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NÓS VAMOS MUDAR E O PLANETA AGRADECE Fernanda Carvalho O
Dia da Terra é comemorado em 22 de abril e foi criado, em 1970, pelo então
senador americano Gaylord Nelson. Naquela data, o
senador convocou um grande protesto, nos Estados Unidos, que tinha como pauta a
poluição. O evento foi um grande sucesso e contou com cerca de 20 milhões de
pessoas preocupadas com os impactos negativos que o ser humano provoca no meio
ambiente. Coincidência ou não, além de ser o ano em que aconteceu uma redução
considerável nas taxas de poluição, 2020 também é o ano do 50º Dia da Terra. A
pandemia de Covid-19 não mudou apenas o estilo de
vida dos humanos. Com um terço da população mundial em quarentena, não é de se
estranhar que ela também impactasse a dinâmica do meio ambiente. Impactos
no mundo Há
alguns dias eu escrevi um texto falando exatamente sobre isso. Até os animais
estão mudando os hábitos devido à ausência de humanos. Em meio à crise, a natureza parece ter se
levantado para nos lembrar da sua força. Com a expressiva diminuição da
atividade humana, o meio ambiente começou a reaparecer onde antes estava
esquecido. Em
várias cidades, animais que habitualmente ficavam em parques urbanos têm sido
avistados passeando pelas ruas, em busca de comida ou simples exploração do
espaço. Javalis nos passeios de Barcelona, pavões no centro de Madrid ou patos
nas fontes de Roma. Com
menos automóveis nas ruas e menos fábricas funcionando, a diminuição na emissão
de poluentes foi detectada por satélites em várias regiões do mundo, incluindo
Brasil, China, Estados Unidos e Itália. O
impacto da pandemia foi medido até por sismógrafos. A quarentena generalizada
diminuiu o ruído sísmico da crosta terrestre, resultado da diminuição da
atividade humana. O fenômeno foi detectado por geólogos de diversos países. Na
prática, a diminuição do ruído não faz tanta diferença para o meio ambiente,
mas pode facilitar a detecção de terremotos leves e outros pequenos abalos
sísmicos. Mudança
de hábitos e mentalidade É
inegável que as pessoas estão mudando com a quarentena e isso é muito visível
nas redes sociais. Observe o seu Instagram com
atenção e você perceberá que a “competição” por fotos de viagens, restaurantes
e vidas perfeitas, simplesmente acabou. Pessoas
que não se falavam há anos, voltaram a ter contato por
um simples motivo: as pessoas frearam o ritmo e passaram a ter mais tempo
livre. Com tempo sobrando você começa a fazer coisas que a vida corrida de
antes não te permitia: fazer um bolo, brincar de jogos de tabuleiro, muitas
pessoas voltaram a tocar aquele instrumento que estava esquecido há tempos,
inventar mil passatempos com os filhos, dançar, fazer artesanato, enfim, as
pessoas voltaram a ter tempo para fazer as coisas que gostam, mas que a busca
pela vida perfeita para as redes sociais, não as permitia fazer. Mas
o fator que realmente pode ser decisivo no comportamento das pessoas em relação
ao planeta é a falta de liberdade. É possível que haja
uma mudança de mentalidade e que as pessoas percebam o quanto os ambientes
naturais são importantes para a manutenção da saúde mental. Pode ser que as
pessoas iniciem um processo de reflexão que será decisivo para as mudanças de
hábito e que em um futuro próximo as pessoas se tornem mais conscientes. De
uma coisa eu tenho certeza: as pessoas vão mudar com a quarentena. Muitos
descobrirão que ficar em casa com a família pode ser maravilhoso, outros
observarão a economia que terão ao não andar de carro, outros vão entender que
o tempo gasto para se locomover para o trabalho faz toda a diferença para se
aproveitar melhor o dia e no final disso tudo eu digo que temos tudo para nos
tornarmos pessoas melhores. Mas
esse efeito vai continuar? Certamente
não. A história da humanidade é recheada de períodos de crise seguidos de
crescimento econômico e desenvolvimento da indústria e da tecnologia. Assim,
muito provavelmente, após a quarentena haverá um grande esforço por parte da
indústria, comércio e governos, na tentativa de reerguer a economia e recuperar
os prejuízos adquiridos durante a quarentena. Desta forma, teremos uma espécie
de rebote, que poderá deixar os números da poluição muito semelhantes aos
esperados para o ano. Isso
já pode ser observado na China. A redução de poluentes ocorreu entre janeiro e
fevereiro, quando a quarentena se intensificou no país. Agora, com a retomada
da produção industrial, a China já voltou a registrar altos índices de poluição
e desde o dia 17 de fevereiro, os índices de NO2 estão 50% maiores do que no
período de quarentena. De
qualquer forma, deixo aqui a minha esperança de que os efeitos da quarentena
serão positivos para o meio ambiente, independente das
influências capitalistas que tentarão fazer com que o mundo volte a ser o que
era antes. Fonte:
https://www.matanativa.com.br/blog/nos-vamos-mudar-e-o-planeta-agradece/ |