ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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Relatos de Experiências

11/06/2019O ENTORNO ESCOLAR COMO ESPAÇO ESTRATÉGICO PARA PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL  
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O ENTORNO ESCOLAR COMO ESPAÇO ESTRATÉGICO PARA PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Profa. Dra. Lucia Ceccato de Lima1

Profa. Flavia Muriel Mendes Ramos Moro2

Profa. Dra Marina Patrício de Arruda 3



1 Doutora em Engenharia Ambiental, professora e pesquisadora junto aos mestrados em Educação e em Ambiente e Saúde da Universidade do Planalto Catarinense/UNIPLAC.

2 Mestre em Educação / UNIPLAC. Professora da rede municipal de Lages SC na Educação infantil, Séries Iniciais.

3 Pos-doutoranda em Educação junto à Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Programa de Pós-Graduação em Educação.



Resumo:

Trata-se de um relato de experiência sobre educação ambiental na educação infantil objetivando destacar o entorno escolar como espaço estratégico para práticas de educação ambiental. A metodologia constou de observação do entorno de um centro de educação infantil e registros fotográficos. Essa experiência mostrou um conhecimento capaz de contribuir para com uma formação infantil cidadã.

Palavras-chave: Educação ambiental; Educação infantil; formação cidadã.



Abstract:

This is an experience report about environmental education in children's education aiming to highlight the school environment as a strategic space for environmental education practices. The methodology consisted of observation of the environment of a kindergarten and photographic records. This experience showed a knowledge capable of contributing to a children's citizen training.

Keywords: Environmental education; Child education; training.



INTRODUÇÃO

As demandas ambientais são emergentes devido à crise civilizatória que estamos vivenciando. Todos os esforços são válidos em especial no campo da educação onde há o compromisso e o dever de trabalhar essa questão em todos os níveis e modalidades de ensino. A emergência da Educação Ambiental fica evidenciada quando se está em uma das unidades de gestão e planejamento ambiental: unidades de conservação, bacias hidrográficas e as cidades. Essas unidades apresentam legislação específica e a Lei 9. 795/ 1999 que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, é o instrumento legal que permeia as unidades de gestão e planejamento ambiental. Assim, quanto mais vulnerável for essa unidade de gestão ambiental mais fortemente deverá ser a intervenção por meio da educação ambiental. É o que ocorre nas áreas de afloramento do Aquífero Guarani em Lages (SC).

Nesta cidade ocorrem grandes áreas de afloramento do Aquífero Guarani e no bairro Santa Cândida, o uso e ocupação do solo são agressivos e comprometedores a qualidade das aguas superficiais e subterrâneas, já que além de afloramento essas áreas são de carga e descarga do referido aquífero.

Este contexto fundamenta a importância do estudo proposto, principalmente no que se refere a educação infantil. A educação básica é a etapa em que as crianças estão crescendo e desenvolvendo – se do ponto de vista biopsicossocial. A educação infantil é o momento em que a criança está construindo conceitos, valores e atitudes que poderão leva-la no futuro a práticas sociais coletivas e de cuidado com o outro.

Nesse artigo apresenta um relato de experiência sobre uma pesquisa realizada para a efetivação da educação ambiental na educação infantil objetivando destacar o entorno escolar como espaço estratégico para práticas de educação ambiental na educação infantil.

O contexto pesquisado que identificamos como entorno, é o local nas imediações de uma unidade escolar na abrangência do Afloramento do Aquífero Guarani. Nesta área há fragmentos de campo nativo, fragmento de floresta ombrófila mista, penhascos de rochas basálticas e rochas de Arenito Botucatu. O bairro possui um Centro de educação infantil Municipal- CEIM, que dispõe de 12 vagas.

As transformações na paisagem do bairro são visíveis pela intervenção antrópica do lugar com problemas de saneamento básico, uso e ocupação do solo, contaminação e poluição direta das aguas superficiais e subterrâneas.

A metodologia utilizada para o estudo foi a observação de campo, ou seja, observação do entorno de um Centro de educação infantil em Lages (SC), com registros fotográficos e anotações no caderno de campo.

A sociedade, e a escola em especial, parece não ter consciência e reconhecimento da ameaça projetada para o futuro que parece ainda distante. Neste contexto trilhamos um referencial de recursos para a manutenção da vida humana na terra. Segundo Boff:

Um modo-de-ser não é um novo ser. É uma maneira do próprio ser de estruturar-se e dar-se a conhecer. O cuidado entra na natureza e na constituição do ser humano. O modo-de-ser cuidado revela de maneira concreta como é ser humano (2004, p. 34).

Segundo o autor, buscamos rever nossos conceitos quanto a ser humano. Ser humano é ter a compreensão de que fazemos parte deste espaço ambiental, ter entendimento de que somos a natureza. Esse cuidado é local, vamos resolver nossas demandas, a área de afloramento do aquífero proposto, e nesse processar estaremos revendo valores e atitudes e contribuído para as outras dimensões as quais estamos inseridos. As mudanças são internas e externas, é um caminho de mão dupla, onde não cabe mais o individualismo e o pragmatismo.

Para melhor explicitar a concepção deste estudo, trazemos o modelo abaixo:

Nesta direção a partir das observações de campo e das referências bibliográficas estudadas discutiremos como tem sido as práticas de educação ambiental na educação infantil em área de afloramento do aquífero guarani – Lages (SC).



EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A EDUCAÇÃO INFANTIL

A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica no ensino conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB - Lei nº 9.394/96, compreendendo as crianças de zero a cinco anos e onze meses. Tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança, onde nesta fase já possui contato com a educação formal e a educação ambiental. Lima (2013, p. 166) entende que:

(...) a Educação Ambiental Formal e Não Formal são processos de práxis educativa que têm por finalidade a construção de valores, atitudes, conceitos, habilidades, normas, saberes e práticas partilhadas para a formação de um estilo de pensamento que contribua para a Cidadania Ambiental.

Assim a educação ambiental é um conteúdo constituinte da educação infantil que deverá ser trabalhado a partir de práticas educativas que contribuam com a formação integral das crianças.

Entendemos a criança como um sujeito social e histórico, faz parte de uma organização familiar, interagindo também com outros meios e tendo oportunidades de diversas vivências, onde ocorre um repertório de valores, crenças e conhecimentos. É nas interações que estabelecem desde a infância com as pessoas mais próximas, começando a compreender o mundo em qual vivem.

Há que ser considerado que na educação infantil, ocorrem aprendizagens significativas, pois as formas de sentir, expressar e comunicar a realidade resulta em ações de prosperidade compartilhadas com outras crianças. Cabe ao professor de educação infantil, propiciar as mais variadas formas de garantir um ambiente acolhedor, com confiança e auto estima, onde proverá situações de conversas, brincadeiras dirigidas, possibilitando condições para avanços no conhecimento dentro da área ambiental.

Nesta faixa etária as crianças costumam apreender e levar o aprendido para suas famílias, sendo, portanto, um espaço privilegiado para a educação ambiental.

A Educação Ambiental implica um processo de conscientização sobre os processos socioambientais emergentes, que mobilizam a participação dos cidadãos na tomada de decisões, junto com a transformação dos métodos de pesquisa e formação, a partir de uma ótica holística e enfoques interdisciplinares (LEFF, 2001, p. 253).

Seguido os dizeres do autor (2001, p. 257) que coloca “A Educação Ambiental traz consigo uma nova pedagogia que surge da necessidade de orientar a educação dentro do contexto social e na realidade ecológica e cultural onde se situam os sujeitos e atores do processo educativo”.

A reflexão trazida por Leff (2001) aborda a Educação Ambiental como vertente de mudanças para a pedagogia, tendo como compromisso a orientação de todos os envolvidos no contexto para uma nova realidade ambiental e cultural dentro dos espaços educativos desde a Educação Infantil.

É importante enfatizar que a dimensão da educação ambiental a partir de uma concepção de complexidade da realidade, das questões ambientais, das interações entre ambiente, cultura e sociedade, do caráter crítico, político, interdisciplinar, contínuo e permanente, existe aspectos da educação e da dimensão ambiental que é possível extrair algumas diretrizes comuns.

Quanto a educação infantil é importante enfatizar o trabalho de observação e percepção ambiental com as crianças para a interação, cuidado e respeito com o meio ambiente e o seu entorno.

A Educação Ambiental pode ser uma ação pedagógica articuladora, pela relevância do tema e também pela etapa de desenvolvimento dos sujeitos, neste contexto educacional, sendo que poderão atuar diretamente sobre o meio.

A Lei de nº 9.795/99, da Política Nacional da Educação Ambiental - PNEA, trata a temática da Educação Ambiental como tema transversal, que deve ser desenvolvida na prática educativa integrada contínua e permanentemente. Faz-se necessário colocar-se a temática numa corresponsabilidade educativa, pois indivíduos e sociedade neste aspecto educacional, interagem na qualidade de vida das futuras gerações, diante deste, interferindo na prática ambiental e desenvolvendo uma consciência crítica com cuidados permanentes ao meio em que vivemos.

A educação ambiental abarca múltiplas dimensões em sua concepção teórica, em suas práticas e no diálogo constante entre teoria e prática. Todavia, para ser um processo coerente, transformador e radical como se propõe, ela deve partir de um desvelamento das representações, dos sentidos e das concepções dos próprios educadores que, conscientemente, estarão se explicitando durante todo o processo educativo (MAGOZO, apud PHILIPPI, 2005, p. 421).

Ao interagir com concepções de meio ambiente logo nos deparamos perante valores, regras sociais, conhecimento tanto formal como informal, enfim diversas culturas. Assim o ambiente explica-se como um conjunto de paradigmas materiais e morais onde todo o ser vivo está inserido. O conceito de meio ambiente está liga tudo, sendo ele o cósmico, geográfico, físico e o meio social.

Esgotando nossos recursos naturais e reduzindo a biodiversidade do planeta, rompemos a própria teia da vida da qual depende o nosso bem-estar; prejudicamos, entre outras coisas, os preciosos “serviços ecossistêmicos” que a natureza nos fornece de graça (CAPRA, 2005, p. 217- 218).

Ao se referir à teia, o autor admite que enquanto agredimos e estamos omissos ás questões ambientais, atingimos nossa própria teia, a teia da vida, estamos nos destruindo e sem direito a deixar herança aos nossos descendentes futuros.

Neste sentido, é importante esclarecer que a instituição escolar é um dos espaços sociais que contribuem para que a criança desenvolva e construa conhecimentos, valores, habilidades e atitudes que permitam o pensar coletivo e de cuidado de si e do outro. Este processo de desenvolvimento se torna mais aberto e multidimensional por meio do educador que faz a mediação dos conhecimentos produzidos socialmente. Vale ressaltar que o professor da educação infantil, deve ter sua postura de comprometimento com a qualidade de vida e sobrevivência de todos os seres humanos, reconhecendo que o ambiente e o social fazem parte de um eixo desafiador, onde a base é preservar e conservar o meio ambiente, ao mesmo tempo que as crianças da educação infantil, compreendam com olhar crítico e se apropriem dessa prática e conhecimento para sua vida.

[...] as crianças, na sua interação com os adultos, recebem continuamente estímulos para a integração social, sob a forma de crenças, valores, conhecimentos, disposições e pautas de conduta, que, ao invés de serem passivamente incorporados em saberes, comportamentos e atitudes, são transformados, gerando juízos, interpretações e condutas infantis que contribuem para configuração e transformação das formas sociais. Deste modo, não são apenas os adultos que intervêm junto das crianças, mas as crianças também intervêm junto dos adultos. As crianças não recebem apenas uma cultura constituída que lhes atribui um lugar e papeis sociais, mas operam transformações nessa cultura, seja sob a forma como a interpretam e integram, seja nos efeitos que nela produzem, a partir das suas próprias práticas (SARMENTO, 2005, p. 20).

A educação ambiental está vinculada a um histórico de práticas educacionais vivenciadas cotidianamente, assim é definido como característica no parâmetro curricular transversal, onde sua identidade antes não tinha esse reconhecimento.



O AQUÍFERO GUARANI

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (2008), o Aquífero Guarani é uma das maiores de reservas em água doce subterrânea do Planeta. Sua localização pertence à América do Sul onde perpassa nos países da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Conforme os dados de Borghetti; Borghetti Rosa Filho (2004) o Aquífero Guarani possui uma extensão de 1.200.000Km², no entanto pelos registros do Projeto para a Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani que demarcam uma área de 1.087.879, 15 Km² e que efetivaram revisões e mapeamentos, por fim chegaram a este cálculo entre Argentina – BRASIL – PARAGUAI – URUGUAI, 2009 (apud SCHEIBE; HIDRATA, 2011, p. 60).

[...] O Aquífero Guarani pode apresentar potencial para o abastecimento público e especialmente para o uso como água termal. Embora muitos municípios abasteçam-se com a água do Aquífero, em outros locais ela mostra-se inapropriada para o consumo humano, bem como para o uso na irrigação ou na indústria, devido ao grande volume de sais e outras substâncias químicas nocivas (BOND-BUCKUP, 2008, p. 19).

Na Figura abaixo, observa-se a Rocha de Arenito Botucatu na área de Afloramento do Aquífero Guarani no bairro Santa Cândida em Lages (SC).



Figura 2 Afloramento do Aquífero Guarani

Fonte: MORO (2017, p. 59)



A denominação Aquífero Guarani foi proposta pelo geólogo uruguaio Danilo Ánton no ano de 1996, (BORGHETTI; BORGHETTI e ROSA FILHO, 2004, p. 127), em homenagem à tribo de Índios Guaranis que habitavam a área de abrangência, sendo que anteriormente era conhecido como Botucatu, por que as rochas que o compõem eram de arenito com origem eólica (formado pela compactação de areias). O arenito é “formado por arenitos oriundos da solidificação das areias do deserto de Botucatu, que existiu na época do continente de Gondwana” (BOND-BUCKUP, 2008, p. 19).

Essa tipologia de aquífero é uma rocha que contém água nos seus poros ou em suas fraturas, portanto é um corpo de rocha que contém água. A maior parte do Aquífero Guarani (70,2%) localiza-se no subsolo do Brasil, na superfície da Bacia Sedimentar do Paraná, o restante se distribui entre a Argentina, Paraguai e o Uruguai.

O uso e ocupação do solo, a falta de saneamento básico, os resíduos industriais, as atividades agropecuárias entre outras atividades antrópicas como a extração direta de agua, vem afetando os aquíferos com a contaminação e diminuição dos níveis de aguas. Como pode-se ver esse lugar é um espaço vulnerável do ponto de vista ambiental. Conforme a figura 3 abaixo, pode-se observar a localização do Afloramento do Aquífero Guarani e o sistema de confinamento e afloramento do referido aquífero.

O aquífero confinado é aquele que tem outra formação rochosa, basalto, sobre sua superfície, tornando - o um aquífero confinado na parte inferior dessas camadas de rochas. O Afloramento é a parte do aquífero que está na superfície do solo e pode ser visualizado. Podem ser áreas de recarga, quando recebe agua das chuvas que infiltram nos poros do arenito e ou descarga quando ocorrem as nascentes de córregos e rios. Em Lages (SC), temos todas essas situações presentes áreas do aquífero guarani confinadas, afloradas, recarga e descarga.

O Afloramento do Aquífero Guarani no bairro Santa Cândida caracteriza-se poroso e livre, apresentando zonas de recarga direta ou de Afloramento, onde “pequenas faixas aflorantes dos arenitos, consideradas como zona de Recarga Direta (ZDR) do SAG, ocorrem na porção oriental de Santa Catarina e são consideradas como áreas com alta vulnerabilidade a contaminação” (ALMEIDA; SILVA, 2001, p. 2).

O contexto ambiental apresenta-se como espaço potencial para educação ambiental por meio da unidade de educação infantil presente no referido bairro. Assim, o CEIM pode ser o lócus mediador para a efetivação de processos de educação ambiental que envolva a comunidade escolar.



CAMINHOS TRILHADOS PELA PESQUISA

Esta pesquisa partiu do campo da observação, seguido da preocupação do tema escolhido, onde ocorreu uma pesquisa bibliográfica, envolvendo leituras e seleção. A observação é complexa, pois conforme à situação pode ser significativa para o pesquisador e para o outro poderá não ter significado algum, portanto ela pode ou não validar o contexto de pesquisa. A observação de campo nos aproxima dos elementos e sujeitos que contém a matéria para a análise.

Nós, cientistas, fazemos ciência como observadores explicando o que observamos. Como observadores somos seres humanos. Nós seres humanos, já nos encontramos na situação de observadores, observando quando começamos a observar nosso observar em nossa tentativa de descrever e explicar o que fazemos (MATURANA, 2001, p. 126).

Essa observação possibilitará diferenciar a linguagem dos diversos objetos que são trazidos para o domínio das descrições, explicações e reflexões. Assim, o observador só existe quando observa, independente do domínio operacional em que acontecem que pode ser em uma experiência científica ou na vida cotidiana. A capacidade de observar é inerente ao ser humano (MATURANA, 2001).

De acordo com Bardin, (1977, p.32), “[...]. Qualquer comunicação, isto é, qualquer transporte de significações de um emissor para um receptor controlado ou não por este, deveria poder ser escrito, decifrado pelas técnicas de análise de conteúdo. A partir desta metodologia, será descrito o local, a partir do diário de campo para os registros das respectivas observações e algumas das fotografias feitas no local. Nessa etapa a pesquisa foi observacional no entorno de um Centro de educação infantil em Lages (SC). Os momentos de observação de campo ocorreram em 4 visitas ao bairro, com anotações no diário de campo e registro fotográficos.



O CONTEXTO DO BAIRRO E A EDUCAÇÃO INFANTIL

No entorno do contexto observa-se que há um córrego de uma das nascentes do Rio Carahá, no bairro Santa Cândida, este que se encontra no afloramento do Aquífero Guarani, no meio de rochas de Arenito Botucatu e Basálticas e a vegetação localizada entre as Avenidas João Pedro de Arruda e Papa João XXIII. Há também vários problemas ocorrendo em função da ocupação irregular da área, gerando assim uma degradação ambiental, como: possível contaminação do Afloramento do Aquífero Guarani, pois a rocha de Arenito é porosa e absorve tudo o que está no seu entorno e sobre o mesmo como esgotamento sanitário, resíduos industriais e todo tipo de impacto antrópico.

O bairro Santa Cândida não possui escola de educação fundamental anos iniciais e anos finais, isso faz com que as crianças se desloquem até o bairro Boqueirão, onde funciona a Escola Básica Municipal Pedro Cândido. Para o atendimento de crianças da Educação Infantil o bairro possui um Centro de Educação Infantil Municipal (CEIM), que dispõe apenas de 12 vagas para crianças entre zero a três anos e onze meses.

Conhecido como CEIM Santa Cândida esta escola é composta por um quadro funcional de duas professoras, duas auxiliares de sala, uma merendeira, uma coordenadora. No momento o bairro ainda não possui unidade básica de saúde, tendo os seus habitantes que se deslocar até o bairro Santa Mônica para o atendimento. Esta área, caracteriza-se como abrangência do afloramento Aquífero Guarani, também se observa que há fragmentos de campo nativo e um fragmento de floresta ombrófila mista¹, penhascos de rochas basálticas e rochas de Arenito Botucatu. Fragmentos de Floresta Ombrófila mista em Área de Afloramento do Aquífero Guarani – Lages (SC)

Há somente uma rua com calçamento de nome José Wilson Muniz, sendo a rua principal. Aproximadamente cerca de mais de 30 anos as áreas verdes deste local começaram a ser povoadas por famílias carentes, tornando-se clandestinas. Há evidências de degradação ambiental a qual contribui para contaminação do meio ambiente, resíduos que são altamente poluentes, as águas do Rio Carahá e possivelmente as do Aquífero Guarani. A coleta pública de resíduos sólidos é feita em 300 casas, muitas famílias ainda queimam ou enterram os resíduos, principalmente no entorno do Afloramento do Aquífero. O o esgotamento sanitário em alguns casos há fossas sépticas e o restante corre a céu aberto. Constatou-se que a infraestrutura do local ainda é precária, pois não há saneamento básico, o destino dos resíduos residenciais é despejado direto em uma das nascentes do Rio Carahá, existente no local.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Ao discutirmos as potencialidades do entorno escolar, como espaço estratégico para práticas de educação ambiental na educação infantil evidenciamos que, esse lócus é um ambiente apropriado para a ambientalização curricular do CEIM.

A ambientalização curricular é a possibilidade de inserir a educação ambiental onde ainda não é contemplada. Neste caso seria significativo abordar os conceitos que envolvem a educação ambiental a partir do potencial ambiental e único onde se localiza o bairro Santa Cândida e o respectivo CEIM. Essa intencionalidade poderia ser ampliada para os lares das crianças, com práticas educativas que envolvam as famílias.

Para a construção de práticas, valores e atitudes que possibilitem a mudança do estilo de pensamento destes pais e alunos é necessário que o projeto político pedagógico escolar contemple a educação ambiental como um conhecimento interdisciplinar e aberto que contribuirá com a formação cidadã das crianças e suas famílias.

Assim para concluir esse estudo bibliográfico e observacional de uma realidade buscou- se também discutir as implicações das práticas de educação ambiental na educação infantil em área de afloramento do aquífero guarani – Lages (SC), o que levou a refletir que um CEIM com poucos alunos pode influenciar e desencadear uma importante discussão, haja vista, a proximidade das famílias aos centros de educação infantil. Estas práticas implicariam diretamente nas famílias, fazendo com que a comunidade escolar passe a ter outro olhar sobre o lugar onde vivem. A unicidade das áreas de afloramento do Aquífero Guarani são, sem dúvidas, exemplo da repercussão do agir local na dimensão global, hoje uma máxima quando se pensa em sustentabilidades.

REFERÊNCIAS

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BARDIN, L. Análise de conteúdo. Trad. Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 1977.

BOFF, L. Saber cuidar: Ética do humano-compaixão pela terra. 11ª ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

BOND-BUCKUP, G (org.). Biodiversidade dos campos de cima da serra. Porto Alegre: Libretos, 2008.

BORGHETTI, N. R. B; BORGHETTI, J. R.; ROSA FILHO, E. F. Aquífero Guarani: a verdadeira integração dos países do Mercosul. Curitiba, 2004.

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BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em: 20.06.2016. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lages.

CÂNDIDO, K. Aquífero Guarani: O Gigante Subterrâneo. Globo Rural. 2010. Disponível em http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1709439-2454,00.html. Acesso em 14/5/2018

CAPRA, F. As conexões ocultas: uma ciência para uma vida sustentável. 11 eds., São Paulo: Cultrix, 2005.

CARSTEN, G. P. L. Águas Urbanas e Percepção Ambiental no Uso do Solo e Planejamento no Bairro Santa Cândida – Lages – SC. ). Lages (SC). UNIPLAC, 2017

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LEFF, Enrique. Epistemologia ambiental. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2006.

LIMA, Lucia Ceccato de. Modelo Aberto de Educação Ambiental. ETD – Educ. temat. digit. Campinas, SP v.15 n.1 p.161-178 jan. /abr. 2013 ISSN 1676-2592

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte: UFMG, 2001.

MORO, F.M.M.R. Práticas de Educação Ambiental na área de abrangência do Aquífero Guarani: Centro de Educação Infantil Santa Cândida-Lages (SC). Lages (SC). UNIPLAC, 2017

SARMENTO, M. J. Crianças: educação, cultura e cidadania ativa refletindo em torno de uma proposta de trabalho. In: Revista do Centro de Ciências da Educação. Educação, Cultura e Cidadania na pequena Infância. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Educação – v. 23, Florianópolis, janeiro/junho 2005.

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