ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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Relatos de Experiências

18/09/2018AURICULOTERAPIA CHINESA COM O USO DE SEMENTES COLZA NA DISMENORREIA PRIMÁRIA: RELATO DE CASO  
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AURICULOTERAPIA CHINESA COM O USO DE SEMENTES COLZA NA DISMENORREIA PRIMÁRIA: RELATO DE CASO

1Kadidja Karla de Lima Dantas; 2RosemaryAraújo Monteiro; 3Lúcia de Fátima Amorim;

4Gil Dutra Furtado

1Fisioterapeuta

2Mestra em Desenvolvimento e meio ambiente; Fisioterapeuta; Docente da UFRN

3 Doutora em Ciências da Saúde; Docente da UFRN

4Doutor em Psicobiologia



RESUMO

Introdução: Dismenorreia é uma das queixas mais comum entre as mulheres, podendo prejudicar alguns aspectos da rotina. Devido ao impacto na qualidade de vida dessas mulheres se faz necessário o uso de terapias, alopáticas ou não, para reduzir dores e incômodos durante esse período. Auriculoterapia é um recurso da medicina tradicional chinesa, onde o objetivo maior é de trazer o bem- estar.Objetivo: Avaliar a aplicabilidade da Auriculoterapia chinesa para a redução das cólicas menstruais e alívio dos sintomas relacionados à tensão pré-menstrual, que são problemas recorrentes, mas com poucos recursos para alívio dos sintomas. Propor a inserção dessa prática nas ações em Saúde Pública através da implementação das Práticas Integrativas Complementares da Saúde (PICS). Metodologia: Se trata de um relato de caso. A amostra foi uma paciente do sexo feminino, universitária, 21 anos, que sofre com dismenorreia primária. A coleta de dados da paciente foi realizada por meio de uma ficha de avaliação, sobre sua saúde e queixas, e realizada uma intervenção de 10 sessões de Auriculoterapia com sementes, durante 10 minutos, ao longo de 10 semanas. Resultados: Foi observada uma redução na escala analógica de dor utilizada (EVA), onde a dor diminui de 7 para 2 e a paciente também teve uma diminuição dos sintomas pré- menstruais. Conclusão: Foi eficaz para a paciente, porém, mais estudos são necessários para uma possível comprovação científica.







Palavras-chave: Auriculoterapia. Dismenorreia. Síndrome Pré-Menstrual.

ABSTRACT

Introduction: Dysmenorrhoea is one of the most common complaints among women, and may impair some aspects of the routine. Due to the impact on the quality of life of these women it is necessary to use therapies, allopathic or not, to reduce pain and discomfort during this period. Auriculotherapy is a feature of traditional Chinese medicine, where the ultimate goal is to bring wellness. Objective: To evaluate the applicability of Chinese Auriculotherapy to the reduction of menstrual cramps and relief of symptoms related to premenstrual tension, which are recurrent problems but with few resources for symptom relief. To propose the insertion of this practice into actions in Public Health through the implementation of Complementary Integrative Practices of Health (PICS). Methodology: This is a case report. The sample was a female university student, 21 years old, who suffered with primary dysmenorrhea. Patient data collection was assessed through an evaluation form, about her health and complaints, and an intervention of 10 sessions of Auriculotherapy with seeds was carried out for 10 minutes over 10 weeks. Results: A reduction in the Visual Analogue Scale (VAS) was observed, where the pain decreased from 7 to 2, and the patient also had a decrease in premenstrual symptoms. Conclusion: It was effective for the patient, however, more studies are needed for a possible scientific substantiation.

Keywords: Auriculotherapy. Dysmenorrhea. Premenstrual Syndrome.



  1. INTRODUÇÃO

Constantemente mulheres de todas as idades queixam-se de distúrbios no ciclo menstrual. Os incômodos mais frequentes são as menstruações dolorosas juntamente com o sangramento menstrual excessivo (HENSCHER, 2007). A dismenorreia é umas das queixas ginecológicas mais comuns. Caracteriza-se como dismenorreia a dor durante a menstruação que impede as atividades normais e requer medicação, seja por prescrição médica ou auto medicação (DECHERNEY et al, 2014).

A dismenorreia é a principal causa de dias perdidos de aulas e trabalhos pelas mulheres; classificada em primária e secundária, sendo a primeira relacionada ao excesso de prostaglandinas, que causam contrações uterinas dolorosas, podendo surgir logo após a primeira menstruação. a secundária está relacionada a fatores externos ao útero (STEPHSON; OCONNOR, 2004).

Além do desconforto das menstruações dolorosas as mulheres também sofrem com a Síndrome Pré-Menstrual (SPM). A SPM, ou tensão pré-menstrual (TPM), engloba um grupo de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, que ocorrem periodicamente, começando na semana anterior sendo aliviada com o fluxo menstrual. Esses sintomas ocorrem durante a fase lútea, podendo ser grave a ponto de interferir em alguns aspectos da vida (AMB, 2011).

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem sua própria visão sobre o problema e traz diversos tipos de terapias e diagnósticos para diminuição das dores e alívios dos sintomas. A MTC atribui o funcionamento do corpo baseado nos meridianos e substâncias vitais circulando corretamente, como o sangue e o Qi, energia vital que regula as atividades no organismo. Os meridianos são linhas que conectam os pontos de acupuntura e relacionam o interior com o exterior do corpo (WEN, 1985).

Sob o ponto de vista da MTC, o Fígado, o Vaso-Penetração e o Vaso- Concepção são responsáveis pela fisiologia da menstruação. O sangue deve ser abundante e mover-se adequadamente para que a menstruação ocorra normalmente, quem controla essas funções é o fluxo livre do Qi do fígado, que precisa circular corretamente para o período menstrual ocorrer sem dor. Se o Qi do fígado se estagna, pode causar dor, principalmente antes da menstruação, sendo essa estagnação à causa mais importante da dismenorreia (MACIOCIA, 1996).

De acordo com a MTC, a tensão pré-menstrual é outra frequente alteração relacionada ao ciclo menstrual. A TPM é caracterizada por alterações emocionais como ansiedade, depressão, diminuição da capacidade de concentração, gritos de choro, aumento da sensibilidade ao ruído insônia e mudanças na libido. Também é responsável por alterações somáticas, como fadiga, dor de cabeça, distensão abdominal, edema de membros e dor nos seios também podem ocorrer.

Considera-se que o quadro clínico da tensão pré-menstrual, quando analisado pela Teoria dos Cinco Movimentos da MTC, teoria que liga os fenômenos da natureza, os órgãos, sistemas e emoções, pode estar relacionado à deficiência de rim quando o indivíduo fadiga facilmente, possui deficiência de energia, de desânimo. o fígado está relacionado com à labilidade emocional, tensão, humor alterado, insônia, inquietação, dor torácica e o coração quando tem distúrbios emocionais e envolvimento secundário de baço/pâncreas com as mudanças de apetite, edema e aumento de peso (YAMAMURA, 2004).

Desse modo a MTC engloba várias técnicas, entre elas a auriculoterapia. Vários povos utilizaram desde a antiguidade, mas na China se deu maior progresso na associação do pavilhão auricular com os demais órgãos e regiões do corpo (NEVES, 2009). Sendo um recurso que serve tanto para analgesia como diagnóstico, usando pontos específicos para regulação energética dentro dos meridianos, por meio da homeostase de forma que se avalia à pessoa como um todo, considerando a orelha como um feto de cabeça para baixo (DAL MAS, 2004). Atuando no organismo por meio de estímulos nos pontos com sementes, agulhas, esferas ou até mesmo massagem.

Apesar da dismenorreia e TPM afetarem grande parte das mulheres que menstruam os tratamentos são limitados, mesmo a Auriculoterapia que é uma técnica antiga e reconhecida na Organização Mundial de Saúde (OMS) e aprovada como técnica das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no Sistema Único de Saúde em 2006, poucos estudos relacionados à técnica, principalmente em relação a essas disfunções. Havendo a necessidade de ampliação de estudos sobre a técnica que apresenta bons resultados na clínica.

Diante do grande número de pessoas que sofrem com a dismenorreia e TPM, o uso da auriculoterapia auxilia na redução das dores, podendo a paciente assim, voltar a fazer suas atividades da vida diária. A importância do estudo, tratamento e a prevenção da dismenorreia se justificam pela sua alta prevalência na população feminina e pelo uso expressivo da automedicação e uso de anticoncepcionais para redução das dores, impactando essa população de forma negativa.

Este estudo tem como objetivo identificar a aplicabilidade do uso da auriculoterapia (com sementes) no tratamento de uma paciente com o diagnóstico de dismenorreia e alterações emocionais relacionadas à síndrome pré-menstrual e propor a inserção dessa prática nas ações em Saúde Pública através da implementação das Práticas Integrativas Complementares da Saúde (PICS). Tratou-se de um relato de caso.

Aspectos Éticos

O estudo foi realizado no Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e foi submetido e aceito pelo comitê de ética em pesquisa CAAE: 73733317.00000000.000.5537 vinculado à Plataforma Brasil, como rege a Resolução 466/2012 do Conselho nacional de Saúde. Tendo permissão da paciente para utilização dos dados coletados. Permissão concedida verbalmente e firmada pelo Termo de consentimento Livre e Esclarecido, assinado pela paciente e pela orientadora.

Material e métodos



À amostra do estudo foi uma mulher que não possui diagnóstico de dismenorreia secundária; não utiliza dispositivos intrauterinos; não usa medicamentos anticoagulantes, e também nunca realizou procedimento cirúrgico ou algum tratamento para dor crônica.

Foram utilizadas fichas para coletas de dados pessoais e dados sobre a saúde da paciente, à ficha dividia-se em dados sociodemográficos, as principais queixas, histórico pessoal e familiar da paciente, se realizou tratamentos anteriores, quais eram os medicamentos que estava utilizando, hábitos de vida, questões emocionais, se alterações no aparelho geniturinário e se possuía alguma alteração.

Foi feito avaliação pela MTC que consiste na Inspeção e palpação do pavilhão auricular. O treinamento foi realizado no Centro Escola de Terapias Orientais (CETO), no Centro de Biociências.

      • Inspeção - Avaliação da orelha a procura de alterações pigmentar, manchas, tubérculos, vascularização, secura ou oleosidade. Essas alterações aparecem para indicar a existência de algum desequilíbrio no corpo, órgãos ou funções que será refletido na orelha.

      • Palpação - Pressão nos pontos correspondentes, quando estão afetados se tornam sensíveis ao toque, aos estímulos e aplicações de sementes/agulhas.

Aludiu-se a Escala Visual Analógica (EVA) para mensuração da dor. A EVA consiste em auxiliar na avaliação da intensidade da dor no paciente, é uma escala importante para verificarmos a evolução do paciente durante o tratamento de maneira mais precisa. Sendo ultil para considerar se o tratamento está sendo efetivo, quais procedimentos têm melhores resultados pela variação do grau da dor.

Para utilizar a EVA o atendente deve questionar o paciente quanto ao seu grau de dor sendo que 0 significa ausência total de dor e 10 o nível de dor máxima suportável pelo paciente. É usado antes e após cada intervenção, para registrar à evolução do paciente.

Figura 1- Escala Visual Analógica



Fonte: www.eletroterapia.com.br

A paciente foi informada sobre a intervenção e lhe foi solicitada a permissão para utilizar os dados. Com a permissão concedida, o TCLE foi assinado. Depois, foi realizada uma avaliação inicial por meio do preenchimento de ficha, baseado na MTC, como o processo de inspeção e palpação.

Após coleta de dados, se deu início à aplicação das sementes de colza.

Durante as 10 semanas de tratamento, foram acompanhadas 3 ciclos menstruais da paciente e sempre questionava a dor e sua intensidade, esta última avaliada pela EVA.

Avaliação

Apresentação da paciente

A paciente deste estudo foi uma mulher com 21 anos, solteira, universitária. As queixas principais consistiam nas cólicas menstruais e dores na cervical. Relata que as dores nas costas começaram uns dois anos, acredita que é devido à rotina exaustiva na faculdade. Diz sempre ter sentido cólicas, menarca aos 12, com menstruação de fluxo intenso durando de 3 a 5 dias, com dores que se iniciavam antes da menstruação. Deixa de realizar as atividades na maioria das vezes nos dois primeiros dias, devido as dores, afetando o desempenho na faculdade e nas atividades que realiza em casa. Suas relações e atividades sociais são prejudicadas durante esse período. Faz uso de dipirona ou buscopan quando está com dores.

A rotina da paciente consiste na universidade, durante a maior parte do dia, vai a igreja e sai com amigos nos finais de semana. Não pratica atividades físicas e a alimentação é formada por massas e carne, poucas frutas e verduras. Tem preferência pelos doces e “belisca” muito durante o dia. Diz que se encontra a maior parte do tempo preocupada e ansiosa. Tem crises alérgicas frequentemente, tanto de pele como rinites. Não sente sede, transpira e sente-se cansada a pequenos esforços. Sem alterações intestinais. Menstruação dolorosa com fluxo menstrual intenso, com ciclo de 30 à 34 dias; TPM passando pelo estresse, ansiedade e irritabilidade labilidade emocional e indisposição; Vida sexual inativa, sem uso de anticoncepcional. Sofre com insônia e sonolência pela manhã. Tem dores de cabeça devido a visão e ocasionalmente sente dores na nuca e joelhos. Apresenta queda de cabelos e unhas quebradiças.

Inspeção do pavilhão auricular

Área do útero e fígado avermelhadas; Área do rim enegrecida e palidez na região do baço.

Palpação do pavilhão auricular

Sensibilidade demasiada nos pontos do fígado, Shen men,baço, e cervical.

Sensibilidade leve nos pontos alergia e rim.

Diagnóstico pela MTC

Pela MTC, a paciente se encontra num quadro de estagnação de Qi do Fígado, com deficiência de Rim e alteração do Baço/Pâncreas.

Intervenção

Foram realizadas sessões de Auriculoterapia, uma vez por semana, com duração de 10 minutos cada, ao longo de 10 semanas, totalizando 10 sessões. A primeira sessão durou mais tempo, devido à avaliação da paciente.

O atendimento acontecia de forma individual, formado por anamnese, inspeção, localização e palpação dos pontos no pavilhão auricular. O pavilhão auricular foi higienizado com álcool a 70% e foram aplicadas as sementes, foram utilizadas sementes de colza. Foi orientado a paciente estimular os pontos com as sementes três vezes ao dia, por 10 segundos com pressão moderada e retirar as sementes 24 horas antes do atendimento. Deu-se o conselho de retirar as sementes antes se o desconforto for muito grande.

Os pontos escolhidos foram baseados nas queixas e sintomas da paciente segundo a MTC. Os pontos escolhidos: Shen-Men, Fígado, Útero, Rim, Baço para redução das cólicas e TPM e os pontos da coluna cervical e alergia quando se encontrava em crise.

Figura 1 - Localização dos pontos escolhidos:

Fonte:Dantas (2017).

Explicação dos pontos escolhidos segundo Garcia e Neves:

      • Shen Men: É um ponto sedativo e analgésico quando usado com à área correspondente;

      • Ponto do fígado: Harmoniza a circulação de Qi e sangue eliminando e dispersando estagnações. Regulando o fluxo energético no útero;

      • Útero: representação do útero para analgesia, usado em várias disfunções ginecológicas;

      • Ponto do rim: Diminuição de dor e equilíbrio hormonal;

      • Ponto do baço: Na medicina chinesa está associado a produção de sangue, questões alimentares, edema, problemas intestinais letargia e ajuda na imunidade;

      • Cervical: Ponto para a dor correspondente.

      • Área da alergia: Indicado nos casos alérgicos e para fortalecer a imunidade.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

A paciente respondeu bem à auriculoterapia, não teve efeitos colaterais, apenas dor na orelha.

Foram acompanhados 3 ciclos menstruais. As cólicas diminuíram, e foi sentido menos dor no segundo ciclo acompanhado, quando a paciente relatou grau 2 na EVA. No primeiro ciclo acompanhado a intervenção foi realizada no primeiro dia do ciclo. No segundo ciclo um dia antes do ciclo e No terceiro dia foi acompanhado o primeiro dia do ciclo.

Quadro 1- EVA antes e depois da aplicação, e número que a paciente se medicava para redução de dores.


EVA antes

EVA depois

Medicação

Sem auriculoterapia

7

-

3 x ao dia

Ciclo 1

7

3

1 x ao dia

Ciclo 2

*intervenção feita antes do ciclo

2

1 x ao dia

Ciclo 3

7

3

1 x ao dia

Fonte: Dantas (2017).

Os sintomas psicossomáticos da TPM também foram reduzidos, principalmente quanto à irritabilidade, ansiedade e alterações de humor. Com a diminuição da ansiedade paciente passou a beliscar menos vezes.

Passou a dormir melhor e a disposição aumentou. As crises alérgicas e dores na nuca diminuíram.

O caso dessa paciente não é isolado, um estudo realizado por Sezeremeta et al (2015) na Faculdade Integrado de Campo Mourão mostrou que a maior parte das acadêmicas entrevistadas sofreu com a dismenorreia ao menos uma vez na vida. As crises afetam de forma negativa, restringindo as atividades cotidianas e comprometendo rendimento escolar e produtividade. E mesmo que a dismenorreia afete uma elevada parte das acadêmicas avaliadas a maior parte delas não procuram atendimento profissional e recorrem à automedicação.

A Auriculoterapia foi reconhecida pela OMS em 1990, para promoção e manutenção da saúde no tratamento de diversas enfermidades. É a terapia de microssistema mais utilizada no mundo (NEVES, 2009). Na visão da MTC, a auriculoterapia funciona através do equilíbrio energético dado aos meridianos que estão próximos à orelha, sedando e tonificando as energias (SANTOS, 2003). Tornando a auriculoterapia dependente das leis da acupuntura (LIPSZYC, 2004).

Além do mecanismo de ação energética da acupuntura e auriculoterapia, outros dois mecanismos o neural e humoral, sendo relacionada com o sistema nervoso central, com substâncias sendo produzidas no córtex cerebral, como neuro- hormônios, neurotransmissores, além de hormônios que vão para corrente sanguínea chegando ao local alvo que vão atuar no mecanismo imuno-defensivo e células receptoras (YAMAMURA, 2004; DAL MAS, 2004). Desse modo alivia dores mesmo distante do local de aplicação. A auriculoterapia pode aumentar os níveis de substâncias analgésicas endógenas, principalmentes em pacientes com dismenorreia moderada ou severa. Também regula a atividade uterina, diminuindo as contrações, assim diminuindo as dores (XIANG et al, 2012)

Em seu estudo, Gouvêia (2016) mostra que acupuntura sistêmica apresenta um tratamento muito bom para dismenorreia, e a auricular também se mostra eficaz na melhora dos sintomas menstruais, dor, irritabilidade, depressão e uma melhora na qualidade de vida . Esse achado corrobora com o vigente estudo ao expor que o estímulo auricular diminui dores relacionadas ao período menstrual.

Cha e SOK (2016) fizeram um estudo com estudantes do ensino médio na Coreia do Sul, para avaliar o efeito da acupressão auricular com agulhas, onde encontrou eficácia e demonstrou que é um método de intervenção conveniente que permite que mulheres gerenciem seus problemas, além de ser acessível em relação à aplicação de tempo e viabilidade econômica.

Yeh et al (2013) realizou um estudo sobre auriculoterapia na dismenorreia, com sementes em diferentes grupos, um com pontos relacionados à disfunção e um grupo placebo com pontos não relacionados ao problema. E constatou que à auriculoterapia teve efeito nos dois grupos, mas no grupo com os pontos específicos para dismenorreia o resultado foi superior. Então mesmo os pontos não sendo específicos para o problema, ainda assim houve estímulo na orelha o que não impede a liberação de neuro-hormônios na corrente sanguínea. Pois houve outro estudo com grupo placebo desenvolvido por Wang et al(2009), onde o grupo de intervenção com sementes teve melhora nos sintomas menstruais apresentados e o grupo controle, onde foram utilizados apenas adesivos, não teve resultados.

A prevenção e diminuição dos sintomas da TPM podem ser feitos por tratamentos alternativos, como acupuntura, auriculoterapia, atividades físicas, psicoterapia e alimentação saudável. A auriculoterapia foi bem aceita entre as adolescentes, que o desconforto que a técnica causa é momentâneo e não tem efeitos colaterais (PIRES, 2013).

A auriculoterapia tem efeitos benéficos para o controle da ansiedade e estresse, além de ser um tratamento de baixo custo, mesmo em casos onde à ansiedade é considerada como moderada ou grave e com sintomas psicossomáticos (FREZZA, 2016; KUREBAYASHI, 2017; VIEIRA, 2013). Corroborando com nossos resultados sobre redução de ansiedade e estresse.

Todos esses achados atestam nosso estudo que a auriculoterapia reduz dores do período menstrual, como também ajudam no controle do estresse e ansiedade.

A auriculoterapia é uma técnica comprovada mais pelo seu uso clínico do que com pesquisas desenvolvidas. Uma padronização poderia melhorar a qualidade da pesquisa na área, que poderiam sustentar a eficácia das indicações clínicas e aceitação da uniformidade. Linhas de pesquisas que comparem acupontos diferentes, mas com a mesma indicação e avaliação da eficácia de protocolos de diferentes autores (SILVÉRIO-LOPES, 2013).

Questionários sobre qualidade de vida, função sexual, sintomas da TPM e outros são importantes serem adicionados para futuros estudos, dando uma maior dimensão sobre os impactos que a dismenorreia causa na vida das mulheres.

CONCLUSÃO

A dismenorreia é um desconforto que atua negativamente na vida das mulheres, prejudicando suas atividades e qualidade de vida. A auriculoterapia pode atuar em várias patologias, reduzindo dores e melhorando as questões emocionais.

A auriculoterapia se tornou viável para redução de dores menstruais, da paciente em questão, fazendo mais efeitos quando aplicada um dia antes da menstruação. Com redução de ansiedade e irritabilidade, como trazendo outros benefícios para a paciente.

A auriculoterapia se mostrou um bom método alternativo para redução de dores, por se mostrar uma técnica não invasiva, de rápida aplicação, sem efeitos colaterais e com baixo custo.

Pesquisas são necessárias para entender o funcionamento da técnica e também os protocolos mais eficazes e uniformizados, para que as pesquisas sejam mais consistentes.



REFERÊNCIAS



ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA E CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Projeto Diretrizes: Tensão Pré-Menstrual. 2011.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria 971, de 4 de maio de 2006. Dispõe sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, 2006.

CHA, Nam Hyun; SOK, Sohyune R. Effects of Auricular Acupressure Therapy on Primary Dysmenorrhea for Female High School Students in South Korea. Journal of Nursing Scholarship, 2016, 48.5: 508-516.

DAL MAS, Walter Douglas. Auriculoterapia: Auriculomedicina na Doutrina Brasileira. Xd: Roca, 2004.

DECHERNEY, Alan H. et al. CURRENT: Ginecologia e Obstetricia. 11. ed. 3: Lange, 2014

FREZZA, Sinthia Concencio. Ansiedade, estresse e auriculoterapia: uma revisão de literatura. 2016.GARCIA, Ernesto G. Auriculoterapia. São Paulo: Roca Ltda, 1999; 440p.

GOUVÊA, Tammy Negreiros. O Uso da Acupuntura no Tratamento da Dismenorreia. 2016.

HENSCHER, Ulla. Fisioterapia em ginecologia. Livraria Editora Santos, 2007.

KUREBAYASHI, Leonice Fumiko Sato, et al. Auriculoterapia para redução de ansiedade e dor em profissionais de enfermagem: ensaio clínico randomizado. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2017, 25: 28438

LIPSZYC, Moisés. Manual de Auriculoterapia. Buenos Aires: Editorial Kier, 2004. 189 p.

MACIOCIA, Giovanni. A Prática da medicina Chinesa: Tratamento de Doenças com acupuntura e ervas chinesas. Roca, 1996.

NEVES, Marcos Lisboa. Manual Prático de Auriculoterapia. Porto Alegre: Ed. Do Autor, 2009. 88 p.

PIRES, Eliana Rodrigues Ribeiro; MEJIA, Orientadora Dayana Priscila Maia. Benefícios da acupuntura auricular em adolescentes com tensão pré menstrual. 2013.

SANTOS, José Francisco. Auriculoterapia e Cinco Elementos. São Paulo, Ícone, 2003.

SEZEREMETA, Deise Cris et al. Dismenorreia: Ocorrência na vida de acadêmicas da área de saúde. Journal of Health Sciences, v. 15, n. 2, 2015.

SILVÉRIO-LOPES, Sandra; SEROISKA, Mariângela Adriane. Auriculoterapia para analgesia. Analgesia por acupuntura. Curitiba (PR): Omnipax, p. 1-22, 2013.

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VIEIRA, Andreia Raquel Soares. Efeito da acupuntura auricular na ansiedade de estudantes universitários antes da época de exames. 2013.

WANG, Mei-Chuan, et al. Effects of auricular acupressure on menstrual symptoms and nitric oxide for women with primary dysmenorrhea. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, 2009, 15.3: 235-242.

WEN, Tom Sintan. Acupuntura clássica chinesa. Editora Cultrix, 1985

XIANG, Dongfang, et al. Ear Acupuncture Therapy for 37 Cases of Dysmenorrhea Due to Endometriosis. 中医: 英文版, 2002, 4: 282-285.

YAMAMURA, Ysao. Acupuntura Tradicional: A Arte de Inserir. 2. ed. :Roca, 2004.



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