ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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Relatos de Experiências

No. 68 - 11/06/2019
PRÁTICAS EDUCATIVAS SOBRE MEDIDAS PROFILÁTICAS CONTRA PARASITOSES E VIROSES REALIZADAS COM CRIANÇAS NO MUNICÍPIO DE PASSOS – MG  
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PRÁTICAS EDUCATIVAS SOBRE MEDIDAS PROFILÁTICAS CONTRA PARASITOSES E VIROSES REALIZADAS COM CRIANÇAS NO MUNICÍPIO DE PASSOS – MG



Bruna Andrade1

Igor Campos1

Jony Pimenta1

Larissa Santana1

Nathália Alves1

Rafael Chagas1

Silas Braz1

Yara Souza1

José de Paula Silva2



1 Acadêmicos de medicina da Universidade do Estado de Minas Gerais

2 Professor de Parasitologia da Universidade do Estado de Minas Gerais

Email para contato dos autores:

nathaliapealves@gmail.com1

josepaula@gmail.com2



Resumo

As doenças parasitárias têm alta prevalência no Brasil, constituindo um problema de saúde pública. Em estudo realizado em Juazeiro do Norte – Ceará (PEREIRA et al, 2017), com crianças de 1 a 6 anos, a prevalência de parasitas foi de 40%, sendo que as principais formas de contaminação nessa faixa etária são: hábitos precários de higiene, o contato com o solo e com extratos subungueais contaminados. Por esse motivo, o trabalho de extensão visa a conscientização de crianças do Ensino Fundamental da Escola Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos, em Passos, Minas Gerais, do 1º ao 5º ano, como modo de prevenção primária (PEREIRA et al, 2017).

Foi realizada apenas uma visita à escola, onde ocorreu a ministração de uma palestra, por meio de slides extremamente didáticos frente a faixa etária, uma brincadeira educativa para confirmar a fixação do aprendizado pelas crianças. Por meio da palestra, foi repassada às crianças informações referentes às diversas doenças e suas medidas preventivas correspondentes. É importante ressaltar que a palestra fez uso de muitas imagens ilustrativas, para que a atenção e participação ativa das crianças fosse alcançada.

Posteriormente à palestra, foi realizada uma brincadeira em que cartas foram escondidas e as crianças deveriam encontrá-las. Cada carta possuía um par correspondente a ela, sendo que em uma havia o agente etiológico e na outra a profilaxia, de modo que as crianças eram responsáveis pela junção de uma carta com a sua correspondente.

Por último, com uma discussão final, foi notável o aprendizado das crianças quanto ao conteúdo abordado na palestra, mostrando-se eficaz a aplicação do projeto de extensão proposto.

Abstract

Parasitic diseases have a high prevalence in Brazil, constituting a public health problem. In a study conducted in Juazeiro - Ceara (Pereira et al, 2017), with children aged 1 to 6 years old, the prevalence of parasites was 40%, with the major forms of contamination in this age group are: poor habits of hygiene , contact with the ground and with contaminated subungual extracts. Therefore, the extension work aimed at children awareness of elementary school School Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos in Passos, Minas Gerais, from 1st to 5th year as primary prevention mode (Pereira et al, 2017).

It was only carried out a visit to the school, where was the administration of a lecture through extremely didactic slides across the age range, an educational game to confirm the setting of learning by children. Through lecture, it was passed on to children information for the various diseases and their corresponding preventive measures. It notes that the speech made use of many illustrative images, so that the attention and active participation of children was achieved.

After the lecture, a play in which letters were hidden and children should find them was held. Each card had a matching pair to it, that being in a was the causative agent and the other prophylaxis, so that children were responsible for the addition of a letter with your correspondent.

Finally, with a final discussion, it was remarkable children's learning about the content covered in the lecture, being effective implementation of the proposed extension project.

Palavras-chave: Crianças. Parasitoses. Profilaxia.

Resumen

Las enfermedades parasitarias tienen alta prevalencia en Brasil, constituyendo un problema de salud pública. En el estudio realizado en Juazeiro do Norte - Ceará (PEREIRA et al, 2017), con niños de 1 a 6 años, la prevalencia de parásitos fue del 40%, siendo que las principales formas de contaminación en esa franja etaria son: hábitos precarios de higiene , el contacto con el suelo y con extractos subungueais contaminados. Por este motivo, el trabajo de extensión busca la concientización de niños de la Enseñanza Fundamental de la Escuela Educandario Señor Bom Jesus dos Pasos, en Pasos, Minas Gerais, del 1º al 5º año, como modo de prevención primaria (PEREIRA et al, 2017). Se realizó una visita a la escuela, donde ocurrió la ministración de una conferencia, por medio de diapositivas extremadamente didácticas frente a la franja etaria, una broma educativa para confirmar la fijación del aprendizaje por los niños. Por medio de la conferencia, se repasó a los niños información referente a las diversas enfermedades y sus medidas preventivas correspondientes. Es importante resaltar que la conferencia hizo uso de muchas imágenes ilustrativas, para que la atención y participación activa de los niños fuera alcanzada. Posteriormente a la conferencia, se realizó una broma en la que se ocultaban las cartas y los niños deberían encontrarlos. Cada carta poseía un par correspondiente a ella, siendo que en una había el agente etiológico y en la otra la profilaxis, de modo que los niños eran responsables por la unión de una carta con su corresponsal. Por último, con una discusión final, fue notable el aprendizaje de los niños en cuanto al contenido abordado en la conferencia,

Palabras clave: Niños. Parasitosis. Profilaxis.



Introdução

Em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, a prevalência de infecções parasitárias é superior à dos países desenvolvidos, estando as condições de saneamento básico, de moradia e de higiene intimamente ligadas a essa realidade. A falta de conhecimento a respeito das formas de profilaxia de parasitoses é um fator determinante também para a manutenção da ocorrência dessas doenças (VASCONCELOS, 2011).

Diante desse contexto, cabe ressaltar ainda a incidência de enteroparasitoses em crianças em idade escolar, ocorrendo em aproximadamente 31% a 67% delas, pelo que apontam estudos na área. Considerando esse público alvo, os danos nessas crianças podem ocasionar sérios problemas relacionados ao desenvolvimento físico e mental, fator que pode prejudicar a criança no início do aprendizado, levando a déficits cognitivos. Dentro dessa realidade, a educação higiênico-sanitária torna-se essencial para a diminuição no índice de parasitoses intestinais infantis, compreendendo a conscientização precoce em relação aos métodos profiláticos que podem ser adotados no cotidiano desde os primeiros anos escolares (MELO; FERRAZ; ALEIXO, 2010).

Segundo Reuter et al (2015), a implementação de medidas educativas na comunidade é de suma importância para o combate às parasitoses, principalmente quando envolve, além das crianças, os educadores, cuidadores e demais profissionais envolvidos no processo de educação e desenvolvimento delas. Em estudo realizado em Juazeiro do Norte/CE, foi possível observar a presença majoritária de cistos de protozoários, como Entamoeba histolytica, Entamoeba coli, Endolimax nana e Giardia lamblia; e também de ovos de helmintos, como Enterobius vermicularis, Ascaris lumbricoides, Hymenolepis nana e Ancylostoma sp (PEREIRA et al, 2017).

Tratando-se de Passos/MG, o município que ambientou a realização do projeto, cabe citar que conta com uma população na faixa etária de 5 a 9 anos estimada em, aproximadamente, 7.144 crianças, de acordo com dados do IBGE. Sendo assim, torna-se importante discorrer a respeito das parasitoses e sobre suas profilaxias em instituições de educação infantil e, partindo desse princípio, escolheu-se realizar um trabalho de extensão com crianças do 1º ao 5º ano, de uma instituição de ensino fundamental do município, com o intuito de fornecer a elas maiores informações, de maneira lúdica e educativa, acerca de causas e medidas profiláticas das principais parasitose como: Ascaris lumbricoides, Taenia solium, Ancylostoma duodenale, Schistosoma mansoni, Ancylostoma brasiliensis, Oxyurus vermicularis e Entamoeba histolytica, complementando com algumas doenças bacterianas, virais e protozoóticas. Com este artigo, objetiva-se expor e relatar a experiência obtida pelo grupo com a realização das atividades na escola e a análise de como isso afetou as crianças participantes ao fim da efetuação dos exercícios propostos.

Materiais e Métodos

A fim de elucidar os problemas causados por parasitoses, realizou-se uma pesquisa bibliográfica acerca de métodos psicopedagógicos para ensinar crianças de 5 a 8 anos sobre o assunto, grupo objetivado para a prática. Essa atividade realizada no projeto do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos para crianças carentes da Escola Municipal Professor Hilarino Moraes da cidade de Passos – MG teve como início uma breve discussão oral sobre como são as práticas de higiene e conhecimento sobre doenças infectocontagiosas dos educandos. Percebeu-se que as crianças tinham conhecimento das medidas profiláticas, contudo não possuíam noção de suas importâncias.

Seguiu-se então com uma apresentação de slides em Power Point com o equipamento de reprodução da instituição, tendo como base imagens lúdicas dos agentes etiológicos e slides com temática de história em quadrinhos, relacionando as práticas profiláticas com super-heróis e as doenças com os vilões. A linguagem foi simplificada e apropriada à faixa etária do público-alvo de modo a ser compreendida por todas as crianças.

Após isso, os educandos foram orientados sobre o jogo que seria realizado para a fixação do conhecimento exposto. O jogo tinha como base cartas feitas de E.V.A. e papel sulfite, metade com as imagens dos agentes etiológicos e a outra metade com suas respectivas prevenções primárias. Tais cartas foram escondidas no pátio da instituição, as crianças foram divididas em duplas e incentivadas a procurar todas as cartas sob a supervisão da diretora e dos educadores do projeto.

Assim que todas as cartas foram encontradas e entregues ao grupo orientador, as crianças se reuniram em círculo para fazerem a relação entre os agentes etiológicos e suas devidas profilaxias. Se elas respondessem de maneira correta, ganhariam dois pirulitos o que funcionou como o escopo para seu acerto.

Para concluir, houve uma discussão final com as crianças a fim de identificar se houve um aprendizado, conforme o esperado.

Discussão e Resultados

As atividades realizadas com os estudantes de 4 a 7 anos do Projeto Estudantil do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos na cidade de Passos-MG consistiram em, primeiramente, uma palestra educativa e interativa simples (Figuras 1 e 2) para explicar de maneira lúdica as principais parasitoses e algumas viroses que acometem a população de forma geral, inclusive as crianças.

Figura 1. Representação palestra interativa

Figura 2. Participação das crianças na palestra

Figura 3. Representação da brincadeira Caça ao Tesouro

Figura 4. Estudante entregando as fichas do jogo.



Figura 5. Formação das duplas para a brincadeira.

Após essa conversa inicial, em que foram sanadas muitas dúvidas acerca dos métodos de prevenção de cada doença, a equipe de trabalho organizou as crianças em duplas para realizar um jogo de caça ao tesouro (Tabela 1), que teve como objetivo complementar e fortificar o conhecimento prévio das crianças acerca das enfermidades, por meio de uma brincadeira infantil (Figura 3, 4 e 5).

Cada dupla tinha que encontrar apenas uma carta escondida, e todas as crianças participaram, sendo que, ao final da brincadeira, todos se reuniram em roda para correlacionar as cartas de agente etiológico com a respectiva carta que equivalia ao método de prevenção (Figura 6, 7).

Figura 6. Formação da roda de conversa na brincadeira.

Figura 7. Correlação das doenças e os métodos de prevenção.

Durante a correlação realizada pelos alunos, apenas duas duplas de crianças não acertaram a relação das doenças com seus respectivos métodos de prevenção.

Ao final da brincadeira, foi distribuída uma premiação para cada criança, tanto para as que acertaram quanto para as que não acertaram. A equipe de trabalho entende que, independente da resposta certa ou errada acerca das doenças, uma atividade lúdica é de extrema importância para desenvolver conhecimento e reflexão, além de estimular a consciência social sobre as principais doenças que a população está exposta, além da disseminação do conhecimento para o restante dos familiares e sociedade em geral.

REGRAS CAÇA AO TESOURO

  1. Escolher a sua dupla que realizará a brincadeira.

  1. A equipe organizadora esconderá as fichas com as doenças e também as fichas com os métodos de prevenção, em vários ambientes de um local pré-estabelecido.

  1. Cada dupla pode encontrar apenas uma carta escondida no ambiente.

  1. Após encontrar a carta, a dupla deve entregá-la ao responsável e sentar formando uma roda até o final da brincadeira.

  1. Logo que todas as fichas forem encontradas, todas as duplas devem formar uma roda para correlacionar com as doenças com os métodos de prevenção

  1. A dupla que conseguir fazer um maior número de correlações vence o jogo caça ao tesouro.

tabela 1. Regras jogo Caça ao Tesouro.



Tabela 2. Tabela representativa do plano de ação aplicado

Conclusão

Com esse projeto foi possível observar a importância de práticas educativas em saúde preventiva nos ambientes escolares, sobretudo para crianças. Isso se deve ao fato de que as mesmas desde cedo poderão incorporar as medidas profiláticas em seus hábitos cotidianos, influenciando inclusive os indivíduos do meio em que vive.

Além disso, verificou-se com discussão final que o objetivo do projeto, de levar conhecimento quanto às medidas preventivas e a conscientização das crianças através de exposições lúdicas e jogos educativos, foi alcançado.



Referências Bibliográficas

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE – Cidades. Disponível em: < https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/passos/panorama> Acesso em 23 jun. 2018.

MELO, E. M.; FERRAZ, F. N.; ALEIXO, D. L. Importância do Estudo da Prevalência de Parasitos Intestinais de Crianças em Idade Escolar. SaBios: Rev. Saúde e Biol., v. 5, n. 1, p. 43-47, jan/jul. 2010.

PEREIRA, G. L. T. et al. Prevalência de infecções parasitárias intestinais oriundas de crianças residentes em áreas periféricas, município de Juazeiro do Norte – Ceará. Rev. Interfaces, v. 5, n. 14, p. 21-27. 2017. Disponível em: < http://interfaces.leaosampaio.edu.br/index.php/revista-interfaces/article/view/370/pdf > Acesso em 23 jun. 2018.

REUTER, C. P. et al. Frequência de parasitoses intestinais: um estudo com crianças de uma creche de Santa Cruz do Sul - RS. Revista do Departamento de Educação Física e Saúde e do Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul/Unisc, v. 16, n. 2, p. 142-147, abr/jun. 2015.

VASCONCELOS, I. A. B. et al. Prevalência de parasitoses intestinais entre crianças de 4-12 anos no Crato, estado do Ceará: Um problema recorrente de saúde pública. Rev. Acta Scientiarum, Health Science, vol. 33(1): 35-41, 2011.



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