusão com méritos.



3. RESULTADOS E DISCUSSÃO



A aplicação das atividades de Educação Ambiental demonstrou resultados satisfatórios, fomentando a disseminação da informação através das crianças como agentes multiplicadores. Além disso, as ações desenvolvidas despertaram a sensibilização ambiental não apenas nas crianças, mas também em professores e funcionários da escola.

Os vídeos sócios-educativos, as oficinas, as dinâmicas e conversas com os alunos culminaram com novas aprendizagens fazendo com que as crianças desenvolvessem um censo crítico, buscando soluções para problemas ambientais atreladas à reflexão sobre alimentação saudável. Os resultados positivos foram verificados mediante a realização de um jogo de perguntas e respostas sobre os temas abordados no decorrer do projeto.

As oficinas propostas permitiram atender aos princípios da Educação Ambiental transformadora o protagonismo, a transformação e a cidadania, e oferecer experiências afetivas, cognitivas e sociais, facilitando a integração entre as vivências e o conteúdo (TRISTÃO, 2005; TRONCON, 2014; CORRAL-VERDUGO et al., 2014; RECIO, 2015).

O projeto teve inicio com a realização de oficinas de sensibilização ambiental mediadas por vídeos socioeducativos e atividades lúdicas sobre a política dos 5 R’s (BRASIL, 2017) e a importância da separação dos resíduos sólidos (Figura 1). Dantas et al. (2012) reforçam o lúdico como uma ferramenta para a Educação Ambiental, pois propicia experiências que integram dinâmicas educativas e pode suplementar falhas no processo de ensino e aprendizagem (MIRANDA et al., 2016).

A partir das oficinas e dinâmicas sobre reciclagem e separação de resíduos, observou-se que a maioria das crianças tinha algum conhecimento prévio sobre o assunto, uma vez que na escola já existem recipientes adequados para a separação dos resíduos.

Figura 1: Crianças participando da oficina 1: separação de resíduos sólidos.



A dinâmica de separação dos resíduos e a politica dos 5 R´s promoveram a percepção sobre a redução do consumo e o reaproveitamento dos materiais para a reciclagem e reforçando a importância da redução da geração e separação de resíduos. Dentro desse contexto foram abordadas questões sobre a coleta seletiva e o papel dos catadores de recicláveis para minimizar os impactos nos resíduos ao meio ambiente. Ressaltou-se que o potencial da coleta seletiva no reaproveitamento e reciclagem de matérias primas, reduzindo a demanda de recursos naturais, podendo ainda se caracterizar como fonte de renda e inclusão social (JACOBI, 2006).

Adicionalmente, foram realizadas oficinas que trataram de temas relacionados à alimentação saudável. RAMOS et al. (2013) destacam que a escola apresenta-se como ambiente privilegiado para a prática de ações de educação alimentar e nutricional, uma vez que a criança ao ingressar na escola passa a adquirir novos hábitos. A fase da infância apresenta aspectos para a formação de hábitos e práticas comportamentais, entre estas as alimentares (GAGLIANONE et al., 2006) e mesmos hábitos alimentares que se repetiram ao longo do tempo no ambiente familiar podem ser alterado, muitas vezes influenciado pelas pessoas envolvidas no sistema educacional (PACHECO, 2008).

A educação alimentar, além de contribuir em relação aos problemas alimentares e nutricionais, auxilia no controle e redução da prevalência das doenças crônicas e na redução de desperdícios, ou seja, alia consumo sustentável e hábitos alimentares mais saudáveis (BRASIL, 2012). Diversos recursos podem ser usados para facilitar ações nesse sentido no ambiente escolar. Lopes e Líbera (2017) explicitam o uso da forma lúdica para influenciar na construção de novos conhecimentos sobre alimentação e nutrição, repercutindo de forma favorável na aquisição de hábitos alimentares saudáveis.

Neste projeto foi realizada a dinâmica de degustação de frutas e verduras (Figura 2A), além da dinâmica do semáforo da alimentação, complementada por uma atividade de colagem em que as crianças recortavam e colavam figuras de alimentos em um cartaz, classificando-os quanto ao seu valor nutricional e riscos à saúde (Figura 2B). O cartaz posteriormente foi fixado no pátio da escola, e as crianças participantes foram estimuladas a repassar informações sobre alimentação saudável para os demais alunos da instituição.

Nesta oficina foi observada a falta de conhecimento das crianças em relação a alimentos saudáveis; muitas não compreendiam as implicações negativas de certos alimentos, ficando surpresas quando possíveis alimentos presentes em seu cotidiano poderiam não ser adequados.

A oficina de degustação às cegas de frutas e verduras (Figura 2A) teve como objetivos promover o incentivo à alimentação saudável, mostrar as formas de higienizar os alimentos, além do reaproveitamento dos resíduos orgânicos como cascas e talos. Portanto, a escola pode ser considerada uma grande influenciadora na seleção alimentar das crianças fora do âmbito familiar, além disso, o conhecimento sobre alimentos saudáveis, mesmo que, na maioria das vezes, a classe infantil não saiba o porquê da classificação, influencia nas escolhas alimentares (FAGUNDES et al., 2016).



Figura 2: Oficina Degustação de frutas e verduras (A) e Oficina Classificação nutricional e qualidade dos alimentos (B).



Nesta oficina as crianças aprenderam os benefícios da inclusão de verduras e frutas na alimentação. Com essa dinâmica concluiu-se que o aspecto visual de muitos alimentos causa nas crianças algum tipo de aversão, mas quando provados foram aceitos com maior facilidade, alguns alunos quiseram repetir certos alimentos ao final.

A partir dos resíduos de cascas, talos gerados na dinâmica de degustação de frutas e verduras, foram realizadas oficinas de compostagem. A compostagem é uma prática que utiliza restos de produtos orgânicos, tanto de origem animal como vegetal, para incorporação ao solo, visando melhorias na capacidade física, química e biológica (FILHO et al., 2007), se caracterizando como uma prática simples e econômica (CARMO et al. 2009).

Além de promover melhorias no solo, tal prática soluciona, parcialmente, o problema da disposição inadequada dos resíduos. Dessa forma, a horta orgânica surge como uma importante ferramenta de educação ambiental, pois propicia a conscientização quanto à separação dos resíduos orgânicos para a compostagem, além de favorecer a alimentação saudável e um contato mais próximo com a natureza (QUEVEDO et al., 2015; LIMA et al., 2016).

As oficinas de compostagem foram promovidas de forma coletiva (Figura 3A), na horta da instituição, e de forma individualizada em que cada um dos alunos confeccionou a própria composteira em uma garrafa PET (Figura 3B). Inicialmente, verificou-se uma reação negativa das crianças ao lidar com os restos de alimentos. Mas, após todo o processo de montagem e acompanhamento nos dias posteriores, as mesmas conseguiram assimilar a importância da realização da compostagem para a planta e para o solo.

Figura 3: Oficina Compostagem (A) e Oficina Confecção da composteira em garrafas PET (B).



Segundo Lima et al. (2016), a compostagem como promotora de educação ambiental no âmbito escolar constitui uma ótima ferramenta que auxilia no aprendizado dos alunos de forma ecológica e lúdica. Atrelado isso, Corral-Verdugo et al. (2014) destacam a importância das atividades ao ar livre. Para os autores, esse tipo de atividade tende a trazer aspectos fundamentais para a apreensão e o desenvolvimento de um comportamento ecológico, pois permite a ampliação da percepção ambiental gerando sensação de bem-estar subjetivo e restauração psicológica.

Com o intuito de tornar a prática da compostagem mais atrativa e complementar a aprendizagem em relação a importância da higienização dos alimentos, foi realizada uma oficina denominada “Conhecendo os fungos e as bactérias” (Figura 4A-B). Nesta oficina, além dos recursos audiovisuais, microscópios e lupas foram utilizados. A presença desses equipamentos atraiu em demasia as crianças, e algumas delas relataram que se sentiram como “cientistas”.

Na ocasião, foi abordada a função dos microrganismos responsáveis pela transformação dos resíduos em humos, capaz de nutrir o solo e melhorar a produção das hortaliças. As crianças ficaram entusiasmadas ao perceber que existem microrganismos benéficos presentes em processos de fabricação de alimentos, como exemplo na fabricação de pães, iogurtes, queijos. Mas que alguns podem contaminar alimentos como bolores em pães e podridão em frutas (Figura 4A).

Ainda nesse encontro os alunos coloriram desenhos de bactérias e fungos, onde puderam identificar os microrganismos maléficos e os benéficos. As crianças diferenciaram através das cores os organismos “ruins” dos “bons” (Figura 4C).

Figura 4: Oficina Conhecendo os fungos e as bactérias (A). Visualização de contaminação de alimentos por microrganismos (B). Dinâmica para colorir desenhos com diferentes cores para microrganismos maléficos e benéficos (C).



As oficinas sobre produção de mudas (Figura 5A), plantio (Figura 5B) e colheita das hortaliças (Figura 5C) também se destacaram como uma das mais atrativas para as crianças. Essa dinâmica despertou interesse dos envolvidos, por ser realizada em ambiente fora do contexto de sala de aula e ser caracterizada como uma atividade prática.

Na fase final do projeto ocorreu a colheita das hortaliças plantadas pelas crianças. Elas demostraram interesse pelos resultados, pois perceberam que todo o trabalho realizado no decorrer do projeto teve como efeito algo palpável, esse momento foi muito esperado e todas quiseram contribuir colhendo a produção. Após a colheita, foram encaminhadas para a cozinha para conhecer as formas de higienização e preparo, compreendendo que a alimentação saudável envolve diferentes etapas que vão desde a produção sustentável do alimento até o momento do consumo.

Figura 5: Oficina Produção de mudas (A), plantio (B) e colheita de hortaliças (C).



Segundo Cribb (2010), as atividades nas hortas possuem a capacidade de modificação nos hábitos e atitudes dos alunos, propiciando a formação da consciência, do respeito e da necessidade da conservação ambiental. Além disso, a horta foi reconhecida como um espaço de aprendizado, em que as trocas interpessoais apresentaram uma perspectiva horizontal e dialógica entre os envolvidos, e todos puderam contribuir com seus conhecimentos e experiências na construção do projeto.

Cabe destacar a importância da atuação interdisciplinar na Educação Ambiental, ressaltando que os problemas ambientais requerem uma visão holística com união de diferentes saberes em busca da compreensão e resolução de problemas (TOZONI-REIS et al., 2006; KATAOKA et al., 2017). Rôças et al. (2011) reforçam que a Educação Ambiental é multirreferencial na sua essência, pois, na pretensão de construir um campo de conhecimento, noções e conceitos podem ser originários de várias áreas do saber.

Assim, buscou-se a partir dos princípios da Educação Ambiental transformadora e crítica, e da Psicologia Ambiental, a realização de um projeto de extensão interdisciplinar da universidade com um serviço de proteção social básica, que envolve profissionais da área de Biologia, Psicologia, Medicina Veterinária e graduandos em Agronomia.

O projeto atingiu o objetivo visto que ao promover o contato com a natureza, de forma lúdica, interativa e cooperativa, propiciou experiências cognitivas, afetivas e também de sociabilidade e cooperação entre alunos, funcionários, professores e integrantes do projeto.

Na finalização do projeto ocorreu a oficina de entrega de certificados (Figura 6) que visou reconhecer os esforços dos alunos durante o processo, certificando que os mesmos se tornaram aptos para multiplicar os conhecimentos adquiridos e habilitados para atuar em prol do ambiente. Todos ficaram muito entusiasmados com a cerimônia e com o reconhecimento diante dos demais colegas.

Figura 6: Entrega dos certificados para os alunos após a conclusão das etapas do projeto. Cerimônia de entrega dos certificados (A). Equipe executora do projeto com colaboradores do Lar Escola (B).



Como reconhecimento da importância socioambiental deste projeto, a instituição recebeu o selo SESI – Paraná ODS 2017. Este selo é concedido às instituições que desenvolvem projetos voltados à realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) preconizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), neste caso, foram cumpridos três dos dezessete objetivos, o terceiro que é referente a Boa Saúde e Bem-estar, o quarto que é a Educação de qualidade e o dezessete que diz respeito as Parcerias em prol das metas.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS



O Projeto Interdisciplinar de educação ambiental proporcionou aos seus executores uma vasta experiência, tanto no âmbito cognitivo, devido às buscas dos conteúdos e técnicas a serem executadas, assim como, no aspecto social, de interação junto à comunidade. A execução das oficinas e dinâmicas promoveu comportamentos e atitudes pró-ambientais nas crianças.

No período de desenvolvimento do projeto foram alcançados todos os objetivos propostos, quanto à abordagem da problemática ambiental e alimentação saudável, culminando com a sensibilização ambiental dos alunos. Além de atingir três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que são metas globais para a sustentabilidade do planeta.



REFERÊNCIAS



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