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A
PRÁTICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL DESENVOLVIDA PELO
PROGRAMA A ESCOLA VAI A MATA Pessoas
envolvidas - responsáveis:
Quatro: Stéfano Fais, Coordenador do Programa.Talita Cristina
de Oliveira, Educadora Ambiental; Aline Praxedes Mesquita,
Estagiária; Carolina Lins Pinto Caldeira, Estagiária. Instituição:
Instituto Floravida, Telefone: (14) 3811-3520 ramal 2090
Categoria e temática do trabalho: Ações/Práticas em sala de aula e/ou em contato com a natureza ou locais alternativos.
O Programa A Escola Vai a Mata é um dos programas do Instituto Floravida - uma organização civil sem fins econômicos, de direito privado e caráter socioambiental, que possui a missão de contribuir com a transformação socioambiental das comunidades inseridas em suas iniciativas, promovendo a educação em defesa da vida.
No atual modelo de desenvolvimento a relação do homem com a natureza está marcada pelo distanciamento. Como consequência, observamos a destruição e o esgotamento dos recursos naturais, a ameaça à diversidade cultural e ambiental, a desigualdade social, o consumismo desenfreado e o excesso de produção de lixo. Nesse contexto, nossa prática educativa busca contribuir com mudança no mundo e nas relações humanas através da educação. Nossas inspirações se baseiam na Ecopedagogia - que adota a Carta da Terra como norte e busca, de forma coletiva, uma abordagem local e a ressignificação da vida e das relações humanas, trazendo, enquanto proposta de aprendizagem, um novo sentir da vida, através da práxis e não somente da observação das questões de preservação ambiental, justiça social e consciência global. Acreditamos na mesma premissa afirmada por Gadotti que “Não aprendemos a amar a Terra lendo livros sobre isso, nem livros de ecologia integral. A experiência própria é o que conta. Plantar e seguir o crescimento de uma árvore ou de uma plantinha, caminhando pelas ruas da cidade ou aventurando-se numa floresta, sentindo o cantar dos pássaros nas manhãs ensolaradas ou não, observando como o vento move as plantas, sentindo a areia quente de nossas praias, olhando para as estrelas numa noite escura”. Assim, para uma prática efetivamente transformadora, os processos partem da concepção crítica como define Guimarães “a transformação da sociedade é causa e consequência (relação dialética) da transformação de cada indivíduo, há uma reciprocidade dos processos no qual propicia a transformação de ambos. Nesta visão, educando e educador são agentes sociais que atuam no processo de transformações sociais e nesse processo se transformam; portanto, o ensino teoria e prática, é práxis. Ensino que se abre para a comunidade com seus problemas socioambientais, sendo a intervenção nesta realidade a promoção do ambiente educativo e o conteúdo do trabalho pedagógico”. Baseando-se no campo da educação ambiental comunitária (MATAREZI et al., 2003, p. 204), busca promover uma reaproximação dos participantes com o meio ambiente nos seus aspectos naturais, sociais, culturais e históricos, e assim estimulando uma reflexão crítica das interações históricas entre a sociedade, o indivíduo e o lugar onde se vive. É desta maneira que o programa “A Escola vai à Mata” atua por meio de vivências em grupo, onde as pessoas experimentam diferentes situações e conhecem alguns ambientes pedagógicos como o viveiro de mudas, horta orgânica e jardim medicinal, onde podem re-significar a importância do sentir, estimulando e enaltecendo os sentidos: o tato, olfato, paladar e audição e também contextualizar essas questões na realidade em que vivem. Dentro desse contexto, as atividades relacionadas a trilhas demonstram-se um instrumento educacional riquíssimo e diferenciado, que gera ganhos afetivos, cognitivos e de habilidades que levam à mudanças positivas de valores, princípios e atitudes. (MATAREZI, 2000/2001 e 2004). As trilhas se apresentam como uma ferramenta de tornar o conhecimento interessante, contextualizado e real. O contato com a natureza é o elemento motivador para dar encanto e interesse pelas atividades desenvolvidas, no entanto é necessário conduzir os encontros da melhor maneira possível, de forma a alcançar finalidades educativas, por meio de experiências práticas. Nestas caminhadas pode-se trabalhar as relações “Eu – Meio Ambiente”, “Eu – O Outro” e “Eu – Comigo Mesmo” de forma vivencial e reflexiva. Portanto, ultrapassa em muito a dimensão de atividade apenas de sensibilização. A metodologia aplicada nas vivências é adaptada aos diferentes sujeitos, grupos participantes, ambientes, recursos disponíveis e, principalmente, ao contexto e seus objetivos pedagógicos. Justamente por representar uma gama de possibilidades é que se torna necessário uma sólida fundamentação teórica para que a proposta possa ser disseminada dentro da perspectiva crítica, emancipatória e transformadora da educação ambiental. (MATAREZI, 2000/2001).
Em
nossas ações, a educação ambiental
baseia-se, sobretudo, nos princípio do Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade
Global: “A educação é um direito de todos;
somos todos aprendizes e educadores”. desta forma, o programa
atende todas as faixas etárias a partir de 4 anos. A maior
parte de seu público alvo é proveniente da cidade sede,
no entanto está aberto ao atendimento de toda a região.
Geralmente esse público é constituído por
escolas municipais, estaduais e federais, também contando com
escolas particulares e grupos organizados, como orfanatos, creches e
projetos sociais.
Idosos: Grupos atendidos em parceria com os CRAS (Centro de Referência de Assistência Social);
Pessoas com deficiência: Grupos atendidos em parceria com a APAE-Botucatu;
Durante o ano de 2017 desenvolvemos atividades de educação ambiental em dois eixos principais: (a) Trilhas Pontuais e (b) Processo Contínuos.
Agendamento de visitas; questionário prévio com as instituições visitantes para verificar as expectativas e conhecer melhor o público alvo. Planejamento da atividade de acordo com o questionário prévio. Desenvolvimento da Trilha: recepção, brincadeiras, práticas de cultivo no viveiro pedagógico, trilhas ecológicas no espaço de ecótono e jardim de medicinais; lanche; avaliação com os envolvidos e avaliação com a instituição.
Registros fotográficos e relatórios descritivos com objetivo, metodologia e avaliação das atividades desenvolvidas.
Resultados
Desde a sua concepção até hoje, o Programa já recebeu mais de 21.000 visitantes e nos últimos anos tem atendido uma média de 1.700 pessoas anualmente, nas visitas pontuais.
Nos processos contínuos são 4 parcerias firmadas e satisfeitas com o processo desenvolvido: Programa Adolescer, AFRAPE (Associação Fraternal Pelicano), APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) – grupo de idosos.
Conclusão
A educação ambiental faz-se necessária na atual realidade planetária. É preciso envolver ações reflexivas, práticas, críticas e interventivas para sua boa atuação e envolvimento de diversas faixas etárias e realidades sociais para atingirmos a tão sonhada transformação da relação do homem com o meio que vive. Nossa atuação deve basear-se na construção de respostas para as perguntas inquietantes “de onde viemos e para onde vamos?”, sempre partindo do ponto que viemos, estamos e iremos juntos.
BRASIL, Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. Disponível em http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/trat_ea.pdf
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. 4. ed. São Paulo: Peirópolis, 2003.
GUIMARÂES, Mauro. Por uma educação ambiental crítica na sociedade atual. Margens, Abaetetuba, V.7 N. 9, p.11-22, SET, 2013
MATAREZI, José. Despertando os sentidos da educação ambiental Arisingthesensesaboutenvironmentaleducation. 2006
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