ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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Relatos de Experiências

13/03/2019A TRANSVERSALIDADE NO ENSINO DE QUÍMICA A PARTIR DO CONTEXTO: REÚSO DE ÁGUA RESIDUÁRIA PROVENIENTE DA LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO  
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A TRANSVERSALIDADE NO ENSINO DE QUÍMICA A PARTIR DO CONTEXTO: REÚSO DE ÁGUA RESIDUÁRIA PROVENIENTE DA LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO



Elaine Barbosa de Souza, mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente PRODEMA, Universidade Federal de Sergipe, elainesouza.se@gmail.com

Gregório Guirado Faccioli, Professor, doutor em engenharia agrícola, professor do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente PRODEMA, Universidade Federal de Sergipe, gregorioufs@gmail.com

Cristyano Ayres Machado, Professor da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe, doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento PRODEMA, Universidade Federal de Sergipe,ayresfarmac@gmail.com



RESUMO

Com uma crise hídrica, escassez de água cada vez constante e sua consequência minimizada para a sociedade, a gestão de recursos hídricos tem varias fermentas para atenuar ou até mesmo resolver dificuldades do uso racional da água , insumo muito importante em vários setores, mas extremamente complexo na sua oferta, dentre essas ferramentas ,a reutilização dos recursos hídricos ,temos a lagoa de estabilização como meio de estratégias que desenvolvam melhorias em condições favoráveis para conservação e uso ad3equada l desse bem. Nesse contexto destaca-se o reaproveitamento ou reuso de água tratada como uma das soluções para determinados fins em que o objetivo seja tanto para diminuir o desperdício de água quanto uma forma de aumentar a disponibilidade de água doce para o consumo prioritário humano.

ABSTRACT

With a water crisis, constant water scarcity and its minimized consequence for society, the management of water resources has several fermentations to mitigate or even solve difficulties of the rational use of water, a very important input in several sectors, but extremely complex in its supply, among these tools, the reutilization of water resources, we have the stabilization pond as a means of strategies that develop improvements in favorable conditions for the conservation and proper use of this good. In this context, the reuse or reuse of treated water is one of the solutions for certain purposes where the objective is both to reduce water waste and a way to increase the availability of fresh water for human consumption priority

INTRODUÇÃO

Um dos recursos naturais que está diretamente ligado a vida é a água. Sobre tudo é o recurso que alimenta a humanidade em todos os seguimentos. Desde sua presença bioquímica nos seres vivos até o meio direto ou indireto da subsistência da humanidade. Uma grande preocupação com a escassez do recurso hídrico, despertou numa parte da sociedade, principalmente na comunidade científica a busca por medidas mitigatórias de média e longo prazo que possibilite novas formas de oferta de água doce.

Com a distribuição de água cada vez mais complexa e minimizada para a sociedade, se observa maior dificuldade nas cadeias produtivas de mercado que dependem exclusivamente da água para sua produção. Portanto se faz importante a criação de organizações que desenvolvam estratégias em condições favoráveis para conservação e uso racional desse bem.

Nesse contexto destaca-se o reaproveitamento ou reúso de água tratada como uma das soluções para determinados fins em que o objetivo seja tanto para diminuir o desperdício de água quanto uma forma de aumentar a disponibilidade de água doce para o consumo prioritário humano.

Sabe-se que o reúso de água não é novidade, pois, muitos países possuem técnicas e utilizam o uso da água residuária tratada ou não. Contudo o uso de esgotamento doméstico é utilizado há muito tempo, pois esse foi um meio eficaz que se encontrou de aumentar a oferta de água, além dos benefícios de sustentabilidade e economia.

Visto que a agricultura, é responsável por cerca de 70% do total do consumo de água doce e, na maioria dos países subdesenvolvidos, esse índice chega a 90% (FAO, 2011a). O que indica maior percentual de consumo de água quando comparado aos setores doméstico e industrial. O problema da deficiência hídrica com o crescimento populacional, estima-se que o consumo mundial da agricultura aumentará 20% até 2050 (WWAP, 2016).

Portanto, investir em pesquisas sobre tratamento e posterior reúso de águas residuárias na agricultura é a garantia do contínuo processo de desenvolvimento sustentável que possibilitará a manutenção de todos os setores que necessitam de água.

As técnicas utilizadas para o tratamento de águas residuárias no meio agrícola no Brasil, ainda não fazem parte da propagação e aceitação pelos agricultores. Embora há um aumento de especialistas em elaboração de projetos nesta área e de eventos de divulgação dos benefícios destas tecnologias, mesmo assim, a dificuldade em convencer a grande maioria das pessoas principalmente da utilização dessas águas tratadas (SANTOS FILHO, 2013)

Frente ao problema ambiental relacionado diretamente aos motivos que geram a escassez hídrica, também se enfrenta o problema de conscientização ambiental, no qual para esta pesquisa faz-se importante relacionar as causas e possíveis alternativas de soluções no âmbito da educação. Para tanto a água, permeia de maneira concreta como um dos eixos que devem ser trabalhados dentro dos Temas Transversais, sendo possível abranger os seguintes Temas: Meio Ambiente e Saúde.

A presente pesquisa visa aprofundar o Tema Transversal Meio Ambiente, pois trata-se de destacar a importância do reúso de águas residuárias, a qual têm por principal objetivo o uso sustentável da água.

Assim, é importante divulgar e envolver no âmbito da educação as problemáticas existentes na atualidade, principalmente no que se refere a água, pois este se apresenta como um tema transversal de suma importância e bastante relevante para ser levado e discutido em sala de aula, visto que o problema de escassez de água é atual e mundial.

A proposta da pesquisa foi destacar a importância do reúso de águas residuárias, dando ênfase ao reúso da água direcionada à agricultura irrigada, potencializando meios eficazes para a economia de água potável, a qual teve por objetivo principal divulgar a informação na escola de ensino médio através da transversalidade no tema meio ambiente utilizando o conteúdo separação de misturas no ensino de química, e conscientizando os alunos sobre o reúso da água tendo como foco a certeza da possibilidade e a eficiência no âmbito da sustentabilidade, pois sabemos que através da educação pode-se sensibilizar a sociedade quanto a preservação do meio ambiente

A TRANSVERSALIDADE

A palavra transversal no dicionário português refere-se a aquilo que cruza, que atravessa determinado ponto referente. Através do significado da palavra transversal compreende-se a inserção dos Temas Transversais nos Parâmetros Curriculares Nacionais proposta do Ministério da Educação e Desporto (MEC) do Brasil, desde 1995. Pois, são temas que apresentam valores importantes para sociedade, promovem discursões relacionadas diretamente a cidadania e o bem-estar da humanidade. “Por tratarem de questões sociais, os Temas Transversais têm natureza diferente das áreas convencionais. Sua complexidade faz com que nenhuma das áreas, isoladamente, seja suficiente para abordá-los” (BRASIL, 1997, p. 29).

Assim, “o conceito de transversalidade é uma excelente contribuição para pensar a noção de educação em rede [...] que vai ao encontro da pedagogia libertária dialógica proposta por Paulo Freire” (GOMEZ, 2009, p. 8).

Segundo Brasil (1997, p. 24) “a contribuição da escola, portanto, é a de desenvolver um projeto de educação comprometida com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir na realidade para transformá-la”. A partir da transversalidade se faz possível envolver tais discussões importantes para as transformações na sociedade. Desde que, haja o compromisso de todos os educadores envolvidos, desde o sistema da gestão política escolar, passando pelos professores e complementando com a família, sujeitos que fazem parte da formação integral do cidadão, buscando assim interligar a escola à vida das pessoas. Conforme ressalta Bernardes (2010, p. 180) “Com a Transversalidade, busca-se um novo diálogo permanente em sala de aula e fora dela, onde professores, estudantes e comunidade criam um ambiente de educação conjunta”.

Assim, os Temas Transversais revelam uma possibilidade de proposta com significado amplo e voltado para as questões problemáticas da realidade, em que interfere e modifica a educação sistematizada, com conteúdos obrigatórios e limitados a carga horária escolar, com debates críticos na busca de intervir a realidade com soluções voltados para os problemas vivenciados na atualidade e visualizados para as próximas gerações. De modo que, concordando com Almeida (2006, p. 6)

As temáticas transversais favorecem, dentro desse modelo educacional, a formação integral da pessoa e a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e solidária, o que não seria possível alcançar apenas com a mera exposição dos conteúdos das disciplinas, sem conexão com o contexto sociocultural, com o mundo ao nosso redor. Através dos Temas Transversais a escola estará cumprindo sua função social que é formar cidadãos autônomos para o exercício de sua cidadania.

Segundo Gomez (2009, p. 6) “os temas transversais busca-se veicular valores e os professores contribuem com sua autonomia e sentido crítico [...], nesse aspecto, refere-se à metodologia que organiza e promove conceitos, atitudes e procedimentos”.

Nesse sentido os PCNs dispõem um conjunto de temas proposto em seu documento, que recebeu o Título geral de Temas Transversais, indicando uma metodologia proposta para sua inclusão no currículo e no seu tratamento didático. São eles: Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde e Orientação Sexual. E todos esses temas, segundo os PCNs possuem urgência social, abrangência nacional, possibilidade de ensino e aprendizagem no ensino fundamental além de favorecer a compreensão da realidade e a participação social (BRASIL, 2000).

Visto que os PCNEM propõem a integração dos conhecimentos-habilidades-valores relativos as relações da química com a sociedade e o meio ambiente, dentre outros. E como competência básica as Orientações curriculares para o ensino médio (Brasil, 2006, p. 115) implementa:

• reconhecimento de aspectos relevantes do conhecimento químico e suas tecnologias na interação individual e coletiva do ser humano com o ambiente;

• compreensão e avaliação da ciência e da tecnologia química sob o ponto de vista ético para exercer a cidadania com responsabilidade, integridade e respeito;

• desenvolvimento de atitudes e valores compromissados com o ideal de cidadania planetária, na busca de preservação ambiental do ponto de vista global e de ações de redução das desigualdades étnicas, sociais e econômicas;

• desenvolvimento de ações engajadas na comunidade para a preservação ambiental.

Neste estudo trataremos sobre o tema transversal Meio Ambiente, pois trata-se de destacar a importância da água e do “reuso de águas residuárias”, a qual têm por principal objetivo a sustentabilidade. Pois, segundo Diniz e Tomazello (2005, p. 80) “No caso do Tema Transversal Meio Ambiente a educação tem o objetivo de formar alunos com visão múltipla, complexa e dinâmica do espaço, inter-relacionando as partes com um todo […]”.

Educação Ambiental, como Tema Transversal, “postula-se dentro de uma concepção de construção interdisciplinar do conhecimento e visa à consolidação da cidadania, a partir de conteúdos vinculados ao cotidiano e aos interesses da maioria da população” (BARBOSA, 2008, apud SANTOS E SILVA 2010).

O que reforça o descrito no artigo 3º, VI da Política Nacional de Educação Ambiental, que compete à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais (BRASIL, 1999).

Nesse aspecto a transversalidade faz uma conexão direta com as metodologias ativas, que segundo Borges e Alencar (2014, p. 120) podem ser entendidas como

Formas de desenvolver o processo do aprender que os professores utilizam na busca de conduzir a formação crítica de futuros profissionais nas mais diversas áreas. A utilização dessas metodologias pode favorecer a autonomia do educando, despertando a curiosidade, estimulando tomadas de decisões individuais e coletivas, advindos das atividades essenciais da prática social e em contextos do estudante.

A partir dessa discussão que envolve a sustentabilidade x reúso de águas no aspecto social, escolheu-se a primeira série do ensino médio para a obtenção de dados científicos na expectativa que os alunos sejam alvo positivo para obtenção do conhecimento sobre o uso da água residuária tratada pelas lagoas de tratamento, além de ser propício na prática da inserção da transversalidade em sala de aula.

METODOLOGIA

A presente pesquisa realizou-se no período entre os meses junho e julho deste ano (2018). E teve como objetivo uma pesquisa descritiva e aplicada de campo, cujas fontes de informações foram à literatura pertinente. Esse artigo busca relatar uma experiência pedagógica, como meio de gerar subsídios para preparação de aulas nos mais diversos temas relacionados com meio ambiente/educação ambiental e gestão de recursos hídricos

Para a pesquisa de campo, optou-se pela turma da 1ª série do Ensino Médio do Centro de Excelência Professor Hamilton Alves Rocha, localizado no Bairro Roza Elze, Município São Cristóvão - SE.

A natureza da pesquisa que deu origem a esse relato, para fins de caráter qualitativo nos leva a uma reflexão crítica das ferramentas utilizadas e nosso cotidiano escolar, sobre tudo nas aulas que mais existe falta de recursos como laboratório, reagentes, equipamento etc., onde se pode inovar com atitudes práticas e bem simples, mas com grande efeito no processo de ensono aprendizagem Na metodologia desenvolvida nesta pesquisa incluem-se as metodologias ativas, que foram realizadas nas seguintes etapas:

Na primeira etapa houve uma breve apresentação da professora pesquisadora, explicando de forma simples que os alunos estariam fazendo parte de uma pesquisa que envolveria a disciplina de Química e o conteúdo estaria conectado ao tema Transversal Meio Ambiente. Ainda nesse momento foi distribuído um exercício de sondagem para assimilar a que nível de conhecimento básico estaria aquele grupo de estudantes, com quatro (4) questões e duas alternativas de respostas (sim ou não) e uma solicitação de justificativa.

Imagem 1: Alunos respondendo exercício de sondagem.

Na segunda etapa utilizou-se um cartaz ilustrado com uma lagoa de estabilização e seu funcionamento, para visualização e facilitar o entendimento de como ocorre o processo de purificação do efluente (água de esgotamento doméstico). Nessa mesmo etapa utilizou-se também garrafas pets contendo efluente coletado da lagoa de estabilização para demonstrar a cor e a pureza aparente do efluente nas etapas de tratamento da lagoa de estabilização (uma garrafa pet 2L continha efluente bruto, ou seja, da primeira lagoa, as outras garrafas pets menores possuía efluente coletado da última lagoa sendo assim o efluente inicialmente tratado), esse momento foi de impacto para os alunos, visto que discutiam entre eles a possibilidade do efluente ficar naquele grau de pureza sem aditivos químicos.

Imagem 2: Explicação sobre a lagoa de estabilização e reúso de efluente.



Imagem 3: Amostras de efluente.

Numa sequência de explicação dinamizada e dialogada entre professora e alunos sobre todo o procedimento de tratamento e funcionamento das lagoas, encerrou-se a aula com o entendimento de que houve um interesse por parte dos alunos para a busca de mais informações e conhecimento sobre o tema discutido.

A terceira etapa consistiu na visita a lagoa de estabilização que fica situada no mesmo bairro em que fica a escola, portanto todos os alunos presentes e devidamente autorizados pelos pais e acompanhados pelos professores autorizados pela direção da escola, dirigiu-se a Lagoa de Estabilização do Bairro Rosa Elze. Com o apoio do técnico funcionário da concessionária Deso responsável pela lagoa, este falou para os alunos sobre o funcionamento real da lagoa, incluindo a explicação geral sobre a construção, a capacidade, as diferenças e a eficiência nos tratamentos das cinco lagoas que comportam o sistema de tratamento de esgoto completo. A professora pesquisadora complementou explicando quais os tipos de tratamentos de separação de misturas existentes nesse sistema em que as lagoas oferecem e a importância do reúso dessa água tratada na agricultura irrigada.

Imagem 4: Visita a Lagoa de estabilização.

Por fim, na aula seguinte e última etapa, realizou-se um questionário avaliativo com os alunos, nos quais responderam cinco questões baseadas e retiradas dos modelos do Enem, pois se entende a importância do treinamento dos alunos com esse tipo de questões, quatro dessas cinco questões tratava-se do tema geral e dos processos de separação de mistura e a última questão avaliou a aceitabilidade dos alunos em aderir ou não os alimentos cultivados com a água inicialmente tratada pela lagoa de estabilização.

RESULTADOS

A partir do exercício de sondagem foi possível observar que os discentes pesquisados tiveram algum tipo de contato com o Tema Transversal Meio Ambiente proposto nesta pesquisa. O gráfico 1 representa as respostas de todos os alunos questionados com apresentação de porcentagens de erros e acertos.

Gráfico 1: Questões correspondentes ao exercício de sondagem.

Ao observar o gráfico 1, entende-se que os alunos presentes nesta pesquisa demonstraram algum conhecimento básico sobre sustentabilidade, o que favoreceu para melhor compreensão do conteúdo abordado, como podemos observar nas figuras abaixo (imagem 5, 6, 7), a redação na íntegra de três alunos:

Imagem 5: Respostas do discente ao questionamento de sondagem na primeira etapa da pesquisa.

Fonte: Acervo do Autor



Imagem 6: Respostas do discente ao questionamento de sondagem na primeira etapa da pesquisa.

Fonte: Acervo do Autor

Imagem 7: Respostas do discente ao questionamento de sondagem na primeira etapa da pesquisa.

Fonte: Acervo do Autor

Diante das respostas do questionário de sondagem foi possível dimensionar a profundidade do conhecimento sobre o tema, e através dessa verificação constatou-se que a bagagem intelectual dos alunos está no conhecimento popular. Por tanto, a utilização desse exercício foi positiva, pois se percebeu a necessidade de aprofundar detalhadamente o sistema de tratamento das lagoas de estabilização e as condições e possibilidades de reúso do efluente.

A etapa seguinte foi à explicação em sala referente ao sistema das lagoas de estabilização, em que o cartaz ilustrativo colaborou para visualização e entendimento do sistema de tratamento natural (decantação e sedimentação) e suas possibilidades de reúso. Os discentes questionaram a respeito do uso de substâncias químicas na purificação da água residuária, iniciou-se então, uma discussão que levou ao assunto condições viáveis de sustentabilidade, entre outros, a economia do uso de água potável e seus benefícios, incluindo o uso de água de primeira qualidade na irrigação de lavouras. De acordo com as falas dos discentes, o efluente depois de tratado na lagoa de estabilização é viável para a agricultura irrigada, mas são necessários cuidados para manipulação e transporte da água inicialmente tratada pelas lagoas de estabilização.

Na terceira etapa realizou-se a visita à lagoa de estabilização do bairro Rosa Elze, esta possui 3 lagoas facultativas e 2 lagoas de maturação, que fica nas imediações da escola pesquisada. Os discentes demonstraram interesse na visita, e comentaram que a lagoa é conhecida vulgarmente como ‘fossa’ pela população residente nas proximidades. Durante a visita tivemos o acompanhamento do técnico responsável pela lagoa, que discursou e esclareceu algumas dúvidas dos alunos. O que confirmou as teorias aplicadas em sala pela professora pesquisadora. Sendo assim a visita à lagoa se configura como um momento importante para o desenvolvimento da metodologia ativa realizada nas etapas acima citadas.

Diante das respostas do exercício avaliativo analisaram-se os seguintes resultados. Seguem em ordem numérica as questões respondidas pelos alunos, com apresentação da porcentagem de erros e acertos.

Gráfico 2: Questões correspondentes ao exercício de avaliação.

As quatro primeiras questões foram válidas para a avaliação do aprendizado dos discentes presentes. A última questão corresponde à aceitabilidade do consumo da cultura cultivada com água proveniente da lagoa de estabilização.

Conforme apresenta o gráfico 2 obtivemos resultados positivos em todo o exercício, tanto nos questionamentos referentes ao contexto aplicado e ao conteúdo químico trabalhado, pois as maiorias dos discentes acertaram nas respostas correspondentes, quanto na questão de aceitabilidade, onde as maiores partes dos alunos responderam SIM, aceitariam consumir produtos cultivados com água residuária, e na discussão sobre o assunto, justificaram dizendo que depois de terem a informação de que os alimentos não estão contaminados facilita o entendimento que sim é viável e sustentável o reúso da água na agricultura irrigada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os resultados desta pesquisa observou-se que a aplicação de um teste de sondagem é bastante importante para perceber o grau de conhecimento entre os pesquisados, pois este direcionou a profundidade do tema transversal desenvolvido em sala de aula.

As metodologias ativas realizadas durante a pesquisa, como por exemplo, o uso do cartaz e as amostras do efluente foram de toda importância para despertar nos discentes a atenção e curiosidade levando-os a discutir o tema presente abrindo espaço e permitindo que todos os alunos fizessem comentários.

Analisando os resultados obtidos a partir da visita a campo, foram fundamentais para os alunos constatarem como ocorre o tratamento do efluente, as explicações do técnico presente apresentaram clareza nas discussões feitas anteriormente em sala, portanto com efeito positivo a pesquisa de campo se deu neste trabalho.

As respostas correspondentes dos alunos no exercício avaliativo demonstraram eficiência de todo o projeto aplicado. Pois houve mais acertos do que erros nas questões sobre o conteúdo químico, e no item que se perguntou sobre a aceitação do consumo dos alimentos irrigados com efluente a maioria entendeu que sim, é possível, e sustentável se torna o uso da água quando acontece o reúso. Apenas uma minoria relata que não comeria esse tipo de alimento e, somente um discente justificou sua resposta descrevendo que seria apenas por cuidados higiênicos.

Sendo assim conclui-se alcançados os objetivos desta pesquisa, que apresentou resultados positivos em todas as etapas realizadas.

REFERÊNCIAS

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BERNARDES, Maria Beatriz Junqueira; PRIETO, Élisson Cesar. Educação Ambiental: Disciplina versus Tema Transversal. Revista eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, Rio Grande, v. 24, p. 173-185, jan.-jun, 2010. Disponível em:<https://periodicos.furg.br/remea/article/view/3891>. Acesso em 12 set. 2018.

BORGES, Tiago Silva; ALENCAR, Gidélia. Metodologias ativas na promoção da formação crítica do estudante: o uso das metodologias ativas como recurso didático na formação crítica do estudante do ensino superior. Cairu em Revista, Salvador, v. 3, n. 4, p. 119-143, jul. /ago. 2014. Disponível em: <encurtador.com.br/nBEFM>. Acesso em: 10 ago. 2018.

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BRASIL. Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e Dá Outras Providências. Diário Oficial da União, 09/01/1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9433.htm. Acesso em: 13 ago. 2018.

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DINIZ, M. E.; TOMAZELLO, M. G. C. A pedagogia da complexidade e o ensino de conteúdos atitudinais na educação ambiental. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental. Rio Grande. v. 15, p. 80-93, jul.-dez. 2005. Disponível em:<https://periodicos.furg.br/remea/article/view/2927>. Acesso em 12 set. 2018.

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SANTOS FILHO, J. S. Viabilidade do uso de água residuária tratada na irrigação da cultura do girassol (Helianthusannuus L.). 2013. 74 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) – Universidade Federal de Sergipe. São Cristóvão/SE: UFS, 2013.

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