ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
AÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOBRE SAÚDE DO TRABALHADOR PARA TRABALHADORES DE UMA EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL E COMÉRCIO NO MUNICÍPIO DE SÃO CARLOS - SP  
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AÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOBRE SAÚDE DO TRABALHADOR

PARA TRABALHADORES DE UMA EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL E COMÉRCIO NO MUNICÍPIO DE SÃO CARLOS - SP



Natália Cochar-Soares1, Eilane Souza Marques dos Santos1, Diana Gabriela Mendes dos Santos1, Elisa Vasques Peres1, Flávia Silva Marin1, Júlia Fernandes do Amaral1, Lillian Silva Araújo1, Maria Julia Rodrigues Tamaso1



1Estudante de Graduação em Gerontologia, Departamento de Gerontologia, Universidade Federal de São Carlos



Resumo: Considerando que a maior parte da população masculina das camadas pobres atua na construção civil, e que este é considerado um dos mais perigosos campos de trabalho, torna-se essencial a realização de ações educativas direcionadas a esse público, uma vez que estão expostos a diversos riscos à saúde. Portanto, a ação proposta no presente estudo teve como objetivo apresentar aos trabalhadores medidas simples de autocuidado com a saúde, de forma a conscientizá-los da importância e, assim, incentivá-los a praticarem tais medidas, a fim de prevenir doenças, contribuindo para o envelhecimento saudável e promoção da qualidade de vida, tanto na vida pessoal quanto no ambiente de trabalho. Para isso, foi realizado um prévio diagnóstico, por meio de uma entrevista com os trabalhadores, para identificação de demandas a serem abordadas no dia da ação, bem como do contexto social em que estes estavam inseridos; posteriormente, a ação foi realizada através de uma roda de conversa com utilização de linguagem adequada para entendimento de todos. Pôde-se observar dados do perfil dos trabalhadores coletados na entrevista, a liberdade de manifestação de ideias dos participantes e troca de conhecimentos, como também o feedback positivo dos trabalhadores em relação à ação desenvolvida.

Abstract: Considering that the majority of the male population poor of the poor works in civil construction, and that this is considered one of the most dangerous fields of work, it is essential educational actions for this public, because they are exposed to health risks. Therefore, the objective of the action proposed in the present study was to present for the workers simple measures of health self-care, for aware them about the importance and encourage them to practice such measures, to prevent diseases, contributing to the aging healthy and promoting the quality of life in personal life and in the work environment. For that, a previous diagnosis was made, through an interview with the workers, to identify the demands to be addressed on the day of the action, as well as the social context in which they were inserted; later, the action was made through a conversation using proper language for everyone's understanding. It was possible to observe profile data of the workers, collected in the interview, the freedom expression of ideas from participants and exchange of knowledge, as well as the positive feedback of the workers about the action developed.





INTRODUÇÃO

Hodiernamente, enfrentamos muitas problemáticas devido ao passado de uma sociedade que valorizou e ainda valoriza a superprodução e o consumo exagerado, vicioso e insustentável, dentre elas, pudemos observar mudanças climáticas, escassez de recursos e principalmente a desigualdade entre os homens, pois marginalização dos menos favorecidos regional e economicamente não permite a execução dos seus diretos e deveres de forma justa e igualmente acessíveis a todos (TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 2012). Diante do cenário desequilibrado do mundo cotidiano, pensa-se em estratégias que possam modificar essa situação e garantir maior qualidade nos ambientes urbanos.

A Educação Ambiental é um campo que se preocupa com a relação entre o homem e o meio ambiente, propondo a construção de discussões críticas e reflexivas dos mecanismos de desenvolvimento social e a participação do cidadão de forma plena. Ademais, não diz respeito somente do meio ambiente natural, mas de tudo aquilo que circunda o homem e suas relações, o que também engloba ambientes não naturais, tornando-o, portanto, um ser político, considerando aspectos sociais, culturais, históricos e ambientais (TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 2012).

Sendo assim, viabiliza aprendizagem política por meios formais e informais, troca mútua de conhecimentos e oportunidade de instigar o pensamento crítico acerca de questões sociais, além dos direitos dos cidadãos, capacidade de trabalho e, consequentemente, a formação de um ambiente comunitário mais igualitário que propicia maior qualidade de vida aos seus habitantes (TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 2012).

É sabido que a população envelhece exponencialmente devido aos avanços nas áreas da medicina e desenvolvimento científico, juntamente com a queda da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida, resultando em alterações no perfil demográfico e epidemiológico da população (LEBRÃO, 2007). Para além, entende-se que a inversão da pirâmide etária e o fenômeno de transição epidemiológica são o reflexo das transformações nutricionais, do crescimento social e econômico e da urbanização, estando diretamente relacionadas à interação do homem com o meio ambiente (IBGE, 2017).

Dessa forma, levando em consideração que o meio ambiente é totalmente relacionado aos aspectos que tangem a Saúde Pública, o direito civil, o desenvolvimento de políticas públicas, bem como o desenvolvimento social, a Educação Ambiental vem como alternativa para a construção de um sistema que garanta mais qualidade de vida entre as populações urbanas e atenda as demandas de um envelhecimento saudável e menos desigual.

Além disso, segundo Santana e Oliveira (2004), a maior parte da população masculina das camadas pobres atua na construção civil, o qual é considerado um dos mais perigosos campos de trabalho. Ressalta-se então a necessidade de uma devida atenção a esses trabalhadores, uma vez que estão expostos a diversos riscos à saúde, o que torna essencial a realização de ações em educação ambiental direcionadas a esse público, com a finalidade de promover um envelhecimento digno e saudável a esses indivíduos.

Portanto, a ação proposta no presente estudo teve como objetivo apresentar aos trabalhadores medidas simples de autocuidado com a saúde, de forma a conscientizá-los da importância e, assim, incentivá-los a praticarem tais medidas, a fim de prevenir doenças, contribuindo para o envelhecimento saudável e promoção da qualidade de vida, tanto na vida pessoal quanto no ambiente de trabalho.



MÉTODO

Esse trabalho é o resultado de uma ação promovida pela disciplina intitulada Educação Ambiental e Gerontologia, ministrada pelo professor Dr. Rodolfo Figueiredo e apoiada pela Me. Maria Paula Pires de Oliveira no segundo semestre letivo de 2018, correspondente ao sexto semestre do curso de Graduação em Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos.

O estudo possui caráter quali-quantitativo, transversal e seu desenho pode ser denominado como não-experimental (descritivo), no qual houve uma intervenção intitulada “Ação em educação ambiental sobre Saúde do Trabalhador”. Foi adotada a metodologia quali-quanti partindo-se da ideia de que se sabe pouco a respeito do fenômeno estudado. Desta forma, adotou-se a análise dos números para a obtenção da resposta à pergunta ou hipótese da pesquisa, e a análise das palavras para obtenção de resultados que não podem ser quantificados (SOUZA, DRIESSNACK, MENDES, 2007).

O presente trabalho foi realizado em uma empresa de construção civil e comércio no município de São Carlos, São Paulo. A amostra foi composta por 7 entrevistados e participaram da ação 27 indivíduos. A população possuía como características ser trabalhador de construção civil e ter vindo do nordeste do país em busca de melhores condições de vida.

O processo de coleta de dados se deu da seguinte forma: alguns dias antes da ação, foi realizado um diagnóstico que consistiu na realização de entrevistas com o público-alvo, através de um questionário composto por 12 (doze) perguntas elaboradas pelo grupo, a fim de conhecer o contexto em que essas pessoas estão inseridas, além da identificação de demandas a serem abordadas no dia da ação.

Foi essencial a realização do diagnóstico que antecedeu a ação, uma vez que permitiu saber a forma de abordagem a ser utilizada de acordo com os indivíduos aos quais a ação seria destinada, como por exemplo, o vocabulário a ser usado durante a ação, bem como a escolha do tema a ser abordado de acordo com as necessidades e gostos ou curiosidades dos entrevistados.

O diagnóstico foi realizado nos dias 23 e 31 de outubro de 2018, sendo entrevistados 7 (sete) trabalhadores no total. A partir das respostas decorrentes das entrevistas, o grupo escolheu abordar o tema “saúde do trabalhador” na ação a ser realizada, já que a maioria dos assuntos que gostariam de saber eram relacionados à saúde.

Os dados coletados nas entrevistas foram codificados e organizados em banco de dados com dupla entrada e comparação dos valores, utilizando-se o programa Microsoft Excel versão 2013. Foram realizadas análises descritivas (confecção de tabelas com informação de tendência centras: média, mínima e máxima) e medidas de dispersão (desvio padrão).



Ação em educação ambiental sobre “Saúde do Trabalhador”

Após o diagnóstico foram elencados os temas de interesse dos participantes para a realização da ação que ocorreu no dia 14 de novembro de 2018, com duração de 30 minutos, para 27 trabalhadores em seu local de trabalho, por meio de palestra. Vale salientar que as alunas optaram por não utilizar jaleco no momento da ação a fim de garantir um contato mais próximo com os trabalhadores, possibilitando um momento de troca de experiências, já que o uso do jaleco poderia transmitir superioridade, deixando-os receosos em participar. Os temas e sua descrição estão dispostos no quadro 1 que segue abaixo.

Quadro 1.

Tema

Descrição do que foi abordado

Saúde

Saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de doenças. É um direito social, inere1nte à condição de cidadania, que deve ser assegurado (OMS, 2010).

  • Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Medidas de segurança que podem ser adotadas para garantir a proteção individual do trabalho; importância do uso de EPI para prevenir os acidentes de trabalho e eliminar ou reduzir a ação do agente no corpo do trabalhador (EMPRABA, 2013).

  • Local de trabalho limpo e organizado

Evitar acidentes de trabalho mantendo o canteiro de obras organizado; ambiente desorganizado é um convite para que diversos acidentes ocorram; incentivo que os funcionários mantenham o local de trabalho limpo e organizado (BLOG ROHR, s/d).

  • Acompanhamento de rotina na Unidade Básica de Saúde (UBS)

Discussão sobre a frase “prevenir é sempre melhor do que remediar” (AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR, 2011).

  • Intervalo para descanso

Trabalho em excesso é prejudicial à saúde do trabalhador; pausas ao longo do dia são importantes (GYMPASS, s/d).

  • Novembro Azul

Explanação sobre o que é a próstata; o câncer e as fases; a importância dos exames; preconceito com o exame (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017).

Protetor solar

Exposição solar constante; câncer de pele; envelhecimento precoce; outros prejuízos relacionados a exposição solar; importância do protetor e modo de uso (CASTRO, OLIVEIRA, 2006).

  • Alongamento no trabalho e ginástica laboral

Conceito de alongamento e ginástica laboral; e benefícios dessa prática (SOUZA, 2015).

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Conceito de HAS; fatores de risco, sintomas e diagnóstico (MALACHIAS et al, 2016).

Alimentação saudável e ingestão de água

Comidas saudáveis e acessíveis e os benefícios de uma boa alimentação (SICHIERI, 2000). O papel da água e motivos para se hidratar durante o dia (ALMEIDA,2017).

Boa convivência no trabalho

Benefícios da boa convivência e dicas para praticar (FFM, 2018).



Antes de iniciar a palestra, tanto as alunas quanto os participantes se apresentaram e, posteriormente, as alunas entregaram imagens (as quais retratavam os temas que seriam abordados) para alguns dos participantes e então perguntavam a todos o que entendiam por aquela imagem.

Após o relato deles, as alunas abordavam a teoria sobre o tema que a imagem representava, com linguagem informal para que todos entendessem, além de fazer uma troca entre o conhecimento popular que os participantes traziam e o conhecimento científico levado a eles.

Vale ressaltar que, ao decorrer da palestra, os participantes ficavam livres para fazer perguntas, relatar experiências, ou tirar dúvidas a respeito dos temas tratados, caracterizando mais como uma roda de conversa. Ao final da palestra, foi perguntado o nível de satisfação dos participantes, sendo que foi tido como resultado um feedback positivo por parte dos trabalhadores que participaram da ação.

Ainda, foi entregue uma cartilha ao proprietário da empresa de construção civil e comércio, elaborada pelo grupo de alunas, com o objetivo de conscientizar da importância em investir na saúde do trabalhador, o que é benéfico tanto para o empregado quanto para o empregador.



RESULTADOS

Foram entrevistados 7 (sete) trabalhadores, selecionados de forma aleatória. Nota-se que a média de idade foi de 42,14 (±15,04) anos, onde apenas um dos funcionários era idoso (com 60 anos ou mais). A média de tempo de trabalho ao longo da vida foi de 28,42 (±18,54) anos, isso se deve ao fato de que três dos sete funcionários começaram a trabalhar a partir dos oito anos de idade, e três a partir dos 14 anos, sendo que apenas dois trabalharam em empresas como jovens aprendizes, como se espera em lei, aos 16 anos. Esses que tiveram suas infâncias ligadas, grande parte ao trabalho, relatam terem tido de começar cedo para auxiliar nos gastos da residência, ajudar o pai na “roça”, como em plantio e colheita, cuidados com o gado, entre outras atividades. Em relação ao desempenho na atual função laboral, a média foi de 3,23 (±5,29) anos (Tabela 1).

Tabela 1. Estatística descritiva das variáveis contínuas de idade, tempo de trabalho e tempo de trabalho na função atual. São Carlos, SP, Brasil. 2018. (n=7).

Variáveis

Média

Mediana

Desvio Padrão

Mínimo

Máximo


Idade*

42,14

44

15,04

20

61

Tempo de Trabalho*



28,42



30



18,54



4



51

Tempo de Trabalho na Função Atual*



3,23



1,5



5,29



0,08



15

*Em anos.

O sexo predominante foi o masculino representando 71,43% da amostra, em virtude do perfil atual das construções civis, sendo que os cargos exercidos pelo sexo masculino permeiam o vigia, ajudante geral, engenheiro civil e o proprietário, enquanto as funções administrativas e serviços gerais foram vistas com as mulheres. Em relação à escolaridade, 85,71% dos participantes não possuíam ensino superior. Quando questionados quanto à segurança no trabalho, 85,71% da amostra relata que o trabalho apresenta algum tipo de perigo. Em relação aos aspectos ligados ao envelhecimento, 71,43% dos participantes relataram ter a pretensão de se aposentar, porém notou-se na entrevista que faltavam informações sobre o processo de aposentadoria e os procedimentos que deveriam ser adotados. Para a pergunta “já se imaginou idoso?” 57,42% relatou que sim, e aqueles que nunca se imaginaram tiveram como respostas “Nunca me imaginei e nem quero”; “Não pensei nisso ainda não, é depois dos 50 né” (Tabela 2).

Tabela 2. Distribuição da porcentagem de variáveis categóricas de sexo, escolaridade, segurança no trabalho e aspectos do envelhecimento. São Carlos, SP, Brasil. 2018. (n=7).

Variáveis

n

%

Sexo

Feminino

2

28,57

Masculino

5

71,43

Ensino Superior

Sim

1

14,29

Não

6

85,71

Perigo no Trabalho

Sim

6

85,71

Não

1

14,29

Pretensão de Aposentadoria

Sim

5

71,43

Não

2

28,57

Já se Imaginou Idoso

Sim

4

57,14

Não

3

42,86



Foram realizados outros questionamentos, analisados de forma qualitativa, sendo eles: “O que é qualidade de vida para você?”, “O que poderia melhorar em seu ambiente de trabalho?” e “Que tipo de perigo seu trabalho te expõe?”. Com a finalidade de obter resultados mais concretos, as respostas foram analisadas e adotou-se conceitos trazidos pela maioria, como nota-se na tabela 3.

Tabela 3. Perguntas e respostas sobre qualidade de vida e ambiente de trabalho.

Pergunta

Resposta da maioria

O que é qualidade de vida para você?

Ter saúde, ter boas condições financeiras e realizar atividades que lhe causem prazer.

O que poderia melhorar em seu ambiente de trabalho?

Diminuir o ritmo cansativo, ter mais união entre os trabalhadores, ter mais motivação para as tarefas, mais atenção com a limpeza por parte dos colegas de trabalho e mais recursos para a construção.

Que tipo de perigo seu trabalho te expõe?

Perigos relacionados a machucados com pregos, altura e desentendimentos que podem gerar agressões.



DISCUSSÃO

O perfil sociodemográfico encontrado no presente estudo (idade média de 42,12 anos, predominância do sexo masculino e baixa escolaridade) é encontrado em outros estudos nacionais e internacionais que abordam esta população (SOLIS-CARCANO, CATILLO-GALLEGOS,GONZALEZ-FAJARDO, 2015; JEBNES et al., 2014; SANTANA, OLIVEIRA, 2004; SILVEIRA et al., 2005).

A média de tempo de trabalho ao longo da vida foi de 28,42 anos e desempenhando a função atual foi de 3,23 anos. Apesar do tempo de trabalho na construção civil não ter sido muito alto, notou-se no relato dos trabalhadores que a maioria havia começado a trabalhar muito cedo, com no mínimo 10 anos de idade, cujo trabalho estaria ligado a atividades agrícolas, descritas como “trabalhar na roça”. Santana e Oliveira (2004) publicaram um inquérito populacional que foi conduzido na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, onde foi analisado o perfil ocupacional e de saúde de trabalhadores da construção civil. Um dos resultados obtidos pelos pesquisadores foi o início precoce de inserção no mercado de trabalho, corroborando com os achados do presente estudo.

Quando questionados sobre a presença de perigo no trabalho, 85, 71% dos participantes relataram que o trabalho lhes oferecia alguma forma de perigo. Silveira et al. (2005) publicaram um estudo realizado em um Hospital Universitário da cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, Brasil, que teve como objetivo investigar o número de trabalhadores acidentados, assim como suas características pessoais e dos acidentes, como as causas, as partes do corpo atingidas e pelos Acidentes de Trabalho (AT), sendo que entre os achados do estudo, destaca-se que dos 6.122 prontuários hospitalares de acidentados analisados, 618 referiram-se a pacientes/trabalhadores com AT, o que significa 10,09% em relação a esse total de prontuários. E destes 618 acidentados do trabalho, 150 (24,27%) eram de trabalhadores da Construção Civil. O número elevado de ocorrências de acidentes de trabalho nesses locais justifica o sentimento eminente de perigo entre os trabalhadores e nos faz questionar as condutas adotadas nas construções civis relacionadas à utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs), um dos temas abordados na ação em educação ambiental da presente pesquisa.

De modo que o termo qualidade de vida se trata de um conceito subjetivo, que consequentemente está atrelado a aspectos socioculturais de cada indivíduo e a sua autopercepção e satisfação, não foi possível observar tantos aspectos em comum, porém um fator primordial que o estudo de Barbosa e Blanch (2017) também traz é a preocupação com a saúde, principalmente a prevenção de doenças, esta apontada pelos entrevistados do nosso trabalho como um dos significados de qualidade de vida.

Já em relação à pretensão de se aposentar, encontramos que apesar de a maioria dos trabalhadores terem interesse, não têm a devida informação das regras e do processo em si para requerimento da aposentadoria. Toffolo et al. (2019) constatou que a maioria dos idosos não se programou para a aposentadoria, o que contribui para a alta quantidade de relatos de que a aposentadoria não supre suas expectativas e necessidades. Sendo assim, é de suma importância o incentivo à criação de programas de preparação para aposentadoria (PPA), bem como à adesão da população ao PPA.

A prática vivenciada no contexto da disciplina proporcionou grandes experiências em relação à Educação Ambiental. Inicialmente, a abordagem exigiu uma caracterização do público alvo escolhido e a partir das informações coletadas e contextualizadas, selecionamos possíveis temas de interesse. O tema específico escolhido pelos voluntários para o desenvolvimento da ação educativa foi “Saúde do Trabalhador”, o qual foi abordado através de uma roda de conversa, na qual todos tiverem a liberdade de manifestar suas ideias e conhecimento para troca de conhecimentos bidirecional. Assim, como uma forma de ação estratégica adotamos a confecção de uma cartilha informativa para o proprietário da empresa que teve impacto positivo para o conhecimento sobre o que foi abordado durante a intervenção, como também conscientização sobre o tema.

Contudo, o desenvolvimento da ação educativa, através de seus desafios e da reconstrução de valores do bacharel gerontólogo, exerceu forte influência para formação de profissionais responsivos, empáticos e conscientes, proporcionando práticas e vivências que integram a diversidade dos contextos socioambientais. Assim, foi possível conhecer e explorar novas competências no campo da Gerontologia, em uma troca contínua de experiências em prol a um constructo de uma sociedade mais igualitária e acessível.

Dentre as limitações do estudo estão a quantidade de participantes entrevistados, devido à pouca adesão dos trabalhadores em responder as entrevistas, e o método estatístico, uma vez que também poderiam ser avaliados os fatores que se associam ao trabalho em construção civil. Já os pontos fortes foram o fato de realizar uma ação educativa e não somente ter buscado informações sobre os trabalhadores, bem como a realização da ação com esse tipo de público, já que se percebe escassez de estudos e de ações educativas para com esses indivíduos.



CONCLUSÃO

Nota-se que o perfil da construção civil é contemplado majoritariamente por homens, que muitas vezes saem de sua cidade natal ainda jovens, sem concluir o ensino fundamental ou médio, para ingressar no mercado de trabalho, com esperança de melhoria para os seus recursos de vida. Entretanto, o ambiente proporcionado nos canteiros de obra, apresenta-lhes diversos desafios, dentre eles os acidentes de trabalho, uma vez que muitos relataram algum tipo de perigo para sua segurança.

Diante disso, pode-se entender os motivos pelos quais os trabalhadores possuem muitas dúvidas relacionadas à saúde, bem como ao processo de envelhecimento e aposentadoria, e por isso não praticam medidas saudáveis.

Assim, faz-se essencial maior esforço tanto das empresas, como dos sindicatos e do Estado, para que esses trabalhadores sejam conscientizados dos desafios de seu trabalho e da importância do cuidado adequado com sua saúde, a fim de minimizar os riscos ocupacionais, os acidentes de trabalho, e consequentemente, desencadear menos problemas relacionados à idade. Então, destaca-se as ações educativas, para que o ambiente de trabalho se torne melhor e proporcione boa qualidade de vida aos mesmos.

Por fim, sugere-se que novos estudos sejam direcionados a essa temática, que contempla grande parte da população e das ocupações no Brasil, de jovens à idosos, e que se não dada a devida atenção pode repercutir em desfechos negativos para o país.



REFERÊNCIAS



AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Manual técnico: promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças na saúde suplementar. 2011.

ALMEIDA, I. A importância da água para a saúde. In: Fundação Portuguesa de Cardiologia. 2017.

ALVES, T. C. Manual de equipamento de proteção individual. Embrapa Pecuária Sudeste-Documentos (INFOTECA-E), 2013.

BARBOSA, R. G. P., BLANCH, G. T. Qualidade de vida em trabalhadores da construção civil. Pontifícia Universidade Católica de Goiás - mestrado em ciências ambientais e saúde, 2017.

BLOG ROHR. 6 dicas para evitar acidentes na construção civil. Disponível em: <https://is.gd/kNwbqi> acesso em novembro de 2018.

CASTRO, M. H. F., OLIVEIRA, V. R. A importância do uso do filtro solar na prevenção do foto-envelhecimento e do câncer de pele. In: Revista Científica da Universidade de Franca, v. 6, n. 1, p. 59-66, 2006. Disponível em <https://is.gd/uSJmDR> acesso em novembro de 2018.

FFM – Fundação Fritz Muller. 5 dicas: Convivência no Ambiente de Trabalho. Blumenau, 2018. Disponível em <https://is.gd/ooD1gj> acesso em novembro de 2018.

GOUVEIA, N. Saúde e meio ambiente nas cidades: os desafios da saúde ambiental. Saúde e sociedade, v. 8, p. 49-61, 1999.

GYMPASS. Saúde do trabalhador: saiba como melhorá-la em 6 passos – Qualidade de vida. Disponível em: <https://is.gd/IonHwy> acesso em novembro de 2018.

IBGE. Síntese de Indicadores Sociais. Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira. n. 37. Rio de Janeiro, 2017.

JEBENS, E. et al. Association Between Perceived Present Working Conditions And Demands Versus Attitude To Early Retirement Among Construction Workers. Journal Work. Vol. 28, n. 2, p. 217-228, 2014.

LEBRÃO, M. L. O Envelhecimento no Brasil: aspectos da transição demográfica e epidemiológica. Rev. Saúde Coletiva. São Paulo, v. 4, n. 017, p. 135-140, 2007.

MALACHIAS, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Sociedade Brasileira de Cardiologia. vol 107, n 3, Suplemento 3, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em <https://is.gd/F8xNdb> acesso em novembro de 2018.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Câncer de próstata. Instituto Nacional de Câncer. 2018. Disponível em <https://is.gd/5oaS57> acesso em novembro de 2018.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Novembro Azul: mês mundial de combate ao câncer de próstata. 2017. Disponível em <https://is.gd/i5IBP4> acesso em novembro de 2018.

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SANTANA, V. S., OLIVEIRA, R. P. Saúde e trabalho na construção civil em uma área urbana do Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 3, p. 797-811, 2004. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/csp/v20n3/17.pdf> acesso em novembro de 2018.

SICHIERI, R. Recomendações de Alimentação e Nutrição Saudável para a População Brasileira. In: Arq Bras Endocrinol Metab. v. 44, n.3, São Paulo, 2000.

SILVEIRA, C. A. et al. Acidentes de trabalho na construção civil identificados através de prontuários hospitalares. R. Esc. Minas, Ouro Preto. vol.58, no.1, pp. 39-44, 2005.

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SOUSA, V. D., DRIESSNACK, M., MENDES, I. A. C. Revisão dos Desenhos de Pesquisa Relevantes para Enfermagem. Parte 1: Desenhos de Pesquisa Quantitativa. Revista Latino Americana de Enfermagem. v. 15, n. 3, 2007.

TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global. In: Ministério do Meio Ambiente. 2012. Disponível em <https://is.gd/557NH5> acesso em novembro de 2018.

TOFFOLO, S. M. et al. Aposentadoria: expectativas e necessidades dos idosos. Unoesc & Ciência ACBS. v. 10, n. 1, 2019.



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