ISSN 1678-0701
Número 71, Ano XIX.
Junho-Agosto/2020.
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Relatos de Experiências

No. 71 - 08/06/2020
RÁDIO AMBIENTAL: ENSINO E PESQUISA NA EDUCAÇÃO BÁSICA  
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RÁDIO AMBIENTAL: ENSINO E PESQUISA NA EDUCAÇÃO BÁSICA



ENVIRONMENTAL RADIO: TEACHING AND RESEARCH IN BASIC EDUCATION

Carlos Eduardo Fortes Gonzalez <cefortes@yahoo.com>.

Departamento de Química e Biologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná



Resumo: No Ensino Técnico integrado de nível médio ofertado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, na unidade curricular de Biologia, propôs-se uma atividade pedagógica denominada de “Rádio Ambiental”. Tal nome derivou do fato de que a proposta de trabalho discente funcionava como se fosse uma emissora de rádio, no sentido de que o aluno deveria se utilizar, basicamente, da oratória, para efetivar a sua apresentação de palestra curta (máximo de 5 minutos) aos colegas de classe. Além da retórica, o estudante poderia usar como recurso didático o quadro-negro, se assim o desejasse. A relevância da referida tarefa para o alunado consiste na aprendizagem estudantil para a elaboração de apresentações orais organizadas, havendo a coleta de dados para esta empreitada, introdução, justificativa, objetivos, metodologia empregada, desenvolvimento, considerações finais e referências. Em outros termos, os discentes também principiavam nos elementos básicos de investigação científica. Ademais, ao final da apresentação também havia a discussão em classe, propiciando a todos os discentes a participação direta por meio de debate sobre o tópico em pauta.



Palavras-chave: Educação Ambiental, Estudos socioambientais, Ensino-aprendizagem.



Abstract: In the integrated technical teaching of secondary level offered by the Federal Technological University of Paraná, in the Biology course, a pedagogical activity called "Environmental Radio" was proposed. This name was derived from the fact that the student work proposal functioned as if it were a radio station, in the sense that the student should basically use the oratory to effect his presentation of a short lecture (maximum of 5 minutes) to classmates. In addition to rhetoric, the student could use the blackboard as a didactic resource, if he so desired. The relevance of this task for the student consists of student learning for the preparation of organized oral presentations, with the collection of data for this endeavour, introduction, justification, objectives, methodology used, development, final considerations and references. In other words, students also started with the basic elements of scientific research. In addition, at the end of the presentation there was also a class discussion, providing all students with direct participation through debate on the topic at hand.

Abstract: Environmental Education, Socioenvironmental studies, Teaching-Learning.



Introdução

A atividade pedagógica denominada Rádio ambiental, explicitada no Resumo deste Relato de experiência, teve lugar no contexto caracterizado a seguir.

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná teve a sua primeira unidade em Curitiba. Além de ser instituição de ensino superior, contava também com turmas de curso técnico de ensino médio. A instituição teve diversos cursos técnicos na capital paranaense; em todos havia a disciplina de Biologia, como parte do núcleo comum de nível médio; nesta disciplina que se deu a atividade pedagógica denominada de “Rádio ambiental”. Houve seis cursos técnicos: Mecânica, Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Telecomunicações e Design (LEITE, 2010). Portanto, seis turmas em cada série do ensino médio, isto é, da primeira à terceira série, totalizando 18 turmas de Biologia (uma turma por série do ensino médio por curso).



Fundamentação teórica e Metodologia

A Rádio ambiental propicia ao estudante a oportunidade de iniciação à investigação científica, pois a primeira parte do trabalho consiste na coleta de dados por meio de pesquisa bibliográfica. Minayo (2007) explana que a pesquisa bibliográfica é uma investigação elaborada a partir de materiais já publicados ou disponibilizados, tais como livros, artigos de periódicos, revistas e materiais disponíveis na grande rede mundial (Internet). Oliveira (2007) explica que se trata de uma tipologia de estudo diretamente em fontes científicas, sem a necessidade de recorrer diretamente aos fatos ou fenômenos da realidade baseada na experiência.

Deste modo, a proposta pedagógica em tela estimula a autonomia estudantil, oportunizando o desenvolvimento do espírito de iniciativa e reflexão do aprendiz sobre o seu próprio trabalho (BORDENAVE e PEREIRA, 2014), o que por sua vez caracteriza que tal proposta pedagógica é uma boa ação de docência para os processos de ensino e aprendizagem. Segundo Freire (2007), a ação docente é o lastro de uma boa formação e contribui para a construção de uma sociedade pensante.

Nesta metodologia participativa de aprendizagem, o professor orienta os alunos para a produção da apresentação (MORIN, 2002). Em conformidade com Masseto (2003) é importante que o professor desenvolva uma atitude de parceria e corresponsabilidade com os alunos, que planejem as atividades juntos, usando meios que facilitem a participação e considerando os alunos como sujeitos corresponsáveis pela sua própria formação educacional, cultural e profissional.

O trabalho proposto, onde o estudante precisa elaborar a sua própria apresentação, de forma lógica e organizada e apresenta-la para o grupo, constitui-se numa lição de autonomia formidável para o aprendizado rumo à independência do educando, preparando-o de modo significativo para a vida em sociedade (GIL, 2008). Em consonância com estas ideias, Freire (2008) também assevera que a autonomia é uma das grandes lições que os bons educadores podem conferir aos seus aprendizes.



Descrição da experiência

Propõem-se aos discentes da disciplina de Biologia nas turmas de ensino médio técnico integrado que realizem uma atividade denominada de Rádio ambiental. Tal atividade consiste na escolha de um tema de interesse pessoal do aluno, ligado à Biologia. A atividade é individual e o estudante tem o tempo de cinco minutos, no máximo, para a apresentação, que pode ser somente retórica (oratória) ou com o uso do quadro-negro. Outros recursos não são permitidos, pois se trata de apresentação muito curta, onde um dos objetivos didático-pedagógicos é o de que o educando possa obter a autonomia de explanar brevemente sobre algum tema de interesse sem precisar estar cercado de recursos midiáticos como projetores de diapositivos e vídeos, por exemplo. Isto se constitui num excelente exercício para o desenvolvimento da oratória organizada e lógica, portanto, eficiente (PENTEADO, 2000).

Embora o tema a ser apresentado seja livre, dentro do contexto das Ciências biológicas, são dados exemplos ilustrativos aos estudantes. Por exemplo, comenta-se que boa parte do que se vê na mídia numa base diária (jornais, revistas, TV, internet, etc.) versa sobre aspectos ambientais, ecológicos ou biológicos, ou seja, temáticas de interesse no campo das Ciências ambientais e biológicas (temas que rotineiramente estão nas diversas mídias como sexualidade; aborto; agrotóxicos; inovações na área médica; veterinária; farmacêutica; de Engenharia florestal; agrícola; ambiental; acidentes e desastres ambientais como enchentes, secas; epidemias; transgênicos, mobilidade urbana; enfim, uma infinidade de temáticas biológicas). A temática ambiental está constantemente presente nas mídias, dada a sua relevância social em âmbito global (REIGOTA, 2014).

Ao longo das aulas, os alunos têm espaços no início ou ao final, onde têm a oportunidade de apresentar os resultados do seu trabalho elaborado. Ao final de cada apresentação, os colegas têm a oportunidade de perguntar, num tempo limitado a cinco minutos (mesmo tempo de duração da apresentação) sobre eventuais dúvidas ou aspectos de interesse sobre o tema apresentado. A discussão em classe entre os estudantes oportuniza a participação de todos, incrementando o interesse e o aprendizado (LOWMAN, 2004).



Resultados e Discussão

A resposta discente em função da atividade proposta é bastante positiva e isto pode ser constatado pela observação sistemática (VIANNA, 2003) das apresentações efetivadas (onde se percebe o grande entusiasmo dos apresentadores, na sua maioria) e do interesse estudantil pós-apresentação, por meio de questionamentos, comentários complementares, etc.

As metodologias de aprendizado onde a participação ativa do alunado é requerida costumam ser mais efetivas do que aquelas em que o estudante é passivo nos processos didático-pedagógicos (VEIGA, 2006).

Deste modo, pela observação das reações do alunado, percebe-se a pertinência e a conveniência da continuidade da atividade pedagógica em apreço, dado o interesse da maioria do alunado que está envolvido no processo pedagógico proporcionado. O interesse estudantil pelas atividades pedagógicas é essencial para a eficácia do processo de ensino e aprendizagem (PIMENTA, 2005).



Considerações finais

A realização da atividade ocasionou evidente satisfação dos docentes e da maioria dos discentes envolvidos, como se pôde observar, visto que a maior parte dos estudantes se envolveu entusiasticamente no processo, produzindo apresentações interessantes e bem organizadas sobre os livres temas de sua escolha, dentro do vasto campo de conhecimento das Ciências biológicas.

Certamente, boa parte do sucesso desta metodologia ativa de ensino-aprendizagem se deve à variação da rotina escolar, onde os alunos são exaustivamente submetidos às tradicionais aulas expositivas. Não se trata de asseverar aqui que tal modalidade tradicional seja ultrapassada, pois, sem dúvida, é parte imprescindível do processo educacional em quaisquer campos do conhecimento. O que se pontua aqui é que utilizar tão somente este modelo exaure a boa vontade dos envolvidos no processo, tornando as atividades pedagógicas repetitivas e monótonas Justamente por isso é relevante a variabilidade no uso de recursos didático-pedagógicos, inclusive daqueles que permitem atividade participativa por parte do alunado, estimulando-os a serem produtores dos seus próprios processos educativos, o que é estimulante e salutar ao aprendizado, dada a motivação que tais metodologias propiciam aos aprendizes.



Bibliografia

BORDENAVE, J. D; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2014.

COMO PUBLICAR - Normas de publicação na Educação Ambiental em Ação. Berenice Adams, Júlio Trevisan e Sandra Barbosa. Educação Ambiental em Ação. Disponível em: < http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=872>. Acesso em: 21 de Julho de 2017.

FREIRE, P. Educação e Mudança. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

GIL, A. C. Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2008.

LEITE, J. C. C. UTFPR: uma história de 100 anos. Curitiba: UTFPR, 2010.

LOWMAN, J. Dominando as técnicas de ensino. São Paulo: Atlas, 2004.

MASSETO, M. T. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003.

MINAYO M. C. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. Rio de Janeiro: Abrasco, 2007.

MORIN, E. Sete saberes necessários para a educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2002.

OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2007.

PENTEADO, J. W. A técnica da comunicação humana. São Paulo. Pioneira, 2000.

PIMENTA, S. G. Professor Reflexivo no Brasil. São Paulo: Cortez, 2005.

REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 2014.

VEIGA, I. P. A. Técnicas de ensino: novos tempos, novas configurações. Papirus, 2006.

VIANNA, H. M. Pesquisa em educação: a observação. Brasília: Plano, 2003.







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