ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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14/06/2018INCRUSTAÇÃO DE ARTRÓPODES EM RESINA POLIÉSTER: KIT DIDÁTICO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS  
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TCC Completo - ABNT Padrão institucional



Incrustação de artrópodes em resina poliéster:

Kit didático para o Ensino de Ciências



Michele Macedo Lopes, Universidade Anhanguera-Uniderp, Av. Alexandre Herculano, 144, Jd. Veraneio, CEP: 79.037-280, Campo Grande – MS. Email: michelemacedolopes@gmail.com

Dra. Luciana Paes de Andrade, Universidade Anhanguera-Uniderp, Av. Alexandre Herculano, 144, Jd. Veraneio, CEP: 79.037-280, Campo Grande – MS. Email: luciana.andrade@uniderp.com.br

Dr. José Sabino, Universidade Anhanguera-Uniderp, Av. Alexandre Herculano, 144, Jd. Veraneio, CEP: 79.037-280, Campo Grande – MS. Email: sabino-jose@uol.com.br

Esp. Francisco Paulo Caires Junior, Grupo Kroton Educacional, Rua Tietê, 1208, Jd. Tabapuã,CEP: 86.025-230, Londrina - PR. Email: caires88@hotmail.com

Resumo: Os problemas relacionados ao ensino de artrópodes nas escolas regulares originam-se em virtude dos métodos de abordagem atuais, que se limitam aos livros didáticos que, por sua vez, apresentam o grupo por meio de desenhos ou fotografias. Dessa forma, as realidades das estruturas morfológicas não são transmitidas com clareza. Por esse motivo, vê-se a necessidade de inovar nos métodos de ensino, o que incentiva a criar novos modelos didáticos para a melhor absorção do conhecimento. Surge assim, uma nova forma de expor o conteúdo de artrópodes: emblocá-los em resina poliéster, o que pode facilitar a aplicação do conteúdo, unindo a prática e a teoria em sala de aula, proporcionando uma melhor visualização dos animais e sem a degradação dos mesmos, abortando a necessidade de novas coletas. Conforme pesquisas bibliográficas realizadas, consideramos que esse material tem um melhor custo benefício, além de proporcionar uma melhora na aprendizagem do conteúdo abordado.

Abstract: The problems related to the teaching of arthropods in regular schools originate because of the current methods of approach, since they are confined to textbooks that, in turn, introduce of the groups by means of drawing or photo, thus being the realities of structures are not clearly transmitted. For this reason, it is necessary to innovate teaching methods, which encourages the creation of new didactic models for the better absorption of knowledge. With this, a new way of exposing arthropod contents, instead of photos or animals fixed, also can be placed in polyester resin, being able to facilitate in the application of the content, joining the practice and theory in the classroom, providing a better animals and without a degradation of themselves, aborting a need for new collections. According to bibliographic research, we consider that this material has a better cost benefit, in addition to an improvement in the learning of the content addressed.

Introdução

A criação de materiais didáticos de baixo custo para o Ensino de Ciências vem se tornando, cada vez mais, uma necessidade para a realidade das escolas do nosso país. Esses recursos podem facilitar o ensino-aprendizagem tendo em vista que os materiais utilizados atualmente nas escolas, em sua maioria, estão ultrapassados e são desmotivadores para o aluno. Materiais didáticos possibilitam uma melhor aprendizagem, além de ser uma ferramenta essencial para os dias atuais. O ensino de Ciências e Biologia deve proporcionar ao aluno a oportunidade de visualização de conceitos ou de processos que estão sendo construídos por ele na escola (MORAIS, 2009).

Modelos didáticos são elementos facilitadores que podem ser utilizados para ajudar a vencer as dificuldades que se apresentam no longo caminho da conceitualização (GIORDAN; VECCHI,1996). Kits didáticos de artrópodes em resina poliéster podem ser utilizados no processo de ensino e aprendizagem, sendo um método essencial para uma melhor visualização. Além de poderem ser observados, a vantagem do uso desses materiais alternativos pelo método de emblocagem é que eles podem ser manipulados, facilitando a prática pedagógica e auxiliando os alunos no entendimento de questões que em livros e textos apresentam características abstratas. Sendo assim, a comunicação tátil-visual é considerada essencial para o aprendizado significativo (CROZARA; SAMPAIO, 2008).

A missão da educação é conduzir o crescimento intelectual, moral e ético dos alunos através de ensinamentos, exemplos, experiências levadas à escola. Porém há uma ineficiência no método adotado atualmente no ensino de ciências em especial no ensino do grupo de artrópodes. Por esse motivo, o desenvolvimento de um material didático para auxiliar nas aulas práticas do ensino de ciências, é de extrema importância tornando as aulas de ciências mais atrativas. Como materiais didáticos de artrópodes incrustados em resina poliéster, podem auxiliar nos fundamentos teóricos de ciências?

Sendo assim, o objetivo do presente trabalho foi analisar materiais e técnicas no ensino do conteúdo de artrópodes para estimular a aprendizagem e propor material didático, usando as técnicas de incrustação dos animais em resina. Além disso, os objetivos específicos desse trabalho foram descrever os métodos atuais para o conteúdo de artrópodes no ensino de ciências, relatar a importância de um material didático que estimule o aprendizado dos alunos em sala, propor a elaboração de um kit didático de artrópodes emblocados em resina poliéster.

Foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica pois, segundo Eichler e Del Pino (2010), esta evolui para uma melhora na qualidade do trabalho do professor e, por consequência, a formação de seus alunos. Primeiramente, foi feita uma busca geral por publicações científicas que falavam sobre o tema, e sobre metodologia didática aplicada ao ensino de ciências entre o período de 1990 a 2015 totalizando 36 trabalhos. A partir do método de abordagem dedutivo, houve a compilação de todas as informações de forma clara, onde os aspectos positivos do kit didático e possíveis deficiências nos métodos atuais de ensino serão identificados e apontados.

No decorrer do trabalho, conseguimos abordar além da ineficiência dos métodos atuais adotados para o ensino de artrópodes pelos materiais disponíveis sobre o conteúdo, como a importância de um kit de artrópodes emblocados para auxiliar os professores. Retratamos também o benefício dele em prol de educadores e educandos tendo em vista que é um método muito mais atrativo do que figuras e fotos dos livros didáticos oferecidos no acervo escolar e que pode ser passado por gerações.

Metodologia atual aplicada no ensino de Artrópodes em Ciências

Boa parte do conhecimento do ensino de biologia se dá observando, desde figuras (Figuras 1 e 2), fotografias (Figura 3), até exemplares fixados (Figura 4) disponíveis em laboratório (KRASILCHIK, 2008). Materiais didáticos e outros recursos variados são necessários para a educação de crianças e adolescentes, visto que a falta de interatividade em aulas expositivas pode desmotivar os estudantes (GIL, 2009). Muitas práticas, ainda hoje, são baseadas na mera transmissão de informações, tendo como recurso exclusivo o livro didático e sua transcrição na lousa (BRASIL,1998).

O conteúdo desses invertebrados expostos nos livros didáticos, mostram somente a classificação geral e descrevem de forma básica suas estruturas, sem dar ênfase no verdadeiro papel deste grupo na natureza (PUCCI et al., 2010). Esta superficialidade, na maioria das vezes induz a um conceito preconcebido de repulsa por estes animais, o que demonstra a falta de conhecimento dos alunos, pais e até mesmo dos professores.

Os PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), indicam como objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de se sentir integrantes, dependentes e autores renovadores do ambiente, identificando seus elementos e as relações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente.

Neste contexto, o papel das Ciências Naturais é contribuir para o entendimento do mundo e suas metamorfoses, posicionando o homem como indivíduo participativo e elemento constituinte do Universo. Os conceitos e métodos desta área auxiliam para a propagação dos fundamentos sobre os fenômenos da natureza, para o entendimento e o questionamento das diferentes posturas perante ela e, ainda, para a percepção das mais variadas formas de manipular os recursos naturais.

O ensino por meio das coleções pode permitir que os alunos aprimorem a aprendizagem, pois a ilustração dos animais (por meio de imagens) no ensino não consegue demonstrar a realidade que cada espécie possui (MARICATO et al., 2007).

Figura 1: Prancha utilizada para o ensino da morfologia externa de Crustacea.

Fonte: Rocha et al. (2010)

Figura 2: Prancha utilizada para o ensino da morfologia externa de Insecta.

Fonte: Rocha et al. (2010)

Figura 3. Fotografia de exemplar de Chelicerata.

Fonte:<http://en.paperblog.com/arachnida-1288335 >acesso em acesso em 05 de maio de 2017.

Figura 4. Fotografia de exemplar de artrópode espetado em alfinete.

Fonte:< http://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/colecao-insetos> acesso em 05 de maio de 2017.

Santos e Teran (2009) citam problemas no ensino de Zoologia, tais como a falta de preparação dos docentes, a ligação do ensino com a realidade do cotidiano do aluno, a sobreposição dos conhecimentos abordados, os recursos didáticos alternativos e as aulas práticas.

Ao trabalhar com Zoologia dos Invertebrados, Cândido e Ferreira (2012) afirmam que muitos professores têm dificuldades em adequar a dimensão do assunto à quantidade de aulas disponíveis para trabalhá-lo, ainda o fazendo de maneira que haja sentido para os alunos e que envolva as ideias evolutivas que permeiam este tema.

Por esse motivo os alunos se queixam que o conteúdo é cansativo e pouco interessante, mediante aos métodos adotados em um conteúdo extenso e de extrema importância. Neto e Fracalanza (2003), citaram que pesquisadores acadêmicos vêm se dedicando há pelo menos duas décadas a investigar a qualidade das coleções didáticas, denunciando suas deficiências e apontando soluções para melhoria de sua qualidade.

Desta forma, no ensino de Zoologia dos invertebrados, os projetos devem propiciar o entendimento pelos alunos dos conceitos e estruturas estudadas, debatendo através de táticas e materiais criativos e instigantes, que não intensifiquem o distanciamento do aluno gosto pela ciência e pela experimentação que ela proporciona, e sim que os leve a aprender algo novo a cada matéria aplicada.

Importância de um material didático de artrópodes em resina poliéster

Segundo Leal et al.(2011), em uma pesquisa feita com alunos da 6° série sobre o seu conhecimento com relação aos artrópodes, 58% deles citaram escorpiões e aranhas como inseto e outros 38% citaram de forma errônea os exemplares de insetos. Por isso, Matos et al. (2009) citam em seu trabalho a importância de um kit didático de entomologia em três dimensões e que poderia facilitar o processo de ensino e aprendizado pela sua melhor visualização.

Os invertebrados compõem cerca de 97% das espécies de animais descritas (RUPPERT et al., 2005), portanto um material didático para auxiliar nessas aulas, estimularia a curiosidade dos alunos e facilitaria o aprendizado em sua morfologia externa, já que o ensino sobre artrópodes proposto atualmente é tão superficial que a falta de conhecimento causa repulsa quando se fala nesse grupo.

O ensino e aprendizagem do conteúdo de Zoologia tem seu espaço garantido no Ensino Médio, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 2002). O ensino de Ciências Biológicas, de acordo com este documento, é uma obrigatoriedade, sendo valorizado principalmente com o avanço científico e com a exigência de novos conhecimentos gerada pela vida contemporânea.

No ensino de Biologia, em específico na área de Zoologia, os projetos devem possibilitar ao aluno a compreensão dos conceitos e estruturas estudadas, abordando materiais criativos e motivadores, que não distanciam ainda mais o aluno do gosto pela ciência e pela descoberta e que o leve a aprender de uma forma muito mais interessante e atrativa do que as que são oferecidas atualmente nas escolas.

As atividades experimentais não devem ser exclusivamente realizadas em um laboratório com roteiros seguidos nos mínimos detalhes e sim, partir de um problema ou questão a ser respondida (BRASIL, 2002).

As atividades executadas na escola devem contribuir na elaboração de explicações teóricas feita pelos próprios estudantes, estes poderão discutir os resultados obtidos, construir tabelas e gráficos (ATHAIDE; SILVA, 2011).

Lopes et al. (2013) citam em seu trabalho a falta de uma compreensão holística sobre os insetos por parte da população, sendo comum o uso de conceitos pejorativos e falsos sobre estes organismos.

Perspectivas pedagógicas contemporâneas apontam que atividades na aula devem ser conduzidas de modo a privilegiar o diálogo entre conhecimento sistematizado e situações reais, vivenciadas pelos alunos fora da escola, extraindo da realidade oportunidades de aprendizagem (BORGES; LIMA, 2007).

Portanto, se faz necessário aprimorar os métodos utilizando materiais vitalícios e com excelente qualidade visual para o ensino de artrópodes (Figura 5). Nessa perspectiva, pretende-se que o aluno articule a expressão oral e a escrita com base nas atividades investigativas de um material didático pedagógico devidamente relacionado ao tema e faça uso desta última na compreensão de conceitos científicos.

Decorre então a importância de que o aluno conheça a existência de diversos modelos alternativos na interpretação e compreensão da natureza, sendo apresentado aos modelos da Ciência, contrastando-os com os seus e com outros historicamente existentes. Isso o ajudará não só na compreensão mais clara do que é estudado como ainda colaborará para um melhor entendimento das formas de construção da Ciência (ZANON; FREITAS, 2007).

Apesar de não ter atingido a maioria das escolas e ter criado a ideia no professorado de que somente com laboratórios é possível alguma modificação no ensino de Ciências, muitos materiais didáticos produzidos segundo a proposta da aprendizagem por redescoberta constituíram um avanço relativo, para o qual contribuíram equipes de professores, trabalhando em instituições de ensino e pesquisa, para a melhoria do ensino de Ciências Naturais (BRASIL,1998). Segundo Astolfi e Develay (1990): “Dessa forma, um trabalho didático sobre modelização não se opõe ao trabalho experimental, mas sim o complementa. ”