ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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Relatos de Experiências

11/06/2019TRABALHO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS  
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TRABALHO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS

Carlos Eduardo Fortes Gonzalez 1

1 Professor de Ciências do ambiente, Departamento de Química e Biologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba. Doutor em Educação. E-mail: cefortes@yahoo.com



Resumo: O Relato de Experiência pautado aqui versa sobre uma técnica pedagógica interdisciplinar, elaborada para a aplicação em uma graduação do campo dos estudos ambientais e envolvendo várias disciplinas da área socioambiental. Não obstante a aplicabilidade, a intervenção pedagógica bem-sucedida e o interesse do alunado, este projeto interdisciplinar foi descontinuado, em função da estrutura burocrática que não possibilitou o cômputo formal de tais atividades como carga horária dos docentes e discentes engajados.

Abstract: The Experience Report is based on an interdisciplinary pedagogical technique, developed for the application in a graduation of the field of socio-environmental studies and involving several disciplines of the environmental area. Despite the applicability and the successful pedagogical intervention, this interdisciplinary project was discontinued due to the bureaucratic structure that did not allow the formal computation of such activities as a workload of engaged teachers and students.



Introdução

O texto que segue mais abaixo em itálico era enviado por correio eletrônico aos discentes de determinadas disciplinas do campo de estudos ambientais. Tratava-se de trabalho acadêmico aplicado às turmas do curso superior de Tecnologia em Processos Ambientais, na UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do PR, Campus Curitiba. Tal mensagem instrucional consistia numa explicação atinente ao trabalho proposto, o TIESA - Trabalho Interdisciplinar de Estudos Socioambientais.

Apenas a formatação textual foi aqui alterada, em função de adaptação ao presente Relato de Experiência. A ideia central da atividade acadêmica proposta propunha a interação interdisciplinar entre algumas unidades curriculares de um curso superior da área de meio ambiente.

Como parte do texto enviado àqueles alunos explanava sobre os procedimentos metodológicos para a elaboração do trabalho, tal trecho foi alocado no item “Metodologia” deste Relato.

A estrutura aqui apresentada (Introdução, Metodologia, Resultados, Discussão) é apenas uma sugestão para organização do texto. No entanto, Bibliografia é obrigatória.

A interdisciplinaridade se propõe a investigar temáticas não afeitas ao tratamento meramente disciplinar (FAZENDA, 2006), como a área de Estudos Socioambientais. As problemáticas ambientais não podem ser tratadas em âmbito disciplinar devido a sua complexidade, que exige conhecimentos oriundos de outras áreas basilares (REIGOTA, 2001). Deste modo, faz-se necessária uma abordagem multidisciplinar, onde as disciplinas além de se somarem também interagem, agregando novos valores e avançando-se desta maneira aos estudos interdisciplinares.

Assim sendo, com o intuito de praticar a investigação científica interdisciplinar no Curso Superior de Tecnologia em Processos Ambientais, programa-se neste sexto período deste Curso de Graduação o Trabalho Interdisciplinar de Estudos socioambientais – TIESA, nas unidades curriculares de Auditoria Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Ecoestratégia, Educação Ambiental e Gestão e Monitoramento da Qualidade Ambiental.

Muitos trabalhos ditos interdisciplinares são na verdade multidisciplinares, isto é, de fato utilizam diversas disciplinas para a sua elaboração, contudo as disciplinas não interagem entre si (LÜCK, 2000). Para ser de fato interdisciplinar, significa afirmar que, além de multidisciplinar, cada uma das disciplinas interage com todas as demais (MORIN, 2006).

No caso prático desta proposta do TIESA, temos o aspecto multidisciplinar ao abordar simultaneamente em um mesmo trabalho as disciplinas de Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Ecoestratégia, Gestão e Monitoramento da Qualidade Ambiental e Auditoria Ambiental. Pelo simples fato de usarmos todas em um mesmo trabalho, já se caracteriza o estudo multidisciplinar. Entretanto, para avançarmos neste trabalho em direção ao âmbito interdisciplinar, faz-se necessário, a partir de cada disciplina, fazer-se a intersecção com todas as outras (ROCHA FILHO; BASSO; BORGES, 2007). Explicitando o que se quer dizer com esta assertiva: no momento em que se aborda a Educação Ambiental (EA) deve-se abordar a EA para o Desenvolvimento Sustentável, EA para a Ecoestratégia, EA para a Gestão e Monitoramento da Qualidade Ambiental e EA para a Auditoria Ambiental. Do mesmo modo, na abordagem do Desenvolvimento Sustentável, por sua vez, deve-se relacionar que é imprescindível a EA para o Desenvolvimento Sustentável; que as ecoestratégias são abordagens para possibilitar o Desenvolvimento Sustentável, que a Gestão e Monitoramento da Qualidade Ambiental visam o Desenvolvimento Sustentável e que a Auditoria Ambiental verifica a ecoeficiência das iniciativas de Desenvolvimento Sustentável em um dado local ou empreendimento. Assim, com cada disciplina trabalhada, é feita a abordagem interdisciplinar com as demais. Isto é estudo interdisciplinar. É complexo, por isso há dificuldades neste tipo de enfoque no universo acadêmico, ainda muito reducionista (SANTOS, 2004).

Metodologia

Este trecho textual também está em itálico, em vista de ser material enviado aos discentes, a título de instrução sobre o trabalho acadêmico solicitado.

O Trabalho a ser apresentado poderá ser teórico (não implementado de fato, tendo sido somente concebido em forma de Projeto) ou aplicado (neste caso, tendo sido efetivamente implantado o projeto em alguma Instituição). O trabalho poderá ser apresentado em equipe de no máximo 4 (quatro) alunos e individualmente. Os alunos matriculados em pelo menos uma Unidade Curricular sujeita ao TIESA também deverão participar. Este Trabalho comporá 50% da nota de cada Unidade Curricular participante. Deverá ser apresentado oralmente e por escrito (Normas para trabalhos acadêmicos da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas), duração de uma aula, perante Banca Examinadora composta por docentes das unidades curriculares participantes. Mais informações no decorrer do período letivo com os professores das unidades curriculares envolvidas.

Resultados

Por observação sistemática (RAMPAZZO, 2005) e relatos espontâneos do alunado, notava-se o interesse estudantil da maioria, até mesmo porque o trabalho proposto (TIESA) assemelhava-se à produção de um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, que é obrigatório para o curso em tela.

De fato, caracterizava-se como uma produção científica, visto que o universitário tinha que sintetizar conhecimentos das disciplinas envolvidas para a resolução, teórica ou prática, de algum problema socioambiental concernente às unidades curriculares envolvidas nesta atividade.

Deste modo, o TIESA tinha o mérito de efetivar a tríade de funções universitárias; Ensino, Pesquisa e Extensão, funções das Universidades, de acordo com a Carta Magna nacional (BRASIL, 1988).

Discussão

Muitas iniciativas didático-pedagógicas, como este processo de ensino e aprendizagem aqui ponderado - O TIESA - enfrentam entraves burocráticos. Como as instituições de ensino não abrigam formalmente, de modo geral, as atividades interdisciplinares na rígida estrutura de funcionamento (CASCINO, 2000), este Trabalho, tão interessante, acabou sendo desgastante para todos, docentes e discentes.

Ocorreu que, em função da rigidez do sistema, não se pôde computar como carga horária docente e tampouco discente todas as horas-aula a mais em função da natureza da atividade. O TIESA tinha, por exemplo, bancas examinadoras como se fosse um TCC, em função de os graduandos terem que defender um trabalho que sintetizava esforços oriundos da interdisciplinaridade entre as unidades curriculares engajadas no processo pedagógico. Consequentemente, também implicava em atividades de orientação, com encontros sucessivos entre alunos e professores para a devida supervisão de encaminhamentos técnico-científicos dos trabalhos acadêmicos desenvolvidos. Em função disso, aumentou muito a carga horária docente e discente de atividades de Ensino e de Pesquisa, em função do TIESA, já que se assemelhava a um TCC. Como não havia o reconhecimento formal da instituição desta carga horária extra como se fossem aulas dadas (que de fato, eram) isto desestimulou a continuidade desta técnica pedagógica, pois significou muito mais trabalho professoral e estudantil sem o reconhecimento formal de créditos ou de carga horária. Por isso, tal projeto foi descontinuado.

Com efeito, nota-se que existe um excesso de burocracia na Educação (TRAGTENBERG, 2004). No que concerne à consideração das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão termina por desfavorecer o próprio processo que querem salvaguardar, o que é um paradoxo. Percebeu-se que é preciso um reconhecimento formal dos esforços que são envidados para as iniciativas e o incremento das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, obrigação constitucional do Ensino superior brasileiro (BRASIL, 1988).

Bibliografia

ADAMS, B., TREVISAN J., BARBOSA, S. Como publicar - Normas de publicação na Educação Ambiental em Ação. Revista Educação Ambiental em Ação. Disponível em: < http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=872>. Acesso em: 2 de abril de 2019.

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 1 de abril de 2019.

CASCINO, F. Educação ambiental: princípios, história, formação de professores. São Paulo: SENAC São Paulo, 2000.

FAZENDA, I. Interdisciplinaridade: qual o sentido? São Paulo: Paulus, 2006.

LÜCK, H. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos. 8ª edição. Petrópolis: Vozes, 2000.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 11ª edição. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2006.

RAMPAZZO, L. Metodologia Científica para alunos dos cursos de graduação e pós- graduação. 3ª edição. São Paulo: Loyola, 2005.

REIGOTA, M. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 2001.

ROCHA FILHO, J. B.; BASSO, N. R. S.; BORGES, R. M. R. Transdisciplinaridade: a natureza íntima da educação científica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007.

SANTOS, A. Didática sob a ótica do pensamento complexo. Porto Alegre-RS: Editora Sulina, 2004.

TRAGTENBERG, M. Sobre educação, política e sindicalismo. São Paulo: UNESP, 2004.





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