ISSN 1678-0701
Número 72 (volume 19, série 3)
Setembro-Novembro/2020
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Relatos de Experiências

No. 72 - 03/09/2020
A IMPORTÂNCIA DA HORTA COLETIVA EM UMA ESCOLA PÚBLICA COMO PRÁTICA DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL  
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A IMPORTÂNCIA DA HORTA COLETIVA EM UMA ESCOLA PÚBLICA COMO PRÁTICA DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL



Clauzio Maia de Almeida Silva1, Amanda Maria Villas Bôas Ribeiro2



1 Discente na Especialização em Educação Ambiental Interdisciplinar da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Bacharel em Engenharia Ambiental pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Feira de Santana-BA.

2 Doutoranda no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Mestre em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. Bacharel em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).



RESUMO



O presente relato tem como objetivo descrever a importância de uma horta coletiva em uma escola pública no município de Santa Bárbara-BA como prática de sustentabilidade socioambiental. O Projeto Horta na Escola foi implantado através do diálogo entre diversos atores, permitindo aos alunos uma educação ambiental contextualizada. As atividades proporcionaram aos alunos uma formação crítica e reflexiva, melhorando suas percepções em relação ao meio ambiente e a saúde alimentar, possibilitou benefícios na área econômica, social e ambiental, fazendo-se parte integrante do desenvolvimento sustentável, melhorando e promovendo a saúde alimentar, além de potencializar a interação entre alunos, os professores, servidores e comunidades.





PALAVRAS-CHAVES: horta, saúde, escola, sustentabilidade, socioambiental.



ABSTRACT

This report aims to describe the importance of a collective garden in a public school in the municipality of Santa Bárbara-BA as a practice of socio-environmental sustainability. The School Garden Project was implemented through dialogue between different actors, allowing students a contextualized environmental education.The activities provided students with critical and reflective training, improving their perceptions of the environment and food health, enabling benefits in the economic, social and environmental areas, becoming an integral part of sustainable development, improving and promoting food health, in addition to enhancing the interaction between students, teachers, employees and communities.



KEY-WORDS: vegetable garden, health, school, sustainability, socio-environmental.



INTRODUÇÃO



A horta é de grande importância em uma escola pública, visto que, contribui de forma relevante no desenvolvimento de práticas pedagógicas, sustentáveis e socioambientais, possibilitando mudanças de hábitos, consumo de orgânicos, merenda escolar de qualidade, saúde alimentar, interação com o meio ambiente, educação alimentar, atividades com caráter interdisciplinar, alimentação livre de agrotóxico, vivências externas, maior interesse pelas aulas a partir da aprendizagem significativa, entre outras possibilidades.

Além disso, hortas escolares são instrumentos que, dependendo do encaminhamento dado pelo educador, podem abordar diferentes conteúdos curriculares de forma significativa e contextualizada e promover vivências que resgatam valores sociais (GIMENEZ et al., 2018).

Assim, a Horta Escolar possui a finalidade de intervir na cultura alimentar e nutricional de crianças, jovens e comunidades do entorno da escola, uma vez que os alunos se tornam multiplicadores do saber levando o que aprendem às suas casas e incorporando a alimentação nutritiva, saudável e ambientalmente sustentável no seu cotidiano. Nessa perspectiva, contribui na produção e reprodução de práticas agroecológicas através do desenvolvimento diário dos ensinamentos e por meio de estratégias de formação sistemática e continuada (LIMA; CONDE SOBRINHO; SILVA JUNIOR, 2016).

Depois que os alunos desenvolvem a experiência com base nas práticas socioambientais, podem implantar também a horta nas comunidades em que vivem, com o intuito de produzir alimentos para o próprio consumo, livres de agrotóxicos e de forma sustentável, contribuindo para a própria saúde alimentar, de seus familiares e da comunidade, colaborando para a mudança dos hábitos alimentares em prol de uma melhor qualidade de vida.

Nesse contexto, a escola possui um papel imprescindível na aquisição de saberes, habilidades, competências e formação do sujeito, a partir das necessidades coletivas e sociais, tornando-os aptos no processo de tomada de decisão e na transformação do contexto vivido, inclusive no desenvolvimento da consciência socioambiental.

Assim, entendemos que a escola possui um papel crucial no processo de formação do sujeito crítico, reflexivo e transformador da sociedade, e por meio da educação ambiental é possível que a vivência do indivíduo não seja só teórica e sim também com práticas que alinham a interação com o conhecimento, com objetivo de crescimento pessoal e de todos no seu entorno, por meio de atividades com múltiplas problematizações, em diferentes contextos.

Nesse contexto, a Educação Ambiental como campo do conhecimento e prática pedagógica, considerado relativamente novo em relação às outras áreas, tem buscado se construir e se consolidar por meio de processos educativo-ambientais entre os diversos setores: acadêmicos, pesquisadores, sociedade e formadores (ORTEGA, 2012).

A contextualização através da Educação Ambiental aplicada em escolas públicas pode demonstrar um método diferente dos padrões da educação tradicional, uma vez que é permitido aos alunos experimentarem atividades práticas externas com a horta coletiva, proporcionando mais conhecimentos, interação e mudança de hábito, compartilhando por toda a comunidade rural e urbana.

Carvalho (2014) explica que a visão socioambiental é mais abrangente, pois é formada pela interação do ser humano, a natureza e suas semelhanças, tornando-o parte do meio, podendo transformar e ser transformado pelos ambientes que o cerca.

Sendo assim, é de grande importância a participação do poder público municipal no meio escolar, demonstrando interesse pela disseminação de saberes relacionados à política ambiental que envolve todos os agentes, servidores, professores, alunos, comunidade e apoiadores, que juntos acreditem em um projeto sustentável que busque incansavelmente uma melhor qualidade de vida para o município, criando de fato a responsabilidade socioambiental.

Com isso, poderemos também valorizar os alunos e professores através de um diálogo constante, vivenciando e buscando transformações, obtendo grandes avanços baseados nas práticas sustentáveis direcionadas para o desenvolvimento humano, econômico, ambiental, entre outros.

Assim, o presente relato tem como objetivo descrever a importância de uma horta coletiva em uma escola pública no município de Santa Bárbara-BA como prática de sustentabilidade socioambiental.



REFERENCIAL TEÓRICO



De acordo com o Relatório Brundtland (ONU, 1987), o conceito de sustentabilidade tem sua origem relacionada ao termo “desenvolvimento sustentável”, definido como aquele que atenda às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades.

Em 1987, aconteceu um movimento global em defesa do meio ambiente, trabalhando o termo sustentabilidade por entender a necessidade de aperfeiçoar e incluir todos os aspectos como o desenvolvimento humano, cultural, econômico, ambiental, visto que o ser humano já não podia continuar com a exploração de recursos naturais de forma desenfreada sem considerar o meio em que vive.

Podemos sugerir que o foco de trabalho seja o desenvolvimento social, através de práticas sustentáveis, interagindo com o desenvolvimento econômico para que o mesmo seja ambientalmente viável, evitando assim, a exaustão dos recursos naturais e sua escassez.

Segundo Brito (2016), pode se dizer que a sustentabilidade socioambiental em escolas é uma grande oportunidade de ser trabalhada as dimensões culturais, econômicas, sociais, ambientais e espaciais, gerando uma boa condição de pertencimento. Neste contexto, fica claro que o maior objetivo é a convivência harmoniosa, com base na união de todos os envolvidos e na qualidade de parcerias, tendo acesso aos materiais necessários. O grau de importância da participação de todos não isenta que haja um bom planejamento das ações, tanto do poder público como da escola, valorizando ainda mais as relações e as práticas externas com o aprendizado em sala de aula, provocando mudanças em benefício recíproco para toda a comunidade.

Com essa participação vivenciamos experiências de interação ecológica e o sentimento de pertencimento, compartilhando práticas sustentáveis, desenvolvendo o meio social para a aplicação do aprendizado dentro e fora da escola, podendo ainda ampliar para as residências dos alunos e professores, repartições públicas, associações de bairro e zona rural, comunidades, sindicatos, entre outros.

As iniciativas podem ser mútuas, partindo tanto da escola como do poder público, através dos seus órgãos municipais, na tentativa de provocar, com base na educação ambiental, mudanças no indivíduo tornando-lhe um agente multiplicador para contribuir com o fortalecimento da comunidade em que vive.

A Educação Ambiental, segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, é um componente essencial e permanente da Educação Nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não-formal.

Através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, foram realizadas palestras, práticas sustentáveis e conferências, onde foi dado suporte para uma melhor reflexão, discussão e compreensão sobre a temática ambiental, além de compartilharmos assuntos relacionados à horta coletiva, saúde alimentar, não consumo de agrotóxicos, bem-estar social, onde abordamos também com os alunos, professores e servidores públicos, sobre sites e redes sociais dos órgãos ligados a defesa ecológica, com o objetivo de propagar o máximo de informações, colaborando para a desenvolvimento de todos os multiplicadores.

A Educação Ambiental contribui muito para revigorar a metodologia educativa, fazendo avaliações críticas e construtivas aos conteúdos já estabelecidos e práticas sustentáveis a exemplo da horta coletiva, permitindo modificações na realidade local e social.

É necessário também que haja o interesse de todos na participação do Projeto Horta na Escola, a fim de aperfeiçoar cada vez mais as condições para a formação das pessoas com o intuito de melhorar os hábitos e a saúde alimentar, para que no futuro, venham ser multiplicadores em prol do meio ambiente, fazendo com que haja harmonia no ecossistema local.

Segundo Comelli (2015), pode se dizer que a horta colabora com a escola pois promove educação ecológica, desenvolvimento cognitivo, econômico e de saúde. Através dela, fica claro que o maior objetivo é a realização de práticas sustentáveis com o intuito de promover a produção de hortaliças que serão utilizadas na merenda escolar. A importância então é a possibilidade de influenciar a mudança de hábito dos alunos, professores e colaboradores, bem como, colocar em prática os conteúdos absorvidos em sala de aula.

A partir do processo formativo, a prática sustentável e o suporte dado pela escola pública, o aluno poderá desenvolver o sentimento de pertencimento de um projeto ambiental que mudará tanto os seus hábitos alimentares, como irá prepará-lo para desenvolver essas práticas na comunidade em que vive.



METODOLOGIA



Trata-se de um relato de experiência descritivo, analítico e observacional, sobre a importância da implantação de uma horta coletiva, vivenciado por membros da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, os alunos do 3° ano do ensino médio, com idades entre 17 e 20 anos, e da professora de geografia de uma escola pública localizada no município de Santa Bárbara, situado à 32 quilômetros de Feira de Santana, às margens da BR 116 Norte, no interior da Bahia.

A escola possui mais ou menos 1500 alunos nos turnos matutino, vespertino e noturno. Desde 2017, a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente segue em parceria com a escola para realizar práticas sustentáveis com temas importantes, como: Projeto Escola Verde, Controle do Lixo, Cuidando Melhor das Águas, Coleta do Lixo, Projeto Horta na Escola, entre outros.

A horta foi implantada como uma atividade pertencente ao Projeto Horta na Escola, fruto da articulação de diversos atores, tendo como eixo problematizador o aprendizado pedagógico da disciplina de geografia na escola pública, possibilitando aos alunos a relação e vivência da teoria e a prática.

Para a realização da atividade os alunos foram divididos em 05 grupos de trabalho (GT) para que houvesse diálogos e a observação ativa do espaço onde seria implantada a horta coletiva, limpeza da área e construção dos canteiros.

Após isso, cada grupo ficou com um tipo de hortaliça para plantar e cuidar. Durante as atividades, os alunos registravam as considerações do processo em andamento em fichas para posterior reflexão da prática desenvolvida.

A implantação surgiu da necessidade de promover o aprendizado ativo dos alunos em relação aos conteúdos de geografia, proporcionando a educação ambiental contextualizada. Para ser implantado, o projeto foi apresentado à coordenação pedagógica e à gestão da escola. Depois a proposta foi discutida com os alunos no início do ano letivo, explicitando todas as etapas de desenvolvimento e, por último, a escolar buscou as parcerias para que o projeto pudesse ser concretizado.



RESULTADOS E DISCUSSÃO



O Projeto Horta na Escola proporcionou maior conexão e compromisso dos alunos com o seu aprendizado, formação crítica e reflexiva, promovendo modificações da sua postura em relação aos cuidados com o meio ambiente e com os alimentos que foram produzidos de forma prática e sustentável, dentro e fora da escola.

A horta coletiva foi um dos trabalhos pioneiros no município em relação à educação e gestão ambiental, com a sustentação de um bom diálogo entre os diversos atores envolvidos no processo, entre eles gestores públicos, professora, alunos e comunidade, com abordagem da importância da preservação/conservação do meio ambiente e a mudança de hábitos alimentares.

Podemos dizer que é muito importante produzir alimentos orgânicos, tanto na escola pública como na comunidade onde vivem, pois há uma influência positiva na alimentação do aluno e de seus familiares, modificando os hábitos para o consumo de alimentos sem agrotóxicos.

Outro aspecto fundamental é que o projeto possibilitou o contato direto dos alunos com a terra, em que os sujeitos prepararam o solo, conheceram e associaram os ciclos alimentares de semeadura, plantio, cultivo e o cuidado com as plantas, além de ter sido um momento importante para os alunos aprenderem a respeitar a terra e os seus limites, possibilitando o desenvolvimento de uma conscientização ambiental (ROCHA, 2013), a partir da aprendizagem significativa.

A título de exemplo, podemos destacar: nas Ciências, ciclo de cultivo, ecossistema, fotossíntese; na geografia, características do solo, irrigação do solo; na matemática, cálculo de área, distribuição e disposição dos canteiros; na história, relações de produção, relações do homem com a natureza, transformações ao longo da história dos hábitos alimentares; na língua portuguesa, pesquisa de textos sobre a importância de uma alimentação saudável, produção de material de divulgação na comunidade das ações desenvolvidas pelos alunos na implementação da horta escolar, etc. (MALACARNE; ENISWELER, 2014).

O Projeto Horta na Escola tem uma contribuição muito positiva na vida dos alunos, onde eles mudaram suas atitudes tornando-se mais participativos no meio escolar, conseguindo propagar esse aprendizado pelas comunidades onde moram, pois, alguns deles já fazem suas hortas em casa e também compartilham, com seus colegas e professores, os próprios relatos através de depoimentos e vídeos, mostrando suas práticas sustentáveis.

Tal ação é considerada prática socioambiental porque ultrapassa os muros da escola, alcançando a transformação do indivíduo, tornando-o mais consciente em relação ao meio ambiente e no cuidar melhor dos hábitos alimentares em promoção à saúde e bem-estar.

Se a escola surgiu para atender às necessidades de ensino e de aprendizagem de certo modelo de organização social, é fundamental que ela esteja sempre atenta e disposta a adaptar-se às mudanças, inclusive na maneira de os seres humanos interagirem entre si e com o meio em que habitam (BORGES, 2011).

A escola pública possui um papel fundamental na formação dos alunos através de um espaço em que os familiares, agentes públicos, professores e comunidade, possam conviver de forma colaborativa, propagando ações que busquem mudanças de hábitos alimentares, relação coletiva e conservação do meio ambiente.

No que se refere aos cuidados com o docente, segundo Marques, Pecioni, Pereira (2007), pode-se dizer que o professor tem se sentido mais impotente, sem seu devido valor e desmotivado pela educação pública. Neste contexto, fica claro que o maior objetivo é que à sociedade também participe e se comprometa com o ensino público. Já o poder público, cabe não só compreender, mas, principalmente viver a escola pública estabelecendo um verdadeiro diálogo com o professor, procurando uma transformação socioambiental baseada em valores humanos éticos e justos.

É muito importante que haja também articulações entre poder público municipal e estadual, professores, diretores, alunos, familiares e comunidade, sendo preciso também que as Secretarias, Estadual e Municipal de Educação, dialoguem e capacite os professores sobre temáticas ambientais, proporcionando a escuta desses sujeitos sobre suas dificuldades, limitações e potencialidades cotidianas, e que inclua a pauta ambiental no currículo escolar somados com os inúmeros projetos que venham a ser desenvolvidos e executados, potencializando o pensamento crítico, libertador, reflexivo e político de todos, incluindo os alunos.

A prática pedagógica da professora foi persistente, já que foi preciso ampliar as aulas práticas articulando-as com a teoria por perceber uma melhora significativa no aprendizado dos alunos e atrelado a isso, eles perceberam o benefício de plantar e cuidar do espaço onde estão inseridos, fazendo bem para a saúde dos mesmos.

Ficou evidente que os alunos se sentiram mais motivados com suas práticas sustentáveis ao vislumbrarem a colheita dos produtos. O protagonismo no processo de construção da horta foi crucial para o comprometimento com o projeto, aprendizagem significativa e multiplicação dos saberes apreendidos.

Uma parte destes produtos colhidos na horta é direcionada para a merenda escolar e outra parte para a Feira dos Orgânicos, um momento oportuno que teve como alguns objetivos o compartilhamento de informações e troca de experiências sobre saúde alimentar, compostagem, horta agroecológica, produção sem agrotóxico, geração de renda, entre outros.

Este movimento, então, possibilitou a sustentabilidade do projeto uma vez que o dinheiro obtido com a venda na Feira de Orgânicos realizada na escola é destinado ao caixa do projeto para a compra das ferramentas de trabalho.

No processo de implantação do projeto foi obtido uma boa aceitação da comunidade escolar resultando numa responsabilidade socioambiental dos alunos e da aprendizagem, onde eles se tornaram agentes multiplicadores na construção do conhecimento

O Projeto Horta na Escola demonstrou benefícios na área econômica, social e ambiental, fazendo-se parte integrante do desenvolvimento sustentável. As práticas sustentáveis demonstram para os alunos a importância da não utilização de agrotóxico, melhorando e promovendo a saúde alimentar, potencializando a interação entre eles, os professores, servidores e comunidades.

Uma parcela significativa dos alunos implantou a horta nas suas residências, possibilitando a produção para o consumo familiar, permitindo também o compartilhamento de saberes intergeracionais, obtendo resultados na qualidade do alimento e economia da família.

Desse modo, evidencia-se o grande potencial de transformação na vida dos alunos através do Projeto Horta na Escola em parceria com o poder público e comunidade, proporcionando para os mesmos uma melhoria positiva na alimentação escolar e familiar, bem como aprendizagem significativa da educação socioambiental.



CONSIDERAÇÕES



Podemos dizer que a parceria exitosa entre os diversos atores do poder público, escola pública, alunos, professora, comunidade e multiplicadores demonstrou ser um caminho a ser seguido como um instrumento potencializador de práticas de sustentabilidade socioambiental.

Houve protagonismo dos jovens alunos nas atividades teóricas e práticas para implantação da horta coletiva, por meio da socialização dos grupos de trabalho que permitiu a troca de saberes e desenvolvimento de uma consciência para a preservação ambiental, produção de alimentos mais saudáveis para consumo escolar e familiar, livres de agrotóxicos.

Uma das fragilidades no desenvolvimento desta experiência foi a falta da divulgação e expansão do Projeto Horta na Escola para outras escolas do município, principalmente para as comunidades rurais. Isto posto, reiteramos as ações do poder público em articulação com as escolas que não podem ser pontuais, deve-se incorporar a educação ambiental no projeto político pedagógico das escolas com preparação dos professores para atuação adequada.

Com o sucesso do Projeto Horta na Escola, é válido dar continuidade na parceria entre o poder público e educação, compartilhando essa experiência com as demais 27 escolas, juntamente com as secretarias municipais, professores, alunos, comunidade, associações rurais, sindicatos, órgãos públicos, entre outros.

O presente relato evidenciou o papel crucial da escola na educação ambiental, propiciando o espaço de interação entre o poder público, alunos, professora, comunidade e demais multiplicadores. O poder público se manteve firme com a parceria, mas precisará avançar por outros caminhos, evitando realizar ações pontuais. Além de inserir a temática ambiental no currículo escolar, estabelecer práticas sustentáveis com vivências internas e externas que visam potencializar o senso crítico do aluno colocando-o como protagonista desse projeto ambiental tão importante.



REFERÊNCIAS



BORGES, C. O que são espaços sustentáveis. Espaços Educadores Sustentáveis, v. 21, bol. 7, p. 111-6, jun. 2011.

BRASIL. Lei Federal nº 9795, de 27 de abril de 1999. Lex: Lei da Educação Nacional, Brasília, p. 7, 1999.

BRITO, R. O. Gestão participativa e sustentabilidade socioambiental: um estudo em escolas da rede pública de Sobral-CE. 2016. 192 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF, 2016.

CARVALHO, L. R. Meio ambiente e multilateralismo: o papel do Brasil nos regimes de clima e mercúrio. 2014. 98 f. Dissertação (Mestrado) -Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

COMELLI, J. P. Agricultura urbana: contribuição para a qualidade ambiental urbana e desenvolvimento sustentável: estudo de caso - hortas escolares no município de Feliz/RS. Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul -RS, 2015.

GIMENEZ, Andreia Gerbaudo; PEREIRA, Cleidivaldo Siqueira; SILVA, Gislania Nobres; PEREIRA, Heloisa Alves; FABRO, Herica Ribeiro. Horta na Escola Estadual Lagoa Bonita no Município de Deodápolis-MS: uma Proposta Sustentável. Mato Grosso do Sul: “Sistemas Agroalimentares, Sociobiodiversidade, Saúde e Educação: desafios e perspectivas”, 2018. Disponível em: <http://cadernos.aba-agroecologia.org.br/index.php/cadernos/article/view/2170/2073>. Acesso em: 23 mai. 2020.

LIMA, G. M. M.; CONDE SOBRINHO, W. A. M.; SOUZA JUNIOR, J. I. de. Educação ambiental e implantação de horta escolar. Cadernos de Agroecologia, [S.l.], v. 10, n. 3, may 2016. ISSN 2236-7934. Disponível em: <http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/cad/article/view/20067>. Acesso em: 23 may 2020.

MARQUES, E.; PECIONI, M. C. F.; PEREIRA, I. M. T. B. Educação Pública: falta de prioridade do poder público ou desinteresse da sociedade? JOURNAL OF HUMAN GROWTH AND DEVELOPMENT, 2007. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/jhgd/article/view/19844>. Acesso em: 10 jun. 2020.

MALACARNE, W.; ENISWELER, K.C. Formação do pedagogo e ensino de ciências: a horta escolar como espaço para diálogos sobre educação ambiental. Educere et Educare, v. 9, n. 17, 2014.

ORTEGA, Miguel Ángel Arias.La construcción del campo de la educación ambiental: análisis, biografías y futuros posibles. Guadalajara-Jalisco: Editorial Universitaria, 2012.

ONU. Relatório Brundtland, 1997. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/>. Acesso em: 30 mai. 2017.

ROCHA, A. G. S. A importância da horta escolar para o ensino/ aprendizagem de uma alimentação saudável. Unidade Acadêmica de Garanhuns, Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2013.



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