ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
CONTRIBUIÇÕES DO USO DA FERRAMENTA PEDAGÓGICA "MELANO E QUERATO NA TERRA DO SOL: UMA HISTÓRIA SOBRE OS EFEITOS DO SOL NA PELE” PARA A ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL  
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CONTRIBUIÇÕES DO USO DA FERRAMENTA PEDAGÓGICA "MELANO E QUERATO NA TERRA DO SOL: UMA HISTÓRIA SOBRE OS EFEITOS DO SOL NA PELE” PARA A ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Patricia Marega1, Marcelo Leite da Veiga2, Maria Rosa Chitolina3

1Mestre em Ciências, Doutoranda do PPG Educação e Ciências: Química da Vida e Saúde, Universidade Federal de Santa Maria, Professora Assistente do Departamento de Morfologia, Universidade Federal de Santa Maria, pmarega2010@hotmail.com

2 Doutor em Ciências, Professor Associado do Departamento de Morfologia, Universidade Federal de Santa Maria, marcelolveiga@gmail.com

3Doutora em Ciências, Professora Titular do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, Universidade Federal de Santa Maria, mariachitolina@gmail.com



Resumo:

Tendo em vista a relevância do câncer de pele como um agente de morbimortalidade e de seu impacto na saúde pública, este estudo piloto objetivou analisar as contribuições do uso da ferramenta pedagógica "Melano e Querato na Terra do Sol: uma história sobre os efeitos do sol na pele" para a Alfabetização Científica (AC) de alunos do Ensino Fundamental de duas escolas públicas do campo localizadas na região da 4ª Colônia de Imigração Italiana/RS. Para isso, aplicou-se um questionário semiestruturado a fim de verificar os conhecimentos dos estudantes a respeito dos riscos da exposição excessiva ao sol, histórico familiar de câncer de pele e queimaduras solares, formas de proteção e prevenção do câncer de pele. O questionário foi aplicado antes da interação com a ferramenta pedagógica e quinze dias após a interação com a mesma. A amostra constou de 184 estudantes do 3º ao 9º anos com idades variando entre 8 e 14 anos. Os dados foram analisados através de estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados mostraram que a AC alcançada com a utilização da ferramenta pedagógica nesta pesquisa permitiu contribuir para a uma reflexão crítica sobre as formas de proteção e prevenção do câncer de pele. O uso da ferramenta pedagógica mostrou-se favorável ao facilitar a compreensão dos conceitos científicos relacionados ao desenvolvimento desta patologia, tornando o processo de entendimento mais prazeroso e interativo, o que poderá interferir em comportamentos mais saudáveis frente à exposição solar.



Palavras-chave: alfabetização científica; ferramenta pedagógica; câncer de pele; ensino fundamental.

CONTRIBUTION OF THE EDUCATIONAL TOOL ENTITLED “MELANO E QUERATO NA TERRA DO SOL: UMA HISTÓRIA SOBRE OS EFEITOS DO SOL NA PELE” TO SCIENTIFIC LITERACY OF STUDENTS IN ELEMENTARY SCHOOL

Abstract:

Skin cancer is a relevant agent of morbimortality and an important cause of impact on the public health system. Considering the pertinence of this pathology, the following pilot study intended to analyze the contribution of the educational tool entitled “Melano e Querato na terra do Sol: uma história sobre os efeitos do sol na pele” to scientific literacy (CL) of students in elementary School from two rural public schools located in the 4th Region of Italian Imagration, state of Rio Grande do Sul (RS), Brazil. A semi-structured questionnaire was applied to verify the knowledge level of the students over the following topics: risks related to excessive exposure to sunlight; family history of skin cancer and sunburns; strategies to protect the skin and prevent skin cancer. The application of the questionnaire happened before the interaction with the pedagogical tool and 15 days after the interaction with it. The sample consisted of 184 students from 3rd to 9th grade, aged 8 to 14 years old. The dada was analyzed using descriptive statistics and content analysis. The results demonstrated that the CL achieved with the use of the educational tool in this study allowed contributions to critical reflection over protection and prevention of skin cancer. The use of the educational tool proved to be valid, favoring the comprehension of scientific concepts associated to pathology development. It also contributed to the learning process, making it pleasurable and interactive, which may improve health behaviors towards sunlight exposition in the future.



Keywords: scientific literacy; educational tool; skin cancer; elementary school.

Introdução

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil correspondem ao câncer de pele. São cerca de 180 mil novos casos a cada ano e as maiores taxas estimadas em homens e mulheres encontram-se na Região Sul (INCA, 2018). Seu maior agente causador é a radiação ultravioleta (RUV) (COSTA e WEBER, 2004; GONTIJO, PUGLIESI e ARAÚJO, 2009; FERREIRA, NASCIMENTO e ROTTA, 2011; CRIADO, MELO e OLIVEIRA 2012; CORRÊA e PIRES 2013).

O câncer de pele é uma patologia de etiologia multifatorial, resultante, principalmente, de alterações genéticas, fatores ambientais e do estilo de vida, destacando-se a exposição solar durante a infância, devido aos efeitos cumulativos da radiação ultravioleta.

Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD (2018), o câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas e, de acordo com as que forem afetadas, são definidos os diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, denominados de câncer de pele não melanoma (CPNM). Mais raro e letal que os carcinomas, o câncer de pele melanoma (CPM) é o tipo mais agressivo (INCA 2018).

De acordo com Zink (2014), o Brasil é um país predominantemente de clima tropical, com 92% do seu vasto território localizado entre a linha do Equador e o trópico de Capricórnio. Ainda, é banhado pelo Oceano Atlântico, com uma extensão de praias que chega a mais de sete mil quilômetros, e possui uma das mais ricas redes hidrográficas do mundo. Esses são alguns dos fatores que fazem desse país um lugar propício para o recebimento durante todo o ano de grandes quantidades de radiação solar e para o desenvolvimento de atividades socioeconômicas relacionadas direta ou indiretamente à exposição solar, como a pesca, a agricultura e até mesmo o lazer. Com isso, a preocupação está no fato de toda a sua população estar constantemente exposta a um dos grandes fatores causadores do câncer de pele. Diante do exposto, faz-se necessária a educação da população quanto à prevenção da exposição aos raios ultravioletas (ZINK, 2014).

De acordo com o INCA (2018), crianças se expõem anualmente ao sol três vezes mais que adultos. Além disso, sabe-se que a exposição solar durante a infância tem mais influência no risco do desenvolvimento de câncer de pele do que durante a fase adulta (COSTA e WEBER, 2004; CORRÊA e PIRES 2013; CRIADO, MELO e OLIVEIRA 2012; GONTIJO, PUGLIESI e ARAÚJO, 2009). O período da infância e a adolescência são considerados críticos em relação à vulnerabilidade aos efeitos da exposição solar. Esse comportamento de exposição durante estes períodos da vida pode levar ao desenvolvimento do câncer não melanoma ou do melanoma maligno na vida adulta (CRIADO, MELO e OLIVEIRA 2012, Inca 2018).

Ações de prevenção, principalmente aquelas voltadas aos jovens, mediante seus fatores de risco, contribuem de forma significativa para a redução da incidência, da morbimortalidade e de seu impacto na saúde pública causados pelo câncer de pele (FERREIRA, NASCIMENTO e ROTTA, 2011; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014). Sendo esta doença, muitas vezes, o resultado de escolhas comportamentais dos indivíduos, as taxas podem diminuir se os cidadãos evitarem exposições prolongadas ao sol e se protegerem quando da exposição solar (McCLENDON et al. 2002; HECKAMAN et al., 2017).

Nesse sentido, a AC é fundamental para a concretização de uma proposta que trabalhe com a prevenção do câncer de pele. De acordo com Salla (2015), considerando que uma das principais causas de incidência das patologias evitáveis e controláveis é justamente a falta de conhecimento científico a respeito dos fatores patogênicos das mesmas, a AC mune o indivíduo de conhecimentos que lhe permitam agir no sentido da prevenção e controle dessas morbidades.

Segundo Sasseron e Carvalho (2011), a Alfabetização Científica (AC) promove no indivíduo a capacidade de organizar seu pensamento de maneira lógica, e permite a construção de uma consciência mais crítica em relação ao mundo que o cerca. De acordo com Delizoicov e Lorenzetti (2001), o objetivo primeiro da Alfabetização Científica não é formar futuros cientistas, embora por meio dela eles possam surgir, mas sim ensinar de forma a sensibilizar o sujeito para que ele possa desenvolver uma compreensão do mundo, das suas ações para com o meio em que vive, compreendendo e aplicando este conhecimento.

Delizoicov e Lorenzetti (2001) apontam que uma das formas de desenvolver a AC é através da utilização de literatura infantil, que tenham alguma relação com a Ciência. A utilização de ferramentas pedagógicas diversificadas com a intenção de motivar os alunos a participarem ativamente na construção do próprio conhecimento representa uma opção a mais na prática pedagógica, capacitando o estudante a tomar decisões através do conhecimento científico, articulando o conhecimento ao seu cotidiano (Knechtel e Brancalhão 2009).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) preconizam que o aluno deve conhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva (BRASIL, 1998). Segundo Libâneo (1989), a escola tem por objetivo além da construção do conhecimento científico, a formação de cidadãos críticos, capazes de tomar decisões relativas a aspectos sociais, científicos e tecnológicos e contribuir para resolução de problemas universais.

Nesse contexto, em relação ao câncer de pele, surgem os seguintes questionamentos:

- Os estudantes do ensino fundamental conhecem os efeitos nocivos à pele causados pela exposição excessiva ao sol?

- Os estudantes conhecem o melhor horário para se expor ao sol e o horário mais prejudicial de exposição solar?

- Os estudantes reconhecem a importância do uso diário de protetor solar e outras formas de proteção?

- Os estudantes conhecem os meios de prevenção contra o câncer de pele?

Frente a esses questionamentos e tendo em vista a relevância do câncer de pele como um agente de morbimortalidade e de seu impacto na saúde pública (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014; FERREIRA, NASCIMENTO e ROTTA, 2011), este estudo piloto buscou analisar as contribuições do uso da ferramenta pedagógica: Melano e Querato na Terra do Sol: uma história sobre os efeitos do sol na pele, para a AC de alunos do Ensino Fundamental de duas escolas do campo localizadas na região da 4ª Colônia de Imigração Italiana/RS. Com isso pretende-se gerar subsídios que possam colaborar com a formação de cidadãos mais críticos, com a autonomia necessária para a tomada de atitude frente aos fatores patogênicos do câncer de pele.

Metodologia

No primeiro momento foi apresentado o projeto à direção das escolas a fim de se obter autorização para a realização da pesquisa.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria, sob o parecer número 2.434.396, CAAE: 79 640017.4.0000.5346. O trabalho de campo envolveu 184 estudantes do 3º ao 9º anos do ensino fundamental de duas escolas públicas do campo da região da 4ª Colônia de Imigração Italiana/RS, localizadas nas cidades de Silveira Martins e distrito de Vale Vêneto, denominadas de Escola 1 (E1) e Escola 2 (E2), respectivamente. A idade dos participantes variou entre 8 e 14 anos. Todos os alunos participaram da intervenção, mas a coleta de dados foi realizada apenas com os alunos que consentiram participar da pesquisa através da assinatura do Termo de Assentimento e cujos pais e/ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo o sigilo das informações e o anonimato.

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter investigativo e exploratório do tipo estudo de casos múltiplos (GIL, 2002), que faz parte de um projeto piloto sobre o uso de uma ferramenta pedagógica que auxilia na alfabetização científica acerca do tema câncer de pele.

Levando em consideração que as escolas escolhidas estão localizadas em área rural e a comunidade escolar tem sua fonte de renda voltada para a agricultura e pecuária, ocupações que requerem diariamente muitas horas de trabalho ao sol, essa pesquisa tem a intenção de colaborar também com essa comunidade, por meio do compartilhamento das informações entre os estudantes e familiares. De acordo com vários autores, a exposição solar de caráter ocupacional é um fator importante para o desencadeamento do câncer de pele (SURDU et al., 2013; CAROE et al., 2013; CEBALLOS et al., 2014).

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram o diário de bordo e um questionário semiestruturado adaptado de Turco (2010). O questionário, composto de sete questões de múltipla escolha e uma questão aberta incluiu os seguintes tópicos:

- o conhecimento do melhor horário para se expor ao sol;

- se os estudantes fazem uso do protetor solar;

- quando é importante usar protetor solar;

- quais meios de proteção solar são utilizados pelos estudantes;

- se existe histórico familiar de câncer de pele;

- se já sofreram queimaduras solares;

- conhecimentos sobre os riscos da exposição excessiva ao sol;

- se já haviam recebido alguma informação sobre o assunto e através de qual (is) meio(s).

O mesmo questionário foi aplicado em cada turma (3º ao 9º anos), em dois momentos: antes da intervenção com a ferramenta pedagógica (questionário inicial - QI) e quinze dias após a interação com a mesma (questionário final – QF). As ações aconteceram entre os meses de março e abril de 2017. Os alunos foram informados sobre o caráter investigativo, e não avaliativo, bem como o anonimato do questionário. As questões de múltipla escolha foram analisadas através de estatística descritiva (Reis, 1998). Para a interpretação dos dados obtidos na questão número 8, as respostas foram digitalizadas a fim de analisar a frequência de respostas semelhantes e se estabelecer categorias, seguindo a metodologia de Análise de Conteúdo (Bardin, 2011).

O questionário aplicado antes da interação com a ferramenta pedagógica teve o objetivo de investigar as concepções prévias dos estudantes. Segundo Ausubel, Novak e Hanesian (1980), o conhecimento prévio do aluno constitui o fator de maior influência na sua aprendizagem.

Após o recolhimento dos questionários, deu-se início a uma oficina, onde os alunos receberam a cartilha: Melano e Querato na Terra do Sol: uma história sobre os efeitos do sol na pele (disponível para download no website http://coral.ufsm.br/gaccmps).

A cartilha foi elaborada de forma lúdica, priorizando a utilização de imagens à texto. Dessa forma, apresenta as camadas que constituem a pele: epiderme e derme; assim como, as principais células encontradas na epiderme (melanócitos e queratinócitos). Essas células são representadas, respectivamente, pelos personagens “Melano” e “Querato", cuja principal função está na proteção da pele contra a ação dos raios ultravioletas do sol. Para evidenciar tal função, o "Melano" produz chapéus (melanina) e distribui para os "Queratos" mais próximos, referindo-se ao fato de que a melanina produzida pelos melanócitos é transportada para os queratinócitos e se deposita ao redor do núcleo da célula como se fosse um capuz, protegendo o seu material genético dos efeitos da radiação solar. Ademais, proporciona informações sobre as alterações morfológicas sofridas por essas células quando submetidas à exposição solar excessiva. Nesta condição, as células começam a se multiplicar rapidamente e de maneira desordenada, com alterações de sua forma e tamanho, o que pode desencadear o surgimento do câncer de pele. Também fornece orientações sobre prevenção do câncer de pele e propõe atividades interativas como caça-palavras e palavras cruzadas.

A ferramenta pedagógica foi idealizada pelo Grupo de Alfabetização Científica em Ciências Morfológicas para a Promoção da Saúde (GACCMPS) do Departamento de Morfologia do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Maria, no formato A5, Off-set, seleção de cores C,M,Y,K, arte-final Corel Draw 11.0.

Durante a oficina foi feita a exposição dialogada da cartilha, o que estimulou o questionamento e a discussão do tema proposto. Para Freire (1987, p. 50), é necessário buscar conteúdo para a educação através de uma realidade mediatizadora, partindo do princípio da problematização e dialogicidade, contribuindo assim para a apreensão do tema abordado e dos conceitos científicos, o que permitirá a tomada de consciência dos indivíduos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, através da percepção da realidade. A atividade desenvolvida neste primeiro encontro totalizou duas horas.

Após quinze dias da realização da oficina e da interação com a ferramenta pedagógica, retornou-se às escolas e os alunos responderam ao questionário final (QF). Desta forma, visou-se averiguar a apreensão de informações e as possíveis alterações nas concepções acerca do tema câncer de pele. É importante salientar que os alunos não tiveram acesso à ferramenta pedagógica durante as respostas ao questionário.

Para análise dos resultados, os mesmos foram separados entre os alunos dos anos iniciais (3º ao 5º) e anos finais (6º ao 9º) do Ensino Fundamental.

A distribuição do número de alunos nos anos iniciais e finais da E1 e da E2 que participaram da pesquisa está representada na tabela 01:

Tabela 01: Distribuição do número de alunos nos anos iniciais e finais da escola localizada em Silveira Martins (E1) e da escola localizada no distrito de Vale Vêneto (E2)

ANOS INICIAIS

ANOS FINAIS


E1

E2


E1

E2

3º ano

18

10

6º ano

11

8

4º ano

14

7

7 º ano

16

9

5º ano

20

16

8 º ano

14

15




9 º ano

18

8

TOTAL

52

33

TOTAL

59

40

Fonte: Elaborado pelos autores

Resultados e Discussão

Resultado e Discussão da Questão 01: “Qual o melhor horário para ficar ao sol?”

No QI, 76,47% dos estudantes dos anos iniciais e 59,59% dos estudantes dos anos finais consideraram antes das 10h e depois das 16h o melhor horário para ficar ao sol, indicando já terem conhecimento prévio sobre os horários adequados de exposição solar. No QF, aplicado 15 dias após a realização da oficina, essa mesma resposta teve um aumento expressivo, sendo obtida em 84,71% dos questionários aplicados nos anos iniciais e em 86,86% dos questionários aplicados nos anos finais (tabela 02). Esse fato pode demonstrar que a ferramenta pedagógica contribuiu para reorganizar os conhecimentos trazidos pelos estudantes, levando-os a terem uma visão mais crítica a respeito dos horários prejudiciais de exposição solar.

Silva e Schwantes, (2016) enfatizam que:

A escola, dentre tantas responsabilidades, têm o papel de informar, alertar e possibilitar o acesso a informações e a construção de conhecimentos que venham contribuir com a formação e vida das pessoas. Isso nos leva a atentar para as estimativas de câncer da pele que são altas no Brasil - principalmente na região sul do país; e considerar o contexto no qual estamos inseridos e as implicações que tal doença traz a vida humana. (Silva e Schwantes, 2016, p.03).

Tabela 02: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) sobre o melhor horário para ficar ao sol

Qual o melhor horário para ficar ao sol?


Anos Iniciais

Anos Finais


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Antes das 10h e

Depois das 16h

76,47 (65)

84,71 (72)

59,59 (59)

86,86 (86)

Entre 10h e 16h

23,53 (20)

15,29 (13)

40,40 (40)

13,13 (13)

Total

100 (85)

100 (85)

100 (99)

100 (99)

Fonte: Elaborado pelos autores

Resultados semelhantes aos obtidos no QI foram encontrados por Piazza e Miranda (2007), avaliando o conhecimento dos hábitos de exposição e proteção solar de alunos do Ensino Médio da cidade de Balneário Camboriú/SC, onde 30% dos estudantes declararam que ficam expostos ao sol entre 9h e 15h. Silva e França-Botelho (2011) destacaram, em um estudo sobre os conhecimentos e atitudes dos pais quanto às práticas de proteção solar em crianças da quarta série do ensino fundamental da cidade de Araxá-MG, que o período do dia de maior exposição solar das crianças relatado por 65,5% dos pais é entre 10 e 16 horas, e que, o tempo de exposição solar diário da criança mais citado foi de três a quatro horas por dia em 33,3% das respostas. Esses dados corroboram com Criado, Melo e Oliveira (2012), onde revelaram que 47% da exposição solar diária que as crianças recebem ocorrem em áreas ao ar livre, principalmente nos recreios das escolas. Segundo a World Health Organization (2003), a exposição à radiação ultravioleta durante os anos escolares contribui significativamente para a exposição solar total ao longo da vida.

Mesmo no ensino superior, vários estudos mostraram que a exposição solar em horários inadequados prevalece entre os jovens universitários (Ferreira et al., 2018; Nunes et al., 2017; Purim e Wroblevski 2014; Rocha et al., 2018; Urasaki et al., 2016), o que reforça a idéia de que intervenções mais contextualizadas e dialogadas no espaço escolar baseadas nos princípios da alfabetização científica trarão contribuições significantes para que as crianças, desde cedo, tenham autonomia frente ao conhecimento adquirido e possam exercitar a liberdade na realização de escolhas e na tomada de decisões (Sasseron e Carvalho 2011).

Resultado e Discussão da Questão 02: “Quando você acha importante usar protetor solar?”

De acordo com a tabela 03, quando se compara o QI e QF, pode-se observar uma alteração relevante em todas as opções de respostas apresentadas para a questão analisada, tanto para os anos iniciais quanto para os anos finais.

Tabela 03: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) sobre quando é importante usar protetor solar

Quando você acha importante usar protetor solar?


Anos Inciais

Anos Finais


QI (f/%)

QF (f/%)

QI (f/%)

QF (f/%)

Nunca

10,59 (9)

3,53 (3)

10,10 (10)

5,05 (5)

Às vezes

40 (34)

16,47 (14)

49,49 (49)

21,21 (21)

Todos os dias

22,35 (19)

61,18 (52)

15,15 (15)

66,66 (66)

Quando for à praia,

piscina, piquenique

27,06 (23)

18,82 (16)

25,25 (25)

7,07 (7)

Total

100 (85)

100 (85)

100 (99)

100 (99)

Fonte: Elaborado pelos autores

A opção de resposta "todos os dias" passou de 22,35% para 61,18% nos anos inciais e de 15,15% para 66,66% nos anos finais, conforme tabela acima. Para as opções de resposta: "nunca"; "às vezes" e "quando for à praia, piscina, piquenique" observa-se um decréscimo na porcentagem de repostas obtidas no QF. Esses resultados mostram que a ferramenta pedagógica utilizada nessa pesquisa contribuiu para a conscientização dos estudantes sobre a importância do uso diário do protetor solar, o que poderá acarretar possíveis mudanças de atitudes e cuidados com a saúde. De acordo com Cummings, Tripp e Herrmann (1997), o uso regular de protetor solar com FPS 15 ou mais, durante os primeiros 18 anos da vida, pode reduzir em até 78% o risco do câncer de pele não melanoma.

Pesquisas em diferentes regiões do Brasil avaliaram a prática da fotoproteção infantil por pais e/ou responsáveis de crianças da pré-escola ao ensino fundamental (Batista et al., 2013; Bonfá et al., 2014; Silva e França-Botelho, 2011; Sá et al., 2014), especialmente quanto ao uso do protetor solar, e constataram que uma parcela significante dos responsáveis respondeu nunca ter aplicado protetor solar na criança ou só fazer uso do produto durante as férias de verão. Foi concluído com esses estudos que os cuidados e as práticas de exposição solar dos pais para com seus filhos não estão adequados, embora os mesmos tenham noções dos perigos da exposição solar exagerada (Bonfá et al., 2014; Sá et al., 2014; Silva e França-Botelho, 2011). De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia - SBD (2006), a prevenção primária do câncer da pele deve ter como principal população-alvo a infantil, uma vez que as crianças se expõem ao sol três vezes mais que os adultos, e a exposição cumulativa durante os primeiros 10 a 20 anos de vida determinam o risco de câncer da pele, mostrando ser a infância uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do sol.

Reconhecendo que a escola tem um papel importante na vida diária das crianças, é local onde elas passam grande parte de seu tempo e com muitas atividades realizadas ao sol, é um local estratégico para ações de educação em saúde sobre o tema câncer da pele (Silva e França-Botelho, 2011, p.5).

Resultado e Discussão da Questão 03: “Quando você vai para o sol, você costuma usar (marque quantas alternativas forem necessárias)”

De acordo com os resultados apresentados na tabela 04, nota-se que no QI e QF, para os anos inicias e anos finais, a opção "protetor solar" foi o meio de proteção mais citado pelos estudantes, seguido pelas opções "boné ou chapéu" e "óculos escuros". Contudo, observa-se um aumento nas porcentagens dessas respostas quando analisado o QF para os dois grupos estudados. Apesar disso, não se pode afirmar que os estudantes fazem ou farão uso regular desses meios de proteção, mas pode-se inferir que os cuidados sobre a prevenção do câncer de pele presentes na ferramenta pedagógica ampliaram seus conhecimentos sobre a importância da utilização do protetor solar associado com outros meios de proteção. De acordo com Delizoicov e Lorenzetti (2001), o objetivo primeiro da Alfabetização Científica é ensinar de forma a sensibilizar o sujeito para que ele possa desenvolver uma compreensão do mundo, das suas ações para com o meio em que vive, compreendendo e aplicando este conhecimento.

Tabela 04: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) sobre os meios de proteção usados quando se expõem ao sol

Quando você vai para o sol, você costuma usar (marque quantas alternativas forem necessárias)


Anos Inciais

Anos Finais


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Protetor solar

75,76 (61)

85,05 (74)

59,59 (59)

89,89 (89)

Boné ou chapéu

64,70 (55)

77,64 (66)

66,66 (66)

84,84 (84)

Óculos escuros

49,41 (42)

70,58 (60)

28,28 (28)

57,57 (57)

Camisa de manga comprida

5,88 (5)

21,17 (18)

16,16 (16)

5,05 (5)

Nenhuma das alternativas

4,7 (4)

2,35 (2)

17,17 (17)

5,05 (5)

Fonte: Elaborado pelos autores

Outros estudos mostraram que o uso de bonés e/ou de vestimentas também foi observado em crianças e adolescentes (Bonfá et al., 2014; Batista et al., 2013). Já Silva e França-Botelho (2011), analisando os conhecimentos e atitudes dos pais quanto às práticas de proteção solar em crianças da quarta série do ensino fundamental da cidade de Araxá-MG, enfatizaram que 66,7% dos entrevistados afirmaram não fazer uso de nenhuma medida física de fotoproteção. De acordo com a SBD (2018), o filtro solar deve ser utilizado independente da temperatura e em conjunto com outros mecanismos de proteção como chapéus, roupas e óculos apropriados.

Para Schalka (2010), a educação correta sobre hábitos de fotoproteção, se adequada desde a infância, torna-se referência para o indivíduo por toda vida. Assim, um programa de prevenção primária do câncer da pele envolve necessariamente pais e professores, responsáveis por evitar a exposição solar das crianças nos horários de maior radiação ultravioleta (UV), ou seja, entre 10h e 16h, estimular e criar o hábito de uso de proteção física, como chapéu ou guarda-sol, e também de protetores solares com fator de proteção 15 ou mais. Segundo Ceretta et al. (2012), é importante alcançar as crianças desde cedo, quando elas tendem a ser mais receptivas à necessidade de proteção solar.

Resultado e Discussão da Questão 04: “Alguém da sua família já teve câncer de pele?”

Quanto à incidência de câncer de pele em familiares, nota-se na tabela 05 que houve uma alteração dos resultados obtidos entre o QI e QF. Esses dados permitem apreender que os estudantes conversaram com seus familiares a respeito do assunto e, com isso, puderam responder com maior certeza ao questionário final.

Tabela 05: Porcentagem (%) e frequência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) sobre histórico de câncer de pele na família

Alguém da sua família já teve câncer de pele?


Anos Inciais

Anos Finais


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Sim

14,12 (12)

8,24 (7)

13,13 (13)

18,18 (18)

Não

85,88 (73)

91,76 (78)

86,86 (86)

81,81 (81)

Total

100 (85)

100 (85)

100 (99)

100 (99)

Fonte: Elaborado pelos autores

Resultados similares, também foram encontrados em Piazza , Miranda (2007) e Turco (2010), onde 19% e 14% dos pesquisados mencionaram história familiar de câncer de pele. Segundo Rigel (2011), a incidência do câncer de pele tem aumentado em todo o mundo e acometido uma faixa etária cada vez mais jovem.

Apesar dos avanços da medicina, o câncer de pele representa hoje um grave problema de saúde pública, tanto no Brasil como em muitos outros países, diante do aumento exponencial dos tumores nas últimas décadas e da elevada mortalidade por melanoma (SOUZA, FISCHER e SOUZA, 2004).

Resultado e Discussão da Questão 05: “Você já teve queimaduras solares?”

Os resultados obtidos para a questão acima são apresentados na tabela 06.

Tabela 06: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) sobre o histórico de queimaduras solares

Você já teve queimaduras solares?


Anos Inciais (%/F)

Anos Finais (%/F)


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Sim, uma única vez

28,24 (24)

32,94 (28)

30,30 (30)

34,34 (34)

Sim, mais de uma vez

21,17 (18)

25,88 (22)

36,36 (36)

36,36 (36)

Não

50,59 (43)

41,17 (35)

33,33 (33)

29,29 (29)

Fonte: Elaborado pelos autores

Quando analisadas as respostas dos estudantes frente à ocorrência de queimaduras solares, observa-se nos anos iniciais e finais que houve uma pequena oscilação entre os resultados apresentados no QI e QF para cada opção de resposta. Isso indica que, assim como já configurado para a questão 04, os estudantes discutiram o assunto com seus familiares e, dessa forma, puderam confirmar a quantidade de episódios de queimaduras solares sofridos por cada um. Através desses dados, compreende-se a importância da abordagem de temas relativos à saúde na escola, pois os estudantes além de aplicarem esses conhecimentos para o autocuidado podem atuar também como multiplicadores de informações, visto que, o que foi apresentado na escola alcançou seus pais e/ou responsáveis.

De acordo com os PCNs:

A explicitação da educação para a Saúde como tema do currículo eleva a escola ao papel de formadora de protagonistas — e não pacientes — capazes de valorizar a saúde, discernir e participar de decisões relativas à saúde individual e coletiva. Portanto, a formação do aluno para o exercício da cidadania compreende a motivação e a capacitação para o autocuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social (Brasil, 1997, p.28).

Outros estudos mostram diferentes resultados frente aos obtidos nessa pesquisa. Em Batista et al. (2013), 17,6% dos pais entrevistados relataram experiência anterior com queimadura em seus filhos; Haack, Horta e Cesar (2008) analisando a prevalência de queimaduras solares em jovens com idade entre 10 e 29 anos, relataram que 14,5% dos entrevistados apresentaram um episódio de queimadura solar, 9,5% dois episódios e 24,7% três ou mais episódios; em Urasaki et al. (2016), 25% de jovens universitários relataram lesão por radiação solar.

História de queimadura solar em qualquer época da vida está associada à maior ocorrência de melanoma, porém parece ser mais importante quando ocorrida nas primeiras décadas de vida (CASTILHO, LEITE e SOUSA, 2010; HAACK, HORTA e CESAR, 2008). Tendo epiderme mais fina e também menos melanizada, a queimadura solar é assim mais fácil na criança que no adulto, tendo de admitir que as alterações biopatológicas condicionantes dos efeitos tardios sejam também mais pronunciadas (Rodrigo e Rodrigo, 2011). Dessa forma, a efetiva proteção solar na infância é fundamental na prevenção do câncer de pele.

A escola pode exercer um papel relevante na conscientização dos estudantes acerca dos efeitos negativos da exposição excessiva aos raios UV. O uso da ferramenta pedagógica sobre o câncer de pele nesta pesquisa mostrou-se favorável ao facilitar a compreensão dos conceitos científicos relacionados ao desenvolvimento dessa patologia, tornando o processo de entendimento mais prazeroso e interativo, o que poderá interferir em comportamentos mais saudáveis frente à exposição solar. Venturi e Mohr (2011) defendem que a escola deve propiciar aos alunos a construção de conhecimentos e reflexão para que possam dispor de autonomia em suas escolhas e que estas possam ser baseadas em conhecimento científico, caso eles o queiram.

Resultado e Discussão da Questão 06: “Você acha que ficar muito tempo no sol traz riscos (perigo) para a saúde?”

Os resultados apresentados no QI e QF para os anos iniciais e finais do ensino fundamental mostram mais de 90% dos estudantes respondendo que ficar muito tempo ao sol traz riscos para a saúde (tabela 07), evidenciando já apresentarem um conhecimento prévio dos malefícios da exposição excessiva aos raios UV. De acordo com Zago et al.(2007), os alunos trazem para a sala de aula, conhecimentos construídos no cotidiano sob a influência de vários meios, entre eles: família, mídia, amigos e possivelmente a própria escola.

Tabela 07: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) sobre ficar muito tempo no sol

Você acha que ficar muito tempo no sol traz riscos (perigo) para a saúde?


Anos Iniciais

Anos Finais


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Sim

90,59 (77)

95,3 (81)

96,96 (96)

99,99 (99)

Não

9,41 (9)

4,7 (4)

3,03 (3)

0 (0)

Total

100 (85)

100 (85)

100 (99)

99

Fonte: Elaborado pelos autores

Corroborando os dados apresentados, em Bonfá et al. (2014) 65% das crianças avaliaram a exposição ao sol como perigosa, enquanto em Silva e França-Botelho (2011) 82,8% dos entrevistados afirmaram que o sol é prejudicial à pele. Porém, esses autores revelaram que conhecimentos adequados sobre os efeitos deletérios do sol não se traduzem em comportamentos apropriados de fotoproteção. Esse fator pode estar relacionado com a falta de informação sobre a relação causal do câncer de pele e exposição solar cumulativa, especialmente na infância e juventude (Silva e França-Botelho, 2011). Nesse sentido, reforçam-se as considerações de Silva e Schwantes (2016, p.03): "A escola, dentre tantas responsabilidades, têm o papel de informar, alertar e possibilitar o acesso a informações e a construção de conhecimentos que venham contribuir com a formação e vida das pessoas."

Resultado e Discussão da Questão 07: “Você já recebeu alguma informação sobre câncer de pele através de (marque quantas alternativas forem necessárias)”

De acordo com os dados apresentados na tabela 08, as opções “Televisão”, “Jornais e Revistas” e “Internet” foram as fontes mais citadas para se obter informações a respeito do câncer de pele. Esses resultados corroboram com os achados de Sá et al. (2014) e Urasaki et al. (2016), que também destacaram a mídia como primeira fonte de informação sobre o assunto.

Tabela 8: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) a respeito dos meios de informação sobre câncer de pele

Você já recebeu alguma informação sobre câncer de pele através de (marque quantas alternativas forem necessárias)


Anos Iniciais

Anos Finais


QI (%/f)

QF (%/f)

QI (%/f)

QF (%/f)

Televisão

30,58 (26)

60 (51)

100 (99)

82,82 (82)

Jornais e revistas

16,47 (14)

30,59 (26)

44,44 (44)

40,40 (40)

Consulta médica

11,76 (10)

27,06 (23)

33,33 (33)

32,32 (32)

Internet

20 (17)

48,24 (41)

73,73 (73)

62,62 (62)

Escola

18,82 (16)

56,47 (48)

48,48 (48)

71,71 (71)

Família

20 (17)

43,53 (37)

59,59 (59)

49,49 (49)

Não tenho acesso à informação

12,94 (11)

15,29 (13)

6,06 (6)

1,01 (1)

Outros

4,7 (4)

3,53 (3)

10,10 (10)

3,03 (3)

Fonte: Elaborado pelos autores

A escola como fonte de informação foi citada no QI por apenas 18,82% dos estudantes dos anos iniciais e por 48,48% dos estudantes dos anos finais. Essa baixa porcentagem, principalmente nos anos iniciais, pode ser explicada pela falta de contextualização dos conteúdos e pela falta de metodologias diversificadas de ensino que levem em consideração o cotidiano do aluno e da comunidade onde a escola está localizada (KAWAMOTO e CAMPOS, 2014; VIECHENESKI e CARLETTO, 2013). De acordo com Viecheneski e Carletto (2013, p. 542), "Um ambiente dialógico, aliado a uma abordagem contextualizada e interdisciplinar e a uma diversificação de estratégias didáticas, é um caminho promissor para o ensino de ciências e à iniciação da alfabetização científica nos anos iniciais".

Outro fator relevante para explicar o baixo índice de citação da escola como fonte de informação para o tema câncer de pele é que o livro didático ainda representa a ferramenta pedagógica mais utilizada pelo professor. Nicola e Paniz (2016) afirmam:

Muitos professores utilizam quase que exclusivamente o livro didático, pois esse se mostra como um recurso mais acessível, já que as escolas públicas recebem livros para utilização dos professores. Sendo um recurso acessível, muitas vezes ele acaba sendo a única maneira do professor implementar suas aulas, não incorporando outras ferramentas que poderiam auxiliar os alunos na aprendizagem dos conteúdos (Nicola e Paniz , 2016, p. 362).

Para os anos iniciais, no QF, as opções: "TV", "Jornal e Revistas", "Internet", "Escola" e "Família" tiveram um aumento relevante na porcentagem de respostas. O que pode configurar que, após a realização da oficina os estudantes buscaram mais informações a respeito do câncer de pele, permitindo inferir que a ferramenta pedagógica utilizada despertou o interesse e a curiosidade pelo tema proposto, favorecendo a ampliação de seus conhecimentos.

Para os anos finais, a alteração mais significativa das porcentagens de respostas no QF foi identificada para a opção "Escola", passando de 48,48% para 71,71%, o que justifica a importância da utilização de ferramentas pedagógicas diversificadas para complementar os conceitos relacionados a problemas de saúde pública, como é o caso do câncer de pele. De acordo com Donadel et al. (2015), o câncer de pele é um tema escasso e/ou abordado de forma superficial nos livros didáticos.

Resultado e Discussão da Questão 08: “Quando uma pessoa fica muito tempo no sol, o que você acha que pode acontecer?”

As respostas da pergunta 08 foram agrupadas em categorias. De acordo com Bardin (2011), a categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia). Os resultados apresentados mostraram que as categorias emergentes mais citadas no QI foram "câncer de pele” para os anos iniciais e “queimadura" para os anos finais, conforme tabela 09.

Tabela 9: Porcentagem (%) e freqüência (f) das respostas obtidas no questionário inicial (QI) e questionário final (QF) quando perguntado o que pode acontecer com uma pessoa que fica muito tempo no sol

Quando uma pessoa fica muito tempo no sol, o que você acha que pode acontecer?


Anos Inciais

Anos Finais

Categorias de respostas emergentes

QI (%/f)

QF (%/ f)

QI (%/ f)

QF (%/ f)

Queimaduras

28,23 (24)

18,82 (16)

35,35 (35)

35,35 (35)

Câncer de pele

29,41 (25)

43,53 (37)

11,11 (11)

24,24 (24)

Queimaduras e câncer de pele

22,35 (19)

9,41 (8)

31,31 (31)

20,20 (20)

Não respondeu

5,88 (5)

1,17 (1)

2,02 (2)

00

Ficar doente/ riscos para saúde

4, 71 (4)

14,12 (12)

1,01 (1)

5,05 (5)

Não sei

3,52 (3)

1,17 (1)

2,02 (2)

0

Manchas, queimaduras e CP

1,17 (1)

1,17 (1)

1,01 (1)

6,06 (6)

Queimadura, desidratação, insolação e CP

0

0

5,05 (5)

4,04 (4)

Outras respostas

4,71 (4)

10,58 (9)

11,11 (11)

5,05 (5)

Total

100 (85)

100 (85)

100 (99)

100 (99)

Fonte: Elaborado pelos autores

Quando analisados os resultados do QF, verificou-se que a porcentagem de respostas para a categoria "câncer de pele" aumentou consideravelmente, passando de 29,41% para 43,53% nos anos iniciais e de 11,11% para 24,24% nos anos finais. Esses resultados indicam que a ferramenta pedagógica potencializou a compreensão da relação entre os efeitos da exposição excessiva ao sol e o desenvolvimento do câncer de pele. Ao mesmo tempo estimulou o pensar de maneira crítica sobre essa relação, como relatado por alguns estudantes: "Por mais que já conheça algumas informações sobre o câncer de pele, tive a oportunidade de entender melhor como a doença se desenvolve e quais as medidas para preveni-la." (aluno do 9º ano/escola 2); "É bom aprender sobre as causas do câncer de pele."(aluno do 8º ano/escola 1); "Acabamos descobrindo várias coisas sobre a doença e como ela começa" (aluno do 6º ano/escola 1); “É muito importante nos informar sobre o que o sol pode nos trazer.” (aluno do 5º ano/escola 1).

Na categoria outras respostas enquadraram-se: “dor de cabeça”, “ficar vermelho”, “bolhas”, “descascar a pele”, “sangrar o nariz”, “ficar com sardas e dar alergias”, “envelhecimento precoce”. Durante a leitura e discussão da cartilha alguns estudantes relataram situações vivenciadas por eles mesmos ou por algum familiar referenciando as respostas incluídas nessa categoria. Alguns exemplos: "meu avó trabalha na lavoura o dia inteiro e chega em casa com a pele toda vermelha." (aluno do 5º ano/escola 2); "já me queimei na praia e a minha pele descascou toda." (aluno do 3º ano/escola 1); "fiquei jogando bola no sol quente e saiu sangue do meu nariz." (aluno do 6º ano/escola 2). Pode-se deduzir com esses relatos que os estudantes perceberam a correlação do tema abordado ao cotidiano de cada um, o que deu significado ao conteúdo apresentado na cartilha facilitando o entendimento de conceitos científicos ali expostos.

Considerações Finais

Perante os resultados apresentados, pode-se inferir que a ferramenta pedagógica Melano e Querato na terra do sol: uma história sobre os efeitos do sol na pele:

- Favoreceu a construção do conhecimento científico dos estudantes em relação às alterações fisiológicas e estruturais no sistema biológico provocadas pelo excesso de exposição ao sol em horários inadequados, bem como sobre a prevenção do câncer de pele;

- Despertou a curiosidade dos alunos a respeito do tema abordado fazendo com que a construção do conhecimento acontecesse de forma interativa, fomentando a reflexão e o posicionamento crítico em relação ao câncer de pele, o que poderá interferir em comportamentos mais saudáveis frente à exposição solar;

- Tornou o processo de construção do conhecimento mais prazeroso e atraente, vindo ao encontro das necessidades e interesses cotidianos do aluno, o que deu significado ao tema abordado, contribuindo, dessa forma, com a formação e vida dos estudantes.

Ainda através deste estudo, pode-se constatar que a Alfabetização Científica é favorecida pela utilização de materiais didáticos diversificados que forneçam conhecimentos científicos suficientes para que o aluno saiba interpretar fenômenos e resolver problemas em sua realidade. Assim sendo, pretende-se estender as ações realizadas na presente pesquisa a outras escolas (do campo e urbana) da região central do estado do Rio Grande do Sul, a fim de contribuir com o Ensino em Ciências no desenvolvimento de estratégias educativas de cuidados e prevenção do câncer de pele.

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