ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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No. 68 - 11/06/2019
PERCEPÇÃO SOCIOAMBIENTAL E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO ENSINO SUPERIOR  
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PERCEPÇÃO SOCIOAMBIENTAL E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL:

ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO ENSINO SUPERIOR



Lílian de Paula Souza1*; Maria Dolores Alves

Cocco2; Marcelo dos Santos Targa2



Universidade de Taubaté (UNITAU), Taubaté, SP, Brasil

1 Centro Universitário de Salesiano de São Paulo (UNISAL), Lorena, SP, Brasil

2 Docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais

E-mail: liliandepaulasantos@gmail.com; maria.cocco@unitau.com.br;

targa.marcelo@gmail.com

*Autor correspondente

Resumo: As universidades têm como desafio trabalhar políticas institucionais na busca por soluções para os problemas ambientais. Este estudo visa subsidiar as ações necessárias para a elaboração de um plano de gestão institucional ambiental, a partir das respostas para a questão problema que é analisar a percepção socioambiental dos 154 funcionários do setor técnico-administrativo de uma Instituição de Ensino Superior (IES) e com estes parâmetros propor ações de promoção da educação ambiental para a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN). Realizou-se a coleta de dados por meio de questionário, que objetivou identificar o perfil socioambiental, a percepção sobre o tema sustentabilidade e a identificação de ações participativas nas questões ambientais em âmbitos profissional e pessoal. Os dados coletados foram analisados qualiquantitativamente e interpretados com o uso de análise estatística: descritiva e inferencial. Dos ouvidos na pesquisa, 51% correspondem ao público masculino, 34% têm entre 31 e 40 anos e 63% têm ensino superior. Para aprofundamento do estudo e valorização dos atores sociais, duas variáveis foram consideradas. Conclui-se que a “idade” e o “gênero” não influenciam na percepção ambiental dos participantes. Percebe-se a adesão à prática de ações ambientais diárias e a necessidade da implantação de projetos do tipo dentro da instituição.

Palavras-chave: gestão institucional, educação ambiental; ensino superior; ciências ambientais.

Abstract: The universities have challenges environmental problems aligned with institutional policies are challenges to be faced by universities. The present study aims to subsidize actions that are necessary for the organization and elaboration of an institutional management plan on environmental issues, from the perception of the 154 employees of the technical-administrative department of the University in the Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN). Data were collected through a questionnaire with closed questions, in order to identify the socio-environmental profile, the perception about sustainability and the adhesion to actions on environmental matters. Data were analyzed qualitatively and quantitatively and interpreted using statistic analysis: descriptive and inferential. Of the collection of data, approximately 51% correspond to the male audience, 34% were between 31 and 40 years old, and 63% has a university degree. For better analysis of the study and to valuation of social actors, two variables were considered. That is "age" and "gender" do not influence the respondents environmental perception. They expressed their support for the practice of daily environmental actions and the need to implement projects about subject within the institution.

Key-word: environmental administration, environmental education, university, environmental sciences.

1. Introdução

Formar profissionais com habilidades técnicas para atuar no mercado de trabalho é apenas um dos objetivos sociais de uma Instituição de Ensino Superior (IES), além de contribuir para o conhecimento de cidadãos que sejam capazes de discernir sobre os impactos positivos e negativos causados ao meio ambiente em que estão inseridos.

Neste contexto, Tauchen et al., (2006) estabelecem que a ciência e a prática devem trabalhar em conjunto e estarem inseridas no planejamento das instituições, seguindo as diretrizes de educação (BRASIL, 1981) que determinam a fomentação das ações sustentáveis em todas as operações nas IES.

O ato de não incorporar a sustentabilidade socioambiental na universidade é sinônimo de riscos que, por sua vez, podem comprometer a efetivação do desenvolvimento sustentável em suas organizações (MARINHO, 2014). Entretanto, admite-se como sendo um desafio a inclusão do tema nas grades curriculares e nas atividades físicas e operacionais da instituição em que estão inseridos funcionários e professores (OTERO, 2010; BIZERRIL et al., 2018).

Em se considerando os casos de gestão ambiental em âmbito universitário realizados no mundo e no Brasil, na maioria das vezes, são práticas isoladas em contextos em que a IES já está organizada e em funcionamento. Desse modo, são raros os registros em que a instituição planeja desde o início e aplica o desenvolvimento sustentável no aspecto do ensino e nas práticas de funcionamento, que sejam ambientalmente corretas (TAUCHEN et al., 2006).

Portanto a incorporação de práticas sustentáveis passa pela compreensão dos princípios da sustentabilidade pela gestão institucional e as ações concretas realizadas pela IES (BIZERRIL et al., 2018). Todavia, para a implantação de qualquer ação modificadora nos espaços sociais deve-se levar em consideração a história e a identidade dos que ocupam a área e que irão contribuir para o processo sustentável no âmbito social (SANTOS, 2010).

Com a análise de dados perceptivos, tais como, expectativas, satisfações, insatisfações, julgamentos e condutas, compreende-se de forma mais efetiva os diferentes valores atribuídos ao ambiente por indivíduos, que por sua vez, pertencem ou são de origens culturais e econômicas variadas (BUENO, 2016).

A questão ambiental, sob a perspectiva de gênero, é fundamental para entender o processo de transformação ambiental no contexto do desenvolvimento sustentável (HERNANDEZ, 2010). Ao observar a sociedade de forma generalizada, sem levar em conta os gêneros masculino e feminino, desconsideram-se, na visão de Scott (2010) os diferentes comportamentos dos indivíduos de determinadas classes e a forma como essas ações interferem no desenvolvimento de determinado grupo. Neste sentido, avalia-se considerar as perspectivas e atitudes sociais de mulheres e homens e a proporção de interferência de ambos no espaço social que ocupam.

A idade deve ser relacionada com a distinta compreensão acerca da percepção ambiental, tendo em vista o contexto em que os debates sobre o tema foram promovidos e passaram a fazer parte de uma agenda mundial. Afinal, considera-se a ideia de inesgotabilidade dos recursos naturais prevalecer até o final da década de 1960 (CAVALCANTE e ELALI, 2018) e somente a partir de 1980 que se estabeleceu um diálogo mais abrangente sobre as questões ambientais (BRUNTLAND, 1987), com a ampla divulgação da existência do problema.

A partir daí a percepção da relação pessoa-ambiente, sobretudo no que tange os grandes problemas ambientais versus o crescimento econômico, sofre influência pela forma de observação, de crenças e atitudes assumidas (HERNANDEZ, 2010). Dessa forma para Bueno (2016), o saber popular deve ser levado em conta pela comunidade científica, pois pode contribuir no processo a ponto de modificar o meio em que se vive, a partir da percepção e apontamentos feitos pela comunidade.

A percepção socioambiental e a educação ambiental são analisadas neste trabalho a partir do estudo de caso único (YIN, 2001) feito no Centro Universitário de Salesiano de São Paulo, UNISAL, Unidade do município de Lorena (SP). Apresenta-se a análise de dados de 154 funcionários, que pertencem ao corpo técnico-administrativo do UNISAL, qual sua percepção socioambiental. Como a população foi ouvida em sua totalidade, buscou-se criar variáveis independentes para mensurar se idade e gênero influenciam nas respostas apresentadas no questionário quantitativo aplicado de modo que possam, posteriormente, serem implantadas ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Por educação ambiental subentende-se como sendo a ferramenta de conscientização sobre os riscos socioambientais que decorrem da relação homem/natureza, se ela torna capaz de levar a reflexão de indivíduos a reverem suas concepções e seus hábitos (TREVISOL, 2003, p.3).

Pela percepção ambiental a literatura aponta conceitos de identidade (HALL, 2006; SOUZA, 2014) e senso coletivo (BUENO, 2016). Por outro lado, Tuan (1980), defende um estudo mais aprofundado e personalizado, pois segundo ele, seria necessário analisar o histórico biológico, cultural e social do indivíduo ou do grupo em que está inserido para estabelecer a percepção ambiental a ele atribuída.

Por fim, observa-se que uma IES não somente deve ser apenas precursora de estudos, como também pode ser a pesquisa na prática. Em se considerando essa premissa, propõe-se a valorização dos agentes que integram a IES estudo de caso e que são o público que lida com as demais pessoas que chegam até à instituição, sendo em seu cotidiano social, financeiro, ambiental, cultural e político.

2. Material e Métodos

2.1. Local

O presente trabalho foi realizado no Centro Universitário Salesiano de São Paulo, UNISAL, unidade em Lorena (SP), um dos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN), sob as coordenadas geográficas 22º 43’ 51” S, e 45º 07' 29" W.

Apesar de a região representar 5% do Produto Interno Bruno paulista (PIB) e estar localizada as margens da rodovia federal Presidente Dutra, eixo de ligação das capitais São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), os habitantes de Lorena são, em sua maioria, população de classe média baixa, sendo 35,9% dos moradores com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salários mínimos, que trabalham nos setores de serviço, comércio, indústria, pecuária e agricultura (SÃO PAULO, 2007). Conforme o censo 2018, Lorena tem em torno de 88.276 mil habitantes (IBGE, 2018).

2.2 Área de estudo

O CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO (UNISAL) localizada à rua Dom Bosco, 284, Centro, no município de Lorena, SP foi fundado em 1952, e integra a rede de instituições Salesianas espalhadas pelo mundo. A UNISAL em Lorena encontra-se instalada na parte urbana da bacia hidrográfica do Tabuão, afluente do Rio Paraíba do Sul, que banha o município de Lorena, num curso de 16 km (SÃO PAULO, 2007).

Trata-se de uma instituição salesiana que oferece mais de 30 cursos de graduação e pós-graduação com práticas pontuais voltadas à sustentabilidade, em ampla maioria pelos focos ambiental e econômico, conforme Figura 1.

Figura 1: Principais ações sustentáveis na UNISAL, entre 2012 e 2018.

Das principais ações de sustentabilidade elaboradas pelo UNISAL destaca-se, o Plano Pedagógico dos Cursos de graduação (PPC), que inclui o incentivo às práticas ecológicas em sua política fundamental (UNISAL, 2018, p. 135; UNISAL, 2015, p, 107).

Pelo viés acadêmico se enfatiza as pesquisas com discentes e comunidade externa, sobre o tema meio ambiente, realizadas pelo Núcleo de Direito Ambiental e Centro de Extensão e Ação Comunitária, que atuam aspectos como justiça, solidariedade e a sustentabilidade do meio ambiente (UNISAL, 2015).

Em julho de 2016, a IES passou a contar com o Plano Institucional de Sustentabilidade (PIS), que tem como objetivo promover ações que fortaleçam o uso equilibrado dos recursos naturais. O plano sistematiza em relatório anual ações voltadas para a preservação do meio ambiente, além de promover a implantação de novas atividades. As mudanças documentadas pela instituição são a substituição de copos plásticos por canecas de uso permanentes; a implantação da coleta seletiva do lixo; as formações do corpo docente e técnico-administrativo sobre o tema; a realização de eventos sobre o tema; exposições temáticas; iniciativas pontuais já promovidas pelos cursos e setores (UNISAL, 2016).

2.3. Procedimento metodológico

A presente pesquisa caracteriza-se por um estudo de caso único (Yin, 2001), com a utilização de um questionário quantitativo (BARBETTA, 2012), com análise qualiquantitativa dos dados (FREITAS, 2011). Trata-se também de uma pesquisa descritiva, de campo e bibliográfica (GIL, 2008; VERGARA, 2000).

O estudo de caso é uma das mais antigas formas de investigação científica e muito utilizada por pesquisadores sociais, visto que abrange diversos propósitos, dentre elas a possibilidade de “explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos” (GIL, 2008, p.58). É uma estratégia metodológica utilizada para a realização de pesquisa nas ciências sociais e nas ciências da saúde, com objetivo de descrever situações dinâmicas em que o elemento humano está presente (CÉSAR, 2010; MARTINS, 2008), sendo sustentado, no entanto, pelo referencial teórico.

2.3.1. Caracterização da amostra

Observou-se a existência de três tipos de público dentro da IES: professores, funcionários técnico-administrativos e alunos. O presente trabalho contou com informações fornecidas pelos setores técnico-administrativos, com as devidas autorizações internas, de diretores e gestores, para a adesão dos participantes à pesquisa.

A população do levantamento é composta por 154 participantes (funcionários), convidados a participar da pesquisa. Entretanto, 31 funcionários não integraram o estudo alegando os seguintes motivos: 16 optaram por não responder ao questionário; 8 foram desligados da IES durante aplicação questionário; 4 são menores aprendizes e foram excluídos pela caracterização da amostra; 2 encontravam-se afastados por licença-médica no período da pesquisa e 1 foi promovido na ocasião para outro setor da IES.

2.3.2. Coleta de dados

Para a análise da percepção socioambiental foi aplicado um questionário quantitativo, em sua maior parte, formatado com perguntas fechadas e, em alguns casos, com escalas de relevância, definidas pelo grau de importância em opinião apontada pelo participante da pesquisa, conforme Escala de Likert (LIMA, 2000). Optou-se pela repetição de assuntos referentes a hábitos sustentáveis em espaços sociais distintos, para que, a partir da ratificação de respostas dadas, pudesse haver a garantia da opinião já demonstrada em questionamentos anteriores, fosse ela, favorável ou desfavorável ao tema.

Para assegurar a validade e precisão do instrumento, o questionário foi aplicado e avaliado por dois especialistas em sustentabilidade durante o mês de agosto de 2017 em uma população pré-teste formada por 15 participante, número correspondente a 10% do público-alvo (BARBETA, 2008). Após as correções, a aplicação do questionário principal foi realizada entre agosto de 2017 e março de 2018, em diferentes horários de trabalho, totalizando 20 horas de aplicação da pesquisa. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da UNITAU, via Plataforma Brasil, atendendo todo preceito ético dos envolvidos na pesquisa. O questionário foi disponibilizado na plataforma Google Forms, ferramenta que permite a organização dos resultados.

2.3.3. Análise dos dados

Para análise de dados foram consideradas apenas as respostas coletadas na pesquisa principal, ou seja, de 108 participantes. A análise iniciou-se pelos dados descritivos, com a tabulação pela correlação entre as variáveis independentes, por idade e gênero. O objetivo foi identificar a influência da idade e do gênero na percepção socioambiental dos participantes do levantamento.

Com exceção de uma pergunta, as demais realizadas aos participantes têm as respostas apresentadas na forma de questões de frequência (RAMOS, 2018). A análise utiliza cálculos Qui-Quadrado de Pearson, Valor Crítico (padrão), Grau de Liberdade e interpretação de medidas de associação V de Cramer, FI e Lambda, segundo os conceitos:

F: Frequência (número de vezes que a variável estatística assume o valor F ou Fi)

fr: Frequência Relativa

fra: Frequência Relativa Acumulada

X2: Qui-Quadrado

z: Valor Crítico (padrão)

gl: Grau de liberdade

n: Tamanho da Amostra (no estudo, população)

H0: é a hipótese nula (a que se quer rejeitar: As diferenças entre os dois sistemas não são significativas)

H1 e HA: As diferenças entre os sistemas são significativas

O X2 de Pearson foi comparado com um valor tabelado, que depende do número de linhas e colunas da tabela (que é o número de graus de liberdade).

O número de graus de liberdade de uma tabela é dado pelo número de linhas menos um multiplicado pelo número de colunas menos um isto é:

gl ( 1)(c 1)

As medidas de associação V2 de Cramer, FI e próximas de 0 representam associação fraca ou nenhuma e quanto mais próximo de 1, mais forte é a associação. Quanto maior o valor do coeficiente, maior o nível de associação entre as variáveis, conforme Figura 2.

Figura 2: Interpretação de medidas de associação V2 de Cramer, FI e
Fonte: CHAGAS, 2016. Adaptado pelo próprio autor, 2018.

Para a apresentação da maioria dos dados, em que foram constatadas as frequências relativas e as relativas acumuladas foram utilizadas posteriormente, o Diagrama de Pareto, em que os gráficos de barras ordenam as frequências das respostas e a análise da curva da porcentagem acumulada é apresentada na forma de linha. Nos casos em que as respostas não permitem esse tipo de análise, optou-se por gráficos de linha e de coluna. No presente estudo, o nível de confiança do trabalho é de 95%.

3. Resultados e Discussão

3.1. Perfil dos funcionários

Com relação ao perfil dos funcionários quanto à faixa etária, ao sexo, e aonível escolaridade e ao tempo atuação na IES (Figura 3), nota-se que, dentre os participantes, a faixa etária predominante é entre 31 e 40 anos, (34%), seguida pelos que têm entre 41 e 50 anos (27, 8%).

Com relação ao sexo, a instituição apresenta equilíbrio no público participante: 50,9% masculino e 49,1% feminino. O maior número de funcionários tem nível superior, ou seja, 68 participantes (63%), que é decorrente da política interna instituição, que oferece bolsa de estudo aos funcionários, de forma a oportunizar acesso a um curso superior. Cerca de 30 ouvidos possuem ensino médio e 10 têm ensino fundamental, não havendo nenhum participante sem instrução.

Figura 3: Perfil dos funcionários quanto faixa etária; sexo; nível escolaridade e tempo atuação IES.

Embora exista um nível elevado de rotatividade (ROBBINS, 2005), condizente com os padrões nacionais (DIEESE, 2015), evidenciada pelo fato de que 57% dos funcionários estão trabalhando há no máximo 5 anos na IES, o que poderia representar uma elevada insatisfação com o serviço e ambiente de trabalho, ocasionando a rotatividade, contudo, evidencia-se um nível elevado de satisfação dos participantes da pesquisa com o trabalho exercido na IES, pois responderam estar muito satisfeitos 58 funcionários (53,7%), seguidos de 35 (32,4%) satisfeitos e 13 (12%) neutros. Houve apenas um apontamento para nenhuma das respostas.

3.2. Percepção socioambiental

Com relação à percepção socioambiental (Figura 4), verifica-se que para 81 participantes (75%) o termo sustentabilidade está relacionado ao meio ambiente, seguido de 13 (12%) que apontam a economia e 10 (9,3%) à melhoria das relações sociais. Apenas quatro (3,7%) responderam outros conceitos. Esses resultados podem estar relacionados ao maior número de pessoal com formação superior na IES e também pelo fato que cerca de 50% dos funcionários são do gênero feminino, que em geral tem maior esclarecimento e cuidado com o meio ambiente (HERNANDEZ, 2010).

Figura 4: Percepção socioambiental quanto à origem do termo; capacitação; abordagem, e avaliação sobre sustentabilidade na IES.

Para 107 participantes (99%) a formação sobre sustentabilidade é “muito importante” (85,2%) e “importante” (13,9%), que segue uma escala de relevância Likert (LIMA, 2000).

Os assuntos ligados à sustentabilidade deveriam ser abordados na IES na seguinte ordem: Como uma disciplina obrigatória para 37 participantes (34,3%); em eventos e outros projetos acadêmicos para 28 dos pesquisados (25,9%); em todas as disciplinas para 25 (23,1%); em cursos específicos para 7 pessoas (6,5%); e os que não souberam dizer somam 2 (1,9%).
Para 75 dos 108 participantes da pesquisa (69,4%) a instituição é detentora de avaliação boa atuação nas questões ambientais, seguido de 29 pessoas (26,9%) que apontam avaliação regular. Não souberam responder 3 (3%) e avaliaram como ruim 1 (1%), somam (4%).

3.3. Apontamentos para educação ambiental na IES

Com relação às ações sustentáveis apresentadas em forma de eventos; atividades; mudança na infraestrutura na IES (Figura 5), seguindo o padrão de avaliação escala de relevância Likert (LIMA, 2000), ao estabelecerem-se como critérios de avaliação de relevância os seguintes itens: muito importante; importante; seria bom adotar; adotar somente se possível, observa-se as seguintes respostas. Para os participantes as visitas técnicas dos estudantes às empresas para conhecerem atividades relacionadas à sustentabilidade é a ação considerada a mais importante a ser adotada, com 40 afirmações dos participantes (37%) das respostas.

Sobre a adoção de canecas de uso permanente no lugar de copos plásticos, 101 participantes do questionário (93,5%) concordam com a adoção da medida e sete pessoas (6,5%) discordam.

Figura 5: Ações sustentáveis apresentadas em forma de eventos; atividades; mudança na infraestrutura na IES.

Nota-se, ainda, que 67 dos participantes (62,6%) não apresentam desmotivações ou resistências em relação à implantação dos coletores de resíduos e a coleta seletiva do lixo já realizada na IES. A longa distância, e o desconhecimento do processo e da real eficácia do processo aparecem em seguida com 16 (15%), 12 (11,2%) e 12 (11,2%) respostas, respectivamente.

Quando indagados sobre a adoção de hábitos de sustentabilidade na instituição e na vida pessoal (Figura 6), 78 participantes (72,2%) afirmam possuem motivações para adotar práticas sustentáveis nos dois espaços sociais. Para 23 pessoas (21%) a prática é incentivada apenas com reconhecimento social, quatro (3,7%) buscam retorno financeiro e três (2,8%) afirmam não ter motivações positivas para adoção da prática.

A adoção de ações de preservação ambiental já é prática comum para 71 participantes (65,7%), seguidos de 36 participantes (33,3%) que responderam não adotarem ações do tipo.