ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
AS TEMPORADAS DE FÉRIAS NO RIO ARAGUAIA – GO E A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA SOBRE O DESTINO DO LIXO  
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AS TEMPORADAS DE FÉRIAS NO RIO ARAGUAIA – GO E A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA SOBRE O DESTINO DO LIXO



Dr. Made Júnior Miranda

UEG-ESEFFEGO/PPGE-PUCGO



Resumo: Há lixo e degradação do meio ambiente nas praias, estradas e nos condomínios de chácaras do rio Araguaia - GO. O objetivo do estudo foi incitar os leitores a refletirem sobre a relação humana com o meio ambiente. Concluiu-se que a educação ambiental é uma dimensão importante da educação.

Palavras – chave: lixo, consciência, Araguaia.



THE HOLIDAY SEASON IN ARAGUAIA RIVER - GO AND TRAINING AWARENESS ABOUT THE DESTINATION OF GARBAGE



Abstract: There is garbage and degradation of the environment in the beaches, roads and in the condominiums of farms of the river Araguaia - GO. The aim of the study was to encourage readers to reflect on the human relationship with the environment. It was concluded that environmental education is an important dimension of education.



Introdução



No mês de julho o rio Araguaia no Estado de Goiás recebe muitas pessoas de várias partes do Brasil e do mundo que basicamente procuram um ambiente propício para compensar as rotinas da vida urbana com diversão, descanso e contato com a natureza. Na temporada de 2015 foram estimados mais de 3 (três) milhões de pessoas entre turistas e trabalhadores (DEMA, 2015) que se deleitaram nas praias com as atividades de acampamentos, pescarias, banhos, esportes náuticos etc.

A temporada Araguaia coincide com as férias escolares, sendo que grande parte das pessoas que lá se apresentam são estudantes de todos os níveis escolares com seus respectivos acompanhantes, como os familiares e amigos. Assim, este estudo faz referência ao contexto educacional no sentido de pensar em uma melhor preparação das pessoas para agirem com os conhecimentos necessários nas situações que impactam na preservação do meio ambiente.

Neste contexto nos propomos a discutir a questão da relação existente entre a consciência dos ribeirinhos e turistas com as práticas de preservação ambiental. A demanda deste estudo surgiu a partir da constatação de que há um lamentável rastro de lixo e degradação monumental do meio ambiente que fica remanescente nas praias, nas estradas de acesso ao rio e nas periferias dos condomínios de chácaras que se formam nas cercanias do rio Araguaia. A situação fica mais alarmante quando se finda a temporada de férias, pois os turistas voltam para as suas cidades e uma parte considerável do lixo fica nos locais das estadias para serem incorporados na natureza.

Sabemos que se trata de uma situação demasiadamente complexa, pois compreender as atitudes das pessoas e seus efeitos práticos e atribuí-los a educação, a formação cultural e psicológica de um povo não é nada aleatório. Assim tomemos como ponto de partida a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, que estimou a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais em 7%, no país. Nestes termos, o conceito de analfabetismo também é amplo, pois faremos alusão aqui aos indivíduos que são ignorantes ou que lhes falta alguma aprendizagem elementar necessária e suficiente para conviver harmonicamente com o meio ambiente natural.

Partimos da premissa de que a escola representa a principal instituição capaz de influenciar decisivamente na preparação das pessoas para agirem adequadamente diante das necessidades de um mundo em constante mudanças. Portanto, delineamos duas questões que consideramos inquietantes: A parcela da população que não teve a influência de um processo de educação da escola formal pode ser responsabilizada pelos maus tratos que vêm sendo observados com a natureza na região do rio Araguaia? Ou, será que a escola não está conseguindo desenvolver nas pessoas os conhecimentos, valores e atitudes necessários para a convivência harmônica com a natureza?

Este cenário fica mais preocupante quando o relacionamos como o fato de que são realizadas repetidas e caras campanhas de conscientização de preservação ambiental por agências oficiais do governo e por organizações não-governamentais durante todo o ano e principalmente próximos as temporadas de férias.

Assim, este texto se aproxima de um ensaio, mas com base em fatos verídicos que foram observados e registrados em fotografias nos caminhos e margens do rio Araguaia por este pesquisador no período de 2009 a 2018. Pretendeu-se como objetivo deste estudo incitar os leitores a refletirem sobre a relação que se espera entre o conhecimento adquirido formalmente e informalmente sobre a preservação ambiental e o comportamento atitudinal praticado pelos cidadãos quando se sentem livres na vastidão da natureza.

Para atender a esta demanda foram feitas pesquisas bibliográficas, visitas in loco com registro de imagens e análises contextuais, em especial com o aporte dos pressupostos teóricos de Lev S. Vigotski e seus seguidores psicólogos da educação russa para compreender como se processa a formação da consciência dos indivíduos na sociedade. Desta forma, o texto aborda em suas partes os seguintes tópicos: O rio Araguaia e o destino do lixo produzido pelos condôminos e pelos turistas nas temporadas de férias; A formação da consciência e a preservação ambiental e; as considerações finais.



O rio Araguaia e o destino do lixo produzido pelos condôminos e pelos turistas nas temporadas de férias



Para discutirmos sobre a gravidade do acúmulo de lixo sistemático na região do rio Araguaia vamos inicialmente descrever um pouco das características desta localidade. O Araguaia ao longo de seus aproximadamente 2.200 mil quilômetros tem as características de um rio de planície, com um desnível pouco acentuado na maior parte de seu curso. Ele nasce próximo ao Parque Nacional das Emas em Goiás e desemboca no rio Tocantins nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. Apresenta modesta profundidade média, águas ricas em sedimentos e um acentuado processo de assoreamento – parte devido a ação da natureza e parte em função da intervenção do homem, notadamente a devastação da mata ciliar (COUTINHO, 2007).

Em seu curso médio oferece uma biodiversidade incrível e bifurca-se para formar a maior ilha fluvial do mundo – a ilha do Bananal, situada predominantemente no Estado do Tocantins. O braço direito é chamado de Javaés e recebe importantes afluentes tais como o Formoso e o Urubu. À esquerda, a partir de Barra do Garças, o Araguaia recebe o Cristalino, o rio das Mortes e o Tapirapés. À direita devem ser citados o Vermelho, Tesouras, do Peixe e Crixás-açú. Ao longo de todo seu percurso, banha diversas localidades que, devido ao rio e suas belas praias, oferecem potencial turístico relevante. Em goiás, temos Aragarças, Aruanã, Bandeirantes (município de Nova Crixás) e Luiz Alves (Município de são Miguel do Araguaia). Já no Mato Grosso encontramos Barra do Garça, Cocalinho, São Félix do Araguaia, Luciara e Santa Terezinha (COUTINHO, 2007).

A análise que fazemos neste texto está restrita do lado goiano do rio Araguaia na região conhecida como condomínio da viúva Tassiana no município de Nova Crixás (Figura 1) e de seu afluente rio do Peixe. Nesta região, também conhecida como região do encontro das águas temos observado uma grande quantidade de lixo produzido pelos ribeirinhos e pelos condôminos das chácaras de cerca de 12 condomínios interligados nas margens do rio Araguaia e do rio do Peixe. A situação da produção e descuido com o lixo se agrava por ocasião das temporadas de férias quando as praias são praticamente todas ocupadas por barracas e turistas.

Figura 1 – Pontos de acúmulo de lixo nos condomínios e praias

Fonte: Google maps

Mais pontualmente o lixo observado está sendo acumulado nos arredores dos condomínios durante todo o ano. São amontoados de sucatas de geladeiras, televisores, fogões, entre outros objetos. No período de temporada a situação se agrava, pois, os turistas não conseguem fazer um controle sistemático do lixo produzido nas praias para ser deixado no ponto de coleta da prefeitura de Nova Crixás e uma grande parte acaba ficando espalhados nas praias e caminhos de chegada no rio para serem arrastados pela próxima enchente (Figura 2).

Figura 2 – Lixo depositado por condôminos e turistas

Fonte: Do próprio autor

Os lixos mais comuns produzidos pelos turistas e abandonados na natureza são as garrafas de vidro, metal e plástico, sacos plásticos e de papel, barracas velhas etc. Também são misturados nas águas do rio uma quantidade notória de óleos e combustíveis usados nas embarcações entre outros lixos orgânicos. De acordo com Moss e Moss (2007) o lixo produzido pelos turistas deverá ser recolhido pela prefeitura da cidade de Nova Crixás, mas na prática o lixo precisa ser deixado no ponto de coleta (Figura 3) que ao nosso ver fica muito distante do rio Araguaia e dos condomínios, a cerca de 60 Km.

Figura 3 – Ponto de coleta de lixo pela prefeitura de Nova Crixás - GO

Fonte: Google maps

Assim, a prática mais comum está sendo deixar o lixo em verdadeiros lixões que vão se formando nas estradas e próximo as saídas dos condomínios (Figura 4), de onde se deduz que é preciso tomar alguma providência racional para minimizar o impacto ambiental.

Figura 4 – Lixo abandonado nas saídas dos condomínios

Fonte: Do próprio autor

O contexto de descaso com o lixo observado nas proximidades do rio Araguaia e do Peixe com o meio ambiente poderia ser resolvido se as pessoas simplesmente retornassem para suas casas com o lixo que levaram e produziram, ou os depositassem nos devidos lugares. Assim passaremos a discutir sobre a formação da consciência humana no afã de investigar melhor este comportamento de parte das pessoas que tem contribuído para os desiquilíbrios no meio ambiente.



A formação da consciência e a preservação ambiental

O ser humano diferentemente dos demais animais tem a capacidade de influenciar na sua realidade e interferir no seu destino a partir da consciência que ele forma sobre as coisas. Assim a consciência parece ser um elemento chave para explicar as intensionalidades e ações praticadas pelas pessoas a todo momento. Corriqueiramente podemos entender a consciência como sendo o sentido ou a percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em seus atos. Contudo, para projetarmos uma forma de contribuir para a educação ambiental das pessoas e influenciarmos na formação da conciência de proteção ambiental necessitamos compreender melhor este processo, pois esta dimensão da psique humana pode fazer a diferença na relação saudável dos seres humanos com o ambiente de convivência.

Para Vygotski (1996) a consciência é sempre consciência socialmente mediada de alguma coisa e relativa ao desenvolvimento da conduta voluntária. Logo, não é a realidade que simplesmente “se reflete” na consciência, mas também o indivíduo que a reconstitui ativamente e nela interfere.

Por este enfoque vigotsquiano podemos deduzir que mesmo um indivíduo com pouca ou nenhuma interferência do processo de escolarização seria capaz de deduzir pela observação dos fenômenos na natureza e por interesse próprio que o lixo urbano de forma geral, principalmente os de difícil degradação podem interferir nos processos ambientais, tanto da fauna quanto da flora. Exemplificando, sabemos que os pecuaristas criadores de bovinos, independentemente do grau de instrução escolar, abominam os sacos plásticos deixados nas suas pastagens junto aos rebanhos. Isto porque os animais costumam ingerir estes objetos que causam-lhes damos na saúde e até a morte por obstrução no sistema digestório.

Neste caso específico, deduzimos que os criadores de gado foram conscientizados de que não se deve jogar lixo de forma alguma próximo aos seus rebanhos, pois isto poderá prejudicar a saúde dos animais e consequentemente lhes serão imputados prejuízos em seu ramo de negócio. Desta situação mensionada, abstraimos que entre a consciência que o indivíduo tem formada do seu contexto de ação e o ato propriamente praticado por ele há uma espécie de fator de mediação que em última instância imputará ou não prejuísos reais e pessoais decorrentes das suas decisões e atitudes.

Assim, para que a consciência exista é preciso se formar uma unidade que não se desfaz e que envolva o ideal e a atividade. Porém, este evento só será manifestado no contexto das relações sociais. Como explica Davídov (1986):

A vida da pessoa na sociedade ou no coletivo permite ao ser humano, ao utilizar as instrumentalidades (meios) do plano ideal, separar-se de sua própria atividade e representá-la como um objeto peculiar que pode ser modificada antes de ser realizada. [...] A reprodução pessoal da imagem ideal da sua atividade e da representação ideal nela das posições de outras pessoas, pode ser chamada de consciência (DAVÍDOV, 1986, p.7).

Para Davídov, a formação das funções da consciência no indivíduo sugere inicialmente uma estrutura de atividade coletiva que depois será modificada para realizar uma atividade individual. Esta atividade individualizada do homem considera as posições de outros membros do coletivo, sendo, portanto mediatizada. Os conceitos de atividade, ideal e de consciência estão profundamente inter-relacionados. O ideal, assim, constitui a imagem da atividade objetal do homem e não a atividade mesma, em si, fazendo parte do mundo da cultura espiritual criado coletivamente pelas pessoas.

Com base no fundamento teórico de que a formação da consciência envolve uma perspectiva social passaremos a fazer algumas análises contextuais. Ou seja, em função “do modo no qual o indivíduo pensa e acredita que as pessoas em geral vão fazer juízo de como ele pensa e age em relação ao meio ambiente”, e principalmente, sobre “qual será o prejuiso real para as pessoas poluidoras da natureza decorretes das decisões e atitudes delas na hora de dar o destino do lixo nas proximidades dos rios Araguaia e Peixe”, pode-se deduzir o seguinte:

  • Ao que tudo indica o turista deixa seus resquícios da produção de lixo nas praias dos rios porque ele acredita que quando retornar lá no ano seguinte as praias estarão limpas novamente, pois com as chuvas e enchentes tudo será interrado ou arrastado para longe. Neste caso o que interessa é a sensação visual e ilusória de que a natureza se renova para recebé-lo a cada nova temporada de férias.

  • O comportamento dos condôminos e ribeirinhos não se difere muito da visão dos turistas. Acrescenta-se a ideia de que os lixões acumulados nas estradas e nos arredores dos condomínios estão distantes de suas residencias (longe de sua visão) e que posteriormente serão tomadas as devidas providências por “alguém” para limpar a área de depósito, haja vista que o lixo não está sendo depositado em suas propriedades, em seus quintais.

  • Nas duas análises anteriores percebemos os comportamentos egoístas e individuais dos cidadãos diante de uma questão que envolve e agride a coletividade e o meio ambiente. Neste caso, os sujeitos dispreparados para viverem em sociedade se aproveitam da falta de eficiência e operância dos orgãos de fiscalização responsáveis pelo controle e destino do lixo produzidos naquela região e ignoram livremente os procedimentos de proteção ambiental.

Assim sendo, para que haja a formação da consciência ambiental é preciso um processo de interferência social e que reforçe a ideia de que o ser humano é essencialmente social. De acordo com Davidov (1986) e Leontiev (2004) isto permitirá a ele, o ser humano, o desenvolvimento de um reflexo consciente capaz de distinguir as propriedades objetivas estáveis da realidade concreta e respeitá-las, tornando possível com isso o desenvolvimento da observação de si mesmo, de seus atos.

Para Frank (2002), todo comportamento expressa uma relação de consciência, autoconsciência e autoconhecimentos, onde não há como alguém estar consciente de alguma coisa sem estar consciente de estar consciente dessa coisa. Portanto, se a consciência pressupõe a autoconsciência faz-se necessário um trabalho prévio com as pessoas, quer seja um processo educacional. Ou seja, no país de 11,3 milhões de analfabetos (IBGE, 2019) há a perspectiva da falta de informação e conhecimentos estar influenciando fortemente no comportamento antissocial e destrutivo da natureza por uma parcela consideravelmente grande da população, podendo estas atitudes serem materializadas na forma de cultura e perpetuadas no modo de viver brasileiro.

Contudo, se o indivíduo não teve a oportunidade de escolarizar-se por um processo formal isso não o impedirá de desenvolver uma autoconsciência sobre o que de fato pode beneficiar ou prejudicar a natureza, haja vista a consciência que os índios brasileiros desenvolveram historicamente sobre como viver em harmonia com o meio natural (DIAS, 2003; CUNHA, 1999; COSTA, 2003; ALBERT E RICARDO, 2002; LUCIANO, 2006).

Entretanto, como destaca Frank (2002) a autoconsciência é pré-reflexiva, pois se a autoconsciência fosse o resultado da reflexão então só teríamos autoconsciência após termos consciência de alguma coisa que fosse dada à reflexão. Mas isso não pode ser o caso, pois, como cita o autor, a consciência pressupõe autoconsciência. (DIAS, 2003; CUNHA, 1999; COSTA, 2003; ALBERT E RICARDO, 2002; LUCIANO, 2006)

Portanto, diante do que está exposto a autoconsciência é o elemento fundamental da consciência. Sem ela não há consciência nem reflexão sobre a consciência. Está análise recai sobre a necessidade de questionar a falta de escolarização para a população em geral, mas também sobre a prioridade de uma educação de qualidade que consiga propiciar nas condições ideais para as pessoas desenvolverem os valores imprescindíveis e vitais para a manutenção do equilíbrio ambiental.



Considerações finais

De fato, a educação ambiental é uma dimensão da educação, seja ela desenvolvida dentro das escolas regulares ou não. Pois, demanda uma atividade intencional da prática social, que pode imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2018).

Neste caso, as práticas de preservação ambiental que observamos nos ribeirinhos e turistas na região do Condomínio Viúva Tassiana nas margens do rio Araguaia refletem primeiramente a consciência formada pelos cidadãos ao longo de seus processos educativos. Mas, também nos fornece mais informações sobre os valores, informações e conhecimentos que denotam a qualidade e as circunstâncias do processo de interferência educacional que eles vivenciaram.

Em outra análise fica evidenciada as respostas das autoridades e da sociedade pelo nível das indignações e ações que efetivamente resultam para remediar ou solucionar os problemas decorrentes das concepções e práticas de convívio que vem acontecendo ano após ano naquele paraíso natural da região do rio Araguaia. De onde se constata que a situação urge de ações transformadoras para preservar a natureza.

Neste recorte que fizemos da região de Nova Crixás consideramos que as perspectivas futuras de manutenção da preservação ambiental para o rio Araguaia não são muito favoráveis. Isto se deve ao fato de que o modelo de interferência institucional que vem acontecendo tanto da formação escolar, quanto das campanhas de educação ambiental e fiscalização, não consegue impactar satisfatoriamente nas atitudes das pessoas. Resultando em uma depredação constante e progressiva ao meio ambiente em análise.

Enfim, é importante ter uma autoconsciência formada para fazermos uma reflexão produtiva que envolve o saber historicamente e socialmente construído pela humanidade sobre a preservação ambiental e o comportamento das pessoas quando estão em contato livre com a natureza. Como já dissemos a autoconsciência sobre algo decorre de um processo formativo que gera os valores e conhecimentos básicos. Portanto, concluímos neste estudo que há um círculo de interdependência entre a educação e a formação da consciência que precisa ser constantemente repensado na sociedade para dar as condições de viabilidade para a nossa relação com o meio ambiente.



Referencial bibliográfico

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COSTA, Reginaldo Brito da (Org.) Fragmentação Florestal e Alternativas de Desenvolvimento Rural na Região Centro-Oeste. Campo Grande, Ed. UCDB, p. 175-204, 2003.

COUTINHO, Álvaro. Araguaia, Meu amor. D-Book Full 3.1.7.7.3, janeiro 2007. Disponível em http://www.rioaraguaia.com.br/docs/araguaia.pdf. Acesso em 22 de maio de 2016.

CUNHA, Manuela Carneiro da. Populações tradicionais e a Convenção da Diversidade Biológica. Estud. Av. São Paulo, v. 13, n. 36, 1999.

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