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Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
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D domingo, 1 de março de 2026
Praia do coqueirinho – Conde/PB O Papel da Academia na Consolidação da Sustentabilidade No dia 1º de março, celebramos o Dia do Turismo Ecológico, uma data que transcende a contemplação da natureza e se estabelece como um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável. Para a CGA UFPB, esta data é um convite à reflexão sobre como o conhecimento científico e a gestão pública podem caminhar juntos na preservação dos nossos biomas, especialmente a Mata Atlântica paraibana. Ecoturismo como Ciência e Conservação. Diferente do turismo convencional, o ecoturismo é uma modalidade fundamentada na educação ambiental e no estudo da biodiversidade. Ele busca minimizar impactos antrópicos enquanto promove a valorização da fauna, flora e das comunidades tradicionais.
Fonte: Freepik Para que o turismo seja verdadeiramente sustentável, ele deve ser sustentado pelo Tripé da Sustentabilidade, conceito amplamente debatido em nossas salas de aula e laboratórios: Dimensão Econômica: Fomento aos negócios locais e inclusão de mercados que respeitem práticas tradicionais, garantindo a viabilidade financeira sem exploração predatória. Dimensão Social: Garantia de que a atividade turística sirva aos interesses da população local, preservando o patrimônio histórico e cultural e assegurando condições dignas de trabalho. Dimensão Ambiental: Mitigação de danos aos ecossistemas através de mecanismos rigorosos de visitação, fiscalização e gestão de resíduos. A Responsabilidade em Solo Paraibano João Pessoa e o estado da Paraíba possuem um patrimônio natural vasto. A preservação da Mata Atlântica, de suas praias e reservas naturais e a correta infraestrutura para o turismo sustentável são essenciais para que o estado cresça preservando seu capital natural. A universidade, através da pesquisa e extensão, desempenha um papel crucial na criação de diretrizes que impeçam que o turismo consuma o ambiente em vez de cuidá-lo. Guia para uma Atitude Sustentável (Comunidade UFPB) Como membros da comunidade acadêmica, devemos ser os primeiros a dar o exemplo em nossas viagens e saídas de campo: Priorize o Local: Consuma de pequenos produtores e guias da região, procure comprar de artesãos locais, aproveite para conhecer a culinária local. Respeito às Normas: Siga rigorosamente as regras de visitação de Parques Nacionais e Reservas. Integridade Ecossistêmica: Não retire amostras naturais (conchas, plantas ou pedras) e assegure o manejo correto dos seus resíduos, leve uma sacolinha para recolhê-los. Visite o que está perto: Valorize as Unidades de Conservação do nosso estado antes de buscar destinos distantes.
Cachoeira da Bica Grande (Natuba, PB) – Foto: Paraíba Criativa A Paraíba possui uma rede rica de Unidades de Conservação (UCs) que exemplificam o turismo ecológico em diferentes biomas. Abaixo, listo os principais destinos, categorizados por bioma e tipo de experiência: 1. Mata Atlântica e Ecossistemas Litorâneos Jardim Botânico Benjamin Maranhão (Mata do Buraquinho, João Pessoa): Localizado no coração da capital, é um remanescente vital de Mata Atlântica. É um destino clássico para educação ambiental, com trilhas interpretativas que abordam a biodiversidade e a proteção de mananciais. Parque Zoobotânico Arruda Câmara (A Bica): Um ícone de João Pessoa que une lazer e educação. Para a comunidade acadêmica, a Bica é um espaço estratégico para estudos sobre bem-estar animal, botânica urbana e a importância da preservação das nascentes que alimentam nossa cidade. APA da Barra do Rio Mamanguape (Rio Tinto/Marcação): Um dos maiores santuários do peixe-boi-marinho no Brasil. O local combina manguezais, estuários e a cultura das comunidades potiguaras, sendo um exemplo prático de conservação de espécie ameaçada aliada ao turismo de base comunitária. Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (Cabedelo): Unidade de Conservação focada na preservação de recifes de coral. É um ponto crítico para debates sobre o impacto do turismo de massa e a importância de planos de manejo rigorosos. APA de Tambaba (Conde): Além das praias, a área protege falésias e remanescentes de floresta, com zonas específicas para trilhas de baixo impacto e observação da natureza. 2. Caatinga e Brejos de Altitude Parque Estadual da Pedra da Boca (Araruna): Um dos destinos mais emblemáticos para o ecoturismo de aventura (rapel e escalada) e estudos geológicos. O parque é um laboratório vivo para observar a transição de ecossistemas e pinturas rupestres. Parque Estadual Mata do Pau Ferro (Areia): Um “brejo de altitude” que guarda uma biodiversidade única de mata úmida em pleno semiárido. É um destino excelente para observação de aves e trilhas que destacam o microclima da região. Parque Ecológico de Natuba (Natuba): O ecoturismo é uma das principais atrações do setor turístico no município. A região é rica em vales, cachoeiras e paredões rochosos, o que atrai praticantes de esportes radicais, além de amantes de trilhas, acampamentos e da contemplação da natureza. O espaço é aberto à visitação e abriga uma extensa área verde, com piscinas naturais, barragens e cachoeiras, como a Cachoeira da Bica Grande. 3. Patrimônio Paleontológico Monumento Natural Vale dos Dinossauros (Sousa): Uma das Unidades de Conservação mais importantes do mundo para a paleontologia. Possui trilhas que levam a pegadas fossilizadas, sendo um destino indispensável para o turismo científico e educativo. Lajedo do Pai Mateus e APA do Cariri (Cabaceiras): Famoso por suas formações rochosas graníticas, o local é essencial para o estudo da arqueologia e paleontologia na Paraíba, além de ser um modelo de preservação em áreas privadas.
“Da natureza nada se tira a não ser fotos. Nada se deixa a não ser pegadas. Nada se leva a não ser recordações”
Fonte: Dia do Turismo Ecológico |