ISSN 1678-0701
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Breves Comunicações

No. 22 - 22/11/2007
Uso de revistas como material didático alternativo para a Educação Ambiental
Com enorme freqüência, quando se fala em pesquisas bibliográficas, a grande maioria dos docentes pensa nos livros, sobretudo nos livros didáticos. Isso pode ser explicado como resultado de hábitos adquiridos durante a sua formação universitária, onde esse vindouro professor baseia seu aprendizado na leitura de livros e esporadicamente em artigos de periódicos. Porém, os livros didáticos não são a única, e nem a melhor fonte de informações sobre questões relacionadas ao meio ambiente, sobretudo as questões relacionadas a gestão de resíduos urbanos.

Educação Ambiental em Ação

Uso de revistas como material didático alternativo para a Educação Ambiental

AUTOR: José C. L. Sariego
ADAPTADO POR : Fabiano Villatore Ferreira
 

1.   INTRODUÇÃO

 

 

            Com enorme freqüência, quando se fala em pesquisas bibliográficas, a grande maioria dos docentes pensa nos livros, sobretudo nos livros didáticos. Isso pode ser explicado como resultado de hábitos adquiridos durante a sua formação universitária, onde esse vindouro professor baseia seu aprendizado na leitura de livros e esporadicamente em artigos de periódicos. Porém, os livros didáticos não são a única, e nem a melhor fonte de informações sobre questões relacionadas ao meio ambiente, sobretudo as questões relacionadas a gestão de resíduos urbanos.

            PRETTO (1987) diz que o livro didático induz à memorização dos conceitos, é vazio de informações e apresenta todo o conhecimento de forma compartimentalizada, estilo conflitante com o caráter interdisciplinar que distingue a Educação Ambiental. Também FRACALANZA (1992) e KEIM (1984) destacam, como aspecto negativo dos livros didáticos o fato dos mesmos desvincularem a natureza da ação humana. KRASILCHIK (1987) também enfatiza que os livros didáticos servem mais aos interesses comerciais do que aos objetivos didático-pedagógicos e que estes são “veículos explícitos ou implícitos de ideologias incoerentes com as propostas de mudanças”.

            Em resumo, os livros didáticos reproduzem uma prática autoritária, descrevem o ambiente de forma abstrata, mascarando os calamitosos problemas ambientais, tanto por apresentar os seus conhecimentos de forma compartimentalizada como pela falta de uma proposta unificadora quanto à Educação Ambiental.

            Não são poucos os docentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio que anseiam submeter aos seus educandos à experiência da pesquisa bibliográfica com a finalidade de aprofundarem em temas relacionados ao meio ambiente e, assim, tomarem posse de informações que lhe permitam refletir. Porém, quando esses docentes pretendem desenvolver um projeto de Educação Ambiental com seus educandos, escapando da ditadura dos livros didáticos que, como vimos, padecem de inúmeros entraves, defrontam-se com muitas dificuldades, tais como: Onde encontrar informações atualizadas sobre o tema proposto para poderem ensiná-lo? Onde encontrar informações atualizadas para avaliar os trabalhos dos alunos? Esse episódio tão comum nas nossas escolas, e que desanima muitos docentes a empregarem a pesquisa bibliográfica como prática pedagógica, comprova a necessidade de se localizar alternativas que viabilizem esse trabalho em sala de aula.

            Uma alternativa viável aos livros didáticos, como fonte de informações para pesquisas bibliográficas em Educação Ambiental, especialmente para os resíduos sólidos urbanos, são as revistas. O seu uso já é indicado por diversos autores. FRACALANZA, AMARAL e GOUVEIA (1986) aconselham que “nem sempre um livro didático pode satisfazer as exigências do ensino ou corresponder aos objetivos que o professor se propõe ao ensinar”. Por isso eles indicam que o docente leve para sala de aula esses periódicos tão ricos para que sejam utilizados como material de leitura pelos educandos.

 

            O principal objetivo deste artigo é o de oferecer um precioso serviço aos docentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, orientando e facilitando a pesquisa bibliográfica entre os educandos ao trabalharem com temas relacionados a Resíduos Sólidos e outros de interesse da Educação Ambiental.

            Com o obra desta pesquisa acadêmica seria possível a montagem, nas bibliotecas escolares, de uma coleção de cópias xerografadas dos mais significativos artigos publicados pelas revistas trazidas pelos docentes, o que facilitaria a consulta de toda a comunidade escolar nas mais diferentes disciplinas do currículo básico, principalmente por aqueles educandos mais carentes, que encontram dificuldades em adquirir estes periódicos.

            Posteriormente esta coleção poderia ser ampliada com o advento da internet, pois a maioria das revistas, possui uma versão on-line dos artigos impressos que foram publicados nas mesmas. O que tornaria mais fácil o trabalho dos docentes, não precisando gastar o seu dinheiro mensalmente em diversos periódicos, simplesmente levariam seus educandos no laboratório de informática da escola, quando esta o tiver, acessar as mais diversas home pages das revistas e localizar artigos que se adaptam ao assunto trabalhado em sala de aula, imprimi-los e arquiva-los na biblioteca da escola.

            Partindo-se da comprovação de que os livros didáticos não apresentam-se como a mais perfeita fonte de informações para pesquisas bibliográficas em Educação Ambiental deve-se constatar a hipótese de que as revistas possuam características que as qualificam como material didático alternativo para ser utilizado em sala de aula pelos educandos. São elas:

 

·         As revistas são fontes de conhecimento sobre questões ambientais mais atualizadas do que os livros didáticos, o que significa que determinados fatos de relevante interesse estão presentes nos textos das revistas antes de serem abordados nos livros didáticos;

·         As revistas abordam temas extremamente específicos, porém de interesse para a Educação Ambiental, ausentes dos livros didáticos;

·         As revistas adotam uma abordagem interdisciplinar na forma de apresentação das reportagens, o que não ocorre com freqüência entre os livros didáticos;

·         As revistas podem ser diferenciadas em função das correntes do pensamento ambientalista, retratando cada uma delas de forma clara e precisa.

 

            A despeito da tradição do corpo docente, de se usar os livros didáticos como fonte praticamente única de informações, deve-se cogitar na praticidade e até mesmo na superioridade das revistas. A importância dos aspectos característicos das revistas apresentados acima servem como argumento para confirmar o real valor desses recursos didático.

 

            Para a preparação da coleção de textos em Educação Ambiental devem ser selecionadas revistas de divulgação científica com ampla distribuição, encontradas em bancas de jornais e/ou de revistas de todo o Brasil ou aquelas revistas que possuam site na internet. Nem todas as revistas adotam um estilo estritamente científico, para o propósito desta pesquisa devem-se adotar revistas que abordam artigos referentes à questões ambientais.

            Dentre as mais diversas revistas publicadas pelas editoras brasileiras as que mais se enquadram para serem trabalhadas em sala de aula com os educandos e que possuem uma grande variedade de artigos relacionados à questões ambientais são: Supereinteressante publicada pela Editora Abril, National Geographic Brasil publicada pela Editora Abril, Galileu publicada pela Editora Globo, Ciência Hoje publicada pela Editora SBPC e Scientific American Brasil publicada pela Editora Duetto.

            Foram excluídas as publicações cuja linguagem fosse de difícil compreensão por parte dos educando do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, a exemplo das publicações técnicas.

            A Educação Ambiental é envolvida por diversas concepções filosóficas, que são expressas por distintas correntes do pensamento ambientalista. Essas correntes influenciam a forma de exercer a Educação Ambiental no âmbito escolar, assim como a seleção de conteúdos e a abordagem dos mesmos em sala de aula. Segundo LAGO e PÁDUA (1985), o pensamento ambientalista pode ser distinguido em quatro áreas de pensamento, são elas: Ecologia Natural, Ecologia Social, Conservacionismo e Ecologismo.

            A Ecologia Natural é a corrente que possui um estilo mais técnico-científico. Preocupa-se em descrever e entender os mecanismos naturais que regulam o funcionamento dos sistemas biológicos, para tal apropria-se de conceitos e termos da Biologia, Química, Física e Geografia. Surgiu na segunda metade do século XIX a partir dos estudos de Enerst Haeckel e posteriormente aprofundados por inúmeros cientistas.

            A Ecologia Social trata-se de uma corrente do pensamento também intimamente atrelada ao pensamento científico-positivista. No entanto, possui uma abordagem  multidisciplinar. Como acontece com a maioria das correntes, esta também é fruto de determinado período histórico, marcado pelo desenvolvimento do industrialismo na segunda metade do século XX, gerador de impactos ambientais, essa corrente começou a ser formulada nos anos vinte pela Escola de Chicago.

            O Conservacionismo pode ser qualificado como uma corrente de pensamento que não se ocupa de procurar um embasamento científico. Seu propósito básico é a conservação da natureza tal como o homem a encontrou, ignorando as necessidades das populações humanas. O progresso tecnológico é encarado com desconfiança e a abordagem  das questões ambientais é cheia de motivações emocionais. As raízes deste pensamento são muito antigas, remontando a concepções panteístas brâmares e hinduístas que identificam Deus com a Natureza, o que faz com que a Natureza assuma um caráter “sagrado”.

            O Ecologismo é uma corrente que se apresenta como um projeto de transformação social, calcado em princípios ecológicos, esta linha serve de divisor de águas para distingui-lo do conservacionismo, que até pode criticar o modelo vigente, mas sem propor nenhum projeto alternativo. Por outro lado, o Ecologismo parte do princípio  de que não basta lamentar as mazelas ambientais. Propõe, ao contrário, uma ampla mudança na economia, nos valores éticos e culturais. Representa uma percepção de que a crise ambiental não resulta de pequenas disfunções do sistema dominante, mas, ao contrário, é causada por um modelo ecologicamente insustentável. O pensamento marxista, vinculado a pensadores independentes como Marcuse e outros é um dos principais caudatários do Ecologismo.

            Para a escolha de um artigo publicado em uma revista científica que satisfaça as necessidades em relação à questões ambientais, faz-se necessário a observação das corrente do pensamento ambientalista no mesmo para que se possa atingir o objetivo em Educação Ambiental. Para isso foi incluído o quadro abaixo que mostra as diferentes correntes de pensamento ambientalista e os conteúdos e práticas pedagógicas a serem trabalhadas com os educando.

 

Quadro 1: Quatro correntes do pensamento ambientalista e sua relação com a Educação Ambiental.

 

Ecologia Natural

Ecologia

Social

Conservacionismo

Ecologismo

Fundamentação Filosófica

Positivismo

Positivismo

Racionalismo

Marxismo

Conteúdos

Conceitos Científicos da Ecologia

Conceitos Científicos da Ecologia, Problemas Ambientais e Desenvolvimento Sustentado

Preservação de Áreas Naturais e sua Biodiversidade.

Reciclagem e  Fontes Alternativas de Energias.

Práticas Pedagógicas

Aula expositiva

Aula expositiva

Excursão a Áreas Preservadas e Atividades de Conscientização

Hortas Comunitárias, Coleta Seletiva e  Uso de Sucatas.

 

            Uma revista que siga a Ecologia Natural não precisa, necessariamente, adotar uma linguagem estritamente técnica. Basta descrever superficialmente ambientes naturais, abordar a historia natural de animais e plantas ou destacar as "leis da natureza", ignorando a atuação humana e os impactos ambientais daí decorrentes.

            A Educação Ambiental praticada segundo as concepções da Ecologia Social pode ser associada à tendência critico-social dos conteúdos, que valoriza o conhecimento teórico, porém unindo-o à prática pela reflexão da vivência do aluno face às suas realidades sociais.

            A Educação Ambiental praticada de acordo com a abordagem Conservacionista prioriza a autogestão, rejeita qualquer forma de poder e de autoridade e considera secundário os conteúdos formais. Isso determina uma metodologia baseada na vivência grupal da autogestão, pela qual o grupo de educandos decidem o que estudar, cabendo ao professor um papel de conselheiro. Em termos concretos, essa metodologia promove as atividades de conscientização e denúncia, tais como passeatas, debates, júris simulados, organização de ONGs e elaboração de jornais e boletins.

            A Educação Ambiental desenvolvida segundo os princípios do Ecologismo reflete um forte caráter político, volta-se primordialmente à ação educativa por canais não-formais e institucionais, como ONGs e movimentos populares, onde o educador assume o papel de animador e facilitador. Deste modo estimula-se o aluno para a pesquisa e a descoberta autônoma da verdade, valendo-se também do estudo do meio e do estudo de caso com vistas a resolução de problemas concretos.

            Para facilitar a compreensão da importância do uso das revistas científicas em sala de aula pelos docentes, foram retirados dois trechos de artigos de revistas diferentes. O primeiro trecho foi retirado de um artigo publicado pela revista Superinteressante, do mês de setembro deste mesmo ano, intitulado “Da margem à arte”.

            Analisando a matéria reproduzida acima o docente pode observar a importância de se trabalhar com os educando em Educação Ambiental a problemática do lixo, aquele lixo que é “jogado” indevidamente no meio ambiente. Os docente tem em mãos um excelente material para trabalhar a produção de lixo pela sociedade, a trajetória do lixo doméstico, os diferentes tipos de destino do lixo, a reciclagem e consequentemente a produção de sucatas, como foi a idéia deste projeto, que transforma lixo em obras de arte, como mostra bem a figura. Sendo um artigo que pode ser utilizado por docentes de diferentes disciplinas, como por exemplo, Ciências, Biologia, Artes, Geografia etc.

            O segundo trecho foi retirado de um artigo publicado pela revista Ciência Hoje, do mês de setembro deste mesmo ano, intitulado “Plástico amigo do meio ambiente”.

            Analisando a matéria reproduzida na revista o docente pode observar a importância de se trabalhar com os educando em Educação Ambiental novamente a problemática do lixo, porém com um enfoque diferente. Os docente podem trabalhar a produção de produtos alternativos que agridam menos o meio ambiente, o tempo de decomposição dos diferentes tipos de materiais e a reciclagem. Sendo um artigo que pode ser utilizado por docentes de diferentes disciplinas, como por exemplo, Ciências, Biologia, Química, Física, Geografia etc.

            Sendo assim, pode-se concluir que as revistas de divulgação científica procuram adotar uma abordagem eclética ante as questões ambientais, sendo tão diversificadas - tanto na forma como no conteúdo - quanto seu público leitor. Não se deve perder de vista que todas as revistas têm sua existência determinada pelas leis de mercado, até mais do que os livros didáticos. Mas essa influência, na verdade, não cria limitações ao seu conteúdo, como ocorre com os livros didáticos, nos quais o Estado interfere na determinação dos conteúdos, tanto por meio de suas propostas curriculares como diretamente no sucesso comercial dessas obras, por ser o principal comprador.

 

 

 


 
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