ISSN 1678-0701
Número 70, Ano XVIII.
Março-Maio/2020.
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Relatos de Experiências

No. 70 - 20/03/2020
O MANGUE E AS PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS: AULA PRÁTICA EM CAMPO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NO CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE EM SÃO CAETANO DE ODIVELAS – PA  
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O MANGUE E AS PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS: AULA PRÁTICA EM CAMPO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NO CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE EM SÃO CAETANO DE ODIVELAS – PA

Waddle Almeida Nascimento¹

¹Professor da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará de Vigia de Nazaré, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais – Polo UFPA. waddle.nascimento@gmail.com



Resumo

Este trabalho é um relato de experiência de uma aula de campo de uma turma de ensino médio integrada ao ensino técnico em Meio Ambiente da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará – EETEPA Vigia de Nazaré, com foco no Manguezal e as problemáticas ambientais. Os alunos são do 3º ano do ensino médio integrado ao ensino técnico A metodologia foi qualitativa, de natureza exploratória. Como resultados verifica-se a importância da aula de campo e da ligação dos conceitos trabalhados em sala de aula com a realidade. Conclui-se que o ensino na prática torna a aula mais interessante e a forma de absorver os conteúdos mais efetiva.

Palavras-chave: Aula prática; Mangue; Urbanização.

Abstract

This paper is an experience report of a field class of a high school class integrated in the technical education in Environment of the State of Para Technical Education School - EETEPA Vigia de Nazaré, focusing on the Mangrove and environmental problems. Students are from the 3rd year of high school integrated to technical education. The methodology was qualitative, with a nature exploratory. Results show the importance of field class and the connection of the concepts worked in the classroom with reality. It is concluded that teaching in practice makes the class more interesting and the way to absorb the content more effective.

Keywords: Practical class; Mangrove; Urbanization.



  1. INTRODUÇÃO

A busca em estratégias de ensino que proporcionem uma relação fluente entre teorias apresentadas em sala de aula aumentam cada vez mais, visto que objetiva destacar a realidade social, cultural, e ambiental do aluno. Ensinar não é apenas à transmissão conhecimentos ou conceitos, mas sim, conseguir relacionar conteúdo com a realidade e vivência do educando (COELHO & SOUSA, 2015; SILVA & NAVARRO, 2012).

Compreende-se que ensinar é um ato social, pois envolve relações com outras pessoas, e por isso, o educador não deve se preocupar somente com o conteúdo, mas com todo o processo de construção.

No curso Técnico de Meio Ambiente, as aulas práticas podem ser um grande mecanismo metodológico no processo de ensino-aprendizagem. Somam-se a isso, a metodologia interdisciplinar que pode ser inserida em uma única aula-prática, contribuindo dessa forma para ampliar o horizonte de conhecimento teórico-prático dos discentes do Curso Técnico em Meio Ambiente (BARROSO et al, 2018).

Neste sentido, este artigo tem por objetivo apresentar um relato de experiência de uma aula de campo em uma parte do mangue localizado no município de São Caetano de Odivelas, com alunos da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará de Vigia de Nazaré.

  1. METODOLOGIA

A presente pesquisa foi baseada no processo exploratório, na qual foi utilizada uma abordagem qualitativa que favorece a compreensão do assunto a partir da investigação realizada com os participantes (LÜDKE e ANDRÉ, 1993).

A aula de campo aconteceu no dia 14 de agosto de 2019, no município de São Caetano de Odivelas – PA, mais precisamente na chácara Morada do Sol. Participaram desta aula de campo 25 alunos, dois professores e um educador popular que conduziu os alunos e professores.

O objetivo desta aula de campo foi debater sobre a importância ambiental e social do sistema do Mangue e as problemáticas ambientais que afetam o mesmo.

  1. RESULTADOS E DICUSSÕES

Ao chegar a Chácara, os alunos foram convidados a conhecer a área de mangue o qual se busca manter preservada pelo proprietário do local (Figura 1).

Figura 1 Acesso dos educandos ao Mangue.

Logo de início os educandos foram questionados se existia a diferença entre “Mangue” e “Manguezal”, ficou evidente que os alunos detêm um conhecimento relativo (parcialmente satisfatório), incluindo conceitos ecológicos sobre este ambiente, embora não tenham sabido diferenciar as palavras “manguezal” e “mangue”, onde a maioria respondeu insatisfatoriamente, afirmando serem sinônimos ou “um lugar cheio de lama”, numa visão depreciativa, poucos foram os que relacionaram “espaço de reprodução de espécies”.

Quando questionados sobre as plantas presentes no mangue, a maioria dos alunos demonstrou um desconhecimento parcial ou total sobre suas diferenças em relação às plantas do ambiente terrestre, alguns achando que “o mangue é uma vegetação de água doce ou poluída” ou que “as plantas do manguezal vivem na lama e têm aspecto saudável”.

Neste sentido, o educador popular que acompanhou o grupo passou a explicar sobre o mangue, suas relações e principais aspectos (Figura 2).

Figura 2 Educador popular e os educandos.

Percebeu-se que todos os alunos compreendem a importância econômica do Mangue, acredita-se que este fato ocorre devido São Caetano de Odivelas ser um município que apresenta como principais atividades econômicas a pesca e a coleta do caranguejo. Por outro lado, verificou-se que a concepção ecológica do Mangue não foi muito satisfatória.

Após a apresentação do educador popular, foi perguntado aos educandos “quais seriam os principais problemas ambientais que os mangues sofrem?”, dentre as respostas obteve-se: o lixo; o lançamento de esgoto sem tratamento; o aterramento para a construção de casas.

Um dos educandos foi além em sua resposta e disse “todas as atividades do ser humano podem gerar problemas ao mangue, e isso é perigoso, pois como vimos, ele tem um papel ecológico muito importante para a sociedade e para a região”.

Um outro educando afirmou que “essa aula foi muito importante para eu entender para que serve de verdade o mangue e que devemos preservar ele... se eu não estivesse aqui com os pés dentro dessa água, iria continuar achando que aqui é apenas um lugar cheio de lama”.

  1. CONCLUSÃO

Compreendeu-se que o ensino não depende exclusivamente da fluência de conteúdos ou da mediação de conhecimento, mas também está relacionado à valorização das expressões de vivências pessoais e interação do educando com a realidade, tornando aquilo que é discutido em sala, mais real e palpável. Assim, é papel do educador é o de estimular as conexões entre as vivências pessoais e os conceitos ecológicos em ações de educação ambiental, levando o educando a vivência do mundo real (GAZZINELLI, 2002).

A atividade de campo demonstrou eficácia na transferência dos conceitos ecológicos sobre o ecossistema Mangue, seus conceitos e problemáticas, valendo-se do método de aproveitar o conhecimento cotidiano dos alunos e de tornar o conhecimento palpável.

  1. REFERENCIAS

BARROSO, D. F. R. BARBOSA, J. F. BEZERRA, G. do R. CARDOSO, E. C. M. Aula prática em campo como ferramenta pedagógica interdisciplinar no curso técnico em meio ambiente em Curuça – PA. Revista Educação Ambiental em Ação. n, 63. 2018.

COELHO, A. S. SOUSA, J. B. Estudo do ecossistema manguezal em uma abordagem CTS com alunos de uma escola pública do município de Serra – ES. Trabalho de conclusão de curso. Vitória. 2015.

GAZZINELLI, M. F. Representações do professor e implementação de currículo de educação ambiental. Cadernos de Pesquisa, n. 115, p.173-194, 2002.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1993.

SILVA, O. G.; NAVARRO, E. C. A Relação professor-aluno no processo ensino aprendizagem. Revista Eletrônica Interdisciplinar, v. 2, n. 8, 2012.





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