ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Uma crônica, um artigo e algumas histórias!     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Relatos de Experiências

13/03/2019ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE SERVIDORES DE UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA EM RELAÇÃO AO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL AMBIENTAÇÃO  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3610 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE SERVIDORES DE UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA EM RELAÇÃO AO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL AMBIENTAÇÃO



ANALYSIS OF WORKERS PERCEPTION OF A PUBLIC INSTITUTION ABOUT THE ENVIRONMENTAL PROGRAM AMBIENTAÇÃO





Nikolas Batista de Almeida

Engenheiro Civil. Pós-Graduando em Engenharia Sanitária e Ambiental (PUC-MG)

Marcos Paulo Gomes Mol

Engenheiro Ambiental (UFOP). Mestre e Doutor em Saneamento e Meio Ambiente (UFMG). Pesquisador da Fundação Ezequiel Dias (FUNED).



RESUMO

Com os crescentes problemas ambientais observados na atualidade, cada vez mais se tem buscado formas de proteger o meio ambiente. Uma crescente mobilização nos temas sobre educação ambiental tem surgido visando proporcionar mudança de valores, bem como proporcionar melhorias em relação ao exercício da cidadania, com foco na preservação do meio ambiente. Portanto, algumas entidades públicas implementaram em suas competências, medidas e ações sustentáveis baseadas em um programa de educação ambiental dos trabalhadores. Um exemplo deste tipo de iniciativa foi a criação do programa AmbientAÇÃO, implantado nas instituições públicas do estado de Minas Gerais, com vistas a aprimorar o conhecimento dos servidores sobre as temáticas ambientais. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo analisar a percepção dos servidores de uma instituição em que as ações do programa AmbientAÇÃO foram aplicadas. Esses dados permitiram compreender como os funcionários enxergam programa, bem como analisar a eficácia do programa em questão sobre a ótica dos participantes. Podemos notar que os resultados obtidos nas pesquisas e nas divulgações do programa não permitiram alcançar o sucesso esperado.

Palavras-chave: Educação Ambiental, AmbietAÇÃO, desenvolvimento sustentável.

ABSTRACT

The growing environmental problems observed today, more and more have sought ways to protect the environment. Mobilization in environmental education issues has arisen in order to provide change of values, as well as to provide improvements regarding the exercise of citizenship, with a focus on preserving the environment. Therefore, some public entities have implemented in their competences, measures and sustainable actions based on an environmental education program of the workers. An example of this type of initiative was the creation of the AmbientaÇÃO program, implemented in the public institutions of the state of Minas Gerais, aiming to improve the knowledge of the servers on the environmental themes. Thus, the present work had the objective of analyzing the perception of the employees of an institution in which the actions of the AmbientaÇÃO program were applied. These data allowed us to understand how the employees perceive the program, as well as to analyze the effectiveness of the program in question on the participants' perspective. It should be noted that the results obtained in the research and program dissemination did not achieve the expected success.

Keyword: Environmental education, AmbientAÇÃO, sustainable development.

INTRODUÇÃO

A plena harmonia entre o homem e o meio ambiente é pauta para diversas discussões contemporâneas. A busca por alternativas sustentáveis em conjunto com o desenvolvimento é tema corriqueiro nos noticiários, principalmente após a década de 80, através de iniciativas como a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1987.

Burtland, médica convidada para presidir tal comissão, afirma que: "desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades" (Nosso futuro comum, 1987). Uma alternativa muito procurada para atingir esse desenvolvimento é a disseminação da educação ambiental. Jacobi (2003) afirma que para atingir a sustentabilidade, há a necessidade de multiplicar as práticas sociais fundamentadas no fortalecimento do direito à informação e à educação ambiental em uma perspectiva integradora.

Sendo assim a educação ambiental pode ser entendida como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).

Com esse intuito de educar a população, diversas instituições já iniciaram projetos e ações em seu ambiente de trabalho, com o objetivo de melhorar as percepções de seus funcionários sobre suas responsabilidades com o meio ambiente. Uma medida que possui esse intuito de educar os trabalhadores de instituições públicas no Estado de Minas Gerais é o programa AmbientAÇÃO. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) iniciou em 2003 a coordenação do Programa AmbientAÇÃO que teve suas competências estabelecidas em 15 de janeiro de 2007 através da portaria nº 345/2007. O seguinte programa visa modificar a cultura no setor do funcionalismo público, com a adesão de novos valores ambientais a rotina dos servidores. Das ações pretendidas pelo o programa, estão inclusas inciativas sustentáveis para a melhoria da qualidade de vida do meio ambiente de trabalho, sendo essas praticadas com o envolvimento de todo o funcionalismo (FEAM, 2007).

Segundo o Glória et al. (2006), que propuseram o Manual de implantação do AmbientAÇÃO, o programa possui duas principais linhas de ação: Atitude Consciente e Qualidade de Vida no Trabalho. Em sua primeira linha de ação, Atitude Consciente, as diretrizes são ditas por três campanhas que contemplam temas relacionados ao comportamento, objetivando a reflexão sobre a responsabilidade quanto ao uso correto dos bens e serviço da administração pública e dos recursos naturais. Já na segunda linha de ação, Qualidade de Vida no Trabalho, tem o propósito de melhorar a comodidade dos funcionários. Contemplando essa ação, foram criadas quatro campanhas que não abrangem somente os aspectos ambientais, mas também relacionados a saúde e a segurança, resultando na melhoria contínua de vida e satisfação no trabalho.

O programa AmbientAÇÃO visa promover a sensibilização para a mudança de comportamento e a internalização de atitudes ecologicamente corretas nas práticas cotidianas dos funcionários públicos (ALVES; REZENDE; MOL, 2011). O foco do programa é o estimulo à reflexão, à participação e à mudança de atitudes dos funcionários. Para que isso aconteça, muitas vezes são realizadas ações de comunicação e mobilização como divulgações internas, exposição teatrais, palestras, jogos, campanhas educativas de consumo consciente, dentre outras.

Dentre as instituições participantes do Programa, encontramos uma que aderiu em 2008 e encontra-se cadastrada até os dias atuais. Assim, mediante à proposta do programa e seus objetivos, pretende-se neste trabalho avaliar como está a interação dos servidores da instituição com o programa, bem como compreender a percepção destes indivíduos sobre as questões ambientais presentes no ambiente de trabalho de um órgão público. Ademais, uma análise mensal dos resultados obtidos no programa será feita para aferir os avanços e retrocessos desse período.

METODOLOGIA

Para quantificar o nível de conhecimento dos funcionários da instituição pública estudada sobre o programa AmbientAÇÃO, foram realizadas pesquisas através da aplicação de questionários aos trabalhadores.

As pesquisas foram realizadas em dois períodos distintos (ano de 2011 e 2017), possibilitando assim fazer uma comparação do comportamento dos funcionários diante do tema proposto ao longo do tempo. Inicialmente temos a pesquisa elaborada no ano de 2011, está que foi efetivada dois anos após a implementação do programa AmbientAÇÃO na entidade. Foram respondidos 210 questionários, ressaltando que muitos não concluíram a participação devido a indisponibilidade. A segunda pesquisa foi realizada no ano de 2017, sendo está aplicada 9 anos após o início das ações do programa. Na segunda pesquisa realizada foram preenchidos 83 questionários. Em ambas as pesquisas, foram incluídos indivíduos das mais diversas repartições da instituição. Os questionários foram aplicados através da abordagem presencial aos participantes, sendo as respostas preenchidas em formulário impresso em papel. Posteriormente os dados foram compilados para permitir gerar as análises necessárias.

Além disso, foi executada uma analogia dos resultados adquiridos através das pesquisas com os resultados dos indicadores (consumíveis e de resíduos), gerados mensalmente e divulgados pelo website do programa AmbinetAÇÃO. Essa analogia nos permitiu avaliar de alguma maneira as mudanças de atitude esperadas pelos funcionários ao longo do tempo, comparando os momentos em que houve campanhas de educação ambiental versus as melhorias dos indicadores monitorados.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para conhecer o perfil dos participantes, as Tabelas 1 e 2, a seguir, descrevem algumas informações gerais sobre os trabalhadores que responderam aos questionários. Observa-se uma presença majoritária de participantes do sexo feminino tanto em 2011 quanto em 2017.

Tabela 1 – Sexo dos questionados

Sexo

 

Representação

Representação

Ano

2011

2017

Masculino

33% (69)

35% (29)

Feminino

66% (139)

65% (54)

Não informou

1% (2)

0% (0)

TOTAL

100% (210)

100%(83)

Fonte: Elaborada pelo autor

Em relação à situação contratual, percebe-se que a maioria dos participantes eram pessoas que tinham um vínculo efetivo com a instituição (concursados). Outro fator considerável é o aumento das participações dos efetivados entre as pesquisas, alcançando uma diferença de 13% entre os anos de 2011 e 2017.

Tabela 2 – Situação contratual

Situação contratual


Representação

Representação

Ano

2011

2017

Efetivo

59% (124)

72% (60)

Contratado

19% (40)

4% (3)

Terceirizado

12% (25)

1% (1)

Estagiário

3% (6)

11% (9)

Bolsista

6% (13)

10% (8)

Não informou

1% (2)

2% (2)

TOTAL

100% (210)

100%(83)

Fonte: Elaborada pelo autor

Também observou-se que houve um maior percentual de participantes com idade entre 21 a 40 anos em ambas as pesquisas, sendo 64% em 2011 e de 65% no ano de 2017. Assim, temos que a maior parte dos respondentes são mulheres de vínculo efetivo e com idade entre 21 a 40 anos.

Quando perguntados sobre ter conhecimento sobre a existência do programa, 76% dos participantes da pesquisa de 2017 reconheceram ter ciência da existência do programa. Sobre a avaliação dos participantes em relação ao programa, foram consideradas a qualificação das intervenções e efetividade do AmbientAÇÃO. Conforme indicado na Tabela 3, o nível de aceitação do programa é satisfatório, sendo que em ambas as pesquisas, a resposta majoritária apontou avalição boa ou ótima. Entretanto, houve um número significativo de abstenção da avaliação nos questionários aplicados no ano de 2017.

Tabela 3 – Avaliação do programa

Avaliação do programa

 

Representação

Representação

Ano

2011

2017

Ótimo ou bom

90% (189)

72% (60)

Regular ou ruim

9% (19)

10%(8)

Não informou

1% (2)

18% (15)

TOTAL

100% (210)

100%(83)

Fonte: Elaborada pelo autor

Ao analisarmos os dados do ano de 2011 e compará-los com os de 2017, nota-se uma queda de 18% nas avaliações boas e ótimas e um aumento de 1% nas avaliações ruins e regulares, o que pode sugerir um crescimento da insatisfação dos funcionários em relação ao programa. Esta pesquisa não permitiu avaliar a motivação desta maior insatisfação, o que pode ser considerado uma excelente oportunidade para futuras pesquisas sobre este tópico. Outro fator que também deve ser levado em consideração foi o alto número de abstenção no ano de 2017, que dificulta aferição real da satisfação/insatisfação dos funcionários em relação ao programa. Também é relevante observar a avaliação da participação dos servidores em relação ao programa proposto. Cerca de 60% dos funcionários em ambas as pesquisas avaliaram a sua participação mediante ao programa como média, e também acreditam que deveria haver uma ampliação na divulgação dos dados do programa como forma de incentivo.

Na pesquisa realizada em 2017 foi questionado sobre a participação do programa no cotidiano das áreas de trabalho. Esta pergunta é extremamente estratégica, pois direciona a análise na compreensão sobre como cada indivíduo percebe as possibilidades de aplicar, na prática, os conhecimentos divulgados pelo programa AmbientAÇÃO. Para esta questão, deveria ser atribuída uma nota que variou de 1 a 10, sendo 1 pouco presente no cotidiano e 10 muito presente no cotidiano. A pesquisa indicou que 67,5% dos participantes reconheceram a associação média ou baixa das ações na prática, com nota 7 ou inferior, sendo considerado um resultado abaixo do esperado, uma vez que o programa já possui quase dez anos de existência na instituição. Outra resposta abaixo do esperado foi o reconhecimento de 35% dos participantes de que o próprio nível de participação no programa é baixo ou não sabia avaliar.

Correlato a esses dados, a instituição divulga periodicamente dados relacionados ao consumo de insumos como água e energia, bem como geração de resíduos. Essas informações nos possibilitaram comparar a percepção dos funcionários com os resultados propriamente ditos. O consumo de água na instituição foi apresentado na forma de média anual conforme apresentado no Figura 1.

Figura 1 - Consumo médio anual de água

Fonte: Elaborada pelo autor

As informações de consumo de água foram coletadas de janeiro de 2009 até março de 2018. Baseando-se da média anual, podemos observar um comportamento oscilante da linha de consumo, sendo que a partir do ano do início do programa (2008) até o ano de 2017 os dados obtiveram um aumento em seus valores, sugerindo que não houve uma efetividade na ação dos trabalhadores em relação à prática de preservação do consumo de água. Entretanto, alguns fatores podem ser determinantes para esse aumento considerável no consumo de água. Por se tratar de uma instituição cujas atividades incluem práticas industriais, através do uso de máquinas e processos que possuem consumos algumas vezes independentes das ações dos funcionários, a análise desta variável torna-se complexa. Por vezes, esse consumo está mais ligado aos equipamentos utilizados nas atividades do que a utilização dos funcionários em si.

Além do consumo de água outros dois consumíveis foram analisados. O consumo energético (Figura 2) e o de copos descartáveis (Figura 3), que trazem informações que contribuem para a verificação da efetividade do programa na instituição.

Figura 2 - Consumo energético médio anual

Fonte: Elaborada pelo autor

Conforme apresentados na Figuras 2, podemos observar um comportamento divergente entre esses consumíveis. O consumo energético retratou um aumento significante desde o começo das coletas dos dados em 2009 até o último ano de coleta em 2017. No ano de 2009 a média anual de consumo energético era de 333.074,5 Kwh e passou para 588.980,0 Kwh em 2017, representando um aumento de cerca de 77% entre os períodos, resultado esse que contrapõe as propostas do programa. Entretanto, assim como a água, o consumo de energia na instituição tem como característica de atividade industrial, o que muitas vezes independe das ações dos funcionários.

Figura 3 - Consumo de pacotes de copos descartáveis médio anual

Fonte: Elaborada pelo autor

Já o consumo de copos descartáveis, conforme a Figura 3, apresentou um comportamento que condiz com o que o programa propõe, salvo no intervalo do ano de 2012 para 2013 no qual houve um aumento insólito. Em 2009 eram consumidos em média 102 pacotes de copos descartáveis e em 2018 esse número caiu para em média de 62 pacotes, que representa uma redução de pouco mais de 39% na utilização de copos.

Outro parâmetro que é fundamental para a análise é a geração de resíduos dentro da instituição. Conforme apresentando na Tabela 4, foi executado um paralelo entre os resíduos totais gerados com os resíduos recicláveis, aferindo assim o percentual de resíduos encaminhados a reciclagem.

Tabela 4 – Resíduos gerados e recicláveis

Resíduos

Ano

Quantidade média anual gerada (Kg)

Quantidade média anual de Resíduos Recicláveis (Kg)

Porcentagem encaminhada a reciclagem

2009

555,03

481,83

87%

2010

1451,82

1347,06

93%

2011

1891,36

1617,24

86%

2012

1735,87

1341,52

77%

2013

3233,09

2789,87

86%

2014

1838,03

1416,19

77%

2015

1449,17

1045,12

72%

2016

1329,26

928,71

70%

2017

1337,13

899,95

67%

2018

1449,23

1016,48

70%

Fonte: Elaborada pelo autor

Nota-se que dos resíduos gerados dentro da instituição, parte deles são destinados a reciclagem, o que é um bom indicador para as propostas do programa AmbientAÇÃO. No entanto, os percentuais dos materiais recicláveis com o decorrer dos anos reduziram. No ano de 2009 cerca de 87% dos resíduos gerados nos ambientes de escritório foram encaminhados para a reciclagem, já no ano de 2018 esses números caíram para 70% dos resíduos, representando uma queda de 17%. Não foram considerados os resíduos de banheiro ou de área de refeitório, que representam a maior contribuição em massa dos resíduos não recicláveis gerados na instituição.

De um modo geral os dados coletados na instituição indicaram uma eficiência abaixo do esperado para o programa naquele ambiente. Salvo a quantidade de copos descartáveis consumidos, todos os outros parâmetros obtiveram valores que divergem do propósito do programa. Por se tratar de um programa que visa a melhoria da qualidade do meio, além do uso sustentável dos materiais e consumíveis, os indicadores de energia, água e resíduos não trouxeram resultados favoráveis a essas propostas. Em especial temos o consumo energético que em oito anos quase duplicou os seus valores. Todavia o fato do consumo de água e energia possuírem características industriais, dificultam o julgamento das reais eficácias do programa.

CONCLUSÃO

Com o propósito de analisar e comparar as percepções dos funcionários da instituição em estudo sobre o programa AmbientAÇÃO, o presente trabalho apresentou uma baixa eficiência das ações aplicadas no programa. Os níveis de satisfações dos funcionários no decorrer dos anos caíram, além de haver um aumento considerável no índice de abstenção das pesquisas. Esses resultados podem sugerir que o programa não estava obtendo sucesso em suas ações implantadas, bem como podem ser influenciados pela rotatividade de trabalhadores.

Concomitantemente a isso, identificamos que os dados obtidos sobre os resíduos gerados e os bens consumíveis divulgados pela instituição também obtiveram efeitos divergentes das propostas do programa. No entanto, percebemos que nem todas as variáveis permitem avaliarmos a intervenção ou ação dos funcionários diretamente no programa, devido à característica da empresa. Contudo, de fato os resultados sugerem uma pouca efetividade dos indicadores, além de que os funcionários aparentemente não estão conseguindo aumentar a sua percepção e conhecimento sobre o assunto proposto. Alterações nas metodologias do programa aplicadas na instituição podem gerar efeitos positivos nas assimilações dos funcionários e consequentemente melhores resultados ao programa.

Recomenda-se adequação dos indicadores e metas das instituições que aderiram ao programa AmbientAÇÃO de acordo com o perfil de atividades de cada empreendimento que optar pela adesão. Esta ação favorecerá na análise mais ajustada à realidade de cada instituição.

AGRADECIMENTOS:

Aos colaboradores Neemias Ribas, bolsista da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD), Otávio Augusto Antunes Dias, da Unidade de Gestão Ambiental (UGA), e demais colegas da UGA que atuaram na disponibilização de dados e aplicação dos questionários.

REFERÊNCIAS

ALVES, Moisés do Carmo; REZENDE, Edilaine Conceição; MOL, Marcos Paulo Gomes. Percepção dos funcionários da Funed em relação ao programa AmbientAÇÃO. FUNED, 2011.

BRASIL. Fundação Estadual do Meio Ambiente - FEAM, Portaria nº 345, de 15 de janeiro de 2007. Belo Horizonte, jan. 2007.

BRASIL. Lei nº 9795, de 27 de abr de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. CONAMA, Brasília, 28 abr. 1999. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=321>. Acesso em: 22 out. 2018.

Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. Oxford: Oxford University Press, 1987. 383 p.

GLÓRIA, Ânia Maria Nunes et al. Manual de implantação Programa AmbientAÇÃO: educação ambiental em prédios do Governo de MG. Belo Horizonte: Fundação Estadual do Meio Ambiente, 2006. 32 p.

JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p.189-205, mar. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf>. Acesso em: 25 out. 2018.

Portal AmbientAção: Educação Ambiental em Prédios Públicos de MG. Disponível em: <http://www.ambientacao.mg.gov.br/siga/flex/Ambientacao.html# >. Acesso em: 15 out. 2018.



" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Uma crônica, um artigo e algumas histórias!     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias