ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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11/06/2019AVALIAÇÃO HISTÓRICA DE PROJETOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE RESÍDUOS  
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AVALIAÇÃO HISTÓRICA DE PROJETOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE RESÍDUOS

Márcia Aparecida Andreazzi

ProfDra do Programa de Mestrado em Tecnologias Limpas e do Departamento de Medicina Veterinária/ Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI)

marcia.andreazzi@unicesumar.edu.br

Maria de los Angeles Perez Lizama

ProfDra do Programa de Mestrado em Tecnologias Limpas e do Departamento de Biologia / Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI)

maria.lizama@unicesumar.edu.br

Isabele Picada Emanuelli

ProfDra do Programa de Mestrado em Tecnologias Limpas e do Departamento de Medicina Veterinária / Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI)

isabele.emanuelli@unicesumar.edu.br

Adriano Pereira Cardoso

Tecnólogo em Design de Interiores, Mestrando em Tecnologias Limpas – Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil.

apcardoso_96@hotmail.com

Lucian Pinheiro da Silva

Biólogo, Mestrando em Tecnologias Limpas – Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil.

lucian.pinheiro@raudi.com.br

Edneia Aparecida de Souza Paccola

Profa Dra do Programa de Mestrado em Tecnologias Limpas e do Departamento de Agronomia / Centro Universitário de Maringá – Unicesumar, campus Maringá – PR, Brasil.

Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI)

edneia.paccola@unicesumar.edu.br

RESUMO

Analisou-se projetos de iniciação científica sobre o tema “Resíduos”, executados entre 1998 a 2018 e verificaram-se lacunas e tendências sobre o assunto. Concluiu-se que são necessárias ações que estimulem os projetos sobre este tema, visando contribuir com os 5R´s e com o desenvolvimento sustentável.

Palavras-chaves: 5R´S; desenvolvimento sustentável; evolução científica; gestão de resíduos; meio ambiente.



ABSTRACT

It was analyzed scientific initiation projects related to the theme "Waste", executed between 1998 and 2018 and verified gaps and tendencies on the subject and concluded that actions are necessary to stimulate the projects, aiming to contribute to the effective of the 5R´s and with the sustainable development.

Keywords: 5r´S; environment; scientific evolution; sustainable development; waste management;



  1. Introdução



Os programas de iniciação científica (IC) apoiam, de forma teórica e metodológica, a realização de projetos que contribuem para a formação profissional do aluno (BASTOS et al., 2010) e, de acordo com o CNPq, existem vários programas de IC voltados para os estudantes do ensino superior, como: o Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação Científica (PIBITI), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica nas Ações Afirmativas (PIBIC-Af) e o Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME) (CNPq, 2019). Contudo, além destas categorias, as Instituições de Ensino Superior (IES) podem oferecer outras modalidades, financiadas pelas próprias IES.

Porém, independente da modalidade de programa, participar de projetos de IC traz vantagens como melhor inserção e fixação do discente no curso e na academia, desenvolvimento do pensamento científico, iniciação à pesquisa gerando conhecimento científico e, no caso do PIBIT, gerar produto ou processo de produção, visando a inserção do discente no setor empresarial (CNPq, 2019). Outros benefícios alcançados por um estudante que faz IC incluem a rotina de estudos e a estrutura curricular diferenciada e a capacitação para a melhor expressão oral e escrita, para as habilidades manuais e para a leitura crítica (FAVA DE MORAES; FAVA, 2000). Todas estas vantagens aumentam as chances de ser inserido na pós-graduação, já que estes acadêmicos são submetidos aos processos de seleção após a conclusão do curso, que incluem análise de currículo e projetos de pesquisa e entrevistas, para verificar a capacidade do aluno em realizar pesquisa e desenvolvimento.

Atualmente verifica-se a busca pelo desenvolvimento sustentável no planeta, pautada no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a gestão de resíduos, portanto, pesquisas de IC desenvolvidas nestas áreas são importantes.

No âmbito mundial, destacam-se as ações dos ODS, que foram definidos pelas Nações Unidas, em 2015, e totalizam 17 objetivos e 169 metas a serem atingidas até 2030, que envolvem amplas e variadas ações que incluem acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar para todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas (UNESCO, 2019). Com relação aos resíduos, o Objetivo 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, aponta como 6ª meta, reduzir o impacto ambiental negativo nas cidades, com especial atenção à gestão de resíduos municipais, até 2030. Em adição, o Objetivo 12 visa assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, também apresenta como meta (4ª meta) até 2020, alcançar o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e dos resíduos, ao longo de todo o ciclo de vida destes, e reduzir a liberação para o ar, água e solo, para minimizar seus impactos negativos sobre a saúde humana e o meio ambiente e também elenca na 5ª meta até 2030, reduzir a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso (UNESCO, 2019).

Em âmbito nacional, a Lei No 12.305, de 2 de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e os instrumentos econômicos aplicáveis (BRASIL, 2010).

Desta forma, ressalta-se que investigações sobre os diferentes aspectos relacionados aos resíduos são essenciais para o desenvolvimento sustentável, o qual é baseado no crescimento econômico, proteção ao meio ambiente e igualdade social, de modo a atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas necessidades (BRUNDTLAND, 1987).

Pesquisas têm analisado a IC em diversos campos do conhecimento (BASTOS et al., 2010; GONCALVES et al., 2014; ZAMPIERI et al., 2018), contudo, estudos que relacionem os projetos de IC com um tema específico, como é o caso dos “resíduos”, são escassos na literatura. Portanto, apoiados na importância e na atualidade das questões relacionadas aos resíduos, o presente estudo teve como objetivo analisar a evolução, em uma série histórica de 20 anos, dos projetos de IC relacionados a este tema, em uma IES privada brasileira.



  1. Metodologia



Este estudo transversal quantitativo de caráter retrospectivo sobre a evolução dos projetos de IC referentes ao tema “Resíduos” foi realizado em março de 2019, seguindo um protocolo de busca, análise e seleção nos títulos de 4.317 projetos de IC cadastrados na base de dados da Diretoria de Pesquisa de uma Instituição de Ensino Superior, localizada em Maringá/ Paraná, incluindo uma série histórica de 20 anos, entre os anos de 1998 a 2018.

Do total de 4.317 projetos avaliados, somente 83 apresentaram aderência ao tema e foram selecionados e incluídos na pesquisa. Após a seleção, foram coletados os dados de: (a) ano de execução do projeto - para análise da evolução histórica; (b) categoria do programa de IC e agência de fomento: PIBIC - Programa de Bolsa de Iniciação Científica, podendo ser financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação Araucária (FA) ou Fundação Nacional de Desenvolvimento de Ensino Superior Particular (FUNADESP), com bolsa mensal, por 12 meses, ao aluno de IC; o PIBIT-Programa de Bolsa de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação Científica, podendo ser financiado pelo CNPq ou pela Instituição, com bolsa mensal, por 12 meses, ao aluno de IC; o PROBIC - Programa de Bolsa Institucional de Iniciação Científica, que concede bolsa mensal, por 12 meses, ao aluno de IC; o PPIC - Programa Prêmio Institucional de Iniciação Científica, com bolsa prêmio mensal, por 12 meses, para o aluno de IC e o PIC - Programa de Iniciação Científica, sem distribuição de bolsa para o aluno de IC; (c) Grandes áreas do CNPq que o projeto pertence: agrárias, biológicas, engenharias, humanas, saúde e sociais aplicadas e (d) curso de graduação ao qual o projeto estava vinculado.

Os dados foram tabulados, organizados em planilhas eletrônicas e avaliados por meio de estatística descritiva.



  1. Resultados e discussão



Este estudo revelou uma diminuta quantidade de projetos desenvolvidos na IES, desde a implantação do Programa de Iniciação Científica em 1998, que discutiram sobre o tema “Resíduos”, somente 1,92% (83/4317). Essa reduzida quantidade de projetos é crítica, em função da importância e da vasta abrangência da temática.

Evidenciando esta importância e abrangência, reportam-se os ODS, principalmente o ODS 11 e 12, que elencam em suas metas as preocupações com a redução do impacto ambiental negativo nas cidades, com especial atenção à gestão de resíduos municipais, assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, alcançar o manejo ambientalmente saudável dos resíduos e reduzir a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso (UNESCO, 2019).

No Brasil, esta preocupação é explícita na Lei nº 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que contém instrumentos importantes para permitir o avanço do Brasil no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. A PNRS prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, enfatizando hábitos de consumo sustentável e instrumentos que propiciem o aumento da reciclagem e da reutilização e a destinação ambientalmente adequada. A PNRS também discorre sobre a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, cria metas para a eliminação dos lixões, institui instrumentos de planejamento e aponta a necessidade da inclusão dos catadores (BRASIL, 2010).

Com relação à evolução histórica (Figura 1), o estudo permitiu identificar o número de projetos científicos de acordo com o triênio de execução, no período compreendido entre os anos de 1998 a 2018, evidenciando que o primeiro projeto relacionado ao tema “Resíduos” foi desenvolvido em 2001, mas somente a partir de 2007 apresentou um comportamento crescente, o qual ficou mais evidente após 2013 (Figura 1), mostrando que 78,32% (65/83) dos projetos foram desenvolvidos nos últimos 6 anos.

Figura 1: Porcentagem (%) de projetos de iniciação científica referentes ao tema “Resíduos”, executados em uma IES privada entre os anos de 1998 e 2018.

Fonte: elaborado pelos autores



Considera-se que este aumento na quantidade de projetos neste período possa estar relacionado ao início das atividades na IES em estudo, dos cursos de graduação em Engenharia Civil (2008), Engenharia Ambiental e Sanitária (2010) e bacharelado em Ciências Biológicas (2011), que apresentam forte relação com o tema “Resíduos”. Contudo, a IES também iniciou um Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu na área de Ciências Ambientais (2014), o qual apresenta linhas e projetos aderentes ao tema “Resíduos” e, desta forma, também pode ter contribuído com este resultado. Além disso, deve-se considerar que a IES é signatária dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, portanto, estimula ações e projetos aderentes aos ODS (UNESCO, 2018).

Com relação à categoria de programa de iniciação científica (Figura 2), observou-se que a maioria (55,5%; 46/83) dos projetos desenvolvidos foi do tipo PIC, ou seja, sem auxílio financeiro, seguidos de projetos com auxílio institucional - PROBIC (25,3%; 21/83).

Figura 2: Porcentagem (%) de projetos de iniciação científica referentes ao tema “Resíduos”, executados em uma IES privada entre os anos de 1998 e 2018, de acordo com a categoria.

Fonte: elaborado pelos autores.



A classificação das grandes áreas do conhecimento, baseada no CNPq, é uma ferramenta que proporciona às instituições de ensino, pesquisa e inovação uma maneira rápida e funcional de sistematizar e prestar informações sobre os projetos de pesquisa (CAPES, 2019). De fato, o emprego desta classificação neste estudo, permitiu observar que 39,77% (33/83) dos projetos executados foram desenvolvidos por alunos da área de Engenharias, seguidos de 36,14% (30/83) da área de Agrárias (Figura 3).

A fim de se obter informações mais detalhadas, os dados foram investigados de acordo com os cursos de graduação envolvidos com o desenvolvimento dos projetos e, verificou-se que, o curso de graduação em Agronomia se destacou com a maior porcentagem de projetos (27,7%; 23/83), seguido do curso de Engenharia Civil (23%; 19/83) (Figura 4). Os principais projetos executados pelo curso de Agronomia versaram,

Figura 3: Porcentagem (%) de projetos de iniciação científica referentes ao tema “Resíduos”, executados em uma IES privada, entre os anos de 1998 e 2018, de acordo com as grandes áreas do CNPq.

Fonte: elaborado pelos autores.



Figura 4: Porcentagem (%) de projetos de iniciação científica referentes ao tema “Resíduos”, executados em uma IES privada, entre os anos de 1998 e 2018, de acordo com os cursos de graduação.

Fonte: elaborado pelos autores.

principalmente, sobre o uso de diferentes resíduos da agroindústria na produção de alface, cenoura, eucalipto, girassol, milho, soja e trigo. Já os projetos conduzidos no curso de Engenharia Civil envolveram objetivos como a gestão, gerenciamento e reaproveitamento de resíduos da construção civil e de demolição, bem como a incorporação de diferentes resíduos em concreto, malha asfáltica e placas cimentícias.

Estes dados mostram a semelhança entre estes cursos de graduação no que tange ao tema “Resíduos”, pois, de modo geral, estes dois cursos contemplam em seu projeto pedagógico tópicos relacionados a reciclagem de resíduos. Desta forma, pondera-se que este estudo revelou lacunas nos projetos executados com relação às ações de redução ou reutilização de resíduos. Segundo o MMA (MMA, 2019), que descreve o princípio dos 5R's, reduzir significa consumir menos produtos e preferir aqueles que ofereçam menor potencial de geração de resíduos e tenham maior durabilidade; reutilizar é, por exemplo, usar novamente as embalagens; e reciclar envolve a transformação dos materiais para a produção de matéria-prima para outros produtos por meio de processos industriais ou artesanais, ou seja, é fabricar um produto a partir de um material usado, fato explicitado nesta pesquisa.

De fato, estudos e discussões sobre a gestão de resíduos sólidos, sobretudo relacionados à redução, tem se destacado na atualidade (DEUS et al., 2015) e tem promovido mudanças econômicas e sociais, que constituem a “Revolução da Redução de Resíduos” (WORRELL; VESILIND, 2011), e pressionaram a criação e a alteração em leis, nacionais e internacionais, que enfatizam a prática da não geração e redução de resíduos (EUROPEAN PARLIAMENT, 2008; BRASIL, 2010).

Um estudo recente que avaliou o PIBIC, destacou alguns benefícios para os alunos que participam do programa, como concluir a graduação mais jovem, alcançar maior remuneração, maior chance de cursar mestrado e doutorado, ter contato com língua estrangeira além da maior participação em eventos científicos (CGEE, 2017). O CNPq afirma que a participação dos alunos em projetos de IC, independente da modalidade, resulta em maior envolvimento do aluno no curso e na academia, desenvolve o conhecimento e o pensamento científico (CNPq, 2019). Além disso, Fava de Moraes e Fava (2000) apontaram como benefícios alcançados por estes alunos a estrutura curricular diferenciada e a melhor capacitação para a expressão oral e escrita, leitura e habilidades manuais.

Estes benefícios são complementados por Andrade (2019) investigou as vantagens em fazer IC para os alunos que almejam ingressar na pós-graduação e afirmou que a IC é uma fase preparatória essencial, por meio da qual os estudantes aprendem a estruturar e desenvolver uma pesquisa científica, contribuindo para que os estudantes adquiram experiência em pesquisa e em técnicas, conheçam os laboratórios e interajam com outros pesquisadores. O autor afirmou que esse aprendizado pode ser um diferencial no processo seletivo da pós-graduação além do que, estudantes com experiência de pesquisa, trabalhos publicados e participação em eventos científicos têm mais chance de conseguir financiamento para seus projetos.

De fato, a participação dos estudantes de graduação em projetos de IC contribui para o desenvolvimento de várias competências e habilidades (MENEZES et al., 2013). Segundo Andrade (2019), muitas habilidades e competências desenvolvidas na IC, como pensamento crítico, capacidade de liderança e de trabalhar em equipe, de analisar e solucionar problemas complexos, de gerenciar projetos e o tempo são valorizadas tanto no meio acadêmico como no mercado de trabalho não acadêmico (ANDRADE, 2019).

Contudo, considerando a importância atual e pertinente com o desenvolvimento sustentável, sobretudo no que tange as questões relacionadas aos resíduos, ressalta-se que, para que os programas de IC tenham sucesso em todos os aspectos, o ideal é que os estudos possibilitem além das vantagens aos alunos envolvidos, o envolvimento de temáticas atuais como é o caso dos resíduos, fato não observado neste estudo, em função do reduzido número de projetos desenvolvidos sobre este assunto, ao longo de 20 anos.

A gestão dos resíduos é variada e abrangente e as preocupações com a coleta, o tratamento e a destinação representam uma boa parte da problemática ambiental atual. Neste contexto, emerge a política dos 5R's, que prioriza a redução do consumo e o reaproveitamento dos materiais em relação à sua própria reciclagem, envolvendo: reduzir, repensar, reaproveitar, reciclar e recusar consumir produtos que gerem impactos socioambientais significativos (MMA, 2019). Os 5R's constituem um processo educativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos nos cidadãos e trazem como vantagens a redução na extração de recursos naturais, redução dos resíduos nos aterros e o aumento da sua vida útil, redução dos gastos do poder público com o tratamento do lixo e redução do uso de energia nas indústrias além de intensificar a economia local (MMA, 2019).



  1. Conclusões



A análise da evolução histórica de 20 anos do programa de iniciação científica na IES avaliada evidenciou uma quantidade reduzida de projetos relacionados ao tema “Resíduos” (1,92%). Porém, o número de projetos mostrou um comportamento crescente, sobretudo a partir de 2015, totalizando 78% dos projetos neste período. A maioria dos projetos foi do tipo PIC (55%), executados por alunos dos cursos das engenharias e agronomia (75,87%) e envolveram estudos sobre reciclagem de resíduos.

A pesquisa permitiu observar lacunas no processo de IC no que tange a temática “Resíduos”, um assunto tão amplo e atual, pois além do reduzido número de projetos elencados no período avaliado, verificou-se a ausência de projetos relacionados à redução ou reutilização de resíduos.

Sugere-se a elaboração de ações institucionais que estimulem a execução de mais projetos de IC sobre o tema, buscando propiciar aos alunos de IC a formação científica e cidadã, apoiadas em pesquisas que contribuam com a efetivação dos 5R´s e com o desenvolvimento sustentável.

Referências

ANDRADE, R.O. Formação. Preparação para o futuro. Investir na iniciação científica durante a graduação pode ajudar estudantes a decidir sobre ingresso na pós. Pesquisa FAPESP. n. 277, p.96-97, 2019.

BASTOS, F.; MARTINS, F.; ALVES, M.; TERRA, M.; LEMOS, C.S. A importância da Iniciação Científica para os alunos de graduação em Biomedicina. Revista Eletrônica Novo Enfoque, v. 11, n.11, p.61-66, 2010.

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CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO – CNPq. Disponível em <http://www.cnpq.br/web/guest/pibic/> acesso em: 11 mar. 2019.

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DEUS, R. M.; BATTISTELLE, R. A. G.; SILVA, G. H. R. Resíduos sólidos no Brasil: contexto, lacunas e tendências. Engenharia Sanitária e Ambiental, v.20,n.4, p.685-698, 2015.

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FAVA DE MORAES, F.; FAVA, M.. A iniciação científica: algumas vantagens e alguns riscos. São Paulo em Perspectiva. v.14, n.1, p.73-77, 2000.

GONCALVES, E.; SANTOS, M. I. P.; MAIA, B. T.; BRANDÃO, R. C. S., OLIVEIRA, E. A.; MARTELLI JÚNIOR, H. Produção científica dos pesquisadores da área de pediatria no CNPq. Revista Brasileira de Educação Médica. v.38, n.3, p.349-355, 2014.

MENEZES, J.R.; CARPES, P.B.M.; GONÇALVES, R.; VIEIRA, A.S.; BARROS, W.M.; VARGAS, L. A Importância da Iniciação Científica para o aluno de Graduação. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão. v.5, n.1, 2013.

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ZAMPIERI, V.H.; SANTIN, J.C.; SOUSA, K.M.C.; LOPES, H.S.S.; SANCHES, S.; SILVA, H.N.; ISHIKAWA, A.A.; ALMEIDA, A.P.F.; PONTES, F.M.; CAVALIN, R. Contribuições da iniciação científica no aprendizado e desenvolvimento dos estudantes no ensino superior. Revista de Ciências Sociais do Norte de Mato Grosso. v.7, v.1, 2018.





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