ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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Relatos de Experiências

No. 69 - 27/09/2019
RELATO DE EXPERIÊNCIA ACERCA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O REFLORESTAMENTO EM ÁREAS DEGRADADAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO TARUMÃ-AÇU EM MANAUS-AM, BRASIL  
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RELATO DE EXPERIÊNCIA ACERCA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O REFLORESTAMENTO EM ÁREAS DEGRADADAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO TARUMÃ-AÇU EM MANAUS-AM, BRASIL

REPORT OF EXPERIENCE ON ENVIRONMENTAL EDUCATION FOR REFORESTATION IN DEGRADED AREAS IN THE TARUMÃ-AÇU HYDROGRAPHIC BASIN IN MANAUS-AM, BRAZIL

Eliana da Conceição Rodrigues Veras¹

1 Discente do Mestrado em Engenharia de Processos da Universidade Federal do Pará- Belém-Pará, elianaveras8@gmail.com

Resumo: A educação ambiental deve ser entendida como educação política e enfatiza antes a questão “por que fazer” do que “como fazer”. Orienta-se para a comunidade, incentivando o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemas no seu contexto de realidade específicas. A educação ambiental é relevante pelo fato da Bacia Hidrográfica do Tarumã-Açu ter um alto grau de importância para a cidade de Manaus. Tem uma biodiversidade - flora, fauna e recursos minerais ainda bastante preservada mas que ao longo dos anos tem sido fortemente agredida e pressionada pela ação antrópica. Sofrendo degradação devido a sua expansão urbana. O relato de experiência visa apresentar as práticas de educação ambiental desenvolvidas nas comunidades do entorno do tarumã-açu e alunos de escolas públicas ribeirinhas, estaduais e municipais. As ações englobaram atividades de teatro, vídeos, cartazes feitos pelas crianças, fantoches, garis da alegria, discussão em grupo, mutirão de ideias, trabalho em grupo, debate, reflexão, imitação, exploração do ambiente local e criação de uma cartilha ambiental, sempre com a participação ativa e expositiva das atividades, finalizando as oficinas com o plantio de árvores arbóreas e frutíferas na área degradada. Proporcionando a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável do planeta. Minimizando a emissão dos gases efeito estufa.

Palavras-chaves: Educação Ambiental, Área degradada, Desenvolvimento sustentável.

Abstract: Environmental education should be understood as political education and rather emphasizes the “why” rather than “how” issue, it is community oriented, encouraging the individual to actively participate in problem solving in their specific context of reality. Environmental education is relevant because the Tarumã-Açu Watershed has a high degree of importance for the city of Manaus. It has a biodiversity - flora, fauna and mineral resources still quite preserved more than over the years has been heavily attacked and pressured by anthropic action. Suffering degradation due to its urban expansion. The experience report aims to present the environmental education practices developed in the surrounding communities of tarumã-açu and students from riverside, state and municipal public schools. The actions included activities such as theater, videos, posters made by the children, puppets, joy sweepers, group discussion, brainstorming, group work, debating, reflection, imitation, exploration of the local environment and creation of an environmental booklet, always with the active participation and activities, concluding the workshops with the planting of tree and fruit trees in the degraded area. Providing sustainability and sustainable development of the planet. Minimizing greenhouse gas emissions.



Keywords: Environmental Education, Degraded area, Sustainable development.

Introdução

Um programa permanente de educação ambiental ocorre de modo a prevenir as degradações e contaminações provocadas pelo homem ao meio ambiente. A “certeza” de que os recursos naturais são inesgotáveis, faz com que o homem não tenha preocupação de que os mesmos são finitos, e se não houver medidas para preservar e conservar,em um futuro não muito distante não haverá um meio ambiente correto para as futuras gerações.

Ao implantarmos o projeto de reflorestamento da área degradada no tarumã-açu, iniciamos o programa de educação ambiental, pois entendemos que como disse Paulo Freire “ A Educação por si só não transforma, mas nada se transforma se não for pela educação”, assim sendo, não se pode mudar as pessoas, mas pelo exemplo podemos sensibilizá-las para as questões ambientais, para a responsablidade com o todo e não e tão somente com as partes.

Durante o processo fizemos palestras com a comunidade, com escolas municipais e estaduais do entorno e volutários envolvidos. Foram distribuídas cartilhas sobre o descarte correto dos resíduos sólidos, a preservação dos rios, da fauna e da flora, através da apresentação de videos, além de fazermos reflorestamento na área degradada. É preciso mostrar o porquê fazer e depois o como fazer.

A educação ambiental sensibiliza os envolvidos para a responsabilidade com o meio ambiente e, o envolvimento comunitário, nos dá a garantia de que estamos compartilhando o conhecimento e despertando o compromisso com a qualidade de vida para as pessoas e para o planeta.

Além de demonstrar a importância de preservação da Bacia do Tarumã-Açu, tendo em vista a sua importância em biodiversidade para a Amazônia.

Metodologia

Trata-se de um relato de experiência, com ações voltadas para estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas estaduais e municipais do entorno da bacia do tarumã-açu. A aprendizagem é mais efetiva quando as atividades estão adaptadas às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem alunos e comunitários. Dessa forma, destacamos os métodos utlizados no desenvolvimento das atividades de eduação ambiental.

Discussão e trabalho em grupo – esse método ajuda a compreender as questões ambientais, desenvolve a autoconfiança e expressão oral, estimula o desenvolvimento de relações positivas entre os atores e permite que se responsabilizem por uma tarefa por longos períodos exercitando a capacidade de organização.

Na figura 1, apresentamos alunos e professores na discussão e trabalhos em grupo, onde colocam a sua visão sobre o meio ambiente, através de desenhos que são apresentados aos participantes, demonstrando a sua preocupação com a degradação das áreas da Bacia Hidrográfica do Tarumã-Açu.

Figura 1 alunos, professores e voluntários na discussão e trabalho em grupo



O Mutirão de idéias –Atividade desenvovida para estimular à criatividade e a liberdade de expressão, evitando os julgamentos prematuros sobre Educação Ambiental. Alunos e professores discutem sobre a biodiversidade da Bacia do Tarumã-Açu e a sua importância para a preservação dos recursos naturais na Amazônia. São despertados para a responsabilidade social e ambiental, incentivando-os a serem protagonistas das ações.

A figura 2 demonstra os alunos e professores em sala de aula destinada ao conhecimento da fauna e flora existente na área, afim de perceberem a necessidade de preservar os recursos naturais.

Figura 2 alunos aprendendo e conhecendo a biodiversidade da Bacia

Debate- Após o conhecimento da biodiversidade existente na área degradada no Tarumã-Açu, os alunos são levados ao debate, pois permite o desenvolvimento das habilidades de falar em público e ordenar a apresentação de fatos e ideias. É necessário muito tempo de preparação,portanto é um processo contínuo de aprendizagem.

Na figura 3 alunos, professores e comunitários, assistem as palestras, vídeos e debatem sobre as questões ambientais e a necessidade de reflorestar a área degradada, uma vez que através da ação, estamos contribuindo para minimizar a emissão dos gases efeito estufa e preservar a fauna e flora.

Figura 3- Alunos e comunidade no debate sobre a preservação do meio ambiente.

A Reflexão – que serve para encorajar o desenvolvimento das ideias em resposta a um problema. Nesse sentido, é necessário o envolvimento e protagonismo de todos. É o momento para deixar de ser coadjuvante e ser protagonista de sua própria história. Alunos das escolas adjacentes a Bacia, professores e comunidade, devem ter em mente que podem ser a mudança que desejam ver no mundo. E se cada um fizer a sua parte, faremos desse um planeta melhor.

Conforme LINDNER (2004)A Educação Ambiental, por meio de suas diretrizes e estratégias, deve fazer parte da cultura das massas. O “Intelectual coletivo”, idealizado por Gramsci, pode ser aquele que parta de uma nova cultura de produção e consumo e perpasse por todos os segmentos da sociedade, fazendo-a refletir sobre a continuidade de seus hábitos atuais, onde o consumo dos recursos naturais cresce mais rapidamente que a capacidade da natureza em repô-los, e que a capacidade de assimilar os resíduos indesejáveis dessa forma de agir”.

Imitação - Aqui, alunos, comunidade e professores produzem sua própria versão dos jornais, dos programas de rádio e TV, dos problemas sociais e ambientais, apresentando-os em forma de teatro, apresentação de fantoches e paródias. É a sensibilização para a preservação e conservação do meio ambiente. Uma forma efetiva de aprendizagem e ação social. Parceiros da Secretaria Municipal de Limpeza Pública, possuem o grupo teatral chamado de Garis da Alegria, por ser formada pelos garis que doam parte de seu tempo as práticas sustentáveis, através do teatro.

Na figura 4 o grupo de teatro da Secretaria Municipal de Limpeza Pública, parceira das atividades ambientais na bacia do tarumã-açu, apresenta a peça sugismundo com os atores denominados garis da alegria.

Figura 4 garis da alegria. Grupo de teatro com a peça sugismundo

Exploração do ambiente local- prevê a utilização e exploração dos recursos naturais, como fauna e flora dos locais próximos para estudos e observações. Compreensão do metabolismo local, é a interação complexa dos processos ambientais a sua volta. Envolve grande participação de pessoas. DIAS (1994)

A figura 5 mostra os alunos explorando o ambiente, conhecendo as trilhas, orquidário, bromeliário, entre outros. Conhecer para poder preservar. A exploração do ambiente ocorre com o acompanhamento de um guia e dos voluntários.

Figura 5- Eploração guiada para conhecimento do ambiente