ISSN 1678-0701
Número 69, Ano XVIII.
Setembro-Novembro/2019.
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No. 69 - 27/09/2019
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS EM UMA EMPRESA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS EM UMA EMPRESA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Lorena Fernanda Araújo Soares1; Mayara Furtado Peniche2; Maria Rita Castro Lima3; Maria do Socorro Bezerra Lopes4; Marcia Valéria Porto de Oliveira Cunha5



1Discente da Universidade Federal Rural da Amazônia. E-mail: lorenaasoaares@gmail.com

2Discente da Universidade Federal do Pará. E-mail: mainha97@yahoo.com.br

3Discente do Instituto Federal do Pará. E-mail: mariaritacastro18@gmail.com

4Mestre em Engª. Química. Docente do Instituto Federal do Pará. Email: maria.lopes@ifpa.edu.br

5Doutora em Geoquímica e Petrologia. Docente do Instituto Federal do Pará. E-mail: valeria.cunha@ifpa.edu.br.



Resumo

O presente trabalho teve como objetivo analisar de que maneira os materiais descartados poderão ser reaproveitados, contribuindo para a redução destes, bem como os gastos a que estão relacionados, além de incentivar as boas práticas aos funcionários da empresa. Para tal, foi realizada uma pesquisa quali-quantitativa com coleta e análise de dados na loja Feirão da Construção. As atividades foram desenvolvidas em seis etapas, sendo: levantamento bibliográfico, visita técnica, aplicação de questionários, palestra, oficina e exposição. Estas foram realizadas com o intuito de levantar dados para a identificação dos tipos de materiais que a loja produz e indicar solução para o tratamento. Foi constatada na loja uma grande quantidade de resíduos de plástico, papelão e madeira. O reaproveitamento e a separação desses materiais para a reciclagem foram à solução para o tratamento adequado dos mesmos, proporcionando a redução de custos para a empresa e a sensibilização ambiental. Portanto, os objetivos apresentados nesse projeto foram atendidos, benefícios para todos os envolvidos e principalmente para o meio ambiente.

Palavras-chave: resíduos comerciais, educação, meio ambiente, sustentabilidade.

Abstract

The objective of this study was to analyze how discarded materials can be reused, contributing to their reduction, as well as the expenses to which they are related, as well as to encourage good practices to the employees of the company. For this, a qualitative-quantitative research was performed with data collection and analysis at the Feirão da Construção store. The activities were developed in six stages, being: bibliographical survey, technical visit, application of questionnaires, lecture, workshop and exhibition. These were carried out with the purpose of collecting data to identify the types of materials that the store produces and indicate solution for the treatment. A lot of plastic, cardboard and wood waste was found in the store. The reuse and separation of these materials for recycling were the solution for the proper treatment of them, thus reducing costs for the company and environmental awareness. Therefore, the objectives presented in this project were met, providing benefits for all involved and especially for the environment.

Keywords: commercial waste, education, environment, sustainability.



Introdução

No Brasil, a Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, sobre educação ambiental, decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidência da República, dispõe no artigo 1º: “Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sua qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

A educação ambiental é um processo voltado para formar indivíduos preocupados com questões ambientais e que busquem preservar e conservar os recursos naturais. O processo de urbanização não vem acompanhado de crescimento sustentável, muito pelo contrário, a urbanização acelerada e a falta de conscientização da população têm prejudicado a todos e por isso faz- se necessário o processo de educação ambiental (Bortolon, 2014).

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. A PNRS prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos.

Mayer et al. (2013), relata que o acúmulo de diversos tipos de resíduos pode ser observado nos grandes centros urbanos e cada vez em quantidades maiores, desse modo, há uma grande necessidade de se entender e praticar os 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). Essas práticas são muito importantes principalmente para as empresas, visto que, quando se obtém o selo verde possuem maior inserção no mercado, além da redução de custos.

A logística reversa é um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. De acordo com a Lei n° 12.305/2010 a logística reversa é um "instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

A partir disso, visamos como forma de trabalho educacional uma empresa de materiais de construção, localizada no bairro do Tapanã (Distrito de Icoaraci em Belém-PA). O estabelecimento gera resíduos sólidos como papelão, plástico e madeira em excesso. Portanto, o objetivo deste trabalho é analisar de que maneira os resíduos descartados poderão ser reaproveitados, contribuindo para a redução da quantidade e de gastos com os mesmos, além de incentivar as boas práticas aos funcionários da empresa.

Material e Métodos

O trabalho consistiu em uma pesquisa quali-quantitativa com coleta e análise de dados realizada na loja Feirão da Construção que fica localizada no bairro do Tapanã (Distrito de Icoaraci em Belém-PA). Esta possui 10 anos de existência e conta com quarenta e cinco funcionários que trabalham das 08:00 às 18:00 horas, com dois dias de folga na semana, além dos proprietários. As atividades foram desenvolvidas em cinco etapas, que foram divididas em levantamento bibliográfico, visita técnica, aplicação de questionários, palestra e oficina. Estas foram realizadas no período de junho a outubro de 2017 na empresa em estudo.

1ª Etapa: Levantamento Bibliográfico

Foram realizadas pesquisas e análises em artigos, revistas, livros e outros, sobre os seguintes conteúdos: Política Nacional de Resíduos Sólidos, legislação sobre educação ambiental, política dos 3Rs e educação ambiental em empresas, para ter uma base de como elaborar e realizar a oficina e a palestra corretamente.

2ª Etapa: Visita técnica

Foram realizadas visitas ao estabelecimento para o levantamento de dados, identificando assim os resíduos que poderiam ser reaproveitados ou não pela loja e o que poderia ser feito, de forma adequada, com os mesmos.

3ª Etapa: Aplicação de Questionários

Foram aplicados 30 questionários com 11 questões, no qual se teve o objetivo de saber o nível de conhecimento dos funcionários a respeito das questões ambientais em geral.

4ª Etapa: Palestra

Foi realizada uma palestra com o tema “Educação Ambiental em uma Unidade Comercial de Construção”, ao final do expediente da loja, para os funcionários, com o intuito de mostrar os benefícios do projeto, além de conscientizar e incentivá-los a terem mais atitudes ambientalmente adequadas.

5ª Etapa: Oficina

A oficina de reaproveitamento foi realizada para os funcionários com intuito de demonstrar as formas de reaproveitar adequadamente os possíveis resíduos descartados pela loja e assim reduzir a quantidade de lixo descartado.

Resultados e Discussão

Durante as visitas técnicas realizadas na loja, foi constatada a presença em grande quantidade de resíduos de madeira, papelão e plástico. Estes foram encontrados devido às atividades realizadas no estabelecimento, como por exemplo, o acondicionamento dos materiais de construção.

Os resíduos eram armazenados em um contêiner. Após o acúmulo destes era solicitado à coleta para uma cooperativa. Os funcionários da loja foram questionados, porém os mesmos não souberam responder o que era feito depois com o material coletado, infelizmente não foi notada uma sensibilização por parte deles e nem dos proprietários quanto a essa questão.

Foi constatada a presença de duas lixeiras de coleta seletiva, de metal e a de vidro, o que demonstra certa iniciativa por parte dos proprietários da loja, porém os resíduos não eram separados adequadamente e também seriam necessárias as quatro lixeiras da coleta seletiva, visto que, há produção de resíduos de papel e plástico também. Os resíduos estavam dispostos de maneira inadequada, ou seja, todos misturados, por falta de orientação dos funcionários, pois, mesmo com a ausência das outras lixeiras poderiam jogar apenas os resíduos característicos de cada uma.

Foi notado no estabelecimento um espaço para que os funcionários coloquem seus copos, ou seja, eles não utilizam mais copos descartáveis o que é importante para a redução da geração de resíduos. A adoção da não utilização de copos descartáveis e o espaço foram sugestões de uma funcionária da loja. Esta mostrou-se muito sensibilizada frente às questões ambientais ao falar de sua ideia. A loja gerava em média por mês 1.170 copos e teve uma redução de R$ 42,48 ao mês após a adoção da ideia da funcionária.

Para saber o nível de conhecimento dos funcionários a respeito das questões ambientais em geral e da loja foram aplicados 30 questionários com 11 questões. Primeiramente, perguntou-se a eles se sabiam o que é coleta seletiva. Em que, 93% responderam que sim, ou seja, que sabem o que é coleta seletiva, isso é um paradoxo com a não separação dos resíduos.

Na segunda pergunta, “Quais os principais materiais coletados na loja?”, vinte e cinco funcionários, ou seja, 83,33 % dos funcionários responderam plástico e papel e o restante 16,67% disse que não sabia. Como foi constatado na visita técnica, os principais resíduos coletados pela loja são plástico, papelão e madeira.

Na terceira pergunta, “Você tem noção da quantidade de resíduos coletados?”, 87% dos funcionários disseram que não. Nem mesmo os proprietários conseguiram responder a essa pergunta. Segundo a funcionária responsável pela parte de coleta de resíduos, a quantidade do mesmo produzido é em média uma caçamba cheia de um caminhão pequeno.

Na quarta pergunta, “Há algum tipo de reaproveitamento de materiais no estabelecimento?”, em caso afirmativo, “Que tipo de material é reaproveitado, e para qual finalidade?”, a resposta foi bem dividida onde, 46,66% dos funcionários disseram que não; 23,34% disserem que sim, que fazem reaproveitamento com papelão e com plástico; 20% também disseram que sim, mas não sabem com quais materiais e 10% não souberam responder; nos casos afirmativos ninguém soube dizer a finalidade, o que reflete que se de alguma forma essa prática for feita, não é da maneira adequada. Além disso, na visita não foi constatada nenhuma forma de reaproveitamento para tais resíduos.

Na quinta pergunta, “Qual a forma de armazenamento temporária desses resíduos?”, 80% responderam que é em lixeira com pedal, esta forma de armazenamento é inadequada, visto que os resíduos ficam todos misturados. Na sexta pergunta, “Existe um local para armazenamento externo dos resíduos?”, 27 funcionários responderam que sim, ou seja, 90%. No caso, o local para armazenamento dos resíduos na empresa seria o contêiner, que de certa forma está incorreto, pois a maneira adequada de se armazenar os resíduos é separando-os e deixando-os cobertos, ficando livre da ação do sol e da chuva para que não percam sua utilidade e possam ser coletados adequadamente pela cooperativa de reciclagem.

Na sétima pergunta, “Em média, quantas caçambas de resíduos sólidos são removidos?” e na oitava pergunta, “Qual o volume das caçambas e o custo unitário desse?” todos os 30 funcionários não souberam responder. Em resposta a sétima pergunta, a responsável por cuidar da parte da coleta dos resíduos disse que em média a coleta é feita em uma caçamba de pequeno porte e são realizadas duas vezes por semana, quanto à oitava pergunta não quis responder.

Na nona pergunta “Por quem é efetivada a coleta e transporte dos resíduos sólidos de plástico e papelão gerados neste estabelecimento?”, 53,33% disseram que é pela prefeitura e o restante disse que não sabe. Sendo que a empresa paga para uma cooperativa para coletar os resíduos. Esta não é feita de maneira adequada, visto que, os materiais não são separados.

Na décima pergunta “Qual a frequência e o horário da coleta do resíduo sólido que é paga pela empresa?”, 56,66% não souberam responder e o restante disse que duas vezes na semana. A responsável por cuidar da parte da coleta de resíduos disse que é realizada em média duas vezes por semana e geralmente no fim do expediente, por volta das 18 horas. Na décima primeira pergunta, “Você separa os resíduos em sua casa?”, mais da metade disse que não separa. Frente à resposta dessa pergunta e a das outras, na palestra focou-se em temas como a educação ambiental e a coleta seletiva.

A palestra “Educação Ambiental na Loja Feirão da Construção” foi realizada ao final do expediente da loja às 18 horas. Na palestra foram abordados, de forma oral, conteúdos como: educação ambiental, coleta seletiva, importância e benefícios do projeto para a loja, com o intuito de conscientizar e incentivá-los a terem atitudes ambientalmente adequadas, visto que foi constatada em respostas ao questionário a falta de orientação ambiental.

Alguns funcionários que participaram da palestra, em resposta, passaram a separar os resíduos da loja como papelão e plástico, com o incentivo dos proprietários que perceberam os benefícios que a separação acarretaria para o estabelecimento. A oficina foi ministrada para funcionários, nesta foi explicado primeiramente o que é reutilização e a diferença entre reutilização e reciclagem, posteriormente foi mostrado alguns exemplos de reutilização de materiais de plástico e papelão.

Por fim, foi demonstrada passo a passo a reutilização com os resíduos de madeira que a loja produz como a confecção de bancos de madeira e também a confecção de jardins com paletes de madeira, que no caso já foram fixados na parede da loja (Figura 1).

Figura 1: Jardins de paletes.