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Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
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INCENTIVO À JUSTIÇA CLIMÁTICA Gabriel Alves da Silva Júnior, Renan Taiky Uchima e Sucena Shkrada Resk 6 de Fevereiro de 2026 (atualizado em 6 de Fevereiro de 2026) Esta área transdisciplinar auxilia o processo de criação e fortalecimento de ecossistemas e protagonismo comunicativo ao estimular a produção de conteúdos midiáticos com leitura crítica O campo da educomunicação socioambiental e climática alcançou projeção na atualidade como uma ferramenta valiosa na busca da promoção da justiça climática, um conceito voltado à redução das desigualdades sociais intensificadas pelas mudanças climáticas, entre e dentro dos países (Borràs,2016). Esta área transdisciplinar auxilia o processo de criação e fortalecimento de ecossistemas e protagonismo comunicativo ao estimular a produção de conteúdos midiáticos com leitura crítica, por meio de processos dialógicos e com propostas de transformações coletivas, as quais amplificam as vozes das “comunidades” e suas interseccionalidades. De acordo com a ABPEducom (Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação) , a educomunicação estimula a participação cidadã e integra diferentes linguagens e tecnologias comunicacionais. Suas raízes se encontram na comunicação popular e alternativa da América Latina, desde 1960. Também tem como fonte de inspiração, o educador Paulo Freire e foi sistematizada no final dos anos 1990, no Brasil, pelo NCE/USP (Núcleo de Comunicação e Educação da USP). As cartilhas são formatos atuais mais utilizados de educomunicação popular, voltados para a justiça climática, cujo conteúdo de convergência para diferentes faixas etárias é o entendimento de que os impactos da crise climática atingem de forma desigual as populações em situação de vulnerabilidade. O objetivo desses materiais é tratar de temas sobre direitos socioambientais, tais como as ações efetivas para mitigação e adaptação climática, construídas coletivamente através da efetiva participação e o lugar de fala dessas populações. Desta forma, há a valorização das epistemologias decoloniais e de saberes tradicionais, por meio da aplicação das cartografias sociais. A série de cartilhas “Nós no clima da mudança: caminhos de educação e justiça climática”, voltada a estudantes da educação infantil ao ensino médio, foi lançada em abril deste ano, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sob produção do Programa Cemaden Educação (CNPq/ MCTI) em apoio à VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA/MEC). Já o estudo “Quem precisa de justiça climática no Brasil? (2022), enfatiza a questão de gênero, sob as perspectivas de lideranças predominantemente mulheres, indígenas, negras, quilombolas, periféricas, pesqueiras e rurais. Principalmente destaca a dívida climática dos países do Norte Global com os países do Sul Global. A justiça climática é inseparável da luta por direitos humanos (Louback,2022). A Justiça Climática consiste para além de uma resposta ambiental, através do processo coletivo amplo de lutas por direitos, reconhecimento, reparações e desenvolvimento sustentável e equitativo, onde a educomunicação é uma ferramenta fundamental para formação, divulgação e mobilização para compreender a intersecção entre justiça social e ambiental nas atuais lutas climáticas A “Cartilha Educação Climática”, elaborada pelos grupos: “Famílias pelo Clima”, “Movimento Escolas pelo Clima” e “Saúde Planetária Brasil”, com o apoio do IEA-USP, do Programa USPSusten (SGA-USP) e da Reconectta, apresenta o conceito de justiça climática, a partir da perspectiva de Louback, defendendo o papel das escolas e da família como espaços promotores de educação climática, com exemplos de iniciativas inspiradoras. Para os autores Cavaco e Torres (2023), as instituições escolares fomentam atividades que valorizam a diversidade e a conexão com o meio ambiente, com o potencial de gerar impacto para além da comunidade escolar. Assim a cartilha visa estimular a participação de jovens e adolescentes no combate às mudanças climáticas, uma vez que as novas gerações serão as mais prejudicadas pelas emergências do clima, relacionando esta questão com o conceito de justiça intergeracional. A cartilha “Justiça Climática”, elaborada em 2025 pela FASE Amazônia em parceria com a Cúpula dos Povos, se destaca pela abordagem crítica e aprofundada sobre a crise climática e as disputas políticas globais relacionadas nas instâncias da ONU, como as COPs (Conferências das Partes), diante da importância para compreensão dos processos formais de governança climática, bem como as mobilizações populares por mudanças mais radicais e inclusivas. Portanto a Cúpula dos Povos, como espaço de articulação plural e diversa, envolvendo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, movimentos LGBTQIAPN+, ambientalistas, feministas, dentre outros, mobiliza forças em torno da justiça climática e do “Bem-viver”. Assim, propõe uma agenda ampla, que integra lutas sociais e ambientais, buscando pressionar os governantes para adoção de compromissos mais ambiciosos e justos, em especial durante a COP 30, que ocorre paralelamente à programação da Cúpula em Belém, em novembro de 2025. A cartilha se estrutura a partir dos conceitos básicos, como as COPs, o Acordo de Paris, as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e demais temas, em eixos temáticos que abordam a defesa dos territórios e direitos dos povos originários, contra o racismo ambiental, da reparação histórica e fortalecimento das políticas públicas de financiamento climático. Ressalta a importância do feminismo popular, antirracista e anticolonial na resistência das mulheres nos territórios, bem como a promoção da pluralidade, intergeracionalidade e inclusão em processos decisórios. Os movimentos sociais têm visado espaços alternativos, como fóruns sociais e contra cúpulas, para reformular as pautas das negociações e implementação da justiça climática, direitos das vítimas das mudanças climáticas e justiça restaurativa, propondo a luta contra as mudanças climáticas para além do controle de temperatura e mitigação, incluindo a defesa dos direitos humanos, na perspectiva do reconhecimento e reparação histórica das múltiplas opressões sociais, econômicas e ambientais (Borras,2016). A Justiça Climática consiste para além de uma resposta ambiental, através do processo coletivo amplo de lutas por direitos, reconhecimento, reparações e desenvolvimento sustentável e equitativo, onde a educomunicação é uma ferramenta fundamental para formação, divulgação e mobilização para compreender a intersecção entre justiça social e ambiental nas atuais lutas climáticas, como fonte essencial para estudos críticos em políticas climáticas e movimentos sociais. BIBLIOGRAFIA Borras, Susana. Movimientos para la justicia climática global: replanteando el escenario internacional del cambio climático. Relaciones Internacionales, n. 33, p. 97-119, 2016. Disponível aqui. Acesso em: 21 out. 2025. Cavaco, Isabela C., Torres, Pedro Henrique Campello. Dimensões e leituras sobre justiça climática: notas para o debate. Cadernos de Campo, 2025. Acesso em: 21 out. 2025.
Gabriel Alves da Silva Júnior é doutorando no Programa de Pós Graduação em Planejamento e Gestão do Território pela UFABC, possui mestrado acadêmico em Direito UNISAL – Lorena (2019), com Especialização em Gestão Pública Municipal pela UTFPR (2014), graduação em Engenharia Civil (1995) e em Direito pela UNIVAP (2006). Membro do Grupo de Pesquisa Ecologia Política, Planejamento e Território – Eco-t UFABC. Renan Taiky Uchima é licenciado e bacharel em ciências biológicas pela Universidade de São Paulo. É membro do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental e Formação de Educadores e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (USP). É também membro do Programa de Embaixadores de Saúde Planetária (Edição 2025), atuando no GTI Educação. Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada pela PUC-SP com pós-graduação lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP. É educomunicadora socioambiental e autora e editora do Blog Cidadãos do Mundo e dos Programas Vozes dos Biomas/Eu, Nós e Nosso Meio Ambiente Webdoc, em seu canal no youtube.
Educomunicação: ferramenta de incentivo à justiça climática | Nexo Políticas Públicas |