ISSN 1678-0701
Número 72 (volume 19, série 3)
Setembro-Novembro/2020
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Artigos

No. 72 - 03/09/2020
ABORDAGEM PEDAGÓGICA COM EXPERIÊNCIA DA COLETA SELETIVA DE RESÍDUOS SÓLIDOS EM ESCOLA PÚBLICA MUNICIPAL DE SÃO MATEUS ES  
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ABORDAGEM PEDAGÓGICA COM EXPERIÊNCIA DA COLETA SELETIVA DE RESÍDUOS SÓLIDOS EM ESCOLA PÚBLICA MUNICIPAL DE SÃO MATEUS ES



Rozária Maria dos Santos Soares

Mestranda em ciências, tecnologia e educação pela Faculdade Vale do Cricaré - FVC; rosaria.professoa@gmail.com, (27) 99940-6923.



Daniel Rodrigues da Silva

Doutor em Ciências Farmacêuticas, Avenida Recanto das Iaras, nº 368, Bairro Morada do Ribeirão, Cep: 29.936-550, e-mail: danfarma@bol.com.br.



RESUMO

Abordar o meio ambiente parece se tornar um tema atual, uma vez que muitos são as constatações de que o homem precisa avançar no sentido de uma educação ambiental consciente da preservação e, desta forma, entendemos que a escola é a instituição mais adequada para que haja esse trabalho de aprendizagem e disseminação da importância do meio ambiente para toda a humanidade. Neste sentido, esta pesquisa envolve a “abordagem pedagógica com experiência da coleta seletiva de resíduos sólidos em escola pública municipal de São Mateus-ES”. O problema se encaminha para o seguinte questionamento: como a escola pública municipal desenvolve o descarte de resíduos sólidos em seu cotidiano e qual a orientação dada aos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental quanto à coleta seletiva? A justificativa pela escolha do tema foi por constatar que os professores dos anos iniciais trabalham os conteúdos sobre meio ambiente como algo distante da escola e da realidade dos alunos. Os problemas que existem não são ficção e os alunos, professores, comunidade não podem ser considerados expectadores. A rua, o bairro, a cidade e a escola, inserida nestes espaços, produz muitos resíduos e é preciso que haja um trabalho voltado à conscientização. O objetivo geral deste artigo é identificar desafios e possibilidades da escola trabalhar ações ambientais, como a coleta seletiva, com turmas de ao ano do Ensino Fundamental em escola pública municipal de São Mateus-ES. Os objetivos específicos são: desenvolver uma pesquisa bibliográfica com referencial sobre o tema, que subsidie a necessidade de a criança (do 1º ao 3º Ano) conhecer a escola e outros espaços como meio ambiente; demonstrar, através de pesquisa de campo, como ocorre o trabalho docente voltado à Educação Ambiental na sala de aula e na escola; indicar projetos e sugestões interventivas a fim de que a Educação Ambiental voltada à reciclagem seja uma possibilidade para a escola em prol de sua limpeza. A pesquisa bibliográfica sinaliza legislação e autores que se dedicaram ao estudo ambiental, como Castilhos Junior (2002), Dias, (2003), Ferreira (2011), Medeiros, Ribeiro e Ferreira (2011) e outros. O percurso metodológico se utilizou do método qualitativo em função da pesquisa participante, em que foram desenvolvidos momentos de entrevistas e observação do espaço escolar. Após todos as etapas do artigo, conclui-se que proporcionar a educação ambiental no contexto escolar com crianças é viável e pode garantir aprendizagens significativas, bem como a preservação do espaço escola, a conservação da limpeza e a conscientização quanto à necessidade da coleta seletiva.



Palavras-chave: Meio ambiente. Sugestões. Possibilidade. Coleta seletiva.



ABSTRACT

Addressing the environment seems to become a current topic, since many are the findings that man needs to move towards an environmental education conscious of preservation and, therefore, we understand that the school is the most appropriate institution for there to be this work of learning and disseminating the importance of the environment for all humanity. In this sense, this research involves the “pedagogical approach with experience of selective collection of solid waste in a public school in São Mateus-ES”. The problem leads to the following question: how does the municipal public school develop the disposal of solid waste in their daily lives and what is the guidance given to students in the early years of elementary school regarding selective collection? The justification for choosing the theme was to note that teachers in the early years work on the contents of the environment as something distant from the school and the students' reality. The problems that exist are not fiction and the students, teachers, community are can be considered spectators. The street, the neighborhood, the city and the school, inserted in these spaces, produce a lot of waste and there needs to be work aimed at raising awareness. The general objective of this work is to identify challenges and possibilities for the school to work on environmental actions, such as selective collection, with classes from the 1st to the 3rd year of Elementary School in a public school in São Mateus-ES. The specific objectives are: to develop a bibliographic research with references on the theme, which supports the need for the child (from the 1st to the 3rd year) to know the school and other spaces as an environment; demonstrate, through field research, how teaching work focused on Environmental Education occurs in the classroom and at school; indicate interventional projects and suggestions so that Environmental Education aimed at recycling is a possibility for the school in favor of its cleaning. The bibliographic research indicates legislation and authors who have dedicated themselves to environmental studies, such as Castilhos Junior (2002), Dias, (2003), Ferreira (2011), Medeiros, Ribeiro and Ferreira (2011) and others. The methodological path used the qualitative method according to the participant research, in which moments of interviews and observation of the school space were developed. After all the stages of the work, it is concluded that providing environmental education in the school context with children is feasible and can guarantee significant learning, as well as the preservation of the school space, the conservation of cleanliness and the awareness of the need for selective collection.



Keywords: Environment. Suggestions. Possibility. Selective collect.



1 INTRODUÇÃO

A temática ambiental voltada às crianças é considerada cada vez mais importante para a sociedade, pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso, pela humanidade, dos recursos naturais disponíveis.



Dessa forma, à medida que a sociedade civil aumenta sua capacidade de intervir sobre a natureza para satisfação de necessidade e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos em função da tecnologia disponível.



Nas últimas décadas, um modelo de civilização se impôs, trazendo a industrialização, com sua forma de produção e organização do trabalho, além da mecanização da agricultura, que inclui o uso intenso de agrotóxicos, e a urbanização, com um processo de concentração populacional nas cidades.



De qualquer forma, o termo “meio ambiente” tem sido utilizado para indicar um “espaço” (com seus componentes bióticos e abióticos e suas interações) em que um ser vive e se desenvolve, trocando energia e interagindo com ele, sendo transformado e transformando o. No caso do ser humano, ao espaço físico e biológico soma-se o “espaço” sociocultural.



O Brasil é um país que apresenta grande biodiversidade ambiental, com uma territorialidade formada por extensas florestas com várias zonas climáticas que apresenta grande número de espécies, que nos últimos anos essas espécies têm estado em processo de extinção devido as devastações das florestas tem feito as espécies perder seus habitat e até mesmo suas presas e caças intensivas destes animais com isto alguns biólogos tem preservado algumas espécies em cativeiros para pode ser tratada com os cuidados necessários para se desenvolver, mas muita das vezes estes animais que estão sendo criados em cativeiros, quando são soltos novamente na natureza não consegue se reintroduzir pois suas defesas foram atrofiadas devido tempo estalado nos cativeiros.



Por se tratar de um país com exóticas apresentações de diversidade de fauna, flora, mananciais, e outro chama a atenção dos degradadores que vêm de fora para o Brasil (ou mesmo do país) em busca de tráficos de animais, desmatamento de florestas para transportar madeira, por estes contrabandos que vêm crescendo a cada dia com índice avassalador sem ter normas que os impeçam de agir.



Os recursos naturais, grande parte, são extraídos da biodiversidade do Brasil que representa cerca 30% das exportações brasileiras, pois os índices demonstram uma grande dependência do nosso país quanto à relação das fontes naturais, pelo qual a interferência do homem neste meio ambiente tem causado drásticas modificações com implantações de indústrias prejudicando os recursos naturais e a sociedade.



Sobre a problemática, a primeira constatação que se faz é que trabalhamos, enquanto professores e alunos, o tema Meio Ambiente como algo distante de nós, como se fôssemos expectadores, o que, na realidade não é real. O meio agrega todos os espaços, ruas, casas, igrejas, parques, praças e a escola, a sala de aula, locais a que temos acesso diariamente. Muitos resíduos são produzidos diariamente pelos alunos e outras pessoas, no ambiente escolar, e a reciclagem não faz parte da Educação Ambiental a que precisam ser orientados por seus docentes. Assim, esta pesquisa envolve a “abordagem pedagógica com experiência da coleta seletiva de resíduos sólidos em escola pública municipal de São Mateus-ES”.



Dessa forma, o questionamento que se levanta é: como a escola pública municipal desenvolve o descarte de resíduos sólidos em seu cotidiano e qual a orientação dada aos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental quanto à coleta seletiva?



Para o alcance de respostas, ao problema encontrado, elaboramos os objetivos geral e específicos.



O objetivo geral deste artigo é identificar desafios e possibilidades da escola trabalhar ações ambientais, como a coleta seletiva, com turmas de 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental em escola pública municipal de São Mateus-ES.



Os objetivos específicos são: desenvolver uma pesquisa bibliográfica com referencial sobre o tema, que subsidie a necessidade de a criança (do 1º ao 3º Ano) conhecer a escola e outros espaços como meio ambiente; demonstrar, através de pesquisa de campo, como ocorre o trabalho docente voltado à Educação Ambiental na sala de aula e na escola; indicar projetos e sugestões interventivas a fim de que a Educação Ambiental voltada à reciclagem seja uma possibilidade para a escola em prol de sua limpeza.



A justificativa pela escolha do tema foi por constatar que os professores dos anos iniciais trabalham os conteúdos sobre meio ambiente como algo distante da escola e da realidade dos alunos. Os problemas que existem não são ficção e os alunos, professores, comunidade não podem ser considerados expectadores. A rua, o bairro, a cidade e a escola, inserida nestes espaços, produz muitos resíduos e é preciso que haja um trabalho voltado à conscientização.



Este artigo também se justifica pela relevância de se trabalhar o meio ambiente como conteúdo curricular, de forma transversal e multidisciplinar e não apenas na disciplina de ciências, como ocorre em alguns contextos, conforme preconizam o Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (1997) e a Base Nacional Comum Curricular - BNCC (2008).



Dessa maneira, é relevante que se justifique a necessidade de desenvolver uma pesquisa que analise como o desempenho dos alunos do 1º ao 3º Ano e de seus professores em relação à manutenção do espaço escolar de maneira responsável, sem que as ações de coleta, seleção e encaminhamento para reciclagem sejam impostas de forma obrigatória, mas de maneira ética, cidadã e responsável, socialmente.



Entende-se ser necessário trabalhar a sensibilização dos estudantes e professores quanto ao descarte correto dos resíduos sólidos produzidos na escola, como ponto de partida para que esta ação se expanda e alcance a casa, a rua, o bairro e a cidade em que todos estão inseridos.



Destaca-se que outra justificativa deste trabalho é a contribuição de pesquisas que discutem essa temática, pois em análise a estudos afins, perceberam-se algumas mais gerais sobre o meio ambiente e a Educação Ambiental, nada que constasse e fosse direcionado a turmas de alfabetização: 1º ao 3º Ano.



A escolha do tema para estudo, finalmente, se justifica por constatar a grande demanda de professores trabalham o tema Educação Ambiental e reciclagem de maneira teórica com seus alunos, não os orientando quanto a experimentações e ao conhecimento teórico e prático (empírico) concomitantemente.



Nesse sentido, a justificativa envolve mais de uma abordagem, em âmbitos diferenciados de referência ao mesmo tema e local. Todas no sentido de mostrar a possibilidade de trabalhar, pedagogicamente, a Educação Ambiental sob o cunho coletivo, participativo, não hegemônico, não capitalista, solidário, sensibilizador e mobilizador, entendendo que a escola é uma instituição social que agrega cidadãos e estes são capazes de disseminar ideias e conhecimentos e de transformar o mundo.



A pesquisa, a partir dessas abordagens, se traduz em participativa, pois há uma proximidade entre o tema e a pesquisadora e sua intenção é mostrar a realidade contextual escolar pública municipal em São Mateus-ES quanto ao descarte feito através da coleta seletiva de resíduos sólidos.



2 UM BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL



A Educação Ambiental tem seu surgimento a partir das preocupações de ecologistas em chamar a atenção para os problemas ambientais devido ao uso descontrolado dos recursos naturais e destruição das florestas e, com isso envolver a sociedade em ações ambientalmente corretas. Tem-se como o primeiro registro de preocupação mundial com a educação ambiental a reunião de 1968, em Roma, quando alguns cientistas dos países desenvolvidos discutiram temas sobre o consumo e as reservas de recursos naturais não renováveis e o crescimento da população mundial.



De acordo com Sato (2004, p.23), a primeira definição para a Educação Ambiental foi adotada em 1971 pela Internacional Union for the Conservation of Nature (União Internacional pela Conservação da Natureza), aonde os conceitos ali definidos vieram a sofrer ampliações posteriormente pela Conferência de Estocolmo e depois pela Conferência de Tbilisi na Geórgia. Em 1972, acontece em Estocolmo, na Suécia, a primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, começava a ser objeto de discussão em nível internacional, a educação ambiental. Foi definida nesta Conferência uma série de medidas e princípios para uso ecologicamente correto do meio ambiente, várias nações fizeram parte deste encontro, inclusive o Brasil, vários temas relacionados ao Meio Ambiente Humano foram debatidos, como poluição dos oceanos, ar, crescimento desordenado das cidades e o bem-estar das populações de todo o mundo. Mas os maiores avanços da Educação Ambiental e da consciência ambiental foram realmente intensificados e se tornaram mais conhecidos particularmente nas décadas de 80 e 90.



De acordo com Pedrini (2007) “O Plano de Ação da Conferência de Estocolmo recomendou a capacitação de professores e o desenvolvimento de novos métodos e recursos instrucionais para a Educação Ambiental”. Mais à frente em 1975, em Belgrado cerca de 65 países enviaram especialistas para o encontro de Belgrado.



Nesse encontro vários temas foram discutidos e foi a partir dessas discussões que surgiu a criação de um Programa Mundial de Educação Ambiental. Mas foi em Tbilisi na Geórgia em 1977, que aconteceu a conferência mais marcante da história da Educação Ambiental, em sua declaração foram definidos princípios, estratégias, objetivos, funções, características, e recomendações para a Educação Ambiental. Ali foi definido o seguinte:



A Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos.



A Educação Ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida (TBILISI, apud CASTILHOS JUNIOR, 2002).



Nos anos seguintes, ocorreram diversos eventos voltados para a Educação Ambiental dentre os quais estão os seguintes: Comissão Brundtland em 1987, definida como Nosso Futuro em Comum a ECO 92 no Rio de Janeiro 1992 definiu a Agenda 21 com destaque o dilema da relação homem-natureza e também combate às desigualdades sociais, Viena 1993, Cairo 1994, Copenhagem e Beijing 1995, Roma e Istambul 1996, Milênio em New York em 2000 e a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo em 2002. No Brasil, pela primeira vez em sua história era inserido um capítulo específico direcionado ao meio ambiente em sua Constituição Federal (BRASIL, 1988, p 103).



Art. 225.da Constituição Federal insere que



Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988).



O meio ambiente passa a ser considerado como um bem comum a todos. O ECO 92 no Rio de Janeiro em 1992, é considerado o mais importante encontro sobre o meio ambiente, após duas décadas da Conferência de Estocolmo. Reuniram-se no Rio de Janeiro, representantes de 170 países, onde elaborado o Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis. A partir desta conferência, os Ministérios do Ambiente, da Educação, da Cultura e da Ciência e Tecnologia, já no ano de 1992, instituíram o PRONEA - Programa Nacional de Educação Ambiental. Como executor da política nacional de meio ambiente e responsável pelo cumprimento de suas determinações, o IBAMA também elaborou diretrizes para a implantação do PRONEA. Dessa forma, à educação ambiental foi incluída no processo de gestão ambiental (IBAMA, 1998).



O Ministério da Educação, em 1997, elabora, uma nova proposta curricular, definida como PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais, ficando a partir daí o meio ambiente definido como tema transversal nos currículos básicos do ensino fundamental, ou seja, de ao ano. Mas o efetivo reconhecimento da importância da educação ambiental como tema essencial e permanente no processo educacional, de fato só veio acontecer em 27 de abril de 1999, com a lei nº 9795/99, que teve como base o artigo nº 225, inciso VI da Constituição Federal de 1988, que diz o seguinte: “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”. A Política Nacional de Educação Ambiental sob a Lei nº 9.795 de 27 de Abril de 1999, também diz o seguinte em seus primeiros artigos.



Art. 1º:



Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).





Art. 2º

A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não- formal (BRASIL, 1999).



em seu Artigo 4º, à referida Lei estabelece de forma explícita os princípios básicos da Educação Ambiental no Brasil, onde diz: São princípios básicos da educação ambiental:



  1. - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo;

    II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade;

    III – o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade;

    IV- a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais;

    V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo;

    VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo;

VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais;

VIII - o reconhecimento e o respeito pluralidade e à diversidade individual e cultural (BRASIL, 1999).



A educação ambiental tem por objetivo despertar na sociedade a consciência de que todos fazem parte do meio ambiente de forma que cada um venha desempenhar o seu papel na preservação do meio ambiente, do qual é parte integrante. Ela surgiu com o objetivo de despertar em cada indivíduo a consciência crítica sobre o problema ambiental, despertar à participação seja de forma individual ou coletiva, de forma responsável no trato com o meio ambiente, por meio de sua preservação que será resgatada a qualidade de vida desta e das futuras gerações. De maneira que, a educação ambiental se faz por meio da responsabilidade coletiva em defesa da qualidade ambiental, de maneira interdisciplinar e participativa.



2.1 Ensino de Ciências nos anos iniciais do Ensino Fundamental e meio ambiente na BNCC



A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se configura como um documento que objetiva a redução das desigualdades educacionais presentes nos diversos currículos regionais, conferindo, às mesmas oportunidades de aprendizagens em qualquer parte do território nacional (BRASIL, 2017).



Este documento, de caráter normativo, define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos da Educação Básica devem aprender (BRASIL, 2017), desperta inquietações sobre o embasamento teórico/metodológico assumido, como pano de fundo, em todas as disciplinas, inclusive no que tange ao Ensino de Ciências e ao meio ambiente.



Embora a BNCC esteja firmada num emaranhado de críticas, deve-se considerar as assertivas presentes nela. Uma temática de fundamental importância, trazida em ambos os documentos estudados, é a importância da relação com os conhecimentos prévios dos alunos, como base para a aprendizagem no Ensino de Ciências.



Ela traz uma proposta de estudo sobre as questões relacionadas ao ambiente, recursos naturais e a responsabilidade no seu uso, caracterizando os fenômenos e as interações de sistemas e organismos com o ambiente. Propõe o entendimento das relações de diferentes populações humanas em nosso planeta, em tempos e lugares distintos, quanto a utilização de recursos naturais e impactos causados e a adoção de alternativas sustentáveis que se refiram, desde a mudança de atitudes individuais e coletivas até a aplicação do conhecimento científico para o desenvolvimento de tecnologias sociais sustentáveis. Assim, busca mobilizar conhecimentos que promovam uma Educação Ambiental que favoreça a participação na construção de sociedades sustentáveis (BRASIL, 2017).



Acerca disso, a Base Nacional Comum Curricular afirma que:



Assim, ao iniciar o Ensino Fundamental, os alunos possuem vivências, saberes, interesses e curiosidades sobre o mundo natural e tecnológico que devem ser valorizados e mobilizados. Esse deve ser o ponto de partida de atividades que assegurem a eles construir conhecimentos sistematizados de Ciências, oferecendo lhes elementos para que compreendam desde fenômenos de seu ambiente imediato até temáticas mais amplas (BRASIL, 2017, p.129).



Em referência a este documento, é primordial e necessário ensinar aos educandos não sobre elementos básicos de como plantar uma árvore ou não maltratar animais etc. A orientação ao aluno deve levá-los a compreender que elementos prejudicam diretamente o meio ambiente, como, a quantidade de resíduos sólidos produzidos pelo ser humano e não reaproveitamento destes, são fatores que podem gerar devastação ao meio ambiente de forma irreparável. Nesta perspectiva, é possível abordar nos anos iniciais assuntos relacionados a materiais recicláveis, e o processo da coleta seletiva no ambiente escolar, promovendo uma mudança extremamente necessária para a manutenção de um meio ambiente sadio e equilibrado, pois é de ciência de todos que o lixo é dos maiores problemas que afeta diretamente.



A educação deve ser ressaltada como elemento para a transformação da sociedade, viabilizando o desenvolvimento de uma nova ética distinta daquela que seja norteadora de uma sociedade de consumo. Portanto a educação ambiental deve ser trabalhada de forma integrada, como previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).



Carvalho (2000) propõe o desenvolvimento de programas de Educação Ambiental com o objetivo de promover a compreensão dos sistemas de relações do homem/meio ambiente e sensibilizar os cidadãos em relação aos problemas ambientais, iniciando a ação numa escala local.





Portanto, é papel da Educação Ambiental mobilizar os alunos e toda a comunidade escolar para que os conhecimentos sobre os problemas ambientais não fiquem apenas no nível do discurso, mas que possam ser traduzidos em mudanças de atitude e ações efetivas. Nessa perspectiva, os problemas não são um obstáculo para a educação ambiental, mas um desafio que necessitamos vencer em direção a um mundo sustentável, no qual as pessoas tenham garantidas as condições para o exercício pleno da cidadania, com todos os seus direitos e deveres.



2.2 A relevância da Educação Ambiental para a sensibilização quanto à lei vigente



A educação ambiental é uma questão de percepção da sobrevivência, tanto na sustentabilidade do ser humano no planeta, quanto em suas aplicações no contexto social, tendo em vista que o meio ambiente é hoje parte do processo produtivo e não mais uma externalidade.



O termo educação e/ou gestão ambiental é bastante abrangente. Ele é frequentemente usado para designar ações ambientais em determinados espaços geográficos.



A atual geração tem assistido a um intenso progresso tecnológico, que provoca graves consequências para a vida no planeta. Nos últimos anos, a preocupação com a degradação e exaustão dos recursos naturais deixa de ser tema apenas do movimento ambientalista e passa a ser prioridade para diferentes atores sociais. Essa mudança está fortemente registrada ao interesse de escolas em oferecer aos seus alunos uma política ambiental.



A Educação Ambiental, em âmbito escolar, ocupa um espaço protagonista na construção de um novo modo de vida como forma de expressão e mobilização, que leve criticamente à descoberta e novos valores, atitudes, gerando novos padrões éticos a serem construídos e vividos individual e coletivamente.





Para os professores, é necessário criar uma rede permanente de informação, para que conheçam os temas a respeito do meio ambiente, sensibilizando-os para a necessidade de uma mudança de comportamento às questões ambientais.



Porém, não existe uma receita para se fazer Educação Ambiental, pode ser estimulada através da sensibilização de professores, alunos, comunidade, e, na ótica da Transdisciplinaridade, a Educação Ambiental está entre, através e além de todas as disciplinas. A finalidade da transdisciplinaridade, como comenta Oliveira (2000, p.3), é “a compreensão do mundo atual, e um dos imperativos para isso é a unidade do conhecimento”.



Este texto retrata o papel da Educação Ambiental como um processo dinâmico diante da perspectiva da transdisciplinaridade, buscando esboçar um breve percurso da Educação Ambiental no Brasil e no Mundo, passando pelo Programa Nacional de Educação Ambiental. Enfoca, ainda, a Agenda 21, para então propor o desenvolvimento de algumas atividades práticas conforme a metodologia de cada disciplina e/ou em conjunto com todas as disciplinas. Antes de estudar sobre a Educação Ambiental, professores e alunos devem saber o que ela é. Esta etapa está dissertada a seguir, no próximo subcapítulo.



2.2.1 Legislações federal, estadual e municipal que versam sobre a coleta seletiva de resíduos



Durante pesquisa em sítios variados buscando, especificamente, que lei, em âmbito nacional, regulamenta a coleta seletiva de resíduos, encontramos, a última sancionada no ano 2010, Lei nº 12.305/10, que abrange a Política Nacional de Resíduos Sólidos.



Anterior a esta, a logística reversa era estabelecida na Lei Federal nº 11.445/2007, que estabelecia as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Em seguida, foi estabelecido o Decreto nº 7.217/2007 – Regulamentação da Lei Federal nº 11.445/2007.



Em complementação, e posteriormente, à Lei nº 12.305/10, estabeleceram-se: o Decreto Federal n° 7.404/2010 – Regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Decreto Federal no 9.177/2017 – Regulamenta o art. 33 da Lei no 12.305/2010 e complementa os artigos 16 e 17 do Decreto no 7.404/2010 e outras providências.



Constatamos que surgiram, ainda neste sentido, as Resoluções Federais que complementavam as leis, a partir de necessidades que foram surgindo, como: Resolução CONAMA nº 307/2002 e suas alterações – Diretrizes, Critérios e Procedimentos para a Gestão dos Resíduos da Construção Civil; Resolução CONAMA nº 401/2008 – Estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado, e dá outras providências; Resolução CONAMA 362/2005 Dispõe sobre o recolhimento, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado; Resolução CONAMA nº 416/2009 – Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inservíveis e sua destinação ambientalmente adequada, e dá outras providências.



Tais documentos determinaram, significativamente, as diretrizes nacionais. Cada estado desenvolve as regulamentações, conforme suas necessidades e abrangência, dessa forma, o Espírito Santo, em relação ao descarte de resíduos, tema a Lei 9.941/12 – que Dispõe sobre normas e procedimentos para a coleta seletiva, o gerenciamento e a destinação final do "lixo tecnológico" no Estado e dá outras providências – a última vigente, portanto a que o estado segue.



Seu Artigo 1º institucionaliza:



Art. 1º Fica instituída a obrigatoriedade de pontos de coleta seletiva para produtos e componentes eletroeletrônicos, em todos os estabelecimentos comerciais que comercializam, representam ou fabricam produtos eletroeletrônicos no Estado (ESPIRITO SANTO, 2012, p.1).



Esta lei, especificamente, o descarte de lixo tecnológico, resíduo que, anterior a ela, não tinha muitos procedimentos, se realizando de diversas formas e, na maioria das vezes, jogado em vasilhame comum (juntamente com outros resíduos) ou no meio ambiente, de forma incorreta.



A Lei referente aos resíduos sólidos para materiais diversificados foi sancionada em 2009, a Lei nº 9.264/2009, que “Institui a Política Estadual de Resíduos Sólidos e dá outras providências correlatas” (ANEXO A). Após esta, não houve nenhuma que a substituísse, apenas as resoluções federais, já citadas.



Art. 1º Esta Lei institui a Política Estadual de Resíduos Sólidos e define princípios, fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos para a Gestão Integrada, Compartilhada e Participativa de Resíduos Sólidos, com vistas à redução, ao reaproveitamento e ao gerenciamento adequado dos resíduos sólidos; à prevenção e ao controle da poluição; à proteção e à recuperação da qualidade do meio ambiente e à promoção da saúde pública, assegurando o uso adequado dos recursos ambientais no Estado do Espírito Santo, a promoção do Econegócio e a Produção Mais Limpa (ESPIRITO SANTO, 2009, p.1).



Convém destacar que a abrangência estadual ainda não contra de prover diretrizes e fiscalização em todo o território sob sua legislação, deixando, portanto, a cargo dos municípios, a regulamentação mais específica, tendo em vista as necessidades e ocorrências de cada localidade, conforme estabelecido em seu Artigo 2º, parágrafos I a IV:



Art. 2º São princípios e fundamentos da Política Estadual de Resíduos Sólidos:

        1. - a visão sistêmica na gestão dos resíduos sólidos;

          II - a gestão integrada, compartilhada e participativa dos resíduos sólidos;

          III - o controle e a fiscalização da gestão de resíduos sólidos;

IV - a regionalização do gerenciamento de resíduos sólidos (ESPIRITO SANTO, 2009, p.1).



Essa regionalização permite que os municípios trabalhem baseados em sua realidade e visem a melhoria de qualidade de vida e o não acúmulo de resíduos sólidos, desenvolvendo projetos que viabilizem a logística reversa destes materiais, oportunizando a sustentabilidade familiar e da sociedade de sob seu domínio.



Em relação à municipalidade, São Mateus-ES levou um pouco mais de tempo para sancionar uma lei que regulamentasse o descarte de resíduos sólidos. Sempre baseado nas leis federas e estaduais não dispunha de tal documentação, por si, mesmo que já houvesse incentivos e a ocorrência de projetos de reciclagem em seu território.



No ano de 2018, sob a iniciativa da Câmara de Vereadores, deu-se a redação e sanção da Lei nº 1.701/2018 que "Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração direta e indireta, autarquias e câmara municipal de vereadores na fonte geradora, e a sua destinação as associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis no município de São Mateus e dá outras providências" (SÃO MATEUS, 2018, p. 1).



A referida lei explica que antes desta, o município seguia à Resolução 003/2009, vincula à legislação do governo estadual.



O Art. 1º da Lei 1.701/2018 insere a seguinte determinação:



Art. 1°. A separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta, autarquias e Câmara Municipal de Vereadores na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis pelas disposições desta Lei (SÃO MATEUS, 2018, p. 1).



Dessa forma, órgãos e entidades vinculados à governabilidade devem efetivar a coleta seletiva e os resíduos têm um destino certo, descrito no Art. 2º:



Art. 2°. Para fins do dispositivo nesta Lei, considera-se: I - coleta seletiva solidária, coleta dos resíduos recicláveis descartados, separados na fonte geradora, para destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis; II - resíduos recicláveis descartados, materiais passíveis de retorno ao seu ciclo produtivo, rejeitados pelos órgãos e entidades da administração pública municipal direta e indireta, autarquias e Câmara Municipal (SÃO MATEUS, 2018, p. 1).



O destino a que se refere o artigo acima são as cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis. Estas organizações já existiam, antes da lei ser sancionada, porém não havia legalidade em sua existência, ou seja, eram instituições informais, sem reconhecimento jurídico e sem inscrição nos órgãos competentes (Secretaria de Meio Ambiente, Prefeitura Municipal, IBAMA e outros), o que não oportunizava essa vinculação. Entretanto, o Art. 3º veio como motivação a que elas tivessem suas instalações e documentação, licenças e profissionais devidamente regularizados.



Art. 3°. Estarão habilitadas a coletar os resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública municipal direta e indireta, autarquias e Câmara Municipal as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis e atenderem aos seguintes requisitos.

    I- esteja formal e exclusivamente constituída por catadores de materiais recicláveis que tenham a catação como única fonte de renda;

    II- não possuem fins lucrativos;

    III- possuem infraestrutura para realizar a triagem e a classificação dos resíduos recicláveis descartados;

    IV- apresentem o sistema de rateio entre os associados e cooperados;

    V- estejam cadastrados na Secretaria de Assistência Social como Associação ou Cooperativa de Catadores (SÃO MATEUS, 2018, p. 1-2).



A regularização dessas entidades que trabalham com a logística reversa dos resíduos sólidos foi uma maneira de organizar e oportunizar empregos de ordem formal para muitas famílias, erradicar o trabalho infantil nos locais denominados “lixões” da cidade e viabilizar o descarte correto, estabelecido por todas as demais declarações quanto à preservação ambiental.



Todas as ações enumeradas remetem à Educação Ambiental, que pode, e deve, ocorrer nas escolas, nas instituições religiosas, nas residências e também nas organizações. Educar, neste sentido, significa sensibilizar a sociedade civil de sua responsabilidade quanto à produção de resíduos, a sua seleção e a logística reversa que se pode realizar.



2.3 Conceituando a Educação Ambiental



Na trajetória da Educação Ambiental, pode ser analisada a evolução dos conceitos, em que alguns autores mencionam que o período pós-segunda guerra mundial fez emergir, com maior ênfase, os estudos do meio ambiente. Lembram ainda que os naturalistas, jornalistas e escritores, muito antes escreviam sobre a necessidade de proteção dos recursos naturais ou mesmo sobre a importância do contato com a natureza para a formação humana. Mas atribui-se à Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, a responsabilidade por inserir a temática da educação ambiental na agenda internacional.



Apesar de a literatura registrar que já se ouvia falar em educação ambiental desde meados da década de 60, o grande marco referencial básico foi em 1977, quando se realizou a conhecida como Conferência de Tbilisi, momento que se consolidou o PIEA (Programa Internacional de Educação Ambiental) e se estabeleceram as finalidades, os objetivos, os princípios orientadores, as estratégias e as recomendações para a promoção da educação ambiental no mundo.



Dias (1993, p.26) retrata que na Conferência de Tbilisi a Educação Ambiental foi:



Definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada para a resolução de problemas concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade.



Comenta, ainda, a definição do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) dizendo que a Educação Ambiental é entendida:



Como um processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais, e de atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental (DIAS, 1993, p.27)



A Educação Ambiental está garantida pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, sendo que o artigo 225 diz que cabe ao Poder Público “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.



Em 1999 é instituída a Política Nacional de Educação Ambiental por intermédio da Lei 9.795 de 27 de abril de 1999, possuindo 21 artigos, despontando “como um dirimidor de dúvidas pedagógicas sobre a natureza da educação ambiental” (MILARÉ, 2000, p.226) sendo retratado no capítulo I, art. 1º que:



Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.



Aspectos da Educação Ambiental:



Formal:



A educação ambiental, sob o aspecto formal, refere-se ao ensino programado das escolas, em todos os graus, seja no ensino privado seja no oficial. As melhores concepções e teorias a respeito recomendam que faça parte de um currículo interdisciplinar, ao invés de constituir uma disciplina isolada. É este o sentir da Lei 9.795/99, que, no seu art. 10, parágrafo 3º, prescreve que “a educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino (MILARÉ, 2000, p.226).



Na lei 9.795/99 o capítulo II, seção II, estabelece critérios e normas para a educação ambiental no ensino formal.



Não-formal: a educação ambiental não-formal,



Refere-se aos processos e ações de educação fora do ambiente escolar. É o que se vem chamando de educação permanente, muito incentivada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência), como fator de desenvolvimento humano continuado (MILARÉ, 2000, p.227).



Essa modalidade de educação tem grande aplicabilidade na educação popular, contribuindo para aperfeiçoar a consciência dos problemas ambientais e buscar soluções práticas para eles, a partir da própria comunidade que o cidadão está inserido.



[...] Trata-se, consequentemente, de um processo educativo a realizar-se com a comunidade e não para a comunidade até porque na situação ensino- aprendizagem adequadamente estruturada a pessoa é sujeito e não objeto da ação educativa (MILARÉ, 2000, p. 226-227).



Na Lei 9.795/99 o capítulo, seção III, estabelece critérios e normas para a educação ambiental não formal.



2.3.1 Os impactos ambientais e suas consequências sobre a natureza



O ar, a água, os minerais, o solo, as plantas e os animais são essenciais à vida do homem. Como esses recursos não são inesgotáveis, o bem-estar futuro da humanidade depende fundamentalmente de uma atitude positiva voltada para a conservação da natureza (REIS, 2004).



Em sentido amplo, entende-se por conservação da natureza ou conservacionismo o esforço centrado em políticas e técnicas que têm por fim preservar na Terra condições propícias à vida e a uma integração maior entre as espécies. Os princípios básicos de conservação da natureza foram enunciados pelos ecologistas, segundo os quais a matéria viva, composta de centenas de milhares de espécies e variedades de animais e plantas, se distribui no planeta segundo uma ordem naturalmente harmoniosa, constituindo comunidades bióticas. Tais comunidades mantêm entre si, nas biocenoses, e com o meio ambiente - ar, água, solo, relevo, energia solar etc. - um profundo equilíbrio, que é a essência que determina e regula, no ecossistema, sua existência em comum.



Assim, estudados pormenorizadamente cada um dos componentes dos ecossistemas, foram determinados os princípios da conservação dos solos, da flora, da fauna, das águas continentais e marinhas. Ao procurar defender os "recursos naturais", o conservacionista não toma o vocábulo "recursos" no mesmo sentido que o economista, isto é, significando riqueza potencial, mas apenas no de "condições ambientais".



Desde o surgimento da sociedade humana, o homem tornou-se cada vez mais capaz de criar ambientes artificiais, ditos antropogenéticos (as "paisagens culturais" dos geógrafos), e diferenciados em escala crescente à medida que os meios técnicos evoluíam. A rápida transformação do ambiente provocada pelo homem não obedeceu, porém, a leis de conservação da natureza, e sim a leis econômicas. Nessas circunstâncias, quando as primeiras dessas leis são transgredidas, desencadeiam-se processos como degradação ou devastação da flora, extermínio da fauna, erosão ou lixiviação (lavagem de sais do solo) aceleradas, alteração do regime de águas ou do clima, poluição, empobrecimento ou esgotamento dos solos (DIAS, 1993).



Basta que seja alterado um dos elementos do ecossistema, além de um determinado ponto crítico, variável em cada região natural, para que todo o conjunto venha a se modificar profundamente. Assim, por exemplo, eliminando-se a cobertura florestal numa vasta superfície de relevo acidentado, todo o regime de águas é logo perturbado. A mata exerce, no caso, o papel de uma verdadeira esponja; se desaparece, torna-se muito menor a evaporação da água das chuvas. Não sendo absorvida pelas raízes, a maior parte da água que se infiltra penetra diretamente no solo até o lençol freático.



Já a água de escoamento superficial aumenta de volume e desce incontrolada pelas vertentes, formando enxurradas. São essas as principais causas da erosão acelerada, que não ocorria antes devido aos obstáculos impostos pela capa de húmus do solo, os troncos das árvores e as raízes expostas. Essa erosão pode ocorrer sem leito definido, ou então em ravinas, chamadas voçorocas no sul do Brasil, formando sulcos profundos nas encostas. É comum que esse processo de ravinamento tenha início num corte de estrada ou de caminho carroçável (DIAS, 1993).



Em trechos de encostas íngremes, após chuvas prolongadas, são frequentes os deslizamentos de terra, capazes de arrastar ladeira abaixo árvores, blocos de pedra e eventuais construções. Os rios que percorrem regiões florestais devastadas alteram em pouco tempo sua descarga e tendem a um regime torrencial, em que se alternam inundações e secas. A carga sólida dos cursos fluviais também sofre considerável aumento, razão pela qual ficam obstruídos muitos rios outrora navegáveis (REIS, 2004).



Os incêndios nas matas, em qualquer tipo de topografia, mas sobretudo em áreas planas, podem provocar a lixiviação. O calor do fogo dilata as partículas minerais que, após seu esfriamento, aumentam muito o número de fissuras do solo, por onde as águas se infiltrarão, arrastando húmus e minerais solúveis, bem como partículas finas em suspensão. Assim se explica, em zonas de vegetação aberta, a formação de crostas no solo, que podem ser lateríticas ou calcárias, segundo o clima reinante na região.



A derrubada de matas ou sua destruição pelo fogo causam danos imediatos à fauna, com a extinção de seus refúgios, fontes alimentares e locais de procriação, acarretando profundas alterações na distribuição das populações animais. Em determinadas circunstâncias, aves corredoras e rapaces começam a predominar, por exemplo, sobre espécies arborícolas e voadoras que se alimentam de plantas (REIS, 2004).



Impondo-se a mentalidade conservacionista e o conceito da essencialidade de manutenção do equilíbrio, os enfoques de uma nova ciência, a etiologia, voltada para o estudo do comportamento animal, levaram a uma visão bem diversa das relações entre o homem e as diferentes espécies que com ele compartilham a existência na Terra.



Reis (2004) nos fala que o antigo conceito simplista de animais úteis e nocivos teve de ser abandonado, ante a evidência de que, na organicidade de cada ecossistema, todos têm um papel a desempenhar, justificando-se sua conservação e proteção cuidadosa pelas próprias razões que esses papéis indicam. A observação científica dos animais, de seus recursos instintivos e de seus modos de vida, feita com isenção de julgamentos prévios, já ampliou em muito a noção de sua utilidade para os seres humanos.



Graças ao estudo dos morcegos, os zoólogos abriram caminho para a descoberta do radar, que permite a orientação na neblina ou na escuridão, evitando acidentes. Daí aos sensores remotos foi um passo. Os macacos Rhesus, da Índia, possibilitaram a descoberta do fator sanguíneo Rh, que criou condições para que sejam poupadas centenas de milhares de vidas infantis. Da mesma forma, simples fungos que infestavam lâminas de microscópio conduziram à invenção da penicilina e à produção de toda uma gama de antibióticos - fato tomado como exemplo dos benefícios que paralelamente procedem da observação da vida das plantas (DIAS, 1993).



Sabe-se que a situação atual do planeta não é muito agradável, algumas atividades humanas têm gerado um grande desequilíbrio ambiental, contribuindo para o aquecimento global e provocando o efeito estufa, aumentando a temperatura atmosférica e dos oceanos.



A devastação das florestas, as barragens construídas ilegalmente, as indústrias químicas, as estradas ilegais em áreas indígenas, tem sido visto como consequência da degradação do meio ambiente, extinguindo diversas espécies de animais, diversos rios cuja suas águas encontram-se poluídas e solos com problemas de erosão, além de alimentos contaminados com agrotóxicos e lixo por todos os lugares. Deve-se ter consciência de que em “alguns anos” acabará toda a estrutura do meio ambiente, o homem deve ser “amigo” do meio ambiente, formando uma complexa relação com a preservação, precisamos ter consciência dos nossos atos em relação ao planeta (REIS, 2004).



O desperdício de água também tem tido grande influência no desequilíbrio do meio ambiente, não se vê mais água doce como antes, a maioria de nossos rios são poluídos a cada instante, o aumento da população tem contribuído para essa realidade. É necessário fazer um planejamento através de campanhas que incentivem a população a preservar, pois certamente teremos prejuízo se isso continuar, devemos levar em conta o comprometimento cada vez maior na integridade do meio ambiente, sabendo que fazemos parte dele e que determinadas espécies precisam dele para sobreviver (REIS, 2004).



Impacto ambiental deve ser entendido como um desequilíbrio provocado por um choque, resultante da ação do homem sobre o meio ambiente. No entanto, pode ser resultado de acidentes naturais: a explosão de vulcão pode provocar poluição atmosférica. Mas devemos dar cada vez mais atenção aos impactos causados pela ação do homem. Quando dizemos que o homem causa desequilíbrios, obviamente estamos falando do sistema produtivo construído pela humanidade ao longo de sua história. Estamos falando do particularmente do capitalismo, mas também do quase finado socialismo (MILARÉ, 2000).



O homem está constantemente agindo sobre o meio a fim de sanar suas necessidades e desejos. Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto, resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo. Embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes, são constantes, e afetam nossa conduta, na maioria das vezes, inconscientemente. Um dos problemas urbanos é o crescimento populacional, que gera expansão da cidade e deficiência dos sistemas urbanos, como vias de circulação subdimensionadas gerando trânsito congestionado, solos impermeáveis a vazão da chuva causando erosões, deslizamento de terras e inundações, aumento de efluentes orgânicos poluindo rios, entre outros problemas (DIAS, 1993).



É uma tendência atual as maiores cidades do mundo se concentrarem em países do terceiro mundo. E esse crescimento das cidades mais pobres, onde a desigualdade social é maior, traz consigo um problema da falta de um bom planejamento urbano para controlar o planejamento das cidades, o que prejudica o meio ambiente de uma forma brutal. A falta de um controle e a despreocupação por parte dos administradores municipais acabam deixando as cidades se autodestruindo, gerando desconforto ambiental urbano, edificações insalubres, degradação da paisagem, poluição, entre outros problemas (REIS, 2004).



Isso porque a cidade é comparada a um organismo vivo que consome recursos naturais para sobreviver, como água, combustível, oxigênio, energia e alimentos, ao mesmo tempo em que excreta despejos orgânicos e gases poluentes. O sistema ecológico urbano tende, portanto, a se tornar crítico com o decréscimo da complexidade natural e o aumento crescente de elementos e estruturas “artificiais”.



Em se tratando de ambiente urbano, muitos são os aspectos que direta ou indiretamente, afetam a grande maioria dos habitantes - pobreza, criminalidade, poluição, etc. Estes fatores são relacionados como fontes de insatisfação com a vida urbana. Entretanto há também uma série de fontes de satisfação a ela associada. As cidades exercem um forte poder de atração devido à sua heterogeneidade, movimentação e possibilidades de escolha (REIS, 2004).



Um dos principais impactos ambientais que ocorrem em um ecossistema natural é a devastação das florestas, notadamente das florestas tropicais, as mais ricas em biodiversidades. Essa devastação ocorre basicamente por fatores econômicos, tanto na Amazônia quanto nas florestas africanas e nas do Sul e Sudeste Asiático.



O desmatamento ocorre principalmente como consequência da Extração da madeira para fins comerciais; Instalação de projetos agropecuários; Implantação de projetos de mineração; Construção de usinas hidrelétricas; Propagação do fogo resultante de incêndios;



Os incêndios ou queimadas de florestas, que consomem uma quantidade incalculável de biomassa todos os anos, são provocados para o desenvolvimento de atividades agropecuárias. Podem também ser resultado de uma prática criminosa difícil de cobrir ou ainda de acidentes, inclusive naturais (REIS, 2004).



A primeira consequência do desmatamento é a destruição da biodiversidade, como resultado da diminuição ou, muitas vezes, da extinção de espécies vegetais e animais. Muitas espécies que podem ser a chave para a cura de doenças, usadas na alimentação ou como novas matérias-primas, são totalmente desconhecidas do homem urbano-industrial e correm o risco de serem destruído antes mesmo de conhecidas e estudado.



Como resultado da modernização do campo e da introdução de novas técnicas agrícolas, a produção de alimentos aumentou significativamente. Contudo, apesar dos espantosos avanços tecnológicos, a fome ainda ronda milhões de pessoas em países subdesenvolvidos, principalmente na África. Além disso, como resultado da revolução agrícola, enfrenta-se, atualmente, uma série de desequilíbrios no meio ambiente.



O plantio de uma única espécie em grandes extensões de terra tem causado desequilíbrio nas cadeias alimentares preexistentes, favorecendo a proliferação de vários insetos, que se tornaram verdadeiras pragas com o desaparecimento de seus predadores naturais. Por outro lado, a maciça utilização de agrotóxicos, na tentativa de controlar tais insetos, tem levado a proliferação de linhagens resistentes, forçando a aplicação de pesticidas cada vez mais potentes. Isso, além de causar doenças nas pessoas que manipulam e aplicam esses venenos e naqueles que consomem os alimentos contaminados, tem agravado a poluição dos solos (DIAS, 1993).



Uma gestão ambiental sadia e eficaz depende, além desta articulação entre diferentes órgãos e instâncias de poder, de uma cooperação local entre o poder público, a comunidade organizada, organizações não-governamentais ambientalistas e comunitárias, e a iniciativa privada.



O conceito de sustentabilidade está diretamente vinculado a uma relação entre o ser humano e a natureza que, por sua vez, conserva o meio ambiente.



Ao desenvolver a pesquisa percebe-se que foi respondida por 100% dos entrevistados e mostra claramente que em cidades do interior não se tem uma percepção ambiental muito clara com relação ao Meio Ambiente pois as prefeitura e seu secretário de Meio ambiente não tem conhecimento ou não querem gastar com recursos para conter a degradação ambiental para eles só pasta recolher o lixo e retirado da vista da população que está bom, não se pode atura isto demos que colocarmos o meio ambiente para ser recuperado e o lixo tenha um tratamento adequado com tratamento e a reciclagem (DIAS, 1993).



Sendo assim conclui-se que o conceito de “desenvolvimento sustentável” vem de certa forma se contrapor a essas estratégias quando enfatiza a necessidade de promover o desenvolvimento sem comprometer as condições de vida das gerações futuras, colocando a ética como pilar mestre do processo. Considerando as mudanças que estão ocorrendo em nível internacional, em pouco tempo, atingir o desenvolvimento sustentável nas atividades econômicas ligadas a produção e consumo de bens e serviços poderão se transformar em fator significativo para sobrevivência de qualquer empreendimento ou localidade.



O crescimento descontrolado da população e a expansão das grandes indústrias baseada no uso abusivo dos combustíveis fósseis, abriram caminho para uma expansão inédita da escala das atividades humanas, pressionando a base limitada e cada vez mais escassa dos recursos naturais do planeta. A crescente preocupação com a escassez dos recursos naturais e com o futuro das próximas gerações fez surgir o conceito de desenvolvimento sustentável, uma solução conciliadora entre crescimento econômico e o uso sustentável dos recursos naturais (SILVA, 2004).



Pois se todos os danos ambientais fossem inseridos nas funções de produção das empresas, haveria também maior viabilidade econômica para atividades sustentáveis como a agricultura orgânica e o manejo florestal. Embora evitem prejuízos maiores ao meio ambiente, estas atividades sustentáveis ainda dependem da conscientização ambiental da população, pois usualmente seus produtos apresentam preços mais elevados no mercado. Portanto, de maneira geral, os impactos ambientais mais significativos encontram-se nas regiões industrializadas, que oferecem mais oportunidades de emprego melhor e infraestrutura social, acarretando, por isso, as maiores concentrações demográficas.



Diante dessa complexidade em conjunto com os problemas ambientais, surgem os problemas econômicos. Aos primeiros sinais de queda de produção por esgotamento de matéria prima e diminuição da qualidade de vida, a questões ecológicas relacionadas ao meio ambiente urbano ganharam forças e, na década de 50 o conceito de desenvolvimento sustentável se impulsionou nos países desenvolvidos (AMARO, 2005).



Este conceito traz uma alternativa para o desenvolvimento das cidades, visto que os danos que o crescimento econômico e a industrialização causaram nas últimas décadas ao meio ambiente foram enormes. Ele tem como princípio a interação decrescimento econômico e conservação da natureza, que pressupõe a expansão econômica permanente, com melhorias nos indicadores sociais e na preservação ambiental.



2.4 Ensino como meio de aprender a preservar o meio ambiente



A opção pelo trabalho com o tema Meio Ambiente traz a necessidade de aquisição de conhecimento e informação por parte da escola para que se possa desenvolver um trabalho adequado junto dos alunos.



Pela própria natureza da questão ambiental, a aquisição de informações sobre o tema é uma necessidade constante para todos. Isso não significa dizer que os professores deverão “saber tudo” para que possam desenvolver um trabalho junto dos alunos, mas sim que deverão se dispor a aprender sobre o assunto e, mais do que isso transmitir aos seus alunos a noção de que o processo de construção e de produção do conhecimento é constante.



Concomitantemente, as organizações, seja no nível individual, seja no nível coletivo, estão atuando e alterando o ambiente dos negócios. Esse fato é que torna tão importante para os gerentes a posse de um aguçado senso de responsabilidade social, haja vista que suas decisões extrapolam as considerações meramente econômicas, pois, só com um grande senso de responsabilidade social as empresas se sensibilizam para questões ambientais (CARVALHO 2000).



O trabalho de Educação Ambiental deve ser desenvolvido a fim de ajudar os alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao meio para que possam assumir posições afinadas com os valores referentes à sua proteção e melhoria. Para isso é importante que possam atribuir significado àquilo que aprendem sobre a questão ambiental. E esse significado é resultado da ligação que o aluno estabelece ligações entre o que aprende e o que conhece, e também da possibilidade de utilizar o conhecimento em outras situações.



A perspectiva ambiental oferece instrumentos para que o aluno possa compreender problemas que afetam a sua vida, a de sua comunidade, a de seu país e a do planeta.



Muitas das questões políticas, econômicas e sociais são permeadas por elementos diretamente ligados à questão ambiental. Nesse sentido, as situações de ensino devem se organizar de forma a proporcionar oportunidades para que o aluno possa utilizar o conhecimento sobre o Meio Ambiente para compreender a sua realidade e atuar.



A política ambiental deve estabelecer um senso geral de orientação para as organizações escolares e simultaneamente fixar os princípios de ação pertinentes aos assuntos e à sua postura em relação ao meio ambiente (SILVA, 2004).



Tendo como base a avaliação ambiental inicial ou mesmo uma revisão que permita saber onde e em que estado a organização se encontra em relação às questões ambientais, chegou a hora da empresa definir claramente aonde ela quer chegar. Nesse sentido, a organização discute, define e fixa o seu comprometimento e a respectiva política ambiental.



O objetivo maior é obter um comprometimento e uma política ambiental definida para a educação. Ela não deve simplesmente conter declarações vagas; ela precisa ter um posicionamento definido e forte. Além da política ambiental, empresas, escolas, e sociedade também adotam a missão de que em poucas palavras, expõe seus propósitos (SOUZA, 2004).



A política ambiental da escola deve necessariamente estar disseminada nos quatro pontos cardeais da empresa, ou seja, em todas as áreas e também deve estar incorporada em todas as hierarquias existentes.



Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), pelo seu caráter intrinsecamente organizacional, não trata todos os fatores que compõem as dimensões do Desenvolvimento Sustentável. A atividade hoteleira é um processo em que as empresas têm como metas as políticas e a responsabilidade ambiental, com vistas a obterem lucros, através de vantagens ambientais e consequentemente econômicas (STEGER 2000).



Ao adotar a política ambiental, a organização deve escolher as áreas mais óbvias a serem focalizadas com relação ao cumprimento da legislação e das normas ambientais vigentes específicas no que se refere a problemas e riscos ambientais potenciais da empresa.



A organização deve ter o cuidado de não ser demasiadamente genérica afirmando, por exemplo: comprometemo-nos a cumprir a legislação ambiental. É óbvio que qualquer empresa, como usem política ambiental declarada, deve obedecer a legislação vigente.



2.5 O educador ambiental



No modelo de ensino que, ainda, temos hoje, centrado no professor, é muito difícil implementar projetos que trabalhem a temática meio ambiente. Nesse modelo, o professor acredita que deve apresentar projetos prontos aos alunos e, simplesmente, falar que eles devem participar. Assim, a participação não é voluntária, é obrigatória; não envolvimento dos alunos na definição destes. Ocorre um tipo de hierarquia em que, de um lado há pessoas que definem (docentes) e, de outro, aquelas que simplesmente executam (discentes); não há uma discussão ou diálogo sobre o interesse dos alunos e até mesmo dos professores em relação ao que se propõe.



Um projeto conservador de Educação baseado em uma visão liberal de mundo acredita que a transformação da sociedade é consequência da transformação de cada indivíduo, visto como seres em absoluta autonomia; a transformação depende da vontade individual. Desta forma, a Educação por si é capaz de resolver todos os problemas da sociedade, basta ensinar o que é certo para cada um adquirir o comportamento correto, tornando-se assim uma Educação teórica, transmissora de informações e comportamentalista (GUIMARÃES, .2016, p. 16).



Há escolas em que os projetos já são fixos (dia da água, dia do meio ambiente, etc.), a equipe pedagógica repassa em planejamento aos professores, ou a faz de outra maneira, e estes desenvolvem trabalhos para serem expostos, como: desenhos, poesias, textos, músicas/paródias, experiências, que, às vezes não dá tempo de realizarem em sala de aula, devido aos conteúdos programáticos serem extensos e não poderem se atrasar, fazendo com que os discentes levem e os façam em casa.



Nesse sentido, muitos discursos proferidos em nome do meio ambiente na escola, como é o caso do respeito às diferenças, caem num vazio, numa espécie de abismo que revela a falta de preparo de muitos educadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, aqui especificamente do ao Ano, que trabalham com essa temática na alfabetização.



Muitos dos princípios da educação ambiental, como é o caso da solidariedade, da ética e do respeito às diferenças, à igualdade, à liberdade, entre outros, não podem ser ensinados. Como ensinar alguém a ser livre? Como ensinar alguém a respeitar o outro como legítimo outro na convivência? Como ensinar solidariedade? Como ensinar ética? Esses valores não podem ser ensinados, mas podem ser vivenciados num processo de troca e compartilhamento de ideias, no qual as pessoas se abrem para experimentá-los e, dessa maneira, podem aprendê-los a partir do outro, na convivência.



Entendemos que falar em Educação Ambiental transformadora é afirmar a educação enquanto práxis social que contribui para o processo de construção de uma sociedade pautada por novos patamares civilizacionais e societários distintos dos atuais, na qual a sustentabilidade da vida, a atuação política consciente e a construção de uma ética que se afirme como ecológica sejam seu cerne (LOUREIRO, 2004, p. 90).



Outro aspecto que não pode ser esquecido em relação a se trabalhar o meio ambiente, nas turmas de 1º ao 3º Ano, é o ideológico. É um ato político. Por isso, o professor precisa ter em mente que seus projetos de educação ambiental devem incorporar a dimensão política. Esta articulação entre a dimensão ambiental e a dimensão política é de fundamental importância para o sucesso dos projetos que estão sendo propostos.



Se quiser, por exemplo, implementar na escola um projeto de coleta seletiva de resíduos, mas se o município não possuir este serviço público, a ação pode ser vista, pelos alunos, como vazia, sem sentido, que, quando os materiais forem recolhidos, tudo o que foi separado será, inevitavelmente, misturado no caminhão. Nesse sentido, um modelo de parceria entre a escola, a prefeitura, a empresa coletora e ONGs pode surtir efeito por mais tempo em sua ação. Por isso, consideramos que a Educação Ambiental deve ser, antes de qualquer coisa, um investimento, uma ação de política pública educacional, para que as ideias sejam e possam ser colocadas em prática.



Vieiras e Tristão (2016, p. 163) sobre esse fator, declaram que:



Pensar no papel das políticas públicas nesse processo é politizar a discussão e trazer à tona o debate de questões ligadas à própria lógica de um sistema que privilegia o tempo linear, que hierarquiza e fragmenta conhecimentos e que, infelizmente, ainda pensa na educação como custo e não como investimento (VIEIRAS; TRISTÃO, 2016, p.163).



Fala-se em política pública com foco na educação ambiental de qualidade, não apenas traduzida em palavras, mas em atitude, sensibilizando a escola e seus personagens de sua atuação consciente, que pode se traduzir em diversos projetos, auxiliando em outras áreas, como: social, saúde, etc.



Quando a escola trabalha a coleta seletiva, por exemplo, além de ensinar sobre sustentabilidade, reciclagem (logística reversa), e outros, trabalha-se, também, valores importantes, como o consumismo equilibrado, amizade, solidariedade, união e outros.



Mesmo que não haja coleta seletiva, pode-se pensar em outro projeto. Uma alternativa é separar o resíduo úmido (orgânico), como é o caso dos restos alimentares da cozinha da escola e, por meio de um processo de compostagem, utilizá-lo para produzir adubo, que pode ser usado no cultivo de hortaliças na escola, tarefa que pode envolver professores, estudantes e funcionários. Neste processo, também, se pode estabelecer parcerias com outros órgãos.



Os professores devem, em primeiro lugar, sensibilizar os estudantes sobre a importância de reduzir a ação de reproduzir resíduos, antes de pensar em reciclar ou reutilizar. Consumir é inevitável, mas as pessoas podem e devem reduzir e poupar os recursos naturais. Nesta ação, os docentes podem motivar os alunos a levar seus alimentos em vasilhas reutilizáveis, em guardanapos de tecido e, mesmo, incentivá- los a consumir os alimentos da merenda escolar, o que compensará a utilização e descarte de guardanapos, sacolas, embalagens plásticas ou de papel e outras. Inserir a educação ambiental nas escolas é trabalha-la de maneira transformadora, para que os alunos percebam que sua ação, a partir das aprendizagens, será de mudanças, de buscar transformar o que se pode, no ambiente, em algo melhor, mais propício para todos.



Loureiro (2004, p. 89) nos reporta a uma educação ambiental transformadora, em que:



[...] A Educação Ambiental transformadora é aquela que possui um conteúdo emancipatório [...] vinculada ao fazer educativo, impliquem mudanças individuais e coletivas, locais e globais, estruturais e conjunturais, econômicas e culturais [...] dimensão política da educação [...] não cabe mais esperar o milagre da mudança de circunstâncias a partir de uma elite intelectual ou econômica [...] (LOUREIRO, 2004, p.89).



Muitas vezes, as escolas, com o objetivo de adquirir recursos como mídias, aparelhos de som, entre outros, realizam gincanas em que os estudantes devem recolher materiais que podem ser reciclados, como latinhas de alumínio ou papéis. Em alguns casos, ações como esta acabam estimulando os alunos a consumir ainda mais, em vez de sensibilizá-los sobre a importância de reduzir a produção dos resíduos.



Além disso, essas atitudes costumam estimular a competição entre os alunos. A competição, segundo Maturana (2008), não é e nem poderia ser sadia, porque se constitui na negação do outro. A vitória de um grupo surge da derrota do outro. A competição negando o outro como legítimo outro na convivência, encontra-se na contramão dos princípios da educação ambiental, que são a cooperação, a solidariedade, a igualdade e o respeito às diferenças.



As sugestões didáticas em se tratando da questão ambiental são complexas, não no sentido de confusas ou complicadas, mas no sentido de que as diversas dimensões que a compõem (política, econômica, social e cultural) se interligam, formando uma rede que necessita ser tecida junta, ou seja, de forma articulada. Sabe-se que a articulação entre todas essas dimensões não é algo simples de se efetivar no dia-a- dia e que os professores são também parte dessa rede, assim como os alunos, a comunidade, os políticos, as empresas, as ONGs, enfim, a sociedade como um todo. “Trata-se de ampliar a função da escola, de simples transmissão de conhecimento para estabelecimento de uma comunicação crítica, criadora de um sistema imaginativo e transformador da cultura e do ser humano” (TRISTÃO, 2002, p.173).



Entendemos que os professores podem ser considerados ambientais, quando conseguem despertar em seus alunos um sentimento de pertencimento ao meio ambiente, à suas demandas, uma delas, está descrita no próximo item, a tutela do meio ambiente, sensibilizados em cuidar deste bem.



2.5.1 A necessidade da tutela do meio ambiente



Segundo relator Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal - STF (2005), todos têm direito de usufruir de ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Tratando ser um típico direito de terceira geração, que consiste na assistência a toda humanidade. Incumbe, ao Estado, a sociedade e à própria coletividade, a especial obrigação de defender e preservar, em benefício das presentes e futuras gerações, esse direito de titularidade coletiva e de caráter trans individual.



Ainda escreve o relator que a incolumidade do meio ambiente não se compromete interesses empresariais nem pode ficar dependente das motivações de índole econômica, ainda mais se tiver presente que a atividade econômica, considerada a disciplina constitucional que a rege, está subordinada, dentre outros princípios gerais, àquele que de acordo com CF art. 170, VI, dá privilégio "defesa do meio ambiente", traduzindo um conceito amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural, cultural, artificial (espaço urbano) e laboral.



E sobre esse aspecto (BRASIL, STF, 2005) diz que,



Os instrumentos jurídicos de caráter legal e de natureza constitucional objetivam viabilizar a tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as propriedades e os atributos que lhe são inerentes, o que provocaria inaceitável comprometimento da saúde, segurança, cultura, trabalho e bem-estar da população, além de causar graves danos ecológicos ao patrimônio ambiental, considerado este em seu aspecto físico ou natural (BRASIL, 2005, s/p).



muito tempo especialistas das ciências naturais, perceberam que um ecossistema apresenta uma limitada capacidade de suporte e de autossustentação, no que se refere ao crescimento populacional. E talvez por esse motivo seja imperativo determinar regras técnicas e estabelecer conceitos sobre a extensão e a profundidade do termo sustentabilidade a partir de algum marco conceitual.



O sistema jurídico clássico construído para a tutela dos direitos individuais segundo Souza (2004) não tem conseguido responder completamente às complexas relações sociais, cabendo à construção de uma nova ordem jurídica, que passa proteger, de forma diferenciada, os direitos difusos, coletivos e os individuais homogêneos, ou seja, estabelecendo novas formas de tutela, capazes de dar resposta a essas novas demandas sociais.



Por sua vez Antunes (2004) diz que o um importante marco na construção de uma sociedade democrática e participativa e socialmente solidária, talvez seja o estabelecimento do direito ao ambiente como fundamental da pessoa humana, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal.



2.6 A escola como agente motivadora da Educação Ambiental



A escola pode idealizar e organizar um projeto com o tema Sustentabilidade Ambiental, com foco na coleta seletiva de resíduos sólidos e o racionamento de água e energia. Com o objetivo de mobilizar, envolver e transformar educadores, alunos e toda a comunidade local em atores sociais e ecológicos num processo de conscientização e preservação do meio ambiente.



Trabalhando os aspectos ambientais de forma macro e contínuo, inserindo ao seu mecanismo de ação o desenvolvimento sustentável e através de atividades motivadoras formar alunos/cidadãos capazes de assumir suas responsabilidades socioambientais e éticas (GUIMARÃES, 2005).



Para alcançar estes objetivos pode-se recorrer a várias metodologias, tais como: oficinas de materiais recicláveis, monitoramento diário da coleta seletiva, produção de textos relacionados ao racionamento de água e energia, painel de fotos, enfocando os problemas x soluções ambientais do município de São Mateus, envolvimento dos alunos na construção de bancos e quiosques, palestra sobre a importância da coleta seletiva do lixo, compostagem, ornamentação das salas e do pátio interno com vasos de plantas, arborização no pátio externo, fora do bairro passeio ecológico, apresentação de peças teatrais, apresentação de telas retratando a interferência do homem ao meio ambiente, painel sobre decomposição do lixo na natureza, apresentação de feira ambiental, apresentação de temas ambientais, distribuição de mudas de plantas pelos alunos e visita a projetos de reciclagem (PENTEADO, 2009).



Penteado (2009) explica que metodologias podem ser executadas pelas escolas envolvendo, por exemplo, a água, que é um direito e dever de todos a sua conservação, objetivando aos alunos identificarem-se como parte integrante da natureza para que se sintam afetivamente ligados a ela, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente.



As atividades podem envolver: visitas às famílias das comunidades escolares, questionários para levantamento de dados referentes à saúde, educação e alimentação, aulas de campo, elaboração de gráficos a partir dos dados coletados pela pesquisa, construção de maquetes, confecção de dobraduras, produção de mosaicos e confecção de placas e receitas com material alternativo (REIGOTA, 2008).



Convém destacar que as atividades relacionadas ao meio ambiente não se restringem a estas, elas são inúmeras, que vão desde uma atuação tímida, em sala de aula a projetos que poderão estar sendo desenvolvidos pela escola em parceria com os pais e comunidade local. Isso se coloca como representação social.



Freitas (2009) insere a ideia de que a representação social se refere à maneira do indivíduo de interpretar sua vida e dar sentido a ela, podendo usá-la para conscientizar ambientalmente as crianças integrando ao meio em que vivem.



Na educação, os estudos das representações sociais oferecem importante contribuição para se pensar sobre os conhecimentos que orientam tanto o processo educativo, sua estrutura, seu mecanismo e leis quanto a forma de pensar e agir dos atores envolvidos neste processo (FREITAS,2009).



As escolas são lugares onde ocorrem representações sociais sob a perspectiva de diversos sujeitos, como a representação que os professores têm sobre os alunos, sobre sua pratica profissional, quanto a que os alunos têm sobre cada professor dependendo da disciplina.



As diferentes maneiras de como a EA vem sendo trabalhada nos fazem ter diferentes percepções acerca da temática (REIGOTA, 2008). Cada indivíduo percebe, reage e responde de diferentes maneiras ao ambiente em que vive. Pode-se dizer que as atitudes e os sentimentos que cada indivíduo possui, está relacionado à percepção que o mesmo tem sobre o meio ambiente.



Quando a escola trabalha o meio ambiente de maneira crítica, leva seus alunos à percepção da realidade, contribuindo na compreensão das inter-relações entre o ser humano e o meio ambiente (PALMA 2005). Pois, o comportamento humano se dá através das percepções que o indivíduo tem com o mundo, fazendo cada um reagir conforme a sua percepção. Por isso é de grande importância identificar e conhecer a percepção que o indivíduo tem sobre o meio para então poder conscientizar os indivíduos sobre suas responsabilidades em preservar o meio em que vive.



É importante que o professor tenha conhecimento da percepção que cada aluno possui. Pois através desse conhecimento ele poderá verificar os problemas encontrados e identificar formas que poderá sensibilizar, conscientizar e trabalhar as dificuldades ou dúvidas que os alunos possam vir a ter quando se fala em meio ambiente. Pois a percepção e o engajamento do cidadão em relação à importância dos elementos naturais e aos problemas ambientais locais são um passo importante para contemplar os objetivos da Educação Ambiental (MELAZO, 2005).



Nos últimos anos, o ser humano obteve acesso a mais informações e conhecimento uma vez que os meios de comunicação de massa, como a internet, por exemplo, se expandiram, o que proporcionou um grande desenvolvimento das ciências e da tecnologia. E, ao mesmo tempo, ocorreram mudanças nos valores e modo de vida da sociedade. E esses fatores geraram profundas mudanças na cultura, afetando a percepção do homem com relação ao meio ambiente, que o vê como um objeto de uso para atender suas necessidades, sem se preocupar em estabelecer limites e critérios apropriados para sua utilização. O que não demorou muito para o surgimento de problemas ambientais que afetam a qualidade de vida e o próprio ambiente, gerando uma crise na relação entre sociedade e meio ambiente. Essa situação fez com que surgisse a mobilização de indivíduos, exigindo soluções e mudanças.



Nesse âmbito, Reigota (2008) esclarece que a Educação Ambiental surge como resposta à sociedade de como poderá ser a vida no planeta. Sua proposta principal é a de exceder a ideia entre natureza e sociedade como degradação, formando uma atitude ecológica nos indivíduos, afirmando assim que o meio ambiente é um espaço de relações múltiplas.



Ela integra conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações, onde cada oportunidade de se fazer algo pelo meio em que vivemos se transforma em experiências educativas, viabilizando a construção de uma sociedade sustentável.



Acredita-se que o primeiro passo para a realização da educação ambiental deve ser o conhecimento teórico e prático a respeito do que ela significa na vida de cada ser vivo (REIGOTA, 2008). Enquanto o ser humano considera-lo apenas relevante para si, deixará de respeitar e conhecer o direito das demais espécies (animais, plantas e outros).



Ainda conforme o autor, a Educação Ambiental procura trabalhar na perspectiva de conduzir o ser humano à oportunidade de conhecer o meio em que está inserido: sociedade, natureza, transformação do meio para sobrevivência e consequências (problemas ambientais) tomando consciência de que ele destrói, constrói e reconstrói o espaço, aprendendo a enfrentar a atual situação ambiental em que se encontra o planeta através do desenvolvimento sustentável.



Segundo o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades (PENTEADO, 2009, p.33).



Partindo desde ponto de vista, o ser humano pode melhor gerenciar seu espaço geográfico de maneira satisfatória, não se esquecendo de que o determinismo da natureza também deve ser respeitado, e que nem todos os recursos se renovam, tudo que se modifica na natureza ou no meio gerará uma consequência, e esta posse ser irreversível.



Na maioria das escolas, raramente se vê o insucesso como ponto de partida para o exercício da reflexão sobre o problema enfrentado, geralmente discute-se muito e, em seguida, parte-se para outro projeto, a reconstrução é muito difícil para muitos educadores, pois refazer dá trabalho, requer planejamento. E isso, para a educação ambiental, é extremamente prejudicial, pois os problemas socioambientais que ora se vivenciam são complexos para serem resolvidos de maneira imediata e definitiva. Por isso, o estudo sobre o meio ambiente na escola é tido como um processo permanente de aprendizagem e que deve ser trabalhado urgentemente.



Na avaliação de Barcelos e Noal (2008), os fracassados nos projetos que envolvem esse tema não são os alunos, mas sim os professores. A eles cabe uma parcela de responsabilidade pelo sucesso ou fracasso dos projetos de educação ambiental. Por outro lado, os professores tendem a atribuir a culpa aos alunos e, no final, a escola passa a ser a culpada. Como se vê ninguém quer assumir as consequências desse insucesso.



Assim, ainda conforme Barcelos e Noal (2008), tendo como base essas análises, deve-se pensar se, realmente, a escola está estimulando a participação e a responsabilidade efetiva dos alunos para com seu progresso de aprendizagem, promovendo sua autonomia. Isso por que é fundamental que todos sejam responsáveis pela condução dos projetos e atividades voltados para a educação ambiental, ou seja, que todos assumam o projeto como pertencente a um grupo. Isso também é importante para a vida futura desses educandos, como cidadãos responsáveis, éticos e comprometidos com a causa ambiental.



Apesar de cada etapa de ensino possuir suas peculiaridades, normativas e conteúdo programático, Lana (apud FERREIRA, PEREIRA, BORGES, 2013) destaca que a escola orienta a formação cidadã dos alunos, e como o meio ambiente é um tema transversal previsto como ação cidadã, esta deve ser trabalhada em todo o histórico de vida dos indivíduos, no caso, os alunos.



[...] apesar das especificidades de cada nível e modalidade, considera-se que alguns temas devam ser tratados em todos esses níveis e modalidades, por serem considerados imprescindíveis para a adequada formação cidadã dos sujeitos. Dentre esses temas, o meio ambiente e a educação ambiental são bons exemplos de assuntos que devem ser abordados durante toda a vida escolar dos sujeitos (LANA, apud FERREIRA, PEREIRA, BORGES, 2013, p. 111).



Torna-se equívoco da prática escolar docente considerar que o meio ambiente deva ser trabalhado em data específicas, como: dia do meio ambiente, dia do índio, Feira de Ciências e outras.



Outra lacuna deixada pela escola se refere a aplicar o conhecimento ambiental à disciplina de Ciências Naturais, agregando uma gama de conteúdos ao professor dessa área do conhecimento.



[...] apesar do reconhecimento da importância da educação ambiental estar presente em todos os níveis e modalidades do ensino regular do país, as práticas realizadas nas diversas instituições ainda não conseguiram cumprir com as propostas normativas de atividades críticas com abordagem politizada sobre os problemas socioambientais pelos quais passa a sociedade, tendo sido ainda resumidas a atividades de cunho acrítico, que reduzem tais problemas a questões ecológicas e naturais (LANA apud FERREIRA, PEREIRA, BORGES, 2013, p. 111).



Para os autores, a abordagem ambiental não deve ser simplista, tampouco isolada, ela agrega conhecimentos e pode ser abordada por qualquer professor em sua disciplina e, dessa forma, urge a emergência em relação ao enfoque crítico e reflexivo que ela precisa desenvolver nos alunos.



Os alunos são como multiplicadores do conhecimento, pois, de acordo com Reigota (2008), eles aprendem e levam o conhecimento para a comunidade a que pertencem, ou seja, família, vizinhos, grupos sociais. Nesse sentido, se a escola trabalhar a Educação Ambiental, certamente formará disseminadores de projetos que resgatarão a consciência ambiental nas comunidades.



Com base nas ideias de Penteado (2009) e dos demais teóricos, aqui apresentados, questiona-se: como o meio ambiente vem sendo trabalhado nas escolas? Em que bases vêm sendo discutidas suas proposições? É muito importante discutir um pouco sobre esta realidade e refletir acerca do processo de construção da cidadania ambiental e da sensibilização dos estudantes e professores, o que se apresenta na pesquisa em lócus a seguir.



2.6.1 Tipos de resíduos sólidos produzidos na escola pública



Na concepção técnica, resíduo (considerado lixo) deve ser visto e analisado sob o prisma biológico. Dessa forma, definimos os resíduos sólidos como restos de alimentos folhas, sementes, papeis garrafas pets, madeiras etc., oriundos da ação do ser humano. O homem é um constante gerador de descarte de materiais de todas as espécies, seja em casa, no escritório, na escola, em supermercados ou em comércio, resíduos, lixo, restos e outros.

Estes se classificam como:



Resíduos orgânicos são gerados principalmente nas residências, restaurantes e estabelecimentos comerciais que atuam na área de alimentação. Devem ser separados dos outros tipos de lixo, pois são destinados, principalmente, aos aterros sanitários das cidades.



Exemplos: cascas de frutas e legumes; restos de verduras, de arroz e de feijão; restos de carnes e ovos.



Resíduo reciclável é todo material usado que pode ser reutilizado no processo de transformação de outros materiais ou na fabricação de matéria-prima. São gerados nas residências, comércios e indústrias. Devem ser separados e destinados à coleta seletiva. São usados por cooperativas e empresas de reciclagem. A separação para a reciclagem deste tipo de resíduo sólido é de extrema importância, pois além de gerar empregos e renda, também contribui para o meio ambiente. Isto ocorre, pois não vai gerar poluição em rios, solo e mar.



Exemplos: embalagens de plástico, papelão, potes de vidro, garrafas PET, jornais e revistas usadas e objetos de metal.



Diariamente, a escola produz uma grande quantidade de resíduos, tanto orgânico quanto reciclável. A maior parte desse montante é acumulada durante o recreio, no preparo da merenda escolar, mas também há resíduos espalhados pelas salas de aula, banheiros e em qualquer outro local em que há fluxo de pessoas.



A coleta seletiva é de extrema importância para o desenvolvimento sustentável do planeta, pois possibilita o reaproveitamento dos materiais, destinando-os a outros fins (FERREIRA, 2011).



O ambiente escolar é muito propício para a realização da coleta seletiva. Isto porque, além de dar fim aos resíduos de forma adequada, esta é uma ação que educa os alunos a respeito da responsabilidade ambiental e ensina a importância do descarte correto e aplicação da logística reversa para construir um mundo melhor para todos.



Vale destacar que o aprendizado do aluno deve ser muito mais amplo do que as matérias presentes nos livros, e envolve a formação da cidadania como método de elevar a autoestima e valorizar seu ambiente. A consciência da diminuição dos recursos naturais do planeta permite que o aluno possa ter atitudes mais proativas de sustentabilidade e responsabilidade social.



Diariamente, a escola produz uma grande quantidade de lixo. A maior parte desse montante é acumulada durante o recreio, mas também resíduos espalhados pelas salas de aula, banheiros e em qualquer outro local em que há fluxo de pessoas.



Crianças e adolescentes tendem a copiar comportamentos e a repercuti-los, especialmente quando estão em grupos sociais. Justamente por conta desse comportamento, é muito importante que os jovens estejam em ambientes voltados para os bons valores, como a empatia, a importância da educação, a generosidade e a conscientização sobre o meio em que se vive.



A coleta seletiva consiste em separar o lixo de acordo com sua matéria-prima (plástico, vidro, metal, papel, material orgânico, etc), para que esses resíduos possam ser recolhidos separadamente e de acordo com seu tipo. Esse material é encaminhado para a reciclagem, sendo utilizado para a produção de novos itens.



A implementação da coleta seletiva em escolas é vantajosa pois é capaz de recolher um grande volume de resíduos e ainda ensina os alunos a respeito da importância da sustentabilidade. Além disso, esta é uma ação que traz as seguintes vantagens para o meio ambiente: redução do volume de lixões e aterros, que causam contaminação do solo e dos lençóis freáticos devido ao líquido tóxico gerado pela decomposição do lixo (chorume), economia de água utilizada no processo de fabricação de produtos e embalagens novas e extinção da necessidade de retirar recursos da natureza para a fabricação de produtos e embalagem.



2.6.2 O que é e como fazer a coleta seletiva dos resíduos sólidos na escola



Conforme descrito em alguns dos subcapítulos desta pesquisa, a escola é uma instituição capaz de ensinar seus estudantes a construir, buscar e disseminar conhecimentos. Desta forma, não seria diferente em se tratando a Educação Ambiental e, mais especificamente, sobre a coleta seletiva.



Os resíduos produzidos pela maioria das instituições escolares são descartados em vasilhames, que se costuma chamar de lixeiras. Nas salas de aula estes são menores, onde se jogam materiais de uso pessoal e coletivo, como: aparas de lápis, objetos quebrados, picotes de papel, plásticos, canetas sem tinta ou que esburraram, folhas de cadernos, chicletes, embalagens e outros, conjuntamente.



Os vasilhames do pátio concentram folhas de árvores, materiais varridos pelos funcionários da escola, restos de lanches dos alunos, embalagens, palitos de picolé, e outros, todos juntos.



Nas lixeiras de banheiro, os papeis higiênicos, embalagens, absorventes e outros.



Na sala dos professores, os vasilhames, geralmente, contêm folhas de papel, pinceis sem tinta, frascos em embalagens de remédios, objetos quebrados, restos de lanches, embalagens diversas, sempre num mesmo local.



Nos refeitórios locais para o descarte para restos de alimentos e para embalagens, mas todos são descartados juntos.



Percebe-se que ao final de cada turno, os resíduos de todos os espaços são descartados em sacolas plásticas grandes, juntos, e colocados num espaço da escoa para serem recolhidos pelo carro coletor da cidade, não há seleção do material.



O que vem a ser esta seleção, é o que se considera a coleta seletiva, a organização dos resíduos por categorias, ou por tipos, regulamentados por seu tempo de degradação e pelo reaproveitamento que estes podem receber, se houver a reciclagem.



Assim, plásticos, papeis, metais, vidros, conforme a CONAMA devem ser direcionados a contêiner específicos, isso para instituições escolares, que não agregam outros resíduos mais perigosos. Já os resíduos produzidos sob a forma de restos de alimentos, devem ser colocados em recipientes apropriados e reutilizados de outra forma, por exemplo em compostagem de hortas, onde pode servir como adubo.



O CONAMA determina cores diferentes para cada tipo de coleta: amarelo (para metais em geral); azul (para papel e papelão); verde (para vidro) e vermelho (para plástico). Poderiam, as escolas utilizar o de cor marrom para os resíduos orgânicos.



3 PERCURSO METODOLÓGICO



Este artigo tem como ações metodológicas uma proposta de pesquisa para dentro do espaço escolar e, principalmente, que a sua realização fosse em parceria com todos os autores educacionais da escola, para evitar o distanciamento que poderia trazer para a pesquisa e obtenção de dados distantes da realidade escolar; considerando este importante fator apresentado para a construção deste trabalho, utilizou-se como enfoque o método qualitativo. E, em relação ao tipo de pesquisa, a mesma enquadra-se dentro dos procedimentos metodológicos da pesquisa participante.



De acordo com Demo (2009) na pesquisa participante um componente político que possibilita discutir a importância do processo de investigação, tendo por perspectiva a intervenção na realidade social.



No entendimento de Harguette (2001), a possibilidade do trabalho dentro dessa natureza requer cumplicidade entre os sujeitos envolvidos neste processo, e para a autora a participação é uma ação reflexionada em um processo orgânico de mudança, cujos protagonistas são o pesquisador e a comunidade escolar interessada na mudança.



Para os pesquisadores espanhóis Luis Gabarron e Libertad Landa (2004) o ponto de origem da pesquisa participante deve estar situado em uma perspectiva da realidade social, tomada como uma totalidade em sua estrutura e em sua dinâmica, que requer integração e interação social entre os participantes da pesquisa; Eles acrescentam que a investigação, a educação e a ação social convertem-se em ações metodológicas de um único processo que tem como foco principal a transformação social.



No posicionamento de Silva (2011) a pesquisa participante, como o próprio nome indica, implica necessariamente a participação tanto da pesquisadora no contexto, grupo ou cultura que está a estudar, quanto dos sujeitos que estão envolvidos no processo da pesquisa.



A metodologia desenvolvida para a realização desta pesquisa se baseou na sensibilização, através de mediações e estratégias didáticas sobre o descarte correto de resíduos sólidos numa escola pública municipal de São Mateus-ES.



O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em etapas, tendo como primeira ação a coleta de dados por meio da aplicação de um roteiro para entrevista semiestruturada, contendo 23 perguntas, registros de dados através da observação, principalmente das reações e atitudes dos alunos antes, durante e depois do desenvolvimento do projeto.



Os instrumentos para coleta de dados (entrevista e observação) foram utilizados visando não causar nenhum tipo de constrangimento e deixar os alunos à vontade para que exponham as suas ideias sem sentir-se pressionados para tal.



O roteiro de entrevista foi aplicado para 37 alunos do ao ano, da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Professor João Pinto Bandeira”. Sobre a referida instituição, importa apresentar sua caracterização.



3.1 Caracterização da escola participante da pesquisa



A EMEF “Professor João Pinto Bandeira “localizada à rua Duque de Caxias, s/n, Bairro Carapina, São Mateus-ES.



A escola existe desde o ano de 1969, quando foi fundada, uma das maiores e mais antigas do município. Desenvolve seu trabalho centrado na educação escolar de cerca de 1.200 alunos, do 1° ao 9° Ano. No Matutino, atente os alunos de 6º ao 9º ano e turmas de PREFES A e PREFES B; no Vespertino, sua clientela é de 1º ao 5º ano; e no noturno, são turmas de Educação de Jovens e Adultos EJA ao Período e 5º ao 8º Período.



As turmas são atendidas da seguinte forma e nos horários respectivos: no Matutino, as turmas de ao ano e Prefes são distribuídas em 19 salas, das 7:00h às 11:30h. No Vespertino, as crianças do ao ano estão distribuídas em 16 salas, das 13:00h às 17:30h. No noturno , as turmas da EJA se organizam em 13 salas, sendo que funcionam das 18:30 às 22:30.



A escola se pauta na gestão democrática e participativa, sendo seu pleito sob indicação administrativa do executivo municipal. As gestoras estão três anos.



A instituição tem se desenvolvido durante esses anos de existência e os funcionários mais antigos apontam como um avanço muito significativo, que as gestoras até hoje atuantes foram muito interessadas, junto com a equipe, em buscar o melhor para os alunos.



Atende a alunos de praticamente quase todos os bairros do município e também alguns do meio rural, por isso, entende-se que a participação das famílias fica complicado. A rotatividade das famílias que se mudam para São Mateus e não permanecem muito tempo também é uma situação complicada.



A maioria de seus professores e demais profissionais é efetiva, tendo alguns poucos casos de Designação Temporária (DTs), mas estes não conseguem permanecer por muito tempo. Os coordenadores também são DTs e fica complicado de prosseguir o trabalho no ano posterior, sem a definição de que conseguirão retornar à escola.



Seu trabalho está centrado nas legislações vigentes, no Programa de Ensino do município, nos PCN’s, e em projetos interdisciplinares.



3.2 Sujeitos participantes da pesquisa



Explica-se que participaram desta ação 37 alunos sorteados, sendo 10 (do 1º ano), 10 (do 2º ano) e 17 (do 3º ano).



Os alunos estão na faixa etária entre 06 e 09 anos, enquadram-se no nível sócio econômico de classe, predominantemente, baixa, advinda de bairros carentes, como: Pedra D’água, Eldorado, Liberdade, Areinha, Porto, Ribeirão e Carapina. O transporte utilizado, por grande parte destes, é o transporte coletivo (ônibus escolar) concedido pela Prefeitura através da Secretaria de Transporte Escolar.



A merenda escolar é a alimentação tida por eles no horário de recreio, fator que contribui para a frequência escolar, bem como a inscrição no Programa Bolsa Família, cujo benefício auxilia na manutenção de recursos pessoais dos estudantes, como uniforme escolar, materiais e outros.



3.3 Etapas da Pesquisa



Nesta seção do capítulo, busca-se apresentar as etapas, que serão melhor explicitadas no capítulo posterior “Apresentação dos Dados Pesquisados”.



A primeira etapa da pesquisa foi a aplicação das entrevistas, de forma que aos que ainda não estavam totalmente alfabetizados, as professoras colaboraram na leitura e na transmissão das respostas tal qual as crianças falaram, sem inferências. As entrevistas foram realizadas em dias subsequentes. O objetivo inicial foi perceber o nível de compreensão dos estudantes acerca do tema “Meio ambiente”.



Na segunda etapa do trabalho, baseamo-nos nas respostas das entrevistas dos alunos, após a participação de três palestras ministradas por: um pedagogo da rede municipal de educação; uma Bióloga da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do município de São Mateus; e uma vereadora (professora de Ciências Biológicas) deste município.



A intenção destas palestras às turmas de 1º, e Anos, foi para que os estudantes pesquisados pudessem ter suas dúvidas esclarecidas e, especialmente, para correção das incoerências conceituais detectadas no preenchimento dos formulários de entrevistas. Após esta etapa, os envolvidos realizaram atividades e cartazes relacionados ao tema em estudo e estas produções foram afixadas no pátio interno e externo da escola.



Na terceira etapa, realizou-se, com as turmas pesquisadas, visita a um espaço de coleta seletiva, localizado em bairro distante da escola para que os estudantes vivenciassem, na prática, como é feito o processo da coleta seletiva, bem como importância dos profissionais que trabalham neste espaço, e o destino dos objetos recolhidos nas cidades aos quais os indivíduos pesquisados residem.



Na quarta etapa, os trabalhadores do espaço de reciclagem (como é chamado) fizeram um intercâmbio com os alunos para que aprendessem como se dá a coleta seletiva e o reaproveitamento dos resíduos, oportunizando a este participar do processo.



Estes momentos de pesquisa fortaleceram a percepção do que os sujeitos escolares tinham como conhecimento sobre o meio ambiente e, especificamente, a coleta seletiva e o reaproveitamento dos resíduos sólidos.



4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS PESQUISADOS



Após os dados coletados sob a forma de entrevistas e observação do espaço escolar em relação a ações que foram realizadas sobre a Educação Ambiental, a partir deste capítulo apresentar-se-á cada um de maneira descritiva.



4.1 Realização das entrevistas



Conforme explicado no capítulo anterior, a entrevista foi feita com 37 alunos matriculados e frequentando o 1º, o 2º e o 3º ano do Ensino Fundamental, turmas consideradas de alfabetização, da Escola Municipal “Professor João Pinto Bandeira”, a escolha por esse tipo de instrumento para coleta de dados, foi devido ao fato de alguns alunos não estarem totalmente alfabetizados, dependendo da professora para lhes auxiliar. O questionário seria mais trabalhoso para que cada um dos estudantes lesse e respondesse.



Assim, em dias subsequentes: 02, 03 e 04 do mês de outubro do ano 2019, respectivamente, a pesquisadora sorteou os alunos do 1º, 2º e 3º ano para participarem das entrevistas e assim ocorreu. Cada professora direcionou a pesquisadora aos alunos sorteados e esta procedeu às perguntas do roteiro de forma a que a professora anotava as respostas dadas pelas crianças. Foram 23 perguntas, entre abertas e fechadas, em que as docentes consideraram as respostas dos estudantes, sem inferências. Quando havia alguma dúvida, a pesquisadora é que explicava. Das 23 perguntas, apenas 14 foram tabuladas em gráficos, mas todas foram participadas aos estudantes e apresentadas neste subcapítulo.



Sobre as respostas às perguntas fechadas, foram organizados gráficos. O que foi subjetivo será descrito tal qual foi relatado. Não foi feita a divisão por turma dos entrevistados, optou-se por apresentar todos juntos, por se tratar de um tema único.



A primeira pergunta envolveu o gênero dos alunos participantes.



Gráfico 1: Gênero dos alunos pesquisados

Fonte: da pesquisadora.



Os dados coletados indicaram que a maioria dos alunos participantes (51%) é feminino; sendo (49%) masculino.



Dessa forma, são 19 meninas e 18 meninos sorteados nas turmas de 1º, 2º e 3º ano, totalizando os 37 estudantes.



Este dado não acrescenta e nem altera nenhuma percepção, apenas representa uma das questões do roteiro de entrevista.



O segundo questionamento envolve a concepção das crianças a respeito do lixo, palavra usada no contexto escolar quando se referem aos resíduos sólidos.



Quando perguntados, na questão 2 “VOCÊ SABE O QUE É LIXO?” Os alunos, responderam:



Gráfico 2: Você sabe o que é lixo?

Fonte: da pesquisadora.



Esta pergunta suscitou 97% das respostas “Sim”, portanto a maioria; e 3% como “Não”, ou seja, das 37 crianças entrevistadas, 36 responderam positivamente e 01 não.



O termo lixo é do conhecimento da comunidade escolar, se ao invés dela tivéssemos inserido “resíduos sólidos”, certamente a resposta seria diferente. Percebemos a necessidade de trabalhar termos e conceitos adequados, mesmo com crianças bem novas.



A respeito do conceito de lixo, os alunos indicaram o que lhes era do conhecimento factual.

Gráfico 3: Para você, lixo é

Fonte: da pesquisadora.



De acordo com as respostas dos alunos, 78% entendem o lixo como material que se joga fora e 22% como o que se pode aproveitar. Essa ideia dos alunos faz uma alusão ao que as pessoas entendem no sentido conotativo da palavra, ou seja, quando se pronuncia a palavra “lixo” tem-se a ideia de é o que não presta, por isso jogamos fora.



Existe a necessidades de trabalhar o termo “resíduos sólidos” e não mais a palavra lixo, associada a outra concepção, a real.



A quarta pergunta do roteiro da entrevista foi “VOCÊ JÁ JOGOU LIXO NO CHÃO, COMO PAPEL DE BALA, LATINHA DE REFRIGERANTE, ETC.? POR QUÊ?



05 alunos responderam que sim e justificaram que jogaram porque não tinha lata de lixo onde estavam. E 32 afirmaram não ter jogado resíduos ao chão. Estas respostas nos chamam a atenção quanto a ideia dos alunos de que não ter um vasilhame por perto, os dá o direito de jogar objetos ao chão. É essencial que sejam sensibilizados a buscar uma alternativa para descartar adequadamente a embalagem do que foi consumido, mesmo que improvisada e depois no local correto.



Os 32 que se isentaram desta ação já possuem uma sensibilização neste sentido, certamente hábito familiar, orientação e exemplos tomados de outras pessoas em seu convívio doméstico.



Sobre a quinta pergunta “VOCÊ VIU ALGUM COLEGUINHA DA ESCOLA JOGAR LIXO NO CHÃO?”



As respostas foram: Sim (29) e Não (06), apenas a título de informação, pois não há nenhuma complementação à pergunta sobre inferência feita por que viu, entende-se que para muitas crianças, assim como os adultos, descartar uma embalagem vazia parece algo normal. É preciso, no caso da escola, mostrar a quem pratica tal ato, que isso não corresponde ao correto e que é importante que este resíduo seja descartado em vasilhame adequado.



Na pergunta de número 6: “O QUE É FEITO COM O LIXO DA SUA CASA?” os alunos responderam de maneiras diferentes, mas que se encaminhou para a mesma resposta: “Alguém joga na lixeira, coloca na sacola e deixa em frente de casa para o caminhão de lixo da Prefeitura recolher”. Esta foi a ideia que os alunos repassaram às professoras, enquanto elas anotavam.



Aquela concepção dos alunos sobre lixo se baseia na ação realizada em sua residência, não há nada diferente. Ninguém separa os resíduos.



A sétima questão também é subjetiva “O QUE É FEITO COM OS RESTOS DE COMIDAS NA SUA CASA?”



Dos 37 alunos entrevistados, 03 responderam que não sabiam, 12 disseram que a mãe ou algum parente jogava para os animais (galinha, cachorro e gato) e os demais, 22, falaram que era jogado no lixo e colocado na rua para o caminhão levar.



Assim, se fôssemos traçar um gráfico, este ficaria assim.



Gráfico 4: Descarte dos restos de comida de sua casa

Fonte: da pesquisadora.



Agora, em representação gráfica, temos 60% como descartam em sacolas e colocam na rua para o caminhão recolher. 32% jogam aos animais domésticos (cães, gatos e galinhas); e 8% não têm conhecimento do descarte desses resíduos.



A fala das crianças representa sua vivência, o que elas percebem nas ações rotineiras da família.



A pergunta número 08 abrange o fato de as crianças terem, ou não conhecimento sobre “VOCÊ SABE OU JÁ OUVIU FALAR SOBRE RECICLAGEM?”



Gráfico 5: Você sabe ou já ouviu falar sobre reciclagem?

Fonte: da pesquisadora.



Reciclagem parece ser algo conhecido pelas crianças, pois 78% (que corresponde a 29) sabem ou ouviram falar do que se trata; enquanto que 22% (07 delas) afirmaram não saber ou não terem ouvido falar sobre o assunto.



Dessa forma, entende-se que a escola precisa trabalhar voltada à coleta seletiva e a algumas formas de reciclagem de maneira concreta, para que os alunos possam obter esse aprendizado e se sentir sensibilizado a praticar esta ação de reaproveitamento. Falamos em obter o conhecimento teórico agregado ao da vivência, que muitos têm.



Ao computar estas respostas, recorda-se de um fator importante, muitos alunos do 1º, 2º e 3º ano da Escola Professor João Pinto Bandeira advêm de baixos do entorno de uma das empresas que faz reciclagem no município e possuem familiares que prestam serviço a ela ou a outra, tanto na cata de papel e outros materiais, como dentro da empresa, em alguma função.



A questão 09 reforça a 08, pois enfoca o conhecimento de materiais que podem ser reutilizados do lixo “VOCÊ SABE OU JÁ OUVIU FALAR QUE EXISTEM MATERIAIS QUE PODEM SER REUTILIZADOS DO LIXO?”, apresentado no gráfico





Gráfico 6: Você sabe ou já ouviu falar sobre materiais que podem ser reutilizados do lixo?

Fonte: da pesquisadora.



A maioria, 68%, indicou saber ou ter ouvido falar sobre a reutilização de materiais e 32% afirmou desconhecer esta informação. Deduziu-se que a diferença entre respostas a perguntas tão parecidas seja em relação ao conhecimento do termo “reciclagem” e desconhecimento sobre a palavra “reutilização de materiais”, pois é comum nas escolas. Também se faz comum a utilização de materiais em aulas, como: sementes, palitos de picolé e de dente, embalagens e rótulos, etc. As crianças não conseguiram associar sobre o que se tratava, pela falta de conhecimento do significado da expressão.



A pergunta número 10 “NA ESCOLA QUE ESTUDA, VOCÊ OBSERVOU SE O LIXO É SEPARADO: PAPEIS, LATINHAS, RESTOS DE COMIDAS, GARRAFAS PETS E VIDRO?”



Dos participantes, 13 responderam SIM e 24 NÃO. Das respostas positivas, 04 explicaram que tem lixeira em cada sala, ao que deduzimos que há uma lixeira apenas, para tudo, e que esta não oportuniza a seletividade dos resíduos. Ou seja, não fazem, de repente, porque não têm como, sem opção.



Na décima primeira pergunta “QUANDO TERMINA O RECREIO DA SUA ESCOLA, VOCÊ ACHA QUE TEM MUITO LIXO JOGADO NO CHÃO?”



Gráfico 7: Após o recreio da sua escola, você acha que tem muito lixo jogado no chão?

Fonte: da pesquisadora.



Nesta etapa da participação, 92% indicaram ter muitos resíduos ao chão após o recreio; 8% inseriam a resposta não.



O recreio é um momento em que as crianças têm um intervalo entre as aulas para lanchar, brincar, realizar suas necessidades fisiológicas e até descansar. A organização deste momento de 20 minutos (na escola pesquisada) pode ser alterado, e isso cabe à coordenação em orientar e observar como está ocorrendo esses materiais descartados fora dos vasilhames. Na descrição da observação dos pátios, mais a frente, a disposição dos locais para esse depósito de resíduos será explicado. Por hora, jogar “lixo” no chão, tendo os vasilhames ali, é falta de sensibilização dos alunos.



A questão 12 “SE A ESCOLA SEPARASSE O LIXO EM CADA VASILHAME OU LATÕES, ONDE VOCÊ ACHA QUE DEVERIA SER COLOCADO O PAPEL?” envolve o conhecimento dos alunos, mesmo sem conhecer o termo “coleta seletiva”, mas a respeito do que ela significa, conforme o gráfico 8, apresenta.



Gráfico 8: Percepção dos alunos sobre a cor do vasilhame para papel.

Fonte: da pesquisadora.



O conhecimento a respeito da coleta seletiva, através do termo, é desconhecida pelos alunos, mas, ao que se constatou, no apontamento das respostas, é que a maioria, 51% das crianças soube perfeitamente indicar a cor correspondente ao vasilhame respectivo ao papel: azul; 5 alunos (3%) indicaram a cor amarela; 6 (16%) indicou a vermelha e 7 (19%) falou ser a verde.



O conhecimento está mais próximo dos alunos do que se pode imaginar, assim, ainda sobre a cor do vasilhame continua na entrevista, agora a correspondente ao vidro.



O gráfico 9 representa a questão 13, ainda sobre a coleta seletiva de resíduos “E O VIDRO?”

Gráfico 9: Percepção dos alunos sobre a cor do vasilhame para vidro.

Fonte: da pesquisadora.



Em relação à seleção adequada do vidro, as crianças não consideraram as mesmas informações do Gráfico 8, sendo 41% a cor correspondente ao vasilhame respectivo ao vidro: verde; 3% indicaram a cor amarela; 13% indicaram a vermelha e 10 27% falaram ser azul.



A pergunta 14 explora o conhecimento dos alunos em relação à seleção dos plásticos (Gráfico 8) “SE A ESCOLA SEPARASSE O LIXO EM CADA VASILHAME OU LATÕES DE LIXO, QUE COR VOCÊ ACHA QUE DEVERIA COLOCAR OS SACOS PLÁSTICOS E GARRAFAS PET?”.



Gráfico 10: Percepção dos alunos sobre a cor do vasilhame para plásticos.

Fonte: da pesquisadora.



Em relação à coleta seletiva de plásticos, os estudantes não consideraram as mesmas informações dos Gráficos 8 e 9, sendo 19% a cor correspondente ao vasilhame respectivo aos plásticos: vermelho; 3% indicaram a cor amarela; 30% indicaram a verde e 3% falou ser azul.



A questão 15 “SE A ESCOLA SEPARASSE O LIXO EM CADA VASILHAME OU LATÓES DE LIXO QUE COR VOCÊ ACHA QUE DEVERIA COLOCAR O METAL?” encerra a percepção das crianças do 1º, 2º e 3º ano sobre a seleção de materiais (Gráfico11).



Gráfico 11: Percepção dos alunos sobre a cor do vasilhame para metal.

Fonte: da pesquisadora.



Sobre a coleta seletiva correspondente ao metal, os estudantes não consideraram as mesmas informações do Gráfico 8, 9 e 10, sendo 3% a cor correspondente ao vasilhame respectivo aos plásticos: amarelo; 27% indicaram a cor vermelha; 24% indicaram a verde e 3% falaram ser azul.



Em relação à pergunta conceitual número 16 “VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICAM AS PALAVRAS RECICLAR, REUTILIZAR E REAPROVEITAR”, os alunos fizeram a seguinte colocação: 26 indicaram saber e 11 falaram não conhecer. Não houve forma de o aluno indicar apenas uma, mas as três, conjuntamente, por isso, fica complicado se realmente os que responderam positivamente conhecem a todas e se quem respondeu desconhecer, se são as três. Desta forma, a questão não foi tabulada.



Sobre a questão 17, sobre o descarte realizado na cozinha da escola, quando perguntados “VOCÊ JÁ OBSERVOU SE A (O) COZINHEIRA (O) DA ESCOLA SEPARA O RESTO DE COMIDA QUE OS ALUNOS DEIXAM NOS PRATOS NUM VASILHAME SEPARADO?”



Gráfico 12: Já observou se a (o) cozinheira (a) separa os restos de comida dos pratos em vasilhame separado?

Fonte: da pesquisadora.



Muitos alunos frequentam o refeitório da escola no horário do recreio para merendar e este espaço é conjugado com a cozinha, onde os estudantes podem ver tudo o que se passa em ambos os lugares. Dessa forma, 73% observaram que o que sobre dos pratos de merenda dos alunos é descartado em vasilhame separado; 27% viram que não, esses restos são depositados junto a outros resíduos.



Esta ação será explicada no item de observação do refeitório, mas de antemão, a maioria indicou o que é perceptível, como nem todos os alunos sorteados para a entrevista, subentendemos que entre estes estejam alguns que podem não conhecer a dinâmica da merenda no refeitório e ter respondido, mesmo sem saber.



Sobre a questão 19 “VOCÊ SABE O QUE FAZ UM CATADOR DE LIXO?”



Gráfico 13: Você sabe o que faz um catador de lixo?

Fonte: da pesquisadora.



Sobre a profissão “catador de lixo” 81% dos alunos entrevistados responderam saber sobre o que ele faz, qual a sua atividade, e 19% disseram saber o que ele faz. A pergunta que complementa esta questão “PARA VOCÊ, O QUE É UM CATADOR DE LIXO?” foi respondida, pelas crianças como, simplesmente, “alguém que cata lixo na rua”. A partir da faixa etária deste grupo de participantes, que é de 06 a 09 anos, entende-se que não tenham competência, ainda, para formular uma explicação mais avançada, com argumentos mais detalhados.



A pergunta 19 “VOCÊ ACHA O TRABALHO DO CATADOR DE LIXO IMPORTANTE?” os alunos responderam o seguinte:



Gráfico 14: Você considera o trabalho do catador de lixo importante?

Fonte: da pesquisadora.



Ao serem questionados sobre a relevância do trabalho do catador de lixo, os alunos do ao ano afirmaram em 95% que sim; apenas 5% disseram que não, como não havia justificativa, as respostas foram dadas conforme o valor que as crianças têm.



A pergunta 20 “VOCÊ ACHA QUE CATADORES DE LIXO AJUDAM PARA MELHORIA DO NOSSO MEIO AMBIENTE?” complementa a informação da décima terceira.



Gráfico 15: Você acha que catadores de lixo ajudam para melhoria do nosso meio ambiente?

Fonte: da pesquisadora.



Sobre o valor da profissão, articulado na questão anterior (Gráfico 14), percebe-se nesta o mesmo, pois 92% responderam que ele contribui para a melhoria do meio ambiente e 8% respondem que não contribuem.



Quando se fala em valor, percebe-se que desde pequenos, os alunos já têm a ideia de profissões mais privilegiadas e aquelas menos, como o de catador de lixo.



Na pergunta de número 21 “VOCÊ ACHA QUE A ESCOLA DEVE ENSINAR COMO SEPARAR O LIXO QUE É RECOLHIDO DIARIAMENTE?”



Gráfico 16: A escola deve ensinar como separar o lixo que é recolhido diariamente?

Fonte: da pesquisadora



Percebemos que é um desejo e percepção da maioria dos alunos (86%) que a escola ensine o descarte correto dos resíduos sólidos; apenas 14% declarou não a esta ação. A sensibilidade dos estudantes pesquisados quanto à necessidade de aprender a lidar com esse tipo de material e com seu descarte e de conscientizar outras pessoas é muito relevante.



A penúltima questão, 22, “VOCÊ JÁ PARTICIPOU DE ALGUMA PALESTRA SOBRE COLETA SELETIVA?” traz opção de resposta afirmativa e negativa e, em seguida, as crianças podem melhor explicar às professoras.



Gráfico 17: Você já participou de palestra sobre coleta seletiva?

Fonte: da pesquisadora.



A resposta indica que 76% dos alunos do 1º ao 3º ano não participaram de palestra envolvendo o tema coleta seletiva, especificamente; e 24% disseram ter participado.



Dessa forma, entende-se a necessidade de recorrer a esta dinâmica, para que estes pequenos estudantes conheçam o tema e saibam disseminá-lo adequadamente, a partir de sua sensibilização.



Em resposta à questão 23 “SEUS PAIS JÁ CONVERSARAM COM VOCÊ SOBRE COLETA SELETIVA?”

Gráfico 18: Você acha que catadores de lixo ajudam para melhoria do nosso meio ambiente?

Fonte: da pesquisadora



Mesmo que a maioria (73%) não tenha tido qualquer tipo de conversa sobre o tema coleta seletiva, destacamos que em algumas famílias (10%) de entrevistados esse assunto já foi levantados em diálogos entre filhos e pais, o que nos leva a acreditar que seja os filhos de pessoas que trabalham no âmbito da reciclagem e julguem importante que os filhos conheçam o assunto, por necessidade de dar continuidade ao trabalho através deles, ou mesmo por considerarem interessante.



Algumas das respostas foram possíveis de compreender, tendo como subsídio a observação feita no cotidiano escolar. Esta ação não era contemplada no projeto de Qualificação, mas, durante o decorrer do trabalho, imaginamos que poderia complementar as percepções dos alunos, pois através de algumas falas percebemos a imaturidade em conceituar ou compreender expressões, palavras e isso seria complexo, quando na discussão dos dados.



4.2 Observação da rotina escolar e das ações do Projeto realizado com alunos do 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental



A rotina da Escola Municipal “Professor João Pinto Bandeira” foi observada no período de setembro a dezembro do ano 2019, perfazendo cerca de 04 meses, sendo o mês de dezembro, com apenas 2 semanas de pesquisa, pois se tratava do último letivo e nele estariam envolvidos recuperação e resultado final.



Durante o mês de setembro, os alunos participaram da primeira palestra, ministrada por um pedagogo da rede municipal de educação de São Mateus, cujo tema abordou a reciclagem e o valor que se deve dar ao meio ambiente para nossa sobrevivência.



Neste primeiro momento das atividades, os alunos se mostraram ainda tímidos e pouco participativos, pois estavam iniciando os conhecimentos acerca da coleta seletiva, e era preciso prestar bastante atenção, conforme orientaram as professoras em sala de aula.



Observou-se os espaços de sala de aula das turmas de 1º, e ano e constatou-se que não há colaboração em relação à limpeza em todas elas e o vasilhame para o depósito dos resíduos sólidos existem em apenas algumas, em outras não há. E, em algumas há papeis e outros materiais jogados fora do local adequado. No início das aulas as salas são limpas pela equipe de limpeza da escola e, ao final, as mesmas funcionárias precisam refazer tudo, pois grande parte das salas se apresentam sujas.



No mês de outubro, na primeira semana, foi realizada a segunda palestra tendo como preceptora a bióloga da Secretaria de Meio Ambiente de São Mateus, em que explicou sobre os cuidados e leis que o município tem e abordou também sobre a fiscalização que realizam, enquanto secretaria, para manter os ambientes naturais do município.



Na terceira semana de outubro, a escola recebeu a Polícia Ambiental com a mostra sobre animais domésticos e animais silvestres. Houve explicação sobre o trabalho deste órgão, as demandas que realizam, mostra de animais empalhados e slides com algumas fotos de ações em locais de atendimento, bem como a participação interativa das crianças, que perguntaram e participaram de questões feitas.



Explica-se que a visita da Polícia Ambiental havia sido solicitada pela escola para o mês de junho, pois no dia 05 é comemorado o Dia do Meio Ambiente. Entretanto, em virtude de término de reforma do telhado da escola, e era o espaço disponível para realização da palestra, esta foi desmarcada.



O órgão solicitou à escola remarcar para a terceira semana de outubro, que justamente era um período em que trabalhou-se a pesquisa e as turmas o projeto. Interessante que os policiais reforçaram a necessidade de sensibilização quanto a não jogar resíduos sólidos como garrafas, tampa, palitos, embalagens próximas à região de florestas, matas, córregos, praias, para que animais não morram, ao comer julgando ser alimento. Muitos slides e explicações foram feitas neste sentido, o que prendeu a atenção dos pequenos.



Na última semana de outubro, as turmas fizeram uma visita de estudo a um local no município de trabalha com reciclagem, este espaço se localiza distante da escola, pertencente ao bairro Pedra D’água.



Compreende-se que a reciclagem é o processo de reaproveitamento de matéria prima, reaproveitando-o para outros fins. Este processo pode ser artesanal ou industrial. Ela gera economia de matéria-prima, energia e diminuí a quantidade de lixo jogado na natureza e em aterros sanitários (GOMES e CARVALHO, 2005).



Existe pouca informação quanto à organização dos moradores. Os residentes do bairro Pedra D’água relataram que, devido à falta de interesse do poder público em apoiar a causa, o serviço foi encerrado. Hoje existe a associação de catadores no bairro Pedra D’água, formada pela empresa RT a partir da junção dos catadores do antigo lixão de São Mateus, após a sua desativação. A associação é independente, mas a prefeitura contribui com alguns incentivos como, por exemplo, o aluguel do espaço.



De maneira geral, a prefeitura de São Mateus se esforça para fazer o trabalho de maneira correta, porém há muito que fazer. Programas de conscientização, reeducação da população e regularização da coleta são objetivos ainda longe de serem alcançados. Também são necessários maiores incentivos à criação de associações que cuidem do lixo, bem como aos programas de reciclagem e reutilização, que são fundamentais para o engajamento da população nessa ideia.



São Mateus ainda tem muito que evoluir, pois nota-se atitudes irresponsáveis, por negligência ou por falta de informação da população. Pequenas atitudes, como evitar a queima de lixo e o acúmulo de entulhos, facilitam a limpeza das ruas e s ruas e trazem uma melhor qualidade de vida para todos.



Segundo Dionysio e Dionysio (2010) reciclagem é um conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os resíduos e reutilizá-los no ciclo de produção que saíram. Materiais que se tornaram lixo, ou estão no lixo, são separados, coletados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de novos produtos. Reciclar é usar um material para fazer outro.



O processo de reciclagem, além de preservar o meio ambiente, gera lucros, pois os materiais reciclados podem ser vendidos ou transformados em outros para ser vendido, gera empregos, pois é necessário pessoas para a coleta e separação dos materiais e traz crescimento sustentável (SHERMAN, apud MACEDO, 2015).



É a solução mais viável e, ambientalmente, correta para a destinação dos resíduos, pois, com o crescimento populacional e o crescente consumo da população, a produção de lixo é muito grande e a armazenagem está ficando cada vez mais complicada e difícil, já que não há locais adequados para construção e implantação de aterros sanitários e a vida útil deste também está reduzida (LACERDA, 2006).



O aproveitamento de alguns materiais na sua reciclagem, pode chegar a perto dos 100%, como é o caso do alumínio, que derretido, pode se transformar em outro, sem a perda da quantidade, reduzindo significativamente o seu consumo. Materiais como o papel, papelão e derivados da madeira podem ser reutilizados e transformados em materiais reciclados, diminuindo a necessidade de derrubada de árvores para a fabricação. Materiais orgânicos podem ser transformados em adubo, através do húmus e podem servir para adubar plantações na zona rural (FERREIRA, 2011).



Rolim (2016), afirma que é possível reutilizar grande parte do lixo que é produzido na indústrias e nas casas, lembrando que é importante a conscientização das pessoas para que este processo seja realizado. A maioria dos materiais podem ser reciclados, mas os materiais como plástico, vidro, metal e papel são os mais comuns. O material jogado na natureza leva anos para se decompor e muitos não se decompõem ou sua decomposição leva milhares de anos, portanto, quanto mais lixo jogado na natureza, maior os danos e maior o acúmulo gerado, causando danos ambientais irreversíveis. Alguns materiais, como pilhas e baterias não podem ser descartados no lixo comum, pois apresentam um grande risco ambiental, estes devem ser descartados conforme Resolução 257 do CONAMA, que atribui aos fabricantes a responsabilidade da destinação deste material.



No dia, além de conhecerem as instalações, os alunos foram envolvidos em explicações que envolveram a coleta seletiva e como esta se realiza em diferentes lugares, o recolhimento dos resíduos selecionados, o agrupamento/organização no galpão e o descarte adequado a cada um dos materiais, desde a venda, a produção de objetos e outros.



Os alunos puderam perguntar à vontade sobre suas dúvidas e estas foram sanadas pelos organizadores e coordenadores da reciclagem. Foi uma verdadeira aula sobre meio ambiente e sobre logística reversa.



Na segunda semana do mês de novembro, realizou-se a observação nos demais espaços escolares: cozinha/refeitório, sala dos professores, secretaria, pátio interno, pátio externo e quadra.

Na cozinha/refeitório, que são espaços conjugados, percebeu-se bastante organização e trabalho conjunto entre as merendeiras, entretanto, uma coisa chamou a atenção, as cascas, sementes, folhas e talos são jogados fora, em sacos de diretamente em vasilhames grandes; as sobras de alimentos também. Ao servirem os alunos, elas colocam o alimento nos pratos, sem conhecer a quantidade que cada um é capaz de comer, assim, quem come mais, repete e quem como menos, joga fora.



Ao final de cada horário de encerramento da merenda, o refeitório fica sujo, com alimentos pelo chão, em cima das mesas, alguns deixam os pratos e canecas sobre as mesas, sem disciplina, o que demanda mais trabalho dessas profissionais.



A sala dos professores é um espaço distante das salas de aula, próximo à biblioteca e a secretaria. Ali observa-se o momento de planejamento, em que nem todos permanecem e também o horário de recreio, onde os professores se alimentam e deixam, em alguns casos, cascas de frutas sobre a mesa, copos e pratos utilizados, embalagens de alimentos também sobre a mesa. Só há um vasilhame grande, de material plástico, no canto para todos os resíduos: folhas de papel, alimentos, pinceis sem tinta, objetos quebrados como copos, entre outros.



A sacola que fica dentro do vasilhame, abarcando os resíduos de todos os três turnos, é retirado por uma profissional da limpeza apenas no outro dia pela manhã, que é juntado aos demais e colocado num local do pátio para ser recolhido.



A observação da secretaria foi menos complexa. Observou-se que as funcionárias que ali trabalham reaproveitam folhas que não servem, por algum motivo (falhas na impressão, cancelamento de documento, etc.) para rascunhos, assim, dividem as folhas ao meio e grampeiam, utilizando em diversos momentos, evitando usar uma folha branca e nova neste intento.



As secretárias é que realizam a limpeza do espaço, dividindo entre si, espanam a poeira, limpam as máquinas, o banheiro, o chão e organizam pastas de documentos. Os resíduos produzidos são colocados em sacos plásticos e recolhidos pelas serventes da limpeza, que só se encarregam de varrer e passar um pano úmido no chão do local.



Os pátios interno e externo são diferentes em sua utilização. No interno, os alunos fazem as filas de entrada e após o recreio, compram lanches na cantina, usam banheiro e os bebedouros. três vasilhames um em cada ponto, de forma que todos os resíduos são jogados neles.



O pátio externo não tem cobertura, é cercado por grandes, árvores com copas altas e que contribuem para que sempre haja muita folhagem no solo, que é rastelado duas vezes na semana por todas as serventes. Os alunos maiores (5º, 6º ao 9º) preferem ficar neste espaço, por ser maior, sempre agrupados entre si.



Com a acomodação dos alunos no pátio externo, que possui 3 vasilhames para receber resíduos, caem embalagens ao chão, alunos jogam também ao chão lanches, papeis de bala, pirulito, palitos e papel de picolé, copos, pacotes de chips e biscoito e outros.



A quadra é ao lado do pátio externo e os resíduos lançados ao chão voam e alcançam o entorno deste espaço, que fica constantemente sujo, aguardando o dia em que as serventes rastelarão e tirarão os resíduos ali depositados.



Conforme explicado, todos os resíduos dos ambientes da escola são juntados e colocados próximos ao estacionamento, onde são recolhidos pelo caminhão que faz a coleta do município, geralmente 2 a 3 vezes por semana.



Na terceira semana de novembro, conseguiu-se realizar a terceira e última palestra com a vereadora e bióloga do município, em que falou sobre a escola como meio ambiente e destacou a legislação redigida por ela.



A palestra foi interativa, com brincadeiras e perguntas em que os alunos que acertassem ganhavam premiação. As crianças se empenharam bastante e prestaram atenção.



Na última semana de novembro e a primeira de dezembro, aconteceu uma mostra sobre trabalhos desenvolvidos com base no projeto, como: cartazes, maquetes e a apresentação de coletores para coleta seletiva, nas cores estabelecidas pelo CONAMA.



Os trabalhos foram muito significativos e as professoras perceberam uma empolgação e dedicação dos alunos, que decidiram realizar uma exposição de todos os eles e criar um momento junto ao pedagógico e à direção para fazer essa mostra.



Além de cartazes e maquetes, houve a confecção de brinquedos e jogos com a reutilização/reciclagem de alguns resíduos sólido.



Também as meninas, aproveitaram os resíduos reutilizados para confeccionar brinquedos, preferencialmente, femininos, como a boneca, coisas de casinha. Mas os jogos eram tanto para o acesso masculino quanto feminino.



Destaca-se que o projeto movimentou a escola, bem como os professores dos primeiros, segundos e terceiros, que perceberam o quanto as atividades práticas são relevantes no processo de conhecimento da teorização.



5 DISCUSSÃO SOBRE OS DADOS



O contato com o ambiente escolar durante as entrevistas e as observações suscitaram algumas proposições e considerações importantes em relação ao tema em voga.



Inicialmente, a impressão dada era de que o conhecimento sistematizado oportunizava a abordagem e aprendizagem sobre o meio ambiente. E isso foi se mostrando o oposto, os alunos conheciam alguns conceitos pela vivência e não pela escola. Como se o meio ambiente fosse apenas um conteúdo, algo distante deles, apenas constante nos livros e conteúdos apresentados em programa.



Ao desenvolver as observações, nos espaços da escola, constatou-se que a omissão quanto aos cuidados com o meio ambiente não era somente por parte dos alunos, mas também de profissionais que entrevam e saíam dos espaços sem as devidas adequações quanto ao descarte dos resíduos. Para isso, não seria necessário adquirir vasilhames, o respeito a essa logística poderia ser através da seleção em coletores criados pela equipe, com os nomes colados em papel em cada destinação.



Conforme Penteado (2009), alunos, professores e demais profissionais que compõem a escola, integram o meio ambiente que ela representa, são partes se que complementam e não podem e dissociar.



Notadamente, percebe-se que a escola pesquisada não trabalha valores e hábitos de limpeza, falta a sensibilização de cada um dos sujeitos que coabitam esse espaço, pois a manutenção do prédio escolar não é responsabilidade apenas da direção, ou dos professores, ou, ainda, das serventes e alunos. Ela é de responsabilidade de todos, juntos e cada qual fazendo seu papel no espaço em que ocupa.



As entrevistas nos esclareceram que há dois pontos a serem refletivos. O primeiro é a imaturidade dos alunos, crianças na fase de alfabetização, entre 06 e 09 anos, ainda vivendo, na maioria, no mundo mais imagético e concreto do que abstrato e conceitual, por isso a relevância em considerar suas respostas, inserindo o segundo ponto: a autenticidade dos estudantes, crianças que não oscilam em suas ideias, que reproduzem tal qual vivenciam, sem burlar a verdade.



Até mesmo os valores indicados pelos alunos são uma mostra de como o mundo adulto busca dissimulá-los da condição desprestigiosa que tem a profissão de catador de lixo.



A falta de atividades práticas na escola também é uma agravante apontada pelas respostas dos pequenos, uma vez que durante as observações, além da organização dos espaços, foi possível constatar o trabalho sistematizado e teórico dos conteúdos através de quadro e livro didático, sempre com a justificativa de cumprimento do programa de ensino.



A esse respeito, os alunos, em idade de alfabetização, muito mais que nos demais anos, precisam de recursos que subsidiem e fortaleçam a aprendizagem dos conteúdos, por isso, é relevante que a prática docente abranja metodologias mais lúdicas, mais voltadas à vivência dos alunos e ao que se pode associar do conteúdo à vida, conforme as atividades programadas e aplicadas durante os meses da pesquisa.



O contato diário com recreios e saídas de aula abarrotados de resíduos espalhados, o cansaço e trabalho dispendidos por poucas profissionais no embate à sujeira que se propagava era um problema que a escola poderia resolver, mas que se tornara maior a cada dia. Pois o município não contrataria mais Auxiliares de Serviços Gerais – ASGs para a limpeza da escola e as três que estavam trabalhando não estavam dando conta das 19 salas de aula e dos outros ambientes escolares. Assim, percebendo as dificuldades, idealizou-se o projeto, o que ajudaria na contenção de resíduos espalhados pelos espaços.



Também percebeu-se que a escola e a Educação Ambiental devem estar preparadas para imprevistos, momentos cancelados, remarcados e visitas inesperadas, pois o conhecimento precisa dessas informações inesperadas, mas que acrescentam valor ao que se propõe ensinar. As estratégias e ações precisam ser planejadas, porém não significa que devem estar fixadas.



Quanto à construção do conhecimento ou a concretização deste, constata-se que as atividades envolvendo trabalho manuais, como cartazes, maquetes e confecção de brinquedos e jogos foram de grande valia quanto à demonstração do que estava sendo trabalhado e como ilustração real do que podemos reutilizar e que é considerado “lixo”, algo que não presta e que deve ser jogado fora.



A mudança requer tempo, ela demanda de sensibilização para a concretização de ações, na escola, que venham a ser cobradas, de início, mas que com o tempo, passarão a ser naturais, habituais e rotineiras, como outras. Vale destacar que experimentando na escola, os alunos multiplicarão estas ações e as estenderão aos lares, à igreja e à comunidade em que estão inseridos.

Dessa forma, o projeto motivou as turmas a colaborar e a sensibilizar os colegas e professores de outras turmas a preservar o meio ambiente escolar, sentindo parte dele, tendo-o sob sua tutela.



Após a pesquisa e a experiência com atividades que foram desenvolvidos num curto período, mas que surtiram efeito e oportunizaram aprendizagens e mudança de postura docente, nas turmas de 1º ao 3º ano, idealizou o Produto Educacional, razão da existência do capítulo a seguir.



6 PRODUTO EDUCACIONAL



Dada a pesquisa e sua relevância foi possível perceber como a escola “JPB” se encontrava, desenvolveu-se o Produto Educacional voltado à sensibilização quanto à necessidade de preservar o meio ambiente na obtenção de qualidade de vida e saúde.



A pesquisa desenvolvida sobre a reciclagem, envolvendo palestras, visitas de estudo, atividades sobre o assunto estabeleceram momentos de pesquisas, trocas de ideias, interação, valorização do outro, entre outros conhecimentos e valores importantes ao ser humano (alunos e profissionais participantes) quanto ao meio ambiente.



Agora, a partir do conhecimento e informações estabelecidas, o produto final se trata de um projeto envolvendo três ações elementares: o monitoramento durante o recreio e a aquisição de coletores seletivos. Estas ideias são descritas, a partir deste momento, e servirão de sugestão para a escola pesquisada e para as demais que quiserem implementá-las.



O monitoramento do recreio consiste em alunos (de 1º ao 5º ano) serem escalados para atuar durante o horário do recreio. A cada dia, uma turma se torna responsável.



Não precisam ser todos os alunos, bastante uma quantidade de 5 a 6 para ficarem em pontos estratégicos do recreio: perto da cantina, perto das árvores, na quadra, no meio do pátio interno, próximo de bancos, no refeitório. São locais onde há maior aglomeração e maior quantidade de resíduos no chão.



Os alunos monitores terão um colete e um crachá de identificação e um apito, para no caso de verificar uma infração de aluno jogando algo ao chão, sinalizar (com este objeto) à coordenação.



Neste caso, não haverá punição, mas um momento de diálogo para sensibilização dos alunos que insistirem em descumprir as normas.



O segundo momento do Produto Educacional é a aquisição dos coletores seletivos. Conseguiram um desses objetos, através de doação de um serralheiro, mas seria interessante que a escola conseguisse comprar ou a doação de vasilhames prontos e que estes ficassem em pontos estratégicos da escola, ou seja, em espaços em que percebe-se que há um acúmulo de resíduos pelos alunos.



As salas de aula também poderiam alcançar esta aquisição, pois constatou-se que em algumas nem a presença de cestos existe. Ou seja, os alunos descartam os resíduos no chão ou em caixas de papelão improvisadas.



A terceira parte deste Produto Educacional envolve atividades diversas, que podem se realizar a partir da necessidade da turma e do planejamento docente.



Através da Educação Ambiental os alunos podem conhecer mais sobre o ambiente escolar e outros ambientes que integram o espaço onde vivem, pois a visão que eles têm é a de trabalhar em prol de algo que está longe, como baleias no oceano, ou as geleiras dos polos e se esquecem de um riacho poluído, das salas de aula pichadas e depredadas, do pátio cheio de resíduos sólidos e outros contextos que “ferem” o meio ambiente.



Desta maneira, ao trabalhar a sustentabilidade, o professor desperta nos alunos o sentimento de posse em relação ao local onde estuda, onde mora e outros.



Em relação à sustentabilidade, a Declaração de Estocolmo (CORRÊA, 2009) preconizou 26 princípios comuns que orientavam as pessoas do mundo todo a preservar o meio ambiente, melhorando a vida do ser humano. O Princípio 11 determina que:



As políticas ambientais de todos os Estados deveriam estar encaminhadas para aumentar o potencial de crescimento atual ou futuro dos países em desenvolvimento e não deveriam restringir esse potencial nem colocar obstáculos à conquista de melhores condições de vida para todos (CORRÊA, 2009, p. 15).



A partir dessa citação de Corrêa, muitas são as atividades e projetos que os professores podem desenvolver com seus alunos, mostrando o meio ambiente onde habitam, espaço próximo deles e onde podem atuar de maneira a conservá-lo a partir dos recursos nele existentes. Ou seja, se no município há rios e outros mananciais, pode-se realizar um seminário sobre matas ciliares e nascentes aos alunos do ensino fundamental, com objetivo de mostrar a importância da conscientização das pessoas da preservação das matas ciliares e nascentes. Algumas das atividades desenvolvidas nesse sentido são: teatros, danças, explicações e exposições de fotos e aulas de campo.



Conforme Olive e Ristow (2001) a escola deve propor atividades agrícolas utilizando a horta escolar, que tem como objetivos principais fornecer aos alunos uma alimentação de qualidade, incentivá-los a produzir uma horta em suas residências e auxiliar as crianças na prática de conhecimento que recebem na sala de aula. Tanto em conhecimentos de botânica (como, por exemplo, tipo de caule raiz e folha) quanto de ecologia (como, por exemplo, relações ecológicas entre outros).



Nesse sentido podem ser utilizadas várias estratégias como: oficinas com materiais recicláveis, produção de cartazes, painéis, palestras, compostagem, ornamentação das salas e do pátio interno das escolas com plantas, arborização do bairro, passeio ecológico às Reservas Florestais, peças teatrais, feira ambiental, distribuição de mudas de plantas para plantio, construção de um canteiro de hortaliças medicinais, mutirão com pais e educandos, cultivo de uma agrofloresta, e aulas de campo.



A escola pode estar idealizando e organizando um projeto com o tema Sustentabilidade Ambiental, com foco na coleta seletiva de resíduos sólidos e o racionamento de água e energia. Com o objetivo de mobilizar, envolver e transformar educadores, alunos e toda a comunidade local em atores sociais e ecológicos num processo de conscientização e preservação do meio ambiente.



Em 1987, a primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, foi nomeada pela ONU para coordenar os debates ambientais na Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. O documento final desses estudos chamou-se Nosso Futuro Comum ou Relatório de Brundtland (CORRÊA, 2009, p. 15).



Esta comissão conseguiu estabelecer que o desenvolvimento sustentável deveria atender às necessidades da atualidade, em que as gerações futuras fossem também contempladas em suas necessidades.



A nova visão de sustentabilidade vislumbrava a relação entre o ser humano e o meio ambiente “que além do limite mínimo para o bem-estar da sociedade existe também um limite máximo para a utilização dos recursos naturais de modo que sejam estes preservados e perpetuados” (CORRÊA, 2009, p. 15).



Trabalhando os aspectos ambientais de forma macro e contínuo, inserindo ao seu mecanismo de ação o desenvolvimento sustentável e através de atividades motivadoras formar cidadãos capazes de assumir suas responsabilidades socioambientais e éticas (OLIVE; RISTOW, 2001).



Para alcançar estes objetivos pode-se recorrer a várias metodologias, tais como: oficinas de materiais recicláveis, monitoramento diário da coleta seletiva, produção de textos relacionados ao racionamento de água e energia, painel de fotos, enfocando os problemas x soluções ambientais do município, envolvimento dos alunos na construção de bancos e quiosques, palestra sobre o lixo, compostagem, ornamentação das salas e do pátio interno com vasos de plantas, arborização no pátio externo, fora do bairro passeio ecológico, apresentação de peças teatrais, apresentação de telas retratando a interferência do homem ao meio ambiente, painel sobre decomposição do lixo na natureza, apresentação de feira ambiental, apresentação de temas ambientais, distribuição de mudas de plantas pelos alunos e visita a projetos de reciclagem (MACEDO, 2015).



Mostra-se relevante, de acordo com Olive e Ristow (2001) desenvolver projeto na escola envolve a água, que é um direito e dever de todos a sua conservação, objetivando aos alunos identificarem-se como parte integrante da natureza para que se sintam afetivamente ligados a ela, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente. Quando o aluno compreende que a água potável sofre um processo de escassez em algumas partes do planeta e do país, passa a não desperdiçá-la. Professores podem elaborar uma forma de captar a água das chuvas e do ar condicionado para algumas tarefas, uma delas é para sustentabilidade da horta.



estratégias que podem ser utilizadas dentro e fora do espaço escolar, como visitas às famílias das comunidades escolares, questionários para levantamento de dados referentes à saúde, educação e alimentação, aulas de campo, elaboração de gráficos a partir dos dados coletados pela pesquisa, construção de maquetes, confecção de dobraduras, produção de mosaicos e confecção de placas e receitas com material alternativo (ROSA, 2000).



Convém destacar que as atividades relacionadas ao meio ambiente não se restringem a estas, elas são inúmeras, que vão desde uma atuação tímida, em sala de aula a projetos que poderão estar sendo desenvolvidos pela escola em parceria com os pais e comunidade local.



Para Reigota (2008) as propagandas veiculadas na televisão e na mídia impressa também transmite uma série de mensagens ideológicas com relação à temática ambiental.



As propagandas de cigarro, por exemplo, associam o hábito de fumar a esportes ligados à natureza? Os alunos, nesta atividade, têm que procurar selecionar nas propagandas televisivas ou nos jornais e revistas algumas propagandas que se distanciam da questão ambiental e outras que se aproximam dela, para então montar um painel explicativo reflexivo.



Para Rosa (2000), outra atividade se relaciona a textos de diferentes tipos, como: carta, poesia, dissertação, receita, entre outros.



Sobre a poesia, que explora a questão ambiental e o estilo de vida moderno, um trecho de “Terra, Planeta Água”, Guilherme Arantes é bastante interessante, pois retrata a valorização da água como parte fundamental da Terra, sem ela nenhum ser pode viver.



Na parte dos textos, Reigota (2008) afirma que em forma de receita, é bastante produtivo, pois os alunos recebem no dia anterior algumas receitas de comidas e bebidas alternativas. No dia da aula, os alunos degustam as receitas e tentam descobrir de que são feitas, qual é a receita daquele prato ou bebida. Alguns provam todos os pratos, outros somente alguns. O importante é que eles aprendem que com métodos e materiais simples podem ser preparadas deliciosas comidas e bebidas. A escola recebe algumas receitas para que possa estar preparando para todas as turmas.



Olive e Ristow (2001) reforçam que as atividades lúdicas são bastante apreciadas pelos alunos e são muito boas como recursos didáticos, além do que se podem inserir explicações sobre o meio ambiente enquanto os alunos se entretêm. Com base nas ideias de Olive (2001), se propõem algumas atividades, como: charadas ecológicas: adivinhações que têm o objetivo de fazer o aluno pensar a resposta, sempre relativas ao meio ambiente. Jogo do mico: Jogo que consiste na seleção de pares de animais, sobrando o Mico para quem perder. Dominó ecológico: jogo de dominó com a representação de animais em risco de extinção.



O trabalho com música surte um efeito muito grande no aspecto “ouvir”, a partir da música “Semente do amanhã” de Gonzaguinha os alunos do 3º ao 5º Ano exercitam a reflexão sobre o que a letra transmite e também constatam que em alguns momentos é essencial parar para ouvir, uma vez que a poluição sonora atrapalha esses momentos. Também podem ser feitas atividades em sala de aula, como passatempo, cruzadinha, desafio ecológico, mensagem enigmática.



7 CONSIDERAÇÕES FINAIS



Observa-se que todo currículo escolar tem como meta principal o planejamento. Planos de ensino, diretrizes, parâmetros, planos anuais, planos de aula, planos de atividade, todos, e cada um em sua especificidade, são tarefas do planejamento de ensino.



É a partir dessa ação “planejar” que o educador pode desenvolver sua atuação, desenvolvendo no aluno a busca de um resultado eficaz e eficiente.



Na Educação Fundamental, especificamente, o planejamento deve ser entendido como o início do processo ensino-aprendizagem. É através dele que o educador estará traçando seus objetivos gerais e específicos, sua metodologia, quais recursos estará utilizando, enfim, suas aulas de maneira mais segura, sem riscos nos improvisos.



Na prática interdisciplinar, o professor é quem planeja e cria as condições de desenvolvimento das potencialidades do aluno: indivíduo que aprende através da liberdade de criar e recriar e aplicar o que aprendeu à sua realidade, buscando mudá- la para melhor.



O desejo e a vontade de ensinar e de aprender podem ser muito relevantes, em que se podem utilizar diferentes ferramentas oferecidas para que se alcance o conhecimento e que seja o resultado final de aprendizagem.



O orientador sensível e dinâmico instiga, preserva a autonomia e a liberdade responsável e propicia, assim, o diferencial no processo interdisciplinar, ou seja, a satisfação em ter aprendido/ em aprender, agregando a garantia de que isso lhe será útil na vida escolar e pessoal.



O trabalho interdisciplinar norteia a valorização do conhecimento em vários aspectos, ou seja, aproveita um tema gerador e a partir dele abrange diversas disciplinas.



Dessa maneira, percebe-se que o desejo e a vontade de ensinar e de aprender atuam como diferenciais no processo, autorizando e fazendo uso de diferentes recursos oferecidos para que sejam instrumentos na construção do conhecimento.



O que se verificou, a partir das reflexões feitas sobre as respostas aos questionários, é que a escola não trabalha de uma forma contínua o tema meio ambiente, mas como mantenedora e reprodutora de uma cultura que é predatória e consumista. Nesse caso, as reflexões que dão início à implementação da Educação Ambiental devem contemplar aspectos que não apenas possam gerar alternativas para modificar esse quadro de degradação ambiental, mas que o invertam, de modo a produzir consequências benéficas, favorecendo a compreensão global da fundamental importância de que todas as formas de vida que coexistem no planeta têm sua função e auxiliam umas às outras.



Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode motivar as iniciativas que estão fora do espaço da escola, atingindo o bairro em que a escola está inserida, a comunidade e demais setores da sociedade.



O estudo do meio ambiente na escola tem como objetivo básico promover a consciência dos alunos para a sustentabilidade, para a geração de recursos considerados escassos e para a oportunidade de novas atitudes e valores.



O objetivo deste estudo foi alcançado, pois constatou-se que há o desenvolvimento e aplicabilidade da Educação Ambiental com alunos e professores em seu espaço. Não se observou uma ação concluída, mas ações em construção, onde a escola e seus sujeitos estão, dia a dia construindo, acertando, errando, ensinando e aprendendo sobre questões ambientais.



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