ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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11/06/2019A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO PARA O SABER AMBIENTAL: TEORIA E PRÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR  
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A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO PARA O SABER AMBIENTAL: TEORIA E PRÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR



THE IMPORTANCE OF PEDAGOGICAL PLANNING FOR ENVIRONMENTAL KNOWLEDGE: THEORY AND PRACTICE IN THE SCHOOL ENVIRONMENT



Daniella Roberta Silva de Assis1, Rejane Magalhães de Mendonça Pimentel2, Cláudio Jorge Moura de Castilho3, José Gustavo da Silva Melo4, Elisabeth Regina Alves Cavalcanti Silva5

¹ Doutoranda em Desenvolvimento e Meio ambiente pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.

² Professora Doutora na Universidade Federal Rural de Pernambuco e Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.

3 Professor Doutor no Departamento de Ciências Geográficas, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.

4 Mestre em Desenvolvimento Urbano, MDU/UFPE, Departamento de Ciências Geográficas, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.

5 Professora Doutoranda em Engenharia Ambiental, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) e Doutoranda em Desenvolvimento Ambiental, UFPE, Brasil. E-mail: elisabeth.silva@ifma.edu.br

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo analisar a importância teórica e prática do planejamento escolar, tendo em vista os novos e complexos desafios para a compreensão da sociedade e suas relações com o meio ambiente. Nessa ocasião, a releitura do tema nos possibilita um olhar frente à natureza didática, mediante um esboço das estratégias e possíveis limitações do exercício docente. No momento que nos atemos a uma reflexão das práticas e variações do planejamento escolar para a educação ambiental, faz-se oportuno uma visão da realidade, ou seja, uma compreensão da relação social dos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. Nesse enfoque, a operacionalização da gestão da sala de aula nos possibilitou uma visão real das práticas de excelência na garantia de uma aprendizagem significativa. O artigo contém uma entrevista qualitativa aplicada na Escola José Francelino Aragão localizada na Avenida 29 de Dezembro, na cidade de Santa Cruz do Capibaribe e uma pesquisa bibliográfica, para aprimorar o conhecimento sobre a importância do planejamento escolar. Diante da discussão dos conceitos abordados, podemos identificar que um planejamento sem um objetivo claro, pode culminar na divisão entre teoria e prática docente, impedindo a conclusão, com êxito, da prática no ambiente escolar.

Palavras-chave: Organização escolar. Prática docente. Ensino eficiente. Saber ambiental.

ABSTRACT

This article aims to analyze the theoretical and practical importance of school planning, considering the new and complex challenges for the understanding of society and its relations with the environment. On this occasion, the re-reading of the theme enables us to look at the didactic nature, through an outline of the strategies and possible limitations of the teaching exercise. The moment we focus on a reflection of the practices and variations of school planning for environmental education, it is opportune a vision of reality, that is, an understanding of the social relation of the subjects involved in the learning process. In this approach, the operationalization of classroom management has given us a real insight into best practices in ensuring meaningful learning. The article contains a qualitative interview applied at the José Francelino Aragão School located at Avenida 29 de Dezembro, in the city of Santa Cruz do Capibaribe, and a bibliographical research to improve knowledge about the importance of school planning. In view of the discussion of the concepts discussed, we can identify that planning without a clear objective can lead to the division between theory and teaching practice, impeding the successful conclusion of practice in the school environment.

Keywords: School organization. Teaching practice. Efficient teaching. Environmental knowledge.



1 INTRODUÇÃO

Com base no Programa Internacional de Educação Ambiental, idealizado a partir de uma reunião de especialistas em educação em 1975, e inspirado nas recomendações da Conferência de Estocolmo de 1972, foram definidos seis objetivos da educação ambiental, dentre eles: (1) conscientização do meio ambiente global e dos problemas planetários que atingem a todos; (2) conhecimento sobre o meio ambiente e seus problemas; (3) interesse em contribuir para proteção e qualidade ambiental; (4) competência para solução dos problemas; (5) capacidade de avaliação dos riscos ambientais; e (6) participação por meio do exercício dos direitos à qualidade ambiental (REIGOTA, 2004).

Nesse sentido, o planejamento das estratégias didáticas para o processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista que o planejamento é uma atividade integradora e interdisciplinar, é um passo crucial para elaboração de métodos mais eficazes que auxiliem os docentes em sala de aula. Segundo Leff (2012), o saber ambiental possui um caráter integrador, compreendendo a necessidade de constituir teorias e práticas voltadas para a rearticulação das relações entre sociedade x natureza, o que inclui a questão da diversidade cultural no conhecimento da realidade, além do problema da apropriação de conhecimentos e saberes em diferentes culturas e identidades étnicas, culminando na necessidade de criação de estratégias para vencer o desafio do aprendizado em sala de aula.

A interdisciplinaridade entre as disciplinas tradicionais é imprescindível para apreensão da complexidade dos problemas ambientais e para proposição de soluções (UNESCO, 1980). Segundo Leff (2001) o saber ambiental “é mais do que [...] a conjunção das diversas disciplinas para resolver um problema concreto”, ele se constitui a partir de uma nova consciência das relações entre desenvolvimento e meio ambiente fundada numa ética que “resiste à exploração, ao desperdício e à exaltação da produtividade como um fim em si mesma”, numa perspectiva social de dependência recíproca em relação ao meio ambiente. Segundo Rodrigues e Nascimento (2017), o conceito de ambiente ligado a imagens de paisagens e povos passa uma mensagem distante e impessoal visto que o ambiente é, em primeiro lugar, o mundo em que se vive e não o mundo que se olha ou se observa.

Dessa forma, este estudo procura abordar a importância do planejamento na vida do docente e sua contribuição para o aprendizado dos estudantes, tendo em vista a realidade da diversidade cultural, das identidades étnicas e da pluralidade dos saberes, que vão além do conhecimento científico. Considerando então que o planejamento é um processo de análise prévia, com o estabelecimento de métodos convenientes para a tomada de ações necessárias no sentido de alcançar determinado objetivo, o planejamento da aula auxilia o docente a concluir com êxito o cronograma do ano letivo, com a organização desse tempo evita-se que o aluno finalize o ano letivo sem ter o acesso a todos os conteúdos ali apresentados, desde o começo do ano.

Dessa forma, um bom planejamento pode tornar as aulas mais interessantes, principalmente através de um enfoque interdisciplinar, com o qual é possível estimular o desejo do aluno a buscar mais conhecimento. Contudo, apesar da importância de planejar a aula, alguns professores ainda são adeptos do improviso, sem a preocupação com o desperdício do tempo e a desorganização.

Dessa maneira, é de suma importância que o planejamento seja visto com seriedade, pois, o mesmo, auxilia na vida profissional docente, sendo um ato de reflexão constante. Sendo assim, este artigo tem como objetivo geral analisar a importância teórica e prática do planejamento escolar. Quanto aos objetivos específicos, tratam-se de: investigar os principais conceitos sobre o planejamento escolar; identificar o andamento do planejamento na escola e suas dificuldades e levar em consideração o saber ambiental dos alunos. Estes objetivos buscam compreender qual a relevância do planejamento no fazer pedagógico docente, através de discussões conceituais a respeito deste tema, utilizando-se também de entrevista com profissional de larga experiência no campo educacional e da análise bibliográfica sobre o assunto.

2 PLANEJAMENTO ESCOLAR: CONCEITOS E DISCUSSÕES

Planejamento escolar é o ato de pensar sobre como fazer um plano de aula, quais as matérias e métodos serão usados para obter o resultado relevante no ensino e na construção do desenvolvimento do aprendizado do aluno, levando em consideração o perfil da turma e o contexto o qual os mesmos se encontram, pois, estes elementos são fundamentais para o desenvolvimento do plano de aula.

Para Moretto (2007), o planejamento deve ser claro, objetivo e flexível, pois é através dele que são traçadas as metas desejadas a serem alcançadas e melhoradas, pois durante a aplicação do planejamento poderá surgir algumas dificuldades, no percurso, onde serão articuladas novas estratégias. Ele ainda completa que planejar é organizar ações. A definição que ele mostra é de fácil compreensão sobre o ato do planejar, pois o planejamento é uma ferramenta muito importante que facilita na execução das aulas, tanto para o professor como do aluno.

No entanto, de modo algum o planejamento pode deixar de considerar a complexidade do real, pois, como afirma Carvalho (2011):

[...] é a percepção de que o conhecimento disciplinar (despedaçado, compartimentalizado, fragmentado e especializado) reduziu a complexidade do real, instituiu um lugar de onde conhecer é estabelecer poder e domínio sobre o objeto conhecido, impossibilitando uma compreensão diversa e multifacetada das inter-relações que constituem o mundo da vida.

Dessa forma, o planejamento deve ser uma organização das ideias. Gandin (2008) sugere que se pense no planejamento como uma ferramenta para dar eficiência à ação humana, ou seja, deve ser utilizado para a organização na tomada de decisões e para melhor entender, isto, precisa-se compreender alguns conceitos, tais como: planejar, planejamento e planos, que segundo Menegolla & Sant’Anna (2001) são expressões sofisticadamente pedagógicas e que circulam no cotidiano escolar.

É um instrumento direcional de todo o processo educacional, pois estabelece e determina as grandes urgências, indica as prioridades básicas, ordena e determina todos os recursos e meios necessários para a consecução de grandes finalidades, metas e objetivos da educação. (MENEGOLLA & SANT’ANNA, 2001, p.40).

Segundo Padilha (2003), o planejamento é um instrumento que proporciona um norte. A direção sobre as prioridades no processo educacional, para a obtenção dos objetivos com finalidade na educação.

Moretto (2007) esclarece que existem três tipos de planejamento na escola:

  • O plano escolar, o qual traz as devidas orientações gerais e atende os objetivos da escola no sistema educacional.

  • O plano de ensino, que se define em metas conteúdos e estratégia metodológica que é executada durante o período letivo.

  • O plano de aula, que é a ministração dos conteúdos da aula.

O planejar requer da pessoa a qual vai executar: realização de pesquisa; ser criativo ao elaborar os conteúdos; flexibilidade a várias situações o tempo na execução, levando em consideração o perfil da turma o contexto no qual o aluno está inserido, priorizar os conteúdos mais importantes (DALMAS, 2003)

Segundo Libâneo (1994), o plano de ensino é interligar os principais objetivos da aula, os conteúdos que serão abordados e as metas desejadas alcança. Nesta perspectiva vimos a importância da execução do plano de ensino, a qual é reiterada pelo autor:

É a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou um semestre; é um documento mais elaborado, no qual aparecem objetivos específicos, conteúdos e desenvolvimento metodológico (LIBÂNEO, 1994, p.222).

De acordo com Piletti (2001), o plano de aula é a execução do que foi planejado, e o desenvolvimento das atividades que serão ministradas no dia letivo, mas com o tempo que o professor e o aluno consigam interagir e dinamizar sobre o ensino–aprendizagem. O autor também completa que

É a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido em um dia letivo [...]. É a sistematização de todas as atividades que se desenvolvem no período de tempo em que o professor e o aluno interagem, numa dinâmica de ensino-aprendizagem (PILETTI, 2001, p.73).

As características que envolvem o desenvolvimento do planejamento precisam ser atendidas. Pois o mesmo permitir um ensino com maior qualidade do ensino e da aprendizagem, por isso, evita a improvisação, que é um fato muito prejudicial para atingir os objetivos necessários a se alcançar. A rotina desorganizada pode tornar as aulas cansativas e desmotivadoras (SCHMITZ, 2000).

O planejamento orienta o professor sobre o que ensinar atentando para vários aspectos a serem observados orientado pelas políticas públicas e pelas diretrizes de bases, projeto político pedagógico e o contexto no qual o aluno está inserido, o professor deve planejar de acordo que previsto em lei e na realidade do contexto escola. O planejamento deve ser claro e objetivo, pois se faz necessário que ele vai diretamente no ponto que será aplicado e sua finalidade na sua realização (DALMAS, 2003).

É necessário considerar a necessidade do aluno, se o plano está sendo compatível a realidade do aluno, no contexto, pois o professor conhece seus alunos e sabe as suas limitações e dificuldades nos conteúdos e seu nível de aprendizagem. Deve propiciar o envolvimento dos educadores em todo o processo de ensino que envolver todos os participantes (SCHMITZ, 2000). O processo educativo permite então reelaborar o saber, na medida em que as práticas pedagógicas de assimilação do saber preestabelecido nos conteúdos curriculares e nas práticas de ensino são transformadas (LEFF, 2012).

De acordo com Dalmas (2003), o planejamento se divide em:

  • Conteúdo, que precisa ser previamente selecionado e articulados entre si, dividindo-se em conceituais, procedimentais e atitudinais;

  • Metodologia, trata-se das etapas do processo de ensino-aprendizagem, neste campo explica toda a dinâmica da sala de aula;

  • Tempo pedagógico, este aspecto nunca deve ser menosprezado, pois sua organização pode ser crucial na eficiência do norteamento ao conhecimento, assim, é fundamental a construção de um cronograma de aprendizagem;

  • Avaliação, é necessário que o ato de avaliar esteja presente em todos os passos do fazer docente, visto que além de ponderar os níveis de conhecimento alcançado pelos estudantes, também aferi as práticas do professor.

Estas ações darão ao planejamento uma organização de como realizar um planejamento com uma finalidade, sobre os objetivos nos quais se deseja alcançar, é necessário planejar o caminho no qual deseja chegar e como chegar e sobre os resultados nos quais se deseja alcançar.

Fusari (2008) afirma que o preparo das aulas é uma ferramenta muito importante para a execução das aulas e no trabalho educacional, pois ela é insubstituível, pois nada pode ser comparado quando é planejada se consegue atingir os objetivos e metas, pois faz parte do compromisso com a democratização do ensino. Também alega que

O preparo das aulas é uma das atividades mais importantes do trabalho do profissional de educação escolar. Nada substitui a tarefa de preparação da aula em si [...] faz parte da competência teórica do professor, e dos compromissos com a democratização do ensino, a tarefa cotidiana de preparar suas aulas [...] (FUSARI, 2008, p.47).

Segundo Vasconcellos (1999), um planejamento de aula deve ser um instrumento com uma capacidade de ação transformadora, onde usa-se a metodologia teórica com uma ação empírica, promovendo o ato do conhecimento. Ainda de acordo com o referido autor, o planejamento pedagógico deve alinhar-se com o projeto político pedagógico (PPP). Assim, o planejamento de aula pode ser considerado uma ferramenta de transformação, pois, oferece direção sobre a metodologia teórica, segundo o que está de acordo com a realidade do contexto escola e sobre as funções que norteia.

Planejar é elaborar o plano de intervenção na realidade, aliando as exigências de intencionalidade de colocação em ação, é um processo mental reflexão, de decisão, por sua vez, não uma reflexão qualquer, mas intencional e repleta de intervenções na realidade (VASCONCELLOS, 2000).

3 PLANEJAMENTO ESCOLAR: REALIDADES E OBSTÁCULOS

No que se refere à construção e adoção do planejamento, os desafios são vários, por esse motivo o planejamento é flexível, para que seja possível a realização de alterações, mediante a ocorrência de dificuldades encontradas no ambiente escolar. Uma das dificuldades encontradas na aplicação do planejamento didático se encontra na flexibilidade dos conteúdos, que são determinados por documentos, que oferecem um direcionamento ao professor e, por conseguinte, a todo andamento da escola.

O Projeto Político Pedagógico, os Parâmetros Curriculares Nacionais, as Leis de Diretrizes e Bases da Educação, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Projeto de Ensino, dentres outros, devem fazer parte da construção do planejamento, dos planos mais gerais aos mais específicos e esta obrigatoriedade, pode ser tida como norteamento, porém, a apreensão do conhecimento profundo destes documentos e a constante atualização destes conteúdos é bastante desafiadora para os profissionais da educação.

Teorizar os desafios concernentes à construção e continuidade do planejamento escolar é de inquestionável importância, contudo, também é necessário entender como ocorre o seu andamento real no dia a dia escolar. Assim, surgem novos desafios epistemológicos e metodológicos que passam a questionar o conhecimento disciplinar e as suas limitações que impossibilitariam o entendimento do mundo.

Dessa forma, a referente pesquisa qualitativa realizou entrevista com uma profissional da gestão escolar, com a finalidade conhecer esta realidade. Além disso, buscou-se atribuir um caráter empírico ao artigo em questão. Para tanto, esta pesquisa apresenta como aporte o princípio da metodologia qualitativa, que conforme Oliveira (2011), trata-se de um procedimento de cogitação e apreciação da realidade, por meio do emprego de processos e artifícios para captação detalhada do objeto de estudo, considerando todo o seu contexto histórico e estruturação, no qual valoriza-se o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo estudada. Assim, o ensejo da pesquisa qualitativa busca, não apenas obter números específicos sobre a temática apresentada, mas sim, apropriar-se do tema, para entendê-lo de modo mais profundo e holístico.

A metodologia qualitativa possibilita situações nas quais a amostragem qualitativa substituir as informações estatísticas, captura dados psicológicos e sociais, permitindo assim novos dados estudos. Portanto, ressalta-se que a metodologia qualitativa é a mais indicada para obtenção de dados (OLIVEIRA, 2011). Logo, torna-se evidente a adequação deste método a esta pesquisa.

Os dados da entrevista foram obtidos através de um questionário, como objetivo de concretizar uma análise comparativa da relação teórica em estudo com a prática do gestor, junto ao planejamento escolar, buscando uma análise das dificuldades enfrentadas dentro da dinâmica do cotidiano escolar. A entrevista foi realizada com a gestora da Escola José Francelino Aragão (Figura 1), pertencente a rede estadual de ensino do estado de Pernambuco, localizada no município de Santa Cruz do Capibaribe, na atualidade atende em média 320 estudantes, do ensino fundamental II, tendo em torno de 15 funcionários entre professores e assistentes de outras áreas. Cabe-nos ressaltar que esta unidade escolar, no passado, contou com o ensino médio e, também, funcionava no turno noturno. Sendo uma das atuais metas da gestora em questão, a volta deste funcionamento noturno e do atendimento as turmas do Ensino Médio.

Figura 1. Escola Estadual José Francelino Aragão. Fonte: Elaborado pelos autoras (2018).

A gestora Gabriela Cesar Gomes da Silva, tem formação em Pedagogia e especialização em Psicopedagogia e em Gestão Escolar, se encontra na área da educação há dezessete anos, atuando como gestora escolar há dois anos.

Na primeira questão, que se trata de “Como é usar o planejamento na escola?”, a resposta foi: planejamento é uma ferramenta de organização prévia da aula, ele serve para vislumbrar e organizar assuntos, estratégias e atividades serviram para evidenciar a aprendizagem das aulas, na escola o planejamento é usado para este fim, e também para sistematizar o processo de ensino – aprendizagem. A entrevistada se mostrou segura e revelou bastante conhecimento sobre o uso desta ferramenta.

Quanto à segunda pergunta, “Quais as dificuldades em seguir o planejamento?”, o retorno foi o seguinte: o planejamento deve ser feito tentando antecipar ações para quaisquer obstáculos que possa acontecer, no entanto, poderá surgir algumas mudanças, pois, ele não é estático, sendo flexível, garante que o professor possa, com ele, redimensionar algumas ações que não consiga ser realizada.A gestora demonstra preocupação nesta questão, devido, especialmente, as intempéries que podem ocorrer no andamento da adoção do planejamento.

No que se refere à terceira questão, “É importante ter um planejamento?”, foi respondido que: sim, o planejamento é importante em qualquer área das nossas vidas e na escola se torna fundamental, para garantia da vivência de uma prática segura e auxilia na determinação dos objetivos que se deseja alcançar. Aqui pôde ser constatado que, mesmo diante das dificuldades de construção e adesão, o planejamento é necessário. Além disso, a fala da gestora corrobora com Kenski (1995), quando este afirma que o ato de planejar está presente em todos os momentos da vida humana. A todo o momento as pessoas são obrigadas a planejar, a tomar decisões que, em alguns momentos, são definidas a partir de improvisações; em outros, são decididas partindo de ações previamente organizadas.

A discussão e o aprofundamento de tais conceitos constituem-se elementos fundamentais para o desenvolvimento de processos pedagógicos comprometidos com a formação de sujeitos capazes de apontar novos caminhos e propor alternativas frente aos graves problemas socioambientais do nosso tempo.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo teve como objetivo estabelecer uma análise sobre a importância do planejamento no ambiente escolar e sua aplicação, considerando o contexto vivido por essas instituições de ensino, incluindo as dificuldades em sua organização. Os resultados obtidos no desenvolvimento deste estudo mostraram decorrências relevantes, nas quais se pôde observar como ações prévias podem determinar o bom andamento de um trabalho educacional, assim como, a falta desta preparação anterior pode comprometer o êxito na aprendizagem.

Tal fato demonstra que por mais estruturas que as unidades escolares ofereçam e por mais capacitados que sejam os profissionais da educação, sem um planejamento todo o resto se encontra afetado de maneira negativa, pois um planejamento pode tornar a educação exitosa, na medida em que possui um alicerce teórico forte, baseado nos documentos formais e legais da educação brasileira, e que apresente, ao mesmo tempo, respeito a realidade e as peculiaridades locais, assim como, a inclusão da diversidade. Dessa forma, é necessário enfatizar o caráter democrático que deve perpetuar a construção e todo o andamento da vivência do planejamento escolar.

5 AGRADECIMENTOS

À FAPEMA pelo apoio à pesquisa, ao programa de pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente e ao Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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