ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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Artigos

No. 69 - 27/09/2019
UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS NA CONCEPÇÃO DA UNIVERSIDADE ABERTA À TERCEIRA IDADE (UATI) COMO PROPOSTA PEDAGÓGICA NA PERCEPÇÃO AMBIENTAL  
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UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS NA CONCEPÇÃO DA UNIVERSIDADE ABERTA À TERCEIRA IDADE (UATI) COMO PROPOSTA PEDAGÓGICA NA PERCEPÇÃO AMBIENTAL



Zilmar Timóteo Soares

zilmarsoares@bol.com.br - Professor Doutor, Pesquisador- UEMASUL

Beni Isac Silva Feitosa

beniisac31@outlook.com - Acadêmico de Ciências Biológicas- UEMASUL

Dominique Silva Lima

dominique_lima123@outlook.com - Acadêmico de Ciências Biológicas- UEMASUL

Jaíne D’Ávila Nunes Carlos

jainedavila@hotmail.com - Acadêmica de Ciências Biológicas- UEMASUL

Juan Vitor Lima Sousa

Juanvittor_soua@outlook - Acadêmico de Ciências Biológicas- UEMASUL



RESUMO

A horta inserida no ambiente escolar pode ser um laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação ambiental e alimentar unindo teoria e prática de forma contextualizada. Assim sendo, é necessário que pesquisas multidisciplinares e de longo prazo sejam conduzidas a fim de que sejam mais bem avaliados e compreendidos os benefícios e dificuldades dos projetos e as formas encontradas para superar essas dificuldades. Diante deste contexto a pesquisa teve como objetivo avaliar o conhecimento empírico dos alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) sobre plantas medicinais utilizadas no seu cotidiano assim como sua aplicação. O estudo foi realizado na Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) um Programa de Extensão implantado pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) localizada no Município de Imperatriz-MA. As atividades teóricas e práticas foram realizadas no próprio espaço da UEMASUL, as atividades foram divididas em cinco etapas. Realizou-se a construção dos canteiros pelos próprios alunos, e posteriormente o plantio dos exemplares fornecidos pelos mesmos, no espaço cedido pela UEMASUL. Ademais foi possível realizar discussões em sala acerca das aplicações das plantas medicinais como fins terapêuticos. Dessa forma foi possível garantir a troca de informações dos alunos da UATI e os acadêmicos que desenvolveram o projeto ao longo do estudo como proposta pedagógica na percepção ambiental.

Palavras-chave: Educação Ambiental, Terceira Idade, Plantas Medicinais.



ABSTRACT

The garden inserted in the school environment can be a living laboratory that allows the development of several pedagogical activities in environmental education and food uniting theory and practice in a contextualized way. Thus, it is necessary that multidisciplinary and long-term research be conducted in order to better evaluate and understand the benefits and difficulties of the projects and the ways found to overcome these difficulties. In this context, the research had the objective of evaluating the empirical knowledge of the students of the Open University to the Third Age (UATI) on medicinal plants used in their everyday life as well as their application. The study was carried out at the University Open to the Third Age (UATI) an Extension Program implemented by the State University of the Tocantina Region of Maranhão (UEMASUL) located in the Municipality of Imperatriz-MA. The theoretical and practical activities were carried out in UEMASUL itself, the activities were divided into five stages. The construction of the beds was carried out by the students themselves, and later the planting of the specimens supplied by them, in the space provided by UEMASUL. In addition it was possible to hold in-room discussions about the applications of medicinal plants as therapeutic purposes. In this way it was possible to guarantee the exchange of information of the students of the UATI and the academics who developed the project throughout the study as a pedagogical proposal in the environmental perception.

Key words: Environmental Education, Elderly, Medicinal Plants



INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (2000) define que uma das melhores formas de se promover a saúde é através da escola, já que é um espaço social onde muitas pessoas convivem, aprendem, trabalham, passando assim grande parte de seu tempo. Os programas de educação para a saúde têm uma maior repercussão, beneficiando não só os alunos, mas também suas famílias e a comunidade na qual estão inseridos. Nesse sentido, a literatura enfatiza que a escola é um ambiente propicio para aplicação de programas para educação em saúde, envolvendo os vários aspectos a ela relacionados (FERNANDES, ROCHA & SOUZA, 2005).

A horta inserida no ambiente escolar pode ser um laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação ambiental e alimentar unindo teoria e prática de forma contextualizada, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem e estreitando relações através da promoção do trabalho coletivo e cooperado entre os agentes sociais envolvidos (MORGANO, 2006).

Dentre os programas de promoção da saúde podemos citar o desenvolvimento de projetos de implantação de hortas nas escolas, com o objetivo não só de difundir a prática do cultivo de hortaliças, como também, através da utilização de técnicas interdisciplinares, ensinar a planejar, implantar e manter ecossistemas produtivos; realizar a reeducação alimentar, ensinando o valor nutricional dos vegetais e introduzir a educação ambiental, construindo a noção de que o equilíbrio do meio ambiente é fundamental para a sustentabilidade de nosso planeta (IRALA & FERNANDEZ, 2001).

No Brasil a educação ambiental foi regulamentada pela Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, define seus princípios básicos, incorporando oficialmente a Educação Ambiental nos sistemas de ensino (TOTE E ANDRADE 2009).

Assim sendo, é necessário que pesquisas multidisciplinares e de longo prazo sejam conduzidas a fim de que sejam avaliadas e compreendidas os benefícios e dificuldades dos projetos e as formas encontradas para superar essas dificuldades. Dessa forma o estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento empírico dos alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) sobre plantas medicinais utilizadas no seu cotidiano assim como sua aplicação.



METODOLOGIA

O estudo foi realizado na UATI um Programa de Extensão implantado pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) localizada no Município de Imperatriz-MA (Figura 1).

Figura 1- Mapa de localização do Município de Imperatriz - MA.

As atividades teóricas e práticas foram realizadas no próprio espaço da UEMASUL, as atividades foram divididas em cinco etapas. A primeira atividade foi à apresentação do projeto a ser implantado aos alunos e o estabelecimento de um diálogo preliminar sobre plantas medicinais e sua utilização por parte dos alunos. Em seguida foi realizada uma apresentação das principais plantas medicinais da região do cerrado maranhense e seus benefícios.

A terceira atividade se deu a partir da divisão dos alunos em grupo de estudos, onde se encarregaram na pesquisa de duas plantas e seus benefícios, escolhidas de acordo com a sua utilização para fins medicinais. Onde foram anotados os principais pontos da pesquisa, a partir dessa foi solicitado aos alunos um exemplar de cada espécie de planta para a realização da atividade prática.

As atividades práticas foram à construção dos canteiros e o plantio das espécies fornecidas pelos alunos, o espaço foi cedido na área de convivência na UEMASUL. As espécies foram selecionadas para o plantio de acordo com a morfologia e características de crescimento.





RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nos meses de março a abril de 2019 ocorreram as etapas do projeto na

UEMASUL onde participaram 16 alunos da UATI. A princípio houve apresentação do projeto a ser realizado. Ademais foi possível realizar discussões em sala acerca das aplicações dessas plantas como fins terapêuticos, onde se observou um conhecimento tradicional vasto para uma quantidade numerosa de espécies locais (Figura 2).

De fato, essas receitas que são passadas ao longo do tempo, por vezes propiciam uma melhor qualidade de vida ao passo que condicionam um estado de melhor saúde a essas pessoas. Contudo foi falado que dependendo da quantidade que eles usam sem o acompanhamento de um especialista pode ou não agravar os sintomas sofridos por determinados tipos de doenças. Na etapa seguinte dividiu-se os alunos em dois grupos de estudos, onde cada um ficou responsável pela pesquisa de três plantas e seus princípios ativos (Figura 3). Na escolha utilizou-se o conhecimento de cada um sobre planta medicinal.

Conseguinte os grupos trouxeram 4 exemplares das plantas medicinais de espécies diferentes, em seguida iniciou-se o debate sobre o que foi aprendido com a pesquisas relacionada com plantas medicinais, levando em conta as que eles tinham em casa. Considerando o que foi falado verificou-se que uso de ervas medicinais, muitas delas cultivadas no próprio quintal, é uma prática secular baseada no conhecimento popular e transmitida oralmente, na maior parte das situações. Numa população com baixo acesso a medicamentos, agregar garantias científicas a essa prática terapêutica poderia trazer diversas vantagens.

Por fim, realizou-se a construção dos canteiros pelos próprios alunos, e posteriormente o plantio dos exemplares fornecidos pelos mesmos utilizando o espaço cedido pela UEMASUL. Na prática, os alunos foram para a horta e plantaram ervas medicinais, assim, puderam acompanhar o processo de desenvolvimento de cada planta. Eles socializaram os conhecimentos adquiridos no processo de aprendizagem, compartilhando as etapas de uma sequência didática, que culminou na explanação da metodologia de como montar canteiros de plantas em pequenos espaços.

A produção de material de apoio, ou seja, a pesquisa realizada pelos grupos facilitou a troca de experiência, associando os conteúdos aprendidos em sala. De acordo com o espaço disponível foi feita a escolha do recipiente do futuro mini canteiro. Entre as variedades de opções, os alunos escolheram os pneus, Sousa (2014) aponta que projetos como este têm como objetivo, darmos a devida importância a uma vida saudável, pois, através de conversa informal, foi constatado que havia muitos alunos que consumiam bastantes alimentos industrializados.

Outro ponto positivo observado, é que foi gerada expectativa, colaboração e interação entre os alunos da UATI e os acadêmicos que desenvolveram o projeto. A aprendizagem aconteceu ao longo do desenvolvimento de cada etapa, das mais variadas formas, através da experimentação, da expressão escrita, oral e visual. Medeiros e Crisostimo (2013), afirmam que o desenvolvimento do projeto ambiental contribui significativamente para ampliar o conhecimento escolar e o despertar pelo estudo científico.

Nos primeiros contatos com os alunos da UATI, percebeu-se que um número significativo deles, conhecia e já fizeram uso de planta medicinal através de um chá ou remédio caseiro. Entretanto, através disso percebe-se que muitos dos participantes acreditavam que por ser um produto natural, não faz mal à saúde, e que muitos tinham o hábito de cultivar algumas espécies em casa.

Medeiros e Crisostimo (2013) também chegaram à conclusão que os alunos não tinham a cautela ou os cuidados necessários quanto à forma de preparo, a quantidade ingerida e até mesmo na coleta e identificação com segurança dessas plantas. O fato de não saber a quantidade certa a ser consumida, pode acarretar sérios problemas, uma vez que certas plantas possuem um modo e quantidade certa para que sejam utilizadas de forma que não ocasionem danos.

O cultivo de uma horta dentro da universidade vem a ser algo muito benéfico, além de contribuir para uma vida mais saudável, traz uma estética diferente, e bem mais agradável ao local. Santos (2014) aponta que o projeto visa à valorização e incentivo às técnicas de cultura orgânica, estabelecendo relações entre valor nutritivo dos alimentos cultivados.

Segundo Sousa (2014) “Obtivemos a comprovação que mesmo em pequenos espaços podemos ter uma horta sustentável e isso é muito bom para todos nós”. Não importa o tamanho da horta, e sim os benefícios que ela pode trazer, neste caso, qualquer um pode fazer uso das espécies que estão sendo cultivadas ali, tornando-se uma opção acessível para a comunidade em geral.

Pimenta e Rodrigues (2011, p. 10) apontam que pode ser observado que esse trabalho, desenvolve um papel bastante importante, auxiliando a comunidade escolar no planejamento, execução e manutenção das hortas. De modo geral, é importante ressaltar que só resta à comunidade acadêmica cuidar das plantas medicinais cultivadas dentro da universidade, de forma que no futuro outras pessoas possam continuar se beneficiando disso.



CONCLUSÃO

Foi possível perceber que é possível cultivar plantas medicinais no espaço da universidade pelos acadêmicos e concomitantemente, a partir dos conteúdos que foram estudados, relatos de experiências por parte dos alunos e comprovação da grande utilidade das plantas medicinais garantirem a troca de informações dos alunos da UATI e os acadêmicos que desenvolveram o projeto ao longo do estudo como proposta pedagógica na percepção ambiental.



REFERÊNCIAS

FERNANDES, M.H.; ROCHA, V.M. & SOUZA, D.B. A concepção sobre saúde do escolar entre professores do ensino fundamental (1ª a 4ª séries). Hist. cienc. saúde- Manguinhos, Rio de Janeiro, v.12, n.2, 2005

IRALA, C. H. & FERNANDEZ, P. M. Manual para Escolas. A Escola promovendo hábitos alimentares saudáveis. HORTA. Brasília, 2001.

MEDEIROS, E. T. O.; CRISOSTIMO, A. L. A Importância da Aprendizagem das Plantas Medicinais no Ensino da Botânica. Paraná, 2013.

MORGADO, F; S, A Horta Escolar na Educação Ambiental e Alimentar: Experiência do Projeto Horta Viva nas Escolas Municipais de Florianópolis, 2008.

PIMENTA, J. C.; RODRIGUES, K. S. M. Projeto Horta Escola: Ações de Educação Ambiental na Escola Centro Promocional Todos os Santos de Goiânia (GO). Goiânia, 2011.

SANTOS, A. P. R. Implantação da Horta Escolar em uma Escola Pública em Araras-SP. Monografia (Especialização em Ensino de Ciências) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. Paraná, 2014, 39 f.

SOUSA, J. D. Alimentos Orgânicos Cultivados em Garrafas Pet e Pneus Usados. In: II Congresso Nacional de Educação. Parnaíba, 2014.

TODE, A; P, ANDRADE, M; A Educação Ambiental no Centro Estadual de Educação Continuada –CESEC- Betim MG, Dezembro de 2009.





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