ISSN 1678-0701
Número 70, Ano XVIII.
Março-Maio/2020.
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Relatos de Experiências

No. 70 - 20/03/2020
PROJETO MARES LIMPOS: RELATO DE AÇÃO DE MUTIRÃO DE LIMPEZA DA PRAIA DO ERVINO – SÃO FRANCISCO DO SUL - SC  
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­­PROJETO MARES LIMPOS: RELATO DE AÇÃO DE MUTIRÃO DE LIMPEZA DA PRAIA DO ERVINO – SÃO FRANCISCO DO SUL - SC



Anelise Destefani1, Tania Maria Tonial2, Daniel Paulo Damin Ferro3, André Luis Fachini de Souza4



1Professora Doutora (Ciência e Tecnologia Ambiental) do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Araquari – anelise.destefani@ifc.edu.br

2Professora Doutora (Ciências) do IFC - Campus Araquari – tania.tonail@ifc.edu.br

3Técnico Administrativo (Engenheiro Ambiental) do IFC – Campus Araquari – daniel.ferro@ifc.edu.br

4Professor Doutor (Bioquímica e Biologia Molecular) do IFC – Campus Araquari – andre.fachini@ifc.edu.br



Resumo: Apesar de 70% da superfície da Terra ser coberta por oceanos, suas águas são bastante vulneráveis à influência humana, sendo observada uma grande quantidade de lixo, principalmente fragmentos de plásticos. Fatores como falta de coleta seletiva e descartes inapropriados por parte de banhistas e embarcações acarretam no contato desse tipo de resíduo com organismos marinhos e consequente problemas para o ecossistema. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho é relatar uma ação de limpeza da praia do Ervino – SC, promovida pelo Núcleo de Gestão Ambiental (NGA) do Instituto Federal Catarinense – Campus Araquari em parceria com voluntários da sociedade civil, em alusão ao Dia Mundial de Limpeza e em consonância com o Projeto Mares Limpos, da ONU. Participaram da ação aproximadamente 120 pessoas, as quais foram organizadas em grupos responsáveis pela coleta de resíduos sólidos na areia da praia, entre a região de arrebentação do mar e as bordas da área de restinga. As equipes cobriram uma extensão de 10 km de faixa de areia e coletaram aproximadamente 10 m3 de lixo. Ações que promovam o engajamento da sociedade em questões ambientais emergentes podem contribuir para a conscientização e a redução desse tipo de material nos oceanos.

Palavras-chave: Coleta, resíduos sólidos; praia do Ervino-SC.



Abstract: Despite 70% of the Earth's surface is covered by oceans, its water is very vulnerable to human influence, with a large amount of trash, especially plastic fragments. Factors such as lack of selective collection and inappropriate disposal by bathers and boats lead to the contact of this type of waste with marine organisms, and consequent problems for the ecosystem. In this regard, the objective of this work is to report an action of the Ervino – SC beach cleaning, promoted by the Environmental Management Center of the Instituto Federal Catarinense - Campus Araquari in partnership with civil society volunteers, referring to World Cleanup Day, and in line with the Clean Seas project from the UN. About 120 people participated in the action, which were organized in groups responsible for the collection of solid waste in the beach sand, between the sea breaking region and the edges of the sandbank area. The teams covered a 10 km stretch of sand and collected approximately 10 m3 of garbage. Actions that promote society's engagement in emerging environmental issues can contribute to raising awareness and reducing this type of material in the oceans.

Keywords: Collection; solid waste; Ervino-SC beach.



Introdução



O projeto Mares Limpos é uma ação da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada no Brasil em 2017, com o objetivo de diminuir o impacto do descarte de plásticos nos oceanos. No Brasil, a campanha busca a mobilização de governos, parlamentares, setor privado e sociedade civil para minimizar o descarte de plásticos e a utilização de microesferas de plástico em cosméticos e produtos de higiene (ONU, 2017).

Estudos desenvolvidos por Jakeck et al. (2015) estimam que são lançados nos oceanos cerca de 4,8 a 12,7 milhões de toneladas de plástico todos os anos. Essa problemática está relacionada com diversos fatores, porém a ineficácia da gestão dos resíduos sólidos, desde seu descarte inadequado por parte dos consumidores até a falta de estrutura para o descarte correto, representa uma das principais causas. Essa situação passa ainda pelo paradigma da falta de consciência e responsabilidade da sociedade em relação à sua produção de resíduos. Em cidades com alto volume de precipitação, o despejo irregular dos resíduos sólidos promove uma série de inconvenientes como enchentes que acarretam em perdas econômicas e danos à saúde humana.

O problema dos plásticos não passa apenas pela sua enorme quantidade lançada nos oceanos, mas também pela sua periculosidade devido a sua composição química. Análises de amostras de plásticos coletados no Pacífico Norte, em pontos das costas da Califórnia e Havaí, além do conteúdo regurgitado de albatrozes da ilha de Guadalupe, no México, revelaram a presença de policlorobifenilas (PCBs), pesticidas organoclorados (DDTs), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e hidrocarbonetos alifáticos. Essas substâncias são consideradas poluentes orgânicos persistentes (POPs) e os plásticos dispersos no mar atuam como absorventes, acumuladores e transportadores desses poluentes através da cadeia trófica (RIOS, MOORE e JONES, 2007).

Esses POPs apresentam elevada toxicidade para a biota em nível agudo e crônico. Tanabe (2004) cita como principais efeitos a desregulação endócrina, mutagenicidade e carcinogenicidade. Esses xenobióticos são persistentes no ambiente, com meias-vidas longas em solos, sedimentos, ar ou biota, promovendo efeitos biológicos para a saúde humana e prejuízos econômicos por longos períodos.

Em várias áreas costeiras foram identificados diferentes níveis de contaminação por microplásticos na água e em animais marinhos (NAIDOO e GLASSOM, 2019; NIE et al., 2019), mesmo em ecossistemas de áreas remotas como regiões da Antártida (BESSA et al., 2019).

Os microplásticos estão dispersos em todas as partes do planeta, já foram encontrados no ar, em ambientes terrestres, marinhos, reservas de água doce, inclusive na água de torneira e engarrafada, no sal marinho, no mel, na cerveja, nos frutos do mar e em peixes consumidos pelo homem e, por consequência, nas fezes humanas. Apesar de conhecidos desde a década de 1970, apenas em 2004 voltaram a ser tema de discussão científica, pelo potencial de alterar a biota e o ecossistema oceânico (JONES, 2019).

A maior parte das informações existentes atualmente são provenientes de análises de lixo recolhido em praias. O monitoramento dos detritos de plásticos é difícil devido à grande heterogeneidade espacial e temporal desse material e a limitação no entendimento das vias seguidas por esses plásticos e seus efeitos a longo prazo. Diferentes abordagens de monitoramento são necessárias como forma de padronização internacional. A amostragem no mar requer uma grande quantidade de água e o efeito do impacto pode ser monitorado por meio do efeito em aves e outros organismos marinhos. Já o monitoramento de descarte de resíduos de navios, nível de detritos em rios e águas pluviais possibilitam a verificação das fontes de plásticos que acessam o mar (RYAN et al., 2009).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são necessárias mais pesquisas a respeito dos impactos da exposição aos microplásticos e seus efeitos na saúde humana. Para isso será necessário o desenvolvimento de métodos padronizados para a medição das partículas dispersas na água, a determinação das fontes e a ocorrência em água potável (ONU, 2019).

Em 2015, líderes mundiais reunidos na sede da ONU, definiram um plano de ação, a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para erradicar a pobreza e proteger o planeta. Dentre eles, destacam-se saúde e bem-estar (objetivo 3), água potável e saneamento (objetivo 6), indústria, inovação e infraestrutura (objetivo 9) e vida marinha (objetivo 14), todos relacionados ao problema emergente dos detritos de plásticos em ambientes aquáticos e seus efeitos potenciais.

Aliado aos objetivos do milênio, ações no mundo inteiro têm desenvolvido práticas para erradicar ou diminuir a quantidade de resíduos lançados nos ecossistemas. Uma dessas ações é “O Dia Mundial da Limpeza” (World Cleanup Day), seu objetivo é promover a mobilização de voluntários para a limpeza de cidades, bairros, praias, praças e parques. Essa ação teve inicio em 2008 na Estônia, quando mais de 50 mil pessoas se uniram para fazer a limpeza de todo o país, coletando resíduos jogados ilegalmente em terrenos baldios. A ação incentivou outros países a se organizarem, atualmente o evento é anual, ocorre no mês de setembro e mobiliza ações em todo o planeta. No Brasil, a ação é organizada pelo Instituto Limpa Brasil, que tem como objetivo promover a conscientização da população brasileira para o problema do descarte irregular do lixo (INSTITUTO LIMPA BRASIL, 2019)

 Assim, o objetivo desse trabalho foi relatar uma ação envolvendo diferentes atores da comunidade para a limpeza da praia do Ervino-SC, localizada no município de São Francisco do Sul – SC, Brasil, como uma atividade do Dia Mundial da Limpeza.



Metodologia



A ação desenvolvida foi promovida pelo Núcleo de Gestão Ambiental (NGA) do IFC Campus Araquari e envolveu os estudantes do curso técnico em Química (3° ano) como atividade da disciplina curricular de Química Ambiental. Além dos estudantes, o trabalho contou com a colaboração da Organização não Governamental (ONG) Movimento Jovem Araquari, Grupo de Escoteiros de Araquari e apoio da Associação de Moradores da Praia do Ervino-SC.

O local utilizado para a execução desta ação foi a Praia do Ervino, situada no município de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, entre as praias da Enseada e Balneário Barra do Sul. Possui mais de 30 km de extensão e desenvolvimento urbano acelerado nos últimos anos.

A ação foi realizada no dia 28 de setembro de 2019 no período da manhã, com início das atividades às 9h e recolhimento dos resíduos coletados às 13h. A data de execução da atividade foi escolhida em alusão ao Dia Mundial da Limpeza (World Cleanup Day), uma ação mundial que visa promover a mobilização de voluntários para a limpeza de diversos ambientes (Figura 1).



Figura 1 - Divulgação da ação na internet.

Fonte: http://noticias.araquari.ifc.edu.br/ifc-araquari-participara-do-projeto-mares-limpos-onu-meio-ambiente/



Delimitação dos Espaços de Coleta



O mapeamento da área de ação foi feito previamente por meio do reconhecimento da orla, identificando os pontos de acesso à praia, pois existe uma área de restinga densa que limita esse acesso. Foram identificados 10 pontos com distâncias aproximadas de 1.000 metros entre eles (Figura 2). Um mapa identificando o local de encontro, as distâncias e os pontos de acesso, foi elaborado para facilitar o deslocamento das equipes. Placas numeradas de 1 a 20, com setas indicando os sentidos (direita e esquerda) de coleta, foram fixadas na orla nos pontos de acesso à praia.

Figura 2 Esquema de organização da ação de coleta de lixo. A faixa de areia (10 km) compreendida entre o mar e a restinga foi dividida em 10 regiões de aproximadamente 1 km de extensão (1 a 10). As setas indicam as direções de cada grupo de coleta.



Fonte: Google Maps e Autores (2019).



Os voluntários foram orientados para efetuarem o cadastro no site Limpa Brasil (limpabrasil.org), na ação desenvolvida pelo município de Araquari. Esses dados foram importantes para a organização de equipamentos de coleta e materiais de proteção individual (EPI). Foi criado um grupo no WhatsApp para repasse de informações, definição do local de encontro, data de realização da ação, e o horário de início de atividades. Os voluntários foram orientados quanto a utilização de roupas leves, protetor solar, boné e sapato confortável e fechado.

No dia do encontro, os voluntários foram organizados em grupos de aproximadamente seis pessoas e cada grupo recebeu um trecho (1 a 20) para realizar a coleta. Cada equipe recebeu sacos de lixo de 200 litros e luvas de proteção.

Foi efetuada uma exploração a pé, paralelamente à linha do mar, cobrindo uma área de aproximadamente 10 km de extensão, entre o mar e a área de restinga, caracterizando o método de catação. Foram coletados resíduos prioritariamente da faixa de areia, porém também foram coletados materiais na área de arrebentação do mar e das bordas da faixa de restinga.

Após a coleta, os materiais foram recolhidos por um caminhão coletor e encaminhados para Companhia de Limpeza Urbana e Saneamento local, a qual possui um setor de reciclagem.

A partir da ação, o NGA do IFC Campus Araquari desenvolveu uma dinâmica utilizando a técnica da tempestade de ideias para discutir os pontos fortes e fracos da ação, bem como as oportunidades de melhoria para as próximas edições e a elaboração de ideias para projetos de pesquisa e extensão.



Resultados



A Baía da Babitonga (26º 02' - 26º28'S e 48º 28' - 48º50'W) está situada no litoral norte de Santa Catarina, sendo considerada o maior estuário do estado, compreendendo os municípios de Araquari, Barra do Sul, São Francisco do Sul, Garuva e Joinville. Possui aproximadamente 7.267,7 ha e representa a maior concentração de manguezais de Santa Catarina (85 km2), com grande potencial pesqueiro e turístico. Com o fechamento do Canal do Linguado em 1936 (Figura 2), a Baía da Babitonga foi dividida em dois estuários, a porção sul, com menor dimensão hidrodinâmica e a porção norte, contendo maior capacidade e 24 ilhas (SILVA, 2001; ENGEL et al., 2017).

A praia do Ervino é uma das praias do município de São Francisco do Sul, localizada em mar aberto (Figura 2), na ligação da porção sul da Baía da Babitonga com o mar, possui mais de 30 km de extensão e está localizada a 55 km da cidade de Joinville-SC. Sua ocupação tem cerca de 50 anos, possui aproximadamente 1.500 residências, pouca infraestrutura e recebe, principalmente, adeptos de surfe e pesca.

Apesar de pouco habitada, existem relatos de lixo na orla da praia, com destaque para restos de madeira, latas, vidro e principalmente plásticos (garrafas pet, frascos de desodorante, xampu, produtos de limpeza, entre outros), proveniente de rios em períodos de chuvas (REDAÇÃO NSC, 2008).

Um estudo efetuado na Praia Grande, localizada ao norte da praia do Ervino, na ilha de São Francisco do Sul, coletou 137,13 kg de lixo marinho em 500 metros de extensão, sendo que 79,19% era composto por material plástico (STELMACK et al., 2018).

Adicionalmente, no Dia Mundial do Meio Ambiente, um mutirão de limpeza das ilhas da Babitonga, localizadas no estuário norte, envolveu cerca de 100 pessoas e recolheu mais de 800 kg de lixo (PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO FRANCISCO DO SUL, 2019).

Em 2018, um grupo de alunos do Instituto Federal Catarinense realizou uma ação similar na orla da Praia do Ervino, coletando cerca de 50 sacos de 200 litros de resíduos sólidos, observando-se a presença de televisão velha, para-choques de veículos, entre outros tipos de resíduos (DESTEFANI, 2018).

Nas praias da região, bem como ao longo da Baía da Babitonga, grande parte dos resíduos sólidos observados são provenientes da falta de consciência e atitude sustentável das pessoas, muitas vezes descartados de forma equivocada pela sociedade. Uma parte é proveniente de descartes inapropriados de embarcações ou detritos que chegam às praias pela ação de correntes marítimas.

De acordo com a Agenda 2030, o objetivo 14 – Conservação e uso sustentável dos oceanos, busca reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos até 2025. Entretanto, apesar de movimentos de restrição e até mesmo banimento de alguns tipos de poluentes como canudos plásticos, o caminho é o uso consciente e educação quanto ao descarte sustentável.

Assim, em consonância com a agenda 2030, e buscando o envolvimento da comunidade em causas que despertem a consciência ambiental, a ação de coleta realizada neste relato agregou cerca de 120 voluntários inscritos, incluindo parte da comunidade acadêmica do IFC Campus Araquari, ONG, Grupo de Escoteiros de Araquari e membros da comunidade local (Figura 3).



Figura 3 Mutirão de limpeza da praia do Ervino, São Francisco do Sul – SC. (A) Voluntários reunidos antes do início das atividades; (B) Equipes em ação; (C) Recolhimento do lixo reunido.

Fonte: Autores (2019)

A coleta realizada nesta ação reuniu um volume de aproximadamente 10 m3 de lixo (Figura 3C), compreendendo restos de madeira, vidro, metal e, principalmente, plásticos, com predomínio de embalagens de alimentos e produtos de limpeza, sendo observada uma grande quantidade de tampas plásticas e detritos de plásticos com diâmetro médio menor ou igual a 5 mm, caracterizando a presença intensiva de microplásticos.

O envolvimento da comunidade na ação pressupõe que o ato de coletar lixo faz o indivíduo refletir sobre suas atividades perante o ecossistema. As mudanças comportamentais, essenciais para o equilíbrio ecossistêmico, podem ser atribuídas às mudanças de comportamento individual dos sujeitos com seu questionamento sobre o atual modelo de relação sociedade-natureza, oportunizando uma reflexão crítica da realidade social e, consequentemente, ambiental (BRUGGER, 2004; AMARAL, 2018).

O Dia Mundial da Limpeza de 2019 partiu da ilha de Fiji e terminou no Havaí 24 horas depois. Essa ação envolveu 20 milhões de pessoas em 180 países e territórios, com um incremento de 11% e 13% no número de pessoas e países envolvidos em relação a 2018, respectivamente. No Brasil, foram mais de 1.200 cidades e 300 mil voluntários, a 10ª posição no ranking de maior número de participantes (LIMPA BRASIL, 2019). No Estado de Santa Catarina foram 90 ações em 53 cidades (DIA MUNDIAL DA LIMPEZA, 2019).

Apear de toda a mobilização feita ainda faltam pesquisas e avaliações de realizações de sucesso de ações sustentáveis. As Nações Unidas de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (UNESCO, 2014) tem enfatizado a necessidade de mais pesquisa, inovação, monitoramento e avaliação para desenvolver boas práticas de ações sustentáveis e provar sua eficácia.

Apresentar resultados de ações sustentáveis são oportunidades para a melhoria contínua, indicando quais abordagens e processos são mais eficazes (CINCERA et al., 2012). Na escola, a abordagem da sustentabilidade reflete nas "boas práticas" e influencia positivamente os estudantes.



Considerações Finais



A ação de limpeza da praia do Ervino-SC, uma ação em alusão ao Dia Mundial da Limpeza, contou com a participação de 120 voluntários e coletou um montante de aproximadamente 10 m3 de resíduos sólidos da faixa de areia compreendida entre o mar e a área de restinga da praia.

O material coletado era composto de pedaços de madeira, vidro, metal e principalmente material plástico proveniente de embalagens diversas como de alimentos e produtos de limpeza. Também, as equipes de coleta observaram uma grande quantidade de detritos plásticos de pequenos diâmetros, caracterizando a presença de microplásticos.

A exemplo das microesferas de plásticos, que individualmente são tão insignificantes, mas que coletivamente estão atualmente ameaçando o ecossistema marinho, ações de limpeza de praias podem parecer pequenas diante da dimensão do problema, mas coletivamente podem contribuir para a mitigação e até mesmo reversão do quadro que se apresenta. Além disso, o engajamento da comunidade na ação aproxima as pessoas do problema, resultando em um maior comprometimento com a preservação do ambiente marinho.

O Núcleo de Gestão Ambiental do IFC Campus Araquari, em consonância com a agenda 2030 e as finalidades dos Institutos Federais, de promover a produção, o desenvolvimento e a transferência de tecnologias sociais, voltadas, inclusive, para a preservação do meio ambiente, buscou por meio dessa ação o engajamento da comunidade para a causa ambiental, além de trazer a perspectiva do desenvolvimento de projetos de pesquisas acerca do tipo de lixo e origem do mesmo nas praias da região.



Agradecimentos



Este trabalho contou com o apoio e patrocínio de Polastro Supermercados, Pasta Madre, Silva e Porto Soluções Ambientais, Associação de Familiares e Servidores do IFC Campus Araquari (AFAS) e Associação de Moradores do Ervino.



Referências Bibliográficas



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BESSA, F.; RATCLIFFE, N.; OTERO, V.; SOBRAL, P.; MARQUES, J.C.; WALUDA, C.M.; TRATHAN, P.N.; XAVIER, J.C. Microplastics in gentoo penguins from the Antarctic region. Sci. Rep., v. 9, n. 1, p. 14191, 2019.

BRUGGER, P. Educação ou adestramento ambiental? 2 ed. Florianópolis: Argos, 2004.

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