ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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No. 68 - 11/06/2019
BUSCA ATIVA DE CASOS DE ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA EM ÁREAS COM CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRANSMISSÃO  
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BUSCA ATIVA DE CASOS DE ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA EM ÁREAS COM CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRANSMISSÃO



Sérgio Alexandre Oliveira Malcher1, Sônia Claudia Almeida Pinto2, Cilanna Nascimento Moraes3, Andrea Malta do Nascimento de Moraes4, Marcelo Coelho Simões5, Nelson Gonçalves Veiga6, Alba Lucia Ribeiro Raithy Pereira7, Cléa Nazaré Carneiro Bichara8



1Departamento de Saúde Comunitária da UEPA, Belém, PA. E-mail: sergiomalcher@hotmail.com

2Fundação Pública Estadual Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Gerência de Ensino e Pesquisa, Belém, PA. E-mail: salmeidapinto@bol.com.br

3Universidade Estadual do Pará, Mestrado em Ciências Ambientais, Belém, PA. E-mail: cilannanm@yahoo.com.br

4Universidade Estadual do Pará, Mestrado em Biologia Parasitária, Belém, PA. E-mail: andreamaltamoraes@gmail.com

5Mestrando em Ciencias Ambientais, Universidade do Estado do Pará. E-mail: Marcelo.uepa14@gmail.com

6Doutor em Ciências da Informatica, Universidade de Brasília. Pesquisador colaborador da Arouca/FIOCRUZ. E-mail: nelsoncg2009@gmail.com

7Doutoranda em Biologia Parasitária da Amazônia, Universidade do Estado do Pará, UEPA, Brasil. E-mail: albaraithy@hotmail.com

8Doutora em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários. Fundação Pública Estadual Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Gerência de Ensino e Pesquisa, Belém, PA. E-mail: cleabichara@ig.com.br



RESUMO: A esquistossomose mansônica tem dispersão em vários continentes e constitui sério problema de saúde pública em países em desenvolvimento, como o Brasil. No norte do Brasil, em Belém-PA, em 6 dos 8 distritos há transmissão da esquitossome mansônica, com possibilidade de atingir outras áreas, como o Distrito de Mosqueiro, em seus principais bairros. Com a proposta de monitorar a situação desta endemia nas áreas citadas, buscou-se estimar a sua prevalência no bairro do Maracajá. Foi realizado um estudo transversal prospectivo por inquérito coproscópico pelo método de Kato-Katz, associado a inquérito sócio-demográfico e ambiental da localidade. O perfil sócio-demográfico populacional mostrou predomínio da faixa etária entre 11 e 40 anos, ocupação de domestica e estudante, com ensino fundamental incompleto, nascidos e procedentes em Mosqueiro, residentes no bairro do Maracajá há mais de 20 anos. As coleções hídricas peridomiciliares eram formadas por valas de baixo fluxo, com pequena vazão de água, alta concentração de produtos orgânicos, presença de vegetação macrófitica e do vetor Biomphalaria straminea. A população não tem contato com as coleções hídricas e desconhece o planorbideo vetor e a doença esquistossomose. O inquérito coproscópico resultou em 100% de lâminas negativas quanto à identificação de ovos do S. mansoni. O bairro do Maracajá possui vários fatores para a instalação de focos de transmissão ativa de Esquistossomose mansônica. Embora ainda seja indene como observado neste inquérito, as avliações mostraram um frágil equilíbrio ecológico, sustentado pela reduzida exposição dos indivíduos às coleções hídricas e pouco deslocamento da população para áreas com focos estabelecidos da endemia.

Palavras-chaves: Vulnarabilidade social. Inquérito epidemiológico. Distrito Administrativo de Mosqueiro.



ACTIVE SEARCH FOR SCHISTOSOMIASIS MANSONI’S CASES IN AREAS WITH TRANSMISSION ENVIRONMENTAL CONDITIONS



Abstract: Schistosomiasis mansoni has in several continents and represents a serious health problem in developing countries like Brazil. In the North of Brazil, Belém city Pará state, there is transmission of Schistosomiasis mansoni in 6 of 8 districts and it can possibly reach other áreas like Mosqueiro District in its main neighborhood. In order to monitor the situation of this disease in previously mentioned areas to estimate its prevalence in Maracajá neighborhood. A prospective cross-sectional study was done by stool examination by Kato-Katz method and it was also associated to an environmental and socio-demographic survey of the district. The populational socio-demographic profile showed predominance among 11 to 40 age group, maid and student occupation, incomplete elementary school, people who were born in Mosqueiro, people living in Maracajá district for more than 20 years. The domestic hydric collection was formed by low flow ditches with little water flow, high concentration of organic products, presence of macrophytes and Biomphalaria straminea vecto. The population does not get in touch with hydric collection and does not know about planorbidae vector and schistosomiasis disease. The stool examination survey resulted in 100% of negative slides with respect to the identification of S. mansoni eggs. Maracajá district has several factors for the installing of active transmission, though it is still harmless due to fragile ecological balance, sustained by the reduced exposition of individuals to hydric collections, little displacement of the population to areas with established focus of the disease and reasonable cover of sanitary sewage.



Keywords: Social vulnerability. Epidemiological survey. Administrative district of Mosqueiro.





INTRODUÇÃO



A esquistossomose mansônica é considerada uma das doenças parasitárias mais difundidas no mundo e de maior prevalência entre aquelas veiculadas pela água nos países em desenvolvimento (LOUREIRO, 1989). É causada por um parasita trematodea, Schistosoma mansoni, que possui como hospedeiro definitivo o ser humano e como hospedeiro intermediário um caramujo de água doce do gênero Biomphalaria (NOMURA et al. 2017).

Esta endemia chegou ao país na era do Brasil colônia com o tráfico de escravos. Entretanto, sua magnitude só pode ser dimencionada com a realização do primeiro inquérito coproscópico realizado entre 1947 a 1952, pelos sanitaristas Pelon e Teixeira, ambos da Divisão de Organização Sanitária do Ministério da Educação e Saúde. A partir deste inquérito foi feito o mapeamento da doença no país, e criou-se em 1975 a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) e o Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE) (BRASIL, 2014).

Há estimativas de que aproximadamente seis milhões de brasileiros estão infectados, distribuídos em 19 estados da federação (BARBOSA et al., 2000).

Ainda há registros de importante morbidade da esquistossomose mansônica no Brasil, o que exige adoção de novas estratégias epidemiológicas para o seu controle. O tratamento estatístico dos dados sem a inclusão de uma análise social, demográfica e ecológica, suprime informações que poderiam ser cruciais para a compreensão da dispersão dessa doença em determinada área geográfica (SANTOS et al. 2016).

O padrão de distribuição espacial da doença indica que a dinâmica de transmissão do S. mansoni depende da relação entre as pessoas e o ambiente (PEIXOTO e MACHADO, 2005). Assim, a forma de ocupação humana dos espaços urbanos nas periferias das grandes cidades, associado à vulnerabilidade social, incluindo desemprego, exclusão educacional, pobreza, condições inadequadas de saneamento e moradia, causam considerável impacto na disseminação da esquistossomose e de várias outras doenças emergentes e re-emergentes no país (ANARUMA e SANTOS, 2007).

A migração decorrente do comércio da borracha por homens infectados pelo S. mansoni estabeleceu os primeiros focos da doença na Amazônia, como em Belém do Pará, que é cercada pelos rios Pará e Guamá, os quais formam bacias distribuídas em canais, igarapés e pequenos lagos que ao cruzarem a cidade, geram condições ambientais favoráveis a proliferação e sobrevivênvia do vetor Biomphalaria e consequentemente, viabilizam o surgimento de focos de transmissão ativa da doença (BICHARA et al., 2013).

O Município de Belém possui área aproximada de 21.254,67 hectares dividida em 71 bairros, os quais se subdividem em oito distritos, com presença do planobírdeo vetor e transmissão ativa da doença em pelo menos 35 destes. Os bairros do Telégrafo; Sacramenta; Pedreira; Terra Firme e Guamá são os que mais apresentaram registro de casos da doença. Até o momento, apenas o Distrito Administrativo de Outeiro (DAOT) e Distrito Administrativo da Ilha de Mosqueiro (DAMOS) não apresentaram transmissão ativa para este agravo (BARBOSA et al., 2014).

Entretanto, a proximidade geográfica e identidade ambiental entre Belém e o DAMOS, sinaliza para a possibilidade da expansão de ocorrência de casos autoctones da esquistossomose mansônica neste distrito, uma vez que o DAMOS nos últimos anos tem apresentado uma expansão desordenada em seu território, com aumento do número de pessoas habitando beiras de córregos e igarapés, lançando seus dejetos diretamente a céu aberto (FURTADO, 2009).

A somatória destes fatores proporciona condições ideais para o estabelecimento de focos de transmissão ativa da doença no DAMOS, bastando apenas a presença de indivíduos eliminando ovos de S. mansoni e planorbideos vetores infectados eliminando cercárias, estes últimos já foram identificados na área, mas sem a certeza do processo infeccioso (LEAL Neto et al., 2013).

Diante do exposto, o objetivo do estudo foi investigar a presença de portadores de S. mansoni através de inquérito coproscópico no bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro, Belém-Pará, o qual trará respostas da atual situação local sobre a possibilidade de autoctonia de esquistossomose em mais um distrito de Belém-PA.



MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo



O Distrito de Mosqueiro (DAMOS) localizado a 01º 15' 19.16'' Sul de latitude Sul e 48º 27' 16.32'' de longitude Oeste de Greenwich, situado no norte do Brasil, possui 17 km de praias de água doce e tem uma população composta por 27.896 habitantes equivalendo a 2,2% da população de Belém (BRASIL, 2018).

A topografia do DAMOS corresponde aos níveis de tabuleiros, terraços e várzeas, ocorrendo inundações periódicas dos cursos d’água, rios, furos e igarapés. Além da área urbana onde há edificações e ruas pavimentadas com infraestrutura de saneamento, existem localidades povoadas em áreas não planejadas caracterizando ocupações desordenadas (FURTADO e SILVA JUNIOR, 2009), onde estão dsitribuidos 11 bairros, entre os quais o bairro do Maracajá o qual corresponde à área de abrangência deste estudo. Este está localizado na costa sudoeste com 1.437 residências circundadas por coleções hídricas do tipo vala, onde já foi registrada a presença do Biomphalaria straminea, habitado por 7.220 habitantes que corresponde a 9,6 % da população da ilha. Este bairro representa a maior área ocupada no DAMOS pela população nativa, guardando semelhanças quanto às características urbanas e ambientais com bairros de Belém, com presença de foco ativo de esquistossomose mansônica.



Tipo de estudo

Foi realizado um estudo de corte transversal prospectivo, por meio de inquérito coprológico (Kato-Katz), sociodemográfico e ambiental, a fim de estimar a prevalência da esquistossomose no bairo do Maracajá, DAMOS, Belém-PA.

Amostra

A amostra foi constituída por 400 indivíduos, pertencentes a núcleos familiares domiciliadas na área. O bairro foi subdividido em quatro quadrantes onde foram selecionadas um mínimo de 100 indivíduos em cada quadrante. Como critério de inclusão das residências, foi utilizado o cadastro da cobertura da Estratégia Saúde da Família, o qual abrange todo o bairro. Foram excluídos os que se recusaram a participar e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Coleta de dados e instrumento

Os dados foram obtidos em quatro etapas:

  1. Visita técnica a área para o reconhecimento do local, contato e orientação junto à comunidade, e organização das estratégias para as entrevistas com as famílias selecionadas.

  2. Visita domiciliar para entrevista com os indivíduos que aceitaram participar do estudo, momento em que foi preenchido a ficha protocolar contendo dados sóciodemográficos e ambientais.

  3. Inquérito coprológico realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, realizando coleta de uma amostra de fezes por individuo entrevistado, obtida em dias subsequentes ao dia das entrevistas durante a visita domiciliar.

  4. Avaliação clínica dos indivíduos que apresentassem exame coprológico com resultado positivo para S. mansoni, com a devida classificação da forma clínica adotada pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e seu efetivo tratamento recomendado (1975).

Técnica do exame coprológico

A pesquisa envolveu três instituições: Núcleo de Medicina Tropical/Universidade Federal do Pará, Instituto Evandro Chagas/Secretaria de Vigilancia Sanitária/MS e Secretaria Municipal de Saúde de Belém.

O exame coproscópico foi realizado, a partir de vistas domiciliares com coleta de material biológico em coletor plástico identificado dos moradores previamente entrevistados. De cada amostra fecal obtida, foram processadas três lâminas para análise, de acordo com o método quantitativo de Kato-Katz (MORAES et al. 2014).

Na presença de indivíduos eliminando ovos de S. mansoni, o grupo seria dividido em três categorias, de acordo com a contagem de ovos nas fezes: 1-199 opg (carga parasitária leve), 200 a 399 opg (carga parasitária moderada), acima de 399 opg (carga parasitária intensa) (BRASIL, 2016).

Análise dos dados

Como um estudo descritivo, os dados foram armazenados em planilhas eletrônicas a partir do software Microsoft Excel® 2005, e apresentados em tabelas para o agrupamento dos dados obtidos.

Aspectos éticos

A pesquisa obedeceu todos os preceitos éticos recomendados pela (Resolução CNS Nº 466/12), do Conselho Nacional de Saúde. O termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi explicado de forma verbal a cada paciente e aplicado antes da coleta de dados.



RESULTADOS

Os resultados compreendem dados obtidos a partir de 407 moradores que aderiram à pesquisa. Destes, a maioria está na faixa entre 11 e 40 anos, sem diferenças quanto ao gênero (55,5% do sexo feminino e 44,5% do sexo masculino), predominando a ocupação de dona de casa e estudante, com ensino fundamental incompleto (Tabela1).

Tabela 1 Distribuição dos moradores do bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro, em Belém-PA, assistidos pela Estratégia Saúde da Família, quanto ao gênero, faixa etária, ocupação e escolaridade, no período de março de 2011 a janeiro de 2012.

Gênero

Masculino

Feminino Total


n (%)

n (%) n (%)

Faixa etária (Anos)

 

 

<10

27 (6,63)

31 (7,61) 58 (14,24)

11/20

33 (8,10)

43 (10,56) 76 (18,66)

21-30

39 (9,58)

47 (11,54) 86 (21,12)

31-40

38 (9,33)

39 (9,58) 77 (18,91)

41-50

15 (3,68)

22 (5,40) 37 (9,08)

51-60

14 (3,43)

19 (4,66) 33 (8,34)

> 60

15 (3,68)

25 (6,14) 40 (9,82)

Total

181 (44,5)

226 (55,5) 407 (100)

Ocupação

 

 

Dona de casa

1 (0,24)

79 (19,41) 80 (19,65)

Estudante

63 (15,47)

75 (18,42) 138 (33,89)

Aposentado

17 (4,07)

9 (2,21) 26 (6,28)

Pedreiro

11 (2,70)

0 11 (2,70)

Autônomo

30 (7,37)

32 (7,86) 62 (15,23)

Pescador

11 (2,70)

0 11 (2,70)

Comerciante/Vendedor

7 (1,71)

9 (2,21) 16 (3,92)

Outros

34 (8,35)

29 (71,25) 63 (79,60)

Total

174(42,75)

233(57,25) 407 (100)

Escolaridade

 

 

Analfabeto/ Não estuda

16 (3,93)

10 (2,45) 26 (6,38)

EFI

56 (13,75)

87 (21,37) 143 (35,12)

EFC

29 (7,12)

35 (8,59) 64 (15,71)

EMI

49 (12,03)

42 (10,31) 91 (22,34)

EMC

25 (6,14)

39 (9,58) 64 (15,72)

ESI

4 (0,98)

3 (0,73) 7 (1,71)

ESC

5 (1,22)

7 (1,71) 12 (2,93)

Total

184 (45,20)

223 (54,74) 407 (100)

Fonte: Protocolo de pesquisa.

*EFI (Ensino Fundamental Incompleto); EFC (Ensino Fundamental Completo); EMI (Ensino Médio Incompleto); EMC (Ensino Médico Completo); ESI (Ensino Superio Incompleto); ESC (Ensino Superior Completo).



Predominaram indivíduos que nasceram (73,21%) e procederam (71,49%) do DAMOS, que residem no bairro do Maracajá há mais de 20 anos, sem relatos importantes de deslocamentos para outras localidades (Tabela 2).

Tabela 2 Distribuição dos moradores do bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro, Belém-PA, assistidos pela Estratégia Saúde da Família, quanto à naturalidade, procedência, tempo de residência e deslocamentos, no período de março de 2011 a janeiro de 2012.

Localidade

Naturalidade

Procedência

 

n (%)

n (%)

Belém (Capital)

69 (16,95)

93 (22,85)

Belém (Mosqueiro)

298(73,21)

291 (71,49)

Belém (Região Metropolitana)

5 (1,22)

6 (1,47)

Interior do Estado do Pará

27 (6,63)

12 (2,94)

Região Nordeste do país

7 (1,71)

5 (1,22)

Outras Regiões

1 (0,24)

0

Total

407 (100)

407 (100)

Tempo de residência no bairro do Maracajá em anos

Deslocamentos

Sim

Não Total

n (%)

n (%) n (%)

< 1

9 (2,21)

19 (4,66) 28 (6,87)

1-5

3 (0,73)

72 (17,69) 75 (18,42)

6-10

2 (0,49)

60 (14,74) 62 (15,23)

11-20

2 (0,49)

78 (19,16) 80 (19,65)

> 20

1 (0,24)

161 (39,55) 162 (39,79)

Total

17 (4,17)

390 (95,82) 407 (100)

Fonte: Protocolo de pesquisa

Das residências selecionadas 82,80% possuem serviço de água encanada, com banheiro interno (98,77%) e cujo destino das fezes em 90,41% foi para fossa séptica (Tabela 3).

Tabela 3 Condições sanitárias nas residências dos moradores do bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro, Belém-PA, assistidos pela Estratégia Saúde da Família, no período de março de 2011 a janeiro de 2012.

Condições sanitárias

n (%)

Tipo de Abastecimento de água


Encanada

337 (82,80)

Poço

70 (17,19)

Total

407 (100)

Banheiro


Interno

402 (98,77)

Externo

5 (1,22)

Total

407 (100)

Sanitário


Presente

407 (100)

Total

407 (100)

Destino das fezes


Esgoto

10 (2,45)

Fossa séptica

368 (90,41)

Céu aberto

29 (7,12)

Total

407 (100)

Fonte: Protocolo de pesquisa

As coleções hídricas do peridomicílio que predominaram em todo o bairro do Maracajá foram às valas que se caracterizam pelo baixo fluxo e pequena vazão da água, grande concentração de produtos orgânicos, presença de vegetação macrofitica e pontos de recepção de dejetos advindos dos domicílios, através de tubulações a céu aberto, com registros da presença do Biomphalaria.

A maioria dos moradores do bairro do Maracajá informou não ter qualquer tipo de contato com coleções hidrícas (85,50%) e quando exposta a este contato, relaciona-se, sobretudo às questões de moradia, desconhem a doença esquistossomose mansônica (79,60%) e o caramujo vetor da mesma (98,77%) (Tabela 4).

Tabela 4 Distribuição dos moradores do bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro, Belém-PA, assistidos pela Estratégia Saúde da Família, quanto ao comportamento de risco para transmissão da esquistossomose mansônica, no período de março de 2011 a janeiro de 2012.

Comportamento de Risco

 

Sim

Não

Total

 

 

n (%)

n (%)

n (%)

Contato com coleções hídricas


59 (14,49)

348 (85,50)

407 (100)






Frequência do contato com a coleção hídrica

 

 

 

 

Diário


15 (3,68)



Semanal


13 (3,19)



Quinzenal


13 (3,19)



Mensal ou mais


18 (4,42)







Motivo do contato com as coleções hídricas

 

 

 

 

Moradia


20 (4,91)



Trabalho


11 (2,70)



Lazer


14 (3,43)



Eventual


14 (3,43)








Conhecimento sobre a esquistossomose


82 (20,14)

325 (79,60)

407 (100)






Conhecimento sobre o caramujo vetor


5 (1,22)

402 (98,77)

407 (100)

 

 

 

 

 

Fonte: Protocolo de pesquisa

O exame coproscópico realizado nos 407 indivíduos selecionados resultaram em 100% das lâminas negativas para a presença de ovos do S. mansoni.



DISCUSSÃO



A prevalência da esquistossomose mansonica no bairro do Maracajá, Distrito de Mosqueiro em Belém-PA obteve taxa zero de acordo com dados obtidos através de inquérito coproscópico, que revelou 100% de negatividade para ovos de S. mansoni pelo método de Kato-Katz. Este foi o primeiro inquérito coproscópico para o diagnóstico da esquistossomose realizado no DAMOS, o qual até o presente momento é considerado indene para tal agravo.

Outros estudos mostraram que nesta ilha concentram-se todas as condições necessárias para o estabelecimento da transmissão ativa da esquistossomose mansonica: presença do planorbídeo vetor que encontrou condições ideais de sobrevivência em coleções hídricas peridomiciliares de pequeno e médio porte, com baixa vazão e profundidade; intensificação do processo migratório por moradores das áreas de foco de esquistossomose de Belém e de diversos estados do nordeste; ocupação desordenada de áreas periféricas com ausência ou deficit de esgotamento sanitário, além de áreas de assentamentos de migrantes (BICHARA et al., 2011).

Segundo Massara et al. (2008) os surtos de esquistossomose mansônica aguda em regiões turísticas em todo país estão cada vez mais freqüentes em decorrência de fluxos migratórios. Em Mosqueiro, esta tendência não deve ser diferente, considerando a vocação da Ilha para o turismo.

O bairro do Maracajá apresenta todos os elementos que compõem o ciclo biológico do S. mansoni, com exceção do homem eliminando seus ovos. Por isso, considerou-se importante a análise das peculiaridades sócio-demográficas e ambientais desta localidade, para fins de se obter os dados necessários a implementação de medidas adequadas de intervenção, para que o estabelecimento deste foco não venha ocorrer nos próximos anos.

Foi constatado que a população é composta, sobretudo por nativos do DAMOS, onde residem a mais de 11 anos, que nasceram no próprio bairro ou procedem de áreas vizinhas, com relatos de pouco deslocamentos, o que reduz a possibilidade de exposição aos focos de esquistossomose de Belém, por exemplo. A maioria destes moradores está na faixa etária entre 21-40 anos, que se declararam como estudantes, revelando a inserção da população na educação formal, ainda que o nível de escolaridade predominante seja o do ensino fundamental incompleto, o que mostra a possibilidade de medidas de intervenção por processos sócio-educativos.

A população sob estudo, em maioria, negou contato com águas suspeitas. Grande parte das residências do bairro possui abastecimento de água encanada, com presença de banheiro interno e destino das fezes para fossa séptica. Estes aspectos são reconhecidos como fatores de proteção por vários estudos epidemiológicos de esquistossomose, como os de Barreto (1993), Coura-Filho et al. (1994), Tibirica et al. (2011).

Um estudo realizado por Barbosa et al. (2014) sobre a relevância de levantamentos por questionário, de informações sobre contato de indivíduos com águas suspeitas em áreas endêmicas de esquistossomose, revelou que com um pequeno número de variáveis é possivel obter informações com alto valor preditivo positivo para identificar indivíduos infectados pelo S. mansoni. Da mesma forma, com a realização do levantamento socio-demográfico por questionário no bairro do Maracajá, foi possível se obter o nível de confiabilidade dos resultados servindo inclusive de suporte para o inquérito coproscópico, ainda que a área de estudo fosse considerada indene para esquistosomose mansônica.

Fatores relacionados à história de formação do bairro do Maracajá, associado a características sociodemográfico e ecológicas, podem estar atuando como elemento de proteção desta população contra o surgimento de focos autócnes da doença, evitando, por exemplo, que ocorra o encontro do homem doente com o planorbideo vetor eliminando cercárias.

Contudo, a ausência de casos positivos de esquistossomose no bairro do Maracajá também pode estar relacionado aos fatores causais não quantificáveis que ali estejam se expressando. Observações resultantes da convivência diária com a comunidade indicaram alguns aspectos da estrutura epidemiológica local, que mereceram destaque. Notou-se, por exemplo, que, apesar do desconhecimento do caramujo vetor da esquistossomose por parte da população, a presença de outro caramujo (caramujo africano), que co-habita nos mesmos nichos ecológicos do Biomphalária (coleções hídricas peridomiciliares) esteja agindo como fator protetor de transmissãoda doença, visto que os moradores evitam, muitas vezes, o contato direto com as valas e pequenos lagos devido ao imaginário popular de que o caramujo africano possa transmitir algum tipo de doença.

Outra característica que pode esta relacionada com os resultados negativos dos exames coproscópicos seria a inexistência de infecção humana importada de outras localidades até o momento. Por outro lado, nas áreas de ocupação desordenada, este panorama é bem diferente, sugerindo ser este um fator de risco para o surgimento de focos da doença.

A presença positiva do vetor Biomphalaria nas valas e locais de escoamento das águas servidas, a ausência ou a manutenção de obras de drenagem em algumas localidades do bairro, indica a necessidade de maior vigilância, pois apesar de não haver até o momento transmissão ativa da doença, há risco de expanção geográfica do molusco vetor.

A avaliação das condições epidemiológicas, sanitárias e ambientais no bairro do Maracajá indica uma considerável vulnerabilidade da população aos fatores de risco para este agravo, devendo fornecer subsídios para posterior avaliação do impacto de políticas públicas quanto à saúde da população em longo prazo.

Os resultados obtidos confirmaram que estudo de prevalências de esquistossomose em comunidades que vivem em áreas de baixa endemicidade depende tanto da eficiência da técnica, quanto da decisão individual de cada morador, no sentido de participar efetivamente da pesquisa. O principal questionamento em relação ao emprego do método coproscópico neste estudo advém do fato de que a intensidade da infecção pelo S. mansoni no DAMOS deve ser baixa (menos de 100 ovos por grama de fezes), o que favorece a subestimação do número de infectados. Isso é importante porque, ainda que as infecções leves não diagnosticadas, não sejam responsáveis pelo aparecimento de quadros graves, podem ser responsáveis pela persistência da transmissão (GONÇALVEZ et al., 2005).

Outra importante consideração diz respeito aos possíveis resultados coproscópico falso negativos pela técnica de Kato-Katz, pois esses indivíduos podem ser considerados em inquéritos posteriores, como sendo casos novos da doença, gerando confusão na compreensão do padrão epidemiológico. Contudo, apesar das limitações do método coproscópico empregado neste estudo, o Kato-Katz possibilita mostrar de forma inquestionável, a presença de infecção, revelando diretamente os ovos do parasita, reduzindo as chances de resultados falso-positivos. Além disso, corresponde a um método prático e de baixo custo, permitindo a contagem de ovos, que é indicativo da intensidade da infecção (carga parasitária), servindo de base de cálculo para o Índice do Potencial de Contaminação Ambiental, oferecendo a possibilidade de comparação com os resultados de trabalhos semelhantes (GONÇALVEZ et al., 2005).

O fato das coleções hídricas apresentarem, predominantemente, a espécie B. straminea13 que apesar de sua superioridade competitiva, invadindo territórios ocupados por outras espécies (LEAL NETO, 2013) é considerada relativamente menos suscetível a infecção pelo S. mansoni em relação a B. glabrata, também pode estar conferindo algum tipo de proteção à comunidade do bairro do Maracajá.

Assim o bairro do Maracajá possui todas as condições para a instalação de foco de esquistossomose mansonica, entretanto, o inquérito copróscopico realizado através do método quantitativo de Kato-Katz não encontrou nenhum morador eliminando ovos de S. mansoni, portanto a taxa de prevalência de esquistossomose nesta localidade foi zero.



CONCLUSÃO



O bairro do Maracajá possui vários fatores para a instalação de focos de transmissão ativa DE esquistossomose mansônica. Embora ainda seja indene como observado neste inquérito, as avliações mostraram um frágil equilíbrio ecológico, sustentado pela reduzida exposição dos indivíduos às coleções hídricas e pouco deslocamento da população para áreas com focos estabelecidos da endemia. Em todo o Distrito de Mosqueiro, inclusive na área estudada é muito baixa a cobertura de esgotamento sanitário, presumindo-se para formação em breve de focos de transmissão ativa da esquistossomose, e por isso, a vigilância sanitária e ambiental deve ser mantida.



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