ISSN 1678-0701
Número 72, Ano XIX.
Setembro-Novembro/2020.
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Relatos de Experiências

No. 72 - 03/09/2020
UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO LEVANTAMENTO DE MAMÍFEROS DA MATA ATLÂNTICA NO SUL DE MINAS GERAIS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.  
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UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO LEVANTAMENTO DE MAMÍFEROS DA MATA ATLÂNTICA NO SUL DE MINAS GERAIS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

Talita Nazareth de Roma1, Regiane Aparecida Negri2, Daniela Rocha Teixeira Riondet-Costa3

1Laboratório de Educação Ambiental e Sustentabilidade, Universidade Federal de Itajubá. Minas Gerais. E-mail: tnroma@gmail.com

2IFSULDEMINAS campus Inconfidentes. Minas Gerais. E-mail:rebionegri@gmail.com

3Instituto de Recursos Naturais, Universidade Federal de Itajubá- Minas Gerais- E-mail: danilea.unifei@gmail.com



Resumo: O presente trabalho teve como objetivo geral, utilizar dados de mamíferos do fragmento de Mata Atlântica no sul de Minas Gerais como instrumento de Educação Ambiental, através de atividades pontuais na educação Infantil. A pesquisa buscou através da sensibilização ambiental compreender como crianças expostas a aprendizagem significativa de interação ao meio ambiente, podem adquirir conhecimento e buscar entender como estas informações e aprendizagens podem transpor a sala de aula. Foram trabalhadas atividades como palestras, oficinas e aulas práticas utilizando recursos a partir de sons, imagens de mamíferos e a interação do aluno com o meio ambiente no período de março à maio de 2019, visando garantir a formação de multiplicadores do conhecimento de forma sensibilizada na área de meio ambiente. Observou-se e identificou-se conceitos de sensibilização nas crianças participantes do projeto. Esperamos que à longo prazo teremos adultos mais conscientizados de seu papel dentro da sociedade e de sua coexistência com a natureza.

Abstract: The present work had as general objective, to use data of mammals of the fragment of Atlantic Forest in the South of Minas Gerais as instrument of Environmental Education, through specific activities in the Early Childhood Education. The research sought, through environmental awareness, to understand how children exposed to a significant learning of interaction in the environment, can acquire knowledge and seek to understand how this information and learners can transmit a classroom. Activities such as lectures, workshops and practical classes were carried out, using resources from children, images of mammals and the student's interaction with the environment from March to May 2019, ensuring the guarantee of training of knowledge multipliers in a sensitized way in the area of ​​environment. Observe and identify awareness concepts in the children participating in the project. We hope that, in the long run, we will have adults more aware of their role within society and their coexistence with nature.

Introdução

Com a preservação do equilíbrio dinâmico da natureza, o ser humano foi capaz de crescer e explorar o mundo. Contudo, segundo (GUIMARÃES, 1995; KONDRAT; MACIL, 2013) ao longo de seu desenvolvimento o homem foi além dos limites, esquecendo-se da integração com o meio ambiente, como mostra (BRASIL, 1995; MORAN, 2008), foram adquirindo hábitos individualistas e aderindo um posicionamento de desenvolvimento um tanto insustentáveis, relacionadas ao finito dos recursos ambientais, poluição e ao processo incessante de degradação ambiental. Assim sendo, o desenvolvimento desenfreado torna-se o grande vilão do meio ambiente, devido a sua visão utilitarista dos recursos naturais que é discutido por (LEFF, 2001, ADAMS; GEHLEN, 2015).

Neste contexto de desenvolvimento acelerado de tecnologias para o aumento desenfreado de produção, consumo e lucro que trouxe à sociedade contemporânea o panorama catastrófico no qual se encontra, há uma mobilização de ambientalistas e profissionais preocupados com o futuro da humanidade, os quais levam em conta a característica finita dos recursos naturais não renováveis, desta forma, busca novas medidas de desenvolvimento baseadas na sustentabilidade das ações antrópicas em relação à natureza (OLIVEIRA, 2002; SOUZA, 2011).

À vista disso, o uso inadequado de recursos naturais criou um abismo entre os termos desenvolvimento e sustentabilidade (JACOBI, 2003). Os níveis de devastação de ambientes naturais são alarmantes, a urbanização transformou ambientes naturais em cidades cada vez maiores (JATOBÁ, 2011; CABRAL; CÂNDIDO, 2019). Ante a situação apresentada aqui, a educação ambiental e a sensibilização, podem se tornar um mecanismo eficaz de gestão para as políticas públicas em relação ao meio ambiente, pois ela se constitui como um processo que auxilia na compreensão analítica do ambiente. Também desenvolve comportamentos que permitem às pessoas assumirem uma posição de interação a respeito das demandas relacionadas com a conservação e a utilização sustentável dos recursos naturais (JACOBI, 2003; NOVICKI; SOUZA, 2010).

Seguindo a vertente do desenvolvimento baseado na sustentabilidade das ações, a educação ambiental argumenta sobre as demandas ambientais e transformações de conhecimentos, valores e atitudes que devem ter como premissa a nova realidade a ser construída, constituindo uma importante dimensão que necessita ser incluída no processo educacional como apontam autores como (SAUVÉ, 2005; CORRÊA; ASHLEY, 2018; MENEZES et al., 2018).

Dentro da perspectiva de educação ambiental buscou-se despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental (JACOBI, 2003), garantindo assim, o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência reflexiva e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais (COSTA, CARNEIRO; ALMEIDA, 2013). Assim a Educação Ambiental deve ser desenvolvida no contexto formal e não-formal levando-se em consideração os aspectos ambientais em que a comunidade está inserida, buscando um processo de conscientização ambiental que gere ações para manter um meio ambiente ecologicamente equilibrado (JACOBI, 2003; REIS, SEMÊDO, GOMES, 2012)

Lopes (2011), destaca que a educação ambiental na escola que utiliza a sensibilização, despertará nos alunos a visão de que a natureza pode se dizimar e de que seus recursos são finitos e necessitam ser desfrutados de modo sensato, e assim despertando em cada aluno a consciência cidadã. Assim, ao instruir, transmitir conhecimentos ambientais e sociais de forma global e integradora e, sobretudo, ao trabalhar com a construção de valores que sustentem novas formas de relação entre sociedade e natureza, a Educação Ambiental pode provocar a sensibilização e uma consequente tomada de ações ambientalmente desejáveis por parte dos indivíduos (SATO, 2002).

Segundo Mousinho (2003), o desconhecimento do ambiente e, em especial, dos mamíferos silvestres, dificulta a valorização da mesma e a sensibilização da população sobre a necessidade de conservação e proteção ambiental.

Os mamíferos são um grupo de animais fundamentais para a estabilidade do equilíbrio ativo dos ecossistemas, presentes nos diversos níveis das cadeias tróficas, além de contribuírem de forma significativa para a manutenção e reposição da vegetação. São ainda criaturas de amplo interesse para contemplação da natureza e para a educação ambiental formal e não-formal (MAMEDE; ALHO, 2004; SILVA; MAMEDE, 2005; BENITES; MAMEDE, 2008).

Para Reigota (2008), Gomes; Nakayama; Souza (2016) a escola aparece como um espaço formal favorecido e multidisciplinar no desenvolvimento de atividades que possam oferecer destaque sobre a temática ambiental e sua importância, no qual o estudante compreende através de atividades dentro e fora da sala de aula, o deleite e a fascinação que a natureza constitui e que o homem é natureza, e não apenas parte dela.

De acordo com Menezes (2012) e Junior (2019) quando a criança está em contato com a realidade do seu ambiente, além de aprender melhor também desenvolve “atitudes criativas do mundo a sua volta", o que torna o trabalho de conscientização uma ferramenta de suma importância para a sociedade. Assim novas estratégias de ensino como ferramentas pedagógicas possuem um potencial intrínseco de estimular a imaginação, de forma a tornar prazeroso o processo de ensino-aprendizagem as quais, neste caso, desencadeiam pensamentos e formam ideias concretas sobre a relação do indivíduo com o ambiente (TOZONI-REIS, 2008).

A sensibilização motivada na escola pode se expandir por outros lugares abarcando toda a comunidade local na qual habitem os alunos, e essa inter-relação é muito importante e satisfatória para o benefício da educação ambiental em múltiplos aspectos e por diversas pessoas (GUERRA, 2009).

Portanto para a possível melhoria em relação as questões ambientais, tornar-se imprescindível cultivar na mente humana um estímulo de mudança e quebra de paradigmas ao consumismo, retroceder a circunstância atual com o aperfeiçoamento de novas pretensões, oportunidade e anseios (LUZZI, 2005), que o ser humano esteja disposto a avaliar e a refletir suas atitudes como um ser que faz parte do meio, onde ele está totalmente incluído e onde o mesmo é dependente dele (HALAL, 2009).

Nesse sentido, tendo em vista a importância da sensibilização para a conservação dos mamíferos e seu habitat, o presente trabalho tem como objetivo geral, utilizar dados de mamíferos do fragmento de Mata Atlântica no sul de Minas Gerais como instrumento de Educação ambiental, através de atividades pontuais na educação Infantil. A partir desta colocação, traçamos objetivos específicos que subscreve-se a seguir: apresentar às crianças os conceitos de educação ambiental; apresentar a importância dos mamíferos para os fragmentos de mata Atlântica; trabalhar a observação, curiosidade e sensibilidade da criança.

A pesquisa através da sensibilização ambiental com a realização de metodologias alternativas oferece a grupos provenientes de diversas situações sociais (faixa etária, nível socioeconômico, escolaridade), os quais apresentam exigências próprias e particularidades, a oportunidade de entrar em contato com a questão ambiental de forma ativa (NETO; AMARAL, 2011), participando desde a construção do conhecimento ecológico até a elaboração de opiniões pessoais sobre temas discutidos (MEDINA, 2002). Além de disseminar a transmissão do conhecimento ecológico, atuando na formação de agentes multiplicadores (MEDINA, 2002; MENEZES, 2012; CARVALHO et al., 2016). Dentro desta perspectiva, procurou-se responder a seguinte questão: Crianças expostas a aprendizagem significativa de interação ao meio ambiente, podem adquirir conhecimento através da sensibilização, e estas informações e conhecimentos podem transpor a sala de aula?

Desta forma, este trabalho se justifica pela busca da preservação ambiental e por destacar dimensões “históricas esquecidas”, no que se refere ao entendimento da vida e da natureza, revelando as dicotomias da modernidade que separa: atividade econômica, ou outra, da totalidade social; sociedade e natureza; mente e corpo; matéria e espírito, razão e emoção. Destacando que o conhecimento de mamíferos silvestres nesta área de preservação é inédito.



Metodologia

Descrição do Objeto de Estudo

A presente pesquisa foi realizada na escola Centro de Educação Infantil Municipal Reino Encantado “Irineu Doná”, localizada na cidade de Inconfidentes no estado de Minas Gerais.

Os participantes foram oito turmas de alunos da educação infantil, sendo quatro do turno matutino e quatro do turno vespertino. Foram escolhidos desta forma, devido a demanda da escola, pois para que possam ter atividades diferenciadas para esta faixa etária na educação infantil era preciso que se trabalhasse com toda escola.

Foram aplicadas as atividades de sensibilização como palestras, oficinas e aulas práticas utilizando recursos como sons, imagens do levantamento de mamíferos do fragmento de Mata Atlântica e a interação do aluno com o meio ambiente. Totalizando assim 215 alunos em oito turmas da educação infantil. As atividades descritas neste trabalho foram feitas da mesma forma com todos os alunos de março a maio durante um período de três meses no ano de 2019.

Cabe frisar que todas as atividades passaram pela aprovação e liberação da direção da escola e documentadas antes de serem executadas.



Atividades de sensibilização

Baseada na metodologia de pesquisa qualitativa aplicada por Martins (2013) em que o pesquisador é o interpretador da realidade, esta coleta de dados consistiu em três etapas (Figura 1):

I) Palestras: objetivo de transmitir aos alunos conhecimentos ambientais sobre os mamíferos e seu habitat (bioma);

II) Oficinas: objetivo de interação aluno, educador e ambiente através de metodologias participativas;

III) Aulas práticas: Colocar em prática tudo que foi visto na teoria nas palestras e oficinas, em busca do conhecimento sobre a temática com o intuito de sensibilizá-los sobre a importância da preservação da biodiversidade local.

Figura 1: Fluxograma da sensibilização ambiental que ocorrerá na referida escola.

A técnica de pesquisa utilizada fundamentou-se nos procedimentos da documentação indireta, ou seja, na pesquisa bibliográfica dos autores nos quais possuíam uma linha de pesquisa voltada a mesma direção desta e também documentação direta e observação extensiva, que é uma linha de pesquisa defendida por (MARCONI; LAKATOS, 2005). Para tanto, inicialmente as atividades desenvolvidas foram direcionadas a um estudo bibliográfico dos temas relacionados para a realização da sensibilização ambiental, objetivando a elaboração de material didático, para as palestras, oficinas e aulas prática.

A partir disso, organizou-se a preparação do material didático para sensibilização e conservação da área em estudo. Sendo assim, em um primeiro momento, foram produzidos banners sobre os mamíferos a serem trabalhados. Cada banner continha uma espécie de mamífero, no qual havia uma foto com a função conativa, e com as características destas espécies e a situação de ameaça (BORGES; ARANHA; SABINO, 2010). Os banners foram dispostos nas salas de intervenção, que são os espaços reservados para atividades com as crianças dentro da escola. Em um segundo momento, houve a confecção de moldes das pegadas dos mamíferos com gesso para identificação nas aulas práticas das oficinas.

A partir disto, a sensibilização junto aos alunos sobre a temática foi realizada em diferentes etapas (BENITES, MAMEDE, 2008):

Etapa 1 - Foram realizadas palestras sobre: Mamíferos; sua importância e cadeia alimentar; métodos de levantamento para a fauna; identificação através de métodos indiretos: tocas, pegadas e vocalização.

Etapa 2 - Oficinas em sala de aula: Foram abordados temas na teoria e prática, como métodos de levantamento para a fauna; identificação através de métodos indiretos: tocas, pegadas e vocalização; fabricação de moldes de pegadas para futura identificação.

Etapa 3 - Aulas práticas em área verde: Visita à uma área verde onde procuramos despertar a sensibilização para a conservação mostrando o ar puro; sensibilidades para ouvir a natureza; utilização de play-backs com sons de alguns mamíferos para possível identificação; busca ativa através de pegadas e identificação destas pegadas; resgate junto as crianças sobre a importância da conservação destes animais.



Resultados e Discussões

O trabalho apresentado na escola obteve um retorno gratificante e de grande crescimento na formação de sensibilidade ao qual foram propostos como objetivos para esta pesquisa.

Como citado anteriormente, o trabalho foi dividido em três etapas, sendo elas: palestras, oficinas e aulas práticas. Desta forma no circuito de palestras, houve uma participação de todas as crianças, nas quais se encantaram com as informações levadas pelos membros palestrantes desta pesquisa. As crianças ficaram eufóricas em conhecer os mamíferos e saber que estes existiam ao redor de seu município e principalmente em descobrir que a vida de todos os seres humanos estão interligados com o meio ambiente Figura 2.



Figura 2: Palestra sobre mamíferos dada aos alunos da educação infantil na Escola Centro de Educação Infantil Municipal Reino Encantado “Irineu Doná”, da cidade de Inconfidentes-MG.

As crianças ficaram entusiasmados com as imagens dos mamíferos, em conhecer as espécies e em entender o que é a Mata Atlântica, bioma da cidade onde vivem. Todos queriam perguntar sobre os mamíferos e conhecer mais sobre o que eles comiam e como viviam. O que leva a compreender a curiosidade e a transformação na visão da criança sobre os animais e o meio ambiente corroborando com estudo Menezes (2012) e Junior (2019) no qual ressalta que novas ferramentas pedagógicas podem auxiliar na sensibilização de alunos e os prepará-los na construção de uma sociedade adaptada aos preceitos de sustentabilidade.

Na segunda etapa, no qual se desenvolveu oficinas com os alunos da educação infantil, os mesmos conheceram quais eram os métodos que os pesquisadores usavam para encontrar, cuidar e conhecer novas espécies de animais dentro das matas. Assim, foram trabalhadas as formas de vocalização (sons dos animais), compreensão das pegadas (marcas) feitas pelos animais dentro das florestas (Figura 3), e principalmente a importância de se descobrir e proteger estes seres vivos. Argel-de-Oliveira (1997) e Benites; Mamede (2008) consideram importante mostrar que através da observação de mamíferos, por exemplo, se pode apreciar a beleza e a vocalização das espécies locais, sem a necessidade de mantê-las em gaiolas. Isto pode levar o observador a refletir e deduzir o princípio ético de manter espécies silvestres soltas em suas respectivas áreas naturais.

Figura 3: Confecção de contra moldes de pegadas dos mamíferos do Fragmento de Mata Atlântica para os alunos da educação infantil na Escola Centro de Educação Infantil Municipal Reino Encantado “Irineu Doná”, da cidade de Inconfidentes-MG.

A partir disso, percebeu-se o encantamento vindo dos alunos ao ouvir os sons feitos pelos animais, sendo perceptível, por meio das falas das crianças a demonstração, a compreensão e a importância do ecossistema em equilíbrio. Os alunos falavam muito sobre o que iam contar aos pais e que, principalmente, explicariam aos pais que não podiam matar os animais e que era preciso protegê-los. Segundo Gadotti (2000) e Adams (2014) é através do descobrimento pela experiência que se aprende a gostar de tudo, ou seja, o aprender tem relação com experiência. É através da intensa vivência com a natureza que o homem passa a conhecer e a compreender o meio ambiente (GADOTTI, 2000; THIEMANN et al., 2016; TIRIBA; PROFICE, 2019). Só se aprende a gostar daquilo que melhor se conhece, e o conhecer resulta em um relacionamento próximo e profundo com o objeto do conhecimento. Assim pelas atitudes demonstradas pelos alunos dentro da escola, verificou-se que a sensibilização começou a ser efetiva.

E na última etapa, que consistiu na aula prática, os alunos foram conhecer uma área verde nas redondezas da cidade. Os mesmos ficaram encantados e reproduziam falas de aprendizagem que vivenciaram nas etapas anteriores. Foram momentos de aprendizagem significativa, no qual realmente houve a visualização dentro do ambiente ensinado na escola, ou seja, a escola pode ser um espaço formal que favorece a multidisciplinaridade através do desenvolvimento de atividades que possam oferecer destaque sobre a temática ambiental e sua importância conforme estudo de Reigota (2008).

Os alunos finalizaram as atividades, aprendendo de forma prática, como funciona a modelagem em gesso de pegadas construída pelos pesquisadores, e a partir disso, oportunizamos a eles que reproduzissem em gesso as pegadas.

O desenvolvimento da pesquisa refletiu o quanto foi significativo o conhecimento para cada criança. Após o circuito do projeto, as professoras regentes da escola, relataram que os pais vinham para a escola contando que as crianças comentavam e ensinavam eles sobre a importância dos mamíferos e do meio ambiente e principalmente que era importante salvar os animais, assim a atuação e a posição destes alunos tornaram-se agentes multiplicadores de conhecimento (MEDINA, 2002; MENEZES, 2012; CARVALHO et al., 2016).



Considerações Finais



O presente trabalho de sensibilização sobre a interação do meio ambiente com alunos da educação infantil, tem relevância dentro do âmbito educacional e social. A coexistência entre ser humano e ambiente, levando a um trabalho do “sentir-se” e do “colocar – se” num lugar de existência.

Desta forma conclui-se que este trabalho atingiu seus objetivos, pois foram identificados conceitos de sensibilização nas crianças participantes do projeto. Observamos a interação das crianças diante das atividades e falas, colocadas por eles, que a aprendizagem foi concluída.

Também ressalta-se que o fato dos pais retornarem à escola com dizeres do que foi aprendido em aula, mostra que esta proposta leva, para além, da sala de aula suas transformações, contribuindo desta forma para uma sociedade mais equilibrada.

Com os resultados se espera ter iniciado uma sensibilização através dos alunos e assim garantir a formação de multiplicadores do conhecimento nesta área tão ampla que é o meio ambiente.

Em primeira instância, as crianças conheceram as ideias ecológicas dentro do seu contexto social, pensando e refletindo sobre sua conservação e assim levando esse conhecimento para a família. A longo prazo ter-se-á adultos mais conscientizados de seu papel dentro da sociedade e de sua coexistência com a natureza.



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