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Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
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ONDAS DE CALOR AUMENTAM CHANCES DE ABANDONO NO ENSINO MÉDIO PÚBLICO Estudo não encontrou alterações significativas nas escolas privadas, que geralmente dispõem de mais recursos para amenizar o calor. 2 de fevereiro de 2026
Renato Araújo/ Agência Brasília As mudanças climáticas, provocadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, estão fazendo as ondas de calor se tornarem mais frequentes e intensas. As redes de saúde têm percebido um aumento dos atendimentos devido ao aumento das temperaturas. Mas os termômetros nas alturas também afetam a educação. A ocorrência de mais dias com temperaturas acima de 34°C aumenta em 5% a chance de estudantes do ensino médio abandonarem os estudos nas escolas públicas do Brasil. A conclusão é de um estudo de pesquisadores da FGV e da Universidade Minerva, nos Estados Unidos, informa a Folha. Mas há um ponto ainda mais perverso: o racismo climático. A pesquisa identificou que esse efeito negativo acontece apenas nas escolas públicas brasileiras, especialmente naquelas localizadas em áreas urbanas, que concentram estudantes negros e pobres. Nas escolas privadas, que geralmente dispõem de mais recursos (inclusive financeiros) para mitigar o calor, não foram encontradas alterações significativas. Por isso, os pesquisadores apontam que o aumento de dias mais quentes pode aprofundar ainda mais as desigualdades educacionais brasileiras. Diversas pesquisas já haviam indicado que o aumento do calor prejudica a cognição humana e atrapalha o rendimento escolar. No entanto, esse é o primeiro estudo a mostrar que as mudanças climáticas também contribuem para o aumento da evasão escolar no país. Dados da pesquisa foram publicados em um artigo na Nature Climate Change em outubro do ano passado. Para Julio César dos Santos, professor do programa de pós-graduação em neurociência da Universidade Federal Fluminense (UFF) e um dos autores do texto, o aumento da chance de evasão acontece porque os adolescentes, que já têm uma baixa percepção dos benefícios de concluir os estudos, passam a ter mais dificuldade para aprender com o desconforto térmico na escola. Providências só são tomadas – quando são – após casos extremos relacionados ao calor. No Rio de Janeiro, a Justiça determinou que o governo do estado apresente um diagnóstico completo e um plano de ação emergencial da sua rede de ensino. A decisão se deu após análise de um recurso interposto pelo Ministério Público (MPRJ), que relata 52 episódios graves em 2025 em colégios estaduais. Os ambientes insalubres em sala de aula, que chegavam a 42°C em dias de calor, fizeram estudantes desmaiarem, relata O Globo. Além dos efeitos cognitivos diretos, Santos explica que o calor noturno prejudica o sono restaurador, responsável por consolidar o que foi aprendido durante o dia. “É uma combinação extremamente danosa para o aprendizado. O aluno não tem na escola nem em casa estruturas que poderiam minimizar o calor, assim, tem mais dificuldade de aprender e de consolidar o que aprendeu.” Se os estudantes sentem cada vez mais os efeitos da crise climática, parte significativa das escolas ainda falha em abordar o tema com a gravidade e a urgência necessárias. A Folha destaca que um terço das mais de 179.000 escolas públicas e privadas do Brasil não desenvolve nenhuma atividade relacionada ao ensino sobre meio ambiente ou mudança do clima, segundo dados mais recentes sobre o tema registrados no Censo Escolar 2024, do Inep. Região mais rica do país, o Sudeste apresentou o pior índice na comparação regional: 42% das instituições de ensino não executaram nenhuma ação na área em 2024. Em seguida vem o Norte, com 39%. São Paulo, estado com maior número de escolas no país (30.401), registrou o menor índice de adesão às ações de educação ambiental entre os entes federativos. Mais da metade das instituições de ensino (51%) declaram não ter trabalhado o tema. Em tempo: O calor extremo também afeta trabalhadoras e trabalhadores, sobretudo aqueles que atuam ao ar livre. No entanto, segue sendo tratado, na maior parte das legislações trabalhistas, como um problema de conforto, e não como um risco ocupacional estrutural, afirmam Victoriana Gonzaga, advogada de direito internacional e Direitos Humanos, professora e palestrante, e Ari Araújo, médico e professor da Faculdade Sírio-libanês. “A questão vai além de como ou quanto o calor afeta o trabalho, mas quem paga por esse custo. Hoje, ele recai de forma desproporcional sobre os corpos de trabalhadores mais vulneráveis. Garantir o direito à saúde em tempos de colapso climático exige mais do que equipamentos de proteção individual. É necessária uma reforma nas normas de segurança que preveja a adaptação das jornadas de trabalho, o monitoramento em tempo real do índice de calor e a garantia de hidratação e áreas de descanso sombreadas”, reforçam em artigo no Um Só Planeta. Fonte: https://abrelink.me/RlH
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