ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
CONCEPÇÕES E REFLEXÕES SOBRE O POR QUE SER PROFESSOR COM A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID EA.  
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CONCEPÇÕES E REFLEXÕES SOBRE O POR QUE SER PROFESSOR COM A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID EA

Francisco Vilar Vasconcelos1, Anne Karoline Cardoso Silva2, Raphael Alves Feitosa3, José Stênio Aragão Rebouças Júnior4



1 Mestrando em Ensino de Ciências e Matemática, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE. Fortaleza, Ceará, Brasil. E-mail: villar-ocara@hotmail.com

2 Mestranda em Ensino de Ciências e Matemática, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE. Fortaleza, Ceará, Brasil. E-mail: akarol.cardoso@gmail.com

3 Doutor em Educação, professor do Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), coordenador do Laboratório de Pesquisa em Ensino de Biologia (LEBIO). Atua como docente dos Programas de Pos-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PGECM) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática da UFC (ENCIMA). Fortaleza, Ceará, Brasil. E-mail: raphael.feitosa@ufc.br.

4 Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Fortaleza, Ceará, Brasil. E-mail: ze.stenio2@gmail.com



RESUMO

Com a pesquisa objetiva-se analisar concepções e reflexões de bolsistas e ex-bolsistas do PIBID EA a partir do questionamento: Por que ser professor? Avaliar as contribuições do programa de iniciação à docência para a descoberta e permanência na profissão docente. Os sujeitos desta investigação são 8 bolsistas da região metropolitana de Fortaleza, Ceará, Brasil, que cursaram e/ou cursavam Licenciatura na Universidade Federal do Ceará (UFC). O programa oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais que se dediquem ao estágio nas escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o PIBID faz uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais. Através de um estudo de caso numa investigação qualitativa foram propostos questionários e entrevistas visando uma coleta de dados para se analisar a questão das contribuições do programa para a formação inicial. Constatou-se ainda, que houve mudanças em relação as concepções, após os graduandos participarem do programa, principalmente no que se refere as ideias de descoberta e permanência na docência, assim, como a responsabilidade social na perspectiva da educação ambiental para a formação na área educacional.

Palavras – chaves: Professor. Pibid EA. Docência. Formação Inicial.



Abstract

The objective of this research is to analyze the conceptions and reflections of scholarship holders and alumni of PIBID EA from the questioning: Why be a teacher? To evaluate the contributions of the initiation program to teaching for the discovery and permanence in the teaching profession. The subjects of this research are 8 fellows from the metropolitan region of Fortaleza, Ceará, Brazil, who attended and / or attended a degree at the Federal University of Ceará (UFC). The program offers scholarships for teaching students to face-to-face courses that are dedicated to the internship in public schools and that, when graduates, commit themselves to the exercise of teaching in the public network. The goal is to anticipate the link between future masters and public network classrooms. With this initiative, PIBID articulates higher education (through degrees), the school and state and municipal systems. Through a case study in qualitative research, questionnaires and interviews were proposed aiming at a data collection to analyze the question of the contributions of the program to the initial formation. It was also observed that there were changes in relation to the conceptions, after the students participated in the program, mainly in relation to the ideas of discovery and permanence in teaching, as well as social responsibility in the perspective of environmental education for training in the area educational.

Key - words: Teacher. Pibid EA. Teaching. Initial formation.



Introdução

Podemos afirmar que formação inicial do professor é tema em constante debate e construção por se tratar de um passo importante para a futura carreira docente, especialmente se trata na preocupação de um ensino que contemple as exigências pós modernas, isto é, que ultrapassem as aulas tradicionais onde o docente detinha todo o poder e o aluno apenas aprendia passivamente.

Para Mendes (2008) a formação de um professor envolve várias etapas, mas a base de tudo é a formação inicial bem construída. Entretanto, podemos encontrar alguns problemas nessa formação inicial, como explicita Vieira-Abrahão (2007), ao ressaltar que tradicionalmente, a maior parte do currículo de formação de docentes põe a parte prática apenas para o final do curso, no modelo chamado “três mais um”, seriam três anos de teoria e um ano de prática pedagógica, o que gera muitas vezes uma tensão e medo de entrar em sala de aula. “Dentro dessa estrutura, a prática de ensino ficava reservada ao último ano, com uma carga horária insuficiente para dar conta da formação teórica e prática do futuro professor” (VIEIRA-ABRAHÃO, 2007, p.155).

Diante disso, esse trabalho pretende expor como o programa de iniciação à docência (PIBID), contribui para a motivação do acadêmico em licenciatura optar pela escolha e permanência na profissão docente, através de experiências voltadas para a prática e reflexão profissional em contato direto com o ambiente escolar. A qualidade do ensino está diretamente relacionada à formação do professor, nesse sentido a união entre a teoria e a prática favorece uma renovação das práticas dos professores visto que as transformações sociais impulsionam a construção de novas práticas de ensino.

Percebemos a importância da formação inicial do professor no sentido de diferenciação de aspectos como esse, porém não apenas os conteúdos acadêmicos são suficientes para a formação de um professor. É preciso a contextualização do ambiente escolar, para assim, os graduandos percebam as particularidades da educação, no fazer-se professor.

As Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN – afirmam que a formação inicial deve contemplar em seu currículo relações dialógicas entre teoria e prática, visando assim um despertar dos futuros professores para efetivação de uma prática inovadora, tornando-os mais qualificados em sua atuação, reflexivos de sua prática e inter-relacionando sua teoria e prática com a realidade escolar (BRASIL, 1999). Nas discussões relacionadas à formação docente, autores como Zeichner (2008) defendem a necessidade de que o professor desenvolva uma prática reflexiva: O movimento da prática reflexiva envolve, à primeira vista, o reconhecimento de que os professores devem exercer, juntamente com outras pessoas, um papel ativo na formulação dos propósitos e finalidades de seu trabalho e de que devem assumir funções de liderança nas reformas escolares.

De forma reflexiva, o docente tem oportunidade de mudar sua prática, em vista de um ensino produtivo. Nóvoa (2003, p.5), por exemplo, destaca o importante papel da universidade na formação de professores, seja por prestígio, por sustentação científica ou mesmo pela produção cultural. Entretanto, o autor reforça o papel relevante que a escola tem na formação destes, considerando as experiências vividas.

Neste cenário, o papel exercido pelas universidades assume posição estratégica no processo de formação, tendo o compromisso social como base e servindo ao bem público, possibilitando que cada sujeito tenha o poder e a responsabilidade de introduzir mudanças em escala global, considerando a complexidade, questionando as racionalidades e proporcionando o ensino da ética centralizada no humano. Tal exercício finda por ampliar o sentido e significado da aula, fazendo da atual sala de aula o próprio mundo. As discussões socioambientais, por sua vez, que contribuem para a formação de cidadãos críticos, reflexivos e capazes de intervir nas realidades local, regional e global têm as universidades como locais de fomento e alicerce destas práticas. Neste sentido, Araújo (2012) chamava atenção para a importância do ser professor, enquanto trabalhadores sociais, profissionais que têm o compromisso social de educar, em relação à educação ambiental (EA), assumindo a prática docente como objeto de estudo e a universidade como chão da pesquisa.

Para Araújo (2012), um dos caminhos para o efetivo implemento da EA é a educação e, como tal, seu comprometimento com a realidade socioambiental constitui prática social que requer um conjunto de ações intencionais em prol da sustentabilidade; tendo como uma de suas finalidades contribuir para a humanização e emancipação do homem e para a formação de cidadãos críticos. A criticidade e humanização, enquanto categorias nos estudos sobre Educação Ambiental passaram a serem exploradas a partir dos estudos de Araújo (2012). Elas levam em conta, dentre outros aspectos, o reconhecimento da sociedade e da natureza como dimensões indissociáveis e a perspectiva de emancipação dos sujeitos.

Muitos estudos têm sido elaborados discutindo diversos aspectos da formação docente, principalmente no que diz respeito à necessidade de uma formação profissional integrada, capaz de responder às necessidades dos sistemas de ensino e às mudanças sociais. No Brasil, no que tange à formação de educadores em EA, a Política Nacional de Educação Ambiental assegura no seu artigo 11 que “[...] a dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas” (BRASIL, 1999). Entre as ações estratégicas do Programa Nacional de Educação Ambiental (BRASIL, 1997) no que se refere ao ensino formal, pode-se observar uma preocupação com a formação dos docentes e técnicos de ensino, através de cursos de atualização e pós-graduação, com o intuito de produzir instrumentos e metodologias voltados para a abordagem da dimensão ambiental nos currículos dos diferentes níveis e modalidades de ensino.

As propostas e orientações trazidas pelo PNEA levam a algumas reflexões sobre a necessidade de se pensar a formação de professores a partir de uma nova relação entre o processo educacional e as questões ambientais. As características específicas da EA exigem processos também específicos de formação de educadores para que a Educação Ambiental seja implementada nos sistemas de ensino de forma efetiva e articulada com as questões socioambiental. Sendo assim, faz-se necessária a articulação entre as políticas públicas e os processos de formação docente. Nesse sentido, a introdução da dimensão ambiental nos currículos requer uma formação que possibilite um preparo de um novo profissional, tanto pelos novos papéis que os educadores precisam desempenhar, como pela necessidade de que sejam agentes transformadores de sua própria prática (MEDINA, SANTOS, 2008).

Essas considerações mostram que a formação dos professores sob a égide da Educação Ambiental é um campo que requer uma ampla discussão, tendo em vista que a inserção da dimensão ambiental nos contextos escolares direciona para uma reflexão acerca das posturas epistemológicas que norteiam diferentes posicionamentos teórico-práticos, os quais não estão isentos de diferentes paradigmas de interpretação da realidade. Dessa forma, espera-se que as questões levantadas neste trabalho contribuam para a reflexão sobre a formação dos professores em Educação Ambiental, entendendo que esse processo de formação necessita ter como princípio fundamental a articulação entre conhecimento, intencionalidade e transformação social.



Metodologia

O presente artigo traz um estudo a partir de uma investigação qualitativa, dando ênfase ao estudo de caso sobre as concepções e reflexões do programa de iniciação à docência de um grupo PIBID, no seguimento de um subprojeto Educação Ambiental, composto por estudantes dos cursos de Licenciatura em Ciências biológicas e de geografia para o seguinte questionamento: Por que ser Professor?

O público alvo são bolsistas e ex-bolsistas que participaram do PIBID EA no período de 2017, onde 2 deles já estavam graduados em licenciatura.

Analisando os dados da pesquisa parte da reflexão da importância do PIBID EA para a formação inicial do docente em licenciatura, garantindo a descoberta e a permanência na docência. Através de duas ferramentas de pesquisas distintas; uma foi um questionário semi estruturado e a outra uma entrevista semi estruturada, a fim de coletar elementos que tragam uma reflexão da contribuição do PIBID EA para a formação inicial dos licenciados participantes do programa, procurando compreender o que se aprende sobre docência participando de um programa de iniciação à docência.

Os graduandos participantes da pesquisa assinaram um termo de consentimento e livre esclarecido (TCLE), onde ficaram cientes que suas respostas, opiniões e vivências seriam parte do trabalho, assim contribuindo para o enriquecimento da pesquisa.

Resultados e Discussão: Análises e Reflexões sobre o porquê ser professor.

Diante de todos os desafios enfrentados pelo professor no mundo contemporâneo, percebe-se ainda uma procura muito grande em cursos de licenciaturas nas universidades. Mesmo com todas as dificuldades que a profissão docente ultrapassa ainda existem pessoas que sentem admiração e paixão pela profissão e que acreditam realmente no papel do professor como transformador social.

[...] Um educador precisa sempre, a cada dia, renovar sua forma pedagógica para, da melhor maneira, atender a seus alunos, pois é por meio do comprometimento e da “paixão” pela profissão e pela educação que o educador pode, verdadeiramente, assumir o seu papel e se interessar em realmente aprender a ensinar. (FREIRE, 1996, p.31)

Assim, todos os entrevistados indagados pela a opção de escolha de ser professor que participaram ou participam do PIBID EA, relataram que mesmo sabendo de todas as dificuldades que iriam enfrentar, resolveram ingressar na profissão, levando em conta o belíssimo papel do professor na esfera social. Destacaram assim, a contribuição do programa de iniciação à docência para a descoberta e permanência na profissão, apresentando apenas um entrevistado que seguiu outra profissão, mas que tem uma grande vontade de voltar a sala de aula. Todos destacaram a valorização do PIBID EA para os cursos de Licenciatura.

Partindo do ponto de vista do questionamento à docência, os entrevistados afirmam que ser professor é a maneira de educar e gerar novos conhecimentos para as futuras gerações, libertando e transformando a sociedade. Podemos perceber em uma das falas do entrevistado 4:

Eu quero ser professora porque só através da educação que a gente consegue fazer as transformações sociais. Não é só com ela, mas não tem como fazer as transformações sociais que precisamos sem ela (ser Professor). Eu acredito que o professor tem o papel fundamental nisso, apesar da educação não é feita apenas dentro da sala de aula, mas a escola é um instrumento importante para o ensino e educação.”

Apesar de acreditarem que a educação e a valorização do professor ainda se mantém muito precária na escola pública, afetando muitas decisões de graduandos de licenciatura a escolha e permanência da profissão. Medina, Santos (2018). Acreditam na possibilidade do professor ser um ator fundamental na construção de uma sociedade melhor, eles fazem uma análise da importância da implementação das atividades sobre educação ambiental exercidas pelo programa de iniciação à docência na formação inicial, se preocupando com a construção de um perfil de educadores alinhados numa perspectiva de formação cidadã através de uma perspectiva interdisciplinar dos alunos em sala de aula. Percebe-se essas discussões na fala dos entrevistados 6 e 1:

Entrevistado 6: “Eu tenho vontade de ser professor, porém as condições que a gente vive são muito complicadas, mas o Pibid EA me incentivou muito a ser professor, trazendo uma perspectiva interdisciplinar na área da educação ambiental. Eu tenho a vontade de ser, porém não temos a base para ser professor, falta incentivo. Dentro da licenciatura é interessante, existe um incentivo da própria universidade, das disciplinas de licenciatura, do Pibid EA, das bolsas... Só que quando você chega ao final do curso você começa a refletir sobre o assunto e percebe que a escola pública não é aquele “mar de rosas”. A escola apresenta vários problemas que te desestimula a continuar na profissão”.

Entrevistado 1: “Encantei-me pelo projeto ter uma proposta interdisciplinar e eu não consegui ver na minha cabeça antes de ter entrado no projeto como o Teatro, Geografia, Biologia e a Letras conseguiam trabalhar juntos para Educação Ambiental. Na minha cabeça nada disso funcionava. Só depois que entrei no projeto do Pibid EA que passei a ter essa visão de interdisciplinaridade.”

Tendo em vista a falta de experiência ao entrar na licenciatura, muitos graduandos não tem a oportunidade de vivenciar atividades na escola como prática, acabam se aprofundando nas teorias e ao terminar o curso ou mesmo no andamento quando precisam entrar em sala se deparam com situações eu sabem como agir. Os programas de iniciação trazem através de ações voltadas para a prática a quebra desses obstáculos oportunizando contato direto com a escola, alunos e professores que auxiliarão para sua descoberta, permanência ou desistência de seguir carreira na docência. Analisamos a fala da entrevistada 5:

Primeiro eu tinha acabado de entrar na universidade, então eu tava buscando de uma bolsa e quando eu soube que tinha uma de iniciação à docência eu vi que aquilo iria ser ideal pra mim, por ser aluna da licenciatura, por não ter experiência nenhuma, por tá acabando de entrar na universidade.”

Pode-se perceber mediante as falas dos entrevistados, a contribuição do PIBID em suas formações, quando todos dizem que o programa oportuniza momentos de reflexão da teoria difundida no curso de graduação, juntamente com a prática realizada no programa, colocando-os frente às diferentes realidades que a escola possui, criando dessa maneira, oportunidades de adquirirem conhecimentos a partir da prática.

Entevistado 2: “Quando eu entrei no Pibid EA eu passei a gostar mais de dar aula porque passei a ter mais contato com a escola e com os alunos e com a tarefa de ser um professor, a própria docência. Então isso me endureceu mais. A qualidade das minhas aulas melhoraram com certeza, tanto com o meu desenvolvimento dentro da bolsa como dentro da universidade. Entendi melhor rotina da escola com certeza. E então o meu conceito de trabalho de quando eu entrei na universidade para agora mudou muito”

Assim, a partir dessa prática o professor faz buscas por saberes construídos ou adquiridos ao longo da sua caminhada, onde são essências esse contato para sua carreira profissional, Freire (1996, p. 12) reforça:

É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis, que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.

Segundo os entrevistados o PIBID EA constrói uma reflexão que os ligam numa temática individual, trazem a auto reflexão sobre suas práticas, a partir das vivências proporcionadas pelo programa podem fazer uma auto avaliação, que contribuirão para seu processo de formação docente. Essas reflexões são mencionadas nas falas dos entrevistados 3 e 4:

Entrevistado 3: “A minha qualidade de aula ainda não melhorou muito porque eu ainda estou no começo do projeto. Acho que entrei no projeto no começo de janeiro, e agora já estamos em abril, eu estou com meio semestre de Pibid ainda, o que não me torna tão experiente ainda”.

Entrevistado 4: “Eu acho que a qualidade das minhas aulas melhorou um pouco. Antigamente eu não tinha essa habilidade de falar em público, apesar de até hoje eu ainda sofrer com essa dificuldade, principalmente quando o público é muito grande (em número)”.

Segundos estudos de Nóvoa (2009), Mendes, Zeichner (2008) e Araújo (2012), uma das propostas para uma formação docente de qualidade é a partilha, que deve ser inerente na cultura docente, pois é a soma das habilidades individuais de cada profissional da escola formando uma competência coletiva. Isso reflete a grande importância do convívio dos graduandos com o cotidiano escolar e sua inserção na escola para a construção de práticas percebidas na observação de outros professores.

Nesse mesmo sentido Vieira – Abrahão (2007), coloca dois aspectos importantes, o primeiro consiste na partilha das práticas, onde todos expõem suas experiências, e assim, todos refletem sobre ela e consecutivamente a tornam conhecimento profissional. Por tanto a partir das falas dos entrevistados percebemos como essa apropriação da prática reflete em sua escolha profissional.

Pelo depoimento do entrevistado 7, a seguir, é possível identificar um ponto muito importante na decisão da escolha pela carreira docente por causa da ideia de interdisciplinaridade na área Educação Ambiental e suas possibilidades de desenvolver a temática de interdisciplinaridade pode ser desenvolvido a partir de diversas áreas do conhecimento.

Entrevistado 7: “Encantei-me pelo projeto ter uma proposta interdisciplinar e eu não consegui ver na minha cabeça antes de ter entrado no projeto como o Teatro, Geografia, Biologia e a Letras conseguiam trabalhar juntos para Educação Ambiental. Na minha cabeça nada disso funcionava. Só depois que entrei no projeto do Pibid EA que passei a ter essa visão de interdisciplinaridade.”

Partindo da temática sobre a ajuda que o Pibid EA proporcionou para a formação profissional através do campo da interdisciplinaridade para esse entrevistado, continuaremos a discutir sobre contribuições do Pibid EA na escolha e permanência na formação. Também podemos destacar que a temática de interdisciplinaridade trazer uma dinâmica muito diferente daquela abordada do cronograma da escola, visando à formação humana e a formação cidadã.

O programa de iniciação à docência iria dar as bases necessárias para os alunos experimentar do melhor para refletir e se encontrar como futuro docente. Porém, todos os entrevistados que participaram da pesquisa já estavam decididos de serem professores no futuro. Assim comprometendo o resultado da hipótese. Apesar disso, temos uma pequena conclusão. Nenhum dos 8 entrevistados mudaram de ideia para desistir de seus interesses pela docência.

De acordo com os entrevistados, o Pibid EA teve uma grande relevância na formação docente dos entrevistados em diferentes requisitos. Um desejo já pré-estabelecido nos alunos de Licenciatura que entraram no programa é a vontade de querer praticar suas habilidades docentes e levar os conhecimentos educativos transformadores sociais apreendidos durante a graduação e/ou vida a diante. Sendo o Pibid um projeto interdisciplinar, permite os jovens professores realizarem seus ideais transformadores livremente de acordo com suas observações na escola, sem se preocuparem com a matriz curricular, muitas vezes até se aproximando melhor com os alunos da escola.



Considerações finais

A participação de graduandos no programa de iniciação à docência PIBID EA, analisados nessa pesquisa, possibilitou os bolsistas, futuros professores, os primeiros contatos com a sala de aula e a proximidade com o trabalho realizado por docentes experientes na Educação Básica, possibilitando uma descoberta ou permanência na área educacional, trazendo uma reflexão sobre o porquê ser professor.

O PIBID proporciona a troca de experiências entre o meio acadêmico e o cotidiano escolar. Como já mencionamos, sua contribuição traz uma reflexão na perspectiva que o bolsista tenha uma visão do que se pensa e idealiza com a realidade do chão da sala de aula. Para os bolsistas, a oportunidade de ter uma formação profissional em escola pública no andamento de sua formação acadêmica, a estreita relação entre a teoria e a realidade da educação básica a partir da observação e intervenção no trabalho realizado pelas professoras no âmbito escolar, trazem novos questionamentos se realmente pretendem atuar na profissão.

Através do PIBID EA o aluno bolsista passa a conhecer e entender melhor a sala de aula, começa a articular as maneiras de reunir a teoria estudada na universidade e as práticas dentro das escolas. Essa experiência é importantíssima na formação profissional docente, principalmente quando se refere a uma questão ambiental dentro do meio escolar, gerando discussões e reflexões entre quem estará no comando da futura sociedade, os alunos.

Outro ponto muito importante é poder conviver com a atuação de profissionais experientes, tomar para si, o real papel do professor numa construção de uma sociedade mais crítica e dinâmica na luta por seus ideais, a partir das vivências interdisciplinares da educação ambiental, através de um trabalho de conscientização voltado para o meio social onde se vive.

Bibliografia

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