ISSN 1678-0701
Número 68, Ano XVIII.
Junho-Agosto/2019.
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Relatos de Experiências

No. 68 - 11/06/2019
AULAS DE CAMPO NA AMAZONIA PARAENSE: ESTUDO COM OS ALUNOS DA PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS DO IFPA, BRAGANÇA-PA  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AULAS DE CAMPO NA AMAZONIA PARAENSE:

ESTUDO COM OS ALUNOS DA PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS DO IFPA, BRAGANÇA-PA



ENVIRONMENTAL EDUCATION IN FIELD LESSONS IN THE PARAENSE AMAZONIA:

STUDY WITH POST-GRADUATE STUDENTS IN ENVIRONMENTAL SCIENCES OF IFPA, BRAGANÇA-PA



Manoel Márcio M. Borges1, Priscila de Lima e Silva Dutra², Nivia Maria V. Costa³



1Especialista em Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologias do Pará – IFPA. E-mail: marciocn2012@gmail.com

2 Especialista em Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologias do Pará – IFPA. E-mail: prisciladlimaesilvadutra@gmail.com

³ Pós-doutoranda em Educação/ Universidade de Coimbra - Professora doutora do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologias do Pará – IFPA. E-mail: nivia.costa@ifpa.edu.br

Resumo: Trata-se de uma pesquisa sobre educação ambiental em aulas de campo em curso de pós-graduação, o objetivo da pesquisa foi compreender de que modo a aula de campo pode ser uma metodologia para a aprendizagem. Optou-se pela abordagem qualitativa com aplicação de questionários semiestruturados com característica de pesquisa participante. O cenário da pesquisa foi o município de Bragança-PA, Amazônia Paraense, e o lócus o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFPA. Os resultados apontam para um interesse dos alunos pelas aulas de campo, que compreendem melhor a realidade local e contribui com novos aprendizados. Conclui-se que há necessidade de ampliar a discussão sobre o tema proposto numa perspectiva a utilizar essa metodologia no ensino não somente nas turmas de pós-graduação, como nos diversos níveis e modalidades de ensino.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Amazônia paraense. Aula de campo. Pós-graduação.

Abstract: It is a research on environmental education in field lessons in the course of postgraduate studies, your research goal its understand how field lessons can be a methodology for learning. We opted for the qualitative approach with the application of semi-structured questionnaires with participant research characteristics. The research scenario was the municipality of Bragança-PA, Amazon Paraense, and the locus of the Federal Institute of Education, Science and Technology - IFPA. The results point to an interest of the students about the importance of the field lessons, better understand the local reality and contribute to new learning. It is concluded that there is a need to broaden the discussion about the proposed theme in a perspective to use this tool in teaching not only in postgraduate classes, but also in the different levels and modalities of teaching.

Keywords: Environmental Education.Paraense Amazon. Field class.Postgraduate.



Introdução



Este trabalho tem a finalidade de discutir sobre aula de campo como metodologia de ensino. De acordo com Zem (2014, p. 9) "o trabalho de campo na educação surge, portanto, como um instrumento valiosíssimo para a sensibilização de atitudes positivas da sociedade em relação ao meio ambiente". Dessa forma, sua contribuição no aprendizado poderá contribuir, sobretudo, na preservação do ambiente em que vivemos.

Corriqueiramente são divulgados, especialmente através da imprensa, informações que nos dão conta do quanto o planeta terra está sendo impactado por ações humanas e, sobretudo na Amazônia Paraense, que ainda detém uma grande parte da biodiversidade global, populações tradicionais e suas culturas. Assim, faz-se necessário a utilização da metodologia de aula de campo e discutir formas de mitigar os impactos antrópicos que essa região vem sofrendo, numa perspectiva de manter as riquezas naturais amazônicas preservadas, bem como os povos tradicionais que dela dependem.

Barros (2011), Cerati (2011) e Costa et al (2016), mencionam que os ambientes naturais vêm sofrendo crescentes ameaças e que devido a tais fatos a atenção global tem se voltado para a valorização destes ambientes e também na perspectiva da conservação da biodiversidade. Sobre essa questão, Barros (2011) reforça que,

Na Amazônia brasileira, por exemplo, onde nem sequer a biodiversidade é bem conhecida, e muito tempo será preciso para tal, a discussão desse assunto torna-se ainda mais desafiante, frente à dimensão espacial da área, à grande diversidade sociocultural presente, à riqueza de formas de uso e aproveitamento dos recursos advindos da biodiversidade pelas populações autóctones e à pressão internacional ora pela sua preservação, ora pelo seu aproveitamento econômico (BARROS, 2011, p. 24).

Assim, também se torna importante considerar, a questão dos povos e comunidades que vivem nessa região, onde Barros (2011, p. 22), destaca em sua pesquisa que "as comunidades humanas que integram esses sistemas naturais, são da mesma forma elementos importantes a considerar, pois, tal como a biodiversidade, sua existência também é ameaçada". Espera-se que com os aprendizados adquiridos estudando em contatos com esses povos, seja possível dar mais importância e reconhecimento a eles.

Marques e Carniello (2003, p. 11) afirmam que "o homem é o grande responsável pela degradação do ambiente, porém pode vir dele mesmo formas para a conservação". Então, faz-se necessário que como promotores de constantes degradações, sermos também realizadores de práticas que venham diminuir os impactos que causamos no ambiente em vivemos, e que através da educação e com novas metodologias de ensino aprendizagem seja possível melhorar o conhecimento do aluno, tornando este, um cidadão mais preparado para lidar com o futuro.

Este artigo trata da utilização de aula de campo na pós-graduação lato sensu, de modo especifico no curso de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia do IFPA/Campus Bragança. Surgiu a partir da preocupação em compreender a biodiversidade não apenas através de teorias, mas também do contato direto com o objeto de estudo que esteja ligado ao mundo do aluno, através de uma aprendizagem vivencial. Da mesma forma, no entendimento de Leff (2001) é necessário estabelecer uma ponte entre o saber científico e o saber popular, ao encontro de um diálogo de saberes que busque compreender a realidade na promoção da sustentabilidade.

Educação Ambiental no espaço escolar

Definir ou conceituar Educação Ambiental (EA) requer filtrar qual linha de pesquisa o pesquisador irá trilhar para alcançar seu objetivo final. Abordar educação ambiental é transitar por diversas discussões e modos de praticar a ação educativa neste campo, uma vez que não existe a melhor maneira de se fazer EA, mas existe a mais adequada àquela comunidade de pessoas que se irá abordar a temática.

Uma das correntes selecionadas para definição de EA é a corrente naturalista que consiste numa relação do ser humano bem próximo ao meio em que ele convive, na qual envolve o cognitivo, afetivo, experiencial, artístico ou espiritual (SAUVÉ, 2005). Essa experimentação com a natureza está ligada à sensação de pertencimento ao meio ambiente, em como nos sentimos partes dele, e na sua representatividade à vida. Trazendo esta visão global da corrente para a particularidade das comunidades tradicionais da Amazônia paraense o contato do homem com a natureza é uma extensão do seu próprio corpo, pois é na natureza que eles encontram subsistência à vida.

Levar a educação ambiental ao espaço escolar é criar condições e buscar metodologias que transponha o educando a refletir sua realidade, para que assim haja a consolidação da conscientização e sensibilização pelo meio, fazendo-o compreender-se como parte interdependente daquela biodiversidade local, no qual suas escolhas refletem e determinam resultados futuros e globais.

Para tal intento é necessário fazer o aluno compreender sua realidade, que por ser um cenário comum do dia a dia passa despercebida da criticidade que ele deveria possuir. O professor precisa transpô-lo da sua realidade para assim fazê-lo contextualizar, refletir e desenvolver a consciência crítica do aluno, capacitando-o e atribuindo valores sobre a ecologia e biodiversidade local, neste trabalho o educador será capaz de criar/estimular o sentimento afetivo de pertencimento pelo meio ambiente local.

Metodologia

Nesta pesquisa foi desenvolvida a técnica de abordagem qualitativa (CHIZZOTTI,1998), com opção pela pesquisa participante. As informações foram colhidas por meio da aplicação de questionários e observações diretas. A abordagem qualitativa é útil para uma análise intensiva de uma situação particular (YIN, 1989). Para Bressan (2000), é adequado para responder às questões de "como" e '"porque", que são questões explicativas e tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que frequências ou incidências.

O questionário foi aplicado aos alunos da primeira turma de pós-graduação lato sensu em Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia do lnstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, IFPA/Campus Bragança, e abordou questões sobre a opinião destes acerca da existência de aulas de campo no seu curso de especialização. Os alunos, sujeitos da pesquisa, participaram de uma aula de campo da disciplina Arranjos Produtivos Locais na Amazônia, Diagnósticos e Possibilidades, em Março de 2018. Sendo que compareceram 29 alunos do curso, dos 35 alunos matriculados, e foi realizada na Cerâmica São Mateus, produção familiar artesanal de panelas de barro que fica localizada na Comunidade São Mateus, distante a aproximadamente 13 km da sede do município de Bragança-PA. A seguir, veja imagens da aula de campo.

Figura 1: Local da retirada de argila. Cerâmica São Mateus/ Bragança-PA