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Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
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COMUNIDADE TRANSFORMA CENÁRIO AMBIENTAL DA BAÍA DE GUANABARA Participação social quer resgatar fauna e flora de municípios ao redor Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Publicado em 02/03/2026 - 08:21 Rio de Janeiro
A
participação comunitária de povos tradicionais
vem modificando o cenário ambiental de manguezais na Baía
de Guanabara. Por meio de projetos de limpeza de resíduos
sólidos, conscientização de pescadores e
catadores de caranguejo, recuperação da fauna e flora
locais, o cenário vem sendo recuperado em vários
municípios ao redor. Em
janeiro e fevereiro, ações do Projeto Andadas
Ecológicas, da Organização
Não governamental Guardiões do Mar,
recolheram 4,5 toneladas de rejeitos em Magé. Pescadores
artesanais, catadores de caranguejo, adolescentes e crianças
da comunidade de Suruí e adjacências, no recôncavo
da Baía de Guanabara, são os beneficiários
diretos.
Limpeza
de resíduos em manguezal de Magé. Eixos Para o presidente da Guardiões do Mar, Pedro Belga, o projeto Andadas Ecológicas tem diferenciais e não se limita a recolher o lixo do mangue e do mar. O ambientalista destacou a importância do trabalho de educação ambiental que vai ocorrer ao longo das duas margens do Rio Suruí, onde as comunidades moradoras vão ser incentivadas a recolher o seu resíduo sólido pós consumo, não só deixando de descartar de forma incorreta, como catar aqueles que têm condição de ser reciclados. Assim, famílias, crianças e jovens vão ser incentivados a trocar esses resíduos sólidos pelas moedas Mangal e, posteriormente, vão poder trocar as moedas por objetos em um bazar. Retorno financeiro O pagamento por serviços ambientais, segundo Belga, foi adotado pela Guardiões do Mar em 2001 na primeira ação que realizou na Baía de Guanabara, na comunidade da Ilha de Itaoca. “A partir daí, entendemos a importância de como vale a pena contratar essas comunidades para fazer a limpeza.” Segundo ele, ao incluir o termo de Pagamento Por Serviço ambiental, as comunidades se sensibilizam e se tornam agentes ambientais. Elas constatam depois que a limpeza traz mais produção de peixes e caranguejos e mais qualidade no manguezal. De acordo com o ambientalista, a limpeza dos mangues já é uma atividade esperada, principalmente, pelos catadores de caranguejo por causa do período de defeso, que no Rio de Janeiro ocorre de 1º de outubro a 30 de novembro. Nesse momento, não se pode coletar, transportar, comercializar o caranguejo- uçá. “Essa bolsa-auxílio, que é paga por serviço ambiental prestado pela comunidade, é de extrema importância.” O presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé, Rafael dos Santos, destacou que o Turismo de Base Comunitária, que é outra atividade econômica desenvolvida pelos moradores, também é influenciado pela limpeza de resíduos sólidos. “O cenário do rio e do manguezal mais limpos atrai visitantes para a região.”
Projeto
desenvolve educação ambiental de povos tradicionais em
Magé. LimpaOca O
projeto vai ser ainda uma extensão da Operação
LimpaOca, de acordo com o coordenador Rodrigo Gaião.
Desde as primeiras ações de limpeza dos manguezais na
região da APA de Guapimirim, na região
Metropolitana do Rio, em 2012, a ação já
recolheu mais de 100 toneladas de resíduos. No Andadas
Ecológicas, pela primeira vez, se estenderá da foz à
nascente do Rio Suruí. “[Entre os resíduos], o plástico domina, seja em forma de garrafa pet ou outros tipos de potes plásticos e sacolas em quantidade absurda. Dependendo do tempo que aquilo está no manguezal, é grande a quantidade de fragmentos.”
Fonte: Comunidade transforma cenário ambiental da Baía de Guanabara | Agência Brasil |