ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Uma crônica, um artigo e algumas histórias!     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
Relatos de Experiências

13/03/2019ANÁLISE CLIMATOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE CABECEIRAS DO PIAUÍ, ESTADO DO PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3623 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

ANÁLISE CLIMATOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE CABECEIRAS DO PIAUÍ, ESTADO DO PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL



CLIMATOLOGICAL ANALYSIS OF THE MUNICIPALITY OF CABECEIRAS DO PIAUÍ, PIAUÍ STATE, NORTHEAST OF BRAZIL



Márcio Luciano Pereira Batista1, Juliana Cardozo de Farias2

1Doutorando do Programa Pós Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí – PRODEMA/UFPI. E-mail: marciolpb@hotmail.com

2Doutoranda do Programa Pós Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí – PRODEMA/UFPI. E-mail: julianacardozo93@yahoo.com.br

RESUMO

A importância da compreensão da dinâmica climatológica de uma determinada região é de suma importância, pois favorecerem o entendimento quanto as precipitações pluviométricas, os tipos de climas e os demais fatores que oportunizam o desenvolvimento de uma região. Diante disto, o presente estudo tem como objetivo analisar a climatologia do município de Cabeceiras do Piauí, Nordeste do Brasil, baseado nas normais climatológicas apresentadas pelo município de Teresina/Pi, no período de 1913 a 2014, realizado por meio de pesquisas bibliográficas. Observou-se que o município de Cabeceiras do Piauí, apresenta as mesmas configurações climatológicas de Teresina. Quanto as estações meteorológicas instaladas nos municípios, as mesmas precisam de atenção por parte dos gestores públicos, pois muitas delas não apresentam nenhum dado histórico climatológico, por falta de manutenção. É importante observar também, que estudos científicos precisam ser intensificados no interior do Piauí, o que facilitará maior análise das particularidades e oscilações climáticas do Estado.

PALAVRAS-CHAVE: Climatologia; Tempo; Pluviometria

ABSTRACT

The importance of understanding the climatological dynamics of a given region is of paramount importance, since it favors the understanding of precipitation, types of climates and other factors that favor the development of a region. In view of this, the present study aims to analyze the climatology of the municipality of Cabeceiras do Piauí, Northeast Brazil, based on the climatological norm presented by Teresina / Pi, from 1913 to 2014, carried out through bibliographical research. It was observed that the municipality of Cabeceiras do Piauí, presents the same climatological configurations of Teresina. As for the meteorological stations installed in the municipalities, they need attention from the public managers, since many of them do not present any historical climatological data, due to lack of maintenance. It is also important to note that scientific studies need to be intensified in the interior of Piauí, which will facilitate greater analysis of the peculiarities and climatic oscillations of the State.

KEYWORDS: Climatology; Time; Rainfall

1 INTRODUÇÃO

Na contemporaneidade é de suma importância o estudo sobre a climatologia de um de terminado lugar, de uma determinada região, pois possibilita identificar, conhecer e observar as diversas variações do tempo e, assim podendo ter uma visão mais ampla das condições meteorológicas e previsões de tempo, favorecendo as diversas aplicações das atividades humanas naquele lugar.

Segundo Torres e Machado (2011), o clima pode ser determinado como sendo uma sucessão de vários tipos de tempo ou um conjunto de variações dos estados médios da atmosfera, sobre um determinado lugar. O mesmo surge da interação existente entre a energia solar e a superfície terrestre (massas de água/continentes), se manifestando na camada gasosa que se formou envolta do nosso planeta, a atmosfera, sendo o Sol o combustível fundamental para a dinâmica atmosférica (DIAS; SILVA, 2009). Assim, todos os lugares do globo terrestre apresentam uma climatologia que são peculiares à sua localização (latitude; longitude) adicionadas às suas feições superficiais que podem ser naturais (terra/água; altitude; relevo; cobertura vegetal) ou transformadas pela ação antrópica (agricultura; cidades; complexos industriais). Partido da entrada de energia solar e de sua interação com as feições superficiais dos diferentes lugares, têm-se os diversos tipos climáticos, que incluem em seu conjunto não apenas as condições meteorológicas predominantes como também os eventos esporádicos ou extremos, ambos influenciando diretamente a humanidade e demais formas de vida (OLIVEIRA, 2010). Desta forma, o clima de uma determinada região é definido pelas “normais” climatológicas daquele lugar, lembrando que as condições meteorológicas apresentadas numa série de dados a cada trinta anos, são essenciais para que se determine o clima.

Nos municípios do estado Piauí, os estudos do clima em sua maioria, costuma ficar desprovidos de dados climatológicos, possuindo estações que não possuem nenhum dado que gere análises do seu clima.

Partindo desta premissa, o presente trabalho tem como objeto analisar a climatologia do município de Cabeceiras do Piauí/Pi, nordeste do Brasil, tomando como base o município de Teresina/Pi, por apresentar estações que possuem dados climáticos dos últimos trinta anos.

2 METODOLOGIA

2.1 Área de Estudo

O estudo foi realizado no município de Cabeceiras do Piauí/Pi, nordeste do Brasil, mesorregião Norte Piauiense e microrregião do Baixo Parnaíba Piauiense, limitando-se ao norte com o município de Barras, ao sul com os municípios de Campo Maior, José de Freitas, Nossa Senhora de Nazaré e Boqueirão do Piauí, a leste com o município de Boa Hora e a oeste com os municípios de Lagoa Alegre e Miguel Alves (IBGE, 2010). Possui área de 608,525 km2 e população estimada de 9.928 habitantes, sendo 1.657 na zona urbana e 8.271 na zona rural, com uma densidade demográfica de 16,31 habitantes por km2 e um IDHM de 0,583. Geologicamente, a área de estudo está situada sobre a bacia sedimentar (aulacógeno) do Parnaíba, sobre litologias sedimentares do Grupo Canindé, especificamente da Formação Poti, a qual é composta por arenitos, folhelhos e siltitos com cronologias que remontam ao Carbonífero (CPRM, 2010). Tais rochas sofrem com as ações do clima tropical subumido seco (ANDRADE JUNIOR et al. 2004), caracterizado por insolação acima de 2.000 h/ano, precipitações e temperaturas médias mínimas e máximas anuais, respectivamente, de 1.535mm, 22ºC e 35ºC.

Esta situação favorece a ocorrência da estiagem em cerca de sete a seis meses do ano na área de pesquisa, sendo as precipitações pluviais habitualmente torrenciais e concentradas nos quatro primeiros meses do ano, pois são provocadas pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN), Dipolo do Atlântico e outros (FERREIRA; MELLO, 2005).

2.2. Coleta e Análise dos dados

A elaboração deste estudo, iniciou-se, por meio do levantamento de obras bibliográficas, geocartográficas e consulta aos periódicos disponíveis na rede mundial de computadores (Internet). Em seguida, identificou-se, por meio da bibliografia, as variações pluviométricas das chuvas do município de Cabeceiras do Piauí e de Teresina/Pi.

A manifestação climática analisada ela é macroclimática. Cabeceiras do Piauí/Pi, possui uma estação meteorológica, porém não apresenta nenhuma variável que favoreça os estudos da análise climática do município (BRASIL, 2018).

Neste caso, apesar de o município apresentar três cidades próximas Barras, Campo Maior e José de Freitas, apresentando 15km, 45km e 60km respectivamente, além de possuírem estações meteorológicas, não possuem nenhum dado que possa contribuir para estudo (BRASIL, 2018). Assim, os dados analisados foram do município de Teresina/Pi, que fica aproximadamente 96 km de distância, por apresenta proximidades e similaridades das condições pluviométricas.

Os dados das precipitações mensais utilizados nesta pesquisa foram obtidos de uma série histórica de 97 anos (1913 a 2014), fornecido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE, 2010) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Piauí, (EMATER/PI, 2010). Foram utilizados os seguintes dados de precipitação pluviométrica: totais mensais médios anuais de pluviometria; valores máximos e mínimos no período de 1913 a 2014 (SILVA, 2015).

3 RESULTADO E DISCUSSÃO

Segundo Medeiros (2013), de acordo com as informações climatológicas do Nordeste do Brasil, o município de Teresina/Pi, tem seu clima controlado pela variabilidade espacial e temporal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sendo sua atividade mais ao sul do equador, contribuição dos Vórtices Ciclônicos de altos níveis, deste que seu centro esteja no oceano, às formações e intensificações das linhas de instabilidade e dos aglomerados convectivos, auxiliado pelos ventos alísios de nordeste, a convergência de umidade e a troca de calor sensível por latente e vice-versa, as contribuições dos efeitos locais, fatores que aumentam a cobertura de nuvens, a umidade relativa do ar e provocam chuvas de intensidades moderadas à fraca em quase todos os meses do ano, sendo o fenômeno La Ninã o principal fator para ocorrência de chuvas acima da média histórica provocando inundações, alagamento, enchentes, enxurradas e desmoronamento. Köppen e Geiser (1928) classificam o clima como Aw. Em Teresina/Pi as chuvas começam em meados de dezembro, a pluviometria aumenta no início de janeiro se prolongando até o mês de maio, destacando os meses de fevereiro a abril, como o trimestre mais chuvoso. Silva et al. (2015), por meio de estudos realizados sobre a climatologia do município de Teresina/Pi, também observou o comportamento da precipitação em termos de médias mensais históricas e os valores máximos e mínimos absolutos registrados em Teresina, no período 1913-2014. A média histórica dos totais mensais de chuva variou entre 8,1 mm em julho a 327,9 mm no mês de março. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de janeiro (194 mm), fevereiro (245,7 mm), março (327,9 mm) e abril (261,7 mm). Os valores mínimos absolutos de chuvas ocorridos e registrados foram os anos de 2013, 1976, 1958 e 1944 com 634,8 mm, 706 mm 119,7 mm e 506,6 mm respectivamente. Os valores máximos absolutos de ocorrências de chuvas registrados na área de estudos foram os anos de 1950, 1924, 1929, 1947, 1947 e 1985 com 4.013,4 mm, 2.599,9 mm, 2.443,7 mm, 3.913,2 mm, 2.903,4 mm e 2.568,5 mm, respectivamente, demonstrando com isto a variabilidade espacial e temporal com grandes irregularidades entre anos. O período chuvoso inicia-se no mês de dezembro com chuva de pré-estação e prolonga-se até o mês de maio, o que se destaca é a frequência de irregularidade nas distribuições dos índices pluviométricos entre meses e anos, conforme mostra figura 1.

Figura 1. Precipitação pluviométrica histórica mensal e os máximos e mínimos valores ocorridos em Teresina/PI, no período 1913-2014.

Fonte: Silva et al. (2015)

Dados estes que vão ao encontro dos apresentados pela Climate-Data Org (2018), onde o município de Cabeceiras do Piauí, apresenta o periodo chuvoso que inicia em dezembro e prossegue até o mês de maio do ano seguinte, bem como o tipo de clima do município que também é classificado como Aw, segundo Köppen e Geiser (1928).

Quanto a precipitação pluviométrica anual do município de Teresina/PI no período de 1913 a 2014, Silva et al. (2015), observou-se que a variação dos totais anuais das chuvas e a precipitação históricas para o período, foi de 1.345,7 mm com 97 anos de observações. Importante destaca que durante o período analisado observou-se que ocorreu grande variabilidade dos totais anuais de chuva podendo ser observada nos anos de 1958 (119,7 mm) e 1950 (4.013,4 mm) onde apresentaram os menores e maiores índices pluviométricos, conforme mostra figura 2.

Figura 2. Precipitação pluviométrica anual em Teresina, PI no período de 1913 a 2014.

Fonte: Silva et al. (2015).

Estes mesmos dados são observados no município de Cabeceiras do Piauí, conforme Climate-Data Org (2018), na figura 3, quando mostra que a pluviometria anual do município de Cabeceiras do Piauí, chega a 1.535mm, corroborando com Andrade Junior et al. (2004)

Figura 3. Climograma do município de Cabeceiras do Piauí/Pi.

Fonte: Climate-data Org. (2018)

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados e informações adquiridas a partir dos resultados apresentados, constatou-se que o município de Cabeceiras do Piauí/Pi, apresenta as mesmas configurações climatológicas de Teresina/Pi, tanto nas variações pluviométricas como na distribuição das chuvas, que vão de dezembro a maio do ano seguinte.

Observou-se também, a negligência dos administradores públicos, quanto a fomentação das estações meteorológicas nos municípios, pois as mesmas precisam ser melhores administradas, uma vez que muito contribuirá para a compreensão da climatologia da região, além do mais, elas estabelecerão medidas que serão de suma importância no que concerne a prevenção contra desastres climáticos, bem como das perdas socioeconômicas da região.

REFERÊNCIAS

ANDRADE JÚNIOR, A. S.; BASTOS, E. A.; BARROS, A. H. C.; SILVA, C. O. GOMES, A. A. N. 2004. Classificação climática do estado do Piauí. Teresina: Embrapa Meio-Norte, p.86.

BRASIL. Agência Nacional de Águas. Séries históricas de estações. Disponível em: http:// http://www.snirh.gov.br/hidroweb/publico/medicoes_historicas_abas.jsf. Acesso em: 01.07.2018.

CLIMATE-DATA. ORG. Clima: Cabeceiras do Piauí. Disponível em: https://pt.climate-data.org/location/312109/. Acesso em: 28. jun. 2018.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Geodiversidade do Estado do Piauí. Recife, 2010,p. 260. Disponível em: < http://www.cprm.gov.br/publique/media/Geodiversidade_PI.pdf>. Acesso em: nov. 2017.

DIAS, M. A. F. da S.; SILVA, M. G. A. J. da 2009. Para entender o Tempo e Clima. In: Tempo e Clima no Brasil, Cavalcanti (org), 2009.

EMATER-PI. Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Piauí. 2010.

FERREIRA, A. G.; MELLO, N. G. S. Principais sistemas atmosféricos atuantes sobre a região Nordeste do Brasil e a influência dos oceanos Pacífico e Atlântico no clima da região. Revista brasileira de Climatologia. Curitiba, vol 1, n. 1, p. 15-28, dez. 2005.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico. Rio de Janeiro: BGE, 2010.

KÖPPEN, W.; GEIGER, R. Klimate Der Erde. Gotha: Verlag Justus Perthes. 1928.

MEDEIROS, R. M. Estudo agrometeorológico para o Estado do Piauí. Teresina/Pi, 2013, p.119.

OLIVEIRA, M. J.; VECCHIA, F. Elaboração de normais climatológicas: Caracterização e tendências de temperatura em Itirapina - SP, Brasil. In: XVI CBMET 􀂱 Congresso Brasileiro de Meteorologia: 16, 2010. Anais.. Belém: CBMET, Sociedade Brasileira de Meteorologia, 2010.

SUDENE. Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Rede Hidroclimatológica do Nordeste, 2010.

TORRES, F. T. P.; MACHADO, P. J. de O. Introdução à climatologia. São Paulo: Cengage. Learning, 2011.





" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Plantas medicinais     Práticas de Educação Ambiental     Uma crônica, um artigo e algumas histórias!     Educação e temas emergentes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias