ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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13/03/2019O USO DO RECURSO AUDIOVISUAL PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESCOLAS PARAENSES: PROJETO EACINE  
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O USO DO RECURSO AUDIOVISUAL PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESCOLAS PARAENSES: PROJETO EACINE



Jeniffer Reis Brasil1,2, Felipe Lopes Alves1,2, Márcia Francineli da Cunha Bezerra3, Luiza Nakayama4



1 Bolsista Navega Saberes/INFOCENTRO, Universidade Federal do Pará. Email: brasiljeniffer@yahoo.com.br. Email: felipelopesalves11@gmail.com.

2 Graduando de Oceanografia, Universidade Federal do Pará.

3 Doutora em Ciência Animal pelo PPGCA, NCADR/UFPA. Integrante da Sala Verde Pororoca/CEABIO – Universidade Federal do Pará. Email: m.francinele36@gmail.com.

4 Doutora em Genética Bioquímica e Molecular. Professora titular da UFPA, coordenadora da Sala Verde Pororoca. Universidade Federal do Pará. Email: lunaka@ufpa.br.

Resumo: O Projeto EACINE, convênio da PROEX/UFPA com o Ministério do Meio Ambiente, em sua quarta edição, desenvolveu ações de Educação Ambiental com mais de duzentos alunos de escolas de ensino básico paraenses.

Abstract: The EACINE Project, an agreement of PROEX / UFPA with the Ministry of the Environment, in its fourth edition, developed Environmental Education actions with more than 200 students from elementary schools in Pará.

INTRODUÇÃO

É sabido que o uso de recursos audiovisuais- como televisão, sites, cinema, teatro, dentro outros – é uma opção eficaz para o ensino-aprendizagem de conteúdos curriculares. De acordo com Ferrés (1996), a imagem pode favorecer o envolvimento emocional do aluno com os símbolos, facilitando o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que “o emocional é um componente fundamental da compreensão e do ensino” (MORAN,1998, p. 88).

O Programa Sala Verde Pororoca: espaço socioambiental Paulo Freire, convênio UFPA – MMA, vem desenvolvendo trabalhos, com uso de tecnologias, na esfera da Educação Ambiental (EA). Entre os vários projetos deste Programa está o “EACINE como instrumentos de aprendizagem em escolas paraenses”, iniciado em 2014, permanecendo e já em sua quarta edição, com registro na PROEX-UFPA.

O Projeto EACINE visa sensibilizar alunos do ensino fundamental de escolas públicas e privadas paraenses, por meio de exibições de vídeos, provenientes da Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente (Ministério do Meio Ambiente - MMA) e ou de canais da internet.

CAMINHOS METODOLÓGICOS

Enviamos ofícios às direções da Escola Estadual de Ensino Fundamental Candido Herácio Evelin (E.E.F. Candido Evelin), Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Joaquim Viana (E.E.F.M. Joaquim Viana) localizados no município de Ananindeua - PA e Escola Estadual de Ensino Fundamental Carlos Drummond de Andrade (E.E.F. Drummond de Andrade) e Colégio Dom Mário, situados em Belém - PA, solicitando autorização para realizar as sessões, as quais foram operacionalizadas no ambiente escolar, durante as aulas.

Direcionamos estas atividades aos alunos do ensino fundamental, uma sessão por ano escolar. Os vídeos escolhidos foram provenientes de canais da internet e da quinta, sexta e sétima Mostras Nacionais de Produção Audiovisual Independente do Circuito Tela Verde do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ao fim de cada sessão, distribuímos cartilhas sobre os cuidados com o meio ambiente, patrocinados pelo MMA.

A atividade em sala de aula foi planejada em momentos: 1. Diálogo com os estudantes; 2. Verificação dos conhecimentos prévios; 3. Exibição do documentário e 4. Roda de conversa.

No primeiro momento, nós explanamos sobre a proposta do Projeto EACINE e, em seguida, tivemos uma pequena conversa a respeito do tema do documentário. No segundo, realizamos quatro perguntas semiestruturadas, pertinentes ao audiovisual (apresentadas em PowerPoint com o auxílio de um projetor de multimídia e um notebook), a fim de verificar o conhecimento prévio da turma antes do vídeo.

Após a exibição (terceiro momento), realizamos uma roda de conversa para estimular os alunos a expressarem seus entendimentos sobre o documentário, com a aplicação das questões, que foram empregadas no segundo momento. Também solicitamos que os alunos levantassem as mãos, para classificar os parâmetros som, imagem e conteúdo do audiovisual, nas categorias: ruim, regular, bom ou excelente, pedindo que explicassem a razão de sua escolha.

Todos os dados foram registrados em um diário de campo e em fotografias. Para preservar a identidade dos alunos e professores que participarem deste estudo, não citamos seus nomes, apenas os nomes das escolas.

Definimos esta pesquisa como qualitativa de acordo com Minayo (2000) e Chizzotti (2005) e, mais especificamente, como sendo uma pesquisa-ação participativa, metodologia de pesquisa que, segundo Tozoni-Reis (2007, p. 113), "articula a produção de conhecimentos, ação educativa e participação numa perspectiva necessariamente transformadora da realidade".

RESULTADOS E DISCUSSÃO

  • MEU CORPO MEU MUNDO (https://www.youtube.com/watch?v=prKgg62tjRA)

Realizamos duas exibições, com um público total de 48 alunos (13 alunos do oitavo ano e 35 do sexto ano), na E.E.E.F. Candido Evelin.

Nos debates realizados antes da exibição do documentário, perguntamos aos alunos: “Como o consumo de energia elétrica pode interferir no equilíbrio do ecossistema?” Apenas um aluno do oitavo ano se manifestou: “Acho que por causa da fumaça atmosférica ecossistêmica”, mas não soube explicar o significado da sua fala.

Após a exibição, verificamos que os alunos do sexto ano manifestaram mais, respondendo: “Quanto mais consumimos energia mais desmatamento será preciso, para a construção de hidrelétricas” e “Utilizar a eletricidade e se esquecer de tirar os aparelhos da tomada pode aumentar o consumo”. No geral, os alunos passaram a responder a primeira questão com mais segurança, associando o consumo de energia como agentes causadores de desmatamento e de aquecimento global.

Aproveitamos a ocasião para acrescentar os conceitos de efeito estufa e de aquecimento global. Afirmamos que as palavras “não tinham o mesmo significado” (não eram sinônimas), mas estavam relacionadas. Dissemos que o efeito estufa é um fenômeno natural, o qual consiste em uma camada de gases que envolve a Terra, garantindo a temperatura adequada para a vida no planeta. Mas que a emissão de gases poluentes, decorrentes de atividades humanas aumentou a concentração desses gases na atmosfera. Assim, a camada de gases ficou mais espessa, dificultando a dispersão da radiação solar e provocando maior retenção de calor, e, consequentemente, aumento de temperatura na Terra: o aquecimento global. Sugerimos o artigo de Adams (2007) no qual, de forma bastante didática, diferencia estes dois conceitos.

Na segunda pergunta: “De que forma o aquecimento global pode prejudicar a vida na Terra?”, verificamos que antes do documentário os alunos do sexto e oitavo ano escolar responderam que, o aquecimento global era o “Maior aquecimento do sol” e que “o fenômeno seria prejudicial às florestas”. Após a exibição, as respostas foram mais consistentes quando comparadas às do primeiro momento: “Prejudica as árvores”, “a saúde humana pode ser afetada”, “causa a seca, que se agrava com o desmatamento”. Foi possível observar pelas respostas, que os alunos internalizaram o conteúdo do vídeo ao conseguirem relacionar doenças corriqueiras, como as causadas por mosquitos, com mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global.

Na terceira pergunta: “Como poderíamos ajudar a diminuir o desmatamento?”. Antes do audiovisual, as respostas foram: “Não cortando as árvores”, “Diminuição das queimadas”, “Não jogando lixo nas ruas” e “Quando uma pessoa retira a árvore, deve replantar”. Percebemos que as respostas não fugiram muito do que é visto em sites e na mídia em geral, revelando que os alunos tinham um conhecimento prévio, mas não tão aprofundado, do assunto em questão, estando de acordo com Carvalho (2004) que afirma que estas respostas são comuns, pois estão sempre na mídia e são conhecidas como “apelos ecológicos”. A mesma pergunta, após a sessão, teve respostas mais elaboradas, sugerindo que a diminuição de lixo, a reciclagem, a diminuição do uso de papel, assim como a diminuição do consumo de energia seriam ações que poderiam ajudar a atenuar o desmatamento. A segunda conclusão a que os próprios alunos chegaram é que: “ao utilizarmos mais energia serão necessárias mais construções de usinas hidrelétricas, que são umas das causas do desmatamento”. Consideramos satisfatórias estas respostas, pois os alunos puderam ver outras formas de prejuízo ao ambiente. Rapidamente, explicamos sobre a regra dos 3 Rs: Reduzir; Reutilizar e Reciclar e que qualquer um dos Rs só acontece se todos cooperarem.

No audiovisual, as madeireiras são mostradas como vilãs e como é feita a retirada de árvores; no entanto, mostraram também medidas simples as quais podem ajudar a diminuir as estatísticas divulgadas na mídia.

Na quarta pergunta: “Porque não devemos jogar lixo nas ruas?” Antes do vídeo, os alunos responderam que “o lixo nas ruas poderia causar alagamentos, mau cheiro e poluição”, revelando um conhecimento mais profundo se comparado com as questões anteriores antes da exibição. Este fato pode estar relacionado à temática “Lixo”, que é umas vertentes de EA mais trabalhadas nas escolas e comunidades. Estudos como o de Palma (2005), de Santana et al. (2017), de Saraiva (2018) corroboram com a afirmação de que o tema lixo e o seu tratamento é o mais trabalhado em atividades escolares sobre EA se comparado a outros como: Economia de água e de luz, preservação do meio ambiente, economia de papel, uso de transportes coletivos em vez de particular, reciclagem, dentre outros.

As respostas não mudaram muito após a exibição do documentário, porém, notamos uma riqueza maior de detalhamento nas respostas sobre o tema lixo: “Porque pode transmitir doenças, como dengue, e a pessoa causa isso a ela mesma”; “Temos que parar de jogar lixo para não poluir mais o meio ambiente”. Foi interessante notarmos que os alunos começaram a se incluir como agentes causadores/transformadores do seu cotidiano.

Para analisar os parâmetros de qualidade, perguntamos aos alunos o que eles acharam do som, da imagem e de conteúdo (Figuras 1 e 2).

Figura 1. Avaliação dos parâmetros de qualidades do documentário “Anima Saúde – Meu Corpo, Meu Mundo”, pelos alunos do 9°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Carlos Drummond de Andrade, Belém – PA.

Figura 2. Avaliação dos parâmetros de qualidade do documentário “Anima saúde – Meu corpo, meu mundo”, pelos alunos do 6° e do 8°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Candido Herácio Evelin, em Ananindeua – PA.

  • HOMEM E OS RECIFES

(6ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente – Circuito Tela Verde - MMA)

Na exibição deste documentário tivemos a participação de 22 alunos do 7º ano da E.E.F. Drummond de Andrade.

A primeira pergunta foi: “O que são corais?” Os alunos responderam que seriam “vários peixes juntos”, “cardume de peixes”, “o local onde os peixes dormem”. Após a sessão, a pergunta foi refeita e pelas respostas dadas foi possível observar que os alunos tinham mudado sua visão sobre o coral, uma vez que vários alunos responderam “São seres vivos”.

A segunda pergunta foi: “Por que devemos preservar os corais e como isso deve ser feito?”. Os alunos responderam que os corais “deveriam ser preservados, pois serviam de comida para os peixes”, “para preservar os corais uma das formas é não jogar lixo no mar e praticando a pesca”. Após a exibição, a maioria da classe respondeu “que se não fossem preservados os corais poderiam morrer”, e, além disso, que “eles são bloqueadores naturais que impedem o impacto de ondas nos recifes”. Tiveram como ideia de preservação a limpeza de lixo nesses ambientes, evitando o “pisoteamento desses animais por turistas”, “diminuição da pesca de arrasto”, “tratamento do esgoto local”. Essas respostas demonstraram que o documentário foi capaz de ensinar aos alunos práticas de conduta responsável em recifes de corais, sendo consideradas medidas mitigadoras, as quais podem ajudar na preservação desse tipo de ambiente.

A terceira pergunta foi: “O que causa a morte dos corais?” As respostas dos alunos, antes e depois do audiovisual, foram condizentes com os problemas ambientais em relação à morte de espécies locais, causada pela ação antrópica. Destacamos que antes do documentário as respostas foram mais gerais: óleo, poluição dos rios, poluição dos mares e lixo e após o documentário as respostas foram mais direcionadas: “Arrancar os corais”, “Pisar em corais”, “Pesca de arrasto”.

Na quarta: “Qual a importância das comunidades nativas para preservação dos corais?”, os alunos responderam que a comunidade local era importante no cuidado dos corais e na proteção dos mesmos para que não fossem destruídos. Após o documentário, os alunos mantiveram a resposta que deram anteriormente. Neste “jogo de perguntas e respostas” percebemos que os alunos do 7º ano, da E.E.F. Drummond de Andrade, possuíam conhecimento a respeito do ecossistema marinho, sobre formas para manutenção e para destruição da biodiversidade aquática.

No fim da ação, todos os alunos foram questionados quanto à qualidade dos parâmetros de som, imagem e conteúdo do filme. Na avaliação, a maioria dos alunos classificou a qualidade do parâmetro conteúdo como Excelente e Bom (Figura 3), assim, por considerá-lo pertinente e de qualidade, de acordo com o ano escolar, resolvemos exibir apesar de sabermos que os dois outros parâmetros não serem tão favoráveis. Destacamos que, especificamente nesta escola, alguns alunos consideraram o som e a imagem ruins, em vista da caixa de som oferecida pela escola ter apresentando problema durante a exibição e a imagem ficou pouco nítida porque a sala de aula não era um local adequado.

Figura 3. Avaliação dos parâmetros de qualidades do documentário “Homem e o Recife”, pelos alunos do 7°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Carlos Drummond de Andrade, Belém – PA.

  • VOCÊ CONHECE O CERRADO? e CERRADO: BERÇO DAS ÁGUAS DO BRASIL

(7ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente – Circuito Tela Verde - MMA)

Na exibição dos dois documentários participaram 33 alunos do 9º ano da Escola Dom Mario. A primeira pergunta feita aos estudantes foi: “O que tem a ver a qualidade de vida dos brasileiros com o Cerrado?”. Nesta turma, previamente, ninguém conseguiu responder, mas após a exibição dos documentários, os alunos responderam que: “as pessoas dependem da água, e ela está concentrada, em sua maior parte, no cerrado”, “a energia e alimentos provêm do cerrado”.

Aproveitamos a ocasião, para explicar que o Cerrado, embasado no IBGE (2004), é a segunda maior cobertura vegetal brasileira, superada apenas pela Floresta Amazônica. Reforçamos que o Cerrado é mais comum na região Centro-Oeste brasileira e que embora a maioria não tivesse conhecimento da flora e da fauna, por morarem em Belém e por este bioma se localizar mais ao sul do estado do Pará, era importante conhecê-lo, devido à ação antrópica, como mostrado nos vídeos.

Na segunda pergunta: “Qual a relação das águas do Cerrado com as águas que alimentam o Pantanal, maior área úmida continental do Planeta?” Os alunos também não conseguiram responder antes da exibição dos documentários, mas após, eles responderam que “o Cerrado distribui a água para o Pantanal e que se o Cerrado acabasse não teria como distribuir água”. Um dos alunos comparou o cerrado como uma grande caixa d’água.

A terceira pergunta foi: “Quais os impactos da devastação do Cerrado?” Antes, os estudantes responderam genericamente: “desmatamento, clima seco e quente”. Após as exibições, os alunos responderam que os impactos da devastação do Cerrado seriam “a falta de água e alimento, além de contribuição para o aumento do índice de fome na região”.

A última foi: “O que mais tem contribuído para essa devastação?” A grande maioria dos alunos respondeu: o ser humano. Após os documentários, os alunos complementaram “o desmatamento e queimada como contribuições para o desmatamento do Cerrado”.

Consideramos que o conteúdo dos documentários, assim como a imagem e o som agradaram a todos os alunos (Figura 4).

Figura 4. Avaliação dos parâmetros de qualidades do documentário “Você conhece o cerrado?” e “Cerrado: Berço das águas do Brasil”, pelo alunos do 9°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Carlos Drummond de Andrade, Belém – PA.

  • TURMA DA MÔNICA: UM PLANO PARA SALVAR O PLANETA (https://www.youtube.com/watch?v=L3zaoUaHJhQ&t=5s)

Na E.E.F.M. Joaquim Viana, exibimos o desenho, para um público de 20 alunos da turma do sexto ano. A primeira pergunta para os estudantes foi: “Quais os problemas ambientais do nosso Planeta?”. Antes da exibição, alguns pontuaram “desmatamento” e “poluição”. As respostas se mantiveram após a exibição do vídeo.

Na segunda questão foi: “O que acontece quando não cuidamos do meio ambiente?”, os alunos não responderam antes da exibição, em geral comentaram que “quando não se cuida do meio ambiente, ele iria ficar poluído”.

Na pergunta: “Como podemos ajudar o meio ambiente?” Obtivemos respostas como “Não jogando lixo na rua” e “Não desmatando as florestas”. Após a exibição, também utilizaram outras palavras-chave, tais como: “reutilizando”; “reduzindo”; “jogando lixo na lixeira”; “não desmatando”, dentre outras, demonstrando que os alunos melhoraram a qualidade de conteúdo.

Ao perguntamos ao discentes o que são os três Rs, a princípio não souberam responder à questão, mas após a exibição, os alunos responderam que significava: “Reduzir, Reciclar e Reutilizar”, mostrando mais uma vez que o uso de audiovisual é eficiente no processo de ensino e aprendizagem.

Na Figura 5, estão sumarizados os dados sobre qualidade do som, da imagem e do conteúdo do filme.

Figura 5. Avaliação dos parâmetros de qualidades do desenho: “Turma da Mônica: Um plano para salvar o planeta”, pelos alunos do 6°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Joaquim Viana, Ananindeua – PA.

Consideramos que este desenho da Turma da Mônica embora tenha um conteúdo bastante simples, o escolhemos por atender a faixa etária/ano dos alunos e por reforçar a mensagem de que a solução para preservar a natureza são os três Rs.

  • AMAMOS BUTIÁ

(7ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente – Circuito Tela Verde - MMA)

Na E.E.F.M. Joaquim Viana, exibimos o documentário para um público de 23 alunos (turma do sétimo ano).

Na primeira questão: “Como pessoas, plantas e animais se relacionam?”, os alunos não conseguiram responder antes da exibição, mas após eles disseram que “um depende do outro para se alimentar”, demonstrando uma visão naturalista a respeito do assunto, separando a natureza de outros parâmetros também essenciais como os sociais, os culturais e os políticos. Esta visão reducionista também já foi constatada em diversas pesquisas, apresentadas nos quatros encontros metropolitanos de EA e artigos científicos, coordenados pelo Grupo Sala Verde Pororoca (maiores informações no currículo lattes da coordenadora deste projeto de extensão, PROEX-UFPA, site www.eacine.webnode.com).

Na segunda questão: “Os organismos vivos dependem uns dos outros para se perpetuarem?”, os alunos responderam que sim, mas não souberam explicar. Após a exibição, os alunos continuaram sem conseguir explicar, como nós nos conectamos com outros seres e a natureza. Assim, nos reportamos aos pesquisadores que tratam do meio ambiente de forma holística como Marcos Reigota e Lucile Sauvé, dentre outros. Desta forma, conseguimos introduzir as relações ecológicas e socioeconômicas do butiá, cujos frutos não só alimentam muitas espécies da fauna, mas também são muito apreciados pelas pessoas, que os consomem e comercializam de várias formas.

Já quando perguntamos: Quem “planta” e mantêm os ecossistemas naturais, os alunos disseram as palavras-chave: “Pessoas”, “Animais” e “Seres humanos”. Posteriormente à exibição do documentário, os alunos foram unânimes em afirmar que os animais eram os agentes principais para o reflorestamento. Esta resposta em conjunto deve-se ao conteúdo abordado no documentário, que explicou como os animais dispersam as sementes.

Por último, questionamos os alunos: “por que devemos preservar a biodiversidade”. No primeiro momento os alunos não souberam explicar sobre o assunto. Aproveitamos, então, para explicarmos o conceito de biodiversidade, para que durante a exibição eles pudessem compreender sobre o tema tratado no vídeo. Depois do documentário, os alunos responderam: “Se não tivermos mais frutas, não teremos mais novas árvores”, “Se não morreremos” e “Porque se não preservamos a biodiversidade, vai deixar de existir e não haverá reprodução de plantas e seres vivos”. Portanto, se antes da exibição os alunos não conseguiram responder, após a explicação do significado do termo biodiversidade e o documentário as respostas dos alunos tornaram mais sólidas e precisas.

Lembramos que o butiá é natural da região Sul do Brasil, uma palmeira desconhecida pelos alunos da turma. Por esta razão citamos a castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa), também conhecida como castanheira-do-Pará. Explicamos que, assim como o butiazeiro, a castanheira-do-Pará é considerada vulnerável pela União Mundial para a Natureza (IUCN) e, no Brasil, aparece na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente. Demos o exemplo regional para que os alunos associassem o que foi visto no audiovisual com sua realidade, porque, de acordo com Pelizzari et al. (2002), a aprendizagem só se torna significativa quando o novo conteúdo passa a ser associado, pelos educandos, ao seu conhecimento do cotidiano.

Pedimos aos alunos que levantassem as mãos e classificassem os três parâmetros de qualidade da exibição (Figuras 6 e 7).

Figura 6. Avaliação dos parâmetros de qualidades do documentário “Amamos o Butiá”, pelos alunos do 6° e 7° ano do Colégio Dom Mário, Belém – PA.

Figura 7 - Avaliação dos parâmetros de qualidades do documentário “Amamos o butiá”, pelos alunos do 7°ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Joaquim Viana, Ananindeua – PA.

CONCLUSÃO

Consideramos a metodologia em momentos e a oportunidade de trocas de saberes e de fazeres permeando todos os momentos, essenciais para o processo de aprendizagem significativa. Além disso, os mesmos questionamentos antes e depois dos audiovisuais foram eficazes para avaliação de conceitos e para percepções mais holísticas dos alunos participantes das sessões.

Acreditamos que a metodologia do audiovisual seguido da roda de conversa seja instrumento de ensino e de aprendizagem eficaz. No entanto, foi perceptível que vários alunos não sabiam ou não quiseram compartilhar seus conhecimentos com a turma. Achamos que devido ao modelo de ensino tradicional, ainda muito presente nas escolas paraenses, os alunos tenham dificuldade de se expressarem. Porém, com as novas tecnologias, dentre elas o audiovisual, o aluno tem uma gama de informações ao seu dispor e, assim, o professor deixou de ser o detentor do saber e passou a ser o mediador do conhecimento. Portanto, sem dúvida, a roda de conversa é uma oportunidade de troca de informações, na qual o professor também “aprende a aprender”.

Os audiovisuais selecionados mostraram ser uma ferramenta eficaz para o aprendizado dos estudantes de escolas paraenses, capaz de abordar e ensinar temas relevantes como situações ambientais adversas, relações ecológicas e socioeconômicas (Amamos o butiá), Consumo sustentável (“Turma da Mônica: Um plano para salvar o planeta” e “Meu corpo, meu mundo”), e, desta forma, oportunizando aos alunos que se tornem agentes multiplicadores ambientais. Concluímos que o projeto “EACINE como instrumento de aprendizagem em escolas paraenses, parte IV” alcançou um número considerável de alunos (91 em Ananindeua e 124 em Belém), período de 2017-2018, e acreditamos que a tendência é aumentar a cada ano, em vista da grande procura das escolas parceiras do projeto.

AGRADECIMENTOS

À Pró-reitoria de Extensão (PROEX-UFPA) pela concessão de bolsas Navega Saberes/INFOCENTRO, período 2017-2018, aos dois primeiros autores deste artigo. Às escolas parceiras por todo o apoio logístico e por toda a acolhida.

REFERÊNCIA

ADAMS, B. Efeito estufa e aquecimento global - dois conceitos distintos. 2007. Educação Ambiental em Ação, n. 21, ano VI. Disponível em: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=498. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CARVALHO, I. C. M. Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. 2004. 5ª ed. São Paulo: Cortez.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 2005. 5ª ed. São Paulo: Cortez.

FERRÉS, J. Vídeo e Educação. 1996. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

IBGE (2004). Mapa de Biomas do Brasil: Primeira Aproximação. Escala 1:5.000.000. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <encurtador.com.br/aQVW5>. Acesso em: 03 nov. 2018.

MINAYO, M. C. S. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 2000. Petrópolis: Vozes.

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PALMA, I. R. Análise da percepção ambiental como instrumento ao planejamento da educação ambiental. 2005. Dissertação. Programa de pós-graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

PELIZZARI, A., KRIEGEL, M. L., BARON, M. P., FINCK, N. T. L., DOROCINSKI, S. I. Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel. 2002. Revista PEC, v. 2, n. 1, p. 37-42.

SANTANA, F. A., COSTA, D. N., ALVES, H. S., EVANGELISTA, A. S. Educação Ambiental: Saberes e práticas de docentes em escolas públicas de Belterra/PA. 2017. Educação ambiental em ação, v. 15, n. 59. Disponível em: http://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=2655. Acesso em: 16 nov. 2018.

SARAIVA, A. G. Como as escolas em João Pessoa – PB trabalham com a Educação Ambiental. 2018. Educação ambiental em ação, v. 17, n. 64. Disponível em: http://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=3208. Acesso em: 16 nov. 2018.

TOZONI-REIS, M. F. C. A pesquisa -ação- participativa em educação ambiental: reflexões teóricas. 2007. São Paulo: Annablume.



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