ISSN 1678-0701
Número 72 (volume 19, série 3)
Setembro-Novembro/2020
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No. 72 - 03/09/2020
GESTÃO DE RECURSOS FLORÍSTICOS MANAUARAS: UMA PROPOSTA DE SUSTENTABILIDADE PARA AS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANC)  
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GESTÃO DE RECURSOS FLORÍSTICOS MANAUARAS: UMA PROPOSTA DE SUSTENTABILIDADE PARA AS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANC)



Carla Karoline Gomes Dutra Borges1, Danielle Portela de Almeida2, Maria Teresa Gomes Lopes3, Janderson Gustavo Soares de Almeida4

1 Graduada em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM. Doutoranda em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia - UFAM. Professora da Secretaria Municipal de Educação - SEMED. E-mail: carlaborges.am@gmail.com

2 Graduada em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Mestre em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas- UEA. Professora da Secretaria de Estado de Educação - SEDUC. E-mail: danielle.portela@yahoo.com.br

3 Doutora em Agronomia pela Universidade de São Paulo – USP. Professora Associada da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. E-mail: mtglopes@hotmail.com

4 Licenciado em História e Pedagogia - UNIASSELVI, especialista em docência no ensino superior, mestrando em Ciência da la Educacion pela Universidad San Lorenzo – Unisal. Professor da Secretaria Municipal de Educação - SEMED. E-mail: janderson.almeida.1992@seducam.pro.br



Resumo: Muito se tem discutido recentemente acerca das questões ambientais em suas mais diversas esferas e abrangências, pois, o ser humano, é corresponsável pelas alterações, uso e manejo frequentes neste meio. Sabendo que, o potencial de aproveitamento da biodiversidade depende da disponibilidade, o que leva em consideração a produção, cultivo, manejo ou mesmo o extrativismo de espécies de plantas alimentícias, um mercado pode ser criado e se devidamente conduzido, este pode ser fortalecido, através dos conhecimentos e consumo da população de uma forma geral. Neste cenário, temos a sustentabilidade ecológica, a qual surge como um índice normativo para a reorganização da ordem econômica como uma prerrogativa para a sobrevivência humana, assim bem como, uma base para alcançar um desenvolvimento econômico duradouro, questionando as próprias bases de produção. Entendendo que, a questão econômica é um forte limitador para a alimentação do ser humano, atrelar esses dois contextos se faz imprescindível na presente discussão. Com isto, objetiva-se estabelecer relações entre a gestão de recursos ambientais alternativos e a sustentabilidade na produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) por meio de Educação Ambiental, evidenciando as possibilidades de uso e comercialização destas, em comunidades carentes manauaras. Com a presente revisão, pretendemos alcançar um modelo de gestão Ambiental ideal, que beneficie estas comunidades assim bem como, as famílias ali pertencentes.

Palavras-chave: PANC, Educação Ambiental, Alimentação, Conhecimento.

MANAUARAS FLORISTIC RESOURCE MANAGEMENT: A SUSTAINABILITY PROPOSAL FOR NON-CONVENTIONAL FOOD PLANTS (PANC). Abstract: Much has been discussed recently about environmental issues in their most diverse spheres and areas, since the human being is co-responsible for the alterations, use and frequent handling in this environment. Knowing that the potential for using biodiversity depends on availability, which takes into account the production, cultivation, management or even extraction of species of food plants, a market can be created and if properly conducted, it can be strengthened, through knowledge and consumption of the population in general. In this scenario, we have ecological sustainability, which appears as a normative index for the reorganization of the economic order as a prerogative for human survival, as well as, a basis for achieving lasting economic development, questioning the very bases of production. Understanding that the economic issue is a strong limiter for the human being's diet, linking these two contexts is essential in this discussion. With this, the objective is to establish relationships between the management of alternative environmental resources and sustainability in the production of Non Conventional Food Plants (PANC) through Environmental education, highlighting the possibilities of their use and commercialization, in poor communities in Manaus. With this review, we intend to achieve an ideal Environmental management model, which benefits these communities as well as the families belonging there.


Keywords: PANC, Environmental Education, Food, Knowledge.



1. INTRODUÇÃO

O ser humano, desde os seus primórdios trabalha em prol de suprir suas necessidades básicas, dentre elas a mais essencial a alimentação. Porém, hoje em dia, vivemos em uma sociedade extremamente industrializada e polarizada em relação a homogeneidade no tocante a alimentação. Hoje, se desembala mais do que se descasca. Soberania Alimentar é entendida como o direito das nações e dos povos de controlarem seus próprios sistemas alimentares, incluindo seus próprios mercados, modos de produção, culturas alimentares e meio-ambiente [...] como uma alternativa crítica ao modelo neoliberal dominante de agricultura e comércio (WITTMAN et al., 2010, p. 2).

Visando a autonomia das nações, povos, e aqui devidamente contextualizadas as comunidades carentes manauaras, a produção de alimentos alternativos mensurando as plantas alimentícias não convencionais são ganhos inestimáveis, que trazem autonomia alimentar, resgate de conhecimentos tradicionais que foram perdidos ao longo dos tempos e propõe formas e modelos de gestão ambiental que podem compor e auxiliar nos ganhos financeiros destas famílias, que estão inseridas em comunidades carentes ou com baixo poder aquisitivo. Trazendo a gênese do capitalismo versus campesinato (BELLO; BAVIERA, 2010, p. 69) que é a famosa descrição de Marx da assim chamada acumulação primitiva como [...] nada mais que o processo histórico de separação entre produtor e meio de produção.

Neste contexto de produção de plantas alimentícias não convencionais, os modelos de gestão ambiental sustentável são essenciais, para a produção, cultivo, manejo e escoamento dos produtos gerados. Nas sociedades modernas, fazer gestão define-se como a ação de dirigir, regular, governar, administrar. Por gestão ambiental entende-se, portanto, a ação de gerir o ambiente, seja em entornos localizados (trabalho/fábrica/casa), ampliados (bairros, cidades, regiões) ou globais, envolvendo, por exemplo, diferentes países, continentes, oceanos ou o planeta como um todo (PORTO; SCHÜTZ, 2012, p. 1448). Entender e aplicar modelos de gestão ambiental em recursos naturais, auxilia na minimização dos impactos gerados pelo homem sobre o meio, relação a qual nos primórdios era harmoniosa, bilateral, e com o passar do tempo, acabou se tornando unilateral, onde, somente uma das partes detêm o domínio e benefício (ser humano).

Citando um dos aspectos mais importantes que diferencia os seres humanos dos outros seres vivos é o de gerar relações, estas estão determinadas pelas relações sociais de produção, as quais, por sua vez, condicionam em grande parte as formas diferenciadas de relacionamento das sociedades com a natureza. Este relacionamento produz o “ambiente”, uma construção determinada pela conjunção histórica das forças sociais que conseguem impor a sua hegemonia (PORTO; SCHÜTZ, 2012, p. 1449).

Com base neste rompimento da hegemonia alimentar, as PANC surgem neste cenário, onde, trazem o diferente, trazem a proteção alimentar tão desejada, por serem restritas a certas localidades e regiões, estas podem contribuir para a soberania e segurança alimentar e nutricional da população, pois são alimentos acessíveis de baixo custo, de fácil cultivo, e muitas destas com alto valor nutricional (CHAVES, 2016).

Neste contexto, salientamos a importância da diversidade alimentar através das PANC como alternativa proteica para famílias com baixo poder aquisitivo, além da implantação do modelo de gestão de recurso ambiental, representam uma alternativa viável aos fatores relacionados a socioeconomia e a inserção destas famílias no âmbito profissional de produção de recursos alimentares alternativos.

Com isto, objetiva-se estabelecer relações entre a gestão de recursos ambientais alternativos e a sustentabilidade na produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) por meio de educação Ambiental, evidenciando as possibilidades de uso e comercialização destas, em comunidades carentes manauaras. Com a presente revisão, pretendemos alcançar um modelo de gestão Ambiental ideal, que beneficie estas comunidades assim bem como, as famílias ali pertencentes.



2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 PANC: Uma alternativa de alimentação saudável e soberania alimentar

A sociedade está cada vez mais ávida pela busca de alimentos saudáveis. Os altos índices de doenças cardiovasculares, osteoporose, câncer em suas diversas formas, tem alertado para a mudança de hábitos do cotidiano, sendo o principal deles a alimentação (BARBOSA, et al., 2013). Vivemos em uma sociedade que “desembala” muito e “descasca” de menos, fazendo assim com que, as gerações atuais e futuras, herdem mazelas irreparáveis. Atrelamos a busca pela alimentação saudável as plantas, que Kinupp e Barros (2008, p.1), afirmam: “uma listagem de todas as plantas comestíveis do mundo não existe”.

Sabe-se atualmente que, a partir de uma lista “mais recente” a alimentação da humanidade se reduz a apenas cerca de 110 espécies, sendo de consumo principal o trigo, a batata, o milho e o arroz (RAPOPORT, 2001). E a maioria destas é cultivada de forma intensiva e com uso de grande quantidade de agrotóxicos, quando existem no mundo entre 12.500 e 15.000 plantas com potencial alimentício (RAPOPORT, 2001).

Neste cenário, surgem as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), que nada mais são que:

Plantas alimentícias – sensu lato são aquelas que possuem uma ou mais partes (ou derivados destas partes) que podem ser utilizadas diretamente na alimentação humana, tais como: raízes, tuberosas, tubérculos, bulbos, rizomas, cormos, talos, folhas, brotos, flores, frutos e sementes ou ainda látex, resina e goma, ou indiretamente quando são usadas para obtenção de óleos e gorduras alimentícias” (KINUPP e LORENZI, 2014, p. 13).

Estas plantas vêm ganhando amplo espaço na gastronomia brasileira, por serem alternativas viáveis alimentícias com altos índices proteicos, e também pela sua fácil aquisição, em quintais, hortas caseiras e outros, pois, se adaptam e crescem com facilidade em locais não cultivados.

Muitas plantas são denominadas ‘daninhas’, ‘matos’, ‘invasoras’, ‘infestantes’, ‘inços’, e até ‘nocivas’, apenas por que ocorrem entre as plantas cultivadas ou em locais onde as pessoas ‘acham’ que não podem ou não devem ocorrer” (KINNUP; LORENZI, 2014, p. 13).

No entanto, muitas destas espécies de plantas, são queimadas, arrancadas, pisoteadas por “enfear” calçadas e quintais, além de serem exterminadas através de herbicidas, porém, são espécies com alto teor nutricional, como proteínas, selênio, magnésio entre outros. Estudos como de Souza e Guimarães (2009), destacam a ora-pro-nobis como altamente proteica. Já Erice (2011), em contrapartida traz os estudos realizados em Porto Alegre (RS), como forma de salientar que, o resgate de conhecimentos sobre as PANC, podem ser realizados, nos dando a prerrogativa necessária para também trabalhar com a população carente manauara.

Entendemos que, além dos manejos sustentáveis, cultivos, pesquisas e marketing das espécies promissoras há, naturalmente, a necessidade de preços competitivos, assim bem como o controle de qualidade dos produtos e a produção em larga escala, proporcional as demandas de mercado conquistadas.

A soberania alimentar apresentada por Wittman et al., (2010, p. 2) está embasada no que chamamos de “paradoxo nutricional” que está enraizada na “simplificação” da agricultura, que é o processo que favoreceu alguns cultivos em detrimento de outros com base em suas vantagens em relação as PANC, que vão desde o desenvolvimento de habitats, a necessidade de uso de pesticidas, já as PANC trazem o simples cultivo (ou não), armazenamento e processamento fáceis, uma carga inestimável de propriedades nutricionais, além dos sabores característicos.

Trazendo para o contexto amazônico, Fraxe, Pereira e Witkoski (2007, p. 56) nos dão um vislumbre do que é a agricultura familiar na Amazônia:

[...] caracteriza-se como uma importante forma de organização da produção que associa família, produção e trabalho nos diversos ambientes de produção terrestres e aquáticos. Os critérios utilizados pelos agricultores amazônicos para direcionar as decisões relativas às atividades agrícolas na agricultura familiar não visam apenas à rentabilidade, mas principalmente atender as necessidades básicas da família. Os agricultores familiares amazônicos se caracterizam por exercerem uma pluralidade de atividades produtivas que são fundamentais para complementar seus rendimentos e suas necessidades de sobrevivência”.

À partir do entendimento muito bem evidenciado na fala anterior de autores que trazem o contexto de cultivo, trabalho e soberania alimentar amazônico, partimos para o próximo tópico que é o resgate da responsabilidade ambiental e valores através de práticas sustentáveis.

2.2 O resgate da responsabilidade ambiental e valores através de práticas sustentáveis

A responsabilidade ambiental vem sendo a temática mais discutida atualmente, além de ser objetivo de grandes conferências a nível global como Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, ECO-92, RIO+20, RIO+10, entre outras, e sem contar os inúmeros documentos que são regidos com vistas à promover ações mais reflexivas por parte do ser humano.

É sabido que, práticas responsáveis levam a práticas sustentáveis, pensar em consumir os recursos naturais, porém em repor e ademais, pensar nas gerações futuras é um dos maiores desafios da humanidade atualmente.

O clássico e mais citado documento da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD, 1991, p. 46) define o conceito de desenvolvimento sustentável com o seguinte enunciado: “é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras a atenderem as suas próprias necessidades”. As análises e recomendações da CMMAD (1991) e da Agenda 21 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento [CNUMAD], 1996), outro importante documento, resultante da Rio 92, estão centradas nas dimensões ambientais, econômicas e sociais. Embora alguns autores importantes, como Sachs (1993), reconheçam outras dimensões da sustentabilidade, como a espacial e a cultural (SOUZA e RIBEIRO, 2013, p. 370)”.

Agregado a responsabilidade ambiental temos os valores ambientais carregados por cada ser indivíduo, estes que perfazem a totalidade do ser humano e são indissolúveis. O artigo 1º da lei 9.795/99 denominada lei do meio ambiente que assim a define diz assim: Art. 1º Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Segundo a Comissão (CMMAD, 1991), o termo desenvolvimento sustentável advém de dois conceitos-chave preconizados pelo ser humano ligados a educação ambiental: o conceito de necessidades básicas dos pobres de todo o mundo, que devem ser atendidas como prioridade, e o conceito de limitação dos recursos naturais, que pode impedir as gerações presentes e futuras de atenderem as suas necessidades. Esses dois conceitos, somados ao conceito de desenvolvimento econômico, convergem para o desenvolvimento sustentável, que busca o fim da pobreza, a redução da poluição ambiental e o desperdício no uso de recursos (SOUZA; RIBEIRO, 2013, p. 371).

De acordo com a Agenda 21 (CNUMAD, 1996), a sustentabilidade ambiental está intimamente relacionada a padrões de consumo assim bem como de produção sustentáveis e uma maior eficiência no uso de “energia” para reduzir, ao mínimo, as pressões ambientais, o esgotamento dos recursos naturais e a poluição.

Sendo assim, resgatar a responsabilidade ambiental por meio, de práticas sustentáveis são essenciais, com vistas que, o nosso planeta é o nosso ambiente, é a nossa casa. Sendo assim, gerir processos, realizar cultivos limpos, além da busca por recursos alimentares alternativos, que saiam do campo de visão das grandes produções de hortaliças e vegetais homogêneas e monótonas, é um desafio, porém não é algo impossível.

Adotar práticas responsáveis, sem esquecer da manutenção financeira familiar é possível, requer esforço, disciplina e aprendizagem.

A preocupação de intensificar uma educação voltada para o uso sustentável do meio ambiente e sua preservação, considerando a necessidade de ampliação da produtividade sem provocar dano ambiental, ao mesmo tempo em que possa proporcionar melhoria de vida ao pequeno produtor na busca de caminhos para a universalização do conhecimento para o homem do campo, é algo que tem como enfoque [...] a consciência ecológica, que contribuirá para a continuidade da vida no Planeta” (DIAS e DIAS, 2017, p. 162).

Nesse sentido, o desafio vigente é ir para além do campo do diálogo, e partir para a ação responsável, que só pode ser concretizada a partir da reflexão e internalização do indivíduo quando este, se sente pertencente ao meio ambiente ao qual está inserido.



3. METODOLOGIA

Este escrito versou a partir da abordagem qualitativa, onde, segundo Sandín Esteban (2010, p.127) a pesquisa qualitativa é uma atividade sistemática orientada à compreensão em profundidade de fenômenos educativos e sociais, à transformação de práticas e cenários socioeducativos, à tomada de decisões e também ao descobrimento e desenvolvimento de um corpo organizado de conhecimentos escritos. Ainda, nesse momento deve ser realizado sob a orientação das inferências, por isso, como objetivo explícito salientamos encontrar através dos textos organizados a realidade que está implícita por trás dos recortes.

Nesse momento à partir desse preparo teórico e diálogo recorrente, que é possível realizar a confrontação sistemática desses materiais que foram lidos e recortados. E assim, como pode-se observar na fala de Maciel (2013, p. 83), as concordâncias, as discordâncias, as discrepâncias e as incongruências podem ser realizadas entre os apanhados teóricos, e contribuir significativamente para diálogos teóricos posteriores.



4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

À partir da confrontação textual, pode-se perceber que, a gestão de recursos ambientais vem ganhando amplitude e força, através das mídias impressas, sociais, televisivas e etc. Portanto, é de conhecimento geral e evidenciado a todo momento que vivemos em um planeta finito, sendo assim, começar a gerir aquilo que nos resta, não é somente necessário, mais imprescindível para a manutenção e garantia de recursos para as gerações futuras. Neste contexto a educação ambiental surge e contribui como um aporte necessário para as práticas necessárias de cuidado com o meio ambiente (MACIEL; SOUZA; LOURENÇO, 2009).

A partir dos processos de emancipações dos grupos indígenas gera-se diversas manifestações de resistência diante das políticas da globalização e da capitalização da vida; é daí que emergem as estratégias das comunidades para auto - administrar seu patrimônio de recursos naturais e culturais.

O confronto de interesses para assimilar as condições de sustentabilidade em relação aos mecanismos de mercado é perceptível, e diante de um processo político de reapropriação social da natureza, faz estes movimentos de resistência se articularem à construção de paradigmas alternativos de sustentabilidade, no qual os recursos ambientais se convertem em potenciais capazes de reconstruir o processo econômico dentro de uma nova racionalidade produtiva, propondo um projeto social baseado na produtividade da natureza, nas autonomias culturais e na democracia participativa (LEFF, 2011).

Recentemente muito estudos vem sendo analisados com vistas a mostrar que o cuidado do ser humano com o meio ambiente, reflete em si mesmo, pois, através do ato de cultivar, cuidar e produzir seu próprio alimento, desperta a atenção e o cuidado, assim bem como o senso de pertencimento ao meio, no qual o ser humano em questão está inserido.

O ato de cuidar/cultivar promove a noção de educação em respeito ao meio ambiente, e neste contexto as PANC trazem uma alternativa viável de alimentação regionalizada, rica em nutrientes e de fácil administração, pois, além de serem espécies endêmicas, se adaptam com mais facilidade em locais hostis.

Em suma, a sociedade atual anseia por poder resgatar os saberes a respeito das PANC que a cada dia a mais se mostra em potencial ascensão alimentar e proteica, a população manauara possui em seu interior uma riqueza vasta e ampla, porém desconhecida. Caracterizar os benefícios que estas plantas proporcionam nutricionalmente a estas famílias deve ser a prioridade atual, com vistas a auxiliar as famílias e comunidades em vulnerabilidade. Além de promover as práticas necessárias para a construção e implantação do modelo de gestão ambiental Sistema de Gestão + Limpa sustentavelmente efetiva, para que estas comunidades, assim bem como suas famílias, possam administrar e prover também recursos financeiros para seu sustento.



5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gestão de recursos florísticos, é uma alternativa viável para famílias manauaras carentes, que devido ao baixo poder aquisitivo, sentem dificuldade na complementação alimentar. Além disto, é possível gerir e escolher espécies e cultivá-las abertamente no próprio quintal da família e/ou residência. Sendo assim, aplicar o modelo de Sistema de Gestão Ambiental + Limpa, proporciona segurança e estabilidade alimentar para as famílias que questão.

Entender e dar o correto valor a natureza é essencial, produzir conhecimento, reflexões e diálogos, para que a natureza possa ser utilizada em benefício humano responsável se tornou prioridade, pois, somente extrair, se beneficiar e lucrar sem pensar em repor, e por conseguinte não pensar nas gerações futuras é um caminho sem volta, sem retorno, porém é finito e mensurável, com perdas significativas e inestimáveis.



REFERÊNCIAS



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CHAVES, M. S. Plantas Alimentícias Não Convencionais em Comunidades Ribeirinhas na Amazônia. Dissertação de Mestrado. Viçosa, MG, 2016. 123p.

CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2a ed. Tradução de Our common future. 1a ed. 1988. Rio de Janeiro, Editora Fundação Getúlio Vargas, 1991.

Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Agência 21. Brasília, Senado Federal, 1996.

DIAS, A. A. S.; DIAS, M. A. O. Educação ambiental: a agricultura como modo de sustentabilidade para a pequena propriedade rural. Revista de Direitos Difusos, v. 68 – Julho – Dezembro, São Paulo, 2017.

ERICE, A.S. Cultivo e comercialização de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC’s) em Porto Alegre. Porto Alegre, RS, 2011.

FRAXE, T de. J. P.; PEREIRA, H. dos S.; WITKOSKI, A. C. (org.) COMUNIDADES RIBEIRINHAS AMAZÔNICAS: MODOS DE VIDA E USO DOS RECURSOS NATURAIS. Ed. EDUA, Manaus, 2007.

LEFF, H. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Rio

KINUPP, V. F.; BARROS, I. B. I. Riqueza de Plantas Alimentícias Não Convencionais na Região Metropolitana de Porto Alegre. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, RS, 2008.

KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, São Paulo, 2014. 768p.

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MACIEL, R. J. de S.; SOUZA, S. G. A. de.; LOURENÇO, F. de S. Práticas de Agricultura Sustentável Realizadas em Comunidades Tradicionais sob Área de Várzea em Parintins-AM. VI Congresso latino americano de agroecologia, Paraná, 2009.

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RAPOPORT, E. H.; SANZ, E. H.; LADIO, A. H. “Plantas Silvestres comestibles de la Patagonia Argentino – Chilena. Exóticas/ Parte II”. “Programa de Extensión Universitária. Departamento Ecologia, Centro Regional Universitário Bariloche, Universidad Nacional del Comahue, Bariloche, 2001. 77p.

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