ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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Reflexão

13/03/2019PARA GRETA! GRETA THUNBERG!  
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PARA GRETA! GRETA THUNBERG!

Bere Adams

Ao que tudo indica, diante de um cenário completamente caótico, do ponto de vista tanto político, social, cultural, quanto ambiental, nós humanos, somos como uma fábrica. Uma fábrica de criar desejos, de criar sonhos, de criar coisas, de criar necessidades que não temos. Somos uma fábrica de criar problemas.

Nós somos produtos, produtos planejados para logo nos tornar obsoletos. Vivemos na obsolescência líquida. Vivemos no tempo inverso, do retorno, do retrocesso, quando se podam iniciativas que percorreram uma trajetória sólida e ética, e a antiética se consolida nas gestões governamentais em todo o mundo. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, criou o conceito de modernidade líquida. Para ele, essa “liquidez” interfere na consistência da sociedade. Interfere, principalmente, no comprometimento das pessoas diante da vida. Bauman defende o retorno de valores mais sólidos.

Há muito deboche com as questões ambientais dos que fogem da responsabilidade de deixarmos este planeta melhor, e não pior, para as atuais e futuras gerações, e o “Eu com isto?” impera, sem fazer cerimônia. Por vezes, sente-se vergonha de sermos humanos, quando se salientam os egos inflados atacando ou defendendo ideologias, em vez de criarmos formas de retomar as rédeas que nos conduzem para um mundo melhor. Quem realmente está preocupado com a educação, com a saúde, com o bem-estar de crianças e idosos, com o bem-estar da vida em todo o planeta? Quem está preocupado em mapear os principais problemas e solucioná-los? Às vezes, parece que tudo está virando uma grande piada. As mentiras toscas ganham força e se tornam verdades incontestáveis, enquanto que as verdades tornam-se piadas, e o conhecimento torna-se banal e sem valor. Assim, as inverdades invadem a nossa vida na carona das mídias sociais, poluindo estas tão endeusadas redes com notícias falsas, da mesma forma como estamos poluindo todos os meios de vida da Terra. Vivemos em ambientes real e virtual poluídos. É desta forma que nos tornamos o lixo de nós mesmos. Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, certa vez clamou por socorro, dizendo que havia caído neste mundo e que não sabia como voltar, nem como dele sair.

Precisamos, com urgência, tornarmo-nos pessoas melhores! A começar por melhorar a nossa relação com a vida. Precisamos sair desta embalagem imposta por um sistema de sociedade consumista, que nos comprime e nos coloca em um lugar onde não se vive, se compete; não se sente, se é indiferente; não se percebe, se é inconsciente; não se responsabiliza, se é inconsequente.

Nunca antes, na história, a educação se fez tão necessária. Nunca a professora e o professor foram tão importantes. Nunca os alunos foram tão necessários! O momento é crítico! Lidamos com uma esperança excessiva que se debate com o descrédito no futuro. A Terra está anunciando que não aguenta mais a interferência humana irresponsável. É hora da transformação. Tomara que Pierre Lévy, filósofo e pesquisador da ciência social que estuda o impacto da Internet, esteja certo quando aponta que as máquinas podem ser utilizadas para a humanidade pensar, se organizar e agir melhor. Atualmente Lévy tenta desenvolver uma linguagem comum, que possa integrar todas as redes sociais para o desenvolvimento da inteligência coletiva, embora se perceba que a Internet é bastante ágil em propagar a ignorância entre distintas coletividades.

A cada dia, as lideranças ambientais são mais e mais ameaçadas, e por isto, estão, pouco a pouco, emudecendo, e já se sente o cheiro de silêncio no ar, frente ao ocorrido em Brumadinho, Mariana... E assim, a morte segue livre devastando a vida no planeta. Abelhas morrendo como nunca antes na história, comprometendo a produção de alimentos. Os mares têm ilhas de plástico. Ursos e pinguins vivem em ilhas de lixo flutuante. Este é o novo ambiente que criamos, e que estamos deixando para os que estão por vir. Tudo está se tornando antinatural.

A falta de lideranças para promover as mudanças na sociedade é um sério problema. Mas, eis que, lá no horizonte, surgem novos “sóis” que rasgam a escuridão da desesperança. São os jovens, entre eles, em especial, uma menina, Greta é o nome dela. Ela chega, com tudo, e já tem muita força. Com apenas 15 anos já virou manchete nos meios de comunicação do mundo todo: “Todos os dias, Greta Thunberg protesta em frente ao Parlamento do país: 'os adultos estão 'cagando' para meu futuro'”. Conforme artigo do portal virtual Conexão Planeta, “Greta foi uma das palestrantes na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP24, realizada na Polônia, no ano passado (2018), esteve na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A revista americana Time listou Greta entre os 15 jovens mais influentes do mundo em 2018”.

en.wikipedia

Esta menina, que está sempre de tranças, veio comprovar que as iniciativas pessoais são fundamentais, e que as lideranças são importantes para promoverem transformações. Por isto, não deixemos de fazer a mudança por nos sentirmos sós, ou pequenos, ou fracos, diante tantos problemas. Precisamos ousar, como ousam todos os que realizam pequenas ações que mudam o mundo. Precisamos deixar de ser um produto criado por aqueles que nos manipulam. Se deixarmos os apegos, os exageros, se nos humanizarmos mais e nos robotizarmos menos, e se nos livrarmos das embalagens que consomem a nossa essência, a nossa alma reencontrará a sua verdadeira luz e o amor prevalecerá.

Que a menina Greta Thunberg, atualmente com 16 anos, que discursou na Conferência do Clima da ONU há cerca de 2 meses questionando sobre a falta de iniciativas significativas para soluções dos problemas ambientais, cobrando ações emergenciais que contenham este sistema de vida predatório para assumirmos a responsabilidade que cabem ser tomadas pelos adultos, para mudar a forma como vivemos, seja a nossa inspiração. Que mais e mais jovens, como a Greta, descubram o quanto têm poder de transformar o mundo, para melhor. Este poder todos nós temos, e quanto antes os utilizarmos, melhor, porque o tempo não espera.



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