ISSN 1678-0701
Número 67, Ano XVII.
Março-Maio/2019.
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13/03/2019ABORDAGEM SOBRE SEXO E SEXUALIDADE NO CONTEXTO FAMILIAR DO MUNICÍPIO DE SALVATERRA, ILHA DE MARAJÓ, PARÁ  
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ABORDAGEM SOBRE SEXO E SEXUALIDADE NO CONTEXTO FAMILIAR DO MUNICÍPIO DE SALVATERRA, ILHA DE MARAJÓ, PARÁ

Marcelo Coelho Simões1, Joelma Gonçalves Aranha Vasconcellos2, Paulo Weslem Portal Gomes3, Marcos Felipe Bentes Cansanção Pereira4, Rodrigo Soares de Lima5, Luiza Helena da Silva Martins6, Altem Nascimento Pontes7, Cléa Nazaré Carneiro Bichara8, Vanessa Cavaleiro Smith9

1Mestrando em Ciências Ambientais, Universidade do Estado do Pará, marcelo.uepa14@gmail.com

2Graduada em Ciências Naturais com habilitação em Biologia, Universidade do Estado do Pará, joelmaaranhavasconcellos@gmail.com

3Mestrando em Ciências Ambientais, Universidade do Estado do Pará, weslemuepa@hotmail.com

4Mestrando em Ciências Ambientais, Universidade do Estado do Pará, marcosfelipebentes@gmail.com

5Graduando em Enfermagem, Faculdade Uninassau, rodrigolima454@gmail.com

6Doutora em Engenharia Química, Universidade do Estado do Pará, luhelemarte@gmail.com

7Doutor em Ciências, Universidade do Estado do Pará, altempontes@hotmail.com

8Doutora em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, Universidade do Estado do Pará, cleabichara@ig.com.br

9Doutoranda em Virologia, Instituto Evandro Chagas, vanecavaleiro@gmail.com

Resumo: A sexualidade se constrói e se aprende socialmente, compõe-se numa extensão essencial no desenvolvimento da personalidade humana. Desse modo, objetivou-se analisar a abordagem sobre sexo e sexualidade no contexto familiar com moradores do município de Salvaterra-PA, para o desenvolvimento de condutas em Educação Ambiental atrelada a saúde e as questões sociais. As entrevistas foram realizadas por meio de visitas domiciliares no período de outubro de 2018 em cinco bairros do município de Salvaterra-PA, onde foram selecionadas 50 famílias. Foi utilizada a pesquisa descritiva que se baseia na observação do grupo estudado através da aplicação dos questionários abertos. As entrevistas ocorreram primeiramente com os pais, e em seguida, separadamente, com os filhos. Notou-se que o diálogo entre pais e filhos ou é ausente ou insuficiente, e quando ocorre, acontece de forma confusa e superficial. Como consequência, os adolescentes tornam-se vulneráveis a falsas informações, as quais são por muitas vezes de meios eletrônicos não confiáveis. Com isso, a abordagem sobre sexo e sexualidade se faz de grande importância por estar relacionada diretamente com o comportamento e desenvolvimento social das pessoas, mesmo inerente à condição humana e evidente nos dias atuais, é reprimida no ambiente familiar.

Palavras-chave: Educação Sexual, Educação Ambiental, Desafios.

Abstract: Sexuality is built up and learns socially, it consists in an extension essential in the development of the human personality. In this way, the objective was to analyze the approach on sex and sexuality in the family context with residents of the municipality of Salvaterra-PA, for the development of pipelines in environmental education tied to health and social issues. The interviews were conducted through home visits in the period October 2018 in the five districts of the municipality of Salvaterra-PA, where they were selected 50 households. It was used the descriptive, based on observation of the group studied through the application of the questionnaires open. The interviews took place first with the parents, and then, separately, with the children. It was noted that the dialogue between parents and children, or is absent or insufficient, and when it occurs, happens so confusing and superficial. As a consequence, adolescents become vulnerable to false information, which are for many times of electronic media can't be trusted. With this, the approach on sex and sexuality is of great importance for being related directly with the behavior and social development of the people, even inherent to the human condition and is evident in the present day, is repressed in the family environment.

Keywords: Sex Education, Environmental Education, Challenges.

Introdução

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), todo e qualquer indivíduo com idade entre 12 a 18 anos é considerado adolescente (BRASIL, 2006). Essa fase é marcada por novas descobertas, experiências, mudanças físicas e emocionais, repletas de atitudes e desejos estimulados pela ação hormonal característica da puberdade (CAMPOS, 2011; WEEKES; HAAS; GOSSELIN, 2014). Em que, a sexualidade destaca-se como uma transformação marcante na adolescência, por isso, as abordagens a respeito da Educação Sexual (ES) necessitam ser trabalhada nas escolas e no meio familiar na perspectiva da Educação Ambiental (MOREIRA, 2008), a qual consiste em proporcionar uma compreensão de forma crítica do problema e desenvolver atitudes, como uma posição consciente e participativa dos valores que são dados para uma melhor qualidade de vida à todos (BRANCALIONE, 2016).

Segundo Carter (2012) e Macedo et al. (2013), a sexualidade se constrói e se aprende socialmente por meio do desenvolvimento da personalidade humana, a qual envolve práticas e desejos ligados à satisfação, ao exercício da liberdade e a saúde. Segundo Gonçalves, Faleiro e Malafaia (2013), a Educação Sexual (ES) deve estar presente no convívio dos adolescentes, e ao ser trabalhada formalmente, estimula o crescimento moral e intelectual, não devendo ser ensinada de maneira superficial e confusa. Para isso, Savegnago e Arpini (2016) ressaltam que para dialogar sobre sexualidade é essencial ir além da simples transmissão de informações, é preciso que os pais ultrapassem várias barreiras na perspectiva de alcançar uma proximidade com as experiências do adolescente.

O bem-estar no âmbito da sexualidade constitui um dos principais critérios de saúde mental e de satisfação interpessoal (MOIZÉS; BUENO, 2010). Desse modo, de acordo com o Estudo e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana (2001), a ES deve ser um direito do adolescente em conhecer seu próprio corpo e ter uma visão positiva da sua sexualidade, de modo que possa aprimorar o conhecimento crítico na comunicação e em relações interpessoais.

No meio familiar, os pais ainda se sentem tímidos e incomodados ao abordar o assunto da sexualidade e por muitas vezes optam pela omissão das informações (GONÇALVES; FALEIRO; MALAFAIA, 2013), desse modo, a carência do diálogo têm contribuído fortemente no início de uma vida sexual precoce, assim como outros aspectos errôneos, o que provavelmente resultará em relações sexuais desprotegidas (SCHIFFMAN et al., 2003), bem como a maior vulnerabilidade as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), a gravidez não planejada e muitas vezes ao aborto (ARAÚJO et al., 2015).

Desse modo, sabe-se que mesmo em uma sociedade moderna, falar de sexualidade ainda é repleto de crenças, mitos e tabus, tanto em espaço formais de ensino, quanto no ambiente familiar (SOUSA; FERNANDES; BARROSO, 2006). A consequência é que mediante ao silêncio dos pais, os jovens acabam por buscar outras fontes de informações e diálogos (SAVEGNAGO; ARPINI, 2013; NERY, 2015). Diante disso, a família, que seria, o eixo fundamental para associar a ES com aspectos de saúde, responsabilidade e valores, de modo que não estimule a antecipação da vida sexual (GARCIA, 2003), passa a se descontextualizar como fonte de informação segura.

Gonçalves, Faleiro e Malafaia (2013) ressaltam que nas instituições de ensino, essa temática é mais abordada nas aulas de biologia ou ciências, limitando o conhecimento apenas na vertente reprodutiva, não suprindo os anseios dos adolescentes sobre possíveis dúvidas e questionamento relacionados à sexualidade recém-despertada. Para isso, é fundamental que na adolescência os indivíduos tenham o autoconhecimento através da Educação Ambiental, sendo o corpo como o primeiro ambiente do ser humano nessa importante fase da vida.

Por isso, Ricardo e Lorencini-Júnior (2009) afirmam que para tornar a ES eficaz, o diálogo familiar é primordial, se possível com o auxílio de um profissional da saúde, pois, para Savegnago e Arpini (2016), é no diálogo com os pais que os adolescentes terão mais segurança e confiança para falar de um tema tão íntimo. Dessa forma, a Educação Ambiental na área da sexualidade proporciona a formação de sujeitos autônomos e competentes que possibilitem uma melhoria na qualidade de vida, visto que, a concepção de educação ambiental vem se expandido a novos rumos, onde o meio ambiente não é visto apenas como a natureza e os recursos naturais, mas como qualquer ambiente que se relacione com o homem, bem como as abordagens do sexo e sexualidade.

Para isso, é primordial que pais e educadores desenvolvam no adolescente a educação pautada na ES, discutindo a valorização da vida e os direitos humanos (CASTRO; RIBEIRO, 2011). Desta forma, este estudo teve por objetivo analisar a abordagem sobre sexo e sexualidade no convívio familiar de adolescentes do município de Salvaterra-PA, para o desenvolvimento de condutas em educação ambiental atrelada a saúde e as questões sociais.

Material e métodos

Área de estudo

O trabalho foi desenvolvido no período de outubro de 2018, em cinco bairros localizados no município de Salvaterra, Ilha de Marajó, Pará, a saber: Cajú, Paes de Carvalho, Nova Colônia, Marabá e Centro (Figura 1). Estes bairros foram selecionados principalmente por estarem próximos ao centro da cidade, o que facilitou o acesso. O alvo principal desta pesquisa foram 50 famílias, escolhidas aleatoriamente, as quais possuem residências fixas distribuídas nesses locais.

Figura 1: Mapa da Ilha de Marajó, destacando o município de Salvaterra e os respectivos bairros em que realizou o estudo.