ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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13/03/2019O ESTUDO DO SOLO ATRAVÉS DAS MINHOCAS  
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O ESTUDO DO SOLO ATRAVÉS DAS MINHOCAS

Clélia Stephanie de Mattos Souza1

stephaniedemattos@hotmail.com

Bianca Maria Petrocelli2

bii.petrocelli@gmail.com

Regina Cristina Batista Ferreira3

reginacbferreira@gmail.com

Eliane Vieira2

vieiraeliane@biologico.sp.gov.br

1 Bolsista CNPq/PIBIC, Instituto Biológico

2 Programa de Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no

Agronegócio, Instituto Biológico

3 Centro de Pesquisa em Proteção Ambiental, Instituto Biológico

RESUMO

O solo sustenta a vida, formado a partir do desgaste das rochas é o habitat natural de muitos organismos como plantas e animais. Muitos pesquisadores falam que o solo é um organismo vivo já que agrega uma grande parte da biodiversidade e devido a isso deve ser preservado, mas existe uma carência no estudo dos solos para a educação básica. As minhocas são muito importantes para a formação do solo, elas decompõem a matéria orgânica, incorporam oxigênio com sua movimentação e formam galerias que retêm a água. O objetivo deste trabalho foi divulgar a importância das minhocas para os ecossistemas terrestres através da construção de um mini minhocário. A importância das minhocas foi abordada através de um projeto com duas turmas do 1º ano. O projeto foi dividido em duas partes, na primeira parte os estudantes puderam conhecer a morfologia das minhocas e seu papel no ecossistema, na segunda parte foi montado um mini minhocário. Os alunos se mostraram muito animados para aprender sobre os hábitos e morfologia das minhocas, sua importância para o solo e sua função no processo de decomposição com o minhocário. Com essa proposta percebeu-se que atividades práticas podem ser bons aliados ao ensino tradicional, principalmente para o estudo do solo ou outros temas ambientais.

Palavras-chave: minhocário, compostagem, vermicompostagem, educação cientifica, educação ambiental

ABSTRACT

Soil sustains life, formed from the wearing down of the rocks, soil is the natural habitat of many organisms like plants and animals. Many researchers say that soil is a living organism since it aggregates a large part of biodiversity and because of this it must be preserved, but there is a lack in the study of soils for basic education. Earthworms are very important for soil formation; they decompose organic matter, incorporate oxygen with their movement and form galleries that retain water. The objective of this study was to divulge the importance of earthworms to terrestrial ecosystems through the construction of a mini earthworm farm. The importance of earthworms was addressed through a project with two classes of the first year. The project was divided into two parts, in the first part the students were able to know the morphology of earthworms and their role in the ecosystem, in the second part a earthworm farm was made. The students were very enthusiastic to learn about the habits and morphology of earthworms, their importance to the soil and their role in the process of decomposition with the wormhole. With this proposal it was realized that practical activities can be good associates to the traditional teaching, mainly for the study of the soil or other environmental themes.

Key-words: earthworm farm, composting, vermicomposting, scientific education, environmental education

INTRODUÇÃO



O solo é uma mistura de partículas, matéria orgânica, gases e nutrientes e quando misturado com a água constituí um meio de crescimento para manutenção da vida na terra. O solo é um fator biológico alto regulável que utiliza seu próprio material, água e energia do sol. Sem o solo, a maioria dos organismos vivos, incluindo o homem poderia não existir (HILLEL, 2007 p.2).

O solo é o habitat natural de uma quantidade inumerável de organismos vivos, ele abriga as raízes e sustenta as plantas; é o grande reciclador da natureza já que a maioria dos organismos com esta função tem seu habitat no solo. O solo tem a sua própria fauna, podendo ser micro, meso e macrofauna. A microfauna é compreendida pelos decompositores, a meso e macrofauna fazem as funções detritívoras e predatórias nas teias tróficas. Essas funções ecológicas podem estar associadas a diversos processos como a ciclagem de nutrientes, revolvimento do solo, incorporação de matéria orgânica (MELO et. al., 2009). As minhocas fazem parte da macrofauna do solo e têm características e hábitos que alteram este meio

As minhocas compõem a maior parte da biomassa do solo, existem mais de oito mil espécies conhecidas, com comportamento ecológico bem variado entre as espécies (DIONÍSIO et al., 2016). Estes organismos são extremamente importantes para a formação do solo consomem matéria orgânica, decompondo-a, misturando os compostos orgânicos e inorgânicos do solo. As minhocas assimilam menos de 10% do material consumido e excretam o solo com a maior parte dos nutrientes processados, o que facilita a utilização por plantas e microrganismos, desta forma participam da manutenção de muitas cadeias tróficas e aumentam a fertilidade do solo (DIONÍSIO et al., 2016). As minhocas afetam a estrutura do solo, com a sua movimentação e alimentação elas revolvem o solo e formam galerias, incorporando melhor os nutrientes, oxigênio, aumentam a drenagem e retenção de agua (EDWARDS, 1994).

O homem não pode manejar efetivamente e sustentavelmente um meio tão complexo, vital e vulnerável como o solo, a menos que entenda seus atributos, funções e interações ambientais (HILLEL, 2007 p. 5) este é o motivo porque a tarefa de popularizar conhecimentos sobre o solo e suas interações com o meio biótico e abiótico se tornou urgente e importante.

O contato com a ciência na infância e no ensino básico é importante, já que desenvolve um caráter cientifico e questionador na criança e adolescente e faz com que se crie uma consciência das interações entre ciência, tecnologia e sociedade (ACEVEDO et. al., 2005). A educação ambiental utiliza desse questionamento cientifico para que o educando seja um cidadão consciente em relação ao meio ambiente, capaz de compreender o mundo e agir nele de forma crítica (AZEVEDO; GENOVESE; GENOVESE, 2014). Os estudos sobre o solo são perfeitamente ajustados dentro da educação científica e com vários tópicos como tipos de solo, erosão, salinização, contaminação, degradação, biodiversidade, entre outros e pode-se inserir o tema do primeiro ao nono ano do ensino fundamental e nos três anos do ensino médio. Segundo a FAO, 33% dos solos do mundo estão degradados (EMBRAPA, 2016) e é importante ensinar a respeito do solo para crianças e adolescentes para modificarmos este cenário.

O objetivo deste trabalho foi divulgar a importância das minhocas para os ecossistemas terrestres através da construção de um minhocário em pequena escala.

MATERIAIS E MÉTODOS

A proposta foi desenvolvida na Escola Estadual Republica do Paraguay, localizada no município de São Paulo. As atividades foram desenvolvidas na Semana da Ciência em novembro de 2017.

A aula sobre minhocas e compostagem foi ministrada com duas turmas do 1º ano, do ensino fundamental I, totalizando trinta e seis alunos, o objetivo foi ensinar a importância das minhocas para os ecossistemas, suas características morfológicas e comportamentais e montar um minhocário.

A aula foi iniciada com a parte teórica onde se falou sobre a morfologia das minhocas, seus hábitos, onde elas vivem, quais as suas funções e interações com o solo.

Nesta Parte da aula foi demonstrado as diferentes fases de vida de uma minhoca.

A segunda parte da aula foi a confecção do minhocário. A turma foi dividida em 5 grupos de 4 ou 3 alunos. Cada grupo recebeu 1 recipiente de plástico, 600g de terra misturada com esterco de vaca na proporção de 1+1 (300 g de terra vegetal + 300 g de esterco seco), 300g de sobras de alimentos frescos (Figura 1) e 10 minhocas Eisenia andrei obtidas do minhocário do Laboratório de Ecologia dos Agroquímicos do Instituto Biológico. Como o trabalho foi realizado com turmas do 1º ano do ensino fundamental I os recipientes foram preparados antes (Quadro 1) e entregue para os alunos apenas montarem o mini minhocário.

Os alunos colocaram a terra no pote com furos, adicionaram os resíduos orgânicos, misturaram o meio de cultivo e depois colocaram as minhocas, fechando-os com um pano poroso e posicionando-os em cima do recipiente sem furos, para o escoamento da água que foi adicionada para manter a umidade.

Figura 4. Materiais para construção do minhocário



Quadro 1. Montagem de um mini minhocário ou de uma composteira



MONTAGEM DO MINI MINOCÁRIO OU COMPOSTEIRA


Você vai precisar de 2 potes de plástico com tampa (pode ser pote de sorvete)

1 tesoura


Recortar a parte superior de uma das tampas



Reservar essa tampa recortada e um pote sem furar.


Faça furos na parte inferior e nas laterais do segundo pote

Cubra 2/3 desse segundo pote com solo;

Coloque as minhocas;


Monte o seu mini minhocário ficará assim:


Não pode ir no minhocário:

  • Frutas cítricas (laranja, abacaxi, limão)

  • Restos de laticínios como leite, queijos, requeijão e manteiga.

  • Restos de cebola e alho

  • Qualquer tipo de carne crua ou cozida

  • Qualquer alimento cozido.

  • Pães, bolos, massas.

  • Fezes de cachorro ou gato.

O que pode ser colocado no minhocário:

  • Restos de vegetais crus (com excessão de produtos cítricos,cebola e alho).

  • Borra de café

  • Restos de folhas secas



Este mini minhocário tem duração média de 30 a 40 dias após este período as minhocas deverão ser tranferidas para um local maior , pois, haverá muitas minhocas.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

As crianças do primeiro ano do ensino fundamental I estão na fase de alfabetização, os projetos para estas turmas não devem abranger muito conhecimento teórico e necessidade de ler ou escrever em demasia, por isso este experimento foi prático e as rodas de conversa com os monitores ajudaram na aquisição dos conhecimentos necessários. Os alunos foram participativos fazendo perguntas e respondendo as que foram feitas a eles. Esta é uma fase muito fácil de trabalhar com projetos apesar da dificuldade na escrita os alunos são muito curiosos e querem aprender sobre tudo além de serem muito participativos.

A despeito do fato dos estudantes morarem em área urbana, o que leva a um menor contato com a natureza, cada aluno tem conhecimento prévio sobre a importância das minhocas para o solo, conhecimento adquirido através da televisão, família ou na escola de educação infantil. Pelizzari et. al. (2002) enfatiza que o aprendizado é mais significativo quando o novo conhecimento adquire significado a partir de conhecimento anterior, além disso, os estudantes vão levar pelo menos parte do conhecimento adquirido ao longo de sua vida acadêmica.

Durante a atividade foram utilizados termos mais simples e metáforas para o melhor entendimento dos alunos. Jesus et. al. (2013) concorda que a utilização de termos simples e familiares e com analogias próximas aos educandos cria uma comunicação mais eficaz e significativa e facilita a comunicação com as crianças. Os alunos ficaram empolgados com as minhocas e quando mostrada a diferença nos estágios de vida, entre os casulos (Figura 2), juvenis (Figura 3) e minhocas adultas (Figura 4) eles quiseram manusear e pegar com as mãos. A diferenciação entre minhocas adultas e juvenis é bastante simples de ser vista, já que nos adultos ocorre a formação do clitelo e é possível ver sem a necessidade de utilização de um microscópio. Foi falado também que cada casulo pode ter muitas minhocas pequenas dentro.

Figura 2. Casulos de minhocas

Figura 3. Minhoca juvenil