ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
DIFICULDADES NO CUIDADO DE PACIENTES COM DIAGNÓSTICO: TRANSTORNOS MENTAIS  
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DIFICULDADES NO CUIDADO DE PACIENTES COM DIAGNÓSTICO: TRANSTORNOS MENTAIS

Gardene Lima Silva 1, Vanderlene Brasil Lucena2.



RESUMO: Este estudo teve por objetivo, a nova politica da Saúde Mental, as necessárias mudanças no atendimento do doente e da família na compreensão dos sentimentos envoltos. Um estudo transversal e descritivo, sobre saúde mental, analise através de um questionário, diagnosticado na adolescência com -esquizofrenia.

PALAVRAS-Chave: Transtornos mentais. Bipolaridade. Esquizofrenia.



ABSTRACT: This study aimed at the new Mental Health policy, the necessary changes in the care of the patient and the family in the understanding of the feelings involved. A cross - sectional and descriptive study on mental health, analyzed through a questionnaire, diagnosed in adolescence with - schizophrenia.

KEYWORDS: Mental disorders. Bipolarity. Schizophrenia.



Introdução

A compreensão dos processos de formação dos transtornos mentais vem se mostrando desafiadora desde a fundação do campo psiquiátrico. A busca por determinantes somáticos, que pudessem caracterizar em termos biológicos tais fenômenos, conferindo legitimidade não somente às categorias patológicas, mas consequentemente à própria psiquiatria, esteve presente como objetivo em diversos momentos da história da disciplina (SHORTER, 1997 e ROSENBERG et al., 1994).

Os transtornos mentais comuns (TMC), expressão criada por Goldberg & Huxley5 (1992), caracterizam-se por sintomas como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas. Nos estudos de base populacional realizados em países industrializados, sua prevalência varia de 7% a 30%.5 No Brasil, estudo realizado em 1994 revelou que 22,7% da população adulta urbana de Pelotas, RS, sofrem com os TMC (ALMEIDA, 1992).

O esclarecimento da etiologia dos transtornos mentais seria, idealmente, uma etapa fundamental para a elaboração de práticas diagnósticas, terapêuticas e preventivas mais eficazes. No entanto, a despeito dos esforços empreendidos, das diversas teses elaboradas e das disputas que mobilizam o campo, seguimos conhecendo muito pouco sobre os caminhos que conduzem à formação das doenças. Nas últimas décadas, observamos a ascendência das hipóteses biológicas sobre a formação dos transtornos. A partir dos anos 1970, no contexto da chamada “segunda psiquiatria biológica” (SHORTER, 1997), as investigações destinadas a identificar possíveis determinantes orgânicos e a elaboração de uma classificação diagnóstica objetiva das patologias mentais passaram a predominar no cenário psiquiátrico.

Com os avanços proporcionados pelas tecnologias de pesquisa médica, especialmente aqueles conquistados no campo das pesquisas genéticas, o surgimento de diversas possibilidades de investigação do cérebro, uma verdadeira revolução no que se refere ao entendimento dos transtornos mentais estaria em curso. A esquizofrenia pode levar a uma considerável ruptura dos níveis psíquicos, físicos e da rede social do indivíduo, uma diminuição da habilidade para cuidar de si mesmo, estudar, trabalhar, desenvolver atividades do cotidiano e para se relacionar individual e socialmente (GIACON e GALERA, 2006). É difícil de ser definida, pois não existem sintomas próprios da doença, mas sim sintomas característicos que indicam uma desorganização da personalidade (GAMA, 2002). A doença interfere, de forma geral, nos pensamentos, emoções, motivações e constitui o mais comum dos transtornos psiquiátricos graves.

Segundo Bronfenbrenner (1996), propõe um modelo onde o desenvolvimento acontece através de processos de interação recíproca progressivamente mais complexa desde quando ainda criança e todos os níveis de influência do meio ambiente, como apresenta a figura abaixo que descreve as relações existentes entre os vários sistemas que influenciam a vida da criança, descritos na teoria ecológica do desenvolvimento desenvolvida.

Figura: Teoria ecológica do desenvolvimento

Objetivo

Tem-se como objetivo desse estudo retratar o impactos causados pela falta de um meio ambiente equilibrado, um dos fatores de riscos, para saúde mental da família, do paciente e da sociedade, impondo-se ao poder público e à saúde coletiva.



Metodologia

Trata-se de um estudo transversal e descritivo, com abordagem quantitativa, no qual foi avaliado o estado do paciente, reside Rua Pernambuco, Nova Imperatriz na cidade de Imperatriz (MA), no mês de Maio de 2019.

A amostra foi composta de um adulto, do sexo masculino, o mesmo foi diagnosticado com Transtorno mental – esquizofrenia ainda na sua adolescência, assim necessitou de um termo de consentimento da responsável pelo paciente, sendo sua mãe a progenitora responsável pelo adolescente, ao participar do estudo e assim assinarão o “Termo de Consentimento Livre Esclarecido” (Apêndice 1).

O protocolo de pesquisa será encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de UEMASUL, se houver necessidade. A mãe entrevistada a partir de um instrumento estruturado desenvolvido (Apêndice 2), onde foram constatados questões que exploram o conhecimento e relatos sobre transtorno mental, também questões socioeconômicas e demográficas, questionário (ANEXO).



Procedimento

O objetivo deste estudo, foram a realização uma pesquisa ir de encontro com esta nova politica da Saúde Mental, entende –se que são necessárias mudanças no atendimento e acompanhamento do doente e da família e na compreensão dos sentimentos envoltos no portador de transtorno mental. Onde também entender as angustias que os parentes enfrentam diante dessa realidade e se havia qualificação dos mesmo para oferecer os cuidados necessários para os pacientes, é de extrema relevância, não somente para os profissionais como para sociedade, um entendimento mutuo entre: profissionais, familiares e sociedade. Os pontos fortes e fracos de causas e perigos envolvidos, o retorno esperado, bem como descrever uma estratégia, que em conjunto com um plano de saúde em ação, e complementar ações a serem desenvolvidas pelos Assistentes sociais, Enfermeiros e Psicólogos responsáveis lotados no CRAS e CAPs.



Entrevista



DESCRIÇÃO DO CASO

Paciente: JSS

Idade: 39 anos

História da Doença Atual: A esquizofrenia é conhecida como uma das doenças psiquiátricas mais graves e desafiadoras. É definida como uma síndrome clínica complexa que compreende manifestações psicopatológicas variadas de - pensamento, percepção, emoção, movimento e comportamento, JSS ele nos últimos anos se tornou muito agressivo e violento, assim uma dificuldade de sair de casa por conta da inconstância de humor.

História patológica pregressa: outros da parte paterna tiveram a mesma doença de acordo com os relatos da responsável e genitora do JSS

História Familiar: Sim, familiar paterna com outros casos na gerações.

História Gestacional: A responsável relatou, que havia feito laqueadura a mais de 5 anos, assim uma gestação não planejada, não desejada, assim com psicológico já com dificuldade de aceitação, para um bom desempenho maternal.



RESULTADOS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) compreende qualidade de vida como a saúde física, a saúde mental e o meio ambiente influencia, no grau de independência que o indivíduo consegue ter em relação aos demais, as relações sociais e os mais diversos tipos de crenças, podendo-se considerar ainda o trabalho e as relações familiares. Os entrevistados relataram o comprometimento da qualidade de vida em alguns desses aspectos definidos pela OMS.



Características psicométricas

Em relação às qualidades psicométricas, foi feita uma análise dos artigos quanto à confiabilidade dos instrumentos. A maior parte dos instrumentos nesta revisão é composta por questionários e escalas breves de rastreamento. Esse tipo de instrumento é largamente utilizado, pois é de fácil administração e não demanda muito tempo de aplicação. Porém, é necessária a aplicação de entrevistas estruturadas para confirmar a presença ou ausência de sintomas psiquiátricos(Kline, 2000). Durante a entrevista, sobre o paciente JSS, com a sua genitora, observou-se que talvez pelo cansaço ou desgaste de tantos anos, falava de forma exausta, cansada, triste e com profundo desgastes psicológicos.



DISCUSSÃO

Assim, o trabalho teve objetivo e resultados esperados, conforme os relatos das pessoas dos familiares, durante a convivência com a esquizofrenia, a família também participa do sofrimento. Mag ressaltou o apoio recebido de seus familiares e também fala da incompreensão de sua doença por pessoas fora de seu convívio familiar.

A família deve ser vista por seus membros como um porto seguro, em que se encontra apoio e compreensão (TEIXEIRA, 2005).

[...] sempre tive apoio dos meus filhos e eles compreendem o que eu tenho que fazer, devido a pouca informação, de um tudo na minha casa. Amigos, parentes e pessoas que não moram comigo não entendem [...]. (Mag), não posso sair devido os riscos de um momento de agressividade do meu filho, não conseguir conte-lo, um lugar ao ar livre com arvores, sombra, um ambiente natural para estarmos pelo menos duas vezes ou mais na semana.

A família é importante por ser considerada uma continuidade do paciente. O modo de pensar e agir dos familiares afeta diretamente o ente adoecido (DURÃO, 2005 e KONGA, 2002). No entanto, não é sempre que os familiares estão dispostos a se envolver com os problemas do ente adoecido e com seu tratamento. A não aceitação por parte da família é prejudicial para o portador de doença mental, visto que ele pode se sentir desamparado.

[...]Quando o JSS começou a se desenvolver como homem, entrou na adolescência, sair os pelinhos, nós chamava ele de nenê, todo mundo, nenê, era aquela coisa, todo mundo, era aquela coisa. A gente ficava mimando demais, me queixo muito disso, ai era nenê, nenê, só quem não chama o JSS de nenê era eu.[...]. (Mag).

A dificuldade de aceitação do doente no convívio familiar ficou bastante evidente nos discursos, com os irmãos e sua genitora responsável pela entrevista, a

[...] Ai depois disso o JSS nasceu normal, mais a minha gravidez foi conturbada eu não era alegre não eu não queria mais ter filho de jeito nenhum, foi assim sem ter alegria nenhuma, eu não aceitava, verdadeiramente eu não aceitava essa gravidez porque eu não queria mais e tal, ai tive o menino muito bonito e tudo, até os doze anos de idade o JSS era perfeito, era normal brincava, conversava, só se visse o jeito, comprava coisas no comercio, só se visse o jeito.[...].(Mag).



CONCLUSÃO

A realização deste estudo de caso contribuiu de forma positiva para a formação acadêmica e um conhecimento mais aprofundado sobre os transtorno mental, esquizofrenia. O contato com o paciente, o estudo da literatura sobre as patologias, o estudo sobre as medicações, funções mentais e a realização da avaliação através de um questionário, possibilitou ampliar o conhecimento, despertar curiosidades, interesses no campo da saúde mental e perder o medo e ansiedade frente à pacientes psiquiátricos.

O responsável entrevistado expressou, nos relatos, o sofrimento vivenciado a partir do convívio com a esquizofrenia e os prejuízos na qualidade de vida, de forma especial nos relacionamentos, nas atividades diárias, no trabalho, assim foi observado, a própria entrevistada responsável pelo paciente mostraram ter consciência da influência direta da esquizofrenia nesses aspectos da vida. Por meio desta experiência e conhecimentos obtidos, foi possível observar um paciente com transtorno mental, com olhar mais humano, assim como também poder acompanhar a luta e sofrimento da família, pra manter um doente como o caso do JSS, uma vez que não temos um ambiente verde, uma praça e sem riscos, para passear com pessoas problemas especiais como esses, assim contribuindo mais a saúde pública. A realização do estudo de caso e a sistematização do mesmo foram importantes, contribuirão com a formação acadêmica e para conhecimento dos profissionais de saúde permitindo uma visão mais abrangente da saúde mental possibilitando ações e cuidados mais efetivos com pacientes e familiares. Portanto esse campo profissional tem muito ainda a ser estudado, pesquisado e avaliado.



REFERÊNCIAS

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Schneid-Kofman N, Sheiner E, Levy A. Psychiatric illness and adverse pregnancy outcome. Int J Gynaecol Obstet 2008; 101:53-6.       

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