ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Área de autores      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Sementes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias
 
Relatos de Experiências

No. 68 - 11/06/2019
PERCEPÇÃO AMBIENTAL E ANÁLISE DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NO PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ/MG  
Link permanente: http://revistaea.org/artigo.php?idartigo=3743 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

PERCEPÇÃO AMBIENTAL E ANÁLISE DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NO PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ/MG

Robert Bezerra Campos1

Marcos Paulo Gomes Mol2



1Engenheiro civil, pós graduando em Engenharia Sanitária e Ambiental, Conselheiro consultivo Parque Nacional do Caparaó. robertbezerracampos@gmail.com

2 – Doutor em Saneamento, professor contratado da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG); pesquisador da Fundação Ezequiel Dias (FUNED). marcos_mol@yahoo.com.br



RESUMO

Este estudo busca descrever a importância das Unidades de Conservação (UC) no relacionamento do ser humano com a natureza. As UCs foram criadas com objetivo preservar o patrimônio ecológico de porções significativas de diferentes populações, além de garantir o desenvolvimento sustentável de atividades econômicas das comunidades locais e a educação ambiental. Diante do contexto ecológico das UC, o Parque Nacional do Caparaó destaca-se como potencialidade turística, sobretudo proteção da sua biodiversidade. Logo, este artigo se propôs a levantar dados sobre a geração e destinação de resíduos dentro da unidade bem como conhecer mais sobre o perfil dos visitantes sobre este assunto. O estudo buscou identificar a opinião dos visitantes sobre o descarte de resíduos na UC, analisar e caracterizar os resíduos deixados pelos mesmos, bem como o seu impacto no ambiente. Foram propostas medidas educativas para minimizar o descarte de lixo no interior da UC, uma vez que sua proposta é a preservação.

PALAVRA-CHAVE: Unidade de Conservação. Trilhas. Coleta Seletiva. Educação Ambiental.



ABSTRACT

This study looks to describe the importance of the Unities of Conservation (UC) in the relationship of the human being with the nature. The UCs were created with the purpose to preserve the ecological inheritance of significant portions of different populations, besides guaranteeing the sustainable development of economical activities of the local communities and the environmental education. Before the ecological context of the Unities of Conservation, the National Park of the Caparaó stands out as a tourist potentiality, especially protection of his biodiversity. Therefore, this article is committed to raising data on the generation and destination of wastes inside the unity as well as knowing more on the profile of visitors. The study looks to identify the opinion of UC visitors, to analyses and to characterize the wastes left by them, as well its impact in the environment in which it is located. Above all, to propose educational measures to minimize the disposal of waste within the UC, since its proposal is preservation.

KEYWORDS: Unity of Conservation. Trails. Selective collection. Environmental education.



INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da humanidade, o homem busca transformar o lugar onde se fixou, em busca de habitação e alimento. Desde o momento em que o homem deixa de ser nômade e passa a ocupar permanentemente um lugar na natureza, percebemos o impacto ocasionado pela busca da sobrevivência, sobretudo alimento (NAGALLI, A., 2014).

A sociedade se encontra em uma avançada etapa de desenvolvimento industrial e altamente consumista, cujos valores predominantes dizem respeito ao ter, enfatizando o competir, o dominar e o descartar, momento caracterizado pelo consumo massivo de bens e serviços disponíveis em virtude da elevada produção. A comodidade e a vida corrida e sem tempo reforçam estas atitudes e marcam o estilo de vida e padrão cultural (ZANETI, 2003). Verifica-se que do ponto de vista antropológico, as características das sociedades de consumo são provenientes de fatores sociais e culturais, sobretudo, não podem ser desconsiderados fatores históricos, uma vez que a revolução industrial impulsionou o desenvolvimento da produção em massa observada na atualidade (PINTO, 1999).

Embora o relacionamento da humanidade com a natureza sempre tenha existido de alguma maneira, nos dias atuais é notória a pressão exercida sobre os recursos naturais provenientes das atividades humanas. Com o objetivo de garantir a preservação de grandes áreas naturais, surgiu em 1872 o primeiro parque nos Estados Unidos, o Parque Nacional de Yellowstone. No Brasil, o pioneiro foi o Parque Nacional do Itatiaia, em 1937. Inserido na Mata Atlântica, o Parque Nacional do Caparaó foi criado em 1961 com o objetivo de proteger os recursos naturais da região da Serra do Caparaó.

No Brasil, a proteção das áreas ambientais foi enfatizada pela legislação. Como exemplo, a Unidade de conservação (UC) foi a denominação dada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, para as áreas naturais passíveis de proteção por suas características especiais. São “espaços territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob o regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção da lei” (Art. 1°, I).

As UC têm a função de salvaguardar a representatividade de porções significativas e ecologicamente viáveis de diferentes populações, habitats e biomas, preservando o patrimônio biológico existente. Além disso, garantem às populações tradicionais o uso sustentável dos recursos naturais de forma racional e ainda propiciam às comunidades do entorno o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis (ICMBio, 2018). Portanto, uma das maneiras de ampliar o uso das áreas protegidas proporcionando a formação de indivíduos mais conscientes em relação à necessidade de cuidar destas áreas protegidas é desenvolvendo ações de Educação Ambiental (EA). Uma das ações é a identificação das características dos resíduos encontrados nas trilhas, visto que esta composição se modifica consoante as mudanças que ocorrem nas sociedades. A composição física dos resíduos é bastante variável, dependendo dos fatores que influenciam, como os hábitos e padrões de vida da população, as características do local e funções geográficas prevalentes, e o clima e estações do ano.

O conceito de EA retrata, por sua vez, a situação crítica que o mundo passou a observar a partir da década de 1970, e ressalta a importância de se atuar através da conscientização e da sensibilização da população visando superar a visão equivocada sobre os limites da capacidade de exploração do planeta. “A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos” (QUINTAS, 2008).

Diante do cenário de ambientes preservados das Unidades de Conservação, o Parque Nacional do Caparaó destaca-se como potencialidade turística, sobretudo proteção da sua biodiversidade. Logo, este artigo se propôs a levantar dados sobre a geração e destinação de resíduos dentro da unidade bem como conhecer mais sobre o perfil dos visitantes sobre este tema.

METODOLOGIA

Este trabalho tem como metodologia a realização de um estudo de caso, realizado no Parque Nacional do Caparaó, embasado por pesquisas bibliográficas, sobretudo experiências do autor, bem como aplicação de questionários em busca da opinião dos visitantes da unidade de conservação.

Estudo de caso é uma estratégia de investigação em que o pesquisador explora profundamente um programa, atividade, um processo ou o comportamento de um ou mais indivíduos. Os casos são relacionados pelo tempo e pela atividade, e os pesquisadores coletam informações detalhadas usando vários procedimentos de coleta de dados durante um determinado período de tempo (STAKE, 1995).

O estudo foi realizado durante os meses de maio, junho e julho de 2018. Foram monitorados semanalmente a massa e caracterizados as composições físicas dos resíduos sólidos gerados pelo público visitante registrado naquela semana no Parque Nacional do Caparaó, mais precisamente no acesso através da portaria de Minas Gerais.

Sobre os questionários, ressalta-se que foram aplicados aos visitantes no período de alta temporada, entre os meses de junho e agosto. Perguntas referentes a visão do visitante quanto a limpeza das trilhas e seus hábitos em ambientes ecológicos estiveram presentes no questionário. Os estudos buscaram descrever de forma qualitativa a limpeza das trilhas da unidade, bem como associar o desenvolvimento turístico à preservação, visando não comprometer a preservação da biodiversidade.

Outro aspecto muito importante são as relações dos visitantes durante os percursos dos atrativos, estabelecidas com o meio ambiente. Estas relações do homem com meio natural permitem compreender os tipos de intervenções que aquela área está sujeita, seja pelo uso direto ou indireto do espaço através das relações estabelecidas, como demonstra Sauvé (2005).



CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO

Contexto histórico

Por volta de 1859, D. Pedro II determinou que fosse colocada uma bandeira do Império no pico mais alto da Serra do Caparaó. Acredita-se que a denominação “Pico da Bandeira”, o terceiro mais alto do país (2.892m) se deva a esse fato (ICMBio, 2018).

A criação do parque se deu pela importância ecológica da área, ocorrida em 1922, após a visita de pesquisadores brasileiros e estrangeiros na região, com intuito de proteger a área legalmente (ICMBio, 2018). No entanto, há relatos de que havia uma mobilização social, na mesma época, que falavam da necessidade de se instituir uma reserva a partir de 1.800m de altitude (ICMBio, 2018). Outra razão também muito importante para a criação do parque era a existência de maciços de grandes altitudes, como o Pico da Bandeira (2.982m), terceiro mais alto do Brasil, cuja altitude foi determinada por volta de 1911 (ICMBio, 2018).

Somente em 20 de setembro de 1948 surgiu o primeiro dispositivo legal de proteção na região do PARNA do Caparaó, quando o Decreto Lei Estadual n°55 foi estabelecido, criando-se a “Reserva Florestal do Pico da Bandeira”. No mesmo ano, o diretor do Parque Nacional da Serra dos Órgãos encaminhou parecer favorável à transformação da área em Parque Nacional (ICMBio, 2018). Da mesma forma foram feitos vários pedidos subsequentes de prefeitos e entidades locais, dirigindo-se ao Presidente da República, solicitando a criação do Parque. Enfim, em 1961 o presidente Jânio Quadros criou o Parque Nacional do Caparaó (IBDF, 1998), assinando o decreto federal n.°50.646.



Descrição do parque

O parque possui uma área territorial de 318 km² e está localizado entre os estados de Minas Gerais e Espirito Santo. Com possibilidades de acessos pelos dois estados, o acesso mineiro, objeto deste estudo, se destaca com 80% da receptividade turística da unidade de conservação (ParNaCaparaó, 2018) e conta com duas estruturas de acampamentos: tronqueira e terreirão. Uma trilha de 7km em campos de altitude passa por essas áreas de acampamento, dando acesso ao Pico da Bandeira. Além disso, o lado mineiro da unidade de conservação é composto por cachoeiras e trilhas que dão acesso às mesmas. A Figura 1 indica a entrada do parque no acesso de MG.

Figura 1 - Portaria do Parque (acesso localizado no Estado de MG). Imagem do autor



O bioma possui a maior biodiversidade do país e representa um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, o qual 90% de sua cobertura vegetal perdeu-se por meio do desmatamento (ICMBio, 2015).

Atualmente, grande parte dos visitantes que chegam ao parque é atraído não só pelas belezas naturais, mas também pela perspectiva de acessar o Pico da Bandeira, a terceira maior montanha do Brasil, com 2.892m de altitude. Ainda são atraídos para conhecer o ecossistema da Unidade, os trabalhos desenvolvidos de Educação Ambiental e os trabalhos das comunidades. As montanhas do maciço da Serra do Caparaó apresentam paisagens de grande beleza, existindo também outros picos importantes como o Pico do Cristal (2.770m) e o Pico do Calçado (2.849m) (IBGE, 2015). O mapa descrevendo os principais pontos do parque está apresentado na Figura 2, e na Figura 3 há uma ilustração do Pico da Bandeira.

Figura 2 – Mapa do Parque Nacional do Caparaó (Fonte: autor, 2018)

Figura 3 – Pico da Bandeira (imagem do autor, 2017)

Responsável pela preservação da biodiversidade da região da serra do Caparaó, o Parque Nacional do Caparaó, gerido pelo Instituto Chico Mendes da Preservação da Biodiversidade, fomenta turismo no município, movimentando a economia do comércio local, sobretudo do trade turístico (ICMBio, 2018). O município que abriga a entrada principal de acesso ao parque, Alto Caparaó, é abastecido pelo Rio Caparaó, que nasce no interior do parque nacional e possui aproximadamente 6.000 habitantes distribuídos na zona rural e urbana. No entanto, com o crescimento do turismo o município acolhe em torno de 50 mil turistas por ano, segundo dados do (PaNaCaparaó, 2015).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a descrição das principais características do parque, retornaremos ao tema central que está associado à gestão de resíduos no parque estudado. Sobre a classificação dos resíduos, pode-se afirmar que esta envolve a identificação do processo ou atividade que deu origem ao resíduo, bem como de seus constituintes e características. Estas informações devem ser comparadas com listagens de resíduos e substancias cujo o impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido (ABNT, 2004).

A composição física dos resíduos é bastante variável, dependendo dos fatores que influenciam:

  • Hábitos e padrões de vida da população geradora dos resíduos sólidos;

  • Características do local e funções geográficas prevalentes;

  • Clima, estação do ano ou temporadas de turismo. (ABNT, 2004).

Sobre os dados gerados nesta pesquisa, no final do período de amostragem foi calculada uma massa de 147 kg de resíduos deixados pelos usuários no interior do Parque Nacional do Caparaó no período dos três meses monitorados. A coleta dos resíduos foi realizada pela cooperativa de reciclagem Agapé, que submeteu estes materiais ao processo de separação e pesagem para serem reaproveitados na coleta seletiva. Na Figura 4, é possível observar o percentual das características destes resíduos coletados pela Agapé.

Figura 4 – Caracterização dos resíduos coletados no Parque Nacional do Caparaó no período estudado (Autor, 2018)

O registro de visitas durantes os meses monitorados foi fornecido pelo Parque Nacional do Caparaó, através de seu banco de dados de visitação de uso público. Foi registrado durantes os meses monitorados 17.053 visitantes na portaria do Parque Nacional do Caparaó pelo acesso mineiro.

Com base nos na quantidade de resíduos gerados, obteve-se uma taxa média de 8,62g de resíduos recicláveis gerados por visitante, considerando que em 2017, o número de visitas foi de 64 mil turistas, atingimos 551,7 Kg de resíduos levados para o interior do Parque Nacional do Caparaó em apenas um ano.

Resultados da pesquisa de opinião

Participaram da pesquisa de opinião 200 visitantes. Para melhor identificar o perfil destes indivíduos, foi perguntado sobre o grau de escolaridade, conforme apresentado na Figura 5. Nota-se que 60% dos participantes relataram possuir ensino superior ou pós-graduação.

Figura 5 – Grau de instrução dos participantes (Autor, 2018)

Para identificar o perfil de engajamento dos turistas em relação à frequência com que visitam parques nacionais, foi constatado que 34% afirmaram raramente visitar UC, ao mesmo tempo em que 40% responderam que visitam ocasionalmente e somente 26% visitam UC com muita frequência.

Na pesquisa também foi perguntado aos visitantes se encontraram algum tipo de resíduo sólido disposto inadequadamente durante os passeios. 60% responderam que sim, enquanto 32% afirmaram não ter encontrado este tipo de material descartado incorretamente no parque. Destaca-se que 8% dos entrevistados não souberam responder a esta questão.

Quando perguntados sobre onde costumam descartar os resíduos gerados durante a visita às áreas naturais, a maior parte dos participantes (92%) relatou que guarda para descartar posteriormente em local adequado. Os mesmos afirmaram ter realizado o descarte em lixeiras adequadas fora da UC. O restante (8%) afirmou não gerar resíduos. Portanto, nenhum dos participantes mencionou ter problemas ao descartar resíduos. A grande reflexão que fica é: mesmo se tratando de uma pesquisa amostral, se todos garantem gerenciar de forma adequada os resíduos, de onde vem os resíduos encontrados dispostos indevidamente no parque?

Ao serem perguntados sobre como classificam a limpeza das trilhas, 34% identificou as condições como regular ou ruim/péssima, conforme a Figura 6.

Figura 6 – Classificação da limpeza das trilhas e dos acampamentos (Autor, 2018).

Concomitante com a aplicação dos questionários, o autor foi a campo em busca de informações que representassem o cenário no qual os entrevistados comentavam a respeito. Muitas trilhas foram analisadas, desde as trilhas curtas de fácil acesso, às de grau elevado na concepção do montanhismo. Foi observado pelo autor que nas trilhas de longo alcance, que abrangem áreas remotas e de altitudes elevadas, havia muito resíduo descartado inadequadamente, conforme a Figura 7. Este fato implica um grave problema para a gestão do parque, visto que estas áreas não permitem a entrada de veículos, sendo demandado a retirada destes resíduos exclusivamente manual.

Figura 7 – Resíduos sólidos descartados inadequadamente em trilhas de longo alcance (imagem do autor, 2018).

Outra abordagem proposta no questionário foi sobre a classificação e opinião sobre a separação dos resíduos sólidos do parque. Nesta questão, 30% dos participantes disseram ser ruim/péssima, 30% classificaram como regular e 32% afirmaram ser boa/ótima. Notou-se que 8% dos entrevistados informaram não ter encontrado nenhuma lixeira de coleta seletiva no parque.

Figura 8 – Classificação da coleta seletiva no parque, de acordo com os entrevistados. (Autor, 2018)

Para finalizar o questionário os entrevistados responderam se achavam ou não necessária a instalação de novas lixeiras ao longo das trilhas e dos atrativos. Dentre as respostas, 25% das pessoas responderam que deveriam ser instaladas, ao passo que 75% não acreditavam nesta necessidade. Segundo eles, uma maior conscientização no descarte dos resíduos seria mais eficaz a respeito da salubridade dos ambientes.

Experiência Pessoal

Juntamente com a administração do parque, o autor propôs um projeto de intervenção para promover a conscientização dos visitantes da unidade acerca dos resíduos sólidos deixados ou encontrados, por eles, nas trilhas do parque. Segundo a diretora da UC, Clarice Silva, o projeto promoveria reflexão àqueles visitantes que passariam pelo local. Para isso, foi criado um painel no qual os resíduos sólidos deixados pelos próprios visitantes ficariam expostos, permitindo que os mesmos interagissem com a exposição, conforme Figura 9. Assim sendo, o resultado do projeto está alinhado com a proposta da Educação Ambiental, uma vez que:

(...) visa a induzir dinâmicas sociais, de início na comunidade local e, posteriormente, em redes mais amplas de solidariedade, promovendo a abordagem colaborativa e crítica das realidades socioambientais e uma compreensão autônoma e criativa dos problemas que se apresentam e das soluções possíveis para eles (SUAVÉ, 2005, p.317).

Figura 9 – Exposição dos resíduos sólidos descartados inadequadamente no parque (Imagem do autor, 2018)

A educação ambiental integra uma verdadeira educação econômica: não se trata de “gestão do meio ambiente”, antes, porém, da “gestão” de nossas próprias condutas individuais e coletivas com respeito aos recursos vitais extraídos deste meio (SUAVÉ, 2005, p.317).



CONCLUSÃO

Abordar problemáticas ambientais é compreender que sempre existem atores sociais que estabelecem relações sócio ambientais complexas com o meio, dando origem aos cenários investigados. Perante os resultados obtidos durante o período analisado, observa-se que o princípio básico de um parque, que inclui o lazer e recreação turística em harmonia com a preservação da natureza, bem sempre é cumprido, apesar dos relatos que afirmam não gerar problemas ambientais. Os dados apontam uma expressiva demanda turística sobre a unidade, fator que fomenta a retirada anual superior á 500 kg de resíduos no interior do parque.

Os campos de altitude, sobretudo trilhas em áreas remotas, apresentam uma adversidade quanto a retirada de resíduos, devido à inacessibilidade de veículos na trilha que inviabiliza uma rotina de limpeza. Vale salientar que alguns entrevistados apontaram a não necessidade de instalação de lixeiras ao longo das trilhas, afirmando necessária apenas uma colaboração maior dos visitantes quanto ao retorno dos resíduos para fora da UC. Assim, o processo de conscientização deve ser intensificado incluindo os visitantes que, ao adentrar na UC, passariam a ser sensibilizados sobre a forma correta de gerenciar os resíduos.

Portanto, devemos compreender que fazer educação ambiental não é dissociar homem de meio ambiente, mas sim assimilar sua relação com o ambiente, utilizando a gestão da visitação pública como ferramenta imprescindível para o desenvolvimento sustentável.



REFERÊNCIAS

ABNT- – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10.004 – Resíduos sólidos – Classificação.
http://analiticaqmcresiduos.paginas.ufsc.br/files/2014/07/Nbr-10004-2004-Classificacao-De-Residuos-Solidos.pdf ( acesso em 07 de agosto de 2018)

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10007/87: – Amostragem de Resíduos – Procedimentos. https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf( acesso em 07 de agosto de 2018)

BRASIL- INSTITUTO CHICO MENDES DA PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
http://www.icmbio.gov.br/parnacaparao (acesso em 22 de julho de 2018)

BRASIL- MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE- LEI FEDERAL N° 9795/98
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm(acesso em 10 de agosto de 2018)

DEAN, (1996)

http://seer.ufrgs.br/aedos/article/viewFile/16742/11956 (acesso em 25 de Agosto de 2018)

http://www.scielo.br/pdf/asoc/v11n2/v11n2a03.pdf (acesso em 05 de agosto de 2018)

ICMBio- Parque Nacional do Caparaó – Alto Caparaó Minas Gerais
Informações fornecidas pela direção do ParNaCaparaó. (23 de julho de 2018)

IBDF- Parque Nacional do Caparaó, (atual ICMBio) - Alto Caparaó Minas Gerais

NAGALLI, A. (2014) - Gerenciamento de Resíduos.
http://www.academia.edu/28434298/Gerenciamento_de_Res%C3%ADduos_S%C3%B3lidos_na_Constru%C3%A7%C3%A3o_Civil_2014_-_Andr%C3%A9_Nagalli.PDF (acesso 27/08/2018)

PINTO, T.P. (1989) Perdas de materiais em processos construtivos tradicionais. São Carlos: Departamento de Engenharia Civil da Universidade de São Carlos (texto datilografado), 33p, 1989

QUINTAS, J. S.(2008) Salto para o Futuro.
http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/politica-de-educacao-ambiental/?tmpl=component&printi=1 (acesso em 20 de outubro de 2018)

SAUVÉ, (2005) Lucie. Educação ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.31, n.2, p.317-322, maio/ago. 2005. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/%0D/ep/v31n2/a12v31n2.pdf>. (Acesso em: 03 de novembro de 2018)

STAKE, R. E. (1995). A arte da pesquisa de estudo de caso. Thousand Oaks, CA Sage

https://legacy.oise.utoronto.ca/research/field-entres/ross/ctl1014/Stake1995.pdf

ZANETI, (2003) Izabel.C.B. B. Educação Ambiental, Resíduos sólidos urbanos e Sustentabilidade: um estudo de caso sobre o sistema de gestão de Porto Alegre/RS. Tese de Doutorado. Centro de Desenvolvimento Sustentável/UnB, 2003. (texto impresso, arquivo biblioteca Facig)





" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
  Início      Cadastre-se!      Procurar      Área de autores      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Plantas medicinais     Folclore     Práticas de Educação Ambiental     Sementes     Ações e projetos inspiradores     Gestão Ambiental     Cidadania Ambiental     Relatos de Experiências     Notícias