ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
COLEÇÃO BIOLÓGICA DE MACROINVERTEBRADOS: UMA ALTERNATIVA NO ENSINO SOB UMA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)  
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COLEÇÃO BIOLÓGICA DE MACROINVERTEBRADOS: UMA ALTERNATIVA NO ENSINO SOB UMA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)



Anderson de Souza Moser1, Yuri Kataoka Silva2, Adriana Massâe Kataoka3, Ana Lucia Suriani-Affonso4



1 Mestrando em Educação para a Ciência e a Matemática - PCM, Universidade Estadual de Maringá (UEM), anderson_moser@live.com.

2 Mestrando em Biologia Evolutiva - PPG Bio Evol., Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), yuri.kataoka@hotmail.com.

3 Doutora em Ciências – UFSCar. Professora do Departamento de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática – PPGEN, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), dri.kataoka@hotmail.com.

4 Doutora em Ciências – UFSCar. Professora do Departamento de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática – PPGEN, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), analuciabio@gmail.com.



Resumo: A abordagem das problemáticas ambientais nas escolas normalmente é de responsabilidade dos professores de Ciências e Biologia, pautada no ensino tradicional de Educação Ambiental (EA) e reduzido apenas ao mundo natural. Como forma de superar essa realidade esse artigo propõe o uso de uma coleção biológica de macroinvertebrados aquáticos como um recurso didático no ensino da temática água. Ele também apresenta as principais contribuições da utilização destes organismos em práticas de EA sobre a qualidade da água, visando uma formação crítica de alunos e professores de três colégios estaduais de Guarapuava-PR. A investigação adotou a abordagem qualitativa de pesquisa e as informações foram registradas em um diário de campo. A partir dos resultados, pudemos verificar que a utilização dessa coleção demonstrou ser uma ferramenta de ensino capaz de proporcionar subsídios teóricos e práticos para uma abordagem diferenciada sobre a temática água, além de desempenhar um papel importante na aproximação entre o ensino e a EA crítica. Assim, acreditamos que ações dessa natureza favoreçam o pensamento crítico dos alunos e professores frente as problemáticas socioambientais, bem como, uma visão mais complexa sobre relações existentes entre sociedade e natureza.

Palavras-Chave: Ensino de Ciências e Biologia; Recursos didáticos; Socioambiental.



Abstract: The approach to environmental problems in schools is usually the responsibility of the Science and Biology teachers, based on the traditional teaching of Environmental Education (EE) and limited only to the natural world. As a way of overcoming this reality this article proposes the use of a biological collection of aquatic macroinvertebrates as a didactic resource in the teaching of the water theme. It also presents the main contributions of the use of these organisms in EA practices on water quality, aiming at a critical training of students and teachers from three state colleges of Guarapuava-PR. This investigation adopted the qualitative research approach and the information was recorded in a field diary. The results, showed that the use of this collection proved to be a tool in teaching capable of providing theoretical and practical subsidies for a differentiated approach on the water theme, besides playing an important role in the approximation between teaching and EA critical Thus, it is believed that actions of this kind favor the critical thinking of students and teachers in relation to socio-environmental problems, as well as a more complex view about the relationships between society and nature.

Keywords: Teaching of Sciences and Biology; Didactic resources; Socio-environmental.



Introdução

Nas últimas décadas, tornaram-se frequentes os noticiários da mídia relacionados à poluição da água, do solo, do ar, perda da biodiversidade e alterações climáticas. A incidência desses casos demonstra que o mundo moderno tem sido palco de inúmeras problemáticas ambientais de ordem complexa e de proporções extremas. Diante dessa crise ambiental, diferentes setores da sociedade e campos do conhecimento focalizam esforços na intenção de reverter essa situação, mesmo que de forma compartimentalizada. Nesse sentido, a escola é um espaço privilegiado para o trabalho das questões ambientais sob uma perspectiva da Educação Ambiental (EA).

No contexto escolar, a responsabilidade da temática ambiental recai especialmente às disciplinas de Ciências e Biologia (KRASILCHIK, 2000), nas quais o enfoque predominante dado ao tema relaciona-se a uma concepção naturalista, distante dos aspectos sociais e culturais necessários para o entendimento da atual crise. Para Kataoka et al. (2015, p. 366) ao “reduzir o ambiente a dimensão natural, reduz-se as possibilidades de compreensão da problemática ambiental e, consequentemente, de vislumbrar possibilidades mais coerentes de solução para os problemas”.

Essa abordagem fragmentada dos professores acerca das problemáticas ambientais não é uma casualidade. O modelo de sociedade em que estamos inseridos é pensado sob a ótica de uma racionalidade cognitiva instrumental baseada na lógica do capital, no entendimento do mundo como uma máquina, ou seja, que pode ser dividido em partes para ser estudado, analisado, quantificado, mesurado e explorado (LUZ; PRUDÊNCIO; CAIAFA, 2018). Essa é uma concepção de mundo que tem dificuldades em pensar o ambiente de forma conjunta, e hoje, ela sozinha não é suficiente para atender a todas as demandas da sociedade. Assim, na abordagem da temática ambiental no contexto escolar as interações entre sociedade e natureza não devem ser desconsideradas, pois de acordo com Grün (2005, p. 47) a dicotomia entre “natureza e sociedade é apontada como um dos principais motivos da devastação ambiental”.

Nessa direção, consideramos necessário investir na formação dos alunos e professores, como forma de superar o modelo tradicional de ensino e contribuir com a inserção de uma perspectiva crítica da EA. Na Educação Ambiental Crítica (EAC) “o ambiente não deve ser discutido apenas a partir de temas ecológicos e ambientais, mas também são necessárias que estejam presentes nas discussões as questões sociais e culturais” (MUNHOZ; KNÜPFER, 2017, p. 6). Além disso, o debate ambiental deve acontecer pautando-se na problematização das questões ambientais de forma interdisciplinar e transversal (CARVALHO, 2004).

O Ensino de Ciências apresenta potencialidades para o trabalho com a temática ambiental, partindo dos aspectos ecológicos e biológicos (naturais) e transcendendo-os as várias dimensões que envolvem a atual crise, sendo elas de ordem social, cultural, econômica, ética e política. Para que isso ocorra, o ensino não deve ser restringido à sala de aula, mas atuar na construção de novas possibilidades de relação entre sociedade e a natureza e no diálogo entre outros campos do conhecimento, favorecendo a criação de estratégias inovadoras que promovam a compreensão dos paradigmas socioambientais atuais (LUZ; PRUDÊNCIO; CAIAFA, 2018).

Diante deste contexto, esta pesquisa refere-se a um recorte de um projeto de extensão (nº. Processo: 13255/2016) da Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO), intitulado “Crise Hídrica: oficinas ecopedagógicas”, o qual contemplou a temática da água, mais especificamente os rios urbanos do município de Guarapuava-PR, dentro de uma perspectiva da EAC. Por se tratar de um projeto maior, esse artigo focalizou as análises de apenas uma das suas etapas, composta por oficinas pedagógicas com alunos e professores. Nessas ações, objetivamos desenvolver práticas que fossem dinâmicas, ou seja, que não se limitassem a um estilo tradicional de ensino. Dessa forma, utilizamos a coleção biológica de macroinvertebrados do Laboratório de Ecologia de Bentos da UNICENTRO como um recurso para a abordagem de conhecimentos específicos no Ensino de Ciências integrados a outras disciplinas e a EAC.

Assim, diante da relevância da inserção da EAC no Ensino de Ciências (e outros campos do conhecimento) e a necessidade de utilização de ferramentas didáticas que contemplem a aproximação entre esses campos do conhecimento na abordagem da temática da água, apresentamos os seguintes questionamentos: a utilização de uma coleção biológica de macroinvertebrados pode fornecer ao professor subsídios teóricos e práticos para o trabalho da temática da água sob uma perspectiva crítica da EA? Essa ferramenta é capaz de auxiliar alunos e professores no entendimento das problemáticas dos recursos hídricos e aproximá-los da fauna bentônica da região? Esta coleção apresenta potencialidades para o desenvolvimento de um projeto interdisciplinar na escola?

Nesse sentido, este artigo propõe uma coleção biológica de macroinvertebrados aquáticos como um recurso didático para desenvolvimento da temática da água no contexto escolar e apresenta as principais contribuições da utilização destes organismos em práticas de EA sobre a qualidade da água, visando à formação crítica de alunos e professores de três colégios estaduais de Guarapuava-PR.



Os macroinvertebrados e a Educação Ambiental no Ensino de Ciências

O ensino de Ciências proporciona ao professor um trabalho com diferentes temáticas. Entre elas, destaca-se a problemática da água que possibilita uma ampla abordagem, seja por sua relação com os aspectos ambientais e socioeconômicos das sociedades ou por abranger diferentes conceitos de forma interdisciplinar (WATANABE; KAWAMURA, 2006). Dessa forma, os macroinvertebrados aquáticos (ou bentônicos) servem como uma importante ferramenta no trabalho dessa temática pelo professor.

Os macroinvertebrados bentônicos podem ser definidos como os organismos que vivem associados ao substrato de ecossistemas aquáticos, participando ativamente de teias alimentares e no monitoramento biológico do ambiente. Assim, existem algumas características que os tornam um recurso acessível no desenvolvimento de práticas de ensino. A comunidade de macroinvertebrados é composta por uma grande diversidade de animais como crustáceos, moluscos, anelídeos, insetos e vermes, que podem habitar riachos, rios, lagos e represas (SILVEIRA; QUEIROZ; BOEIRA, 2004). Possuem tamanho grande, são abundantes e apresentam tolerância a diferentes graus de poluição da água (Pinto et al., 2010). A presença ou ausência de alguns táxons (sensíveis ou resistentes a poluição) podem auxiliar na avaliação dos impactos sofridos por esses ambientes (ESTEVES, 1998).

Diante disso, os bentos fornecem informações a respeito das problemáticas socioambientais relacionadas aos recursos hídricos. Essas informações podem ser contextualizadas por meio de uma saída de campo ou uma aula prática com os alunos. Para Soares e Baiotto (2015, p. 53) “as atividades práticas tornam-se métodos de ensino capazes de despertar o interesse do educando, além de propiciar o senso crítico, preparando-os para atuarem de forma consciente no meio social” e, assim, favorecer a integração entre conhecimentos biológicos, físicos, químicos e sociais do ambiente.

No entanto, verificamos que a temática sobre os macroinvertebrados aquáticos normalmente não é abordada nos diferentes níveis de ensino e quando presente encontra-se de forma fragmentada e descontextualizada, não favorecendo a formação crítica dos educandos sobre a problemática da água. Entretanto, se o tema for introduzido como um conteúdo de uma disciplina ou de várias, ele poderá auxiliar na sensibilização dos alunos sobre os problemas ambientais atuais e proporcionar de modo interdisciplinar e transversal, a conexão entre a EA e o ensino.

Soma-se a esses aspectos que esse tema está diretamente relacionado com a EA, que tem como princípio agregar os aspectos naturais e sociais do ambiente. Para Carvalho (2004) a EA proporciona a formação de um sujeito capaz de enfrentar as dificuldades e as crises socioambientais da atualidade. Para tanto, as políticas públicas para a EA orientam que ela deve estar presente nas diferentes modalidades de ensino e campos do conhecimento de forma crítica e transdisciplinar. Nessas determinações destaca-se a Política Nacional de Educação Ambiental (BRASIL, 1999) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012).

Em sua perspectiva crítica, a EA é aquela que em síntese objetiva pelo menos três situações pedagógicas, segundo Loureiro e Layrargues (2013, p.64):

a) efetuar uma consistente análise da conjuntura complexa da realidade a fim de ter os fundamentos necessários para questionar os condicionantes sociais historicamente produzidos que implicam a reprodução social e geram a desigualdade e os conflitos ambientais; b) trabalhar a autonomia e a liberdade dos agentes sociais ante as relações de expropriação, opressão e dominação próprias da modernidade capitalista; c) implantar a transformação mais radical possível do padrão societário dominante, no qual se definem a situação de degradação intensiva da natureza e em seu interior, da condição humana.

Assim, a EAC é entendida como problematizadora e transformadora, ou seja, que compreende as questões ambientais a partir de um contexto social, cultural, político, econômico, ético e ideológico (CARVALHO, 2004; GUIMARÃES, 2004; LOUREIRO, 2005). Para Loureiro (2012) a EAC contrapõe-se a abordagem tradicional e reducionista de entendimento das relações entre a sociedade e a natureza. Adotar uma perspectiva crítica significa proporcionar uma ampla reflexão acerca das diferentes dimensões que são contempladas no âmbito da EA, afim de buscar a transformação e emancipação da sociedade por meio de um diálogo entre as diversas áreas do saber, para que assim, seja possível construir um futuro mais justo e melhor (LOUREIRO, 2005).

Nesse contexto, o Ensino de Ciências configura-se como um espaço privilegiado para o trabalho da EA e sua interface com alguns conhecimentos específicos da Biologia, neste caso os macroinvertebrados. E, para tanto algumas metodologias e recursos de ensino têm sido desenvolvidas pelos professores com o objetivo de relacionar conhecimentos disciplinares com a temática ambiental. No entanto, Lima e Vasconcelos (2006) apontam que os educandos frequentemente se deparam com metodologias de ensino que não favorecem a construção do conhecimento.



Coleções Biológicas e a Educação Ambiental

São raros os grupos de pesquisadores em Ecologia que preservam e sistematizam informações a respeito de seus organismos coletados (FRANÇA; CALLISTO, 2007). No que se refere a coleção biológica de macroinvertebrados pode-se citar a Coleção de Referência de Macroinvertebrados Bentônicos do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. No entanto, coleções de zoobentos que contemplem também o Ensino de Ciências e a EA são escassas ou inexistem descritas na literatura acadêmica.

Ao considerar a escassez de recursos de ensino que auxiliem na conexão entre a problemática dos recursos hídricos e a EA, o uso de uma coleção biológica de macroinvertebrados pode proporcionar essa aproximação, além de tornar as aulas práticas mais atrativas. Dessa forma, recomenda-se aos professores desenvolver metodologias de ensino que contemplem a temática dos macroinvertebrados aquáticos e que promovam a conexão da EA com o ensino, buscando relacionar o sujeito com o meio que está inserido de modo a instigar um senso crítico a respeito das problemáticas socioambientais.

Nesse sentido, as coleções atendem a essas demandas e desempenham um importante papel, visto que elas podem auxiliar alunos e professores dos diferentes níveis de ensino na construção do conhecimento sobre as questões ambientais atuais, além de aproximá-los da fauna existente em uma determinada região.

As coleções biológicas representam importantes fontes de informações sobre a biodiversidade, as quais devidamente organizadas fornecem subsídios para a pesquisa e o ensino, fomentando medidas de preservação e conservação da diversidade biológica (MAGALHÃES; SANTOS; SALEM, 2001). Disponibilizam elementos que podem ser socializados com toda a sociedade e não apenas restritos a comunidade científica, além de oferecer informações biológicas que podem ser utilizadas no trabalho da EA nos espaços educativos (FRANÇA; CALLISTO, 2007).

De acordo com a instrução normativa n.º 160 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), de 27 de abril de 2007 (BRASIL, 2007), as coleções podem ser de diferentes tipos: científica, didática, de serviço de segurança nacional e particular, sendo o que as diferencia são suas finalidades e seu papel social.

Segundo França e Callisto (2007, p. 5):

[...] as coleções científicas são comuns entre pesquisadores que se dedicam a estudos taxonômicos, e sua manutenção contínua e incorporação de novos exemplares representam importante contribuição para o conhecimento da biodiversidade em diferentes ambientes.

As Coleções Didáticas representam um meio importante para o ensino de diferentes assuntos por se compor de uma ferramenta capaz de apresentar aos educandos aspectos da cultura científica (história, conteúdos e procedimentos), bem como, de conduzi-los a refletirem sobre o sentido do ser humano produzir coleções biológicas como meio de organizar e compreender o mundo em que está inserido (MARANDINO; RODRIGUES; SOUSA, 2014).

Assim, ressalta-se a importância de se conhecer a biodiversidade aquática brasileira e a necessidade de sistematizar informações sobre o tema, para que seja possível compreender os nossos ecossistemas aquáticos bem como a fauna existente nesses ambientes e então, estabelecer políticas públicas a respeito dos nossos recursos hídricos (MAGALHÃES; SANTOS; SALEM, 2001).



O Caminho da Pesquisa

Esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativa. Nas pesquisas qualitativas o pesquisador se preocupa com questões muito particulares, pautadas em um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, trabalha com um universo de significados que envolvem processos e fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2001). Nesse tipo de pesquisa os dados são coletados em um contexto natural aos sujeitos e os resultados “incluem as vozes dos participantes, a reflexão do pesquisador, uma descrição complexa e interpretação do problema e sua contribuição para a literatura ou um chamado à mudança” (CRESWELL, 2014, p.49).

Foram realizadas observações durante todo o desenvolvimento das oficinas pedagógicas com professores e alunos da rede básica de ensino por meio de metodologias participativas (BRANDÃO, 2005) e as anotações sobre as interações entre os participantes foram registradas em um diário de campo. As referidas oficinas foram realizadas durante o desenvolvimento do Projeto de Extensão “Crise Hídrica: oficinas ecopedagógicas”, proposto pelo laboratório de EA da UNICENTRO e financiado pelo Fundo Municipal de Meio Ambiente, Guarapuava - PR.

Destacamos que as estratégias participativas adotadas nessas ações revelaram-se pertinentes a EA por apresentarem um viés político, permitindo a participação democrática dos sujeitos da pesquisa, entrelaçando a teoria com a prática. Os interesses científicos estão atrelados aos sociais, o que em geral propicia conhecimentos capazes de atender ao que os participantes necessitam (AGUDO; TOZONI-REIS, 2012).



A coleção biológica dos macroinvertebrados da região de Guarapuava-PR

A referida coleção compreende 12 ambientes aquáticos de Guarapuava-PR, sendo eles: Lagoa El Dourado, Lagoa da entrada do Cedeteg, Lagoa do Parque do Lago, Rio Campo Novo, Rio Corvinho, Rio Coutinho, Rio das Pedras, Lagoa da Chácara Torre, Rio Jordão, Rio Xarquinho, Rio Carro Quebrado e fitotelmas de bromélias do Parque Municipal das Araucárias. Essa coleção foi organizada a partir das pesquisas de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos no laboratório de Ecologia de Bentos da UNICENTRO.

Para a composição do acervo da coleção os organismos foram coletados utilizando os seguintes amostradores: draga do tipo Petersen modificada, Surber, lavagem das bromélias e substratos artificial e natural.

Após a coleta, as amostras foram lavadas em peneira com 250 µm de abertura de malha e armazenadas em frascos plásticos devidamente identificados. Em seguida, os organismos foram triados com auxílio de bandeja transiluminada e preservados em álcool 70%.

Os organismos foram identificados taxonomicamente e encontram-se preservados em frascos de vidro padronizados dentro de recipientes devidamente identificados com nome dos táxons. A coleção está armazenada em um recipiente para o seu deslocamento até as escolas, o qual fornece proteção contra a luz e calor. Todas as informações referentes a coleção estão sistematizadas na forma de um guia didático para a utilização da mesma.



Oficina 1. A coleção biológica como um recurso didático no ensino

A coleção biológica foi proposta por meio de uma oficina teórica durante um curso de formação continuada com dez professoras de uma Escola Municipal de Guarapuava-PR. O objetivo dessa ação foi apresentar a coleção biológica e criar de forma colaborativa uma metodologia de projeto de EA tendo como base a temática da água e a utilização dos macroinvertebrados.

Inicialmente, consideramos importante compreender algumas concepções sobre o meio ambiente e EA das professoras. Assim, as participantes da pesquisa foram convidadas a refletirem sobre os seguintes aspectos: (a) O que é meio ambiente para você? (b) Você já desenvolveu ou participou de ações sobre a Educação Ambiental? Se sim, quais; (c) Como acredita que a temática da água possa ser abordada na escola?

Em seguida, o objetivo foi apresentar a coleção dos macroinvertebrados como um recurso didático no ensino e fornecer subsídios teóricos e práticos para que as professoras abordassem essa temática na escola. Sugerimos formas alternativas para que pudessem produzir uma coleção biológica adaptada com os alunos por meio de um projeto de EA, além de uma sugestão para a discussão dos possíveis resultados. Buscamos com essa ação demonstrar que por mais que este tema seja considerado específico no Ensino de Ciências ele poderia ser abordado de forma colaborativa com outros professores de diferentes campos do conhecimento.



Oficina 2. Análise da qualidade da água utilizando os macroinvertebrados associados aos parâmetros físicos e químicos

Foram desenvolvidas três oficinas sobre a qualidade da água com alunos e professores do ensino médio de três colégios estaduais de Guarapuava-PR. O objetivo dessas oficinas foi trabalhar os parâmetros biológicos mais especificamente a comunidade bentônica existente em rios urbanos, além de avaliar os parâmetros físicos e químicos das águas desses ambientes. Os alunos foram a campo e coletaram amostras de água para serem analisadas no laboratório dos colégios envolvidos no projeto.

Ressalta-se que durante o período de coleta dos dados, o projeto estava em andamento e as percepções de meio ambiente e de EA dos participantes já tinham sido levantadas em oficinas anteriores. Nesse sentido, os alunos já estavam sendo instigados a pensarem no ambiente de forma socioambiental, bem como, com base nos princípios da EAC.

Metodologicamente essas oficinas foram divididas em duas etapas: a primeira etapa foi teórica, com uma explicação conceitual sobre os ecossistemas aquáticos e a utilização dos macroinvertebrados no monitoramento desses ambientes; a segunda etapa foi prática, onde foram coletadas amostras de água de rios urbanos próximos aos colégios. Primeiramente, foram realizadas análises físicas e químicas das águas amostrados por meio de Kits educativos. Para análise biológica, os organismos foram coletados com o auxílio de amostrador (Surber) e para a triagem utilizaram: uma bandeja branca, bandeja transiluminada, pinça e conta gotas. Os organismos foram armazenados em frascos de plásticos com álcool a 70%. A observação dos macroinvertebrados ocorreu por meio de microscópio estereoscópico e lupa manual e a sua identificação foi realizada a partir de uma chave de identificação simplificada.



Análise dos resultados

Para análise dos resultados das oficinas verificamos uma coerência entre os princípios teórico-críticos e a prática de EA adotada, seguindo alguns princípios adaptados de Loureiro (2005), como a vinculação da atividade com a realidade da escola, aplicação prática e crítica do tema, relação entre conteúdo e problematização da realidade social, produção cooperativa, interação Universidade, escola e comunidade, possibilidade do educador aliar o ensino, a pesquisa, a reflexão e a prática.

Buscamos analisar as concepções de meio ambiente das professoras, de acordo com as principais correntes de EA: naturalista, recurso, problema, sistema, total e todo, lugar de pertença e meio de vida, definidas por Sauvé (2005).



Resultados

A seguir são apresentados os resultados referentes a proposta de utilização de uma coleção biológica de macroinvertebrados no contexto escolar e as principais contribuições da utilização desses organismos em práticas de ensino e EA sobre a qualidade da água frente à formação crítica de alunos e professores do município de Guarapuava-PR. Na realização das oficinas priorizamos a interação entre Universidade e espaços escolares por meio de ações que não se limitassem a uma abordagem fragmentada, descontextualizada e reducionista sobre a temática em questão.



Acervo e organização da coleção biológica

A coleção biológica dos macroinvertebrados aquáticos mais representativos da região de Guarapuava-PR pertence ao laboratório de Ecologia de Bentos da UNICENTRO, campus Cedeteg. Atualmente o acervo da coleção conta com 13.378 organismos, distribuídos em seis filos, 14 ordens e 45 famílias. Os táxons mais representativos e considerados tolerantes a poluição são os Chironomidae com total de 7.761 indivíduos, seguidos por Oligochaeta com 2.528 indivíduos. Entre os táxons considerados sensíveis a poluição encontram-se os representantes da ordem Trichoptera, Plecoptera e Ephemeroptera, sendo esses registrados em menor quantidade (MOSER; KATAOKA; SURIANI-AFFONSO, 2018).

O guia didático para utilização da coleção está disponível no link: encurtador.com.br/eoFP7, na forma de um e-book para que possa ser utilizado por professores e alunos dos diferentes níveis de ensino.

A Figura 1 representa a organização da coleção biológica. (A) Oligochaeta. Representa a identificação dos organismos; (B) Acondicionamento dos espécimes em frascos padronizados com etiquetas; (C) Identificação dos recipientes que armazenam os frascos contendo os zoobentos; (D) Recipiente que armazena a coleção e possibilita seu deslocamento para as escolas; (E) Guia para estudos sobre os macroinvertebrados da região de Guarapuava-PR.

Figura 1 - Esquema simplificado da organização da coleção biológica.

Fonte: adaptado de Moser, Kataoka e Suriani-Affonso (2018).



As concepções de ambiente e as práticas de EA das professoras do Ensino Fundamental I

Participaram da oficina dez professoras de uma Escola Municipal – Ensino Fundamental I, as quais atuavam nos anos iniciais, do primeiro ao quinto ano. Inicialmente, para que fosse possível fortalecer o entendimento da relação entre natureza e sociedade, consideramos relevante conhecer as percepções que as professoras possuíam em relação ao ambiente e a EA, bem como, as práticas de EA e a temática da água desenvolvidas na escola. Segundo Reigota (2006) é importante conhecer as percepções sobre o ambiente dos autores envolvidos no processo educativo, pois é por delas que os sujeitos se baseiam e objetivam suas ações de EA.

De acordo com os registros do diário de campo, a maioria das professoras compreendiam o meio ambiente reduzido a natureza e recurso. Essa forma de conceber o ambiente corrobora com os aspectos definidos por Sauvé (2005) nas correntes naturalista e recursista. Segundo Fonseca e Oliveira (2011) essas concepções de meio ambiente apontam para o desenvolvimento de atividades pedagógicas com uma tendência comportamentalista e tecnicista, que visam o cuidado e a preservação da natureza, ou seja, consideram apenas os aspectos naturais.

Guimarães (2004) complementa que nessa ótica conservadora, as ações apresentam um caráter despolitizado, passivo e pertinente à classe hegemônica, a qual de forma verticalizada e alheia aos interesses da população determina os caminhos que a sociedade deve seguir, sem serem apresentadas críticas ou resistências da classe dominada.

Apenas uma das professoras apresentou uma visão do ambiente como um todo – holística, quando destacou que “o meio ambiente é tudo, é a cidade, a natureza”. Nessa concepção, o ambiente é tido como um todo tanto nas relações socioambientais como físicas, uma visão geral de tudo, sem especificar nenhuma dimensão. No entanto, Carvalho (2004) defende a importância de uma superação de visão naturalista para uma visão socioambiental, baseada em um entendimento complexo e interdisciplinar de que as dimensões sociais e naturais se interagem e se modificam de forma dinâmica.

Durante o desenvolvimento da oficina, questionamos quais eram as atividades de EA desenvolvidas pelas professoras na escola e as ações relatadas pautavam o problema do lixo, a reciclagem e o desperdício da água. Fonseca e Oliveira (2011, p. 236) expõem em seu trabalho que atividades desse cunho marcam um forte tom de denúncia, porém sem se preocupar com as interfaces (culturais, sociais, econômicas, políticas etc.) que permeiam a relação entre o homem e a natureza”. Esses resultados vão ao encontro do que nos informa Guimarães (2004) quando relata que as ações de EA desenvolvidas pelos professores no Brasil são na maioria das vezes conservadoras e carentes de reflexões teóricas.

No que diz respeito as ações voltadas para a temática da água as professoras não citaram atividades interdisciplinares ou que envolvessem organismos biológicos ou qualquer outra atividade de cunho socioambiental. As ações que relataram foram voltadas para o dia mundial da água e a preservação e uso sustentável da água. Uma das educadoras relatou que tenta transmitir aos alunos noções de que “é preciso economizar e preservar a água senão ela vai acabar”. Essa frase demonstra características da visão de ambiente como um recurso (SAUVÉ, 2005).

Essa dificuldade das professoras refletirem sobre como poderiam abordar a temática da água de forma interdisciplinar pode ser justificada por sua formação inicial. A formação no curso de Magistério ou Pedagogia não proporciona de maneira adequada a compreensão dos conhecimentos específicos do Ensino de Ciências e EA. Para Reigota (2004) muitos dos professores do Ensino Fundamental não tiveram contato com discussões teóricas e metodológicas sobre a EA na formação inicial e continuada, o que dificulta a construção de conhecimentos e saberes ambientais.



Coleção biológica de macroinvertebrados: uma proposta no ensino

A coleção biológica foi proposta para as professoras com o objetivo de auxiliá-las na construção do conhecimento sobre a problemática da água e sobre a EA. Buscamos fornecer uma ferramenta didática para o auxílio desta temática, visando a superação de concepções de meio ambiente naturalistas e recursistas para dar lugar a uma visão de ambiente socioambiental pautada num entendimento crítico da relação entre homem e natureza (LOUREIRO, 2012).

A coleção foi demonstrada por meio de uma apresentação de “PowerPoint”, de forma dialogada, além da exposição da própria coleção para que as professoras tivessem o contato com a mesma. As professoras manifestaram interesse pela temática e durante o desenvolvimento da ação foram participativas. Tentamos aproximar os conhecimentos científicos utilizados para a produção e sistematização da coleção biológica na Universidade da realidade da escola. Essa aproximação entre Universidade e escola é defendida por Diniz-Pereira (2015), alertando que é necessário romper com a concepção de que a escola é um espaço somente para se ensinar, precisamos enxergá-la como um local de construção de saberes e conhecimentos.

Nesse contexto, apresentamos os elementos fundamentais para o desenvolvimento de um projeto de EA envolvendo a temática água e uma possível produção de uma coleção biológica adaptada para a escola. Traçamos como elementos essenciais a escolha do corpo d´água, os materiais necessários, os procedimentos de triagem, identificação, armazenamento dos organismos e a análise dos resultados.

O local escolhido pelas professoras para uma possível ação foi um rio próximo a escola. Segundo uma das educadoras “já realizamos uma atividade de EA nesse rio, fomos lá, coletamos o lixo, mas não sei como está a situação hoje, quem sabe poderíamos utilizar esse rio para coletar”. As professoras comentaram que por ser um rio próximo a escola, os alunos que moram na região e frequentemente usam esse ambiente para brincar ou tomar banho. Segundo elas, a poluição do local é visível.

Ressalta-se que este rio seria um local ideal para realizar uma atividade de EA utilizando os macroinvertebrados, pois ele faz parte da realidade dos alunos, da comunidade escolar e do entorno do corpo d´água. Para Bacci e Pataca (2008) é essencial compreender a dinâmica das interações entre sociedade e natureza a partir da realidade local. Segundo essas autoras (2008, p. 224) “essa compreensão na escola, por meio da formação de professores e dos alunos, é que poderá fazer a diferença na formação de indivíduos críticos, participativos, prontos a enfrentar os problemas ambientais”.

Após a escolha do local para coleta dos organismos pensamos nos procedimentos e os materiais necessários para produzir uma coleção biológica. Para a coleta dos organismos sugerimos uma pá de jardim. Para a triagem uma peneira de arroz, bandeja branca, conta gotas e frascos de plásticos. É importante ressaltar que a escola não possuía laboratório de Ciências e dessa forma, sugerimos que a triagem dos organismos fosse realizada em uma sala de aula com bastante claridade, facilitando a identificação dos macroinvertebrados.

Para a identificação dos macroinvertebrados foi sugerido as professoras a elaboração de uma chave de identificação simplificada com os macroinvertebrados mais representativos em ambientes aquáticos e descritos na literatura. Essa chave de identificação deveria ser composta pelo nome científico e popular de cada grupo de invertebrados aquáticos, a saber: Chironomidae (larva de mosquito), Oligochaeta (minhoca d´água), Hirudinea (sanguessugas), Odonata (Libélulas) entre outros. Nessa direção, Lima e Vasconcelos (2006) afirmam que os professores dispõem de uma gama de recursos que facilitam o planejamento de suas aulas, como a internet, kits didáticos e revistas científicas, que abordam os mais variados temas. Complementam que a formação continuada também é uma fonte de construção do conhecimento de grande relevância para a elaboração de novas metodologias e recursos didáticos para o ensino.

Após a identificação, orientamos que os organismos precisavam ser preservados em álcool 70%, acondicionados em frascos devidamente etiquetados com nome do organismo, local e data de coleta.

Em seguida, dialogamos como poderia ocorrer a análise dos resultados encontrados. Para esse momento, propusemos os seguintes questionamentos: Quais macroinvertebrados foram encontrados? Predominaram organismos mais resistentes ou sensíveis a poluição? Como a poluição da água pode afetar a vida dos organismos aquáticos? Vocês perceberam sinais que indicam a poluição da água? Foram identificados resíduos sólidos no rio e no entorno dele? Existem moradores próximos a esse local? Vocês acreditam que utilizar esse rio para brincar ou tomar banho pode trazer algum risco a sua saúde? Vocês acham que existem lançamento de esgoto clandestino nesse rio? Existe a presença de uma mata ciliar? E de indústrias? Entre outros questionamentos.

Freire (1987) defende a importância da problematização do conhecimento pelo professor e enfatiza a necessidade de desafiar os alunos na construção do conhecimento, pois “Quanto mais se problematizam os educandos, como seres no mundo, tanto mais se sentirão desafiados, quanto mais obrigados a responder o desafio” (FREIRE, 1987, p. 70).

Posteriormente, apontamos que todas essas informações poderiam ser sistematizadas na forma de uma coleção biológica, seguindo as orientações da oficina e servindo como um recurso didático para o trabalho da temática da água. Freitas e Marin (2015) em estudo realizado com educadores do Ensino Fundamental relataram que os professores compreendem a importância de abordar a temática da água e consideram que este tema seja objetivo de estudo apenas de Ciências e Geografia. No entanto, acreditamos esse assunto deva ser trabalhado de modo interdisciplinar.

Nesse sentido, as professoras foram instigadas a pensarem em um projeto interdisciplinar, no qual pudessem relacionar a temática água, utilizando os macroinvertebrados e diferentes disciplinas, não se restringindo ao Ensino de Ciências. Assim, foram apontadas diferentes atividades que poderiam ser contempladas nas disciplinas de História, Geografia, Ciências, Matemática, Língua Portuguesa e Arte.

Durante as aulas de História os alunos poderiam pesquisar sobre o processo histórico de urbanização do local. Nas aulas de Geografia poderiam ser trabalhados aspectos do ambiente físico do rio, sua localização, mapas, etc. Para as aulas de Ciências poderiam ser realizadas pesquisas sobre os macroinvertebrados para que os alunos se aproximassem da temática, das aulas práticas e da organização de uma coleção adaptada para a escola. Em relação as aulas de Matemática poderiam ser trabalhadas situações “problemas” envolvendo o tema. Nas aulas de Língua Portuguesa produções textuais e interpretação de textos e nas aulas de Arte poderiam ser produzidos materiais didáticos para divulgação dos possíveis resultados e sensibilização da comunidade escolar e do entorno do rio.



A utilização dos macroinvertebrados associados aos parâmetros físicos e químicos do ambiente: contribuições à formação crítica dos participantes

A condição de qualidade que um corpo d’água apresenta pode ser definida por suas características físicas, químicas e biológicas. De acordo com o seu uso, existe um conjunto de critérios e normas para a qualidade da água, que variam com a sua finalidade, seja ela consumo humano, uso industrial ou agrícola, lazer ou manutenção do equilíbrio ambiental. As oficinas objetivaram trabalhar as variáveis físicas e químicas da água associadas aos parâmetros biológicos, mais especificamente a comunidade bentônica da água local (rios do entorno dos espaços escolares). Para tanto, participaram das ações 60 alunos e 10 professores do ensino médio de três colégios estaduais de Guarapuava-PR.

Primeiramente realizamos uma explanação em “PowerPoint”, abordando conceitos gerais, como: ecossistemas aquáticos, comunidades bentônicas, macroinvertebrados, parâmetros físicos e químicos da água, eutrofização, ações antrópicas, qualidade da água e biomonitoramento. Após essa abordagem teórica, foram realizadas práticas, relacionando os principais parâmetros para análise de qualidade da água.

Pretendíamos proporcionar aos alunos uma vivência prática e ao mesmo tempo lúdica e para isso, os alunos participaram ativamente de cada etapa da oficina. As amostras de água utilizadas nas análises foram coletadas pelos próprios alunos (com equipamentos de proteção e segurança) e levadas para a sala (ou laboratório dos colégios, quando existiam). As análises dos parâmetros físicos e químicos foram realizadas por meio de Kits educativos adquiridos pelo projeto. Esses Kits eram específicos para a realização de análises nos espaços escolares, utilizando-se padrões colorimétricos para a visualização de parâmetros químicos de qualidade de água.

Assim, em um primeiro momento os alunos realizaram um experimento sobre eutrofização, onde observaram a reprodução excessiva de algas, devido ao aumento da temperatura e nutrientes na água. Nesta mesma oficina, eles compreenderam o conceito de potencial hidrogeniônico (pH), avaliaram a acidez e alcalinidade de substâncias e soluções comuns do dia a dia, por meio da técnica de coloração utilizando como indicador o extrato do repolho roxo. Essas práticas foram de grande relevância, uma vez que valores extremos de pH, assim como a eutrofização prejudicam a qualidade da água, influenciando também o habitat de organismos residentes nos locais.

Por meio dessas duas práticas, os participantes puderam evidenciar que alterações nas variáveis físicas e químicas podem indicar que a qualidade da água dos corpos d´água está fora da normalidade. Soares e Baiotto (2015) reforçam que práticas dessa natureza são de grande importância no Ensino de Ciências e Biologia, uma vez que essas atividades diferenciadas despertam a curiosidade, o senso crítico e investigativo dos alunos, levando-os a entender e elaborar novos conceitos, relacionando o que é ensinado em sala de aula e vivenciado no dia a dia.

Outro resultado verificado durante essas atividades práticas foi a presença de elevada concentração de detergente na água em determinados pontos de coleta. Com base neste indicativo, os alunos foram levados a refletirem sobre a possível origem deste produto na água e seus prováveis impactos ao ambiente. Para responder essa questão, os participantes tiveram que ampliar suas visões a respeito dessa problemática. Nesta reflexão, diferentes fatores socioambientais foram levados em consideração, como a história, economia, política e cultura em geral do local. Assim, puderam relacionar o fato de que um dos pontos de coleta de água era próximo a estabelecimentos comércios, entre eles “lava cara”, que na maioria das vezes despeja seu efluente de forma clandestina no rio.

Ao constatarem que um contaminante presente na água poderia ser oriundo do comércio, os alunos foram instigados a pensar na relação sociedade e natureza partindo dos conhecimentos locais, para então compreenderem o global, ou seja, as problemáticas ambientais no sentido mais amplo e complexo. Diante disso, buscamos despertar nos participantes uma visão mais holística a respeito da problemática da água, pautando-se no trabalho da autonomia dos alunos envolvidos frente as relações de dominação próprias de uma sociedade capitalista, o que de fato resulta na degradação da natureza (LOUREIRO; LAYRARGUES, 2013).

Para análise dos macroinvertebrados bentônicos, os mesmos foram coletados com auxílio de um Surber e acondicionados em sacos plásticos para posterior lavagem do material no laboratório (Figura 2-A). Uma bandeja transiluminada foi utilizada para a triagem desses organismos e os mesmos foram preservados em álcool a 70% para posterior identificação por meio de uma chave simplificada, confeccionada pelos pesquisadores do projeto e disponibilizada aos alunos e professores. Os organismos foram expostos em placas de Petri no microscópio estereoscópico e a observação de alguns macroinvertebrados também ocorreu por meio de lupas manuais (Figura 2-B).

Figura 2 – (A) Amostragem dos macroinvertebrados realizada com os alunos de um dos colégios envolvidos no projeto e (B) Identificação dos macroinvertebrados coletados pelos alunos.

Fonte: autores.

Com base na análise e identificação dos macroinvertebrados, os participantes constataram apenas organismos resistentes à poluição, o que indicou que os pontos de coleta da água analisados eram impactados. Dessa forma, disponibilizamos para a visualização alguns macroinvertebrados bioindicadores de ambiente preservado, presentes na coleção biológica de macroinvertebrados do Laboratório de Ecologia de Bentos da UNICENTRO, para que os alunos pudessem conhecer a fauna bioindicadora preservada e compará-la com a fauna característica de ambientes impactados.

Ao identificar taxonomicamente os organismos por meio de uma chave de identificação simplificada, os alunos perceberam que muitos dos macroinvertebrados são conhecidos pelo seu nome popular (minhoca d´água, sanguessugas, larva de mosquito, libélulas, entre outros). Além disso, eles já tinham tido contato com os nomes científicos desses organismos durante algumas aulas de Ciências e Biologia, quando os professores abordavam conteúdos de Zoologia e Ecologia como os crustáceos, moluscos, anelídeos, insetos e vermes.

Um dos colégios por não possuir laboratório e pelos alunos desconhecerem equipamentos como microscópios e lupas, realizaram essas ações na UNICENTRO. Eles coletaram a água do córrego próximo ao colégio e também a analisaram na Universidade. Constituiu-se uma equipe e esses alunos e professores foram recebidos nos laboratórios didáticos do Curso de Ciências Biológicas para as análises biológicas e dos parâmetros físicos e químicos da água.

Durante todas essas ações os participantes foram estimulados a construir as suas próprias ferramentas, visando a continuidade dessas amostragens nos colégios e adaptando os materiais necessários para essas ações como: peneira de arroz, lupa manual, pá de jardim, bandeja branca. É importante ressaltar que em um dos colégios os professores e alunos sentiram a necessidade de produzir uma coleção biológica dos macroinvertebrados coletados na oficina. A coleção foi montada e encontra-se no laboratório de Ciências do colégio.

Percebemos também um maior envolvimento dos alunos e professores, visto que os mesmos puderam compreender conceitos específicos sobre a água, praticá-los nos ambientes próximos aos colégios, além de atuarem como pesquisadores, conhecendo a realidade desses ambientes por meio de parâmetros que muitas vezes são utilizados somente em laboratórios de pesquisa de Universidades.

Após a realização dessas oficinas, observamos o engajamento dos alunos na busca por possíveis soluções para os problemas evidenciados. Como forma de suprir essa inquietação, os alunos e professores produziram materiais educativos e os socializaram com a comunidade escolar e do entorno dos corpos d´água. Para eles, esta seria uma forma de sensibilizá-los a respeito da temática da água, além de traçar caminhos mais efetivos para a transformação da realidade socioambiental em que estão inseridos.

Diante desse contexto, apontamos a relevância de se integrar os conhecimentos científicos aos saberes do cotidiano dos alunos, pautando-se em uma educação para a cidadania. É notório que essa responsabilidade também recai ao Ensino de Ciências e de Biologia, onde se objetiva que o aluno consiga utilizar o que aprende na escola e aplicar em sua realidade de forma crítica (KRASILCHIK, 2008)

Acrescentamos que as contribuições dessas ações direcionaram-se também à docência, pois proporcionaram a formação de um professor que é pesquisador e que dispõe de uma reflexão sobre a sua prática, e assim, de forma sistêmica e com base nos conceitos científicos pode criar condições para emancipar-se e auxiliar na emancipação dos seus alunos (ANDRÉ, 2006).

Luz, Prudêncio e Caiafa (2018) enfatizam a necessidade de professores de Ciências com visões sobre o ambiente de forma holística, sem menosprezarem os aspectos sociais, culturais, ecológicos, científicos, históricos e econômicos que nele se inserem e não reduzindo as problemáticas ambientais a conhecimentos fragmentados.

Para Tamaio (2002) é de extrema importância que seja implementada nas escolas uma EA comprometida com a realidade dos alunos. Loureiro (2012) complementa que se objetivamos uma EA pautada na aquisição de valores, hábitos, mudanças de atitudes e comportamentos, as ações desenvolvidas na escola devem contemplar os diferentes ambientes de vida, posição social dos alunos e suas implicações ambientais, para que então uma mudança ambiental possa acontecer.



Considerações Finais

A utilização da coleção biológica de macroinvertebrados aquáticos da região de Guarapuava – PR demonstrou ser um recurso didático relevante para uma abordagem diferenciada da temática da água, além de representar um importante instrumento de apoio ao conhecimento científico, a qual visa auxiliar no entendimento das ações naturais e antrópicas presentes nos diferentes ambientes aquáticos da região.

Essa coleção e a utilização dos macroinvertebrados em práticas de ensino e de EA sobre a qualidade da água serviram como uma alternativa acessível e capaz de fornecer subsídios teóricos e práticos aos professores e alunos de diferentes níveis de ensino na construção do conhecimento sobre a problemática dos recursos hídricos, além de aproximá-los da fauna bentônica existente na região.

Ressaltamos ainda que a partir do desenvolvimento de alternativas metodológicas e recursos de ensino sobre a temática água como a coleção biológica apresentada nesta pesquisa, o professor de Ciências e Biologia (e até mesmo os educadores dos anos iniciais), poderão por meio de um conhecimento específico do Ensino de Ciências, envolver de forma transversal as demais áreas do saber e criarem de forma colaborativa projetos de EA no contexto escolar. Assim, é necessário que os professores criem estratégias que favoreçam a sensibilização e a construção do pensamento crítico dos alunos, de forma a instigá-los a serem mais autônomos, críticos e a buscarem junto à comunidade em que estão inseridos as políticas públicas necessárias à transformação de sua realidade socioambiental.

Nessa direção, destacamos que a alternativa que se coloca aos professores não é a de que deixem de priorizar os conteúdos específicos do currículo do Ensino de Ciências, mas que quando possível integrem a EAC em suas aulas, contextualizando os saberes científicos aos conhecimentos do cotidiano dos alunos.

Acreditamos que ações dessa natureza, ao proporcionar uma visão mais holística a respeito da problemática da água contribuam com a formação crítica de professores e alunos, distante dos moldes de uma concepção ingênua e conservadora do entendimento das relações existentes entre sociedade e natureza. Dessa forma, buscamos a inserção de uma EAC no Ensino de Ciências, capaz de contribuir com a busca de soluções mais coerentes para a superação dos problemas socioambientais.



Agradecimentos

Agradecemos ao Laboratório de Educação Ambiental da UNICENTRO, pela oportunidade e incentivo para o desenvolvimento da pesquisa e ao Fundo Municipal de Meio Ambiente de Guarapuava pelo apoio financeiro.



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