ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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No. 68 - 11/06/2019
A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM  
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A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM

Adriano Claiton Alves Castro

dricastro2972@gmail.com



RESUMO

Este trabalho tem como objetivo verificar as contribuições da neurociência, como fonte alternativa para repensar as práticas pedagógicas, são reflexões em torno da sensibilização e construção da consciência ambiental. Tendo em vista a possibilidade da promoção de novas estratégias pedagógicas, a presente pesquisa fundamenta-se na Teoria das Inteligências múltiplas de Howard Gardner, especificamente a Inteligência Naturalista, na perspectiva de que esse conhecimento é primordial para o desenvolvimento de atividades significativas para a sensibilizar os alunos. Esse artigo foi desenvolvido a partir da análise bibliográfica de livros e artigos mais recentes de autores que discutem os assuntos abordados. Para essa discussão, foi conceituado neurociência, educação e sua interface neuroeducação, sensibilização e conscientização, apresentando pesquisas recentes na área, buscando demonstrar a Inteligência Naturalista como ponte para construção da sensibilização.



Palavras-chaves: Neuroeducação, sensibilização, conscientização, inteligência naturalista.



ABSTRACT:

This work aims to verify the contributions of neuroscience, as an alternative source to rethink pedagogical practices, are reflections around the awareness and construction of environmental awareness. Considering the possibility of promoting new pedagogical strategies, the present research is based on Howard Gardner's Theory of Multiple Intelligences, specifically the Naturalist Intelligence, in the perspective that this knowledge is primordial for the development of significant activities to sensitize the students. This article was developed from the bibliographical analysis of books and most recent articles by authors that discuss the topics covered. For this discussion, it was conceptualized neuroscience, education and its interface neuroeducation, sensitization and awareness, presenting recent research in the area, seeking to demonstrate the Naturalist Intelligence as a bridge for the construction of awareness.



Keywords: Neuroeducation, sensitization, awareness, naturalistic intelligence.





INTRODUÇÃO

Esse artigo é fruto de intensa pesquisa para analisar os caminhos que aproximam a neurociência e a educação, e que trouxeram ao debate a possibilidade do repensar das práticas pedagógicas nas escolas, voltadas para a sensibilização em busca da consciência ambiental, já que Educação Ambiental não tem por finalidade conscientizar o aluno, e sim sensibilizá-lo para as questões socioambientais.

Nesse percurso as reflexões de Russo (2015) foram fundamentais, pois o estudo das neurociências ajuda a compreender a complexidade do funcionamento cerebral e as articulações entre cérebro e comportamento; e o estudo da educação ajuda a compreender o processo ensino e aprendizagem. Nesse entendimento Cosenza e Guerra (2011) corroboram dizendo que o conhecimento das neurociências pode fornecer direções para que o ambiente escolar possa ser estimulante, mas que não existe receita a ser seguida. Ressaltam ainda que “as neurociências ajudam a fundamentar a prática pedagógica que já se realiza com sucesso e orientam ideias para intervenções, demonstrando que estratégias de ensino que respeitam a forma como o cérebro funciona tendem a ser mais eficientes”. (COSENZA E GUERRA, 2011, p.144).

Desse diálogo entre essas duas ciências surge a interface neuroeducação que objetiva desenvolver as potencialidades dos alunos, tem como proposta usar os pressupostos da neurociência para auxiliar na educação, de modo que sejam considerados os aspectos cognitivos na aprendizagem através de estratégias variadas de ensino, pois cada aluno aprende em um tempo e de forma diferenciadas. Ideia essa reforçada por Laburu, Arruda e Nardi (2003):

O entusiasmo por certos ideais pedagógicos que, por ventura, vinculam ações didáticas, parecem não reconhecer, como fizemos notar, a possibilidade de existirem alunos que não se adaptam pedagogicamente a um determinado estilo de ensino, deixando de desconsiderar, na prática, um princípio facilmente constatável, presente em qualquer sala de aula, segundo o qual os aprendizes partem de condições iniciais desiguais e diferenciadas, pois têm trajetórias de vida cognitiva, motivacional e emocional distintas. (LABURU, ARRUDA E NARDI, 2003, p.5).

Partindo do princípio que numa mesma sala de aula há uma diversidade de alunos oriundos de diferentes crenças, etnias, culturas, estrutura familiar, etc.; essa diversidade pode ou não favorecer a promoção da aprendizagem, o educador que possui conhecimentos sobre a neurociência pode obter maior êxito na aprendizagem de seus alunos. Para Relvas (2010), uma das formas de otimizar a aprendizagem dos alunos é que o professor tenha conhecimentos básicos sobre neurociência. Na mesma perspectiva Cosenza e Guerra (2011) ressaltam que:

O trabalho do educador pode ser mais significativo e eficiente quando ele conhece o funcionamento cerebral. Conhecer a organização e as funções do cérebro, os períodos receptivos, os mecanismos da linguagem, da atenção e da memória, as relações entre cognição, emoção, motivação e desempenho, as dificuldades de aprendizagem e as intervenções a elas relacionadas contribui para o cotidiano do educador na escola, junto ao aprendiz e à família. Mas saber como o cérebro aprende não é suficiente para a realização da “ mágica do ensinar e aprender [...]. ” (COSENZA E GUERRA, 2011, p.143).

Diante do exposto, os estudos realizados entre os campos da educação e da neurociência fez emergir a questão a ser investigada: o que os estudos da neurociência trazem de conhecimento sobre o funcionamento do cérebro possível de elaborar estratégias pedagógicas para sensibilizar os alunos e desenvolver a consciência ambiental? Para responder à questão, foram tomadas teorias da neurociência em uma abordagem multidisciplinar.

A neurociência destaca-se pelas pesquisas realizadas sobre o cérebro humano, seguindo uma abordagem multidisciplinar, pois essa se apoia na Biologia, Pedagogia, Psicologia, Medicina e outras áreas. Esse tipo de pesquisa, que integra os diferentes conhecimentos, traz contribuições significativas porque juntas ultrapassam o objeto de uma única disciplina.

Neste contexto o presente estudo procura descrever o conceito e o histórico percorrido pela neurociência e sua aproximação com a educação, para analisar como se dá a conscientização ambiental por meio de práticas educativas que sensibilizam os alunos para o desenvolvimento desse quefazer, para dar corpo a essa proposta o artigo se valerá de algumas atividades de aproximação dos alunos com a natureza, assentadas na Inteligência Naturalista da Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

O estudo defende ainda que a neurociência é um recurso que pode nortear o trabalho do professor no processo de construção da sensibilização e conscientização, no entanto esse é apenas um caminho e que também não é capaz de resolver todos os problemas educacionais relacionados ao tema.

Para responder a essa questão o artigo percorreu o caminho metodológico da revisão de literatura integrativa proposta pela UNESP (2008), pois ela “não utiliza critérios” claros e nem segue uma única linha na “busca e análise crítica da literatura”, pois não se esgotam todas “as fontes de informação”. Ela possibilita a subjetividade do olhar de quem está investigado na “seleção dos estudos e a interpretação das informações”. Para atender a abordagem qualitativa, partiu-se de uma profunda e criteriosa pesquisa bibliográfica, na qual foram selecionados diferentes livros e artigos elencando autores com produções que trouxeram esclarecimentos sobre a neurociência e também autores relacionados à educação e educação ambiental. Posteriormente, procurou-se um ponto de intersecção destas produções com o propósito de produzir este artigo que pretendeu analisar a neuroeducação como subsídio para a consciência ambiental: um processo de aprendizagem.



Neurociência: origem e conceito

As questões relacionadas ao cérebro humano é assunto que há muito tempo intriga pesquisadores. Os antigos romanos até o século XVIII, acreditavam que o cérebro funcionava por intermédio dos espíritos. Segundo Cosenza e Guerra (2011), Hipócrates, o pai da medicina, há cerca de 2300 anos já dizia que é através do cérebro que o homem sente tristeza ou alegria, que o capacita a aprender ou modificar o comportamento, assim como o pensamento, a atenção ou a capacidade de julgamento. Toda essa atividade é fruto das atividades cerebrais. Essa ideia perdurou até a invenção do microscópio, e a descoberta dos neurônios, como células responsáveis pelo sistema nervoso, estudos esses oportunizaram a compreensão da maneira como o cérebro funciona. Essa descoberta evidenciou que os neurônios são as células que compõem o sistema nervoso, e essas são responsáveis por conduzir, receber e transmitir os impulsos nervosos através do corpo, fazendo com que este responda aos estímulos do meio.

Durante muito tempo o desenvolvimento do pensamento para conhecer a mente proporcionou investigações para muitas respostas, o que provocou uma produção de conhecimento, e desta forma teorias foi surgindo sobre a compreensão do sistema nervoso ao longo do tempo.

O estudo do encéfalo é antigo, mas palavra neurociência é muito nova, foi fundada em 1970 quando os cientistas perceberam que a melhor abordagem para o entendimento da função do encéfalo vinha da interdisciplinaridade, a combinação das abordagens tradicionais para produzir uma nova síntese, uma nova perspectiva. O termo neurociência difunde como um conceito transdisciplinar ao reunir diversas áreas de conhecimento no estudo do cérebro humano.

Segundo Cosenza e Guerra (2011, p.143), “ as neurociências são ciências naturais que estudam princípios que descrevem a estrutura e o funcionamento neurais, buscando a compreensão dos fenômenos observados”. Para Bastos & Alves (2013, p. 42-43), neurociência é o estudo do sistema nervoso: sua estrutura, seu desenvolvimento, funcionamento, evolução, relação com o comportamento e a mente, e também suas alterações”.

No século XIX os estudos sobre a neurociência mostravam que os neurônios não se regeneravam ou se reproduziam, era como algo acabado e imutável. E que a infância e adolescência, ao contrário da vida adulta e a velhice, seriam as melhores fases para a aprendizagem. Hoje sabe-se que o cérebro tem a capacidade da plasticidade, que depende do ambiente e dos estímulos recebidos, para formação de novas conexões. Em consonância, Cosenza e Guerra (2011) afirmam que:

O cérebro adulto não tem a mesma facilidade de promover tão grande modificação, e durante muito tempo acreditou-se que a capacidade de aprendizagem era pequena nos adultos e quase nula na velhice. O conhecimento atual permite afirmar que a plasticidade nervosa, ainda que diminuída, permanece pela vida inteira; portanto, a capacidade de aprendizagem é mantida. (COSENZA E GUERRA, 2011, p.35).

Sabe-se que o sistema nervoso é plástico, ou seja, modifica-se de acordo com os estímulos recebidos do ambiente. É essa capacidade de transformação constante desse sistema que nos permite adquirir novas habilidades e aperfeiçoar as já existentes. Esse processo é conhecido como neuroplasticidade. Relvas (2010) apresenta as bases fundamentais da neurociência sobre a neuroplasticidade neural:

Bases fundamentais da neurociência sobre neuroplasticidade neural:

a) O cérebro tem a capacidade ilimitada de aprendizagem e pode renovar a si mesmo.

b) O cérebro responde eficazmente à atividade física, ao treino mental e ao estilo de vida, podendo manter-se ágil durante toda a vida. (Relvas, 2010, p.34)

Os anos de 1990 a 1999 ficaram conhecidos como a “Década do Cérebro” devido a proposta feita pelo Congresso dos Estados Unidos sobre os avanços nas pesquisas que revelariam muito do funcionamento cerebral, assim como novas formas de aperfeiçoar seu desempenho. Da mesma forma o início do século XXI ficou conhecido como a “Década da Mente”, por causa da finalização projeto Genoma Humano e pelos avanços da neurociência buscando explicar o funcionamento da mente humana e o que é a consciência humana.



Neurociência e educação: um diálogo necessário

Neurociência e educação parecem ser dois campos distintos, no entanto ao adentrar os escritos de Cosenza e Guerra (2011), o artigo assume o mote de que o primeiro termo estuda os neurônios e as moléculas que o constitui, os órgãos do sistema nervoso e suas funções; já o segundo termo dedica-se a desenvolver novos conhecimentos e comportamentos mediados por processos que envolvem a aprendizagem, no entanto, apresentam uma relação de proximidade na medida em o cérebro tem significância na cognição: a percepção, a atenção, a memória, a linguagem e as funções executivas, relevantes ao processo de aprendizagem do indivíduo.

A ponte entre educação e neurociência teve na psicologia a primeira contribuição, foi a partir desse elo que essa ciência relacionou o processo educacional de aprendizagem mostrando a importância do comportamento humano, e que a motivação, a emoção e os aspectos afetivos são vínculos importantes para a aprendizagem e que isso pode se concretizar no viés da interdisciplinaridade defendido no artigo.

Essa ponte proporciona um olhar sobre os processos educacionais, quando a pedagogia se apropria das teorias da psicologia para estabelecer com as neurociências um elo que permite agir de forma globalizada sobre o processo de aquisição de conhecimentos. Dessa interseção entre a neurociência e educação surge a interface neuroeducação que para Russo (2015), tem debruçado ao estudar o cérebro e o comportamento humano como fatores que interferem na aprendizagem. Caracterizada como multidisciplinar e interdisciplinar, a neuroeducação integra três áreas: a neurociências, a educação e a psicologia, e as áreas que se formaram com a junção dos campos, como a: neuropsicopedagogia, neuropsicologia e psicopedagogia.

Há diferenças e semelhanças entre a neuropsicopedagogia, neuropsicologia e psicopedagogia. Aqui o artigo faz uma análise no objeto de estudo de cada uma delas para entendê-las melhor. Segundo a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia – SBNPp (Cap. II – art. 10):

A neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociência aplicada à educação, com interfaces da Psicologia e Pedagogia, que tem como objetivo formal de estudo a relação entre o cérebro e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e escolar.

Essa ciência aponta dentre as muitas delimitações da atuação do neuropsicopedagogo a criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo ensino-aprendizado do aluno, isso referendado pelo Conselho Federal de Psicologia (Resolução 002/04 - art. 3), que determina como função desse profissional:

Atua no diagnóstico no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Utiliza-se para isso de conhecimentos teóricos angariados pelas neurociências e pela prática clínica como metodologia estabelecida experimental ou clinicamente. Utiliza-se de instrumentos especificamente padronizados para a avaliação das funções neuropsicológicas, envolvendo principalmente habilidades de atenção, memória, aprendizagem, habilidades acadêmicas, processamento de informação, visuoconstrução, afeto, funções motoras e executivas.

Já, a neuropsicologia estabelece parâmetros para emissão de laudos com fins clínicos ou de perícia, assim como complementa o diagnóstico na área do desenvolvimento da aprendizagem. Com o objetivo de melhorar ou se adaptar às dificuldades, a reabilitação neuropsicológica realiza intervenções junto aos pacientes e com a participação dos familiares quando as mudanças forem permanentes ou a longo prazo.

E a psicopedagogia foi introduzida no Brasil na década de 70, como ferramenta para auxiliar as crianças com dificuldades de aprendizagem. Segundo a definição descrita no Código de Ética (Cap. I – art. 1) da Psicopedagogia da Associação Brasileira de Psicopedagogia:

A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde que se ocupa do processo de aprendizagem considerando o sujeito, a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio-histórico, utilizando procedimentos próprios, fundamentados em diferentes referenciais teóricos.

Os objetivos das atividades psicopedagógicas propostas pela Associação Brasileira de Psicopedagogia são: promover a aprendizagem, contribuindo para os processos de inclusão escolar e social; compreender e propor ações frente às dificuldades de aprendizagem; realizar pesquisas científicas no campo da Psicopedagogia e mediar conflitos relacionados aos processos de aprendizagem.

A aproximação entre essas ciências pode ser verificada a partir da natureza multiprofissional, inter e transdisciplinar, o estudo do desenvolvimento humano e dos processos de ensino e aprendizagem, que no entendimento de Russo (2015) podem ser apontadas como semelhanças entre a neuropsicopedagogia, neuropsicologia e psicopedagogia.

Diante disso, fica claro o quanto uma ciência relaciona-se com a outra e o quanto podem contribuir com a Educação. É possível relacionarmos vários termos estudados na educação e que remetem a neurociência: dificuldades de aprendizagem, fases do desenvolvimento, estímulos e respostas, memorização e aprendizagem, processos cognitivos, etc.

Nas últimas décadas a neurociência tem se tornado uma ciência que abre um campo com questões desafiadoras para a educação. Os conhecimentos sobre neuroplasticidade e a compreensão sobre as funções mentais têm contribuindo sobretudo para a elaboração novas estratégias e práticas educacionais orientando novas formas de ensinar e delineando percursos para o alcance da aprendizagem. Para Cosenza e Guerra (2011), essas estratégias aliadas às experiências de vida, desencadeiam processos como a neuroplasticidade e modifica a estrutura cerebral de quem aprende o que possibilita a aquisição de novos comportamentos pelo processo de aprendizagem. Gonçalves de Oliveira (2014) corrobora dizendo que:

Promover uma aprendizagem significativa tem como substrato biológico a reorganização das conexões entre os neurônios, a neurogênese e a aplicação ampla do conceito de neuroplasticidade. Do ponto de vista da neurociência, uma aprendizagem somente ocorre porque o cérebro tem a plasticidade necessária para se modificar e se reorganizar frente a estímulos e se adaptar. (GONÇALVES DE OLIVEIRA, 2014, p. 21)

Nota-se que o processo da aprendizagem decorre da neuroplasticidade e que o cérebro humano se reorganiza constantemente para o seu desenvolvimento. No século XIX, a descoberta do neurônio promoveu um avanço na ciência. No século XX, o conceito de plasticidade dá uma nova direção aos conceitos já enraizados que é a capacidade de aprendizagem que o sistema nervoso tem durante toda vida do ser humano. O complexo mente e cérebro ainda será um paradigma a ser desvendado no século XXI, a procura de respostas que emergirão e que poderão dar novas direções para a educação.

Contudo a neuroeducação não representa um recurso capaz de solucionar todos os problemas de aprendizagem, para Cosenza e Guerra (2011), muitos desafios emergem desse diálogo entre a neurociências e a educação e que podem contribuir para ambas as áreas. Ressaltam ainda que um desses desafios é o esclarecimento da real contribuição das neurociências para a educação e também suas limitações.



Práticas que Sensibilizam a Reflexão para a Consciência Ambiental

A palavra consciência significa saber, ter conhecimento. Conscientizar é um verbo que se refere ao ato de se tornar consciente, é obter ou ter conhecimento de algo ou ainda de transmitir esse conhecimento para outra pessoa. Para Paulo Freire (2001), a conscientização consiste no desenvolvimento crítico da tomada de consciência e que a conscientização não existe sem a práxis, sem o ato ação-reflexão.

A partir do entendimento do educador Paulo Freire, entende-se que conscientização é a descoberta de que a realidade é modificável e que o homem pode fazê-la, já para a psicologia, conscientizar é buscar na consciência memórias e ideias que estejam encobertas ou bloqueadas pelo subconsciente, aqui o estudo se aproxima do entendimento do educador que se apropriou da expressão nascida da reflexão conjunta dos professores do Instituto Superior de Estudos do Brasil (ISEB).

Sobre o termo Freire (2001) afirma:

Ao ouvir pela primeira vez a palavra conscientização, percebi imediatamente a profundidade de seu significado, porque estou absolutamente convencido de que a educação, como prática da liberdade, é um ato de conhecimento, uma aproximação crítica da realidade (FREIRE, 2001, p. 29).

Comumente o termo de conscientização não é empregado de forma correta nos textos em que é utilizado, ou seja, ele se distancia do entendimento que Freire o da em suas reflexões, ele aparece de forma descontextualizada de seu fundamento epistemológico. Trazendo o termo para dentro do objetivo do estudo, que é a conscientização ambiental, o estudo contou com o que disserta Santos e outros (2013, p.120) “ a Educação Ambiental não tem como finalidade conscientizar, ela visa a sensibilizar e motivar os envolvidos para despertarem em relação aos problemas socioambientais”.

Partindo desse princípio a sensibilização surge nesse cenário com relevante papel nos processos educativos e que possibilita a concretização do processo de conscientização. Entendimento esse que encontra amparo nos escritos de Moura (2004), “é um processo educativo que se faz através de vivências, realizadas para sensibilizar as pessoas, possibilitando o reavivamento de nossos sentidos, permitindo o reconhecimento de nossos sentimentos e potencializando nossa criticidade”.

Nesse sentido a sensibilização permite o reconhecimento dos sentidos e é um dos caminhos para compreensão da realidade, revelando-se como fonte transformadora. Ela possibilita a construção de pensamentos e reflexões a partir de vivências de um novo assunto, não só através da mente mas dos sentidos e emoções também. Souza e Guerra (2003, p. 2) corroboram dizendo: “[...] para que este processo aconteça, e até se torne mais rápido, é preciso que todos participem dele para promoverem a sensibilização, processo inicial, externo que desencadeia a conscientização”.

Destarte a conscientização é fruto das ações bem-sucedidas que buscam sensibilizar o indivíduo, pois que ninguém conscientiza ninguém, apenas o sensibiliza.

No entanto para que essa sensibilização aconteça, o professor deve promover situações que permitam que os alunos construam o significado de forma contínua, a fim de promover competências necessárias para o desenvolvimento de atitudes conscientes. A escola também deve proporcionar espaços educativos agradáveis e que estimulam o processo de conscientização. Para Cosenza e Guerra (2011, p.48), “um ambiente estimulante e agradável poder ser criado envolvendo os estudantes em atividades em que eles assumam um papel ativo e não sejam meros expectadores. ”

Aqui novamente a neurociência ganha espaço, ao entender que o professor pode promover estratégias para o desenvolvimento do sistema nervoso central por meio de estímulos externos como o uso de atividades lúdicas e prazerosas que oportunizam a sensibilidade através das emoções. Maturana (2002, p. 22), sustenta que “não há ação humana sem uma emoção que a estabeleça como tal e a torne possível como ato. ”

Essa ligação afetiva com o tema Meio Ambiente que está presente no currículo como tema transversal, deve ser despertada nos educandos desde as primeiras séries do ensino fundamental, devendo ser interessante e prazerosa, como determinado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). No entanto, o estudo constatou que ainda são poucas as propostas pedagógicas para a Educação Ambiental consolidadas dentro das práticas escolares.

Mesmo diante das iniciativas do Ministério da Educação e da Cultura, ao preparar os PCN, nota-se que ainda não houve concretização da tão sonhada conscientização com mudanças significativas no estilo de vida do homem e sua relação com a natureza. Contudo esse tema possui o olhar apenas nas datas comemorativas, dia da água, dia do meio ambiente, sem rumo certo. A escola ainda não se apropriou da possibilidade da grande oportunidade para provocar mudanças na sociedade, no sentido de construir valores e atitudes para o enfrentamento dos problemas socioambientais.

Na busca de novos paradigmas educacionais que superem esse desafio, os educadores vêm buscando nas ciências cognitivas, modelos que possibilitam a formação prática na formação de pessoas. Nesse contexto, a Pedagogia assenta-se na psicologia trazendo o modelo oferecido pela Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, como um diálogo possível entre as áreas. Dessa forma, a Pedagogia e a Educação Ambiental assentam-se na área das ciências cognitivas.

O psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard, Howard Gardner, reformulando o conceito tradicional de Inteligência e propôs em 1983, a teoria das inteligências múltiplas, as sete primeiras inteligências mapeadas foram a lógico-matemática, linguística, corporal-cinestésica, musical, espacial, interpessoal, intrapessoal. Gardner (2000, p.47) conceitua inteligência como “um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura”.

Em 1996, Gardner fez a primeira ampliação da sua listagem original acrescentando a inteligência naturalista, que será nosso foco de estudo nesse artigo, e sua interação com as demais inteligências. A inteligência naturalista envolve a capacidade para discernir, observar, identificar e classificar plantas e animais, a capacidade de compreender a natureza, apreendendo suas características e categorizando-os adequadamente; mais do que simplesmente uma habilidade de conviver com a natureza. A inteligência naturalista foi uma das primeiras a se desenvolver na evolução do homem e desempenhou grande importância na sua sobrevivência.

O modelo de escola tradicional dá uma ênfase maior ao desenvolvimento das inteligências lógico-matemática e linguística e os currículos são voltados para a construção do conhecimento científico e a inteligência naturalística deixa de ser estimulada. A Teoria das Inteligências Múltiplas nos mostra que possuímos outras inteligências também, inclusive a Inteligência Naturalista que abre possibilidades no ensino e aprendizagem para as questões ecológicas na infância. Segundo Nicollier e Velasco (2008), o desenvolvimento destas inteligências na infância constituem a essência de um saber ambiental e é através delas que a criança é capaz de construir um conhecimento significativo e uma compreensão mais profunda do Meio Ambiente.

Nos Estados Unidos e China já exitem escolas que adotam um currículo baseado na Teoria das Inteligências Múltiplas e elas estão se multiplicando. Se a escola reorganizar seu currículo de forma a criar oportunidades para ativar a inteligência naturalista das crianças, elas não serão obrigadas a decorar conceitos e poderão compreendê-los de forma plena. Para Gardner (2000):

[...] as inteligências não são objetos que podem ser vistos nem contados. Elas são potenciais – neurais presumivelmente – que poderão ser ou não ativadas, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros (GARDNER, 2000, p.47).

Algumas práticas podem ser oportunizadas pelos professores com o objetivo de sensibilizar seus alunos e buscar no saber ambiental situações para estimular o desenvolvimento da inteligência naturalista. Para Nicollier (2005) esse estímulo destas inteligências é essencial para a construção de um saber ambiental na infância.

Partindo desse entendimento o artigo traz como contribuição alguns exemplos dessas práticas, são vivências desejáveis que a escola pode proporcionar e que estimulam o saber ambiental: construir um jardim sensorial, coletar e classificar sementes ou folhas das plantas, coletar objetos do mundo natural, classificar espécies naturais, observar as características de um espaço natural, usar lentes de aumento ou microscópios para redescobrir o mundo dos microrganismos, assistir filmes sobre a natureza ou vida animal, desenhar plantas e animais, montar um aquário, usar telescópio para estudar corpos celestes, fotografar a natureza, fazer caminhadas em trilhas ecológicas, perceber as mudanças no meio ambiente, caracterizar os biomas, construir um terrário para observar o ciclo da água, aprender características do mundo natural, cuidar de animais e plantas, visitar zoológicos e jardins botânicos, visitar museus de história natural e fazer uma horta.

Nicollier (2005, p.157) afirma que é de suma importância a vivência e o contato direto com a natureza, para o desenvolvimento da inteligência naturalista, pois o conhecimento biológico propriamente dito não se transmite verbalmente”. Essas práticas são oportunidades eficientes que os alunos têm para aproximarem-se e familiarizarem-se com o ambiente natural e desenvolverem sua inteligência naturalista. Op.cit (2005, p. 217) corrobora ao dizer que:

A escola deve promover encontros não habituais com os elementos da natureza, ou seja, se normalmente a criança “encontra” as plantas para comê-las, a escola deve promover contatos com as plantas em que é apreciado o cheiro, a cor etc. das mesmas. O estímulo às diferentes inteligências no contato com a natureza, intensifica a nossa relação com a mesma e amplia o nosso saber ambiental.

É muito importante procurar por essa inteligência nos alunos. Compreender a importância da inteligência naturalista e o diálogo que ela mantém com as demais inteligências, é oferecer um caminho a mais para que os alunos possam ser bem-sucedidos no processo de ensino e aprendizagem. Nicollier (2005) ressalta que é necessária a compreensão da inteligência natural e como ela interage com as demais inteligências e que o saber natural surge como produto dessa interação.



CONCLUSÃO

A escola contemporânea necessita repensar suas práticas pedagógicas assim como seus espaços educativos que tem por objetivo a construção de uma sociedade mais consciente dos problemas socioambientais. A interface Neuroeducação oferece um grande potencial para nortear uma construção mais sólida em todo esse processo de construção da conscientização através da sensibilização. Entender como esse processo de aprendizagem acontece, auxilia o educador a aprofundar seu conhecimento e desenvolver suas práticas de aprendizagem que despertem as emoções do aluno e de forma a obter melhores resultados.

Esse artigo trouxe a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, ressaltando a Inteligência Naturalista para comprovar que é possível inserir o educando no mundo das emoções oferecidas pela natureza e destarte estimular as diferentes inteligências. Diante de tudo que foi exposto, o que se relata é um trabalho onde o cognitivo do aluno possa ser realmente compreendido como fator de muita importância no ensino e na aprendizagem, e que a Neuroeducação seja uma grande aliada no entendimento desse processo.



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