ISSN 1678-0701
Número 70, Ano XVIII.
Março-Maio/2020.
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No. 70 - 20/03/2020
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O PROTAGONISMO DA INTERDISCIPLINARIDADE OU MERA COADJUVÂNCIA DE DISCIPLINAS  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O PROTAGONISMO DA INTERDISCIPLINARIDADE OU MERA COADJUVÂNCIA DE DISCIPLINAS





1 Adriana Rocha Furtunato do ESPIRÍTO SANTO, 2 Bruna Silveira SCHULTZ, 3 Marinês de Oliveira MENDES ,4 Valdecy de Oliveira dos SANTOS,



Mestranda pela Faculdade Vale do Cricaré Educação – FVC E- mail: adrianarochafurtunato@gmail.com

2 Mestranda em Ciência, Tecnologia e Educação – FVC E-mail:bruna.schultz@hotmail.com

3 Mestranda em Ciência, Tecnologia e Educação – FVC E-mail:marinesmendes12@hotmail.com

4 Mestrando pela Faculdade Vale do Cricaré Educação – FVC E- mail: vosan@ig.com.br



RESUMO



Estamos vivendo uma época de que muito se fala a respeito do meio ambiente, sua preservação e contribuição dos cidadãos para as gerações futuras. A escassez da água, a seca que assola o planeta, o aquecimento global e a extinção de várias espécies acendem um alerta de que a sociedade ao mesmo tempo que evoluiu e conquistou a tecnologia, também degradou o meio ambiente e vive um colapso ambiental. As escolas, formadoras de profissionais e cidadãos de valores éticos, sociais e agentes transformadores, têm sua responsabilidade de alertar essa geração de que o meio ambiente precisa da atenção de todos e que todos têm um papel social de preservação, uma vez que os estudos voltados para o meio ambiente ocupam, muitas vezes, um papel coadjuvante de alguma disciplina, o que o torna assunto de menos importância.



Palavras-chave: Educação ambiental, escola, coadjuvante.



ABSTRACT

We are living in a time of much talk about the environment, its preservation and the contribution of citizens to future generations. Water scarcity, drought plaguing the planet, global warming, and the extinction of various species are a warning that while society has evolved and conquered technology, it has also degraded the environment and is experiencing environmental collapse. Schools, educators of professionals and citizens of ethical, social values ​​and transforming agents, have their responsibility in alerting this generation that the environment needs the attention of all and that everyone has a social role of preservation, however studies focused on The environment often plays a supporting role in some discipline, which makes it a minor matter.



Keywords: Environmental education, school, coadjuvant.



1 INTRODUÇÃO

Atualmente muito se fala sobre a importância da preservação do meio ambiente e do despertar de uma consciência ecológica na população, pois os estudos revelam que o meio ambiente está demonstrando cada vez mais sua fragilidade diante do avanço tecnológico e devastação realizada pelo homem moderno.

Digamos que a corrida pelo avanço tecnológico, a propagação da qualidade de vida e o capitalismo desenfreado, vem trazendo junto consigo a maior destruição das fontes vitais do planeta Terra (água, ar, alimento), e, o homem muitas vezes, envolvido com sua vida rotineira não percebe que esses recursos naturais são finitos e que ele mesmo sofrerá o caos de uma natureza destruída.

A preocupação com os problemas ambientais passou a ser tema de diversas discussões, por parte dos governantes. E, com isso, algumas ações tiveram que ser tomadas para que as futuras gerações tenham acesso a uma natureza preservada.

No entanto, este tema não pode ficar restrito às salas de reuniões, ou apenas escrito nos livros didáticos das escolas, ele requer ação, movimento, protagonismo dos cidadãos para mudarem essa situação de destruição ambiental/planeta para uma postura de preservação, exigência de leis que colocam o meio ambiente como alicerce da humanidade. E quem seriam os agentes transformadores desta geração que se insere no processo de destruição e ao mesmo tempo vive o avanço tecnológico que empodera tanto o homem? A escola. A ação transformadora da consciência ambiental deve ter seu papel fundamentado na família e na escola. Pois esta última abarca não só a formação de profissionais e cidadão críticos, mas de cidadãos valorosos e que percebem a real necessidade de mudar alguns hábitos em prol da sobrevivência do planeta.

É fundamental, portanto, que os professores se engajem neste tema, e tomem conhecimento do seu papel transformador da sociedade. O meio ambiente precisa de protagonistas, pessoas capazes de fazerem um trabalho diferenciado de educação ambiental, e que de fato acreditem que essa ação deva ser feita em equipe, e que todos têm um papel fundamental na jornada de preservação ambiental.





2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PROTAGONISMO DAS AÇÕES INTERDISCIPLINARES

Antes de falarmos de projetos interdisciplinares e protagonismo da Educação Ambiental é importante sabermos a concepção dos professores e alunos a respeito dessa educação e a visão sobre o meio ambiente que cada um possui, pois de certa forma tais conhecimentos serão o ponto de partida para um estudo mais aprofundado e uma prática eficaz dentro e fora dos muros da escola. Além disso, as atitudes e os procedimentos das pessoas nos diversos ambientes que vivenciam são influenciados por suas concepções.

Dessa forma, é preciso que toda a equipe escolar reveja suas práticas e metodologias para que se aumente, então, o percentual de educandos com visão globalizante de meio ambiente, e se sintam parte desse meio, exercendo a cidadania de responsabilidade com os aspectos ambientais seja dentro ou fora da escola.

No processo interdisciplinar não se ensina nem se aprende: vive-se, exerce-se. A responsabilidade individual é a marca do projeto interdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do envolvimento – envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si, às pessoas e às instituições a ele pertencentes. (FAZENDA, 2005, p. 17).



Nesse âmbito, é necessário que a interdisciplinaridade seja entendida como um processo tanto individual quanto coletivo e que a solução dos problemas aconteça principalmente na relação com os outros.

A Educação Ambiental como protagonista no processo de ensino-aprendizagem deve ser pautada de acordo com a realidade vivenciada pelos alunos e não de simulação. Que os conflitos que aparecem sejam trabalhados em atividades democráticas, dialógicas e dinâmicas, fundamentadas pela práxis, e que resultem na redução dos impactos ambientais.

É importante ressaltar que ao vociferarmos o professor como protagonista neste processo, determinamos o protagonismo como sujeito ativo, principal do processo ensino aprendizagem. O professor como “personagem” que se destaca neste processo de construção no saber e estimulo da participação dos alunos. Ao contrário disto, definimos coadjuvante, o “personagem” que não se impõe, que não se destaca, que não demonstra interesse na ação do trabalho com a educação ambiental, trabalhando apenas quando solicitado ou para comprimir um currículo pré-determinado.

Cabe, portanto, aos professores trabalharem unidos aos seus alunos na busca de soluções para os problemas por eles apresentados, promoverem debates que os instiguem a pensar, de construir a partir das decisões tomadas pelo grupo, definir funções para que cada educando exerça sua contribuição e se posicione no coletivo de forma ativa e altruísta como sujeito agente do processo de ensinar e aprender.

Tais ações corroboram para que os estudos apreendidos na escola sejam compartilhados entre os colegas e também no ambiente familiar. Afinal, o objetivo de se trabalhar a Educação Ambiental é justamente a mudança de valores e atitudes, além de estimular a consciência de que a responsabilidade pelo meio em que vivemos é de todos nós.



3 A AÇÃO INTERDISCIPLINAR DOS EDUCADORES

As articulações dos conteúdos e das disciplinas nos encaminhamentos pedagógicos no espaço escolar, bem como a valorização dos conhecimentos prévios dos alunos contribuem, de maneira geral, para um aprendizado mais significativo. Isso se dá uma vez que essa prática pedagógica possibilita ressignificar e reestruturar os saberes constituídos.

Carvalho (1998, p. 37) afirma que:

Conhecimentos de ciências, matemática, geografia, história, português podem ser acionados para a compreensão e a discussão sobre o entorno ambiental. O passeio pelo bairro, pela escola, ou até mesmo uma boa olhada nas condições da sala de aula podem ser um ótimo exercício para aprender a olhar com novos olhos aquilo que vemos diariamente, como se fosse apenas um cenário no qual se desenrolam nossas vidas. Muito mais que uma cena estática, o nosso meio ambiente cotidiano está em permanente mutação, é dinâmico e fazemos parte dessa dinâmica.

Muitas instituições escolares trabalham de forma interdisciplinar, principalmente por meio de projetos, com os alunos. Geralmente, um tema é abordado, nesse caso a Educação Ambiental, e cada professor conforme a área específica trabalha atividades relacionadas a cada uma delas. Mediante as orientações, os alunos pesquisam sobre o tema, participam de palestras, debates, confeccionam cartazes e lixeiras, fazem produções de textos para participarem posteriormente de concursos, visitam lugares específicos que abordam a temática, enfim realizam oportunidades de conhecimentos.

No entanto, estudos mostram que em relação à metodologia usada pelos professores para trabalhar a Educação Ambiental, percebe-se que a maioria pede para que os alunos realizem pesquisa. Em seguida, têm-se as leituras. Jogos e brincadeiras é a metodologia menos usada pelos professores.

Faz-se necessário que os professores conjuntamente e por intermédio da interdisciplinaridade, utilizem novas metodologias que trabalhem a Educação Ambiental visando o ambiente imediato com seus problemas reais e atualizados. Sobretudo tenham como objetivo desenvolver práticas pautadas numa possibilidade de transformação de valores, hábitos e atitudes, de forma que sejam estimuladas e promovidas continuadamente e não tão somente durante o período destinado ao projeto institucional, mas sim uma prática contínua que demonstre real conscientização. O homem precisa sair do pedestal de senhor da natureza e demonstrar atitudes ativas como participante efetivo do meio ambiente, demonstrando a sua necessidade na preservação e cuidado da natureza e das demais espécies.

Aponta-se a necessidade de reconstrução da relação homem-natureza, a fim de derrubar definitivamente a crença do homem como senhor da natureza e alheio a ela e ampliando-se o conhecimento sobre a natureza se comporta e a vida se processa” (BRASIL, 1997, p.45).

Portanto, é válido ainda que o aluno compreenda que o conhecimento adquirido na escola precisa ir além, e principalmente manifestar uma postura de atitude e de mudança perante os problemas ambientais e não se isentar das obrigações como cidadão, pois como popularmente se ouve: “Saber e não fazer é o mesmo que não saber”.



3.1 PROPOSTAS DE RECURSOS PEDAGÓGICOS – TECNOLOGIA A SERVIÇO DO PROTAGONISMO INTERDISCIPLINAR

Sabemos que a tecnologia é uma realidade no mundo e que ela, como já citada anteriormente, foi um dos motivos pelo qual o homem destruiu o planeta. Quanto mais o homem avançou tecnologicamente, buscando mais e mais a qualidade de vida a natureza foi sendo destruída e esquecida por muitos, e como então fazer desta ferramenta um recurso para ajudar o meio Ambiente?

A tecnologia hoje é uma das ferramentas de trabalho mais eficazes que podemos ter dentro da sala de aula, pois é a realidade dos nossos alunos e é algo que eles têm como prazeroso.

ARAÚJO (2005) afirma que:

O valor da tecnologia na educação é derivado inteiramente da sua aplicação. Saber direcionar o uso da Internet na sala de aula deve ser uma atividade de responsabilidade, pois exige que o professor preze, dentro da perspectiva progressista, a construção do conhecimento, de modo a contemplar o desenvolvimento de habilidades cognitivas que instigam o aluno a refletir e compreender, conforme acessam, armazenam, manipulam e analisam as informações que sondam na Internet. (2005, p. 23-24)

O uso da tecnologia poderá ir além de simples pesquisas, basta que o professor, que neste processo será um mediador, planeje-se para usá-la a seu benefício e ao beneficio do Meio Ambiente.

O trabalho com a Educação Ambiental pode ser iniciado com a utilização de vídeos sobre o tema: a poluição, o desmatamento, o descarte inadequado do lixo, a ação devastadora do homem sobre a natureza, a extinção da fauna, a consequência que isso trará as gerações futuras. Em seguida deste momento motivacional, os debates as discussões sobre o tema, o professor mediador poderia utilizar a tecnologia como amplificação do seu trabalho, isto é, usar a tecnologia para conscientizar outras turmas da escola, a comunidade onde a escola está inserida, o bairro, o município, etc.

Existem diversas possibilidades de explorar o potencial pedagógico da inserção dos computadores na educação, porém, cabe ao professor saber como usar pedagogicamente a informática educacional, por meio de seus aplicativos, softwares e objetos educacionais. Bem como os recursos de interação e colaboração gratuitos e disponíveis na Internet, como os blogs, fotologs, wikis, redes sociais, fóruns e grupos de discussões, publicação de vídeos e apresentações, entre outros, o professor deve ser o mediador no processo de integração destas mídias ao fazer docente (MACHADO & FRUET, 2011).

Os alunos, inseridos neste mundo virtual, envolvem-se cada vez mais em projetos que usam a tecnologia como ferramenta, e esse envolvimento é de estrema importância para um projeto que tem como produto final a mudança de uma postura em relação ao Meio Ambiente. A propagação do projeto também ganha uma amplitude maior do que as formas clichês de trabalho: cartazes, desenhos, produção de textos.

Os blogs, as redes sociais, podem sim ser utilizados como ferramenta tecnológica do projeto, eles não podem ser descartados pelos professores e vistos apenas como entretenimento.

Outra proposta pedagógica para a utilização da tecnologia seria o uso do celular, que tanto atrai a atenção dos alunos, como ferramenta de fotografia e câmera para gravação de vídeos do Meio Ambiente.

Por exemplo, os alunos poderiam fotografar/ filmar locais em sua comunidade em que o Meio Ambiente está devastado, a ação do homem destruindo estes espaços e posteriormente propor a comunidade uma ação de preservação, limpeza destes locais e outras ações significativas.

Como vemos existem infinitas possibilidades para trabalhar o tema de Educação Ambiental e protagonizar as diversas disciplinas neste cenário acadêmico. Basta que para isso, todos se envolvam e queiram fazer um trabalho diferenciado e interativo para os alunos.

4 METODOLOGIA DA PESQUISA APLICADA

O método de procedimento adotado caracterizou-se por um estudo de campo, onde foram analisados os conhecimentos e práticas da Educação Ambiental de 14 professores de uma escola que atende da Educação Infantil ao Ensino fundamental. Esta pesquisa caracterizou-se por ser de natureza quali quantitativa, pois após a tabulação e interpretação dos dados foram avaliados de forma quantitativa através das tabelas e ilustrações.



5 ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS

Esta pesquisa demonstrou que 60% dos professores trabalham a educação ambiental apenas quando são solicitados por meio de projetos pedagógicos, que 26% utilizam como ferramenta de trabalho a pesquisa e que 87% percebem sua disciplina como coadjuvante no processo educacional.



CONCLUSÃO

Conclui-se que os professores entendem que o tema de Educação Ambiental é importante e deve ser trabalhado por todos, mas que ainda existe uma limitação por parte dos docentes, geralmente o trabalho com a Educação Ambiental só ocorre, por meio de projetos pedagógicos solicitados pelo pedagogo e que se limita a pesquisas, logo se percebe uma coadjuvância de várias disciplinas no trabalho com o tema.



REFERÊNCIAS



ARAÚJO, Rosana Sarita de. Contribuições da Metodologia WebQuest no Processo de letramento dos alunos nas séries iniciais no Ensino Fundamental. In: MERCADO, Luís Paulo Leopoldo (org.). Vivências com Aprendizagem na Internet. Maceió: Edufal, 2005.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente e Saúdes-temas transversais. Brasília: Mec. /SEF, 1997. V 9.

__________. Ministério da Educação - MEC, Secretaria da Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: ciência da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília, 2002.

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Em Direção ao Mundo da Vida:

Interdisciplinaridade e Educação Ambiental. Brasília: IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, 1998.

FAZENDA, Ivani (Org.). Práticas Interdisciplinares na Escola. 10ª ed., São Paulo: Cortez, 2005.

MACHADO, N. P. D.; FRUET, F. S. O. Informática educacional e recursos da Web 2.0 na prática docente. 2011 NICOLESCU, Basarab et al. Educação e transdisciplinaridade. Brasília: UNESCO, 2000 (Edições UNESCO).

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