ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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Práticas de Educação Ambiental

11/06/2019ASPECTOS DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO CURSO PROCESSO FORMATIVO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ESCOLAS SUSTENTÁVEIS E COM-VIDA  
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ASPECTOS DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO CURSO PROCESSO FORMATIVO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ESCOLAS SUSTENTÁVEIS E COM-VIDA





Valdir Lamim-Guedes

Doutorando em Educação FEUSP;

Professor no Centro Universitário Senac-Santo Amaro (São Paulo- SP). E-mail: lamimguedes@gmail.com.



Carlos Junior Gontijo Rosa

Doutor em Literatura Portuguesa (USP, 2017), Mestre em Teoria e História Literária (UNICAMP, 2011) e Bacharel em Artes Cênicas (UNICAMP, 2008). E-mail: carlosgontijo@gmail.com.



Resumo: Na Educação à Distância (EaD), são essências para a adequação de determinado curso ao público-alvo, o material didático, ambiente virtual de aprendizagem (AVA), tutoria, entre outros aspectos. O material didático deve buscar um diálogo entre teoria e prática, favorecendo a contextualização das informações apresentadas, enquanto o AVA deve favorecer a interação e a aprendizagem coletiva. O papel do tutor tem recebido grande atenção, dada a relevância do mesmo, já que ele é o intermediador da relação aluno-docente ou facilitador na relação aluno-material didático, auxiliando na realização de atividades, oferecendo novas fontes de informação e favorecendo a compreensão do conteúdo e uso do AVA. O sucesso de um curso à distância está muito relacionado ao trabalho do tutor, como no curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA, no qual a participação dos alunos e seu entendimento dos conceitos dependem do estímulo e apoio dado pelo tutor, mas também atrelado à qualidade do material didático e outros aspectos.

Palavras-Chave: Tutoria; Educação à Distância; Silêncio virtual.



1 Introdução

A Educação a Distância (EaD) é definida no Decreto nº. 9.057, de 25 de maio de 2017, como

a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em lugares e tempos diversos (BRASIL, 2017, s.p.).

Matar (2011, p. 3), propõe uma definição que engloba elementos de várias definições: “A EaD é uma modalidade de educação, planejada por docentes ou instituições, em que professores e alunos estão separados espacialmente e diversas tecnologias de comunicação são utilizadas”. Tal separação depende de Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs) aplicadas à EaD,

impõem um novo modelo de comunicação pedagógica baseado em diferentes atores, ou seja, o professor [ou tutor] (emissor), o aluno (receptor), o método (canal de transmissão) e os conteúdos (mensagem). (SCIRSOLINI-COMIN; INOCENTE; MATIAS, 2009).

A diversidade de atores na EaD é chamada por alguns autores como polidocência:

[...] polidocência, constituída por uma equipe de educadores e assessores que – juntos, porém não na mesma proporção – mobilizam os saberes de um professor: os conhecimentos específicos da disciplina; os saberes didático-pedagógicos do exercício docente, tanto para organizar os conhecimentos da disciplina nos materiais didáticos quanto para acompanhar os estudantes; e os saberes técnicos, para manuseio dos artefatos e tecnologias processuais, para promover a aprendizagem de conhecimentos dos estudantes (MILL; OLIVEIRA; RIBEIRO, 2010, p. 16).

Entre os atores da EaD está o tutor, cuja a atividade também é alvo deste artigo. O papel do tutor teve grandes alterações ao longo da história, inicialmente com caráter religioso (século XV), e posteriormente auxiliando os trabalhos acadêmicos (século XX) (MACHADO; MACHADO, 2004). Atualmente, este profissional ganha novas atribuições por causa da EaD, que depende visceralmente do tutor como intermediador da relação aluno-docente. Segundo Mill (2010, s.p.),

A tutoria constitui um dos termos mais controversos da modalidade de educação a distância (EaD), tanto na sua terminologia (concepções diversificadas) quanto nas suas funções e competências (variadas e até contraditórias). Isso pode ser observado na literatura, em investigações científicas e práticas cotidianas da tutoria.

Inicialmente, na EaD, o tutor era visto apenas como quem orientava e apoiava a realização de tarefas propostas pelo docente, como aponta Machado e Machado (2004). Entretanto, o papel do tutor tem tido maior destaque, passando-se a aceitar que ele deve auxiliar na realização de atividades e apoiar sua resolução, oferecer novas fontes de informação e favorecer sua compreensão (LITWIN, 2001 apud MACHADO; MACHADO, 2004), sendo um profissional que deve reunir várias competências (NOBRE; MELO, 2011). Segundo Vedove e Camargo (2010), muitos estudos têm mostrado que a presença da tutoria e do tutor são essenciais para o sucesso da EaD. De uma posição engessada das posições do professor ou tutor como emissor e do aluno como receptor de informação, passa-se a uma alternância dessas posições, na medida em que ambos constroem conhecimentos e posicionamentos em parceria, a partir de ferramentas de interação (SCIRSOLINI-COMIN; INOCENTE; MATIAS, 2009).

Segundo Gonzalez (2005, p. 25), o papel do tutor extrapola os limites conceituais impostos na sua nomenclatura, já que ele, é principalmente educador como os demais envolvidos no processo de gestão, acompanhamento e avaliação dos programas. O tutor é o tênue fio de ligação entre os extremos do sistema instituição-aluno. O contato à distância impõe o aprimoramento e o fortalecimento permanente desse elo, sem o qual perde-se o foco das atividades a serem desenvolvidas, assim como do curso de forma geral.

Em muitos modelos, o tutor é a pessoa que faz o contato presencial com o aluno, tornando-se fonte de apoio e segurança (VEDOVE; CAMARGO 2010). Assim, tanto quanto um bem elaborado material didático, a habilidade do tutor em estabelecer esta relação é muito imortante para o sucesso do curso a ser ministradoi – sendo que, em muitos casos, este é o único contato professor-aluno, reduzindo o papel do professor ao de desenvolvedor de material didático.

Se o tutor acumula apenas as funções de coordenar a sala de teleaula e fazer o controle de frequência e entrega de atividades, o modelo apresentado acima não faz sentido. Em outro modelo de tutoria, o tutor interage com os alunos durante várias atividades, como chat, fóruns e outras, através de mensagens de feedback sobre o seu desempenho nas atividades. Nos casos do chatii e fóruns, em especial, o tutor desempenha importante papel ao conduzir a discussão, sendo-lhe requerido domínio sobre o assunto, para discutir e corrigir falhas conceituais dos alunos.

Além da tutoria, temos outros fatores determinantes para a qualidade e pertinência de um curso. Neste contexto, o material didático ocupa uma posição de destaque. O material disponibilizado em cursos EaD deve ser adequado ao público-alvo, isto é, deve ser contextualizado a realidade destas pessoas e que atenda aos desejos destas ao realizar o curso. Aspecto chave para a mediação em EaD é levar as discussões a uma relação com a vida do aluno, seu cotidiano, por exemplo, que sejam citadas situações que demonstrem aos alunos a relação entre o conteúdo estudado e a vida deles.

Pesce (2009, p. 135), ao comentar sobre o modus operandi da EaD, critica a formação focada no tempo para realização das atividades, sem levar em consideração a história dos educadores e com o estudo focado em scripts alheios. Este formato faz com que os cursos não favoreçam momentos de crítica, autocrítica e reflexão, em que impera a seriação e a imitação. Aliado a isto, e trazendo para a nossa discussão, estes scripts alheios dificultam a contextualização das informações, aspecto chave nas ações de EA. Além disto, como comentado por Dotta e Giordan (2014, p. 78), “um dos desafios enfrentados por tutores em EaD, mediada pela internet, é desenvolver estratégias eficazes para a condução do diálogo escrito por meio de ferramentas de comunicação síncrona ou assíncrona, como correio eletrônico, fórum, chat”. Neste sentido, o design instrucionaliii dos cursos devem permitir a interação entre os alunos e a constituição de uma rede de interações, que favorece o debate amplo, aberto e crítico. Situação essencial nas ações de formação de educadores ambientais.

A contextualização e estimulo à participação são aspectos-chave para a EaD, mas também em diversos outros contextos educacionais, como em ações de educação ambiental, por exemplo, em que a relação teoria-prática é essencial. Este tipo de situação é desejável, já que na EaD são estimulados o debate e a troca de informações para uma construção coletiva do conhecimento, na linha das teorias educacionais sociointeracionista (VYGOTSKY, 1998) e da Pedagogia da Autonomia (FREIRE, 2002).

Neste texto, apresentaremos alguns aspectos relacionados ao papel do tutor em no curso EaD de aperfeiçoamento intitulado Processo Formativo em Educação Ambientaliv: Escolas Sustentáveis e COM-VIDAv, aspectos do design instrucionalvi deste curso e discutir o papel dos tutores no primeiro oferecimento realizado em 2010-2011, demonstrando o aspecto chave que se tornou a tutoria em cursos EaD.

2 Metodologia

Este trabalho trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual foi adotado um estudo de caso e realizado um relato de experiência sobre a atuação de um tutor durante o curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA oferecido pela Centro de Educação à Distância da Universidade Federal de Ouro Preto (CEAD) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

A pesquisa qualitativa “envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos sujeitos”, sendo estes os participantes da situação em estudo (GODOY, 1995, p. 58). Portanto, trata-se de uma metodologia basicamente descritiva que, entre outras possibilidades metodológicas, adota estudos de caso, que é uma

pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, considerando representativo de um conjunto de casos análogos (...) O caso escolhido para a pesquisa deve ser significativo e bem representativo, de modo a ser apto a fundamentar uma generalização para situações análogas, autorizando inferências (SEVERINO, 2007, p. 121).

Os cursos ofertados através do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), via de regra, apresentam dois tutores, um presencial e outro a distância. O tutor a distância é responsável pelo andamento do curso, acompanhando a interação no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e tirando dúvidas dos alunos em relação ao conteúdo, enquanto que o tutor presencial cuida do acesso à plataforma e da comunicação entre alunos e instituição. No caso deste trabalho, assumiremos como estudo de caso a atuação de um tutor a distância do curso, sendo o formato do texto um relato de experiência:

O relato de experiência é um texto que descreve precisamente uma dada experiência que possa contribuir de forma relevante para sua área de atuação (por exemplo, um curso novo ministrado sobre determinado assunto, um projeto profissional, etc.). Ele traz as motivações ou metodologias para as ações tomadas na situação e as considerações/impressões que a vivência trouxe àquele(a) que a viveu. O relato é feito de modo contextualizado, com objetividade e aporte teórico. Em outras palavras, não é uma narração emotiva e subjetiva, nem uma mera divagação pessoal e aleatória (ESCRITA ACADÊMICA, s.d., s.p.).

Serão descritos o curso, seu primeiro oferecimento e a atuação deste tutor de forma a elucidar o papel que a tutoria assumiu neste formato de curso adotado.

3 Resultados e discussão

Esta seção deste artigo está dividida em Descrição do Curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA e A tutoria, silêncio virtual e a busca pelo contexto das informações disponibilizadas. Com isto, apresentaremos de forma processual aspectos do curso, assim como, o seu primeiro oferecimento (realizado no segundo semestre de 2010 e finalizado no início de 2011), e a seguir, a análise da atuação de um tutor a distância e as consequências para o processo de ensino-aprendizagem.



3.1 Curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA

O Centro de Educação à Distância da Universidade Federal de Ouro Preto (CEAD-UFOP) oferece cursos de Graduação e Especializações através do programa UAB. Há também alguns cursos de aperfeiçoamento em parceria com o Ministério da Educação, como é o caso do curso de aperfeiçoamento Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA, apresentado a seguir. Para uma análise mais profunda relacionada à temática ambiental, seu tratamento na escola e este curso, sugerimos a leitura do livro Escolas Sustentáveis e Com-Vida em Mato Grosso (SOUZA; SATO; PALMA, 2011). Vieira, Wiziack e Zanon (2018) descrevem os impactos deste curso em uma unidade escolar, onde o Projeto Político Pedagógico (PPP) foi alterado após a realização do processo formativo em 2015. No PPP reformulado em 2017, devido ao debate democrático viabilizado pelo processo formativo e por uma presença da educação ambiental no documento analisado.

O referido curso de aperfeiçoamento, com carga total de 90 horas, é voltado para profissionais já formados, principalmente professores de Educação Básica (UFOP, 2012). Um dos objetivos do curso foi disseminar a concepção teórica e prática da Educação Ambiental, na perspectiva de espaços educadores sustentáveis, aqueles que têm a intencionalidade pedagógica de se constituir referências concretas de sustentabilidade socioambiental (SOUZA; PALMA, 2011). Este curso foi desenvolvido reunindo esforços do Ministério da Educação, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A primeira oferta ocorreu entre o fim de 2010 e o início de 2011, com oferecimentos posteriores, mas que não serão alvo deste artigo.

Como a expectativa era de atender uma demanda de aproximadamente 1000 cursistas em cada uma das 3 universidadesvii, houve um grande cuidado com o seu design instrucional. O curso foi estruturado com uma carga horária de 90 horas, divididas em 3 módulos: Módulo 1 “Eu, engajamento”; Módulo 2 “O outro, nossa responsabilidade na escola” e o Módulo 3 “Mundo, comunidade e ecotécnicas para a sustentabilidade”. E, antes do módulo 1, uma semana de ambientação para expor a dinâmica do curso e apresentar aos cursistas as ferramentas disponíveis no AVAviii. O material didático do curso era composto basicamente pelo livro Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA (TRABJER; MOREIRA, 2010), sendo que no módulo 3 também era adotado o livro Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA – tecnologias ambientais (PEREIRA, 2013). Ao longo dos módulos, eram indicados materiais adicionais em mídias variadas (texto e vídeos).

No curso em questão, só há tutores à distância.ix Os alunos fazem atividades utilizando o AVA, sendo que algumas delas são práticas realizadas pelos cursistas em suas escolas e os relatos das experiências são compartilhadas em fóruns ou relatórios. Foram inseridas várias atividades de interação, como chat, fórum, wiki e a possibilidade de enviar mensagens via AVA. Além disto, uma característica deste curso que favoreceu os cursistas ainda não habituados à EaD, foi a existência de videoconferências seguidas de debates (via chat), que também auxiliaram num melhor entendimento da temática tratada no curso e a troca de informação, enriquecendo muito o processo educativo. Somadas às atividades on-line, os cursistas tinham “tarefas para casa”, atividades que deveriam executar em suas residências ou escolas, como registrar a produção de lixo e enviar relatórios pelo AVA.

Cada tutor acompanhou uma turma com 25 alunos, auxiliando no acesso à plataforma, realização das tarefas, estímulo à participação, mediação em fóruns e correção das atividades ao longo de toda a semana (incluindo fins de semana).

Para cursos curtos e com poucas atividades práticas, este sistema de tutoria poder funcionar bem. Porém há grandes complicações, caso os alunos não sejam alfabetizados quanto ao funcionamento do equipamento de informática.x Este foi um grave problema, no caso dos alunos do curso na UFOP. Neste contexto, ficou clara a importância do tutor no desenvolvimento das atividades do curso pelos alunos: apesar do bom design instrucional, a ação dos tutores foi essencial, como será apresentado a seguir.



3.2 A tutoria, silêncio virtual e a busca pelo contexto das informações disponibilizadas

O curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA versava sobre meio ambiente e sustentabilidade, sendo áreas relacionadas à educação ambientalxi que, devidamente entendida, deve ser constituída por uma prática educacional permanente, geral, que reaja às mudanças produzidas em um mundo em rápida evolução (DIAS, 2001, p. 105). Neste sentido, o acesso à informação pela internet permite que o indivíduo possa aumentar seu conhecimento sobre os problemas socioambientais, sobretudo, porque estes problemas são variáveis quanto à escala (de locais a globais) e apresentam-se de forma dinâmica no tempo e no espaço (LAMIM-GUEDES, 2012).

Deparamo-nos com qual era o papel do tutor à distância neste curso em uma das primeiras atividades, num fórum intitulado: “Vamos socializar nossas pegadas ecológicasxii?”. Era a primeira vez que os alunos iriam realmente interagir uns com os outros e com o tutor no decorrer do curso, e ainda tínhamos o problema do baixo acesso dos alunos a plataforma moodle - que em parte persistiu por toda a extensão do curso. Portanto, o papel do tutor neste momento foi o de estimular os alunos a fazer o cálculo da pegada ecológicaxiii no site do WWF Brasil (WWF, 2010) e socializar seus resultados no fórum. Esta tarefa, que parecia simples, dependia do desempenho do tutor para articular a participação dos alunos, assim como ajudá-los a superar o pequeno domínio das ferramentas disponíveis no AVA.

Além de auxiliar os cursistas a participar do fórum, os tutores ainda tiveram que direcionar o debate, para evitar comentários pouco pragmáticos (que poderiam ser feitos sem a realização da tarefa) e estimular comentários mais diretos e contextualizados sobre a pegada ecológica individual e, sobretudo, uma reflexão sobre os comportamentos que levam as pessoas a terem tal pegada, que constituia o objetivo principal da atividade. Por fim, o debate teria que levar os cursistas a debater mudanças de comportamento para redução do impacto sobre o meio ambiente.

O direcionamento do fórum pode ser feito pelos tutores com comentários a cada postagem e indagações que estimulassem a troca de experiências. O resultado efetivo desta atividade não poderia ser alcançado se o papel do tutor fosse encarado apenas como auxiliar, comum em visões mais tradicionais de cursos EaD.

Durante o curso, um problema recorrente foi o “silêncio virtual”xiv, fator que ameaçava seriamente a sua continuidade e bom andamento. Houve a necessidade de buscar o contato com todos os alunos ausentes pelo AVA, por e-mail e até mesmo por telefone. Boa parte dos cursistas atendeu ao contato e passou a acessar o AVA com mais frequência. A situação melhorou, mas constituía-se num problema, pela necessidade de estar continuamente estimulando os alunos a realizarem as atividades e participar dos fóruns.

Se os fóruns priorizam a troca de informações, os Wikis são ótimos por permitir a colaboração entre cursistas. Assim como nos trabalhos de grupo do ensino presencial, a ideia é fazer com que a produção comum de material, escrito ou em outra mídia, colabore para a construção do conhecimento de forma colaborativa. No design instrucional deste curso, este tipo de atividade fazia muito sentido, pois se configurava como mais uma situação favorável ao debate e à contextualização das informações disponibilizadas.

A heterogeneidade quanto ao domínio dos assuntos tratados e das ferramentas do AVA nas turmas obrigou a um estendimento dos prazos dos módulos. O curso, que tinha previsão de duração de três meses, durou quatro meses na UFOP, bem como na UFMT, “considerando a inclusão de cursistas em outros ritmos de aprendizagem, peculiaridade da educação à distância” (SOUZA; PALMA, 2011). Esta situação foi mais um complicador para os tutores, pois era sua incumbência ajudar os alunos individualmente, para evitar o silêncio virtual, facilitar a interação, tirar dúvidas e corrigir as tarefas, respeitando a individualidade e as barreiras a ser superadas por cada cursista.

A heterogeneidade das turmas não foi uma grande surpresa, dada à diversidade de origens e contextos das pessoas reunidas. Havia turmas com cursistas de Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou de Minas Gerais, Pará e Acre. Por reunidas na mesma turma, queremos dizer fazendo wikis, debatendo em fóruns, conversando por chat e assim por diante, com o tutor mediando estas interações.

4 Considerações finais

Neste texto, apresentaremos o curso de aperfeiçoamento Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA, destacando o design instrucional, aspectos do primeiro oferecimento, com destaque para a atuação de um tutor à distância em seu primeiro oferecimento, dada a importância que esta assumiu no decorrer demonstrando o aspecto chave que se tornou a tutoria em cursos EaD. O êxito de um curso à distância está muito relacionado ao trabalho do tutor, como no curso Processo Formativo em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e COM-VIDA, no qual a participação dos alunos e seu entendimento dos conceitos dependem do estímulo e apoio dado pelo tutor, mas também atrelado à qualidade do material didático e outros aspectos.

Segundo Moulin, Pereira e Trarbach (2010), embora seja oferecido o apoio do tutor e apontadas as vias de comunicação entre tutor e aluno, por vezes, a procura de apoio é opção do aluno, decorrência de uma característica da EaD: o aluno tem a responsabilidade de estabelecer e perseguir seus próprios objetivos de aprendizagem, de administrar seu tempo para pesquisas, leituras, consultas à internet e elaboração de tarefas.

Apesar do papel relevante do tutor aqui apresentado, o sucesso de um curso EaD depende de uma ação planejada e adequada, orquestrada em todos os participantes – tutores, equipe técnica, professores, alunos. Desta forma, o tutor é peça de grande importância, mas não é o único responsável por seu bom resultado.



Notas:

i Em tempo, gostaríamos de destacar que, em um curso EaD, o papel do material didático é de substancial importância para o seu sucesso, uma vez que, diferentemente de um curso presencial, o aluno não terá acesso a aulas com o professor, na qual poderá tirar dúvidas ou ouvir explicações in loco. Assim, a comparação entre tutor e material didático extrapola os limites do utilitário, para apresentar o que seria o núcleo da aprendizagem em EaD.

ii Chat é ambiente criado na rede de computadores para conversas e discussões por grupos virtuais em tempo real. Já um fórum é definido como uma ferramenta de comunicação que permite aos participantes se corresponderem de forma assíncrona, na qual não necessariamente as pessoas estejam conectadas ao AVA no mesmo dia e horário.

iii Design instrucional é definido por Filatro (2008, p. 3) “como a ação intencional e sistemática de ensino que envolve o planejamento, o desenvolvimento e a aplicação de métodos, técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas, a fim de promover, a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos, a aprendizagem humana. Em outras palavras, definimos o design instrucional como o processo (conjunto de atividades) de identificar um problema (uma necessidade) de aprendizagem e desenhar, implementar e avaliar uma solução para este problema”.

iv Definida na Declaração da Conferência Intergovernamental de Tbilisi sobre Educação Ambiental, realizada na Geórgia em 1977, como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, através de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade (SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE SÃO PAULO, 1994, p. 39).

v A “COM-Vida” – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola, tem a função de promover o intercâmbio entre as escolas e a comunidade, com foco nas questões socioambientais que foram indicadas durante o processo de construção do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola.

vi Design instrucional é a fase de concepção do sistema de ensino-aprendizagem e de todos os seus aspectos operacionais, sistemas de avaliação, seleção de métodos e meios instrucionais e projeto de materiais instrucionais a serem adquiridos ou elaborados (ROMISZOWSKI; ROMISZOWSKI, 1998).

vii Segundo Souza, Sato e Palma (2011), só pela Universidade Federal de Mato Grosso, foram 612 cursistas concluintes.

viii Além de todo o material disponibilizado no AVA (usando plataforma Moodle), houve também a disponibilização de material impresso (com layout muito bem trabalhado) e um DVD contendo o material extra (artigos e textos).

ix Eventualmente, o aluno pôde contar com o auxílio de um tutor presencial, pois que havia um polo presencial de referência, mas com um tutor não diretamente vinculado ao curso, mas a algum outro curso da UAB.

x É bastante difundida a ideia de que, atualmente, coexistem duas gerações diferentes, uma de jovens – incluindo crianças – e outra de adultos, que compartilham uma mesma tecnologia informática, móvel e multimodal, contudo, a utilizam e a transformam de maneiras distintas e peculiares. Os primeiros a conhecem (chamados nativos digitais), e a segunda que não os conhece (chamados migrantes digitais) (CASSANY; AYALA, 2008).

xi A Educação Ambiental é entendida como a formação de uma consciência que, sensibilizada com os problemas socioambientais, volta-se para a formação de uma sociedade sustentável, na qual a compreensão da interdependência entre os fenômenos sociais e naturais permite que humanidade e natureza busquem uma forma de vida mais harmônica e compartilhada (WEID, 1997).

xii A pegada ecológica é o cálculo da quantidade de área de terra e água (por exemplo, floresta, solos agrícolas, rios, etc.) que uma população humana requer para produzir os recursos que usa e para assimilar os seus resíduos, utilizando a tecnologia disponível.

xiii Para saber mais sobre o uso pedagógico da pegada ecológica em cursos EaD, acesse: Lamim-Guedes (2015).

xiv Silêncio virtual é o estado de quem se cala. Nos AVA, o silêncio virtual significa aquele integrante do curso que não escreve, que “se cala na escrita”. No entanto, é um aprendiz potencialmente leitor, seu acesso não é nulo, é por vezes frequente. Ele existe e está presente, mas não toma parte ativa, apresentando a sua opinião crítica sobre os debates desenrolados nos AVA. (OKADA; ALMEIDA, 2006, p. 271).


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