ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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Relatos de Experiências

No. 69 - 27/09/2019
O USO DA AULA DE CAMPO COMO ESTRATÉGIA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
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O USO DA AULA DE CAMPO COMO ESTRATÉGIA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Iuri Araújo Barros1; José Valdez Moura de Oliveira2; Fábio Silva de Oliveira3; Rodrigo Nunes Galvão4; Patrícia Maria Martins Nápolis5

1Graduando em Licenciatura em Ciências da Natureza, Centro de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: iuri1912@hotmail.com

2Graduando em Licenciatura em Ciências da Natureza, Centro de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: valdezmoura@hotmail.com

3Graduando em Licenciatura em Ciências da Natureza, Centro de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: fabiooliveirama@hotmail.com

4Graduando em Licenciatura em Ciências da Natureza, Centro de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: rodrigonunesmsn@hotmail.com

5Doutorado em Ecologia pela Universidade Federal de São Carlos, Professora na Universidade Federal do Piauí (UFPI) no curso de Licenciatura em Ciências da Natureza. E-mail: pnapolis@uol.com.br

Resumo: A Educação Ambiental assume hoje uma grande importância no cenário socioeducativo tendo em vista a crescente globalização e o acelerado crescimento das cidades, que se sobrepõe às áreas verdes diminuindo, assim, o contato entre o ser humano e a natureza. Nesse contexto a aula de campo apresenta-se como estratégia enriquecedora no âmbito da Educação Ambiental pois com essa estratégia busca-se levantar uma relação harmoniosa entre o ser humano e o meio em que ele está inserido. Desse modo, o presente trabalho tem por objetivo mostrar a importância da aula de campo tendo-a como proposta metodológica estratégica para versar sobre Educação Ambiental buscando a sensibilização como processo que leva à alerta e a reflexão. O trabalho relatado teve como área de estudo a trilha da arara e a cachoeira do urubu-rei, no município de Pedro II no Estado do Piauí, tendo como participantes alunos da Universidade Federal do Piauí integrantes da disciplina de Educação Ambiental do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza. Percebemos que as vivências que aula de campo oferecem estimulam o processo de sensibilização levando os envolvidos à reflexão. No mais, uso da aula de campo é uma estratégia enriquecedora para versar sobre Educação ambiental tendo em vista o contato direto com o ambiente natural.

Palavras-chave: Educação Ambiental; aula de campo; estratégia de ensino

Abstract: Environmental education today is of great importance in the socio-educational setting with a view to increasing globalization and the rapid growth of cities, which overlaps the green areas thus reducing the contact between man and nature. In this context the field class is presented as enriching strategy in the context of environmental education for with this search strategy to raise a harmonious relationship between humans and the environment in which it is inserted. Thus, this paper aims to show the importance of field class taking it as strategic methodological proposal to be about seeking environmental education awareness as a process that leads to warning and reflection. The reported work was to study the area to track macaw and the waterfall of the king vulture in the town of Pedro II in the state of Piauí, whose participants are students of the Federal University of Piauí members of the Environmental Education discipline Degree in Natural Sciences. We realize that the experiences that field class offer stimulate the sensitization process leading to reflection involved. For the rest, use the field class is an enriching strategy to be about environmental education in view of the direct contact with the natural environment.

Key words: Environmental education, class field, teaching strategy



INTRODUÇÃO



A Educação Ambiental assume hoje uma grande importância no cenário socioeducativo (BARRA, 2001) tendo em vista a crescente globalização e o acelerado crescimento das cidades, que se sobrepõe às áreas verdes diminuindo, assim, o contato entre o ser humano e a natureza (TRES; REIS; SCHLINDWEIN, 2011). Diante disso, cada vez mais o processo educacional no contexto ambiental perde a característica de pertencimento e, em contraposição, cada vez menos o indivíduo é inserido no meio natural para estudá-lo – a sala de aula é tida, em larga escala, como único meio para o ensino.

Para Neiman (2007), o ser humano se distanciou da natureza. Com isso, faz-se necessário e urgente um reencontro no sentido de informá-lo da dinâmica dos processos ecológicos, bem como sensibilizá-lo para que ele use seus conhecimentos visando a preservação dos recursos naturais tendo em vista que deles depende sua existência.

Dentro da Educação Ambiental diversas são as metodologias passiveis de uso pelo professor (SATO, 2002). A escolha da mais adequada depende do objetivo do docente e o que ele busca para motivar os alunos. Essa motivação assume grande importância no processo de ensino e aprendizagem (KNUPPE, 2006) tendo em vista que para atingir uma aprendizagem mais significativa, o aluno deve ter interesse por aquilo que lhe é ensinado – caso contrário, esse processo está fadado ao fracasso.

Desse modo, ‘’cabe ao professor propor novas metodologias que favoreçam a implementação da educação ambiental sempre considerando o ambiente imediato, relacionando exemplos de problemas ambientais atualizados’’ (SATO, 2002, p.25).

Dentre as estratégias de ensino aplicadas para a efetivação da Educação Ambiental, de acordo com Tozoni-Reis (2008), encontram-se as atividades lúdicas, experiências práticas, produção de materiais, a aplicação de oficinas, a dramatização, o uso de projetos, o emprego de temas geradores, o uso de trilhas e a aula de campo. Tendo o presente trabalho como foco a aula de campo, esta é tida como importante estratégia no ensino de modo geral já que ela assume um caráter mais amplo pois insere o aluno no ambiente de estudo.

Educação Ambiental busca avocar para si a responsabilidade de formar cidadãos que tenham um equilíbrio dinâmico perante o meio ambiente e que possuam como ideário as parcerias necessárias para perpetuar a vida. No entanto, e como dito anteriormente, cada vez menos o indivíduo é inserido no meio para estudá-lo. Isso faz com que a sensação de pertencimento caia no esquecimento, sendo levantada em seu lugar o enfoque de que o ser humano é ser superior e independente da natureza. Nessa perceptiva, mais que conhecer, é preciso pertencer à natureza (GUIMARÃES, 2007).

Aspirando essas orientações, o uso da aula de campo apresenta-se como estratégia enriquecedora no âmbito da Educação Ambiental. Com essa estratégia de ensino busca-se levantar uma relação harmoniosa entre o ser humano e o meio em que ele está inserido. Ademais, o próprio contato com o meio ambiente permite a visualização de situações reais o que tende a pôr em prática a teoria vista em tempo pretérito nos ambientes formais de ensino.

Para Fernandes (2007), a aula de campo seria toda aquela que contempla a locomoção e a mudança dos discentes para um ambiente dissemelhante aos espaços de estudo contidos na escola. Dentro dessa mesma linha de pensamento, Silva e Campos (2015) pontuam a aula de campo como uma metodologia que busca a leitura crítica de mundo, as modificações na paisagem, as relações entre o ser humano e o ambiente, a partir de seu ordenamento, da relação entre os seres humanos e o espaço vivido, sentido, observado.

Para mais, e cabe comentar, o estudo do meio através de uma vivência prática favorece no fortalecimento dos valores ambientais que são estudados em sala de aula. No entanto, o simples ato de imergir o indivíduo em ambientes naturais não significa que as mudanças pretendidas sejam alcançadas já que os alunos possuem uma série de pré-conceitos postulados por todo um contexto social. É importante que haja o estudo do meio tomando por base estratégias que atinjam a reflexão perante os valores ambientais.

Para que uma aula de campo se torne significativa, é de suma importância um planejamento prévio bem elaborado considerando as variáveis que podem surgir. Nas palavras de Guimarães, “para realizar uma educação popular comprometida com a transformação da sociedade para um mundo mais equilibrado social e ambientalmente, como primam os pressupostos da Educação Ambiental, faz-se necessário resgatar o planejamento como uma ação pedagógica essencial’’ (GUIMARÃES, 1995, p. 41).

Além disso, esse planejamento deve ser elaborado de modo participativo tendo em vista que dentre os indivíduos as singularidades não podem ser desconsideradas:

Conforme os princípios básicos descritos pela educação ambiental, o planejamento das ações deve ser essencialmente participativo: professores, alunos, segmentos comunitários, agentes sociais de uma prática social em que cada um contribua com sua experiencia acumulada, sua visão de mundo e suas expectativas, aflorando contradições. Dessa forma, facilita a compreensão e a atuação integral e integrada sobre a realidade vivenciada (GUIMARÃES, 1995, p. 41).

Dentro dos objetivos da Educação Ambiental, encontra-se a sensibilização ambiental que é o ‘’processo de alerta, considerado como primeiro objetivo para alcançar o pensamento sistêmico da Educação Ambiental’’ (SATO, 2002, p. 24). Aqui cabe comentar a importância da aula de campo para atingir tal objetivo. Quando o aluno é inserido no meio, aquele se evolve e interage com este. O discente entra no modo ativo no processo educacional e passa a explorar e ter experiências que o leva às transformações cognitivas por meio do processo de inscrição corporal da mente (DEMOLY; SANTOS, 2018). As práticas que vêm através da aula de campo não devem ser consideradas como forma de abandonar o dia a dia. Elas devem ser vistas como atividades que objetivem a sensibilização levando o indivíduo à elaboração de valores que podem ser realçados tanto no meio natural quando em ambientes urbanos.

Dentro desse ideário, o presente estudo tem como objetivo mostrar a importância da aula de campo tendo-a como proposta metodológica estratégica para versar sobre Educação Ambiental, mostrando a importância de vivenciar a natureza para valorizá-la e preservá-la, e buscando a sensibilização como processo que leva à reflexão.



PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O presente trabalho foi realizado no dia 03 de novembro de 2018 no município de Pedro II, localizado no Estado do Piauí. De acordo com o IBGE (2010), a cidade possui uma população de 37.496 pessoas, segundo o último censo, com estimativas populacionais de 38.704 pessoas no ano de 2018. Pedro II tem em sua extensão territorial 1.544,565 Km² e uma densidade demográfica de 24,70 habitantes por Km². No que diz respeito ao bioma, de acordo com Gomes (2011), o Cerrado, a Caatinga e Carrasco predominam na região e o clima prevalecente é o tropical chuvoso, caracterizado como clima quente e úmido com chuvas de verão e outono.

O município é considerado um polo atrativo do turismo no Estado do Piauí também por conta de sua diversidade de paisagens, evidenciada através dos mirantes, cachoeiras, cavernas, sítios arqueológicos, museus, trilhas e parques ambientais (GOMES, 2011).

A aula de campo aqui relatada foi realizada na trilha da arara tendo como objetivo final a cachoeira do urubu-rei. De acordo com o guia, a trilha possui uma extensão de 6 km e apresenta trechos de difícil locomoção devido à quantidade de pedras soltas e o grau de inclinação do terreno. Em relação a cachoeira, ela é tida como perene e é a única em todo o estado que não seca ao longo do ano. A queda-d’água apresenta aproximadamente 76 metros de altura que vai de encontro a uma piscina natural na sua base onde os visitantes podem banhar.

A referida aula de campo foi realizada com alunos da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Essas atividades fizeram parte do cronograma da disciplina de Educação Ambiental do curso de Licenciatura plena em Ciências da Natureza da referida Instituição de Ensino Superior. O objetivo de tal momento foi mostrar o uso da aula de campo como estratégia de ensino para a Educação Ambiental.

Para a efetivação das ações da aula de campo, primeiramente foi elaborado o planejamento que levou em consideração o deslocamento dos alunos até o município de Pedro II (ida e volta), a estadia na cidade e o necessário para a prática da trilha. Esse planejamento foi elaborado de modo conjunto considerando a participação ativa de todos os elementos que foram envolvidos no processo, sempre sendo baseado na realidade concreta de todos os alunos e voltado para atingir os objetivos previamente discutidos.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prática da aula de campo iniciou com a locomoção dos alunos partindo do centro da cidade de Pedro II até o Mirante do gritador - ponto turístico do município - (figuras 1 e 2), distância aproximada de 10 Km segundo o guia. O local leva esse nome devido a sua formação geológica que permite que o som ecoe quando um grito é dado do alto do morro que fica localizado a 720 metros de altura em relação ao nível do mar.



Figuras 1 e 2: vista do morro do gritador em Pedro II – PI. Elaboração Própria, 2018.

Antes de iniciar a trilha o guia repassou algumas informações (figura 3) que mereciam atenção dos alunos tendo em vista que o percurso apresentava um nível de dificuldade que exigia esforço. Para isso um aquecimento prévio foi realizado e alguns esclarecimentos foram pontuados como o uso de protetor, a importância da água para hidratação e a relevância de desenvolver a trilha de modo conjunto – sem a dispersão do grupo.

Figura 3: Alunos recebendo orientações básicas do guia para

o seguimento da trilha. Elaboração própria, 2018



Figura 4: participantes da aula de campo juntamente com o Guia no

mirante do gritador. Elaboração própria, 2018.



Ao longo da trilha (figura 5) foram discutidos temas como a vegetação do local, a fauna e a flora, a interação dos alunos, as ações apropriadas para a elaboração de uma aula de campo e as habilidades de observação. Durante a trilha o solo mostrou-se variado ao longo do percurso sendo, em um primeiro momento, um solo do tipo arenoso que foi se alternando para um solo mais argiloso e seco. Em seguida o solo passou a adquirir uma característica mais rochosa o que dificultou o trajeto tendo em vista a grande quantidade de pedras soltas. Ademais, o terreno enquadrava-se como declinado apresentando em alguns pontos 70º de inclinação.



Figura 5: alunos realizando a trilha da Arara

Elaboração própria, 2018.



A área em que a trilha foi realizada apresenta uma vegetação típica de Cerrado e Caatinga. Ao longo do trajeto percebeu-se uma abundância em vegetação do tipo xerófito (resistente a longos períodos de seca e insolação) e caducifólio (perdem as folhas no período seco). Para Viveiro e Diniz (2009) as atividades de campo dão abertura para um contato direto com o ambiente, além de possibilitar ao estudante o envolvimento e a interação com situações reais, permitindo assim o confronto entre teoria e prática, além de estimular a curiosidade e aguçar os sentidos.

Ao analisar a aula de campo realizada e todas as circunstâncias que a cercaram, percebemos que o uso dessa metodologia não deve sustentar-se apenas no campo em si. Apreciamos que para o êxito ao se utilizar essa metodologia, é de suma importância que se desperte o interesse dos alunos, que se crie uma atmosfera agradável e que haja um reforço pelo sentimento de equidade perante a natureza. Para Krasilchik (1996) dentre as principais funções da aula de campo, encontra-se o de despertar e manter o interesse dos alunos envolvidos nessa prática.

É importante destacar que a aula de campo favorece, também, a fortificação das relações interpessoais. Indo além dos conteúdos passíveis de estudo durante a aula, uma atividade realizada no campo possibilita trabalhar as relações entre os indivíduos, seja entre os próprios alunos, seja entre estes e o professor. Ademais, essas relações podem perdurar por muito tempo pois ‘’a aula de campo favorece o companheirismo resultante da experiência em comum e da convivência agradável entre os sujeitos envolvidos que perdura na volta ao ambiente escolar’’ (VIVEIRO; DINIZ, 2009, p. 4).

Como bem preceituam os discursos a respeito do processo de ensino e aprendizagem, para que este venha a atingir a efetividade no âmbito educacional é de suma importância despertar o interesse do aluno. Desse modo, e acompanhando a ótica de Mendonça (2015), utilizar a natureza para o processo educacional vai estimular os sentidos, o senso de interesse pelo conhecimento e o entusiasmo de aprender pela experiência. Assim, os alunos que tenham dificuldades em assuntos singulares podem superá-los sendo guiados a um local aberto tendo em vista o contato direto que pode surgir com essa experiência.

Um ponto que mereceu nossa atenção está no planejamento. Para a efetivação da aula de campo foi de suma importância que se adotasse um planejamento participativo englobando todos os envolvidos e visando conduzir o grupo para as vivências com o ambiente de modo a ter o melhor aproveitamento.

Considerando-se que a interação entre as pessoas e o meio ambiente ocorre nas mais variadas maneiras, essa interação não pode ser limitada a aspectos essencialmente naturais. Dentro desse ponto de vista, compreendemos que um contato mais intenso entre o ser humano e a natureza tende a desenvolver nas pessoas reflexões sobre os reais motivos que devem ser considerados para cuidar e preservar dos elementos naturais. Percebemos que as vivências que aula de campo oferecem estimulam o processo de sensibilização levando os envolvidos à reflexão.

Figura 6: Cachoeira do Urubu Rei em Pedro II, PI.

Elaboração própria, 2018.



Por ter a educação ambiental um caráter interdisciplinar e levando em consideração a gama de temas que podem ser trabalhados em uma aula de campo, esta é considerada louvável para o ensino já que pode ser utilizada para tratar de elementos naturais que podem ser utilizados em sala de aula, bem como pode ser utilizada para tratar de temas transversais dentro da estrutura curricular escolar. Para Sato (2002), o ambiente não pode ser considerado objeto de estudo de cada disciplina de modo isolado. Dentro desse discurso percebemos que diversos temas das diversas disciplinas do currículo escolar são passíveis de estudo em uma aula de campo. Isso ficou perceptível tendo em vista a possibilidade de se trabalhar temas relacionado à geografia (geologia, relevo, clima, biomas brasileiros, conservação de floresta etc.), Educação física (condicionamento físico, hidratação, sistema locomotor, jogos educativos etc.), matemática (unidades de medida, estatística, coleta de dados etc.), português (linguagem e comunicação, debates, interpretação etc.), ciências (ecologia, relações ecológicas, os animais, a água, as plantas, o desmatamento, o efeito estufa etc.), história (memória do município, cultura local etc.), dentre outras possiblidades.

Dentro da definição de Educação ambiental ofertada pela Conferência Intergovernamental de Tbilisi, é expressado que a educação ambiental busca ‘’apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos’’ (SATO, 2002, p.23). Compreendemos que essa inter-relação ocorreu de modo significativo entre os envolvidos na aula. O senso de coletividade foi trabalhado e executado em todos os contextos, desde a partida até o retorno, e a cooperação foi perceptível durante todo o percurso da trilha com o compartilhamento de recursos e o amparo aos alunos mais debilitados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



Sendo a Educação Ambiental um intermédio necessário para os atuais problemas socioambientais, ela deve ser denotada objetivando a mudança de comportamentos pessoais dos indivíduos perante os recursos naturais, levando-os a construir valores ambientais e desenvolvendo competências para a preservação do meio ambiente, bem de uso comum de todos e intermédio substancial para a manutenção da vida. Para tanto, é de suma importância que o elo entre o ser humano e a natureza seja reforçado considerando a atual secessão entre as pessoas e a natureza.

Em consequência dos fatos vivenciados na aula de campo realizada na trilha da arara e na cachoeira do urubu-rei, defendemos que o uso da aula de campo é uma estratégia enriquecedora para versar sobre Educação ambiental tendo em vista que as experiências vividas proporcionaram um contato direito com a natureza atendendo, assim, ao objetivo de sensibilização preceituado pela Educação Ambiental.

Por meio dessa estratégia de ensino diversos contextos puderam ser trabalhados na formação dos licenciandos que a vivenciaram. Para mais, avaliamos que a aula de campo é uma estratégia de ensino que pode ser usufruída tendo diversas finalidades. Preceituamos, com tom meritório, que ela requer um bom planejamento tendo em vista as possibilidades circunstanciais que podem ocorrer no espaço de tempo da aula.



REFERÊNCIAS

BARRA, Vilma. Exploração de necessidades socioeducativas e análises de modelos de programas formativos da educação ambiental como caráter experimental. Educar em revista, Curitiba, n. 17, p. 224-225, jun. 2001. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/0104-4060.450>. Acesso em 21 nov. 2018.

DEMOLY, Karla Rosane Do Amaral; SANTOS, Joceilma Sales Biziu Dos. Aprendizagem, Educação Ambiental e Escola: Modos de En-Agir na Experiência de Estudantes e Professores. Ambiente & sociedade, São Paulo, v. 21, e00872, 2018. Disponível em <http://dx.doi.org/10.1590/1809-4422asoc0087r2vu18l1ao>. Acesso em: 21 nov. 2018.

FERNANDES, José Artur Barroso. Você vê essa adaptação? A aula de campo em ciências entre o retórico e o empírico. 2007. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

GOMES, Divamélia de Oliveira Bezerra. Mineração, turismo e ambiente em Pedro II, Piauí. – Rio Claro: [s.n.], 2011. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Geociências e Ciências exatas, 2011.

GUIMARÃES, Mauro. A dimensão ambiental na educação. Campinas, SP: Papirus, 1995.

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IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico, 2010. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pi/pedro-ii>. Acesso em 01 dez. 2018.

KNUPPE, Luciane. Motivação e desmotivação: desafio para as professoras do Ensino Fundamental. Educar em revista, Curitiba, n. 27, p. 277-290, jun. 2006.   Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602006000100017>. Acesso em: 21 dez. 2018.

KRASILCHIK, Myriam. Prática de Ensino de Biologia. 3. ed. São Paulo: EDUSP, 1996.

MENDONÇA, Rita. Atividades em áreas naturais - São Paulo: Instituto Ecofuturo, 2015.

NEIMAN, Zysman. A educação ambiental através do contato dirigido com a natureza. 2007. Tese (Doutorado em Psicologia Experimental) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

SATO, Michele. Educação Ambiental. São Carlos: PPG-ERN/USFCar, 2002.

SILVA, Marcelo Scabelo da; CAMPOS, Carlos Roberto Pires. Aulas de campo como metodologia de ensino – fundamentos teóricos. In: CAMPOS, Carlos Roberto Pires. AULA DE CAMPO PARA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA: Práticas Pedagógicas Escolares. Vitória: IFES, 2015.

TOZONI-REIS, Marília Freitas de Campos. Metodologias Aplicadas à Educação Ambiental. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.S., 2008.

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VIVEIRO, Alessandra Aparecida; DINIZ, Renato Eugênio da Silva. Atividades de campo no ensino das ciências e na educação ambiental: refletindo sobre as potencialidades desta estratégia na prática escolar. Ciência em Tela. v.2, n.1, 2009. Disponível em: <http://www.cienciaemtela.nutes.ufrj.br/volume2/1/sala_de_aula1.html>. Acesso em: 22 dez. 2018.



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