ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
AÇÃO EDUCATIVA AMBIENTAL: A CIDADE É NOSSA  
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AÇÃO EDUCATIVA AMBIENTAL: A CIDADE É NOSSA



Bene E. M. Camargo1, Karielle Ferreira da Silva2, Larissa Ferreira3, Pedro Bergamo Toledo4, Vinicius T. B. Almeida5, Rodolfo A. de Figueiredo6



1Discente do Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental, Universidade Federal de São Carlos, bn.camargo@gmail.com

2Discente do Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental, Universidade Federal de São Carlos, karielleferreira@gmail.com

3Discente do Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental, Universidade Federal de São Carlos, larissa10ferreira@gmail.com

4Discente do Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental, Universidade Federal de São Carlos, 53361420p@gmail.com

5Discente do Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental, Universidade Federal de São Carlos, vi.almeida2323@gmail.com

6Docente do Departamento de Ciências Ambientais, Universidade Federal de São Carlos, rodolfo@ufscar.br



Resumo: Este trabalho apresenta uma aplicação da Educação Ambiental crítica-emancipatória com alunos do ensino fundamental. O objetivo foi de diagnosticar a percepção da relação entre mobilidade urbana e meio ambiente entre os participantes. A metodologia baseou-se no emprego de três etapas sequenciais: (1) aplicação de questionários, (2) observação da dinâmica problema/solução e (3) representações cênicas elaboradas e apresentadas pelos alunos. Como resultado notou-se que a reflexão proporcionada pela dinâmica agregou pensamento crítico na criação de cenários e diálogos representados nas peças. Incluindo propostas relacionadas aos vários modais de transporte, mesmo diante do principal, o individual motorizado. Como contribuição à Educação Ambiental, os resultados sugerem ferramentas e processos capazes de aproximar a reflexão crítica, tomando-a conscientizadora, ao meio em que estamos inseridos e às ações que nos movem.

Palavras-chave: Educação ambiental crítica-emancipatória, dinâmica problema/solução, mobilidade urbana.



Abstract: This paper presents an application of critical-emancipatory Environmental Education with elementary students. The objective was to diagnose the perception of the relationship between urban mobility and the environment among the participants. The methodology was based on the use of three sequential stages: (1) application of questionnaires, (2) observation of problem/solution dynamics, and (3) scenic representations elaborated and presented by students. As a result, it was noticed that the reflection provided by the dynamics added critical thinking in the creation of scenarios and dialogues represented in the pieces. Including related proposals to the various transport modes , even having as its main motorized individual. As a contribution to Environmental Education, the results suggest tools and processes capable of approaching critical reflection, taking it as a conscientious, the environment in which we are inserted and the actions that move us.

keywords: Critical-emancipatory environmental education, dynamic problem/solution, urban mobility.



Introdução

Enquanto humanidade, construímos um legado centrado nos seres humanos e tudo acontece em decorrência e em prol desta única espécie. Esta obra levada até então, teve o viés de alienar das interações com o meio e os outros seres que compõem o ambiente em que nos encontramos. Este comportamento apresenta como resultado os agravantes impactos que estão indiscriminadamente afetando a todos os seres deste planeta. Neste sentido, a FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (1992) aponta em seu sítio os efeitos e problemas associados a estas interações, como: desmatamento, erosão, poluição atmosférica, industrialização, urbanização, crescimento populacional.

Diante deste panorama, apresenta-se a necessidade de repensarmos a abordagem que lidamos com o quadro que nos está disposto. Para a perpetuidade do que concebemos como vida, é preciso exercitarmos princípios mais sustentáveis que fomentem a boa qualidade de vida, isto de modo que o ambiente, os seres e as interações entre e intra este se dêem de modo harmônico. A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) (BRASIL, 1999) aponta, por meio da Educação Ambiental (EA), um modo de construção de valores e habilidades que tem a intenção de assegurar a continuidade das boas condições que propiciam a vida.

A proposta da EA sugere que os processos pelos quais os indivíduos e coletivos intentam a manutenção dos meios e ambientes sejam construídos conjuntamente. Uma das vertentes utilizadas pela EA aponta o pensamento crítico como emancipatório, sendo os valores, competências e atitudes mais proveitosamente absorvidos e incorporados quando trabalhados ativamente. Guimarães (2000) sugere que os indivíduos, enquanto atores e agentes dos seus entendimentos, identifiquem os problemas, proponham e pensem soluções a seus respectivos impactos.

Usando esta linha de raciocínio, um dos problemas que permeiam nossas comunidades e carece de olhar holístico e atencioso está relacionado à Mobilidade Urbana (MU) (COSTA et al., 2007), intenção de abordagem da ação apontada por este artigo. O movimento de um ponto a outro está bem marcado na nossa história, enquanto caçadores e coletores nos deslocamos em função da procura do alimento, hoje em função do trabalho, lazer, escola, vários motivos; atualmente, devido ao crescimento populacional, adensamentos urbanos e mecanização, os deslocamentos cumpridos são de distâncias grandes e mínimo de tempo, não sem elevado custo energético e ônus ao meio ambiente. Neste sentido, pensar na otimização desta faceta da humanidade se faz necessário para o bom viver e a EA crítica-emancipatória se apresenta como uma excelente ferramenta para a abordagem desta temática.

Müller et al (2018), analisou a mobilidade de crianças no trajeto entre casa e escola no Distrito Federal, questionando a estrutura da cidade, o tempo investido nesses trajetos, compreendendo as experiências das crianças assim como os diferentes modais adotados nesses percursos.

Na mesma instância que este problema tem que ser tratado no momento atual, também necessita, concomitantemente, ser tratado com os mais novos, que permanecerão para influenciar as futuras gerações. Assim, o objetivo do presente trabalho consiste em uma ação educativa ambiental, a qual pretende diagnosticar a percepção da relação entre a mobilidade urbana e o meio ambiente de estudantes de nível fundamental.



Metodologia

Universo da ação ambiental educativa

O presente trabalho foi desenvolvido com 21 (vinte e um) alunos da turma do 8° ano do ensino fundamental de uma escola privada, localizada no município de São Carlos - SP. O trabalho também contou com o apoio do professor da disciplina de ciências.

O desenvolvimento da ação educativa ambiental ocorreu durante o mês de outubro de 2018 e a sua realização no mês de novembro de 2018, com um encontro na escola.



Tipo de Pesquisa

A ação educativa ambiental baseou-se na pesquisa-ação enquanto uma ação realizada por parte das pessoas presentes no processo investigativo visto a partir da discussão de problemas coletivos centrado na ação participativa. A pesquisa-ação, enquanto método, permite a utilização de técnicas como dinâmicas de grupo para abordar a dimensão coletiva nas trocas de conhecimentos (BALDISSERA, 2001).

Utilizou-se a metodologia de Oficina em dinâmica de grupo proposta por Afonso (2000), em que o objetivo é envolver os sujeitos, estimulando diversas reflexões a partir do pensar, sentir e agir, apresentando a discussão de uma questão central inserida em um contexto social, independentemente de quantos encontros forem realizados. Essa metodologia possibilita reflexões ocasionadas pelas vivências e significados afetivos da temática em questão, em que os processos podem ser estimulados e os resultados são provenientes do trabalho participativo e coletivo (CARVALHO; RODRIGUES; MEDRADO, 2005).

As informações foram analisadas a partir da análise do discurso produzido em sala. A análise do discurso necessita de dois elementos principais para compreendê-lo como um todo, o relato observado e o tempo dos acontecimentos (GREGOLIN, 1995).

O discurso é um dos aspectos da materialidade ideológica, por isso, ele só tem sentido para um sujeito quando este o reconhece como pertencente a determinada formação discursiva. Os valores ideológicos de uma formação social estão representados no discurso por uma série de formações imaginárias, que designam o lugar que o destinador e o destinatário se atribuem mutuamente (PÊCHEUX; FUCHS, 1990).

Para a elaboração do presente trabalho, utilizaram-se metodologias quantitativas, qualitativas e descritivas.



Etapas desenvolvidas

Questionário Estruturado

Antes de se realizar a ação educativa ambiental foi aplicado um questionário estruturado (GIL, 1999) com questões para avaliar o entendimento e a percepção dos alunos sobre mobilidade urbana. Por meio deste, foi possível verificar inicialmente como os alunos entendiam relações como mobilidade na cidade, prioridade dos modais de transporte, mobilidade urbana e meio ambiente, orientando as próximas etapas no sentido de adequação do conteúdo a ser trabalhado e a linguagem da turma.

Dinâmica problema-solução

A primeira atividade desenvolvida com a turma, no dia em que a ação educativa ambiental foi realizada, foi a dinâmica problema-solução. A turma formou uma roda, em pé, e aguardou que colocassem papéis em suas costas. Os papéis foram colocados de maneira aleatória nos alunos, sendo que alguns deles eram problemas e outros soluções, relacionados à temática de mobilidade urbana. Os problemas/soluções levantados pelo grupo para realizar a dinâmica foram:

  • Descaso com espaço público/Criação da identidade com local;

  • Falta de segurança/Iluminação pública;

  • Terrenos vazios/ Implementação de áreas verdes comuns;

  • Centro da cidade subutilizado/ Usos múltiplos no espaço;

  • Ocupação áreas de várzea/Planejamento urbano;

  • Alagamento/ Descarte correto de resíduos;

  • Excesso de carros/ Redes de caronas solidárias e incentivos a outros modos de transporte;

  • Atraso dos ônibus/ Corredores de tráfego exclusivos;

  • Sucateamento dos ônibus/ Investimento em políticas públicas;

  • Dificuldade de locomoção pela cidade/ Integração entre meios de transporte;

  • Exclusão social/ Acessibilidade para todos.

Em seguida, os alunos foram orientados a andar pela sala, observar o que estava colado nas costas uns dos outros e formar duplas, juntando uma pessoa que estava com um problema e outra pessoa que estava com a sua respectiva solução.

As duas regras da dinâmica foram não olhar o que estava nas suas próprias costas e realizar a atividade em silêncio, apenas observando e refletindo sobre os problemas e suas respectivas soluções. Os alunos poderiam ajudar uns aos outros, olhando o sentido das duplas formadas, e sinalizando não-verbalmente, caso julgassem que alguma dupla precisava ser trocada.

A dinâmica permitiu que diversas combinações de problemas-soluções fossem formadas. Depois que todos os alunos estavam em pares, observando o que estava escrito nas costas de sua dupla, os alunos discutiram, primeiro em duplas, quem eles acreditavam que era o problema e quem era a solução. E por fim, realizou-se uma conversa com a sala toda, para discutirmos quais eram os problemas identificados na cidade relacionados à mobilidade urbana, e quais eram suas propostas de solução.

A intenção foi permitir que, por meio da dinâmica, os próprios alunos enxergassem os conflitos da mobilidade na cidade, e depois compartilhassem com a turma, além de observar como os problemas estão inter-relacionados, muitas vezes apresentando mais de uma única solução.

Dinâmica em cena

A segunda atividade desenvolvida foi a dinâmica em cena. A turma foi dividida em quatro grupos. Sorteou-se para cada grupo um modal de transporte, dentre eles: pedestres, ciclistas, ônibus e carros. Os grupos foram orientados a criar uma cena que abordasse uma problemática que eles identificavam na cidade, focando em seu respectivo modal de transporte, e então propor uma solução a partir do que foi discutido na dinâmica anterior.

Foi disponibilizada para os alunos massinha de modelar, para que pudessem construir objetos de cena. Depois que cada grupo teve um tempo para elaborar sua cena, eles apresentaram para a turma. Pôde-se proporcionar um espaço para que os alunos fossem protagonistas da atividade e compartilhassem com a turma suas ideias.



Resultados

Percepção dos questionários

Os questionários foram disponibilizados aos participantes através da plataforma Google Forms, intitulado “Como são nossos caminhos até a escola e pela cidade”, e foram respondidos pelos alunos durante a aula.

Figura 1: Meio de transporte utilizado para ida e volta à escola.

Do total de alunos, cerca de 83% responderam no questionário que vão até a escola de carro / moto, sendo que nenhum utiliza o transporte público ou a bicicleta em seu trajeto. Enquanto que o restante dos alunos, foi dividido entre a van escolar, a carona com amigos ou o transporte a pé (Figura 1).

Figura 2: Meio de transporte mais utilizado, exceto no caminho de ida e volta à escola.



Fora o trajeto até a escola, pode-se observar através da Figura 2 que o transporte através de carro / moto é o meio que possui maior utilização, representando 72% dos alunos, enquanto que o transporte a pé é o segundo mais utilizado, com 28%. Pode-se observar também que a bicicleta e o ônibus continuam não possuindo nenhum usuário por parte dos alunos, mesmo fora do trajeto até a escola.

Figura 3: Se fosse possível a escolha, qual o meio de transporte optaria.

Caso fosse possível a escolha do meio de transporte até a escola, como observado na Figura 3, a maior parte dos alunos optou pela carona com os amigos, correspondendo a 44%, sendo que em seguida, viria o carro / moto, com 33%. Nota-se também que uma parte significativa desejaria se transportar por meio de bicicleta, o equivalente a 17% dos alunos.

Figura 4: Quem tem prioridade nas ruas?

Em uma escala de 1 a 4, sendo 1 = menor prioridade e 4 = maior prioridade.

De acordo com a Figura 4, o modal com maior prioridade (4) nas ruas foi o pedestre. Enquanto que em seu oposto, o com menor prioridade (1), estava o ônibus. Dentre as justificativas obtidas pela priorização dos modais nas ruas, a questão da segurança foi a mais citada, além do mais, pode-se também observar que há uma consciência da fragilidade e da desvalorização do pedestre frente aos outros modais. Além de ter sido mencionada a questão ambiental, através da poluição gerada pelos carros / motos, sendo que o ônibus seria uma das alternativas menos agressivas ao meio.

Dentre os principais problemas observados na cidade pelos alunos, a ausência de espaços para se utilizar a bicicleta obteve o maior número de votos, seguido pelos buracos ou a má qualidade das calçadas. O comportamento das pessoas no trânsito também foi destacado por parte dos alunos, além do congestionamento enfrentado na porta da escola. A falta de árvores ou ambientes sombreados nas ruas não foi destacado como um problema pelos alunos, assim como a demora no tempo de espera do transporte público coletivo (ônibus).

Já ao se questionar sobre a relação entre o meio ambiente e o modo de deslocamento das pessoas nas cidades, a grande maioria dos alunos abordaram sobre os gases gerados pelos transportes motorizados e a poluição atmosférica causada pelos mesmos, assim como o impacto na saúde e na qualidade de vida das pessoas.



Percepção das dinâmicas

Dinâmica problema-solução

A turma mostrou-se interessada com a dinâmica e respeitou o combinado de manter o silêncio. Durante a execução houve alguns conceitos ou termos desconhecidos como “sucateamento”, “áreas de várzea” e “subutilizado”. Houve também duplas que foram associadas na qual eram dois problemas ou então duas soluções, notando-se certa dificuldade de distinguir alguns dos conceitos.

Algumas das duplas formadas foram: “Alagamento/descarte correto de resíduos”; “Ocupação das áreas de várzea/Implementação de áreas verdes”; “Descaso com espaço público/Investimento em políticas públicas”; e “Exclusão social/Acessibilidade para todos”.

Foi bastante discutida a questão do planejamento da cidade relacionado com a ocupação das margens dos rios que pode causar alagamentos, assim como os terrenos vazios.

Durante a atividade, um aluno compartilhou que perto de sua casa existe um terreno abandonado com algumas flores, mas que com uma certa frequência o pessoal ateia fogo, ele então sugeriu que cercassem o local para que as pessoas não pudessem adentrá-lo. Então, aproveitando sua fala, discutiu-se a questão da identidade com o local, como uma solução para o problema de terrenos vazios por meio dos usos múltiplos do espaço, assim como uma solução para o descaso com o espaço público.

Alguns alunos relataram sobre o problema de excesso de carros, e discutimos como funcionaria a solução, que seria através da integração entre os diversos meios de transporte. Também perguntamos quantos já haviam andado de ônibus na cidade, cerca de metade da turma levantou a mão. Discutimos sobre o sucateamento do transporte público, relacionando também com a falta de investimento em políticas públicas voltadas para esse meio de transporte. Os alunos relacionaram o sucateamento com o descaso do espaço público.

Dinâmica em cena

A sala foi dividida em quatro grupos, sendo que cada um dos grupos seria responsável por encenar um conflito e uma solução para um dos quatro modais propostos.

O grupo dos pedestres usou as massinhas para confeccionar uns óculos, o qual um membro do grupo usou para representar uma pessoa com deficiência visual, devido à falta de acessibilidade e sinalização nas calçadas a personagem trombou em um poste, fazendo com que ela caísse e fosse atropelada por um carro, os alunos mostraram que nem sempre nossas vias estão preparadas para permitir o livre acesso e circulação segura de todos.

O grupo que representava os ciclistas montou uma maquete de massinha (Figura 5) na qual era representada uma via urbana, com uma ciclovia descontínua que não permitia proceder com segurança, pois a ciclovia era cortada pelos carros, exemplificando a falta de conectividade das ciclovias nas cidades e o conflito de prioridades nos modais de transporte.

Figura 5: Maquete de massinha feita pelo grupo dos ciclistas.

O grupo responsável pelo transporte coletivo adotou o conflito dos atrasos e falta de informações a respeito do horário de cada linha de ônibus. Um dos integrantes atuou como um desempregado o qual precisava do transporte coletivo para ir a uma entrevista de emprego, porém o atraso do ônibus não permitiu que ele fosse a sua entrevista de emprego, e como solução o grupo propôs a anexação de um panfleto informativo sobre os horários em que cada ônibus passará, o sistema pode evitar atrasos, permitindo que os usuários do transporte público possam se programar melhor.

O grupo encarregado por encenar um conflito utilizando o carro representou uma situação de congestionamento, havia um narrador e os membros do grupo representavam cada qual um automóvel, fazendo com que o engarrafamento de carros fosse maior. A segunda situação encenada foi a de um ônibus transportando a mesma quantidade de pessoas anteriormente, porém de maneira muito mais eficiente, evitando grandes congestionamentos. Nesta encenação os alunos mostraram como o investimento em transportes públicos pode ser uma das soluções para os grandes congestionamentos das cidades brasileiras.

Discussões e conclusões

O questionário estruturado mostrou que os alunos estão dispostos a fazer um sistema de caronas entre eles para facilitar o acesso à escola e diminuir suas pegadas ecológicas. O principal caminho para esta percepção foi através da compreensão que existe relação entre mobilidade e meio ambiente, pois quanto mais carros na rua, maior será a poluição.

A dinâmica problema-solução mostrou-se eficiente como uma ferramenta que permite que os alunos reflitam sobre problemáticas socioambientais, sendo realizada a partir de suas associações, para o compartilhamento de conceitos e a construção do pensamento coletivo crítico.

A dinâmica em cena possibilitou que os alunos colocassem em prática seus conhecimentos de forma dinâmica e criativa, sintetizando suas ideias e expressando de maneira lúdica.

A realização da ação educativa ambiental foi uma oportunidade de aproximar os conhecimentos técnicos da universidade para a comunidade externa, no caso, alunos do ensino fundamental, com linguagens e dinâmicas apropriadas para tal.



Bibliografia

AFONSO, L. Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2000.

BALDISSERA, A. Pesquisa-ação: uma metodologia do “conhecer” e do “agir” coletivo. Sociedade em Debate, v. 7, n. 2, p. 5-25, 2001.

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de Abril de 1999. Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília - DF.

CARVALHO, A. M.; RODRIGUES, C. S.; MEDRADO, K. S. Oficinas em sexualidade humana com adolescentes. Estudos de Psicologia, v. 10, n. 3, 2005.

COSTA, M. S., RAMOS, R. A. R., SILVA, A. N. R. Índice De Mobilidade Urbana Sustentável Para Cidades Brasileiras. Panorama geral da pesquisa em transportes : anais do XXI Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes, Rio de Janeiro, Brasil, 2007. Rio de Janeiro : ANPET, 2007.

FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Missão. História. Disponível em: <http://fboms.org.br/>. Acesso em: 18 de Novembro de 2018.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.

GREGOLIN, M. R. V. A análise do discurso: conceitos e aplicações. Alfa, v.39, p. 13-21,1995.

GUIMARÃES, M. Educação ambiental: no consenso um embate? Campinas: Papirus, 2000.

MÜLLER, F.; MONASTERIO, L. M.; DUTRA, C. P. R. “Por que tão longe?” Mobilidade de crianças e estrutura urbana no Distrito Federal. Cad. Metrop., São Paulo, v. 20, n. 42, pp. 577-598, 2018.

PÊCHEUX, M.; FUCHS, C. A propósito da análise automática do discurso: atualização e perspectivas (1975). In: GADET, F., HAK, H. Por uma análise automática do discurso: Uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Pontes, 1990.



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