ISSN 1678-0701
Número 70, Ano XVIII.
Março-Maio/2020.
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Relatos de Experiências

No. 70 - 20/03/2020
INTERVENÇÃO E PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FORMAL: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO SOCIOAMBIENTAL.  
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INTERVENÇÃO E PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FORMAL: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO SOCIOAMBIENTAL.



Felipe Alan Souza Santos¹, Simone Rocha Reis².

¹Licenciado em geografia, especialista em formação de educadores ambientais e Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Doutorando em Geografia UFPA. Professor da Educação Básica de Sergipe. E-mail: felipesantosprof@hotmail.com.

²Licenciada em Pedagogia, especialista em pedagogia empresarial. E-mail: mone.rocha.reis@hotmail.com.



RESUMO

A escola, como instituição responsável pela formação científica dos cidadãos, tem o dever social de desenvolver um sistema de conhecimentos, habilidades e valores que sustentem um comportamento racional sobre o meio ambiente. O objetivo do trabalho foi investigar a percepção da degradação ambiental dos alunos do 9º ano do ensino fundamental de uma escola pública pertecente a secretaria estadual de educação. A metodologia utilizada foi tanto a quantitativa como a qualitativa, com aplicação de questionários e grupo focal. A discussão resultou na melhoria da práxis dos diferentes problemas socioambientais existente no espaço escolar, ocorrendo um maior entendimento dos alunos sobre o seu papel crítico na sociedade.

Palavra-chaves: Cidadania, Meio Ambiente, Educação.





RESUME

The school, as an institution responsible for the scientific formation of citizens, has a social duty to develop a system of knowledge, skills and values ​​that support rational behavior on the environment. The objective of this work was to investigate the perception of environmental degradation of 9th grade students of a public school belonging to the state department of education. The methodology used was both quantitative and qualitative, with application of questionnaires and focus group. The discussion resulted in the improvement of the praxis of the different social and environmental problems existing in the school space, resulting in a greater understanding of the students about their critical role in society.

Keywords: Citizenship, Environment, Education.




INTRODUÇÃO



A sociedade vivencia um período de constantes transformações no que se refere ao meio ambiente e sobre o olhar que o homem possui do seu habitat. Toda a mídia expõe suas atenções para a ação dos seres humanos com a natureza, frente aos expressivos dilemas socioambientais constantemente notado no planeto: incêndios florestais, desmatamento, sobre a desigualdade social, dos bens produzidos, da (in)justiça social, do direito e da alimentação, dentre outros. A paisagem natural historicamente vem se modificando com as intervenções dos seres humanos, deixando de ser uma paisagem natural e passando a ser uma paisagem transformada, atendendo aos ideais humanos de cada sociedade, e as alterações humanas também contrubuem segundo pesquisas recentes para a ampliação de fenomenos naturais, como os incendios naturais em países como a Austrália.

É importante a mudança de atitude, e uma ação pró-ativa pode ser conquistada com a práxis da educação ambiental, que deve permitir uma ampla compreensão dos dilemas contemporâneo que assola o dilema socioambiental vivenciado pela sociedade contemporânea. A educação ambiental deve ser entendida como um aprendizado e sensibilização para a manutenção da vida no planeta, fazendo com que a geração atual possa viver um bem estar, assim como, as futuras gerações.

Diante das ações e atitudes praticadas pelo homem, a Educação Ambiental desponta como importante ferramenta de intervenção. Segundo Merico (2001) apud Pessoa e Braga (2010), “A educação ambiental tem como objetivo transformar-se em filosofia de vida instigando o ser humano a atitudes que conduzam à sustentabilidade do meio ambiente”.

A metodologia adotada neste artigo foi a quanti-qualitativa, além de observar o método do programa de ensino desenvolvido por Pardo (1997), que acredita na necessidade de um programa de ensino sistemático, planejado para se alcançar os objetivos pretendidos no ato educacional e principalmente na mudança de atitude como se configura neste trabalho.

As analises quantitativa foram observadas através das respostas dos entrevistados no questionário, que teve como propósito buscar a percepção de natureza dos participantes do programa. As análises qualitativas foram construídas diagnosticando o conhecimento e habilidades que os entrevistados possuíam sobre as questões ambientais discutidas no programa de ensino. O programa de ensino é entendido para Pardo (1997), como uma disciplina que pretende trabalhar de forma mais integral e aprofundada, um determinado conhecimento. Pardo (1997) compreende por objetivo de ensino não apenas objetivos de conteúdo acadêmico, mas também aqueles relacionados com a formação integral da pessoal. Para tanto o professor que deseja criar um programa de ensino deve prioritariamente, além de debater as realidades vivenciadas pelos alunos, planejar ações, executá-la e avaliá-las, tendo em vista alcançar os objetivos de ensino por ele pretendidos.

Esse programa de ensino foi realizado em duas turma de 9º ano, com 60 alunos de um total de 90 alunos, que abrange uma percentagem aproximada de 66,66%. O programa de ensino foi realizado em cinco dias, as reuniões sempre eram realizadas as quintas-feiras, entre os meses de março e maio de 2019, que buscavam discutir questões ambientais, mudança de atitudes correlacionando essas a educação ambiental.



RELAÇÃO HOMEM E O SABER AMBIENTAL:



Nos últimos séculos, o ser humano tem mostrado um comportamento destrutivo em relação ao meio ambiente, sendo que grande parte deste afastamento homem e natureza é promovido pela mentalidade moderna, que surge desde a efetivação do sistema capitalista de produção que cogita a natureza como um instrumento inesgotável de recursos que deve servir fielmente as necessidades humanas, assim a natureza pode ser explorada à vontade em nome da modernização.

Essa degradação tem comprometido a qualidade de vida da população de várias maneiras, sendo mais perceptível na alteração da qualidade de água e do ar, nos “acidentes” ecológicos ligados ao desmatamento, queimadas, poluição marinha, lacustre, fluvial e morte de inúmeras espécies animais que hoje se encontram em extinção (MENDONÇA, 2005, p.10).

As alterações no ambiente acompanham a existência do homem na Terra. Ao longo da década de 1960 ficou evidente que as ações do homem sobre a natureza haviam desencadeado uma crise ambiental que mostrava a irracionalidade ecológica dos padrões dominantes de produção e de consumo e marcava os limites do crescimento econômico. (Leff (2006), apud Zanirato, 2008, p. 3).

discussão sobre a relação educação-meio ambiente contextualiza-se em cenário atual de crise nas diferentes dimensões, econômicas, políticas, cultural, social, ética e ambiental. Em particular, essa discussão passa pela percepção generalizada, em todo o mundo, sobre a gravidade da crise ambiental que se manifesta tanto local quanto globalmente (GUIMARÃES, 2000, p. 15).

Essa forma de pensar pragmaticamente ou utilitarista, tem sua gênese no Ocidente, principalmente nas nações pioneiras da Revolução Industrial, e o sucesso do sistema capitalista, passou a ser pensada e praticada em todo o globo.

Segundo Vesentini (2004, p. 201), o principal objetivo da mentalidade pragmática é o progresso, e esse progresso no sistema capitalista é entendido como uso e transformações no espaço geográfico, ou seja, mudanças de locais naturais para artificiais, como estradas, residências, campos de cultivos, edifícios, além de crescentes processos produtivos, almejando a reprodução e acumulação do capital:

Tal forma de compreender a natureza levou à depredação do meio ambiente, com o objetivo de fornecer a energia de que os homens precisavam para o processo produtivo. A depredação tornou-se caótica nos séculos XIX e XX, em face do crescimento da indústria e da urbanização. O modelo de desenvolvimento defendido pelas sociedades, sobretudo as ocidentais, privilegiou o lucro, a acumulação de capitais, ainda que em detrimento da perda da qualidade de vida e da deterioração da natureza e da sociedade. Essa situação agravou-se de tal forma que analistas do meio ambiente e da sociedade não vacilam em afirmar que estamos vivendo uma .crise de civilização. (LEFF, 2003, p. 16).

Para tanto abuso de apropriação do meio natural, é necessário possuir grande quantidade de recursos naturais, é necessário extrai grandes volumes de materiais energéticos, recursos naturais, solos férteis para a agricultura, e foi exatamente isto que ocorreu até a segunda Guerra Mundial, quando as nações passaram a sofrer a escassez de certos produtos.

Durante anos se acreditou que a natureza fosse infinita, assim o progresso materialista nunca teria fim, atualmente existe a percepção de que, se os seres humanos não cuidarem do planeta que possibilita a vida em todo o universo o mesmo será extinto, devido à gestão dos recursos nele existente e da relação cada vez mais distantes entre os homens.



EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA TOMADA DE NOVAS ATITUDES:

[...] o homem concebe sua ação previamente no seu cérebro, na forma de planejamento, e a cada ação incorporam-se novas informações, que resultarão em diferentes soluções para os mesmos problemas que se apresentam (DIAS, 2007, p. 2).

Os atuais problemas que afetam a sobrevivência no meio ambiente são cada vez mais angustiantes e, em consequência, é causa de uma recente preocupação da humanidade. Impõe-se então uma busca urgente de ações e iniciativas que contribuam com a sua solução de forma mais imediata, e uma proposta apontada por Barbosa (2004) é a prática da educação ambiental.

O desenvolvimento científico e tecnológico que incrementa a qualidade de vida, cada vez mais põe em perigo o meio ambiente e a própria vida humana. O homem ao mesmo tempo em que inventa algo para diminuir certos impactos ambientais, degrada e segrega outros espaços e principalmente a relação social e temporal do homem com o próprio homem.

Daí a necessidade dos indivíduos compreenderem as modificações socioambientais, para poder agir de forma crítica para prevenir problemas físicos naturais e a própria exclusão humana dos bens gerados e geridos por e para uma pequena parcela da sociedade.

A capacidade de modificar o meio ambiente em função do desenvolvimento das atividades sociais passa por diferentes etapas na história da humanidade (Barbosa, 2004), prova disto é o homem paleolítico, que em seu tempo histórico era totalmente subordinado aos anseios e “desejos” da natureza, que se tornou totalmente diferente do homem neolítico que com a descoberta do fogo e da agricultura, tornou-se menos subjugado ao meio natural.

Barbosa (2004) salienta que o acelerado desenvolvimento científico e tecnológico provocou ao meio ambiente perdas irreversíveis. Durante sua curta vida na Terra, o homem proporcionou mudanças profundas em todo o seu ecossistema e a sua própria relação social.

Segundo a mesma autora a humanidade paga um preço bem alto pela falta de seriedade em que ver a natureza, um exemplo disto são os fenômenos climáticos que vem ocorrendo no planeta.

A construção pelos seres humanos de um espaço próprio de vivência, diferente do natural, se de sempre à revelia e com a modificação do ambiente natural. Assim o ser humano, para sua sobrevivência, de um modo ou de outro, sempre modificou o ambiente natural (DIAS, 2007, p.13).

A todo instante chega informação a respeito dos problemas ambientais que ameaçam a estabilidade e o funcionamento normal do planeta. A quem está imbuído o papel de selar pelo bem estar da natureza e da humanidade? Dar-se para evitar certos tipos de transtornos ao nosso habitat? Certamente sim, o homem esclarecido pode e deve mudar suas ações predadoras frentes ao meio natural, e utilizar seu senso crítico a fim de mudar o seu próprio ser individualista, característica marcante no capitalismo (VESSENTINE, 2004), muitas das vezes instigado pelo marketing consumista do sistema capitalista.

A educação deve desempenhar uma função primordial com vistas a criar atitudes e a melhorar a compreensão desses problemas que afetam o meio ambiente. A escola, como instituição responsável pela formação integral dos cidadãos, tem o dever social de desenvolver um sistema de conhecimentos, habilidades e valores que sustentem uma conduta e comportamento próprio da proteção desse meio ambiente (BARBOSA, 2004).

Esse artigo buscou enfatizar que essa prática deve existir sempre em todas as esferas formadoras de opinião, seja a educação formal ou na informal, lembrando-se que essas devem ocorrer não de forma temporal, mais gradual e sistematizada como propõe Pardo (1997), sobre a importância do planejamento, da execução e da própria avaliação dos resultados pelos participantes.

Apesar dos discentes não possuírem conhecimento aprofundado do conteúdo debatido, esse trabalho ocupou-se em verificar o grau do conhecimento dos mesmos, a fim de, firmar uma estratégia ética e eficaz para a tomada de novas atitudes desses alunos sobre as questões que envolvem o meio ambiente.

E para demonstrar o senso crítico dos alunos, foram feitas várias pesquisas e debates, onde eles trouxeram vários exemplos buscando compreende-los a partir dos conceitos e conhecimentos das alterações ambientais.

Observa-se que os discentes estão dispostos a aprender, que estão esperançosos em uma mudança de paradigma, para poder agir de forma mais racional com os problemas enfrentados atualmente pela crise ambiental. Prova disto foi à participação de grande número de alunos da turma no programa de ensino, que possuía como pré-requisito para participar do mesmo o desejo de compreender as questões ambientais e participarem do programa de ensino nos dias marcados.

Assim o programa de ensino (socioambiental) na escola oportunizou o debate de alguns problemas ambientais e sociais vivenciados pelos atores (desmatamento, poluição de rios, perda da qualidade de vida, pobreza, fome), fazendo despertar nos alunos a busca pelo saber, almejando a curto e longo prazo uma mudança de atitudes acrítica, possibilitando através dos conhecimentos aprendidos no programa de ensino o surgimento de um novo agir, vivenciar e criticar as ações mal planejadas e muitas das vezes distorcidas da sociedade utilizar os recursos presentes na natureza.



A ESCOLA, O EDUCADOR E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL



O papel da escola é construir valores e estratégias que possibilitem aos/às estudantes determinarem o que é melhor conservar em sua herança cultural, natural e econômica para se alcançar um nível de sustentabilidade na comunidade local que contribui, ao mesmo tempo, com os objetivos em escala nacional e global (TRISTÃO, 2008, p.66).

Ao longo das últimas décadas, instalou-se e floresceu de modo sistematizada a pesquisa sobre a escola e a formação docente, com a expectativa de que seus resultados pudessem ser apropriados e, de algum modo, contribuíssem para subsidiar alterações no meio social (TOZONI-REIS, 2010).

Nesta seção abordam-se as características que a atuação do professor deve apresentar para que ele desenvolva um trabalho crítico e reflexivo em Educação Ambiental (TRISTÃO, 2008; OLIVEIRA, 2000). A discussão teórica desta seção irá também se reportar ao papel social da escola. Como parte integrante da sociedade, a escola deve discutir as relações homem-ambiente. Tal discussão, bastante repercutida pela mídia a partir da década de 1990, tem resultado em mudança profunda na percepção das relações existentes entre a sociedade e a natureza. Foi a partir dessa transformação que as questões ambientais passaram a ser entendidas não apenas como científicas, mas como questões de caráter social, cívico e político (SANTOS, 2007). Desde o final da década de 80 e durante a década de 90, de acordo com Sorrentino (2009), “generaliza-se a preocupação com a conservação do meio ambiente e com a melhoria da qualidade de vida dos atuais e futuros habitantes deste planeta”.

Atualmente, as preocupações com as questões ambientais não são apenas notadas como expressão de sensibilidades utópicas e românticas, como no ambientalismo ecológico (NEDEL, 2004). Sua dimensão tomou todas as áreas sociais, para as quais a qualidade de vida passou a ter maior valor que a produção. A temática ambiental, articulando economia, ecologia e política numa visão integrada, tornou-se central em debates sobre políticas econômicas e nas relações internacionais entre as várias nações do planeta (BOLIGIAN, 2005).

A efetivação da crítica de uso do meio ambiente pela sociedade tornou-se um marco muito importante para o processo de cidadania. Devido ao envolvimento com os debates ambientais, existem cada vez mais cidadãos que entendem que abandonar o luxo secundário de consumo é necessário para manter uma nova reflexão cidadã, além do entendimento de que a distribuição e o acesso aos bens produzidos devem ser para todos.

A sustentabilidade do planeta, instrumento valorativo da Educação Ambiental, não é viável se não atender à satisfação das necessidades básicas e imediatas de todos os habitantes da Terra. Para tanto, uma verdadeira Educação Ambiental busca satisfazer os direitos civis, econômicos, sociais, espirituais e culturais das populações. É exatamente isso que deve vigorar para a sociedade alcançar a sonhada sustentabilidade, que exige modificações equilibradas do ponto de vista ético, ecológico, econômico, social e ambiental.

Por isso, revela-se tão importante que exista este debate em sala de aula acerca de uma nova percepção de ambiente, uma vez que a escola é ou pode tornar-se uma instituição de formação de cidadãos que reivindiquem a melhor distribuição dos recursos de forma sustentável no planeta. “O futuro depende da capacidade dos homens de definirem estratégias de desenvolvimento que respondam simultaneamente, a critérios de justiça social, de prudência ecológica, e de eficácia econômica.” (SACHS, 1995, p. 469).

A Educação Ambiental tem como foco a formação de cidadãos ambientalmente comprometidos, estejam em idade escolar ou não. Esses indivíduos necessitam ser preparados para atuar melhor na sociedade, transformando-se em atores que possam reivindicar maior prudência, responsabilidade e participação nas decisões socioambientais. Uma boa prática de Educação Ambiental deve conduzir o indivíduo ao conhecimento da problemática ambiental (SANTOS, 2007).

A escola é o espaço existente na sociedade que serve para discutir questões, possibilitar o desenvolvimento do pensamento crítico, trazer informações, contextualizar e dar nova direção para que o aluno busque mais conhecimento. A escola é o lugar de sociabilidade de jovens e adolescentes, além de contribuir para a propagação de valores socioculturais.

Diante da necessidade de formação de cidadãos conscientes sobre a conservação do ambiente, é necessária a implementação de projetos de Educação Ambiental, com uma visão crítica e inovadora diferenciada do pensamento ideológico alienante que tem dominado a Educação Ambiental tradicional (GUIMARÃES, 2007).

Merecem ainda destaque no que se refere à inserção da Educação Ambiental na escola, as ações interdisciplinares, a formação adequada, o aperfeiçoamento e a motivação dos professores para um trabalho crítico e reflexivo.

Além de uma formação inicial consistente, é preciso considerar um investimento educativo contínuo e sistemático para que o professor se desenvolva como profissional de educação. O conteúdo e a metodologia para essa formação precisam ser revistos para que haja possibilidade de melhoria do ensino. A formação não pode ser tratada como um acúmulo de cursos e técnicas, mas sim como um processo reflexivo e crítico sobre a prática educativa. Investir no desenvolvimento profissional dos professores é também intervir em suas reais condições de trabalho (PARÂMETROS, 2000, p. 30).

O educador ambiental na escola necessita, assim como o aluno, apreciar e valorizar o trabalho que está se propondo a realizar. Esse professor deve se especializar mediante leituras na área, participando de encontros, adquirindo um conhecimento sólido para trabalhar de modo pertinente os conteúdos da área e com metodologias adequadas para o desenvolvimento do conhecimento e de atitudes críticas sobre a realidade socioambiental.

A educação ambiental requer a construção de novos objetos interdisciplinares de estudo através da problematização dos paradigmas dominantes, da formação dos docentes e da incorporação do saber ambiental emergente em novos programas curriculares (LEFF, 2001, p. 115).

As metodologias para a inserção efetiva e crítica da Educação Ambiental nas práticas escolares devem trilhar caminhos considerando a valorização do espaço socioambiental e das habilidades que levem a atuações da conservação do meio ambiente.

[...] a EA tem o importante papel de fomentar a percepção da necessária integração do ser humano com o meio ambiente. Uma relação harmoniosa, consciente do equilíbrio dinâmico da natureza, possibilitando, por meio de novos conhecimentos, valores e atitudes, a inserção do educando e do educador como cidadãos no processo de transformação do atual quadro ambiental do nosso planeta (GUIMARÃES, 2000, p.15).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (2000) registram que a inserção do meio ambiente como tema transversal nas atividades escolares pode contribuir para os princípios da dignidade do ser humano, da participação ativa da cidadania, da corresponsabilidade e da equidade, que se constituem hoje nos objetivos básicos da Educação Ambiental. Para que isso ocorra, o professor e a escola devem estabelecer ações pedagógicas que busquem a interdisciplinaridade, visando ao surgimento e à efetivação de novas atitudes, com a formação de valores socioambientais pertinentes e modificadores (PESTANA, 2010).

O grande desafio para os professores do século XXI é a plena formação dos seus alunos com valores e atitudes sobre a consciência ambiental, por meio da transformação dos próprios paradigmas e conceitos de uma escola ainda fortemente dominada por interesses particulares (GUIMARÃES, 2007).

Os profissionais que almejam construir um novo olhar pedagógico sobre o meio ambiente buscam propiciar aos alunos uma nova maneira de ver o mundo. Esse professor busca especializar-se em ações e conteúdos que o direcionem a uma reflexão crítica e emancipatória. Conforme afirma Weid (1977 apud FLICK, 2010, p. 7), “é preciso intervir em processos de capacitação que permitam ao professor embasar seu trabalho com conceitos sólidos, para que as ações não fiquem isoladas e/ou distantes dos princípios da Educação Ambiental”.

O profissional de educação que se capacita possui um leque de possibilidades e será capaz de aplicar práticas pedagógicas não só em sua sala de aula, mas na comunidade escolar e até na comunidade de entorno. Valendo-se ainda da realidade local, o professor com um bom entendimento sobre o ambiente conduz seus alunos a criticarem alguns aspectos da sua realidade local e também da global. Assim, Pelicioni e Philippi Jr. (2005) abordam que “não existe Educação Ambiental se ela não se efetivar na prática, na vida, a partir das necessidades sentidas”.

O professor que trabalha com Educação Ambiental deve possibilitar aos seus alunos o acordar crítico, a posse da autoconfiança, o desenvolvimento da cidadania, e coloca-o envolvido com os debates atuais sobre o meio ambiente (PESTANA, 2010).

Nessa direção, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais fatores de dinamização da sociedade e de ampliação do controle social da coisa pública, inclusive pelos setores menos mobilizados (JACOBI, 2006).

O educador ambiental busca contribuir para a superação dos problemas ambientais. Não se contenta em promover intervenções pontuais e informativas, mas potencializa a transformação social. Segundo Sauvé e Orellana citados por Sato e Santos (2006), os professores que trabalham a Educação Ambiental crítica devem praticar os seguintes princípios de ação diária:

  1. prática da educação ambiental em seu trabalho e na sua vida, construindo, descobrindo e redescobrindo junto com os alunos as questões ambientais locais, nacionais e planetária;

  2. compreensão de forma crítica das realidades sociais, ambientais, educacionais e de suas práticas pedagógicas. Essa análise tende a buscar quais os pontos positivos e as carências da prática cotidiana frente aos dilemas ambientais, servindo de norte para a tomada de novas decisões e metodologias em prol do desenvolvimento crítico e valorativo de novas ações;

  3. práxis que une a prática e a teoria;

  4. interdisciplinaridade. Uma análise desse tipo permite que o professor possua uma visão ampliada sobre as questões que serão trabalhadas em sala de aula.

Nas palavras de Sauvé e Orellana (apud SATO; SANTOS, 2006, p. 281), “la confrontación de saberes de distintos tipos, pueden surgir otros nuevos, que pueden reveler se útiles, pertinentes y que pueden tener una significación contextual”.



CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES



O artigo forneceu uma práxis para os alunos refletirem sobre seu papel crítico, sendo esses coadjuvantes para a tomada de atitudes em prol do meio ambiente através da perspectiva socioambiental do processo educativo.

Portanto, cada geração cria, inventa, inova e a educação ambiental tem seu processo também de criação, invenção e inovação, principalmente no campo do conhecimento. É necessário evoluir o saber ambiental, é pertinente possibilitar alternativas metodológicas para auxiliar o processo de ensino e aprendizagem sobre o ambiente.

Este artigo compreendeu a importante que a escola e as pessoas que dela faz parte contribuem para a geração de uma nova relação socioambiental, entendendo que o papel da mesma não é apenas transmitir conhecimento, mas ela deve facilitar, mediar e colaborar na construção e efetivação de novos conhecimentos.

Após o programa de ensino foi diagnosticadas algumas mudanças de atitudes no cotidiano escolar, os debates sobre o meio ambiente integrou todo o diálogo do pátio recreação e em sala de aula, isto fez, com que o programa de ensino fosse bem aceito na escola, além de possibilitar a troca de conhecimento dos alunos com a população que não se encontrava integrada ao programa de ensino, como os restantes dos alunos da escola e a própria comunidade.

Houve uma mudança da percepção de natureza, foi observado no questionário I que aproximadamente 74,8% os alunos não se via pertencente à natureza, cogitando ser superior a ela, e por isso afirmando o que Vessentini (2004), coloca como pensamento progressista, porém após as discussões, essas estimativas diminuíram para 10,5%, reafirmando ainda a importância de um trabalho crítico e sistêmico para uma mudança racional de atitude, através da sensibilização promovida pelo programa de ensino

Os alunos passaram a Cogitar solução e pesquisar o que esta sendo desenvolvendo para amenizar tais impactos. Um tema que teve bastante repercussão nesse sentido foi a questão da produção de energia limpa (68%), para abastecer as atividades econômicas e sobre a sustentabilidade da relação homem-natureza (20%) e do homem-homem (12%), atestada pela desigualdade de acesso a moradia existente na proximidade da escola, e do crescimento da violência.

Algumas atividades foram proposta pelos participantes em um dos encontros, como a, otimização dos recursos materiais da escola e da merenda que era distribuída no intervalo das aulas, ocorreu uma redução bem expressiva do lixo jogado nos corredores e nas salas de aula. Observe algumas respostas presentes no questionário II que expressa tal mudança de atitude sobre o escrito anteriormente:

P 54: Era comum na minha sala os apelidos, isso fazia com que agente brigasse bastante. O novo professor falou que isso mexe bastante com todos, pois tem pessoas que não gostam e devemos sempre respeitar as pessoas.

P 20: “o pátio era repleto de lixo, pois os alunos daqui jogava no chão, quando foram colocados os lixeiros em todo o pátio e após a apresentação da gente sobre o problema da poluição, isto modificou bastante, basta ver o corredor da escola como estar”

P 8: “Quando o monitor pediu para agente fazer o levantamento de quantos pratos de comida era jogando quase sem ser tocado pelos alunos, achei que não existiria nenhum, após a prática observei que muitos pegam o alimento e não comem nada, o pior é compreender que eles não comem porque preferem a carne e o restante como macarrão, arroz e feijão não gostam e joga fora, isso foi debatido no questionário nosso com os outros alunos da escola”.

Torna-se claro que uma atividade quando bem planejada pode contribuir para uma mudança de atitude e agregar novos valores e conhecimentos, isto foi, observado neste trabalho após a aplicação do programa de ensino com os alunos da 9ª série do ensino fundamental.

Assim o homem do passado, por conhecer o antigo, encarregou-se de preparar o do presente, assim como o do presente por conhecer o do passado encarrega-se de preparar, orientar, fiscalizar e desenvolver as atitudes e o cognitivo do homem do futuro, mostrando- o a melhor maneira de se relacionar com o meio ambiente que o mesmo faz parte.



REFERÊNCIAS



BARBOSA, Rita de Cássia Martins. O papel da educação ambiental na escola. Disponível em <www.santecresiduos.com.br/artigos/papel_edu.txt>. Acesso em 14/01/2009.

DIAS, Reinaldo. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

GUIMARÃES, Mauro. Educação ambiental: no consenso um embate? 5. ed. São Paulo: Papirus, 2000.

LOUREIRO. F.B, et all.Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. 3º. ed. São Paulo: Cortez, 2005.

LEFF, Enrique. A complexidade ambiental. São Paulo: Cortez, 2003.

. Racionalidade ambiental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

MENDONÇA, Francisco de Assis. Geografia e meio ambiente. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2005.

MENDONÇA, Francisco, et all. Climatologia. In: tópicos especiais em climatologia. São Paulo: Oficina de textos, 2007.

PARDO, Maria Benedita Lima. Princípios da educação: planejamento de ensino. Ribeirão Preto: Culto a ciência, 1997.

PESSOA, Gustavo Pereira; BRAGA, Rosalina Batista. Educação Ambiental escolar e qualidade de vida: desafios e possibilidades. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental/ Revista do PPGEA/FURG-RS, ISSN 1517-1256, v. 24, Janeiro a Julho de 2010. Disponível em <www.remea.furg.br/edicoes/vol24/art9v24.pdf>. Acesso em: 04 de outubro de 2010.

TAMIDJIAN, James Onnig. Geografia geral e do Brasil: estudos para compreensão do espaço.In: Quadro ambiental do planeta. São Paulo: FTD, 2004.

VESENTINI, J. William, et all. Geografia Crítica.31º. ed. São Paulo: Ártica, 2004.

ZANIRATO, Silvia Helena. Desafios para a conservação do patrimônio da humanidade diante das mudanças climáticas. Disponível em < www.ub.es/geocrit/xcol/378.htm>, acesso em 20/02/2009, Barcelona.



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